A convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026 provocou uma forte reação no comércio popular da Rua 25 de Março, em São Paulo. A poucos dias do início do torneio, lojistas da principal região de comércio popular do país relatam aumento expressivo na procura por camisas da seleção brasileira, bandeiras, acessórios e artigos decorativos ligados ao Mundial. Segundo comerciantes ouvidos pela Gazeta Mercantil, a presença do atacante na lista anunciada pelo técnico Carlo Ancelotti no último dia 18 de maio elevou o entusiasmo dos consumidores e acelerou o ritmo de vendas em um período considerado decisivo para o varejo.
O movimento ocorre em um momento relevante para o comércio nacional. Além da expectativa gerada pela Copa do Mundo, o setor também é beneficiado pela coincidência do torneio com as festas juninas, combinação que tradicionalmente amplia o fluxo de consumidores e impulsiona o faturamento de pequenos e médios lojistas.
Na avaliação dos comerciantes da região, Neymar tornou-se um dos principais fatores de mobilização do público. A volta do jogador ao centro das atenções da seleção brasileira teria contribuído para aumentar a confiança dos torcedores em uma campanha competitiva do Brasil e, consequentemente, ampliado o interesse por produtos ligados ao evento esportivo.
O impacto é percebido especialmente na venda de camisas da seleção. Réplicas e modelos inspirados nos uniformes oficiais passaram a dominar vitrines, bancas e corredores da Rua 25 de Março, tradicional termômetro do consumo popular no país.
Neymar se transforma em motor de vendas para o varejo popular
A avaliação predominante entre os comerciantes é que a convocação de Neymar alterou significativamente o comportamento dos consumidores.
Segundo relatos de vendedores da região, o volume de procura por produtos relacionados à seleção brasileira aumentou logo após a divulgação da lista oficial dos 26 jogadores convocados para o Mundial.
O movimento foi percebido principalmente entre consumidores que aguardavam a definição da equipe antes de realizar compras para acompanhar os jogos.
O comerciante Pierre Sfeir, proprietário da loja Festas e Fantasias, afirmou que a procura ganhou força imediatamente após o anúncio da convocação.
De acordo com ele, o ambiente observado neste ano é mais favorável do que o registrado durante a Copa de 2022.
Naquela ocasião, o país ainda enfrentava reflexos econômicos e sociais decorrentes da pandemia, o que reduzia o apetite dos consumidores para gastos considerados não essenciais.
Agora, segundo os lojistas, o cenário é diferente. A maior circulação de pessoas, a retomada de eventos presenciais e o ambiente festivo associado ao torneio criaram condições mais favoráveis para o comércio.
A percepção é compartilhada por diversos vendedores instalados na região central da capital paulista.
Consumidores demonstram maior disposição para gastar
Do lado dos consumidores, o clima também é de maior entusiasmo.
Muitos compradores relatam estar mais dispostos a investir em itens ligados à Copa do Mundo do que em edições anteriores.
O empresário Fabiano Mota, que visitava a Rua 25 de Março, afirmou ter adquirido camisas da seleção para toda a família. Segundo ele, o sentimento de confiança em uma boa campanha brasileira ajuda a justificar o aumento dos gastos.
O comportamento é relevante porque indica uma disposição maior para o consumo mesmo diante de um cenário econômico que ainda apresenta desafios relacionados à inflação e ao custo de vida.
Especialistas em varejo costumam destacar que grandes eventos esportivos possuem capacidade de estimular compras emocionais e de conveniência, especialmente quando envolvem símbolos nacionais como a seleção brasileira.
Nesse contexto, a convocação de Neymar acabou funcionando como um catalisador para esse movimento.
A imagem do jogador continua associada ao protagonismo da equipe nacional e mantém forte apelo comercial mesmo após anos de altos e baixos em sua trajetória esportiva.
Alta do petróleo encarece produtos temáticos da Copa
Embora o aumento da demanda seja motivo de comemoração para os comerciantes, o cenário não está livre de desafios.
Lojistas relatam que diversos produtos relacionados à Copa chegaram às lojas com preços superiores aos praticados durante o Mundial de 2022.
Segundo comerciantes da região, alguns itens apresentam reajustes próximos de 15%.
Parte desse aumento estaria relacionada ao encarecimento do petróleo nos mercados internacionais em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O impacto ocorre principalmente sobre produtos fabricados com plástico e derivados petroquímicos, como cornetas, acessórios decorativos, bandeiras, óculos temáticos e itens de festa.
Além disso, a valorização do petróleo influencia diretamente o preço dos combustíveis, especialmente o diesel, utilizado no transporte de mercadorias em todo o país.
O aumento dos custos logísticos acaba sendo repassado para diferentes etapas da cadeia produtiva, elevando o valor final pago pelo consumidor.
