quarta-feira, 19 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Focus eleva inflação para 5,04% em 2026 e mantém Selic em 13,25%

Mercado financeiro aumenta projeção para o IPCA pela 11ª semana seguida, reduz estimativa para o dólar e vê crescimento ligeiramente maior do PIB em 2026.

por Camila Braga
25/05/2026 às 13h48
em Economia
Selic - Boletim Focus - Gazeta Mercantil

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação brasileira em 2026, reforçando a leitura de que a convergência dos preços para a meta segue mais lenta do que o esperado pelo Banco Central. Dados do Relatório Focus divulgados nesta segunda-feira mostram que a mediana das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, subiu de 4,92% para 5,04%, na 11ª alta consecutiva, enquanto a previsão para a taxa Selic foi mantida em 13,25% ao ano no fim do próximo ano.

O levantamento semanal do Banco Central, que reúne projeções de instituições financeiras, consultorias e agentes do mercado, também apontou queda na expectativa para o dólar em 2026, de R$ 5,20 para R$ 5,17. Já a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto, o PIB, avançou levemente, de 1,85% para 1,89%.

A nova rodada do Relatório Focus reforça um ambiente de cautela para investidores, empresas e formuladores de política econômica. A inflação projetada para 2026 segue distante do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, atualmente em 3%, o que aumenta a pressão sobre o Banco Central para manter juros elevados por mais tempo.

IPCA se afasta da meta pelo Focus

A alta da projeção do IPCA para 5,04% em 2026 amplia a distância entre as expectativas do mercado e o objetivo perseguido pelo Banco Central. Há quatro semanas, a estimativa estava em 4,86%, o que evidencia deterioração contínua das projeções inflacionárias.

A sequência de revisões para cima no Relatório Focus sugere que analistas passaram a enxergar maior persistência nos preços, mesmo após um período prolongado de política monetária restritiva. O movimento é acompanhado de perto pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, porque expectativas desancoradas podem dificultar a queda efetiva da inflação.

Quando empresas, consumidores e investidores passam a trabalhar com inflação mais alta por mais tempo, contratos, reajustes e decisões de investimento tendem a incorporar esse cenário. Isso torna o processo de convergência mais difícil e pode exigir juros elevados por período maior.

Para 2027, a mediana das projeções para o IPCA também subiu, de 4,00% para 4,01%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 3,65%, enquanto a projeção para 2029 ficou estável em 3,50%. Ainda que os números de prazo mais longo estejam abaixo da estimativa de 2026, continuam acima do centro da meta.

Preços administrados reforçam pressão inflacionária

O Relatório Focus também mostrou piora nas projeções para preços administrados, grupo que inclui itens como combustíveis, energia elétrica, transporte público e tarifas com influência direta ou indireta do setor público.

A estimativa para preços administrados em 2026 passou de 4,93% para 4,99%. Para 2027, a projeção avançou de 3,80% para 3,81%. Esses itens têm peso relevante na inflação oficial e costumam influenciar a leitura do Banco Central sobre riscos futuros.

A pressão dos administrados é sensível porque pode se espalhar por diferentes cadeias de custos. Combustíveis mais caros afetam frete, transporte urbano, logística e preços de alimentos. Energia elétrica pressiona empresas, famílias e setores produtivos intensivos em consumo energético.

Outro indicador acompanhado pelo mercado também piorou. A projeção para o Índice Geral de Preços – Mercado, o IGP-M, subiu de 5,63% para 5,91% em 2026, na 12ª alta consecutiva. O índice é usado em contratos de aluguel, reajustes empresariais e acordos de prestação de serviços, o que amplia seu efeito sobre consumidores e companhias.

A combinação de IPCA mais alto, preços administrados pressionados e IGP-M em alta reforça a percepção de que o quadro inflacionário ainda exige cautela.

Selic permanece em 13,25% ao fim de 2026

Apesar da piora nas expectativas para a inflação, o mercado manteve a projeção para a taxa Selic em 13,25% ao ano no fim de 2026. A estabilidade da estimativa indica que os analistas ainda não incorporam novas altas expressivas da taxa básica, mas também não veem espaço para cortes relevantes no curto prazo.

Há quatro semanas, a previsão para a Selic ao fim de 2026 estava em 13% ao ano. A mudança recente para 13,25% mostra que o mercado passou a precificar um ambiente monetário mais restritivo diante da resistência da inflação.

Para 2027, a mediana das projeções permaneceu em 11,25% ao ano. Para 2028 e 2029, as estimativas seguiram em 10%. Mesmo no horizonte mais longo, o patamar projetado indica juros reais elevados no Brasil.

Juros altos afetam diretamente o custo do crédito, o consumo das famílias e o investimento das empresas. Setores como varejo, construção civil, mercado imobiliário, bens duráveis e indústria tendem a sentir de forma mais intensa os efeitos de uma Selic elevada.

Na Bolsa, a perspectiva de juros altos por mais tempo reduz o apetite por ações de crescimento e aumenta a atratividade da renda fixa. Empresas endividadas também ficam mais pressionadas por despesas financeiras, o que pode afetar margens e lucro líquido.

Dólar recua nas projeções do mercado

Na direção oposta da inflação, a projeção para o dólar caiu no Relatório Focus. A mediana das estimativas para 2026 passou de R$ 5,20 para R$ 5,17. Há quatro semanas, a expectativa estava em R$ 5,25.

Para 2027, a previsão recuou de R$ 5,27 para R$ 5,26. Em 2028, a estimativa caiu de R$ 5,34 para R$ 5,30. Para 2029, o mercado manteve a projeção em R$ 5,40.

A revisão para baixo pode refletir a combinação de juros domésticos elevados, diferencial favorável ao Brasil em relação a outras economias e fluxo estrangeiro para mercados emergentes. Juros mais altos tendem a sustentar operações de carregamento, nas quais investidores buscam retorno em moedas de países com taxas elevadas.

Um dólar menos pressionado ajuda a aliviar parte da inflação, especialmente em produtos importados, insumos industriais, combustíveis e componentes dolarizados da cadeia produtiva. Ainda assim, o câmbio segue sensível a fatores externos, como decisões do Federal Reserve, tensões geopolíticas e preços de commodities.

Para empresas listadas na B3, o efeito do câmbio é desigual. Exportadoras com receitas em dólar, como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), podem ter parte da receita afetada por um real mais forte. Companhias dependentes de importações ou insumos externos, por outro lado, tendem a se beneficiar de uma moeda americana mais comportada.

PIB melhora, mas crescimento segue limitado

O Relatório Focus também trouxe leve melhora na projeção para o PIB de 2026. A mediana passou de 1,85% para 1,89%, sinalizando avaliação marginalmente mais positiva sobre a atividade econômica.

Apesar da revisão, o crescimento esperado continua moderado. A economia brasileira ainda convive com crédito caro, juros elevados, inflação acima da meta e incertezas fiscais, fatores que limitam uma expansão mais forte.

Para 2027, a projeção do PIB recuou de 1,77% para 1,70%. Já as estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 2%. Os números indicam expectativa de crescimento contido no médio prazo, sem aceleração expressiva da atividade.

O consumo das famílias segue como um dos principais sustentadores da economia, apoiado por mercado de trabalho resiliente e renda em circulação. O agronegócio também continua relevante, embora dependa de clima, preços internacionais, câmbio e demanda global.

Ao mesmo tempo, o custo elevado do dinheiro dificulta investimentos produtivos e compras financiadas. Veículos, imóveis, máquinas, equipamentos e bens de maior valor tendem a sofrer mais em um ambiente de Selic alta.

Focus aumenta cautela na Bolsa e na renda fixa

Os dados do Relatório Focus têm impacto direto sobre decisões de investimento. Inflação mais alta e Selic elevada alteram o preço dos ativos, a curva futura de juros, a atratividade da renda fixa e o apetite por ações.

Com a projeção do IPCA acima da meta e a Selic estimada em 13,25% no fim de 2026, investidores tendem a exigir prêmios maiores para assumir risco. Títulos públicos e privados de renda fixa continuam competitivos, especialmente em um cenário de juros reais elevados.

Na renda variável, empresas sensíveis ao ciclo econômico podem enfrentar ambiente mais desafiador. Varejistas, construtoras, incorporadoras e companhias de consumo discricionário tendem a reagir negativamente à percepção de crédito caro por mais tempo.

Bancos e seguradoras podem ter desempenho mais resiliente em determinadas fases de juros elevados, mas também ficam expostos à inadimplência e à desaceleração da concessão de crédito. O efeito líquido depende da qualidade da carteira, do custo de captação e da capacidade de preservar margens.

A curva futura de juros também deve seguir sensível às próximas leituras de inflação, aos sinais fiscais do governo e às comunicações do Banco Central.

Banco Central segue pressionado por expectativas

A sequência de altas nas projeções inflacionárias coloca o Banco Central novamente no centro das atenções do mercado. A autoridade monetária tem reiterado que seguirá vigilante diante dos riscos para a convergência da inflação à meta.

A deterioração das expectativas aumenta a importância da comunicação do Copom. Mensagens consideradas firmes tendem a reforçar a percepção de compromisso com a meta. Sinais de tolerância maior com inflação acima do objetivo, por outro lado, podem pressionar juros futuros e câmbio.

O quadro fiscal continua entre os principais fatores de preocupação. Para o mercado, dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas elevam prêmios de risco, afetam a curva de juros e dificultam o trabalho da política monetária.

Fatores externos também seguem no radar. Decisões do Federal Reserve, comportamento dos Treasuries, preços de petróleo e minério de ferro, tensões geopolíticas e fluxo global para emergentes podem alterar rapidamente as projeções para dólar, inflação e atividade.

Inflação resistente mantém política monetária no centro do mercado

A nova edição do Relatório Focus reforça a leitura de que o cenário macroeconômico brasileiro continua marcado por inflação acima da meta, juros elevados, crescimento moderado e câmbio menos pressionado.

A alta do IPCA projetado para 5,04% em 2026 amplia o desafio do Banco Central, enquanto a manutenção da Selic em 13,25% indica que o mercado ainda vê necessidade de política monetária restritiva por período prolongado.

Ao mesmo tempo, a queda na projeção do dólar oferece algum alívio para os preços, e a leve melhora do PIB mostra resiliência da atividade. O conjunto dos dados, porém, mantém o mercado financeiro em posição cautelosa, com atenção concentrada na inflação, na política fiscal e nas próximas decisões do Copom.

Tags: Banco CentralBolsaCopomDólarEconomiaeconomia brasileiraFocusIGP-MinflaçãoIPCAjurosMercado FinanceiroPIBpreços administradosRelatório Focusrenda fixaSelic

LEIA MAIS

Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

A Argentina encerrou esta terça-feira (18) com uma mudança importante no humor dos mercados. O risco-país avançou para 511 pontos-base, alta de 4,5% em relação aos 489 pontos...

Leia MaisDetails
Dólar Hoje Fecha A R$ 5,22 Com Tensão No Oriente Médio E Ata Do Fed No Radar - Gazeta Mercantil - Economia
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

O dólar hoje fechou esta terça-feira (18) em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,2216, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores com o agravamento das tensões...

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

O Ibovespa hoje fechou esta terça-feira (18) em queda de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, completando a 11ª sessão consecutiva no campo negativo. A Bolsa brasileira chegou a ensaiar...

Leia MaisDetails
Fidcs - Gazeta Mercantil
Mercados

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixaram de ocupar uma posição periférica no mercado financeiro brasileiro. No primeiro semestre de 2026, esses veículos movimentaram R$ 53,1...

Leia MaisDetails
Projeto Permite Deduzir Academia E Personal Trainer Do Imposto De Renda - Gazeta Mercantil
Economia

Projeto permite deduzir academia e personal trainer do Imposto de Renda

Mensalidades de academia, contratação de personal trainer e até a compra de esteiras, bicicletas ergométricas, halteres e outros equipamentos para exercícios físicos poderão ser abatidas da base de...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

00:41:44
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Crise Na Propaganda Eleitoral: Dança Das Cadeiras Atinge Marqueteiros Políticos Em 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Leia MaisDetails
Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

Leia MaisDetails
3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Economia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP