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Santander (SANB11) paga R$ 1,5 bilhão em proventos

por Gabriel Monteiro
08/11/2024 às 10h15
em Economia
Santander (Sanb11) Paga R$ 1,5 Bilhão Em Proventos; Veja Quem Recebe

O Santander Brasil (SANB3, SANB4 e SANB11), um dos maiores bancos do país, distribuiu nesta sexta-feira (6) dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) aos seus acionistas. Com base em um montante total de R$ 1,5 bilhão, a distribuição consiste em R$ 200 milhões em dividendos e R$ 1,3 bilhão em JCP, conforme decisão aprovada em 10 de outubro de 2024. Esse pagamento representa uma oportunidade para os investidores do banco que detinham ações até o dia 17 de outubro deste ano.

Esse tipo de distribuição é um atrativo importante para investidores que buscam não apenas a valorização dos papéis no mercado de ações, mas também rendimentos periódicos. Neste artigo, detalharemos como esses pagamentos são feitos, quem tem direito a recebê-los e as implicações fiscais envolvidas, além de analisar o impacto dessa distribuição no mercado.

Dividendos e Juros sobre Capital Próprio: Qual a Diferença?

Antes de entrarmos nos detalhes sobre o pagamento feito pelo Santander, é fundamental entender a diferença entre dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). Ambos são formas de distribuição de lucros de uma empresa para seus acionistas, mas com diferenças importantes no tratamento tributário e na origem dos valores.

Os dividendos representam a parcela dos lucros de uma empresa distribuída aos acionistas, sem incidência de Imposto de Renda (IR). O valor pago como dividendo é resultado direto do lucro líquido após a dedução de impostos e reservas obrigatórias. A legislação brasileira (Lei 6.404/76) obriga as empresas listadas em bolsa a distribuírem uma parte de seus lucros aos acionistas, geralmente definida em estatuto. No caso do Santander, os dividendos pagos nesta data correspondem a R$ 0,0256 para ações ordinárias (SANB3) e R$ 0,0281 para ações preferenciais (SANB4 e SANB11).

Já os juros sobre capital próprio (JCP), apesar de também representarem uma distribuição de recursos aos acionistas, têm um tratamento diferenciado. Eles são contabilizados como despesa financeira para a empresa, permitindo uma dedução fiscal no imposto devido, o que torna o JCP uma prática vantajosa tanto para a empresa quanto para os acionistas. Porém, ao contrário dos dividendos, os valores pagos como JCP são sujeitos à retenção de 15% de IR. O Santander, por exemplo, pagou R$ 0,1661 por ação ordinária (SANB3) e R$ 0,1827 por ação preferencial (SANB4 e SANB11).

Quem Tem Direito aos Proventos e Como São Calculados

Para receber os proventos anunciados pelo Santander, o investidor precisa ter as ações do banco em sua carteira até uma data específica conhecida como data de corte. No caso do pagamento atual, os investidores que mantinham posições acionárias até o dia 17 de outubro de 2024 têm direito a receber os valores distribuídos em dividendos e JCP. Após essa data, os papéis são negociados “ex-dividendos”, ou seja, sem direito ao pagamento atual.

O valor distribuído por ação varia conforme o tipo de papel, influenciado também pela rentabilidade e resultados financeiros da empresa. Abaixo estão os valores pagos pelo Santander:

  • SANB3 (Ações Ordinárias): Dividendos de R$ 0,0256 e JCP de R$ 0,1661
  • SANB4 (Ações Preferenciais): Dividendos de R$ 0,0281 e JCP de R$ 0,1827
  • SANB11 (Units): Dividendos de R$ 0,0281 e JCP de R$ 0,1821

Tributação dos Dividendos e JCP: Entenda as Regras Fiscais

Um ponto essencial para os investidores é o impacto tributário dos proventos recebidos. No Brasil, dividendos são isentos de IR, o que representa uma vantagem para o investidor, uma vez que ele recebe o valor integral distribuído pela empresa. Já os juros sobre capital próprio sofrem retenção de IR na fonte à alíquota de 15%. Dessa forma, o investidor recebe o valor líquido após o desconto do imposto.

Essa distinção é importante para estratégias de longo prazo, especialmente para investidores que optam por reinvestir os proventos recebidos. A isenção tributária dos dividendos favorece o acúmulo de capital ao longo do tempo, enquanto o JCP oferece um rendimento com um imposto retido menor, mas ainda atrativo.

