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Lula lança crédito para entregadores comprarem moto própria; veja regras

Programa Move Brasil Entregadores e Moto Apps terá financiamento de motos, motonetas e ciclomotores, com garantia do FGO e prazo de até 48 meses.

por Maria Helena Costa
12/06/2026 às 11h40
em Economia
Lula Lança Crédito Para Entregadores Comprarem Moto Própria; Veja Regras - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, no Palácio do Planalto, o Move Brasil Entregadores e Moto Apps, nova linha de crédito voltada a entregadores e motociclistas de aplicativo que usam a moto como principal instrumento de trabalho. O programa foi desenhado para facilitar o financiamento de motocicletas, motonetas e ciclomotores, com prazo de pagamento de até 48 meses, garantia do Fundo de Garantia de Operações e possibilidade de descontos oferecidos por montadoras.

A medida mira uma das principais dificuldades enfrentadas por trabalhadores de aplicativos: o custo de acesso ao veículo. Segundo o governo, muitos entregadores recorrem ao aluguel de motos ou a financiamentos com juros elevados para conseguir trabalhar, o que reduz a renda líquida e pode criar um ciclo de endividamento. A nova linha tenta transformar parte desse gasto mensal em compra de um bem próprio.

Leia também: Minha Casa Minha Vida 2026: novas regras ampliam crédito, reduzem juros e beneficiam até 87 mil famílias.

A abertura para pedidos de financiamento está prevista para 19 de junho. A operacionalização será feita pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com apoio de instituições financeiras credenciadas. A contratação, no entanto, dependerá da análise de crédito dos bancos participantes.

Crédito para entregadores mira compra da moto própria

O crédito para entregadores foi apresentado pelo governo como uma política de inclusão produtiva para trabalhadores que dependem da motocicleta para gerar renda. A linha será voltada a profissionais que atuam em entregas ou transporte por aplicativo e que utilizam motocicletas, motonetas ou ciclomotores como instrumento de trabalho.

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A proposta é reduzir a dependência do aluguel de veículos. Em muitas cidades, entregadores pagam valores mensais altos para usar uma moto que não será incorporada ao patrimônio do trabalhador. Com o financiamento, o governo espera permitir que o profissional substitua esse custo por uma parcela menor e avance para a posse do próprio veículo.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a parcela poderá ficar em torno de metade do valor pago atualmente por muitos trabalhadores no aluguel de veículos. A condição final, porém, dependerá do modelo escolhido, do preço da moto, do desconto oferecido pela montadora, da taxa efetiva do financiamento e da análise feita pela instituição financeira.

O programa também tem impacto direto sobre a indústria de duas rodas. Ao estimular a compra de motos novas, a linha pode movimentar montadoras, concessionárias, bancos, seguradoras, fabricantes de peças e serviços ligados à manutenção.

Como vai funcionar o financiamento de motos

A linha do Move Brasil Entregadores e Moto Apps prevê financiamento para aquisição de motocicletas, motonetas e ciclomotores. O prazo de pagamento poderá chegar a 48 meses, com garantia do Fundo de Garantia de Operações, mecanismo usado para reduzir o risco de inadimplência para os bancos.

O FGO não significa que o crédito será automático. Ele funciona como uma garantia parcial para a instituição financeira, o que pode facilitar a aprovação de trabalhadores com renda variável ou menor histórico bancário. Ainda assim, cada banco fará sua própria análise sobre capacidade de pagamento, documentação e risco da operação.

Depois da etapa de habilitação, o trabalhador deverá procurar uma instituição financeira participante para solicitar o financiamento. O banco informará a documentação necessária, avaliará a possibilidade de concessão do crédito e definirá as condições finais da operação.

Na prática, o programa cria uma ponte entre o entregador, o governo, o BNDES, os bancos e as montadoras. O sucesso da medida dependerá da velocidade de adesão das instituições financeiras, da clareza das regras e da atratividade das parcelas para o trabalhador.

Quem poderá pedir o crédito

O programa será voltado a trabalhadores que usam a moto como ferramenta de renda, especialmente entregadores e motociclistas de aplicativo. A linha deverá contemplar profissionais que atuam no transporte urbano individual de passageiros ou na entrega de cargas por plataformas digitais.

A definição final dos critérios de elegibilidade será essencial para determinar o alcance do programa. No Move Brasil voltado a motoristas de aplicativo e taxistas, a validação de profissionais de aplicativo considera cadastro ativo na plataforma e cumprimento de requisitos mínimos de atividade; para taxistas, a validação utiliza dados públicos e informações oficiais.

