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Unimed Ferj Lidera Reclamações na ANS com Índice Recorde em 2025

por João Souza
16/01/2026 às 13h52
em Negócios
Unimed Ferj Lidera Reclamações Na Ans Com Índice Recorde Em 2025 - Gazeta Mercantil

Unimed Ferj Lidera Índice de Reclamações na ANS e Acende Alerta no Setor de Saúde Suplementar

O panorama da saúde suplementar no Brasil encerrou o ano fiscal de 2025 com indicadores que exigem atenção redobrada de reguladores, investidores e, principalmente, dos beneficiários. Dados consolidados divulgados na última sexta-feira pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelam uma discrepância estatística alarmante no topo do ranking de insatisfação. A Unimed Ferj, operadora que assumiu uma posição central no mercado fluminense e nacional, encerrou o período com o maior índice de reclamações entre as empresas de grande porte do setor.

A métrica, conhecida como Índice Geral de Reclamações (IGR), atingiu a marca de 500,02 para a Unimed Ferj. Para colocar este número em perspectiva analítica, a média geral das grandes empresas que operam planos de saúde no país ficou em 58,63 no mesmo período. Isso significa que o volume de queixas registradas contra a Unimed Ferj é quase nove vezes superior à média do mercado, um dado que reflete não apenas problemas pontuais, mas um desafio sistêmico na gestão da assistência aos seus usuários.

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este relatório da ANS lança luz sobre a crise operacional que a Unimed Ferj atravessa, impactando diretamente a percepção de valor da marca e a segurança dos pacientes que dependem de sua rede credenciada. Enquanto o setor tenta equilibrar a sinistralidade e a inflação médica, o caso da Unimed Ferj se destaca como um ponto fora da curva que demanda intervenção e correção de rumos imediata.

Análise do Índice Geral de Reclamações (IGR)

O Índice Geral de Reclamações é o termômetro oficial utilizado pela autarquia reguladora para medir a qualidade do serviço prestado. O cálculo considera o número de reclamações registradas nos canais da ANS a cada 100 mil beneficiários. Ao atingir 500,02 pontos, a Unimed Ferj não apenas lidera o ranking negativo, mas estabelece um patamar de insatisfação que preocupa especialistas em gestão de saúde.

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A disparidade entre a Unimed Ferj e as demais operadoras listadas no topo do ranking é significativa. Na segunda posição, encontra-se a Saúde Caixa, plano de autogestão destinado aos funcionários da Caixa Econômica Federal, com um IGR de 119,89 — um número elevado, porém quatro vezes menor que o apresentado pela Unimed Ferj. Em terceiro lugar, aparece a Postal Saúde, responsável pela assistência dos funcionários dos Correios, com índice de 96,80.

A análise fria dos números indica que a crise na Unimed Ferj possui características distintas das dificuldades enfrentadas pelas autogestões públicas. Enquanto Saúde Caixa e Postal Saúde lidam com restrições orçamentárias típicas de estatais, a Unimed Ferj, como cooperativa médica de grande porte, enfrenta um colapso na relação de confiança com o consumidor, exacerbado por falhas na entrega do serviço contratado.

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Os Gargalos Operacionais da Unimed Ferj

O relatório da ANS e as queixas dos consumidores apontam para problemas estruturais na operação da Unimed Ferj. As reclamações não são homogêneas; elas se concentram em pilares fundamentais da assistência médica: cobertura, reembolso e prazos de atendimento. A recorrência de queixas sobre cobertura assistencial sugere que a Unimed Ferj tem imposto barreiras administrativas para a liberação de procedimentos, exames e cirurgias, o que gera o alto volume de Notificações de Intermediação Preliminar (NIPs) junto à agência reguladora.

Beneficiários relatam um cenário de incerteza. Tratamentos contínuos atrasados e reembolsos sem previsão de pagamento são as “agruras” mencionadas no levantamento que compõem o cotidiano dos clientes da Unimed Ferj. A crise de liquidez ou de gestão de fluxo de caixa parece estar afetando a ponta final do serviço, resultando em descredenciamento de hospitais ou suspensão de atendimentos eletivos por falta de pagamento aos prestadores, o que ricocheteia no usuário sob a forma de negativa de atendimento.

A situação da Unimed Ferj é particularmente delicada porque envolve a continuidade de tratamentos de saúde. Diferente de um serviço de telefonia ou bancário, onde a falha gera transtorno financeiro, no caso da Unimed Ferj, a falha pode custar vidas ou o agravamento de quadros clínicos. A presidência da ANS foi enfática ao declarar que os hospitais e operadoras não podem “atentar contra a vida” dos usuários em meio a disputas comerciais ou crises financeiras.

Comparativo com Autogestões: Saúde Caixa e Postal Saúde

Embora a Unimed Ferj seja o foco principal devido à magnitude de seu índice, é relevante analisar o contexto das outras operadoras citadas. A presença da Saúde Caixa e da Postal Saúde no ranking de maiores reclamações sinaliza um momento difícil também para o segmento de autogestão. No entanto, a natureza das reclamações costuma diferir.

No caso da Saúde Caixa (IGR 119,89) e da Postal Saúde (IGR 96,80), as queixas frequentemente orbitam em torno da burocracia estatal, da rede credenciada em regiões remotas e de questões de custeio. Já na Unimed Ferj, a queixa predominante é a negativa de cobertura em grandes centros urbanos, onde a rede deveria ser robusta.

A distância abissal entre os 500,02 pontos da Unimed Ferj e os 119,89 da segunda colocada reforça a tese de que a cooperativa enfrenta uma “tempestade perfeita”. Não se trata apenas de um mercado difícil, mas de problemas intrínsecos à gestão da carteira da Unimed Ferj, que possivelmente herdou passivos e complexidades operacionais que ainda não conseguiu sanear totalmente em 2025.

O Impacto Financeiro e de Reputação na Unimed Ferj

No mercado de saúde suplementar, a reputação é um ativo financeiro. A divulgação desses dados pela ANS coloca a Unimed Ferj em uma posição de vulnerabilidade comercial. A alta taxa de reclamações tende a afugentar novos beneficiários e, pior, pode levar à saída (portabilidade) dos clientes mais saudáveis e rentáveis, restando na carteira apenas os usuários com alto custo assistencial, o que agravaria ainda mais a situação financeira da operadora.

Para investidores e analistas do setor, o IGR da Unimed Ferj é um indicador antecedente de risco de insolvência ou de intervenção fiscal. Quando uma operadora falha sistematicamente em garantir a cobertura contratada, a ANS pode impor regimes de direção técnica ou fiscal, limitando a autonomia dos gestores da Unimed Ferj até que os indicadores voltem a patamares aceitáveis.

Além disso, o passivo judicial tende a crescer. Cada reclamação na ANS que não é resolvida administrativamente tem potencial para se tornar uma ação judicial. Com a Unimed Ferj negando coberturas ou atrasando reembolsos, o custo jurídico da operadora deve explodir nos balanços de 2026, drenando recursos que deveriam ser investidos na assistência médica.

Direitos do Consumidor em Meio à Crise

Diante dos números apresentados pela Unimed Ferj, é fundamental que o consumidor conheça seus direitos. A legislação do setor, regida pela Lei 9.656/98, garante prazos máximos de atendimento para consultas, exames e cirurgias. Se a Unimed Ferj não oferecer prestador na rede credenciada dentro do prazo e na área geográfica de abrangência, ela é obrigada a custear o atendimento fora da rede ou garantir o transporte do beneficiário.

As queixas sobre reembolso, outro ponto crítico na gestão da Unimed Ferj, também possuem regras claras. A operadora tem o dever de reembolsar o beneficiário em até 30 dias após a apresentação da documentação, conforme os limites do contrato. Atrasos sistemáticos, como os relatados na crise da Unimed Ferj, configuram infração passível de multa pela ANS.

O beneficiário da Unimed Ferj que se sentir lesado deve continuar registrando suas reclamações nos canais oficiais da ANS. É justamente esse registro que compõe o IGR e pressiona a operadora a resolver as pendências. O índice de 500,02 da Unimed Ferj é resultado da mobilização dos usuários que, não encontrando solução no SAC da empresa, recorreram ao regulador.

O Papel da ANS e a Regulação do Setor

A divulgação do ranking com a Unimed Ferj na liderança negativa demonstra a transparência da agência reguladora, mas também levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas punitivas. Multas e suspensão de vendas de planos são ferramentas comuns, mas no caso de uma operadora do tamanho da Unimed Ferj, que detém uma fatia considerável do mercado do Rio de Janeiro e outras praças, a intervenção precisa ser cirúrgica para não causar desassistência em massa.

O presidente da ANS alertou que a disputa econômica não pode prejudicar o paciente. Essa fala tem endereço certo: a relação conflituosa entre a Unimed Ferj e sua rede de hospitais e laboratórios. Quando a operadora atrasa repasses, o hospital muitas vezes tenta cobrar do paciente ou nega o atendimento, práticas vedadas pela regulação. A Unimed Ferj precisa, portanto, reestabelecer a credibilidade junto aos seus prestadores de serviço para normalizar o atendimento.

A fiscalização sobre a Unimed Ferj deve se intensificar em 2026. A agência monitora não apenas o número de queixas, mas a solvência da operadora, as garantias financeiras e a qualidade da rede. Se a Unimed Ferj não apresentar um plano de recuperação robusto e redução drástica no IGR nos próximos trimestres, medidas mais drásticas, como a alienação compulsória de carteira, não estão descartadas do horizonte regulatório.

Reembolsos e Cobertura: Os Pilares da Insatisfação

Aprofundando nas razões que levaram a Unimed Ferj ao topo do ranking, a questão do reembolso merece destaque. Muitos beneficiários optam por planos de livre escolha justamente pela flexibilidade. Quando a Unimed Ferj falha em honrar esses pagamentos ou cria burocracias excessivas para “glosar” (negar) recibos médicos, ela quebra a espinha dorsal do contrato de seguro saúde.

Além disso, as divergências contratuais sobre cobertura indicam que a Unimed Ferj pode estar interpretando o Rol de Procedimentos da ANS de forma restritiva. Em um cenário de avanços tecnológicos na medicina e tratamentos de alto custo, a judicialização contra a Unimed Ferj torna-se o único caminho para pacientes com doenças graves, oncológicas ou raras, que não podem esperar o trâmite administrativo de uma reclamação na ANS.

O período de carência é outro ponto de atrito. Embora regulamentado por lei, há relatos de confusão na contagem de prazos, especialmente em casos de migração de carteiras de outras Unimeds para a Unimed Ferj. A comunicação falha com o beneficiário agrava a percepção de descaso e impulsiona o índice de reclamações.

Perspectivas para 2026

O ano de 2026 começa desafiador para a Unimed Ferj. Reverter um IGR de 500,02 para a média de mercado (58,63) é uma tarefa hercúlea que exigirá reestruturação profunda. A operadora precisará injetar liquidez na operação, renegociar dívidas com hospitais e, acima de tudo, melhorar seus canais de atendimento ao cliente para resolver problemas antes que eles cheguem à ANS.

Para o mercado, o caso da Unimed Ferj serve como case de estudo sobre os riscos da concentração de mercado e da gestão de carteiras deficitárias. As outras operadoras observam atentamente, pois uma eventual derrocada da Unimed Ferj sobrecarregaria todo o sistema, pressionando a rede pública (SUS) e as demais empresas privadas que teriam que absorver essa demanda.

Os olhos da ANS permanecerão fixos na Unimed Ferj. Relatórios mensais de monitoramento continuarão a ser a bússola para o consumidor. Se a tendência de alta nas reclamações persistir nos primeiros meses de 2026, a intervenção regulatória poderá escalar de nível. A prioridade absoluta deve ser a garantia da assistência aos milhares de beneficiários que, hoje, pagam suas mensalidades à Unimed Ferj com o temor de não serem atendidos quando mais precisarem.

Os dados divulgados pela ANS referentes ao fechamento de 2025 são um retrato fiel das dificuldades enfrentadas pelo setor, mas expõem a Unimed Ferj como o epicentro de uma crise de atendimento. Com um índice de reclamações muito superior aos seus concorrentes e pares, a operadora precisa de uma resposta rápida e eficaz.

A confiança, base do sistema cooperativista e de seguros, foi abalada. A Unimed Ferj tem o desafio de provar, ao longo deste ano, que possui capacidade financeira e operacional para honrar seus contratos. Até lá, o consumidor deve manter-se vigilante, munido de informações e pronto para acionar os órgãos de defesa sempre que seus direitos à saúde forem ameaçados pela ineficiência da gestão da Unimed Ferj.

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