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Flávio Bolsonaro tenta agenda com Trump nos EUA em meio à crise com Banco Master

Pré-candidato do PL chegou a Washington na expectativa de uma reunião na Casa Branca, mas o encontro ainda não foi confirmado oficialmente pelo governo americano.

por Júlia Campos
25/05/2026 às 19h14
em Política
Flávio Bolsonaro Tenta Agenda Com Trump Nos Eua Em Meio À Crise Com Banco Master - Gazeta Mercantil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, desembarcou nesta segunda-feira (25) em Washington, nos Estados Unidos, na expectativa de uma possível reunião com o presidente Donald Trump. A viagem ocorre em meio ao desgaste provocado pela revelação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e é tratada por aliados como uma tentativa de criar um fato político favorável em um momento de pressão sobre a pré-candidatura.

Segundo pessoas próximas ao senador, Flávio teria sido convidado a ir à Casa Branca e poderia ser recebido nesta terça-feira. O encontro, porém, não foi confirmado oficialmente pela Casa Branca nem pelos canais do governo americano. A ausência de confirmação mantém a agenda sob incerteza e levou aliados a adotarem cautela na divulgação da viagem.

Leia também: Fundos de pensão públicos enfrentam restrições após Banco Master e risco para aposentadorias cresce.

O temor no entorno do pré-candidato é que o vazamento de informações sobre a agenda provoque frustração caso a reunião seja adiada ou cancelada. Nos últimos dias, Trump desmarcou compromissos para acompanhar negociações sobre um acordo de cessar-fogo com o Irã, o que aumentou a possibilidade de mudanças na programação presidencial.

Aliados buscam foto de Flávio com Trump

A expectativa de uma reunião com Donald Trump tem valor político direto para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Bolsonaristas ouvidos pela reportagem afirmam que o principal objetivo da viagem é conseguir uma fotografia do senador com o presidente americano.

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A imagem seria usada como demonstração de prestígio internacional em um momento delicado para o pré-candidato do PL. Desde a revelação das conversas com Daniel Vorcaro, aliados passaram a discutir formas de reduzir o impacto do episódio e recolocar Flávio no centro da agenda política por outro tema.

A estratégia é tentar “virar a página” da crise ligada ao Banco Master, criando um novo fato político capaz de mobilizar a base bolsonarista. Uma eventual foto com Trump poderia ser apresentada como sinal de alinhamento com o campo conservador internacional e de acesso ao governo americano.

A discrição em torno da viagem, no entanto, revela o risco da operação. Caso a agenda não se confirme, a tentativa de capitalizar politicamente o encontro pode se transformar em novo desgaste para o senador.

Eduardo Bolsonaro atua nos bastidores da agenda

A articulação da agenda de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos é atribuída por aliados a Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive no país desde o ano passado e está sob investigação no Brasil.

Eduardo mantém relação com setores mais ideológicos do trumpismo e tem atuado em pautas envolvendo o Brasil no exterior. A proximidade com integrantes do campo conservador americano se tornou uma das principais frentes de atuação política do ex-deputado desde sua mudança para os Estados Unidos.

O blogueiro Paulo Figueiredo, parceiro de Eduardo Bolsonaro em conversas com setores do governo americano, afirmou em publicação no X que Flávio está em Washington para uma série de reuniões de alto nível. Ele, porém, não antecipou detalhes sobre a agenda.

Até a tarde desta segunda-feira, Flávio Bolsonaro não havia feito publicações sobre a viagem. Procurada, a campanha do PL não se manifestou. Também não houve comentários oficiais dos canais do governo americano sobre a possibilidade de reunião com Trump.

Senador evita comentar detalhes da viagem

Ao embarcar para os Estados Unidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a agenda com representantes do governo americano. O senador respondeu que não poderia dar detalhes e disse que a orientação era não falar antes de a reunião acontecer.

A declaração reforça a tentativa de preservar a agenda de possíveis mudanças ou vazamentos. No entorno do pré-candidato, a leitura é que qualquer confirmação antecipada poderia elevar expectativas entre apoiadores e ampliar o custo político de um eventual cancelamento.

Na última quinta-feira (21), em Brasília, Flávio havia negado em tom irônico, falando em inglês, que tivesse solicitado agenda ao governo dos Estados Unidos. “No, I didn’t ask anything. Nobody asked”, afirmou o senador, ao dizer que não havia pedido nada.

A falta de confirmação oficial mantém a viagem em uma zona de ambiguidade política. Para aliados, o silêncio é uma forma de reduzir riscos. Para adversários, a ausência de agenda pública clara pode ser explorada como sinal de improviso ou tentativa de produzir uma imagem de prestígio sem garantia de encontro.

