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Bitcoin cai e se aproxima de US$ 60 mil com CPI dos EUA e aversão a risco

Maior criptomoeda do mundo recua com pressão sobre ativos de risco, inflação americana elevada e cautela com juros do Fed.

por Gabriel Monteiro
10/06/2026 às 18h34
em Criptomoedas
Bitcoin-Criptomoedas

O Bitcoin (BTC) voltou a cair nesta quarta-feira (10) e se aproximou da região de suporte de US$ 60 mil, em uma sessão marcada por cautela global antes e depois da divulgação da inflação ao consumidor dos Estados Unidos. A maior criptomoeda do mundo era negociada perto de US$ 61 mil durante a manhã, com queda em torno de 2% nas últimas 24 horas, enquanto investidores avaliavam o impacto do CPI americano, da aversão a risco nos mercados internacionais e da escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã.

O movimento pressionou o mercado global de criptomoedas. Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP, BNB e Dogecoin (DOGE) também operavam em queda, refletindo a piora do apetite por ativos de maior volatilidade. O recuo ocorre em um ambiente no qual a liquidez global segue como variável decisiva para o desempenho das criptomoedas, especialmente diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.

O CPI dos Estados Unidos subiu 0,5% em maio e acumulou alta de 4,2% em 12 meses. O dado veio em linha com as expectativas do mercado, mas manteve a inflação americana distante da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve. Para o Bitcoin (BTC), o número reforça a percepção de que o ciclo de flexibilização monetária nos EUA pode continuar adiado, o que reduz o espaço para recuperação mais consistente dos ativos de risco.

A pressão sobre o Bitcoin (BTC) também ocorre em meio à queda das bolsas internacionais. Mercados asiáticos fecharam no vermelho, índices europeus recuaram e os futuros de Nova York indicaram perdas durante a manhã. A combinação entre inflação persistente, incerteza sobre juros, tensões geopolíticas e realização em ativos ligados à tecnologia pesou sobre o sentimento dos investidores.

Bitcoin testa região sensível após nova queda

O Bitcoin (BTC) voltou a operar próximo de um patamar técnico relevante. A região de US$ 60 mil é acompanhada por traders porque pode funcionar como suporte psicológico e operacional para o mercado. Perdas consistentes abaixo desse nível tendem a aumentar a cautela e podem abrir espaço para novas realizações.

A criptomoeda vinha de uma sequência de quedas recentes e acumulava desvalorização expressiva no ano. No levantamento citado pelo mercado, o Bitcoin (BTC) era negociado a US$ 61.058,05, com queda de 2,42% em 24 horas, recuo de 9,07% em sete dias e perda de 30,23% no acumulado de 2026.

A proximidade do suporte de US$ 60 mil aumenta a atenção sobre o comportamento dos investidores institucionais, fundos, mesas de negociação e participantes de varejo. Em momentos de maior volatilidade, o rompimento de níveis técnicos pode acelerar ordens automáticas de venda e ampliar oscilações.

Ao mesmo tempo, a região também pode atrair compradores que enxergam preço descontado após a correção. Esse tipo de movimento, porém, depende de melhora no ambiente macroeconômico, redução da aversão a risco e sinais de estabilização do mercado cripto.

No curto prazo, o Bitcoin (BTC) segue dependente de três variáveis principais: expectativa para juros nos Estados Unidos, comportamento do dólar e fluxo para ativos de risco. Enquanto esses fatores permanecerem desfavoráveis, a recuperação tende a encontrar resistência.

CPI dos EUA mantém pressão sobre criptomoedas

A divulgação do CPI dos Estados Unidos foi o principal evento macroeconômico do dia para o mercado de criptomoedas. Embora o indicador não seja a medida preferida do Federal Reserve para decisões de juros, ele funciona como termômetro relevante da inflação e influencia as apostas sobre a política monetária americana.

O avanço de 0,5% em maio e de 4,2% em 12 meses confirmou que a inflação segue pressionada. A alta foi influenciada principalmente por energia, em um momento de tensão geopolítica no Oriente Médio e volatilidade nos preços do petróleo.

Para o Bitcoin (BTC), esse cenário é negativo porque juros elevados reduzem a liquidez disponível para ativos especulativos. Quando títulos do Tesouro americano oferecem retornos mais atrativos, investidores tendem a reduzir exposição a criptomoedas, ações de tecnologia e outros ativos de maior risco.

O mercado cripto costuma reagir de forma intensa a mudanças nas expectativas de juros. Cortes de juros tendem a favorecer liquidez, crédito e apetite por risco. Já a manutenção de juros altos por mais tempo reduz a disposição para apostas em ativos voláteis.

