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IRB (Re) vira favorito do JP Morgan com projeção de dividendos altos

por Camila Braga - Repórter de Economia
08/12/2025 às 12h45 - Atualizado em 15/05/2026 às 16h57
em Destaque, Negócios, Notícias
Irb (Re) Vira Favorito Do Jp Morgan Com Projeção De Dividendos Altos - Gazeta Mercantil

IRB (Re) vira favorito do JP Morgan e ganha projeção de dividendos elevados até 2028

O interesse renovado do mercado pelo IRB (Re) ganhou força após o JP Morgan revisar sua avaliação da companhia e elevá-la ao topo das preferências do setor de seguros e resseguros. A instituição financeira passou a recomendar compra dos papéis da empresa, destacando fundamentos sólidos, perspectivas de reprecificação dos ativos e um potencial crescente de distribuição de dividendos nos próximos anos. A análise alterou a percepção dos investidores e ampliou a expectativa de valorização da ação, marcada agora por projeção de forte retorno total ao acionista.

A revisão realizada pelo banco internacional elevou o preço-alvo da ação para 2026, passando de R$ 54 para R$ 64, o que representa um potencial de valorização superior a 30%. A mudança ocorre em um momento no qual as ações do IRB (Re) sobem cerca de 13% no ano, desempenho inferior ao Ibovespa, que avança mais de 31%, e ao MSCI Financials Brasil, que acumula ganhos de 47% em reais. A disparidade entre a performance da empresa e a do mercado em geral reforça o entendimento de que há amplo espaço para recuperação no médio prazo.

O relatório analisado pelo setor financeiro atribui a reclassificação do IRB (Re) ao conjunto de fundamentos que sustentam a retomada da companhia, especialmente a melhora gradativa na qualidade da carteira, a composição dos prêmios e a capacidade de geração de capital. O ganho de eficiência na resseguradora, aliado à reorganização operacional dos últimos anos, ampliou a confiança dos analistas em uma trajetória consistente de resultados, menos vulnerável a choques de curto prazo e mais dependente da evolução estrutural do negócio.

Entre os aspectos apresentados, destaca-se a capacidade crescente da companhia de distribuir dividendos. A projeção para os próximos anos indica que a remuneração ao acionista deve ganhar relevância na tese de investimentos. O banco estima que o IRB (Re) poderá distribuir metade do lucro em 2026, aumentando para 75% em 2027 e alcançando 90% em 2028. Com isso, os dividend yields projetados ficam em 8%, 13% e 18%, respectivamente, patamares que superam a média histórica do setor e elevam a atratividade da ação para investidores interessados em renda recorrente.

Essa projeção é sustentada por três fatores principais. O primeiro é a forte geração de capital orgânico excedente, impulsionada por um retorno sobre o patrimônio líquido tangível (RoTE) superior a 20%. Esse indicador, sensível à performance operacional e ao controle de riscos, posiciona o IRB (Re) em um patamar competitivo em comparação a resseguradoras de mercados desenvolvidos. O segundo fator é a elevação do lucro caixa distribuível, favorecido pelo uso de créditos tributários que aumentam o resultado líquido disponível para o acionista. O terceiro é o índice de solvência da companhia, projetado para superar 260% ao fim de 2025, nível considerado folgado para o setor e capaz de suportar crescimento moderado da carteira sem necessidade de capital adicional.

Ainda que o cenário indique robustez financeira, o IRB enfrenta desafios ligados ao comportamento dos prêmios emitidos. No acumulado do ano de 2025, a companhia registrou queda de cerca de 10% nos prêmios, o que se tornou foco de atenção entre investidores mais conservadores. A retração ocorre principalmente devido à perda de prioridade em segmentos estratégicos, como vida e aviação. No entanto, quando excluídos os produtos de vida, a redução dos prêmios recua para apenas 2%, sinalizando que a maior parte da queda se concentra em nichos específicos afetados por condições de mercado.

A visão do JP Morgan é de que o desempenho dos prêmios deve voltar ao campo positivo em 2026. Isso ocorre porque a base comparável ficará mais fraca no início do ano, favorecendo altas estatísticas ao longo dos trimestres seguintes. As projeções apontam para crescimento aproximado de 5% nos prêmios emitidos, considerando uma recuperação moderada e alinhada ao ritmo de expansão esperado para o setor de seguros. Contudo, essa trajetória pode ser influenciada por fatores como um agronegócio mais fraco e um possível afrouxamento das condições de mercado, que reduziria tarifas e pressionaria margens.

