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Flavio Bolsonaro perde força na Quaest após caso Master e tarifaço dos EUA

Pesquisa mostra senador em queda contra Lula e aponta desgaste com Banco Master, Daniel Vorcaro e narrativa sobre tarifas americanas.

por Júlia Campos
10/06/2026 às 19h06
em Política
Flavio Bolsonaro Perde Força Na Quaest Após Caso Master E Tarifaço Dos Eua - Gazeta Mercantil

Reprodução

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofreu desgaste na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10), em meio à repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master e à disputa de narrativa sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Na simulação de segundo turno para a eleição presidencial, Flávio Bolsonaro caiu de 41% para 38% em um mês, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu de 42% para 44%. O levantamento foi realizado entre 5 e 8 de junho, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

O resultado interrompe uma sequência de pesquisas marcadas por empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em março, os dois apareciam com 41%. Em abril, o senador chegou a ter vantagem numérica, com 42% contra 40% do presidente. Em maio, Lula apareceu com 42%, ante 41% de Flávio Bolsonaro. agora, a diferença chegou a seis pontos percentuais no confronto direto.

A piora do senador ocorre em um momento de maior exposição política. Segundo a Quaest, parte relevante dos entrevistados tomou conhecimento de notícias recentes envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, áudios, encontro e repasses de cerca de R$ 61 milhões relacionados a um filme sobre Jair Bolsonaro. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Como se trata de investigação em andamento, eventuais responsabilidades dependem da apuração das autoridades competentes. O senador e os demais citados têm direito à defesa.

Caso Master amplia desgaste de Flávio Bolsonaro

O caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master aparece como um dos principais focos de pressão sobre Flávio Bolsonaro. De acordo com a pesquisa, 55% dos entrevistados dizem já saber das conversas e negociações entre o senador e Vorcaro.

A Quaest informou aos eleitores que notícias recentes apontam áudios, encontro e repasses de cerca de R$ 61 milhões que ligariam Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro e a um filme sobre Jair Bolsonaro. A partir dessa informação, o instituto mediu a percepção dos entrevistados sobre a conduta do senador.

Quando questionados se Flávio Bolsonaro acertou ou errou ao pedir financiamento a Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro, 65% responderam que ele errou e deveria ter evitado. Apenas 17% afirmaram que o senador acertou e que não haveria problema. Outros 18% não souberam ou não responderam.

O dado tem relevância eleitoral porque a avaliação negativa não ficou restrita ao eleitorado identificado com Lula. Entre eleitores independentes, 67% disseram que Flávio Bolsonaro errou. Na direita não bolsonarista, 53% tiveram a mesma avaliação. Mesmo entre bolsonaristas, o resultado ficou dividido: 42% disseram que ele acertou e 42% afirmaram que ele errou.

Esse recorte indica que o caso Master tem potencial de desgaste em segmentos importantes para uma eventual campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Para crescer além da base bolsonarista, o senador precisaria reduzir resistências entre eleitores de centro, independentes e direita não alinhada integralmente ao bolsonarismo.

Maioria vê suspeita nas conversas com Vorcaro

A pesquisa também mostra que 60% dos entrevistados consideram que as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro levantaram suspeitas sobre possíveis atitudes ilegais. Outros 19% classificaram as conversas como normais, enquanto 21% não souberam ou não responderam.

Em outra pergunta, 58% dos entrevistados disseram considerar que Flávio Bolsonaro pode estar escondendo um possível envolvimento ilegal no caso Banco Master. Outros 27% afirmaram que ele não está envolvido, e o restante não soube ou não respondeu.

Esses números ajudam a explicar a piora do senador nas simulações eleitorais. Em pesquisas de intenção de voto, casos associados a suspeitas de irregularidade podem ampliar rejeição, reduzir disposição de voto e dificultar a expansão para além da base mais fiel.

O impacto, porém, não é homogêneo. A Quaest mostra que metade dos entrevistados afirma que as notícias não alteram sua posição porque já não votaria em Flávio Bolsonaro. Outros 26% dizem que continuam iguais e ainda votariam no senador. Para 12%, as revelações diminuem a vontade de votar nele. Para 6%, aumentam.

O dado sugere que o caso Master reforça resistências já existentes, mas também atinge parte de eleitores que poderiam considerar votar em Flávio Bolsonaro. Esse grupo é especialmente importante em uma disputa de segundo turno, quando candidatos precisam atrair votos fora de suas bases originais.