No caso dos entregadores, a expectativa é que o governo adote mecanismo semelhante, com uso de dados das plataformas ou cadastros oficiais para comprovar que o trabalhador utiliza a moto como instrumento de renda. A participação também dependerá da regularidade da documentação do profissional e do veículo financiado.

O trabalhador interessado precisará acompanhar a plataforma oficial do programa e as orientações do governo para saber quais documentos serão exigidos, quais bancos estarão credenciados e quais modelos poderão ser financiados.

Pedidos devem começar em 19 de junho

A abertura para pedidos de financiamento está prevista para 19 de junho. Essa data já aparece na página do BNDES relacionada ao Move Brasil para motoristas, que informa que a contratação com os bancos depende de regulamentação e da disponibilização dos recursos pela União.

A etapa inicial deve envolver habilitação do trabalhador, autorização de uso de dados e validação da elegibilidade. Depois disso, o profissional poderá buscar uma instituição financeira credenciada para tentar contratar o crédito.

A liberação do dinheiro não será imediata para todos. Mesmo dentro do programa, a operação precisará passar pela análise de crédito do banco. Isso significa que o governo cria a linha e oferece garantia, mas a aprovação final dependerá das instituições financeiras.

Para os entregadores, a recomendação é observar o custo efetivo total do financiamento. Além do valor da parcela, é importante verificar juros, tarifas, seguros, prazo, entrada, garantias, documentação, licenciamento, manutenção e impacto da dívida na renda mensal.

Programa amplia o Move Brasil

O Move Brasil Entregadores e Moto Apps é uma extensão do programa Move Brasil, que já havia sido anunciado para outras categorias. Em maio, o governo criou uma linha de até R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas financiarem carros novos, com recursos do Tesouro Nacional repassados ao BNDES e operação por bancos credenciados.

O Move Brasil também inclui linhas para renovação de frotas de caminhões, ônibus e implementos rodoviários. No caso dos veículos pesados, a iniciativa busca reduzir custos operacionais, melhorar segurança nas estradas, estimular a indústria nacional e modernizar a frota.

A nova linha para motos leva essa política para um público diferente. Enquanto o programa para carros mira motoristas de aplicativo e taxistas, a frente de motos alcança entregadores e motociclistas que dependem de veículos de menor porte para atuar em centros urbanos.

O objetivo econômico é duplo. De um lado, o governo tenta apoiar trabalhadores com renda variável e alto custo operacional. De outro, busca estimular a indústria automotiva, especialmente o segmento de duas rodas, que tem forte presença na mobilidade urbana brasileira.

Governo tenta reduzir custo de trabalho por aplicativo

A criação do crédito para entregadores ocorre em meio a um debate mais amplo sobre as condições de trabalho em plataformas digitais. Entregadores e motoristas de aplicativo têm reivindicado melhores condições de remuneração, transparência nas corridas, pontos de apoio, proteção contra acidentes e regras mais claras na relação com as empresas.

Em março, o governo anunciou medidas para melhorar as condições de trabalho em plataformas digitais, incluindo ações de transparência nos valores das corridas, criação de pontos de apoio e instalação de um comitê interministerial para monitorar políticas voltadas à categoria.

A linha de financiamento não resolve todas as discussões trabalhistas do setor, mas atua sobre um dos principais custos da atividade: o veículo. Para entregadores, a moto representa meio de transporte, ferramenta de trabalho e fonte de renda ao mesmo tempo.

Esse ponto explica o apelo político e econômico do programa. Ao oferecer crédito para aquisição da moto, o governo tenta responder a uma demanda concreta de uma categoria numerosa, pulverizada e presente principalmente em grandes centros urbanos.

Mudanças nas regras para motofrete acompanham o programa

O lançamento da nova linha ocorre depois de medidas do governo para atualizar regras aplicáveis a motociclistas profissionais. Em maio, a Casa Civil informou mudanças relacionadas a motofrete, mototáxi e motoboy, dentro de um pacote que também incluiu o crédito de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas.

a flexibilização de exigências foi apresentada como forma de reduzir burocracias e adequar a legislação à realidade dos trabalhadores de aplicativos. O tema, porém, também exige atenção à segurança viária, já que motociclistas estão entre os grupos mais vulneráveis no trânsito urbano.