Apesar disso, comerciantes afirmam que o perfil popular dos produtos ajuda a preservar a demanda.
Grande parte dos artigos comercializados possui preços acessíveis e é adquirida para celebrações familiares, encontros entre amigos e transmissões coletivas dos jogos.
Camisas da seleção lideram faturamento na região
Entre todos os produtos ligados à Copa, as camisas da seleção brasileira aparecem como o principal motor de faturamento.
As réplicas comercializadas na Rua 25 de Março são encontradas em diferentes faixas de preço e qualidade.
Os modelos mais simples, conhecidos popularmente como “primeira linha”, podem ser encontrados por cerca de R$ 80.
Já versões consideradas de melhor acabamento, frequentemente chamadas pelos vendedores de “tailandesas”, são vendidas por aproximadamente R$ 160.
Há ainda modelos premium, inspirados nos uniformes utilizados pelos atletas em campo, que chegam a custar R$ 320.
A diferença de preços reflete tanto a qualidade dos materiais quanto a crescente busca por alternativas às versões oficiais.
No mercado formal, camisas oficiais da seleção podem ultrapassar os R$ 700, valor considerado elevado para grande parte dos consumidores.
Essa diferença cria espaço para um mercado paralelo de réplicas que encontra forte demanda em períodos de grandes competições esportivas.
A concentração desses produtos na Rua 25 de Março reforça o papel da região como um dos principais polos de distribuição de artigos populares do país.
Copa e festas juninas criam combinação favorável para lojistas
Outro fator que contribui para o otimismo dos comerciantes é a coincidência entre a Copa do Mundo e o período das festas juninas.
Tradicionalmente, junho já representa uma das épocas mais movimentadas para lojas especializadas em decoração, fantasias, artigos temáticos e produtos para eventos.
Neste ano, os dois calendários se sobrepõem.
O resultado é uma combinação considerada altamente positiva para o varejo.
Muitos consumidores estão realizando compras simultaneamente para festas juninas e para encontros relacionados aos jogos da seleção brasileira.
Segundo lojistas da região, diversos clientes têm buscado soluções decorativas que misturam elementos das duas celebrações.
Bandeirinhas, chapéus, adereços coloridos e itens nas cores verde e amarela passaram a dividir espaço nas prateleiras.
A gerente de contas Valéria Guimarães é um exemplo desse comportamento.
Ela afirma que pretende organizar eventos juninos com temática inspirada na Copa, utilizando produtos típicos das duas comemorações.
Para os comerciantes, essa convergência amplia o ticket médio das compras e aumenta o potencial de faturamento ao longo de junho e julho.
Comparação com 2022 revela mudança no perfil do consumo
O desempenho atual também chama atenção quando comparado ao cenário observado durante a Copa de 2022.
Naquele período, além das consequências econômicas da pandemia, o país vivia um ambiente de forte polarização política em meio às eleições presidenciais.
Comerciantes relatavam que parte do consumo de camisas da seleção era influenciada por manifestações políticas, o que alterava o perfil da demanda.
Em alguns momentos, modelos alternativos nas cores azul e preta chegaram a registrar procura superior às tradicionais camisas amarelas.
Em 2026, segundo vendedores da região, o foco voltou a ser predominantemente esportivo.
A expectativa em torno da campanha brasileira, associada ao retorno de Neymar ao grupo convocado, teria reduzido a influência de fatores políticos sobre o comportamento de compra.
Para o varejo, essa mudança é considerada positiva porque amplia o universo de consumidores potenciais e fortalece o caráter festivo do evento.
Analistas do setor observam que grandes competições esportivas costumam gerar impactos relevantes sobre segmentos como vestuário, decoração, alimentação, bebidas, eletrônicos e entretenimento.
A intensidade desse efeito depende diretamente do engajamento do público com a seleção nacional.
Rua 25 de Março aposta em ciclo de vendas até a decisão do Mundial
Com a Copa prestes a começar, comerciantes da Rua 25 de Março trabalham com a expectativa de que o movimento continue crescendo ao longo das próximas semanas.
A avaliação predominante é que o desempenho da seleção brasileira será determinante para manter o ritmo de vendas.
Historicamente, campanhas bem-sucedidas do Brasil costumam gerar novas ondas de consumo a cada fase eliminatória do torneio.
A presença de Neymar entre os convocados reforça a percepção de competitividade da equipe e contribui para manter o interesse dos torcedores.
Enquanto isso, vitrines seguem tomadas por camisas, bandeiras, cornetas, adereços e produtos temáticos que transformam a principal região de comércio popular do país em um retrato do clima que antecede o Mundial.
Para o varejo, a combinação entre Copa do Mundo, festas juninas e maior engajamento dos consumidores cria um dos cenários mais promissores dos últimos anos para o comércio popular brasileiro.










