quarta-feira, 4 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Negócios

Reviravolta no STJ transforma vitória da Zolkin em dívida milionária

por Gabriel Monteiro
05/12/2025 às 11h43
em Negócios
Reviravolta No Stj Transforma Vitória Da Zolkin Em Dívida Milionária - Gazeta Mercantil

STJ transforma vitória judicial da Zolkin em dívida milionária após reviravolta inesperada

A disputa judicial entre a empresa digital Zolkin e a REDE, uma das maiores companhias de pagamentos do país, ganhou contornos inesperados após uma reviravolta no STJ que alterou completamente o cenário jurídico e econômico do processo. O caso, que vinha sendo conduzido desde 2018, transformou uma vitória expressiva da empresa de tecnologia em uma dívida milionária, surpreendendo especialistas do setor jurídico e reacendendo discussões sobre critérios de sucumbência e modulação de indenizações em cortes superiores.

O julgamento conduzido pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça modificou profundamente as expectativas dos empreendedores da Zolkin, que chegaram a ter reconhecido, em primeira instância, o direito de receber R$ 300 milhões por perdas e danos decorrentes do rompimento de um contrato de parceria com a REDE. Após sucessivas decisões e revisões, o valor foi reduzido para pouco mais de R$ 17 milhões. Mais do que isso: os honorários advocatícios da REDE, calculados sobre o suposto “proveito econômico” do caso, poderão superar R$ 40 milhões, levando a empresa autora a uma situação financeira de alta vulnerabilidade.

Leia também: Irmãos de Toffoli venderam participação milionária em resort a fundo investigado no caso Master.

A movimentação jurídica provoca debate amplo sobre segurança contratual, previsibilidade judicial e impacto econômico de decisões de instâncias superiores — especialmente quando há divergências conceituais sobre os fundamentos do negócio analisado.

A origem do conflito: o colapso de um projeto que prometia revolucionar o mercado digital

A Zolkin surgiu como um dos projetos mais inovadores do início da década de 2010. A empresa foi pioneira no uso de moeda digital para cashback, oferecendo aos consumidores a possibilidade de pagar parte de suas contas em restaurantes, padarias e diversos estabelecimentos com créditos acumulados no próprio aplicativo. Em 2014, a plataforma contabilizava mais de 80 mil usuários e 120 parceiros só na cidade de São Paulo.

Leia também: Reforma do Ibovespa: B3 estuda entrada de BDRs e transforma perfil do índice; veja todos os impactos.

Em 2015, a startup firmou uma parceria estratégica com a REDE, à época sob a liderança de executivos ligados ao Itaú. O acordo previa a integração do sistema da Zolkin às mais de um milhão de maquininhas de pagamento da rede adquirente, o que abriria caminho para uma expansão nacional robusta. Para os empreendedores, tratava-se de oportunidade única de escalar o negócio e consolidar o modelo de fidelização baseado em cashback digital.

Durante as negociações, o entendimento entre as partes era de alinhamento pleno. A Zolkin forneceria tecnologia e modelo de operação, enquanto a REDE aportaria sua capilaridade e infraestrutura para nacionalizar o serviço.

No entanto, segundo a ação judicial, a empresa de pagamentos não implementou a integração tecnológica acordada. O projeto ficou estagnado e, em poucos anos, o aplicativo perdeu tração no mercado, inviabilizando o modelo de negócios e levando a Zolkin a alegar destruição completa de sua atividade empresarial.

As decisões da Justiça antes da reviravolta no STJ

Ao analisar o caso, tanto a primeira quanto a segunda instância reconheceram que houve descumprimento contratual da REDE e que a empresa de tecnologia foi prejudicada de maneira determinante. A indenização inicial de R$ 300 milhões teve como base laudos técnicos que indicavam o potencial econômico do negócio considerado promissor no momento da assinatura do contrato.

O Tribunal de Justiça de São Paulo, entretanto, revisou o valor e o reduziu para cerca de R$ 22 milhões. A justificativa se apoiou em uma nova avaliação econômica que desconsiderou parte da perícia contábil apresentada, além de apontar que fatores alheios à REDE — como o surgimento da pandemia — também poderiam ter comprometido o desempenho do negócio.