Mesmo com o CPI em linha com as projeções, a inflação acima da meta limita a chance de uma guinada mais flexível do Fed no curto prazo. Esse é o ponto que mantém o Bitcoin (BTC) sob pressão.

Ethereum, Solana e XRP acompanham queda

A correção não ficou restrita ao Bitcoin (BTC). Entre as maiores criptomoedas do mundo, o Ethereum (ETH) era negociado a US$ 1.617,74, com queda de 3,07% em 24 horas e recuo de 14% em sete dias. No acumulado do ano, a perda chegava a 45,48%.

A Solana (SOL) também registrava forte queda, cotada a US$ 63,46, com baixa de 4,16% no dia, perda semanal de 15,92% e desvalorização de 49,02% em 2026. O XRP recuava 4,15%, a US$ 1,10, acumulando queda de 10,68% em sete dias e de 39,75% no ano.

O BNB era negociado a US$ 583,76, com baixa de 2,57% em 24 horas. Dogecoin (DOGE) caía 2,27%, cotado a US$ 0,08346. Hyperliquid (HYPE), que ainda acumulava forte alta no ano, recuava 8,91% no dia e 22,57% na semana.

Stablecoins como Tether (USDT) e USDC mantinham estabilidade próxima de US$ 1, como esperado para ativos lastreados no dólar. O TRON (TRX) destoava parcialmente do movimento geral, com leve alta diária de 0,17%, embora ainda registrasse queda semanal de 2,90%.

A queda generalizada mostra que o mercado cripto opera sob influência de um movimento amplo de redução de risco, e não apenas de fatores específicos de uma única moeda digital.

Liquidez global segue como variável central

Para o mercado de criptomoedas, a liquidez continua sendo a variável mais importante. O Bitcoin (BTC) costuma se beneficiar de ambientes com juros baixos, dólar mais fraco, abundância de capital e maior tolerância ao risco. O cenário atual é o oposto.

A inflação americana acima da meta, os juros elevados e a possibilidade de manutenção de uma política monetária restritiva reduzem o apetite por ativos sem fluxo de caixa previsível. Criptomoedas, por sua natureza volátil, ficam mais vulneráveis quando investidores migram para instrumentos considerados mais seguros.

Além disso, o mercado começa a precificar um ambiente de aperto sincronizado entre bancos centrais. Títulos soberanos com rendimentos mais altos competem diretamente com ativos de risco. Isso afeta ações, fundos, commodities e criptomoedas.

Outro fator relevante é a absorção de capital por grandes investimentos em infraestrutura tecnológica, especialmente ligados à inteligência artificial. O volume de recursos direcionado a data centers, chips, energia e computação em nuvem aumenta a competição por capital no mercado global.

Nesse cenário, ativos que dependem de expansão de múltiplos e liquidez abundante enfrentam testes mais exigentes de valuation. O Bitcoin (BTC), embora seja tratado por parte dos investidores como reserva digital de valor, continua se comportando como ativo de risco em períodos de estresse macroeconômico.

Tensão no Oriente Médio amplia cautela

Além do CPI americano, a tensão no Oriente Médio segue no radar dos investidores. O conflito entre Estados Unidos e Irã elevou a preocupação com rotas estratégicas de energia, especialmente nas proximidades do Estreito de Ormuz.

Segundo relatos internacionais, as tensões aumentaram após um helicóptero norte-americano ser abatido nas proximidades da região. Em resposta, os Estados Unidos afirmaram ter realizado ataques classificados como de autodefesa.

O mercado acompanha o risco de impacto sobre petróleo, inflação e comércio global. Embora o Bitcoin (BTC) seja frequentemente apresentado como ativo descentralizado, ele não tem ficado imune a choques de aversão a risco. Em momentos de conflito, investidores costumam buscar liquidez em dólar e reduzir exposição a ativos voláteis.

A instabilidade geopolítica também interfere nas expectativas sobre inflação. Se o petróleo sobe de forma persistente, os custos de energia podem pressionar preços ao consumidor e dificultar a atuação do Federal Reserve.

Esse elo entre guerra, petróleo, inflação e juros ajuda a explicar a reação negativa do mercado cripto. O Bitcoin (BTC) não cai apenas por fatores internos do setor, mas por uma combinação de macroeconomia, geopolítica e fluxo global.

Bolsas globais operam no vermelho

O ambiente internacional também pesou sobre as criptomoedas. As bolsas asiáticas fecharam em queda, pressionadas por preocupações com valorização excessiva de papéis ligados à inteligência artificial e pela piora do humor global.

Na Europa, os principais índices também operaram no vermelho, com investidores reagindo à escalada geopolítica e ao CPI americano. Nos Estados Unidos, os futuros de Nova York indicaram abertura negativa, acompanhando o movimento de redução de risco.

Esse pano de fundo é relevante porque o Bitcoin (BTC) tem mostrado correlação elevada com ativos de tecnologia em momentos de estresse. Quando o Nasdaq e papéis de crescimento sofrem, o mercado cripto tende a acompanhar a pressão.

A correção em ativos ligados à inteligência artificial também adiciona cautela. Nos últimos meses, parte relevante do apetite por risco global esteve concentrada em empresas de tecnologia, chips, data centers e infraestrutura de IA. Qualquer sinal de realização nesse segmento pode contaminar outros ativos especulativos.

O investidor cripto, portanto, acompanha não apenas dados específicos do blockchain, mas também a direção dos mercados acionários, juros americanos, dólar e commodities.

Mercado observa suporte de US$ 60 mil

A região de US$ 60 mil tornou-se o principal ponto de atenção para o Bitcoin (BTC) nesta quarta-feira. Caso o ativo perca esse patamar com força, traders podem passar a monitorar suportes inferiores, aumentando a volatilidade no curto prazo.

Por outro lado, uma defesa consistente da região pode abrir espaço para tentativa de recuperação técnica. Esse movimento dependeria de redução da aversão a risco e de leitura menos negativa sobre os juros americanos.

No mercado cripto, suportes psicológicos costumam ter peso elevado porque concentram ordens de compra, venda e liquidação de posições alavancadas. Quando o preço se aproxima desses níveis, a volatilidade tende a aumentar.

O comportamento do Bitcoin (BTC) também influencia todo o setor. Como a criptomoeda concentra grande parte da capitalização do mercado, suas oscilações servem de referência para Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP, BNB e demais ativos digitais.

Se o Bitcoin (BTC) conseguir se manter acima de US$ 60 mil, parte do mercado pode interpretar o movimento como sinal de resistência. Se romper o suporte, o sentimento pode piorar e ampliar perdas nas altcoins.

Preços das principais criptomoedas nesta quarta-feira

Entre as dez maiores criptomoedas do mundo, o desempenho era majoritariamente negativo nesta quarta-feira. O Bitcoin (BTC) era negociado a US$ 61.058,05, com queda de 2,42% em 24 horas, perda de 9,07% em sete dias e recuo de 30,23% no ano.

O Ethereum (ETH) caía 3,07%, a US$ 1.617,74, enquanto o BNB recuava 2,57%, a US$ 583,76. O XRP tinha baixa de 4,15%, cotado a US$ 1,10, e a Solana (SOL) perdia 4,16%, a US$ 63,46.

Entre as stablecoins, Tether (USDT) era negociado a US$ 0,9992, com alta de 0,03%, e USDC (USDC) estava a US$ 0,9997, com avanço de 0,01%. O TRON (TRX) subia 0,17%, a US$ 0,3224.

O Hyperliquid (HYPE) registrava a maior queda entre os dez principais ativos listados, com baixa de 8,91%, a US$ 56,49. Mesmo assim, acumulava alta de 122,14% no ano. Dogecoin (DOGE) caía 2,27%, a US$ 0,08346.

O desempenho reforça um dia de correção ampla, com poucas exceções entre os principais ativos digitais.

Bitcoin fica preso entre inflação, juros e aversão a risco

O Bitcoin (BTC) chega à metade da semana pressionado por um conjunto de fatores adversos. A inflação americana veio em linha com as expectativas, mas permaneceu elevada. Os juros nos Estados Unidos continuam no centro das decisões dos investidores. O conflito no Oriente Médio amplia a cautela. E as bolsas globais operam em queda.

Esse ambiente reduz o espaço para recuperação rápida das criptomoedas. A região de US$ 60 mil passa a ser acompanhada como referência técnica e psicológica para o mercado. Uma perda consistente desse nível poderia reforçar a percepção de fragilidade no curto prazo.

Ao mesmo tempo, o Bitcoin (BTC) ainda conta com investidores dispostos a defender preços em regiões consideradas descontadas após a forte queda recente. A disputa entre compradores de suporte e vendedores guiados por aversão a risco deve marcar as próximas sessões.

Para o mercado cripto, a agenda macroeconômica voltou a ser determinante. Enquanto não houver sinais claros de alívio nos juros, melhora da liquidez global e redução das tensões geopolíticas, o Bitcoin (BTC) deve continuar operando com volatilidade elevada e sensível a qualquer mudança no cenário externo.

Tags: ativos de riscoBitcoinBNBBTCCPI dos EUACriptomoedasDogecoinETHEthereumFedFederal Reserveinflação americanajurosmercado criptomercadosSolanaXRP

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