Além dos aspectos operacionais, o ambiente regulatório terá papel decisivo no desempenho do IRB (Re) a partir de 2027. Entre as discussões em andamento, a reforma do IVA se destaca por eliminar a incidência de imposto sobre a receita de resseguro. Essa mudança é avaliada como estruturalmente positiva para o setor e pode elevar o lucro por ação da companhia entre 10% e 20%. A desoneração tributária dá maior previsibilidade ao fluxo de caixa e reduz o peso fiscal sobre operações de grande porte, ampliando a margem líquida e fortalecendo a competitividade da empresa no mercado global.

Outro ponto analisado é a relevância do resultado financeiro na composição do lucro do IRB. As projeções indicam que parcela expressiva da lucratividade antes dos impostos virá da gestão financeira, que tem apresentado desempenho eficiente mesmo em ambiente de alta volatilidade. O portfólio local rende mais de 12% no acumulado do ano, taxa considerada adequada diante das expectativas para a Selic média em 2026, que deve permanecer próxima a esses níveis, segundo analistas. O cenário reforça a ideia de que as receitas financeiras continuarão exercendo papel importante na sustentação dos resultados anuais.

A tese de investimento baseada em fundamentos, destacada pela instituição financeira, afasta a dependência de fatores eleitorais ou de movimentos bruscos de política monetária. Embora os juros influenciem o retorno das aplicações financeiras, a resseguradora se beneficia de um modelo operacional que, quando equilibrado, preserva margens mesmo em cenários de menor crescimento econômico. O fortalecimento da governança e o foco na eficiência interna também têm contribuído para ajustar processos que, no passado, causaram volatilidade e incerteza entre investidores.

A melhora gradual da companhia tem sido observada desde a reestruturação iniciada há alguns anos, quando o IRB passou por revisão completa de processos, gestão de riscos e composição da carteira. A transição para um modelo mais disciplinado elevou a previsibilidade dos resultados e reconstruiu parte da confiança perdida pelo mercado durante os episódios que afetaram a credibilidade da empresa. A recuperação de indicadores estratégicos, como sinistralidade, solvência e capital disponível, reforça que a resseguradora se encontra em um novo ciclo operacional.

Apesar das perspectivas positivas, existem riscos associados à tese. Uma eventual desaceleração econômica prolongada poderia reduzir a demanda por seguros e resseguros, impactando diretamente o volume de prêmios emitidos. Além disso, setores como agronegócio, frequentemente sujeitos a variações climáticas e geopolíticas, representam exposição relevante na carteira da companhia. Mudanças estruturais na política de juros, tanto no Brasil quanto no exterior, também poderiam influenciar o desempenho financeiro dos investimentos da empresa.

Mesmo com esses riscos, o JP Morgan entende que o balanço de probabilidades favorece uma visão otimista para o IRB (Re). O potencial de reprecificação das ações, associado a um cenário de dividendos crescentes e fundamentos sólidos, coloca a empresa em posição privilegiada entre as resseguradoras listadas. A combinação entre solvência elevada, rentabilidade crescente e ambiente regulatório favorável cria uma base sustentável para o crescimento dos resultados nos próximos anos.

O interesse crescente de investidores institucionais e gestores de fundos também reforça o fortalecimento da tese. A busca por empresas capazes de oferecer retorno consistente acima da média do mercado tem direcionado parte do fluxo para segmentos considerados defensivos, como seguros e resseguros. Nesse contexto, uma companhia com estrutura robusta e capacidade de distribuição elevada de dividendos torna-se atraente, especialmente em períodos de ambiente macroeconômico incerto.

A expectativa é que a empresa continue a aprimorar sua performance financeira e operacional ao longo de 2026 e 2027. Se confirmadas as projeções de crescimento dos prêmios emitidos, redução de custos e melhoria da eficiência interna, o IRB (Re) pode expandir sua participação no mercado, reforçando sua relevância nacional e internacional. A consolidação da governança e a transparência dos relatórios financeiros serão essenciais para sustentar o movimento de recuperação e manter a confiança dos investidores.

Com todos esses elementos, o cenário atual posiciona o IRB (Re) como um dos nomes mais promissores da bolsa brasileira dentro do setor financeiro. A reavaliação feita pelo JP Morgan funciona como catalisador para um ciclo de valorização potencial, enquanto o aumento previsto na distribuição de dividendos amplia o apelo da ação para diferentes perfis de investidor. A companhia entra, assim, em uma nova fase, marcada por expectativas de rentabilidade crescente e maior estabilidade operacional.

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