O Contexto da Distribuição de Lucros no Santander

A decisão do Santander de distribuir R$ 1,5 bilhão em dividendos e JCP está alinhada com sua política de remuneração aos acionistas. A prática é comum entre bancos e grandes empresas de capital aberto, buscando manter a atratividade dos papéis para os investidores. Em períodos de alta lucratividade, as empresas costumam aumentar a distribuição de proventos, enquanto em momentos de menor desempenho, essa distribuição tende a ser reduzida.

O Santander Brasil, ao adotar essa estratégia, reforça seu compromisso com os acionistas, fornecendo retornos adicionais além da valorização das ações. Esse movimento é particularmente vantajoso em um ambiente econômico desafiador, onde a busca por investimentos de renda fixa e variável se torna essencial para a manutenção do poder aquisitivo dos investidores.

Como a Distribuição de Dividendos Impacta o Valor das Ações

Ao distribuir dividendos e JCP, o valor das ações geralmente sofre uma leve correção para refletir o pagamento realizado. Essa redução é conhecida como ajuste ex-dividendo, e acontece porque a quantia distribuída aos acionistas deixa de fazer parte do patrimônio da empresa. No entanto, esse impacto costuma ser temporário, pois o valor dos papéis tende a se ajustar novamente conforme a empresa gera novos lucros e os reinveste.

Para o Santander, essa prática ajuda a manter o interesse de investidores focados em renda, que buscam ações de empresas com histórico consistente de distribuição de lucros. Além disso, a política de remuneração regular pode contribuir para a estabilidade dos preços das ações no longo prazo, especialmente em períodos de volatilidade.

Importância da Lei dos Dividendos para Empresas Brasileiras

A Lei das Sociedades por Ações, também conhecida como Lei dos Dividendos (Lei 6.404/76), é uma normativa que obriga empresas de capital aberto a distribuírem parte de seus lucros aos acionistas. Essa legislação é um dos pilares da governança corporativa no Brasil, proporcionando uma fonte de renda estável para investidores e assegurando a transparência das empresas.

No caso do Santander, o cumprimento dessa lei e a distribuição de dividendos são estratégias de valorização dos papéis no mercado. Além disso, a política de dividendos garante que o banco mantenha um relacionamento de confiança com seus acionistas, que podem contar com um fluxo constante de renda.

O pagamento de dividendos e JCP pelo Santander reafirma o compromisso do banco com a política de remuneração aos acionistas, ao distribuir um total de R$ 1,5 bilhão. Esse montante se traduz em valores relevantes por ação, especialmente atrativos para investidores que mantêm suas posições no longo prazo. A isenção de IR sobre dividendos e a alíquota reduzida sobre o JCP tornam esses proventos ainda mais interessantes para quem busca retornos consistentes.

Investidores atentos à data de corte e ao tipo de ação que possuem garantiram seu direito ao pagamento atual, beneficiando-se da distribuição de lucros de uma das maiores instituições financeiras do Brasil. A estratégia do Santander de manter a distribuição de dividendos e JCP fortalece o papel das ações do banco no mercado e proporciona estabilidade para os investidores.

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A Distância Entre Os Múltiplos Reacendeu Uma Tese Recorrente Entre Analistas: A Possibilidade De O Controlador Espanhol Lançar Uma Oferta Pública De Aquisição (Opa) Para Comprar A Fatia Restante Do Santander Brasil Em Circulação No Mercado. A Hipótese Ganhou Força Porque Apenas Cerca De 10% Das Ações Permanecem Em Free Float, O Que Reduziria O Custo Financeiro De Uma Eventual Operação Para A Matriz. Apesar Disso, Não Há Anúncio Formal De Opa. O Tema Segue No Campo Da Especulação De Mercado, Alimentado Pelo Desconto Das Units, Pela Baixa Liquidez Relativa E Pelo Histórico Do Próprio Santander Em Operações De Simplificação Societária. Em Fevereiro, O Então Presidente Do Santander Brasil, Mario Leão, Afirmou Que O Fechamento De Capital Não Estava No Foco Da Gestão. Por Que Sanb11 Ficou Para Trás Na Bolsa O Mau Desempenho De Santander Brasil (Sanb11) Não Reflete Apenas A Diferença Entre O Mercado Brasileiro E O Europeu. O Banco Também Enfrenta Pressão Operacional Em Um Ambiente De Crédito Mais Difícil, Competição Crescente Com Fintechs E Rentabilidade Abaixo Da Meta De Médio Prazo. No Primeiro Trimestre De 2026, O Santander Brasil Registrou Lucro Líquido Gerencial De R$ 3,788 Bilhões, Queda De 7,3% Ante O Quarto Trimestre De 2025 E Baixa De 1,9% Em Relação Ao Mesmo Período Do Ano Anterior. O Retorno Sobre O Patrimônio Médio, Medido Pelo Roae, Ficou Em 16%, Abaixo Do Objetivo De Médio Prazo De 20% Citado Pela Administração E Acompanhado De Perto Por Analistas. A Qualidade Da Carteira Também Pesa Sobre A Leitura Dos Investidores. O Índice De Inadimplência Acima De 90 Dias Subiu De 2,8% Em Março De 2025 Para 3,3% Em Março De 2026, Segundo A Apresentação De Resultados Do Banco. No Segmento De Pessoa Física, A Inadimplência Acima De 90 Dias Chegou A 4,9% No Fim Do Primeiro Trimestre. Desconto Para A Matriz Alimenta Tese De Opa A Principal Razão Para A Tese De Fechamento De Capital É A Combinação Entre Valuation Descontado E Baixa Fatia Em Circulação. Segundo Análise Da Genial Investimentos, O Free Float De Aproximadamente 10% Representaria Um Custo Relativamente Baixo Para O Grupo Santander Diante De Sua Geração De Capital E De Seu Histórico De Reorganização De Subsidiárias. O Próprio Histórico Brasileiro Reforça A Leitura. Em 2014, O Santander Espanha Realizou Uma Oferta Pública Voluntária De Permuta De Ações E Units Do Santander Brasil Por Bdrs Representativos De Ações Da Matriz. A Operação Elevou A Participação Do Grupo No Capital Da Subsidiária Brasileira Para 88,3%, Mas Não Retirou Integralmente O Banco Da Bolsa Brasileira. Desde Então, O Controlador Avançou Em Outros Movimentos De Simplificação. A Bloomberg Línea Informou Que A Matriz Também Fechou O Capital De Negócios Como A Operação De Financiamento Ao Consumidor Nos Estados Unidos, Em 2021, E A Unidade Mexicana, Em 2023, Além Da Getnet No Brasil. O Que Pesa Contra Uma Operação Agora Embora O Desconto De Sanb11 Torne A Discussão Mais Relevante, O Momento Do Grupo Santander Pode Reduzir A Probabilidade De Uma Opa No Curto Prazo. A Matriz Está Envolvida Em Uma Agenda Internacional Intensa, Com Aquisições Relevantes No Reino Unido E Nos Estados Unidos. Em 2025, O Santander Anunciou A Compra De 100% Do Tsb Banking Group, Do Banco Sabadell, Por 2,65 Bilhões De Libras. A Operação Fortalece A Posição Do Grupo No Reino Unido E Deve Tornar O Santander Uk O Terceiro Maior Banco Do País Em Saldos De Contas Correntes Pessoais. Em Fevereiro De 2026, O Grupo Também Anunciou A Aquisição Do Webster Financial, Nos Estados Unidos, Por Us$ 12,2 Bilhões. Segundo O Comunicado Oficial, A Transação Deve Criar Um Banco Entre Os Dez Maiores Do Varejo E Banco Comercial Americano Por Ativos, Além De Ampliar A Base De Depósitos No Nordeste Dos Eua. Essas Operações Exigem Integração, Capital E Atenção Da Administração. Por Isso, Parte Dos Analistas Avalia Que Uma Eventual Opa No Brasil Pode