Esse ponto foi alvo de forte contestação da Zolkin, que sustentou que o impacto da pandemia não poderia ser usado para reavaliar retrospectivamente a relevância da parceria desfeita anos antes.

A chegada do caso ao STJ: divergências e decisões rápidas

No recurso especial ao STJ, a Zolkin buscava não apenas restabelecer o valor da indenização, mas também corrigir o que considerava uma modulação equivocada da decisão do TJSP. O processo foi pautado inicialmente em plenário virtual, mas migrou para julgamento presencial após pedido de destaque.

No julgamento, a relatora, ministra Daniela Teixeira, apresentou um voto que recebeu complementação da ministra Nancy Andrighi. Ambas conduziram análises distintas ao longo da compreensão técnica, mas, ao final, suas posições foram consideradas convergentes pela relatora, que afirmou que não havia divergências substanciais que justificassem leitura detalhada do voto.

A sessão durou poucos minutos e resultou em decisão unânime que fixou a indenização em pouco mais de R$ 17 milhões.

Advogados que acompanham casos de alta complexidade se surpreenderam com a velocidade da deliberação, especialmente pela amplitude de documentos anexados, pareceres econômicos, laudos periciais e anos de tramitação na Justiça.

A divergência entre os votos e seus efeitos práticos

A defesa da Zolkin, ao avaliar as decisões, identificou diferenças significativas entre os votos das duas ministras, mesmo após a afirmação de que teriam se tornado coincidentes.

A ministra Daniela Teixeira, em seu posicionamento inicial, classificou a relação entre Zolkin e REDE como mera prestação de serviço, o que limitaria a indenização a danos comprovados materialmente. Com esse entendimento, afastou possibilidade de lucros cessantes e reduziu a responsabilidade da empresa de pagamentos a um montante próximo aos R$ 7 milhões.

A ministra Nancy Andrighi adotou abordagem diferente. Mencionando limitações expressas em súmulas do STJ que impedem a rediscussão de fatos e provas, sustentou que a parceria firmada entre as empresas era robusta e envolvia comunhão de esforços, exclusividade operacional, compartilhamento de riscos e participação direta de executivos da REDE.

Em sua análise, ela reconheceu falhas sistêmicas que comprometeram a viabilidade do negócio e apontou que a conduta da REDE foi determinante para a ruptura da operação. Ainda assim, afastou lucros cessantes por considerá-los incertos diante da falta de rentabilidade da empresa no período analisado. Assim, determinou indenização final pouco acima de R$ 17 milhões, sem considerar danos adicionais aos sócios.

Ambos os votos, embora distintos em fundamento, convergiram para uma cifra menor, consolidando a reviravolta no STJ que alterou todo o panorama processual.

Como uma vitória se transformou em dívida milionária

Mesmo com o reconhecimento da culpa da REDE e com a fixação de indenização que, corrigida, pode se aproximar de R$ 30 milhões, os ministros da Terceira Turma elevaram o percentual dos honorários de sucumbência, atribuindo vinte e três dígitos percentuais sobre o chamado “proveito econômico”.

O cálculo considera a diferença entre o valor pleiteado inicialmente (R$ 300 milhões) e o valor final da indenização. Como o proveito econômico da ré teria sido muito elevado, os honorários ultrapassam R$ 40 milhões, superando inclusive a própria indenização.

Assim, a Zolkin — que originalmente buscava compensação pelos danos sofridos — pode sair do processo com dívida expressiva.

Esse cenário alimentou debate entre juristas, que apontam descompasso entre o entendimento da sucumbência e a finalidade compensatória da indenização.

Repercussões no mercado jurídico e tecnológico

A reviravolta no STJ repercutiu fortemente no setor jurídico. Escritórios especializados em contratos de tecnologia e inovação passaram a discutir a insegurança jurídica gerada por decisões que alteram substancialmente a métrica de indenização sem reavaliação de fatos.

