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Lula confirma ida ao G7 e diz que vai “colocar ordem na casa” após ofensiva dos EUA

Presidente diz que participará da cúpula na França para defender a democracia, a reforma da ONU e a soberania comercial do Brasil diante da ofensiva de Donald Trump

por Júlia Campos
03/06/2026 às 13h15
em Política
Após Anúncio De Tarifas Dos Eua, Lula Exibe Cartaz: &Quot;Pix É Do Brasil&Quot; - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quarta-feira, 3, que participará da Cúpula do G7, marcada para junho na França, em meio ao aumento da tensão diplomática e comercial provocada por novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos contra o Brasil e outros países. Durante reunião ministerial, Lula afirmou que decidiu ir ao encontro para tentar “colocar ordem na casa” diante do que classificou como desmonte do multilateralismo, da democracia e das instituições internacionais.

“Eu nem ia no G7, mas agora eu vou. Porque é preciso que alguém tente colocar ordem na casa e dar um paradeiro nessa coisa que está acontecendo, de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições”, afirmou o presidente.

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A declaração ocorre após um órgão do governo norte-americano divulgar documento sugerindo nova imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e de outros países, em mais uma etapa da ofensiva comercial conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sem citar diretamente Trump em parte do discurso, Lula criticou o tratamento dado por Washington ao Brasil e afirmou que o país não aceitará ser tratado como uma “republiqueta insignificante”. O presidente também disse que enviará nova carta ao chefe da Casa Branca e que escreverá artigos na imprensa internacional para defender a posição brasileira.

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Lula mira G7 em meio a tensão com os Estados Unidos

A ida de Lula ao G7 ganha peso político em um momento de deterioração das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano avalia novas tarifas contra produtos brasileiros, ampliando a pressão sobre setores exportadores e elevando a tensão diplomática.

Durante a reunião ministerial, o presidente brasileiro afirmou que o país buscará novos parceiros econômicos caso as medidas avancem. Segundo Lula, o Brasil venderá seus produtos “para quem quiser comprar” e não ficará “chorando” diante da possibilidade de sobretaxação.

A fala sinaliza uma tentativa do Palácio do Planalto de responder politicamente à ofensiva comercial dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que busca reforçar a imagem do Brasil como ator relevante em fóruns internacionais.

O G7 reúne algumas das maiores economias desenvolvidas do mundo e costuma concentrar discussões sobre economia global, comércio, segurança, clima, tecnologia e governança internacional. A participação de Lula na cúpula deve ser usada pelo governo brasileiro para defender a reforma das instituições multilaterais e criticar medidas unilaterais de política comercial.

Presidente defende reforma da ONU

Lula também voltou a defender mudanças na Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente no Conselho de Segurança. Segundo o presidente, a estrutura atual não reflete a realidade geopolítica contemporânea e precisa incluir novos países como membros permanentes.

O petista afirmou que, se a ONU não está funcionando como deveria, a solução não é destruí-la, mas reformá-la. Para ele, a ampliação do Conselho de Segurança tornaria a organização mais útil diante da multiplicação de conflitos internacionais.

“Hoje nós somos quase 200 países, mas nós não apitamos nada, só fazemos discursos, quem decide são só cinco membros, e está na hora de fazê-los assumir a responsabilidade para melhorar a vida do planeta Terra”, disse Lula.

A crítica ao formato atual da ONU é uma bandeira recorrente da política externa brasileira. O Brasil defende há anos a ampliação do Conselho de Segurança e busca maior participação de países em desenvolvimento nas decisões globais.

Governo reage a nova rodada do “tarifaço”

A fala de Lula ocorre no contexto de uma nova ameaça de tarifa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O governo norte-americano divulgou documento sugerindo a imposição de novas cobranças sobre importações do Brasil e de outros países, em mais uma etapa do chamado “tarifaço”.

A medida aumentou a preocupação de setores exportadores e entrou no radar do mercado financeiro. Tarifas adicionais podem reduzir competitividade de produtos brasileiros no mercado norte-americano, afetar cadeias produtivas e pressionar negociações diplomáticas.

Lula afirmou que o Brasil não aceitará passivamente o tratamento dado pelos Estados Unidos. O presidente disse que o país é grande, tem história e precisa ser respeitado nas relações internacionais.

“A nossa luta é para que esse país não seja tratado como uma republiqueta insignificante. Nós somos grandes, temos história e não aceitaremos o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana”, declarou.

Brasil pode buscar novos parceiros comerciais

Ao comentar a possibilidade de novas tarifas, Lula afirmou que o governo brasileiro poderá ampliar a busca por outros parceiros econômicos. A sinalização indica que o Planalto pretende usar a diversificação comercial como resposta à pressão dos Estados Unidos.

A estratégia dialoga com a política externa adotada pelo governo, que busca ampliar relações com países da Ásia, África, América Latina e Europa, além de fortalecer blocos e fóruns multilaterais.

A eventual imposição de tarifas pelos Estados Unidos pode acelerar esse movimento. Setores exportadores brasileiros tendem a acompanhar de perto a reação do governo e os desdobramentos das negociações comerciais.

Para empresas, o principal risco está na perda de competitividade em mercados estratégicos. Para o governo, a disputa envolve também soberania, diplomacia econômica e posicionamento internacional do Brasil.

Discurso reforça tom de enfrentamento diplomático

O tom adotado por Lula mostra que o governo pretende responder politicamente à ofensiva norte-americana. A decisão de ir ao G7, segundo o próprio presidente, foi tomada após a escalada das tensões comerciais e institucionais.

A fala também reforça a tentativa de Lula de se colocar como defensor do multilateralismo em um cenário internacional marcado por conflitos, protecionismo e disputa entre grandes potências.

Ao dizer que pretende “colocar ordem na casa”, o presidente busca marcar posição contra medidas unilaterais e defender maior peso para instituições internacionais. A mensagem mira tanto o público externo quanto a base política doméstica.

Internamente, o discurso também serve para alinhar ministros em torno de uma reação coordenada à possível tarifa. Lula pediu que a sociedade brasileira e mundial reconheça o fortalecimento da democracia no país e vinculou a disputa comercial a um debate mais amplo sobre instituições.

Cúpula do G7 deve ampliar embate sobre comércio e multilateralismo

A participação de Lula na Cúpula do G7 deve transformar o encontro em uma arena de maior visibilidade para a resposta brasileira às medidas dos Estados Unidos. O presidente pretende usar o evento para defender a reforma da governança global, criticar o enfraquecimento das instituições multilaterais e reafirmar a posição do Brasil em defesa do comércio internacional.

A presença na França também ocorre em um momento de aumento da tensão econômica. A ameaça de novas tarifas norte-americanas pode afetar setores produtivos brasileiros e ampliar a pressão sobre a diplomacia comercial do governo.

Ao mesmo tempo, Lula tenta enquadrar a disputa em termos políticos mais amplos. Para o presidente, o problema não se limita ao comércio, mas envolve o enfraquecimento das instituições, a perda de legitimidade de organismos internacionais e a necessidade de maior participação de países em desenvolvimento nas decisões globais.

A ida ao G7, portanto, passa a ter peso estratégico para o governo brasileiro. Lula pretende transformar a cúpula em palco para contestar a ofensiva comercial dos Estados Unidos e defender uma reorganização do sistema multilateral.

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