A expansão do crédito para motos pode aumentar a formalização de parte da frota usada por entregadores, especialmente se for acompanhada de documentação regular, equipamentos de segurança e modelos mais novos. Ao mesmo tempo, especialistas em trânsito devem acompanhar os efeitos sobre circulação, acidentes e condições de trabalho.

A política de crédito, portanto, tem impacto que vai além do financiamento. Ela se conecta a mobilidade urbana, segurança no trânsito, renda do trabalhador, regulação de aplicativos e indústria nacional.

Risco de endividamento exige atenção

Apesar do potencial de reduzir o custo do aluguel de motos, o programa também traz riscos. Entregadores de aplicativo trabalham com renda variável, dependente de demanda, tarifas das plataformas, combustível, manutenção, condições climáticas e volume de pedidos.

Se a parcela ficar acima da capacidade real de pagamento, o financiamento pode virar um novo problema. A garantia do FGO protege parcialmente os bancos, mas não elimina a obrigação do trabalhador de pagar as parcelas.

Por isso, a contratação precisa ser feita com cautela. O entregador deve comparar o valor atual do aluguel da moto com a parcela do financiamento, somando custos de seguro, manutenção, combustível, documentação, equipamentos e possíveis períodos de baixa renda.

Também será importante verificar se o veículo financiado será adequado à rotina de trabalho. Uma moto mais cara pode elevar a parcela e reduzir a vantagem econômica. Uma moto mais simples, por outro lado, pode ter menor custo de manutenção e melhor relação entre preço e renda gerada.

Medida pode aquecer mercado de motos

A linha de crédito tende a interessar montadoras de motocicletas, concessionárias e instituições financeiras. O Brasil tem um mercado relevante de duas rodas, especialmente em regiões onde a moto é usada tanto para trabalho quanto para deslocamento diário.

Ao criar uma demanda financiada com apoio público, o governo pode estimular vendas de motocicletas novas. A possibilidade de descontos das montadoras será decisiva para tornar o programa competitivo e reduzir o valor final financiado.

Para fabricantes, o programa representa oportunidade de ampliar volume em um segmento ligado ao trabalho urbano. Modelos econômicos, com baixo consumo de combustível e manutenção mais simples, tendem a ser os mais procurados por entregadores.

Para bancos, a garantia do FGO reduz parte do risco. Ainda assim, a renda variável dos trabalhadores de aplicativo exigirá critérios específicos de análise. A capacidade de pagamento deverá ser avaliada com base em histórico de atividade, movimentação financeira e estabilidade mínima de ganhos.

Lula mira categoria estratégica nas grandes cidades

O lançamento do programa também tem dimensão política. Entregadores de aplicativo se tornaram uma categoria visível nas grandes cidades, com presença intensa em bairros comerciais, zonas residenciais, restaurantes, supermercados e centros de distribuição.

O crescimento dos aplicativos transformou esses trabalhadores em parte essencial da economia urbana. Ao mesmo tempo, a categoria enfrenta jornadas longas, custos elevados e proteção social limitada.

Ao lançar crédito para motos, Lula busca aproximar o governo de um grupo que tem forte relevância econômica e social. A medida pode ser apresentada como apoio direto à geração de renda, mas seu resultado dependerá da execução.

O anúncio é positivo para a agenda de inclusão produtiva, mas o teste real virá na ponta: quantos entregadores conseguirão se habilitar, quais serão as taxas efetivas, quais bancos participarão e se as parcelas realmente ficarão abaixo do custo de aluguel.

Crédito começa a ser testado na prática em junho

O Move Brasil Entregadores e Moto Apps será avaliado pela capacidade de transformar anúncio em acesso real a crédito. A promessa de prazo de até 48 meses, garantia do FGO e descontos das montadoras pode tornar o financiamento mais atrativo, mas a contratação dependerá de regras claras e adesão dos bancos.

Para os trabalhadores, o programa pode representar a chance de comprar a moto própria e reduzir a dependência de aluguel. Para o governo, é uma aposta em inclusão produtiva, estímulo à indústria e aproximação com trabalhadores de aplicativo. Para o mercado financeiro, abre uma nova frente de crédito com garantia pública e demanda potencial elevada.

A partir de 19 de junho, a atenção se voltará para a operação. Será nesse momento que entregadores poderão verificar se o programa entrega parcelas compatíveis com a renda da categoria e se a promessa de facilitar a compra da moto própria sairá do papel.

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