Queda no segundo turno muda leitura da disputa

Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 38%, contra 44% de Lula. A diferença de seis pontos ocorre após meses de disputa numericamente apertada.

A mudança tem peso político porque Flávio Bolsonaro vinha sendo testado como o nome mais competitivo do campo bolsonarista contra o presidente. Sua capacidade de enfrentar Lula em segundo turno era um dos principais argumentos para consolidar apoio no PL e entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A queda de 41% para 38% em um mês não significa definição da eleição, mas altera a temperatura da corrida presidencial. Pesquisas realizadas antes da formalização das candidaturas capturam o momento político e a percepção dos eleitores diante de fatos recentes.

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avaliou que a piora de Flávio Bolsonaro se apoia em fatores combinados: o aumento da percepção de que a família Bolsonaro foi afetada pelo escândalo do Banco Master, a avaliação majoritária de que o senador errou ao pedir financiamento a Vorcaro e a suspeita captada pela pesquisa sobre possível envolvimento ilegal.

Para o senador, o desafio passa a ser conter danos, apresentar explicações consideradas suficientes pelos eleitores e evitar que o caso se consolide como elemento permanente de rejeição.

Tarifaço dos EUA vira segundo eixo de pressão

Além do caso Master, Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste na disputa de narrativa sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O tema ganhou peso após a agenda do senador com o presidente americano Donald Trump.

Segundo a Quaest, 50% dos entrevistados dizem já saber do encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump. A pesquisa também mediu o conhecimento dos eleitores sobre a decisão do governo americano de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Nesse caso, 63% afirmaram ter conhecimento do tema.

Quando a pauta é tratada como decisão brasileira, há apoio majoritário. A pesquisa mostra que 60% defendem que o Brasil classifique organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho como terroristas.

O quadro muda quando a iniciativa parte dos Estados Unidos. Nesse caso, o eleitorado se divide: 45% são favoráveis e 45% contrários à classificação pelo governo americano. A divisão indica desconforto de parte dos eleitores quando a decisão envolve atuação direta de outro país sobre tema sensível da segurança pública brasileira.

Esse ponto é importante para Flávio Bolsonaro porque sua aproximação com Trump, embora possa mobilizar setores da direita, também abre espaço para críticas sobre soberania, impacto econômico e alinhamento externo.

Eleitor teme impacto econômico das medidas dos EUA

A pesquisa mostra preocupação dos entrevistados com os possíveis efeitos econômicos das medidas americanas. Para 53%, punições financeiras relacionadas à classificação de organizações criminosas como terroristas podem prejudicar bancos e empresas brasileiras.

Além disso, 55% afirmam acreditar que as novas tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros podem prejudicar sua vida ou a de sua família. O dado indica que a pauta deixou de ser apenas diplomática ou ideológica e passou a ser percebida por parte do eleitorado como risco econômico concreto.

Essa percepção é sensível para qualquer pré-candidato. Tarifas comerciais podem afetar empresas exportadoras, cadeias produtivas, empregos, preços e renda. Quando o eleitor associa uma medida externa a prejuízos pessoais ou familiares, o custo político pode aumentar.

No caso de Flávio Bolsonaro, a dificuldade está em separar sua agenda internacional dos efeitos percebidos das decisões americanas. Mesmo que o senador negue ter solicitado novas tarifas, a pesquisa mostra que parte relevante do eleitorado assimilou a versão apresentada por Lula.

A disputa sobre tarifas, portanto, tornou-se também uma disputa sobre responsabilidade política. O levantamento indica que, neste momento, a narrativa do presidente tem maior aderência.

Lula leva vantagem na narrativa sobre o tarifaço

Na disputa direta de versões sobre o tarifaço dos Estados Unidos, Lula aparece em vantagem. A Quaest perguntou com quem o eleitor concorda mais: 47% disseram concordar com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido o novo tarifaço contra o Brasil. Outros 35% concordaram com Flávio Bolsonaro, que nega a acusação e afirma ter pedido a Trump para não impor novas tarifas. Outros 18% não souberam ou não responderam.

A vantagem de Lula também aparece quando a pergunta trata da motivação das tarifas. Para 46%, faz mais sentido a versão do presidente de que as novas taxas seriam uma retaliação ao Pix. Para 36%, prevalece a explicação de Flávio Bolsonaro de que as tarifas decorrem de declarações de Lula contra os Estados Unidos. Outros 10% não concordam com nenhum dos dois, e 8% não souberam ou não responderam.