Fazer Sentido Estratégico, Mas Não Necessariamente Agora. Santander Brasil Tenta Recuperar Rentabilidade A Nova Fase Do Santander Brasil Envolve Uma Combinação De Controle De Custos, Seletividade No Crédito E Busca Por Clientes De Maior Renda. A Apresentação Do Primeiro Trimestre Mostrou Receita Total De R$ 21,248 Bilhões, Avanço De 0,9% Em Relação Ao Primeiro Trimestre De 2025, Enquanto As Despesas Gerais Ficaram Praticamente Estáveis Na Comparação Anual. O Banco Também Vem Tentando Melhorar A Eficiência Operacional. No Primeiro Trimestre, O Índice De Eficiência Ficou Em 37,7%, Melhora De 1,1 Ponto Percentual Ante O Trimestre Anterior, Embora Ainda 0,5 Ponto Acima Do Registrado Um Ano Antes. A Estratégia Passa Por Reduzir Exposição A Carteiras De Maior Risco, Priorizar Originação Mais Rentável E Ampliar A Participação De Segmentos Como Alta Renda, Pequenas E Médias Empresas E Atacado. Em Relatório, A Genial Apontou Que A Administração Segue Buscando Um Roe Sustentável De 20%, Mas Que Esse Patamar Pode Ficar Mais Factível Apenas Em 2027. Troca No Comando Aumenta Atenção Sobre O Banco A Mudança Na Liderança Também Entrou No Radar. Em Março, O Santander Brasil Anunciou A Saída De Mario Leão Da Presidência, Com Transição Prevista Até Julho De 2026. Para O Cargo, O Conselho Escolheu Gilson Finkelsztain, Então Presidente Da B3, Ainda Sujeito Às Aprovações Regulatórias Necessárias. A Chegada De Finkelsztain Ocorre Em Um Momento Sensível. O Banco Precisa Recuperar Confiança Do Mercado, Provar Que A Deterioração Da Inadimplência Está Sob Controle E Mostrar Que A Reestruturação Operacional Pode Gerar Rentabilidade Mais Próxima Da Meta. Para Investidores, A Troca De Comando Pode Ser Positiva Se Acelerar A Disciplina De Capital E A Simplificação Do Banco. Mas Também Adiciona Um Período De Transição Em Uma Fase Em Que Sanb11 Já Sofre Com Pressão De Resultados E Comparação Desfavorável Com Pares Locais. Fintechs Pressionam Bancos Tradicionais Outro Ponto Estrutural É A Competição Com Fintechs. O Avanço De Bancos Digitais, Especialmente Em Cartões, Conta Corrente E Crédito De Varejo, Reduziu Vantagens Históricas De Bancos Tradicionais E Pressionou Margens No Segmento Massificado. O Santander Brasil Tem Exposição Relevante Ao Financiamento Ao Consumo, O Que Torna Seus Resultados Mais Sensíveis Ao Ciclo De Juros, À Inflação E À Inadimplência. Em Períodos De Selic Elevada, O Custo De Funding E O Risco De Crédito Tendem A Pesar Mais Sobre Instituições Com Carteiras Voltadas Ao Consumo. Esse Cenário Ajuda A Explicar Por Que A Matriz Espanhola Valorizou Fortemente Enquanto A Operação Brasileira Perdeu Valor. O Grupo Global Se Beneficiou De Resultados Recordes E Expansão Internacional, Enquanto O Brasil Ainda Tenta Recompor Retorno Em Um Mercado Bancário Mais Competitivo. O Que Observar Em Sanb11 Daqui Para Frente A Tese De Investimento Em Santander Brasil (Sanb11) Passa Por Quatro Pontos Principais: Evolução Da Inadimplência, Recuperação Do Roe, Disciplina De Custos E Sinais Da Matriz Sobre Alocação De Capital. Se Os Indicadores De Crédito Estabilizarem E A Rentabilidade Caminhar Para A Meta De 20%, O Desconto Pode Diminuir Sem Necessidade De Opa. Por Outro Lado, Se Sanb11 Continuar Negociando Com Múltiplos Pressionados, A Discussão Sobre Fechamento De Capital Tende A Permanecer No Radar. Por Enquanto, A Conclusão Mais Prudente É Que Uma Opa É Uma Possibilidade Financeira E Estratégica, Mas Não Um Fato. O Desconto Recorde Para A Matriz Torna O Tema Inevitável, Mas A Agenda Global Do Santander E A Ausência De Manifestação Formal Impedem Tratar A Operação Como Iminente. Para O Investidor, O Ponto Central Não É Apenas Se O Santander Brasil Pode Sair Da Bolsa. É Se O Banco Conseguirá Recuperar Rentabilidade Em Um Ambiente No Qual Fintechs, Juros Altos E Inadimplência Ainda Limitam O Potencial De Valorização De Sanb11. - Gazeta Mercantil
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