terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Juros futuros caem com alívio externo, mas DI curto sobe com Selic no radar

Curva de juros acompanha alívio externo e recuo do petróleo, enquanto vencimento mais curto reage à reprecificação do ciclo de cortes da Selic no Brasil

por Camila Braga
09/06/2026 às 11h51
em Economia
Juros Futuros Caem Com Alívio Externo, Mas Di Curto Sobe Com Selic No Radar - Gazeta Mercantil

Os juros futuros abriram o pregão desta terça-feira (9) em queda predominante na B3, acompanhando o ajuste positivo na percepção de risco global e o recuo das taxas no exterior, enquanto investidores monitoravam a trajetória do petróleo e recalibravam as expectativas para a política monetária no Brasil. O movimento, porém, não foi uniforme: o DI mais curto subia na abertura, refletindo a reprecificação do mercado sobre o espaço para cortes da Selic diante de um ambiente ainda marcado por inflação resistente, incertezas fiscais e cautela do Banco Central.

Por volta das 9h25, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançava de 14,475% no ajuste anterior para 14,49%. Na ponta intermediária e longa da curva, o movimento era de queda. O DI para janeiro de 2028 recuava de 14,87% para 14,815%, enquanto o contrato para janeiro de 2029 caía de 14,93% para 14,82%. Já a taxa do DI para janeiro de 2031 passava de 14,775% para 14,665%.

A abertura mostrou uma curva de juros futuros ainda sensível ao cenário externo, mas com leitura doméstica mais cautelosa no trecho curto. O alívio global contribuiu para reduzir prêmios nos vencimentos mais longos, enquanto a taxa mais próxima reagiu à percepção de que o ciclo de flexibilização monetária no Brasil pode ser mais limitado ou mais lento do que parte do mercado projetava anteriormente.

Alívio global derruba parte dos prêmios na curva

A queda predominante dos juros futuros ocorreu em linha com a melhora do apetite por risco no exterior. Em sessões de menor aversão global, investidores tendem a reduzir prêmios exigidos para carregar ativos de países emergentes, especialmente nos trechos mais longos das curvas de juros.

Esse movimento costuma beneficiar contratos de DI com vencimentos mais distantes, que incorporam expectativas de inflação, política monetária, risco fiscal e condições financeiras internacionais ao longo de vários anos. Quando há melhora na percepção global, parte desses prêmios é retirada, abrindo espaço para queda das taxas.

Nesta terça-feira, o ajuste externo foi acompanhado por recuo nos preços do petróleo. A baixa da commodity, em tese, poderia aliviar parte das preocupações inflacionárias, sobretudo por seu impacto sobre combustíveis, transportes e cadeias produtivas. A leitura dos agentes, no entanto, foi de que a queda ainda era contida e insuficiente para alterar de forma relevante o balanço de riscos para a inflação.

A reação moderada do mercado mostra que os juros futuros seguem presos a uma combinação de fatores. O ambiente externo ajuda, mas não elimina as preocupações domésticas. A curva continua refletindo dúvidas sobre a velocidade de convergência da inflação à meta e sobre a capacidade da política fiscal de reduzir prêmios de risco.

DI curto sobe com revisão das apostas para a Selic

O comportamento do DI para janeiro de 2027 destoou do restante da curva. A alta da taxa curta indica que investidores ajustaram suas apostas em relação à Selic, em especial após sinais de que o Banco Central pode manter uma postura conservadora por mais tempo.

O trecho curto da curva de juros futuros é o mais diretamente influenciado pelas expectativas para a taxa básica. Quando o mercado passa a enxergar menor probabilidade de cortes próximos, ou cortes menos intensos, os contratos mais curtos tendem a subir.

A reprecificação ocorre em um cenário de inflação ainda observada com cautela, atividade econômica resiliente e incerteza sobre o impacto de choques externos. Mesmo com algum alívio nos ativos globais, os agentes financeiros não enxergaram espaço suficiente para uma revisão benigna da política monetária brasileira no curto prazo.

A Selic segue no centro da leitura dos investidores. Qualquer mudança na comunicação do Banco Central, nos dados de inflação ou nas expectativas captadas pelo mercado pode deslocar rapidamente os juros futuros, sobretudo nos vértices mais próximos.

Petróleo cai, mas não reduz pressão inflacionária

A queda dos preços do petróleo foi um dos elementos acompanhados na abertura do pregão. Em geral, a baixa da commodity tende a ser vista como fator favorável para a inflação global, por reduzir custos de energia, combustíveis e transporte.

Nesta sessão, porém, o recuo foi avaliado como limitado. Para os agentes, a desvalorização não chegou a abrir margem relevante para uma leitura de alívio consistente sobre a inflação. O petróleo ainda permanece sujeito a riscos geopolíticos, decisões de produção e mudanças na demanda global.

A leitura é especialmente importante para países importadores de combustíveis e para economias com peso relevante de preços administrados ou custos logísticos. No Brasil, a dinâmica do petróleo pode afetar expectativas de inflação, ainda que o repasse aos preços domésticos dependa de política de preços, câmbio, impostos e estratégia das distribuidoras.

Por isso, a queda da commodity não foi suficiente para derrubar de forma ampla toda a curva de juros futuros. O mercado reduziu prêmios em parte dos vencimentos, mas manteve cautela no trecho ligado à política monetária mais próxima.

Vencimentos longos reagem à melhora no risco

Os contratos mais longos concentraram o movimento de queda mais expressivo. O DI para janeiro de 2029 recuava de 14,93% para 14,82%, enquanto o DI para janeiro de 2031 saía de 14,775% para 14,665%.

Esse comportamento reflete a sensibilidade dos vencimentos longos ao risco global. Quando os investidores percebem menor tensão externa, os prêmios de prazo tendem a recuar. A queda também pode indicar uma leitura de que, no horizonte mais distante, a política monetária poderá convergir para patamares menos restritivos, ainda que o curto prazo permaneça pressionado.

A ponta longa, no entanto, continua carregando prêmios elevados. Taxas acima de 14% em vencimentos distantes mostram que o mercado ainda exige remuneração alta para financiar posições em reais por períodos mais extensos. Esse patamar incorpora incertezas fiscais, risco inflacionário, volatilidade cambial e dúvidas sobre a trajetória estrutural dos juros no país.

Para empresas, a inclinação e o nível da curva têm impacto direto sobre custo de capital, emissão de dívida, financiamento de projetos e avaliação de ativos. Juros futuros elevados encarecem captações, pressionam valuations e tornam mais exigente a análise de investimentos.

Mercado testa equilíbrio entre exterior e cenário doméstico

A sessão desta terça-feira evidenciou a tentativa do mercado de equilibrar sinais externos mais favoráveis com fundamentos domésticos ainda desafiadores. O ajuste no risco global ajudou a reduzir taxas em parte da curva, mas não foi suficiente para produzir alívio linear.

A diferença entre o DI curto e os vencimentos mais longos mostra que a curva segue respondendo a forças distintas. No curto prazo, a Selic domina a precificação. Nos prazos mais longos, pesam expectativas de inflação futura, risco fiscal e ambiente internacional.

Esse comportamento é relevante porque mostra que o mercado não trabalha apenas com uma leitura de alívio. A queda dos juros futuros nos vértices intermediários e longos não representa, por si só, uma mudança estrutural na percepção sobre o Brasil. Trata-se de um ajuste parcial, dependente da continuidade do cenário externo e da evolução dos dados domésticos.

A cautela também se explica pelo fato de que os preços de ativos globais podem mudar rapidamente. Tensões geopolíticas, dados de inflação nos Estados Unidos, decisões do Federal Reserve, oscilação do petróleo e movimentos do dólar seguem com capacidade de alterar o humor dos investidores.

Curva de juros segue sensível a inflação e fiscal

Além do cenário externo, a curva de juros futuros continua condicionada a dois fatores centrais no Brasil: inflação e contas públicas. A trajetória dos preços ao consumidor permanece decisiva para a atuação do Banco Central e para a formação das expectativas de mercado.

Caso os indicadores de inflação mostrem resistência, especialmente em serviços ou núcleos, a autoridade monetária tende a manter postura mais cautelosa. Esse ambiente reduz a probabilidade de cortes rápidos da Selic e sustenta pressão sobre os DIs mais curtos.

No campo fiscal, investidores acompanham a capacidade do governo de cumprir metas, controlar despesas e preservar a credibilidade do arcabouço fiscal. A percepção de deterioração nas contas públicas costuma elevar prêmios na curva, principalmente nos vencimentos longos.