Pauta pode incluir liberdade de expressão e crime organizado

A pauta de uma eventual conversa entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump não foi divulgada oficialmente. Entre os temas de interesse do pré-candidato do PL estão a defesa da liberdade de expressão e a proposta de classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas.

Essas bandeiras têm sido usadas por integrantes do bolsonarismo para aproximar o debate político brasileiro de pautas frequentes no campo conservador americano. A defesa da liberdade de expressão, em especial, tem sido apresentada por aliados como reação a decisões judiciais e investigações no Brasil.

A proposta de enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas também busca reforçar a imagem de Flávio em temas de segurança pública. O assunto dialoga com o discurso de endurecimento penal e combate ao crime organizado, recorrente entre apoiadores do PL.

A eventual reunião com Trump permitiria ao senador tentar internacionalizar essas pautas e associar sua pré-candidatura a uma agenda conservadora transnacional. O efeito político, porém, dependerá da confirmação do encontro e do grau de exposição concedido pelo governo americano.

Caso Vorcaro pressiona pré-campanha do PL

A viagem ocorre no momento em que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro tenta conter os efeitos da revelação de conversas com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master.

As mensagens envolvem pedidos de dinheiro para o filme “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio atingiu a imagem do senador e passou a dominar parte do debate político nos últimos dias.

No entorno de Flávio, a avaliação é que a crise exigiu uma revisão da estratégia da pré-campanha. A prioridade passou a ser a criação de fatos políticos capazes de reduzir a centralidade do caso Banco Master e recolocar o senador em uma agenda mais favorável.

A tentativa de aproximação com Trump se encaixa nesse cálculo. Para aliados, uma imagem na Casa Branca poderia fortalecer Flávio junto à base bolsonarista e demonstrar que a pré-candidatura mantém interlocução internacional relevante, mesmo após o desgaste recente.

Datafolha mostra Lula ampliando vantagem

A pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (22) indicou perda de fôlego de Flávio Bolsonaro após a divulgação do caso envolvendo Daniel Vorcaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT, ampliou de 3 para 9 pontos sua vantagem sobre o senador no primeiro turno.

Segundo o levantamento, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 31%. O resultado confirmou a expectativa de aliados do senador de que haveria queda após a repercussão das conversas.

Em uma simulação de segundo turno, Lula aparece com 47%, contra 43% de Flávio. O cenário é de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

O Datafolha também mostrou que 64% dos entrevistados ouviram falar do caso Flávio-Vorcaro. O alcance do episódio ajuda a explicar a tentativa do pré-candidato de deslocar o foco da agenda pública para uma viagem internacional com potencial de mobilização política.

Relação com trumpismo é ativo da família Bolsonaro

A aproximação com Trump e com setores do conservadorismo americano tem sido uma marca da família Bolsonaro. Desde o governo Jair Bolsonaro, aliados buscaram associar a direita brasileira ao trumpismo, tanto no discurso político quanto em pautas internacionais.

Eduardo Bolsonaro foi um dos principais operadores dessa relação. Nos Estados Unidos, o ex-deputado passou a atuar em articulações com setores conservadores e em iniciativas relacionadas à situação política brasileira.

A ida de Flávio a Washington reforça essa estratégia. Mesmo sem confirmação de reunião com Trump, a viagem sinaliza tentativa de manter a pré-campanha conectada ao ambiente político americano e ao eleitorado bolsonarista que enxerga Trump como referência internacional.

Esse vínculo, porém, também amplia riscos. Uma agenda com autoridades estrangeiras pode ser vista como trunfo pela base de apoiadores, mas também pode gerar críticas de adversários, especialmente em um contexto de investigações, disputas institucionais e crise política doméstica.

Viagem vira teste para estratégia de reação da pré-campanha

A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos se tornou um teste para a capacidade da pré-campanha de reagir à crise provocada pelo caso Banco Master. A confirmação de uma reunião com Trump poderia produzir a imagem buscada por aliados e reforçar o discurso de prestígio internacional.

Caso a agenda não se concretize, o efeito pode ser inverso. A expectativa criada em torno de uma possível ida à Casa Branca aumentaria o custo político de um cancelamento e poderia alimentar críticas sobre a condução da pré-campanha.

Por ora, Flávio permanece em Washington sem confirmação oficial do encontro. A viagem mantém a política brasileira conectada à agenda americana e coloca a pré-candidatura do PL diante de um movimento de alto risco e alto potencial simbólico.

O desfecho da agenda nos Estados Unidos deve indicar se o senador conseguirá transformar a aproximação com Trump em trunfo político ou se a incerteza sobre a reunião ampliará a pressão sobre sua campanha em meio ao desgaste com o Banco Master.

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