O resultado mostra que a disputa comunicacional favoreceu o governo nesta rodada da pesquisa. A narrativa de que Flávio Bolsonaro teria contribuído para uma medida prejudicial ao Brasil encontra mais concordância do que a versão apresentada pelo senador.

Esse quadro é relevante porque campanhas eleitorais são fortemente influenciadas por percepção. Mesmo quando há disputa sobre fatos, a forma como o eleitor entende a sequência de eventos pode pesar sobre intenção de voto e rejeição.

Patriotismo entra na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

A pesquisa também mediu a percepção sobre defesa dos interesses nacionais. Para 47% dos entrevistados, Lula representa melhor o discurso de defesa dos interesses do Brasil. Flávio Bolsonaro foi citado por 37%. Outros 10% disseram que nenhum dos dois representa melhor esse discurso, e 6% não souberam ou não responderam.

Esse recorte tem peso simbólico. A agenda internacional costuma ser usada por candidatos para reforçar liderança, prestígio e capacidade de interlocução externa. No caso do tarifaço, porém, a pesquisa indica que a aproximação de Flávio Bolsonaro com Trump não produziu apenas ganhos no campo conservador.

A percepção de defesa dos interesses nacionais pode influenciar eleitores que não se movem apenas por identificação ideológica. Em disputas presidenciais, temas como soberania, economia, emprego, comércio exterior e relação com grandes potências podem ganhar força quando são conectados ao cotidiano da população.

Felipe Nunes avaliou que a agenda com Trump não trouxe boas notícias para Flávio Bolsonaro. Segundo a leitura do diretor da Quaest, embora a maioria defenda que PCC e Comando Vermelho sejam tratados como organizações terroristas pela lei brasileira, a sociedade se divide quando a classificação parte do governo americano.

A avaliação também aponta que a narrativa de Lula sobre o tarifaço e sobre uma possível retaliação ao Pix tem hoje mais aderência do que a versão apresentada por Flávio Bolsonaro.

Pesquisa foi feita entre 5 e 8 de junho

A pesquisa Genial/Quaest foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre os dias 5 e 8 de junho. Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07661/2026.

A metodologia é relevante para a leitura dos dados. Como a pesquisa tem margem de erro, pequenas oscilações devem ser interpretadas com cautela. No caso da simulação de segundo turno, porém, a diferença de seis pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro representa uma mudança em relação ao quadro de empate técnico observado nas rodadas anteriores.

Também é importante considerar que o cenário eleitoral de 2026 ainda está em formação. Candidaturas podem ser confirmadas, substituídas ou retiradas. Alianças partidárias ainda serão negociadas. O ambiente econômico, jurídico e político pode alterar o comportamento do eleitorado até o período oficial de campanha.

Ainda assim, a pesquisa oferece um retrato relevante do impacto de fatos recentes sobre a imagem de Flávio Bolsonaro e sobre a disputa presidencial.

Desgaste amplia desafio de Flávio Bolsonaro para 2026

O levantamento Genial/Quaest mostra que Flávio Bolsonaro enfrenta um momento de maior pressão política. O senador aparece em queda no segundo turno contra Lula, vê a maioria dos entrevistados avaliar negativamente sua aproximação com Daniel Vorcaro para financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro e perde a disputa de narrativa sobre as tarifas dos Estados Unidos.

O caso Master reforça suspeitas entre eleitores e amplia resistências fora da base bolsonarista. A agenda com Trump, por sua vez, não se traduziu em vantagem majoritária na opinião pública, especialmente quando associada a risco de prejuízo para bancos, empresas e famílias brasileiras.

Para o campo governista, os dados indicam melhora na posição de Lula em relação ao adversário mais competitivo testado pela Quaest. Para o PL e aliados do bolsonarismo, a pesquisa acende alerta sobre a necessidade de conter a deterioração da imagem de Flávio Bolsonaro antes da consolidação do cenário presidencial.

A corrida de 2026 permanece aberta, mas a rodada desta quarta-feira altera a fotografia política. Flávio Bolsonaro segue como nome central da oposição nas simulações, porém passa a enfrentar uma combinação de desgaste jurídico, econômico e narrativo que aumenta a pressão sobre sua pré-campanha.

Tags: Banco MasterDaniel VorcaroDonald TrumpEleições 2026Flávio BolsonaroGenial QuaestLulapesquisa eleitoralPLPolícia FederalPolíticaQuaesttarifaço dos EUATSE

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