Para investidores e especialistas em startups, o caso se tornou símbolo de alerta. Em um ambiente cuja escalabilidade depende de parcerias com grandes empresas, decisões judiciais que isentam parcialmente parceiros que descumprem acordos podem afetar o ecossistema de empreendedorismo digital.

A situação também reacende debates sobre:

  • aplicação de honorários sobre proveito econômico em ações indenizatórias;

  • limites da revisão de perícias contábeis por tribunais superiores;

  • existência de assimetria entre grandes conglomerados e startups em litígios contratuais;

  • previsibilidade judicial como pilar do ambiente de negócios.

O que esperar daqui para frente

A defesa da Zolkin avalia medidas cabíveis, que podem envolver recursos internos e ações paralelas. As próximas etapas dependerão da conclusão do acórdão, da análise dos efeitos moduladores e da revisão final dos cálculos de honorários.

Para a REDE, a decisão representa alívio jurídico, ainda que mantenha o reconhecimento formal de falhas na execução da parceria.

Para o mercado, o caso passa a ser observado como referência para outras disputas entre empresas de tecnologia e grandes grupos. A interpretação do STJ sobre inadimplemento contratual, provas periciais e quantificação de prejuízos certamente balizará decisões futuras.

A reviravolta no STJ se consolida, assim, como marco jurisprudencial, ao mesmo tempo em que expõe tensões entre inovação digital, modelos tradicionais de contrato e a atuação de grandes conglomerados financeiros.

LEIA MAIS

Prio (Prio3) Pode Elevar Ebitda Em 14% No 3T26; Veja Projeções Para O Setor De Petróleo - Gazeta Mercantil - Mercados
Mercados

PRIO (PRIO3) pode elevar Ebitda em 14% no 3T26; veja projeções para o setor de petróleo

PRIO (PRIO3) pode elevar Ebitda em 14% no 3T26, segundo o Safra. Veja projeções para PetroReconcavo, Brava, Vibra e Ultrapar.

Leia MaisDetails
Café - Gazeta Mercantil
Empresas

Cheirin Bão projeta R$ 500 milhões em 2026 e aposta em 15 mil máquinas automáticas de café

Cheirin Bão projeta faturamento de R$ 500 milhões em 2026, planeja instalar 15 mil máquinas automáticas de café e prepara expansão nos Estados Unidos.

Leia MaisDetails
Data Center - Gazeta Mercantil
Negócios

Investimentos em data centers devem chegar a US$ 2,1 trilhões até 2028 com avanço da I.A.

Investimentos globais em data centers devem chegar a US$ 2,1 trilhões até 2028, segundo o BofA. Inteligência artificial impulsiona expansão do setor.

Leia MaisDetails
Michelob Ultra Prepara Festival Após Mais Que Triplicar Volume No Brasil E Na Argentina-Gazeta Mercantil
Negócios

Ambev lança festival com Marshmello após Michelob Ultra triplicar vendas em volume

Ambev lança o Michelob Move Fest em 7 de novembro, em São Paulo, com corrida e show de Marshmello, após crescimento da Michelob Ultra no Brasil e na...

Leia MaisDetails
Seara Foods - Gazeta Mercantil
Empresas

Seara mira 100 mil clientes e quer crescer seis vezes mais que mercado de restaurantes

Seara aposta em pequenos restaurantes para crescer seis vezes mais que o mercado em 2026. Setor de alimentação fora do lar deve movimentar R$ 540 bilhões.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

02:17:05
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Serasa Registra 84,2 Milhões De Inadimplentes E Dívidas De R$ 597,4 Bilhões No Brasil-Gazeta Mercantil
Economia

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

Leia MaisDetails
Mercados - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Leia MaisDetails
Gado Leiteiro - Gzt - Gazeta Mercantil
Agronegócio

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Leia MaisDetails
Dólar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Leia MaisDetails
Tesouro Projeta Dívida Pública De 86,3% Do Pib Em 2036 E Identifica R$ 4,87 Trilhões Em Riscos Fiscais-Gazeta Mercantil
Economia

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Lara Resende propõe limitar Selic enquanto juros da dívida superam R$ 1,2 trilhão

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil