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VISC11: BTG vê alta de 17% e mantém compra; dividendos sobem e dívida cai

Fundo de shoppings tem portfólio diversificado, negocia com desconto e deve distribuir lucro de R$ 60 milhões

por Daniel Wicker
17/06/2026 às 12h09
em Fundos Imobiliários
Fundos Imobiliários - Fiis - Gazeta Mercantil

Foto: Pexels

São Paulo – O BTG Pactual renovou a recomendação de compra para o fundo imobiliário Vinci Shopping Centers (VISC11), com preço-alvo de R$ 123 por cota — um potencial de valorização superior a 17% em relação ao último fechamento, de R$ 104,99. Em relatório divulgado nesta semana, a instituição financeira sustenta a tese em três pilares: perspectiva de aumento dos dividendos, avanço consistente na redução de dívidas e avaliação de mercado abaixo do valor patrimonial, o que torna o ativo atraente para investidores que buscam renda e ganho de capital no segmento de shoppings.
O analista Daniel Marinelli, responsável pela cobertura, destaca que o VISC11 reúne características que se tornaram raras no mercado de fundos imobiliários (FIIs): portfólio amplo e qualificado, resultados operacionais em evolução e estratégia financeira que combina aquisições seletivas com venda de ativos para melhorar estrutura de capital. Mesmo em um cenário de juros ainda elevados, o fundo consegue entregar rendimentos estáveis e perspectivas de crescimento, conforme detalha o documento.

Portfólio diversificado e movimentos estratégicos fortalecem posição

Com participação em 32 empreendimentos distribuídos por 15 estados, o VISC11 tem uma das carteiras mais pulverizadas do setor, somando 301 mil metros quadrados de área bruta locável própria. Essa dispersão geográfica reduz riscos regionais e garante exposição a diferentes perfis de consumo, desde capitais até cidades de médio porte, com predominância de shoppings localizados em regiões de maior poder aquisitivo e fluxo consistente de pessoas.
Nos últimos meses, a gestora direcionou recursos para ativos de maior qualidade. As principais aquisições foram uma fração minoritária no Midway Mall, em Natal, e 10% do BH Shopping, um dos principais centros de compras de Minas Gerais, em operação avaliada em R$ 285 milhões. A estratégia visa aumentar a presença em empreendimentos líderes em suas regiões, com taxa de ocupação elevada e capacidade de reajuste de aluguéis acima da inflação, explica Marinelli.
Paralelamente, o fundo implementa um programa de reciclagem de ativos: assinou acordo para vender participações em cinco shoppings ao Pátria Malls (PMLL11), em transação de R$ 257 milhões, com taxa de capitalização de aproximadamente 8%. A operação deve gerar lucro de cerca de R$ 60 milhões, que será distribuído aos cotistas ainda este ano, além de recompor caixa e permitir ajustes na dívida. “É um passo fundamental para equilibrar a estrutura após um ciclo mais intenso de investimentos”, avalia o analista.
Com a conclusão das vendas, o índice de endividamento deve cair de 27% para cerca de 23%, aproximando-se do patamar considerado saudável para o segmento, abaixo de 25%. Embora ainda haja obrigações a cumprir até 2028, a redução da alavancagem amplia a flexibilidade financeira e diminui despesas com juros, o que impacta positivamente o resultado líquido e a capacidade de distribuição de rendimentos.

Operação resiste a juros altos e mostra evolução contínua

Os números operacionais do primeiro trimestre de 2026 reforçam a resiliência do modelo de negócio. O aluguel nas mesmas lojas (SSR) avançou 4,8% na comparação anual, enquanto as vendas nos mesmos estabelecimentos (SSS) cresceram 4,3%. O desempenho, embora positivo, ficou mais moderado em termos reais, reflexo do ambiente de política monetária restritiva que ainda pressiona o consumo das famílias em todo o país.
Mesmo assim, os indicadores de saúde da carteira seguem controlados: taxa de vacância física de 5,7% e inadimplência líquida de 3,5%, níveis considerados muito bons para o setor e que demonstram capacidade de manter a receita estável. A gestão também tem trabalhado na renegociação de contratos e atualização de mix de lojistas, priorizando marcas com maior faturamento e menor risco de inadimplência, o que sustenta a previsibilidade dos fluxos de caixa.
Para os próximos meses, a expectativa é de que a atividade comercial ganhe força gradualmente, especialmente com a perspectiva de queda da taxa Selic a partir do segundo semestre. Menores juros tendem a estimular o consumo e reduzir o custo de capital, beneficiando tanto os shoppings quanto os próprios fundos imobiliários, que passam a ter seus rendimentos mais valorizados em comparação a aplicações de renda fixa.

Dividendos em alta e desconto elevado atraem investidores

Um dos pontos mais destacados no relatório é a trajetória dos proventos distribuídos. O VISC11 elevou o pagamento de R$ 0,80 para R$ 0,84 por cota nos últimos meses, o que corresponde a um rendimento anualizado de cerca de 9,6% — patamar superior à média do mercado e bastante competitivo diante de alternativas de risco similar. A projeção da gestão e do BTG é de que esse valor possa chegar a R$ 0,90 ainda em 2026, conforme os ganhos com vendas de ativos e o crescimento operacional se consolidam.
Além da renda, o fundo negocia com desconto expressivo: relação preço/valor patrimonial de 0,91, ou seja, o mercado paga 91 centavos para cada real de patrimônio líquido. Para o BTG, esse desconto não reflete a qualidade dos ativos nem a geração de caixa, e deve diminuir ao longo do ano, à medida que os resultados forem divulgados e a redução de dívida se concretize. O retorno estimado da geração operacional (FFO yield) fica em 9,8% para este ano e deve chegar a 10% em 2027, um dos mais altos entre os pares do setor.
“A combinação de rendimento elevado, crescimento gradual, desalavancagem e avaliação descontada cria uma assimetria favorável: risco limitado e potencial de ganho duplo, tanto com dividendos quanto com valorização da cota”, resume Marinelli. O cenário macroeconômico também ajuda: com a expectativa de queda dos juros, ativos imobiliários de renda fixa tendem a ser cada vez mais procurados, o que deve impulsionar a demanda por cotas de fundos como o VISC11.

Riscos existem, mas são considerados administráveis

Como todo investimento, há pontos de atenção. O principal é o cronograma de amortização de dívidas até 2028, que ainda exige geração consistente de caixa. Outro fator é a sensibilidade do setor de varejo a variações na renda e na confiança do consumidor, especialmente se a economia crescer menos que o esperado ou se a inflação voltar a pressionar orçamentos familiares.
No entanto, o BTG avalia que esses riscos estão precificados no preço atual e que a estratégia de reciclagem e redução de alavancagem já está endereçando os pontos mais críticos. A diversificação regional e de perfil de lojistas também funciona como proteção: mesmo que uma região ou segmento tenha desempenho fraco, outros compensam.

Desempenho histórico reforça tese de longo prazo

Desde sua listagem na B3, o VISC11 acumula retorno total bruto de 118,7%, enquanto o índice de fundos imobiliários (IFIX) avançou 74,2% no mesmo período. Para pessoas físicas, isentas de Imposto de Renda sobre rendimentos, o retorno líquido chega a 117,5%, equivalente a 127,8% do CDI líquido — um desempenho que coloca o fundo entre os melhores do mercado em rentabilidade acumulada.
Essa trajetória mostra que a gestão tem conseguido gerar valor ao longo do tempo, equilibrando crescimento, distribuição de resultados e preservação de patrimônio. Agora, com a carteira mais qualificada, dívida menor e perspectivas de renda maiores, o fundo ganha ainda mais atratividade para quem busca exposição ao setor de shoppings sem assumir riscos excessivos.

Cenário de juros favorece ativos de renda imobiliária

O ano de 2026 é visto como um ponto de inflexão para o mercado de FIIs. Com o Banco Central esperado para iniciar ciclo de cortes na taxa Selic, os rendimentos de renda fixa tendem a diminuir, tornando os proventos dos fundos imobiliários relativamente mais atraentes. O segmento de shoppings, que já vinha se recuperando da pandemia, ganha força adicional com o retorno do público e a modernização dos empreendimentos, que agora oferecem mais lazer, serviços e experiências além das compras.
Nesse ambiente, fundos com portfólio de qualidade, gestão ativa e estrutura financeira equilibrada devem se destacar. O VISC11 reúne todos esses requisitos, segundo o BTG, e deve continuar sendo uma das principais escolhas para investidores que alocam recursos no setor, combinando segurança, renda mensal e potencial de ganho de capital.

Desconto e resultados mantêm VISC11 entre preferidos do mercado

A recomendação mantida reforça a posição do VISC11 como um dos principais nomes do segmento de shoppings para 2026 e 2027. A combinação de dividendos em alta, redução consistente de dívida, portfólio robusto e avaliação abaixo do valor justo cria um caso de investimento que, na visão do BTG, continua subestimado pelo mercado.
Mesmo com incertezas macroeconômicas, os fundamentos operacionais seguem sólidos e a estratégia de reciclagem de ativos já começa a entregar resultados concretos. Para os cotistas, a perspectiva é de rendimentos crescentes ao longo do ano, enquanto o potencial de alta de 17% no preço da cota oferece ganho adicional para quem entrar ou manter posição no momento atual.
O posicionamento também alinha-se com tendências mais amplas: investidores buscam cada vez mais ativos que entreguem renda recorrente, proteção contra inflação e valorização de longo prazo — características que têm feito dos fundos imobiliários uma das classes de ativos que mais cresce no Brasil, com patrimônio total superior a R$ 230 bilhões e base de investidores que ultrapassa 2 milhões de pessoas.

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