A combinação entre inflação resistente e incerteza fiscal ajuda a explicar por que os juros futuros permanecem em patamares elevados, mesmo em sessões de alívio externo. O mercado exige sinais mais consistentes antes de reduzir de forma estrutural os prêmios embutidos nas taxas.

Impacto chega a empresas, crédito e Bolsa

A dinâmica dos juros futuros tem reflexos diretos sobre empresas, consumidores e investidores. Para companhias, taxas elevadas encarecem financiamentos, emissões de debêntures e rolagem de dívidas. Setores mais dependentes de crédito, como varejo, construção civil, concessões e infraestrutura, tendem a ser mais sensíveis à curva de juros.

Na Bolsa, a queda dos juros futuros costuma favorecer ações de empresas de crescimento, companhias alavancadas e setores voltados ao consumo doméstico. Quando as taxas sobem, o efeito tende a ser contrário, pois aumenta o custo de oportunidade e reduz o valor presente dos fluxos de caixa futuros.

Para investidores de renda fixa, a abertura ou fechamento da curva altera preços de títulos públicos e privados. Uma queda nos juros futuros pode gerar valorização de papéis prefixados e indexados à inflação, enquanto a alta das taxas pressiona os preços desses ativos no mercado secundário.

No crédito ao consumidor, a Selic e as expectativas de juros influenciam empréstimos, financiamentos, cartões, capital de giro e linhas corporativas. A reprecificação do ciclo de cortes, portanto, tem efeito potencial sobre o custo financeiro de famílias e empresas.

Sinal da abertura mantém cautela sobre cortes de juros

A abertura do pregão desta terça-feira mostrou que os juros futuros seguem sem direção única. O exterior mais benigno e a queda do petróleo favoreceram recuo em parte da curva, mas o avanço do DI curto indicou que o mercado ainda não vê espaço claro para uma flexibilização monetária mais agressiva no Brasil.

A leitura dos agentes permanece condicionada aos próximos dados de inflação, à comunicação do Banco Central e à evolução do risco global. Enquanto esses fatores não apontarem de forma consistente para um ambiente mais favorável, a curva tende a oscilar entre ajustes externos de curto prazo e prêmios domésticos ainda elevados.

A alta do DI para janeiro de 2027, mesmo em uma sessão de queda nos vencimentos mais longos, reforça a mensagem de cautela. O mercado aceita reduzir parte do prêmio nos horizontes mais distantes, mas ainda preserva dúvidas sobre a velocidade e a extensão dos cortes da Selic.

Tags: B3Banco Centralcurva de jurosDíEconomiaeconomia brasileirainflaçãoJuros FuturosMercado FinanceiroPetróleopolítica monetáriarenda fixaSelic

LEIA MAIS

Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

A Argentina encerrou esta terça-feira (18) com uma mudança importante no humor dos mercados. O risco-país avançou para 511 pontos-base, alta de 4,5% em relação aos 489 pontos...

Leia MaisDetails
Dólar Hoje Fecha A R$ 5,22 Com Tensão No Oriente Médio E Ata Do Fed No Radar - Gazeta Mercantil - Economia
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

O dólar hoje fechou esta terça-feira (18) em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,2216, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores com o agravamento das tensões...

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

O Ibovespa hoje fechou esta terça-feira (18) em queda de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, completando a 11ª sessão consecutiva no campo negativo. A Bolsa brasileira chegou a ensaiar...

Leia MaisDetails
Fidcs - Gazeta Mercantil
Mercados

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixaram de ocupar uma posição periférica no mercado financeiro brasileiro. No primeiro semestre de 2026, esses veículos movimentaram R$ 53,1...

Leia MaisDetails
Projeto Permite Deduzir Academia E Personal Trainer Do Imposto De Renda - Gazeta Mercantil
Economia

Projeto permite deduzir academia e personal trainer do Imposto de Renda

Mensalidades de academia, contratação de personal trainer e até a compra de esteiras, bicicletas ergométricas, halteres e outros equipamentos para exercícios físicos poderão ser abatidas da base de...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

22:36:00
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Crise Na Propaganda Eleitoral: Dança Das Cadeiras Atinge Marqueteiros Políticos Em 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Leia MaisDetails
Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

Leia MaisDetails
3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Economia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP