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	<title>Agronegócio &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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	<description>A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</description>
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	<item>
		<title>BASF prepara IPO de divisão agrícola com quatro bancos e mira Bolsa de Frankfurt</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/basf-contrata-bancos-para-ipo-da-agricultural-solutions</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 20:40:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A BASF iniciou uma nova etapa para separar e preparar sua divisão de soluções agrícolas para uma eventual abertura de capital ao contratar Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan como coordenadores globais da operação. A companhia alemã pretende deixar a Agricultural Solutions pronta para um IPO até meados de 2027 e mantém a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A BASF iniciou uma nova etapa para separar e preparar sua divisão de soluções agrícolas para uma eventual abertura de capital ao contratar Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan como coordenadores globais da operação. A companhia alemã pretende deixar a Agricultural Solutions pronta para um IPO até meados de 2027 e mantém a Bolsa de Frankfurt como local previsto para a listagem, mas ainda não tomou a decisão final sobre a realização ou a data da oferta.</p>
<p>A contratação dos bancos transforma o projeto em uma preparação formal de <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339416">mercado</a>, embora não represente o lançamento do IPO. Segundo a BASF, as condições dos mercados de capitais continuarão sendo um dos fatores determinantes para a decisão. A estrutura planejada prevê a constituição da unidade como uma Societas Europaea (SE), empresa de direito europeu, com a BASF mantendo participação no negócio após uma eventual oferta.</p>
<p>A separação jurídica e operacional também avançou. Aproximadamente 80% das operações globais da Agricultural Solutions já foram transferidas para entidades jurídicas próprias, que passaram a operar com um sistema de gestão empresarial específico para a atividade agrícola. O grupo afirma que também está estruturando os mecanismos de governança necessários para que a futura companhia funcione segundo padrões de uma empresa listada.</p>
<h2>Negócio agrícola movimenta quase € 9,6 bilhões por ano</h2>
<p>A dimensão da unidade ajuda a explicar a relevância da operação para a BASF. Em 2025, a Agricultural Solutions registrou vendas de € 9,587 bilhões, contra € 9,798 bilhões no ano anterior, uma queda de 2,2%. Ainda assim, a divisão representou cerca de 16,1% da receita consolidada de € 59,657 bilhões da BASF no exercício.</p>
<p>A rentabilidade da operação também é relevante dentro do grupo. O EBITDA antes de itens especiais da divisão chegou a € 2,081 bilhões em 2025, alta de 7,4% em relação aos € 1,938 bilhão registrados em 2024. A margem correspondente subiu de 19,8% para 21,7%.</p>
<p>Pelos números de 2025, a Agricultural Solutions respondeu por aproximadamente 32% do EBITDA antes de itens especiais reportado pela BASF, que totalizou € 6,544 bilhões no exercício. A divisão, portanto, representa uma parcela de receita menor do que sua contribuição para o resultado operacional ajustado do grupo.</p>
<p>O desempenho foi obtido mesmo com a queda da receita. A BASF atribuiu a melhora do EBITDA principalmente ao aumento da margem de contribuição decorrente da redução dos custos de produção e ao lançamento do glufosinato-P-amônio. O resultado reforça o peso econômico da unidade no processo de reorganização do portfólio da companhia.</p>
<h2>Sementes e defensivos formam o núcleo da futura companhia</h2>
<p>A Agricultural Solutions não é uma operação concentrada em uma única linha de produtos. O negócio combina defensivos químicos e um portfólio crescente de sementes, traits, tratamentos de sementes, soluções biológicas e ferramentas digitais para agricultura.</p>
<p>Em 2025, os herbicidas responderam por € 3,059 bilhões das vendas a terceiros, enquanto os fungicidas representaram € 2,838 bilhões. Seeds &amp; Traits alcançaram € 2,026 bilhões, os inseticidas somaram € 1,089 bilhão e tratamento de sementes ficou em € 575 milhões.</p>
<p>A composição mostra que a futura empresa continuará tendo forte exposição ao mercado de proteção de cultivos, ao mesmo tempo em que amplia a participação de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339414">negócios</a> associados a sementes, biotecnologia e soluções integradas. Essa diversificação faz parte da estratégia da BASF para transformar a unidade em uma companhia exclusivamente voltada ao <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339415">agronegócio</a>.</p>
<p>A distribuição geográfica também reduz a dependência de um único mercado. Em 2025, a América do Norte respondeu por 39,8% das vendas da divisão. A Europa ficou com 25,8%, enquanto América do Sul, África e Oriente Médio representaram 23,7%. A região Ásia-Pacífico respondeu pelos 10,7% restantes.</p>
<p>A América do Sul, portanto, está entre os mercados mais relevantes da operação, com participação próxima de um quarto da receita global da divisão. A região inclui um dos maiores mercados agrícolas do mundo e tem peso importante para culturas como soja, milho e outros grãos.</p>
<h2>Separação da BASF avança antes da decisão sobre o IPO</h2>
<p>A contratação dos bancos ocorre em paralelo à construção da estrutura independente da Agricultural Solutions. A BASF informou que cerca de quatro quintos das operações globais já foram colocados em entidades jurídicas separadas e passaram a utilizar um novo sistema ERP específico para a indústria.</p>
<p>O processo é mais amplo do que uma reorganização societária. A unidade precisa operar com estruturas próprias para finanças, governança, processos, tecnologia e gestão, além de estabelecer mecanismos compatíveis com as exigências de uma companhia aberta.</p>
<p>A BASF já havia anunciado em novembro de 2025 a intenção de direcionar a futura listagem para Frankfurt e apresentado a equipe de comando da operação. Livio Tedeschi foi escolhido para liderar a Agricultural Solutions, enquanto Sascha Bibert assumiu a função de diretor financeiro. A formação do comando próprio é parte do processo de transformação da unidade em uma empresa independente do ponto de vista operacional.</p>
<p>Em fevereiro de 2026, a BASF informou que pretendia concluir a separação das entidades jurídicas e do sistema ERP em todas as regiões até o início de 2027. A atualização divulgada nesta segunda-feira mostra que aproximadamente 80% da operação já percorreu esse caminho, embora o processo ainda não esteja completo.</p>
<p>A etapa restante será relevante para a definição da estrutura definitiva da companhia e para a preparação dos documentos e controles necessários a uma eventual oferta pública.</p>
<h2>IPO depende das condições do mercado de capitais</h2>
<p>Apesar do avanço operacional, a BASF enfatiza que a abertura de capital não está garantida. A empresa estabeleceu como objetivo atingir a preparação necessária até meados de 2027, mas separa esse marco da decisão de efetivamente realizar a oferta.</p>
<p>A distinção é importante porque a contratação dos bancos não equivale ao anúncio de uma operação de mercado. Os coordenadores passam a trabalhar na preparação do negócio, enquanto a BASF preserva a possibilidade de ajustar o cronograma ou adiar a transação conforme as condições de valorização, liquidez e demanda dos investidores.</p>
<p>A estrutura anunciada também prevê a listagem como Societas Europaea na Bolsa de Frankfurt. O formato permite organizar a companhia dentro de uma estrutura societária europeia e é compatível com o objetivo de transformar a divisão em um negócio agrícola independente e com presença internacional.</p>
<p>Na prática, a BASF está preparando uma unidade que já possui escala comparável à de grandes companhias especializadas do setor, mas que continuará ligada ao grupo alemão enquanto a eventual oferta não for concluída.</p>
<h2>Capital Markets Day deve detalhar estratégia em novembro</h2>
<p>O próximo marco público do processo será o Capital Markets Day da BASF, programado para 24 de novembro de 2026. A companhia informou que apresentará na ocasião uma visão estratégica e operacional específica da Agricultural Solutions, com participação dos quatro integrantes do conselho de administração da unidade.</p>
<p>A apresentação poderá fornecer informações adicionais sobre estrutura, prioridades de crescimento, alocação de capital e organização do negócio antes da possível separação definitiva. Também deve permitir ao mercado avaliar com maior precisão o perfil econômico da empresa que poderá ser levada à bolsa.</p>
<p>Os dados disponíveis indicam que a BASF está preparando um ativo de escala significativa. Com € 9,587 bilhões em vendas em 2025, € 2,081 bilhões de EBITDA antes de itens especiais e € 990 milhões destinados a pesquisa e desenvolvimento, a unidade já possui uma estrutura financeira e operacional robusta.</p>
<p>Outro indicador é o volume de investimentos. A Agricultural Solutions destinou € 351 milhões a investimentos e aquisições em 2025, enquanto seu fluxo de caixa do segmento alcançou € 1,505 bilhão. A combinação de geração de caixa, pesquisa e desenvolvimento e presença global ajuda a explicar por que a BASF trata a futura listagem como uma das principais etapas de sua estratégia de reorganização.</p>
<p>O movimento também ocorre enquanto a BASF redefine o peso de diferentes negócios dentro do conglomerado. A companhia vem adotando medidas de portfólio e reorganização com o objetivo de aumentar a disciplina de capital e concentrar recursos em operações com perspectivas consideradas mais atrativas.</p>
<p>Para os investidores, a futura separação poderá permitir avaliar a Agricultural Solutions de forma independente da estrutura diversificada da BASF. Para a companhia alemã, uma eventual oferta minoritária poderá abrir uma referência própria de valor para o negócio agrícola, ao mesmo tempo em que preservaria uma participação relevante na expansão futura da unidade.</p>
<p>Por enquanto, o cronograma decisivo permanece condicionado à conclusão da preparação interna e às condições do mercado. A contratação dos quatro bancos marca o avanço formal do projeto, mas a BASF ainda não definiu se, nem exatamente quando, levará a Agricultural Solutions à Bolsa de Frankfurt.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>BASF &#8211; comunicado de 14 de setembro de 2026 sobre a contratação de Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan para a preparação do IPO da Agricultural Solutions</em></p>
<p><em>BASF &#8211; relatório anual de 2025 com vendas, EBITDA, fluxo de caixa, investimentos e desempenho regional da Agricultural Solutions</em></p>
<p><em>BASF &#8211; informações para investidores sobre a estratégia de preparação para IPO e a separação jurídica e operacional da Agricultural Solutions</em></p>
<p><em>BASF &#8211; anúncio de novembro de 2025 sobre a futura listagem em Frankfurt e a composição do conselho de administração da Agricultural Solutions</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) enfrentam calote de R$ 48 bi no agronegócio</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bbas3-bbdc4-sanb11-calote-agro-fazendas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 17:05:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A crise de endividamento do agronegócio brasileiro começou a transformar uma das relações mais tradicionais do sistema financeiro. Diante de aproximadamente R$ 48 bilhões em crédito rural inadimplente, bancos passaram a executar garantias, assumir propriedades e criar estruturas para administrar ou vender terras entregues por produtores que deixaram de pagar seus financiamentos. O movimento coloca [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A crise de endividamento do agronegócio brasileiro começou a transformar uma das relações mais tradicionais do sistema financeiro. Diante de aproximadamente R$ 48 bilhões em crédito rural inadimplente, bancos passaram a executar garantias, assumir propriedades e criar estruturas para administrar ou vender terras entregues por produtores que deixaram de pagar seus financiamentos. O movimento coloca instituições como Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) diante de um problema incomum: além de administrar carteiras de crédito, precisam encontrar uma maneira eficiente de recuperar valor em ativos rurais.</p>
<p>O estoque de operações rurais em atraso chegou a aproximadamente R$ 48 bilhões em junho de 2026, segundo levantamento realizado a partir dos dados do Sistema de Informações de Crédito do Banco Central. Cinco anos antes, o valor girava em torno de R$ 2 bilhões. A taxa de inadimplência passou de 0,54% para 5,63% no período, uma deterioração particularmente expressiva para um segmento que durante anos figurou entre os melhores pagadores do sistema financeiro.</p>
<p>A maior parcela do problema está concentrada justamente nos produtores de maior renda. Cerca de R$ 29 bilhões do estoque inadimplente estão associados a esse grupo. Além dos empréstimos que já ultrapassaram os critérios tradicionais de atraso, há mais de R$ 72 bilhões classificados como crédito problemático, categoria que inclui operações com risco elevado de não pagamento.</p>
<p>O avanço dos calotes alterou rapidamente a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339409">política</a> de risco das instituições financeiras. Hipotecas tradicionais vêm cedendo espaço à alienação fiduciária, mecanismo que transfere ao credor a propriedade resolúvel do imóvel enquanto a dívida estiver aberta e facilita a execução da garantia caso o produtor deixe de cumprir o contrato.</p>
<h2>Bancos passam a assumir propriedades rurais</h2>
<p>O fenômeno já deixou de ser apenas uma mudança contratual. Fazendas estão efetivamente entrando no patrimônio ou em estruturas financeiras controladas pelos credores.</p>
<p>Um dos casos revelados recentemente envolve uma propriedade rural em Peixe, no sul do Tocantins, avaliada em R$ 9,6 milhões. Depois de sucessivos financiamentos e renegociações, o produtor não conseguiu liquidar a dívida e a propriedade dada em garantia foi retomada. A gestão do ativo deverá ser conduzida por uma estrutura financeira especializada, com alternativas que podem incluir arrendamento da própria área antes de uma venda definitiva.</p>
<p>A decisão de não vender imediatamente uma propriedade retomada tem lógica econômica. Uma grande quantidade de fazendas colocada simultaneamente no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339410">mercado</a>, justamente durante uma crise financeira do setor, pode pressionar preços e transformar a execução da garantia em uma perda adicional para o banco.</p>
<p>Administrar, arrendar ou manter temporariamente a terra pode preservar seu valor enquanto o ciclo agrícola melhora. É nesse sentido econômico, e não propriamente operacional, que bancos começam a assumir um papel semelhante ao de grandes proprietários rurais.</p>
<p>As instituições não necessariamente passam a plantar soja ou criar gado diretamente. O mais comum é contratar gestores especializados, utilizar fundos ou arrendar as propriedades, mantendo o ativo até que exista uma oportunidade adequada de monetização.</p>
<h2>BBAS3 está no centro da deterioração do crédito rural</h2>
<p>Nenhum grande banco brasileiro está tão exposto ao problema quanto o Banco do Brasil. A instituição encerrou março de 2026 com R$ 418,4 bilhões em sua carteira de agronegócios, equivalente a aproximadamente um terço de sua carteira de crédito expandida.</p>
<p>A deterioração dessa carteira já chegou diretamente ao balanço.</p>
<p>O BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, contra R$ 7,4 bilhões no mesmo período do ano anterior. O resultado representa queda superior a 50%.</p>
<p>O custo do crédito atingiu R$ 18,9 bilhões no trimestre. A inadimplência acima de 90 dias da carteira total chegou a 5,05%.</p>
<p>O banco reconheceu formalmente que o risco do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339407">agronegócio</a> permaneceu mais deteriorado do que previa e revisou suas projeções para o ano. O intervalo esperado para o lucro líquido ajustado caiu para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, enquanto a estimativa de custo do crédito subiu para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.</p>
<p>O problema também mudou a forma como o BB aceita imóveis rurais como garantia.</p>
<p>Na safra 2024/25, apenas uma pequena parcela das operações com grandes produtores utilizava alienação fiduciária da terra. Na safra seguinte, a participação desse tipo de garantia aumentou fortemente, mostrando como o banco passou a buscar maior proteção patrimonial diante da escalada das recuperações judiciais e dos atrasos.</p>
<p>Em 2026, o Banco do Brasil iniciou procedimentos para retomada definitiva de mais de uma centena de imóveis rurais vinculados a operações com esse tipo de garantia.</p>
<h2>Alienação fiduciária muda relação entre produtor e banco</h2>
<p>A alienação fiduciária dá ao credor uma proteção maior do que a hipoteca tradicional.</p>
<p>Pela legislação, o devedor transfere ao credor a propriedade resolúvel do imóvel como garantia da obrigação. Enquanto o financiamento está sendo pago normalmente, o produtor permanece utilizando a propriedade. Se a dívida for quitada, a propriedade plena retorna ao devedor.</p>
<p>Se houver inadimplência e forem cumpridas as etapas legais de cobrança, a propriedade poderá ser consolidada em favor do credor.</p>
<p>A estrutura tornou-se especialmente relevante no campo porque o número de pedidos de recuperação judicial disparou.</p>
<p>O agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025 considerando produtores pessoas físicas, produtores pessoas jurídicas e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339408">empresas</a> da cadeia, segundo a Serasa Experian. O número foi 56,4% superior ao de 2024 e o maior desde o início da série histórica da companhia.</p>
<p>Os produtores pessoas físicas responderam por 853 pedidos, enquanto produtores organizados como pessoas jurídicas fizeram outros 753.</p>
<p>Para os bancos, o crescimento das recuperações judiciais aumentou a importância de garantias capazes de oferecer maior proteção em uma eventual insolvência.</p>
<h2>Bradesco e Santander também reforçam garantias</h2>
<p>A mudança não está restrita ao Banco do Brasil.</p>
<p>No Bradesco, a alienação fiduciária passou a ser utilizada em praticamente todos os novos financiamentos concedidos a determinados grandes produtores, segundo informações do mercado. O objetivo é reduzir o risco de que uma instituição fique anos tentando executar uma propriedade por meio de disputas judiciais.</p>
<p>O Santander também começou a estruturar ativos rurais retomados dentro de veículos financeiros. Parte das propriedades pode ser organizada em fundos ligados ao agronegócio, permitindo uma gestão profissional dos imóveis enquanto o banco busca recuperar o dinheiro emprestado.</p>
<p>Essa estratégia revela uma segunda transformação.</p>
<p>Durante o ciclo de expansão, os bancos disputavam clientes do agronegócio e aumentavam rapidamente as carteiras. Agora, parte do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339406">trabalho</a> está concentrada em renegociar empréstimos antigos, reforçar garantias e administrar ativos recebidos de devedores.</p>
<p>A prioridade declarada pelas instituições continua sendo a renegociação. Executar uma fazenda raramente é o resultado desejado por um banco, porque administrar terra exige competências muito diferentes da concessão de crédito e ainda envolve custos tributários, jurídicos e operacionais.</p>
<p>Quando a negociação fracassa, porém, a garantia passa a ser a principal forma de recuperação do capital.</p>
<h2>Como o agro chegou a R$ 48 bilhões em calotes</h2>
<p>A atual crise começou a ser construída durante um período que, paradoxalmente, foi extremamente favorável para o agronegócio.</p>
<p>Entre 2020 e 2023, preços elevados de commodities, juros historicamente baixos e margens robustas levaram produtores a ampliar áreas, comprar máquinas, adquirir terras e assumir novos financiamentos.</p>
<p>O crédito rural cresceu rapidamente.</p>
<p>Parte dessas decisões foi tomada sob a expectativa de que preços e margens permaneceriam em níveis excepcionais. A realidade mudou a partir de 2023.</p>
<p>Cotações de importantes produtos agrícolas recuaram. Insumos permaneceram caros. Eventos climáticos afetaram a produtividade em diversas regiões. Paralelamente, a Selic subiu e aumentou o custo financeiro das operações contratadas a taxas de mercado.</p>
<p>Produtores que haviam aumentado significativamente a alavancagem passaram então a enfrentar uma combinação adversa: receita menor, custo maior e dívida mais cara.</p>
<p>Esse quadro ajuda a explicar por que grandes produtores concentram hoje parcela tão relevante da inadimplência. Foram justamente as operações de maior porte realizadas durante a fase de expansão que produziram os maiores saldos devedores quando o ciclo se inverteu.</p>
<h2>Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Minas concentram problema</h2>
<p>A deterioração também apresenta forte concentração geográfica. Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais respondem por aproximadamente metade do saldo inadimplente rural.</p>
<p>Cada região enfrenta fatores específicos, mas há elementos comuns: endividamento elevado, maior custo de capital, oscilações nos preços agrícolas e eventos climáticos que afetaram diferentes safras.</p>
<p>O aumento das dificuldades financeiras produz efeitos além dos bancos.</p>
<p>Produtores inadimplentes encontram maior dificuldade para contratar recursos para uma nova safra. Instituições financeiras, por sua vez, endurecem os critérios de concessão justamente porque observam maior probabilidade de perdas.</p>
<p>Forma-se um ciclo no qual a deterioração do crédito reduz a oferta de financiamento e a falta de financiamento dificulta a recuperação do próprio produtor.</p>
<p>O impacto chega também a fabricantes de máquinas, revendas de insumos, tradings, cooperativas e prestadores de serviços.</p>
<h2>Governo cria linhas para renegociar dívidas</h2>
<p>A dimensão da crise levou o governo e o Conselho Monetário Nacional a criar mecanismos destinados à composição e renegociação de dívidas rurais.</p>
<p>Em agosto, o CMN ajustou as condições de uma linha específica destinada à liquidação ou amortização de operações rurais e permitiu maior utilização de diferentes fontes de recursos pelos bancos.</p>
<p>A política tenta dar prazo adicional a produtores economicamente viáveis que sofreram perdas, evitando que operações potencialmente recuperáveis se transformem definitivamente em calote.</p>
<p>Existe, porém, uma preocupação com risco moral. Uma renegociação excessivamente abrangente pode criar incentivo para que produtores com condições financeiras suficientes deixem de pagar esperando condições melhores no futuro.</p>
<p>Por isso, as linhas exigem critérios de elegibilidade e comprovação de perdas.</p>
<h2>BB mantém R$ 210 bilhões para a nova safra</h2>
<p>Mesmo diante da deterioração da carteira, o Banco do Brasil continua ampliando sua presença no financiamento agrícola.</p>
<p>Para a safra 2026/27, a instituição anunciou aproximadamente R$ 210 bilhões em recursos em todo o país. Desse montante, cerca de R$ 40 bilhões são destinados aos pequenos e médios produtores e R$ 170 bilhões à agricultura empresarial.</p>
<p>Somente em São Paulo, o banco reservou R$ 33 bilhões. São R$ 2,55 bilhões para pequenos e médios produtores e R$ 30,45 bilhões para agricultura empresarial.</p>
<p>A estratégia demonstra o dilema enfrentado pelos bancos.</p>
<p>Reduzir drasticamente a concessão de crédito poderia proteger o balanço no curto prazo, mas também agravaria a crise e deixaria produtores sem recursos para plantar, comprometendo a capacidade futura de pagamento. Continuar financiando exige, por outro lado, controles de risco muito mais rígidos.</p>
<p>A resposta vem sendo combinar concessão de crédito com garantias mais fortes, avaliação mais criteriosa e renegociação das operações existentes.</p>
<h2>Crise rural vira risco para bancos e para a economia</h2>
<p>A transformação dos bancos em proprietários temporários de fazendas é, portanto, consequência visível de uma mudança mais profunda no ciclo de crédito do agronegócio.</p>
<p>O salto da inadimplência de aproximadamente R$ 2 bilhões para R$ 48 bilhões em cinco anos mostra que o problema deixou de ser pontual. A existência de mais de R$ 72 bilhões classificados como crédito problemático indica ainda que a deterioração pode não ter chegado ao fim.</p>
<p>Para investidores, o efeito mais evidente aparece no Banco do Brasil (BBAS3), cuja exposição ao agronegócio é muito superior à dos concorrentes e já obrigou a administração a rever suas projeções de lucro e custo de crédito.</p>
<p>Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) também enfrentam o problema, mas utilizam uma combinação de alienação fiduciária, renegociação e estruturas de gestão de propriedades retomadas para limitar eventuais perdas.</p>
<p>A capacidade de recuperar esses créditos sem realizar grandes prejuízos será uma das variáveis mais importantes para os resultados dos bancos nos próximos trimestres.</p>
<p>O desafio é particularmente complexo porque nenhuma instituição financeira deseja transformar execução de garantia em atividade permanente. Fazenda é garantia de crédito, não negócio bancário.</p>
<p>Mas enquanto dezenas de bilhões de reais permanecerem em atraso e produtores continuarem sem capacidade de liquidar empréstimos, bancos terão de conviver com uma realidade que até poucos anos atrás parecia improvável: além de financiar o agronegócio, precisarão administrar as terras que receberam daqueles que não conseguiram pagar.</p>
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		<item>
		<title>Blairo Maggi diz que Bolsonaro errou ao confrontar China e alerta para risco ao agro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/blairo-maggi-bolsonaro-china-eua-agronegocio</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 14:14:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agro brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Amaggi]]></category>
		<category><![CDATA[Blairo Maggi]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[exportações]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Blairo Maggi, um dos empresários mais influentes da história recente do agronegócio brasileiro, fez nesta quinta-feira, 10 de setembro, um alerta que vai muito além das divergências partidárias. Para o ex-ministro da Agricultura e acionista da Amaggi, o Brasil cometeu um erro ao transformar a relação com a China em elemento da disputa ideológica com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Blairo Maggi, um dos empresários mais influentes da história recente do agronegócio brasileiro, fez nesta quinta-feira, 10 de setembro, um alerta que vai muito além das divergências partidárias. Para o ex-ministro da Agricultura e acionista da Amaggi, o Brasil cometeu um erro ao transformar a relação com a China em elemento da disputa ideológica com os Estados Unidos durante o governo de Jair Bolsonaro. Na avaliação do empresário conhecido como “Rei da Soja”, o <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339214">agronegócio</a> brasileiro tem interesse econômico em preservar liberdade para negociar com as duas maiores potências, sem se prender automaticamente a nenhum dos lados.</p>
<p>A declaração foi feita durante o Agro Summit do Bradesco BBI, em São Paulo. Ao analisar como os mercados internacionais deverão enxergar o Brasil na próxima década, Maggi afirmou que Bolsonaro e a diplomacia brasileira erraram quando confrontaram Pequim numa tentativa de aproximação <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339213">política</a> com Washington. Sua defesa é de uma política externa essencialmente comercial: se Estados Unidos e China disputam influência, tecnologia, segurança e comércio, o Brasil deveria tentar permanecer no meio dessa competição vendendo para ambos.</p>
<p>O diagnóstico ganha peso porque vem de um empresário cuja trajetória está diretamente ligada à expansão brasileira no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339212">mercado</a> internacional de grãos. A Amaggi comercializa atualmente cerca de 18 milhões de toneladas de grãos e fibras por ano no mundo, segundo informações da própria companhia, e mantém presença em países como China, Argentina, Paraguai, Holanda, Noruega, Singapura e Suíça. Maggi também conhece a relação bilateral por dentro do governo: comandou o Ministério da Agricultura entre 2016 e 2018 e participou de sucessivas missões comerciais à Ásia para negociar abertura de mercados.</p>
<p>A questão, segundo ele, não é escolher politicamente a China em lugar dos Estados Unidos. É justamente evitar que o Brasil tenha de escolher.</p>
<h2>China concentra mais de um terço das vendas externas do agro</h2>
<p>Os dados comerciais ajudam a dimensionar o tamanho do risco apontado pelo ex-ministro. No primeiro semestre de 2026, a China comprou US$ 30,54 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, segundo estatísticas oficiais compiladas a partir dos dados de comércio exterior. O montante correspondeu a 35,1% de todas as exportações do setor no período.</p>
<p>Nenhum outro mercado se aproxima desse peso. A União Europeia ficou com participação de 14,5%, enquanto os Estados Unidos responderam por 5,7% das exportações brasileiras do agronegócio no primeiro semestre.</p>
<p>A concentração se torna ainda mais evidente quando se observa aquilo que os chineses compram. O complexo soja respondeu por 66,3% do valor das importações chinesas de produtos agropecuários brasileiros no período. Carnes representaram outros 18,8%.</p>
<p>Em outras palavras, aproximadamente dois de cada três dólares obtidos pelo agro brasileiro em suas vendas para a China vieram do complexo da soja.</p>
<p>É essa dependência que transforma diplomacia em variável econômica. Uma deterioração mais grave das relações entre Brasília e Pequim poderia atingir diretamente tradings, produtores rurais, <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339210">empresas</a> de logística, esmagadoras, cooperativas e indústrias que participam da cadeia da oleaginosa.</p>
<p>O impacto não ficaria necessariamente restrito às exportações. Uma mudança significativa na demanda chinesa poderia alterar preços internos, prêmios nos portos, margens de comercialização e decisões de plantio no Brasil.</p>
<h2>Maggi vê risco em obrigar Brasil a escolher um bloco</h2>
<p>A preocupação apresentada pelo empresário está ligada à crescente rivalidade entre Estados Unidos e China. O confronto que inicialmente ganhou visibilidade por meio de tarifas comerciais avançou para áreas como semicondutores, inteligência artificial, telecomunicações, minerais estratégicos, energia e segurança nacional.</p>
<p>Agricultura também faz parte dessa disputa.</p>
<p>A China é o maior importador mundial de soja e utiliza o grão principalmente como matéria-prima para a produção de farelo destinado à alimentação de suínos e aves. Brasil e Estados Unidos são seus dois principais fornecedores e, por isso, alterações na política comercial entre Washington e Pequim têm capacidade de redistribuir bilhões de dólares em compras agrícolas.</p>
<p>Para Maggi, seria perigoso o Brasil transformar essa disputa em alinhamento político rígido. Sua visão é que o país deve preservar relações comerciais estáveis com os dois lados e aproveitar as oportunidades produzidas pela concorrência entre eles.</p>
<p>A posição não significa ignorar diferenças diplomáticas ou estratégicas. O argumento é econômico: para um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, limitar voluntariamente mercados seria contrário ao interesse do setor produtivo.</p>
<h2>Relação de Bolsonaro com Pequim teve momentos de tensão e aproximação</h2>
<p>A crítica de Maggi também remete à política adotada durante o governo Bolsonaro. Ainda na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro fez declarações críticas à presença econômica chinesa no Brasil e chegou a dizer que a China não estava apenas comprando produtos brasileiros, mas estaria “comprando o Brasil”.</p>
<p>Depois de assumir a Presidência, o governo adotou uma postura mais pragmática. Bolsonaro visitou Pequim em 2019, recebeu o presidente Xi Jinping durante a cúpula do Brics em Brasília e passou a defender a ampliação das relações comerciais.</p>
<p>Isso não impediu novos momentos de tensão. Durante a pandemia, integrantes do governo e aliados do então presidente fizeram declarações que provocaram reações da diplomacia chinesa. Também houve atritos relacionados à Huawei e à disputa tecnológica entre Pequim e Washington.</p>
<p>Apesar das turbulências políticas, o comércio bilateral continuou sendo enorme. A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras e a soja foi um dos pilares dessa relação.</p>
<p>A avaliação de Maggi é que um país com essa exposição comercial não deveria correr o risco de permitir que afinidades políticas momentâneas com Washington comprometessem uma relação construída ao longo de décadas com Pequim.</p>
<h2>China quer produzir mais comida dentro de casa</h2>
<p>Existe, porém, um segundo problema que preocupa Maggi e que independe da política brasileira: a própria estratégia chinesa para aumentar sua segurança alimentar.</p>
<p>Pequim trabalha há anos para elevar a produtividade agrícola, aumentar estoques, desenvolver sementes, melhorar infraestrutura rural e reduzir vulnerabilidades externas em produtos considerados estratégicos. Nesta semana, autoridades chinesas voltaram a anunciar medidas para ampliar o financiamento destinado à produção rural e à segurança alimentar até 2030.</p>
<p>Maggi considera possível que a China reduza substancialmente sua dependência internacional em algumas proteínas animais. Aves e suínos estão entre os segmentos nos quais o país dispõe de escala para ampliar a produção doméstica.</p>
<p>O obstáculo aparece antes do frigorífico: os animais precisam ser alimentados.</p>
<p>É nesse ponto que a soja brasileira continua tendo importância estratégica. A expansão da produção chinesa de carnes exige grandes quantidades de farelo de soja, e a capacidade doméstica de Pequim para cultivar a oleaginosa é limitada pelas características de sua agricultura.</p>
<p>Para produzir muito mais soja, a China teria de deslocar terras atualmente ocupadas por outros cultivos ou elevar significativamente a produtividade. Como o grão pode ser comprado internacionalmente de grandes produtores como Brasil e Estados Unidos, existe também uma decisão econômica sobre até que ponto a autossuficiência compensaria.</p>
<p>Por isso, Maggi acredita que a China continuará necessitando de fornecedores externos, mesmo enquanto tenta diminuir vulnerabilidades.</p>
<h2>Soja brasileira continua crescendo nas exportações</h2>
<p>Os números mais recentes mostram que o Brasil mantém forte presença internacional na oleaginosa. Em agosto, as exportações brasileiras de soja chegaram a aproximadamente 9,8 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação ao mesmo mês de 2025.</p>
<p>A receita atingiu US$ 4,41 bilhões, crescimento de cerca de 14% na comparação anual, favorecida também por preços médios superiores aos registrados um ano antes.</p>
<p>Entre janeiro e julho, os embarques brasileiros de soja já haviam crescido 7,8% sobre igual período do ano passado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento.</p>
<p>O desempenho reforça a posição do Brasil como fornecedor estrutural do mercado internacional. Mas também evidencia por que mudanças nas compras chinesas têm capacidade de produzir efeitos rapidamente na <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339211">economia</a> brasileira.</p>
<p>Pequim não é apenas mais um destino. É o principal comprador do produto que ocupa o centro da pauta agrícola brasileira.</p>
<h2>Compras americanas mostram como geopolítica pode redirecionar soja</h2>
<p>Um acontecimento desta própria semana ilustra o alerta feito por Maggi. Empresas chinesas voltaram a comprar volumes relevantes de soja dos Estados Unidos em meio à aproximação entre Donald Trump e Xi Jinping.</p>
<p>Negociadores estimaram compras chinesas de cerca de 1 milhão de toneladas de soja americana nesta semana, enquanto empresas estatais de Pequim continuam executando compromissos de importação negociados com Washington.</p>
<p>Esse movimento não significa perda automática de espaço para o Brasil. Os calendários agrícolas dos dois países são parcialmente complementares: a safra brasileira domina determinadas épocas do ano, enquanto o produto norte-americano ganha importância em outras.</p>
<p>Mas mostra como decisões políticas podem alterar rapidamente a origem das compras.</p>
<p>Se Washington oferece condições comerciais mais atraentes ou incorpora a agricultura a uma negociação mais ampla com Pequim, parte da demanda pode migrar para produtores americanos. Se a relação sino-americana se deteriora e surgem tarifas adicionais, o Brasil tende a ganhar competitividade relativa.</p>
<p>O produtor brasileiro, portanto, pode ser beneficiado ou prejudicado por decisões tomadas a milhares de quilômetros de suas propriedades.</p>
<p>É esse jogo que Maggi quer que Brasília observe com pragmatismo.</p>
<h2>Trump é “imprevisível”, diz Maggi</h2>
<p>Questionado durante o evento sobre Donald Trump, o empresário chamou o presidente americano de “doidão” e imediatamente explicou o sentido da expressão: considera Trump muito imprevisível.</p>
<p>A imprevisibilidade é particularmente relevante para o agronegócio porque políticas tarifárias podem modificar mercados em poucas semanas. A agricultura esteve no centro da guerra comercial iniciada durante o primeiro mandato de Trump, quando a China retaliou tarifas americanas impondo barreiras a produtos agrícolas dos Estados Unidos.</p>
<p>Naquele período, produtores brasileiros de soja foram beneficiados pela migração de parte da demanda chinesa.</p>
<p>Esse benefício, contudo, não é permanente. Se Pequim e Washington fecham acordos que incluem compromissos chineses de compra de produtos agrícolas americanos, o fluxo pode novamente se deslocar.</p>
<p>Para o Brasil, a situação ideal seria manter acesso aos dois mercados e evitar transformar uma oportunidade comercial temporária em uma dependência política.</p>
<h2>Diversificar compradores também é parte da solução</h2>
<p>Maggi não defende, por outro lado, que o Brasil simplesmente aceite uma dependência crescente da China. O empresário argumenta que o país precisa continuar abrindo novos mercados para reduzir riscos.</p>
<p>Essa diversificação não é simples. Cada novo destino exige negociações sanitárias, fitossanitárias, ambientais e comerciais, muitas vezes prolongadas por anos.</p>
<p>Durante sua passagem pelo Ministério da Agricultura, Maggi participou diretamente desse processo. Em 2016, por exemplo, uma missão liderada por ele percorreu China, Índia, Vietnã, Coreia do Sul, Mianmar, Tailândia e Malásia buscando abrir mercados e ampliar vendas brasileiras.</p>
<p>O ex-ministro também chama atenção para o uso crescente de requisitos ambientais e sanitários como instrumentos de proteção comercial. Países podem estabelecer padrões legítimos de segurança e sustentabilidade, mas essas mesmas regras podem funcionar, na prática, como barreiras para dificultar a entrada de concorrentes estrangeiros.</p>
<p>Para Maggi, o Brasil precisará se adaptar às novas exigências em vez de acreditar que as vantagens que permitiram ao agro conquistar mercados nas últimas décadas serão suficientes no futuro.</p>
<h2>Uma disputa que chega diretamente à fazenda</h2>
<p>A mensagem apresentada pelo “Rei da Soja” é que política externa, segurança alimentar e agricultura passaram a fazer parte de uma mesma equação.</p>
<p>A China precisa garantir alimentos para uma população de mais de 1 bilhão de pessoas e tenta reduzir vulnerabilidades. Os Estados Unidos utilizam seu peso agrícola nas negociações comerciais. O Brasil, por sua vez, é um dos poucos países capazes de aumentar a oferta global de soja, milho, carnes e outras commodities em escala significativa.</p>
<p>Essa posição representa uma vantagem estratégica, mas também cria dependências.</p>
<p>No primeiro semestre deste ano, mais de um terço de tudo o que o agronegócio brasileiro exportou teve a China como destino. Esse número explica por que, para Maggi, uma escolha política entre Pequim e Washington teria consequências que poderiam chegar rapidamente ao produtor rural.</p>
<p>A recomendação do empresário é simples na formulação, embora difícil na diplomacia: não transformar o Brasil em extensão da disputa entre as duas potências.</p>
<p>Para um setor que depende de compradores em dezenas de países, a melhor posição, segundo ele, é continuar vendendo para todos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong> Blairo Maggi, em participação no Agro Summit do Bradesco BBI; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Comex Stat; Ministério da Agricultura e Pecuária; Companhia Nacional de Abastecimento; Amaggi; Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.</p>
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		<title>Crédito rural: R$ 207,4 bilhões já estão em atraso, renegociação ou prorrogação</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/credito-rural-dividas-207-bilhoes-carteira-problematica</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 17:14:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[crédito rural]]></category>
		<category><![CDATA[dívida rural]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento agrícola]]></category>
		<category><![CDATA[inadimplência rural]]></category>
		<category><![CDATA[Mato Grosso do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[MP 1.376]]></category>
		<category><![CDATA[Plano Safra]]></category>
		<category><![CDATA[produtores rurais]]></category>
		<category><![CDATA[renegociação de dívidas]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O volume de crédito rural em atraso, inadimplente, prorrogado ou renegociado atingiu R$ 207,4 bilhões em julho, o maior valor da série acompanhada desde agosto de 2020. O montante representa 23,5% dos R$ 881,6 bilhões que compõem a carteira de crédito rural do Sistema Financeiro Nacional e mostra uma deterioração mais rápida da qualidade dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O volume de crédito rural em atraso, inadimplente, prorrogado ou renegociado atingiu R$ 207,4 bilhões em julho, o maior valor da série acompanhada desde agosto de 2020. O montante representa 23,5% dos R$ 881,6 bilhões que compõem a carteira de crédito rural do Sistema Financeiro Nacional e mostra uma deterioração mais rápida da qualidade dos financiamentos ao campo justamente no início da safra 2026/2027.</p>
<p>O dado não significa que R$ 207,4 bilhões estejam em calote. Mais da metade desse volume corresponde a contratos que foram renegociados, enquanto outra parcela reúne financiamentos prorrogados que continuam formalmente em dia. A mudança mais preocupante em julho ocorreu nas operações vencidas há mais de 90 dias, que passaram de R$ 38,1 bilhões para R$ 45,7 bilhões em apenas um mês, aumento de aproximadamente 20%.</p>
<p>A deterioração aparece também em outra medida acompanhada pelo Banco Central: a inadimplência no crédito rural concedido a pessoas físicas chegou a 8,8% em julho, novo recorde. O avanço ocorre enquanto o governo tenta colocar em funcionamento um novo programa de composição de dívidas criado pela Medida Provisória 1.376/2026, que oferece prazos de até dez anos e juros subsidiados para produtores atingidos por eventos climáticos extremos ou perda relevante de renda.</p>
<h2>Carteira problemática cresceu cerca de R$ 10 bilhões em apenas um mês</h2>
<p>A composição dos números mostra que o aumento do risco não decorre apenas de uma expansão geral do crédito.</p>
<p>Em junho, as quatro categorias consideradas problemáticas somavam aproximadamente R$ 197,4 bilhões: R$ 38,1 bilhões em operações vencidas há mais de 90 dias, R$ 21,2 bilhões com atrasos entre 15 e 90 dias, R$ 31,6 bilhões em contratos prorrogados e R$ 106,5 bilhões em operações renegociadas.</p>
<p>Em julho, esse conjunto passou para R$ 207,4 bilhões. O crescimento foi de aproximadamente R$ 10 bilhões em um único mês, ou 5,1%.</p>
<p>No mesmo intervalo, a parcela considerada adimplente recuou de R$ 682,7 bilhões para R$ 674,2 bilhões, redução de R$ 8,5 bilhões.</p>
<p>Os dois movimentos combinados revelam uma mudança importante na composição da carteira. Enquanto o saldo total de crédito rural cresceu apenas modestamente, recursos migraram da classificação de curso normal para categorias associadas a dificuldades financeiras, prorrogações ou renegociações.</p>
<p>As operações renegociadas continuam sendo a maior parte do problema. Os R$ 106,9 bilhões registrados em julho correspondem a cerca de 51,5% de toda a carteira classificada como problemática.</p>
<p>Os empréstimos vencidos há mais de 90 dias representam aproximadamente 22%. As prorrogações respondem por cerca de 15,5%, e os atrasos entre 15 e 90 dias, por outros 10,8%.</p>
<p>A composição é relevante porque diferencia dificuldades financeiras com graus distintos de gravidade. Uma operação renegociada não equivale necessariamente a inadimplência, mas indica que as condições originais de pagamento precisaram ser modificadas.</p>
<h2>Atrasos acima de 90 dias concentram piora mais aguda</h2>
<p>O avanço de R$ 7,6 bilhões nos contratos vencidos há mais de 90 dias explica a maior parte da deterioração registrada entre junho e julho.</p>
<p>Essas operações passaram de R$ 38,1 bilhões para R$ 45,7 bilhões, aumento de 19,9%.</p>
<p>Os atrasos entre 15 e 90 dias avançaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 22,4 bilhões, crescimento de R$ 1,2 bilhão. As operações prorrogadas aumentaram R$ 600 milhões, para R$ 32,2 bilhões, enquanto as renegociadas cresceram aproximadamente R$ 400 milhões, para R$ 106,9 bilhões.</p>
<p>Isso significa que aproximadamente três quartos do aumento da carteira problemática no período vieram apenas da expansão das dívidas vencidas há mais de 90 dias.</p>
<p>A deterioração ocorre depois de safras marcadas por secas, enchentes e oscilações de preços de diferentes produtos agrícolas, fatores que afetaram a capacidade de pagamento de produtores em várias regiões do país.</p>
<p>Também coincide com juros elevados, custos financeiros maiores e a necessidade de contratação de novos recursos para financiar a safra 2026/2027.</p>
<h2>Rio Grande do Sul tem R$ 44,9 bilhões de crédito sob pressão</h2>
<p>A situação mais crítica aparece no Rio Grande do Sul.</p>
<p>O Estado acumulava R$ 44,9 bilhões em operações classificadas como problemáticas em julho, equivalentes a 41,6% de uma carteira total de aproximadamente R$ 108,8 bilhões.</p>
<p>O Rio Grande do Sul sozinho representa cerca de 21,6% dos R$ 207,4 bilhões de crédito rural problemático existentes no país, embora responda por uma parcela muito menor da carteira nacional total.</p>
<p>O saldo de financiamentos considerados normais no Estado caiu de quase R$ 74 bilhões em março para R$ 63,8 bilhões em julho, redução superior a R$ 10 bilhões em quatro meses.</p>
<p>Os empréstimos efetivamente em atraso também avançaram e chegaram a aproximadamente R$ 4,1 bilhões.</p>
<p>O quadro está associado à sucessão de eventos climáticos enfrentados pelos produtores gaúchos. Secas severas atingiram diferentes safras antes das enchentes de 2024, reduzindo produção, receita e capacidade de recomposição financeira de propriedades rurais.</p>
<p>A repetição das perdas fez com que uma parcela significativa das dívidas fosse prorrogada ou renegociada antes de chegar formalmente à inadimplência.</p>
<p>Dos R$ 44,9 bilhões classificados como problemáticos no Rio Grande do Sul, aproximadamente R$ 37,4 bilhões ainda estavam em dia porque os contratos haviam sido renegociados ou prorrogados.</p>
<h2>Mato Grosso do Sul já tem mais crédito problemático que adimplente</h2>
<p>Outro ponto de atenção está em Mato Grosso do Sul.</p>
<p>O Estado acumulava R$ 19,5 bilhões em empréstimos problemáticos, contra aproximadamente R$ 9,5 bilhões em operações classificadas como normais. Considerando a soma dessas duas parcelas, cerca de dois terços da carteira analisada estavam em alguma categoria de atraso, inadimplência, prorrogação ou renegociação.</p>
<p>O comportamento não é uniforme entre os principais Estados produtores.</p>
<p>Goiás reduziu o volume problemático para aproximadamente R$ 20 bilhões, enquanto Mato Grosso registrou queda para cerca de R$ 21,8 bilhões.</p>
<p>As diferenças mostram que a deterioração do crédito rural está relacionada não apenas ao cenário nacional de juros, mas também às condições específicas das safras, preços, clima e endividamento acumulado em cada região.</p>
<h2>MP permite juros de 5% a 12% ao ano</h2>
<p>O governo federal respondeu ao aumento do endividamento com a Medida Provisória 1.376, publicada em 15 de julho.</p>
<p>A norma autorizou novas linhas destinadas à composição de dívidas de produtores e cooperativas que tenham enfrentado perdas relevantes entre 2019 e 2025. O Conselho Monetário Nacional regulamentou as operações pela Resolução 5.330, de 23 de julho, posteriormente alterada pela Resolução 5.334.</p>
<p>Para produtores que tiveram perda de pelo menos 30% da renda bruta esperada em duas ou mais safras, as linhas podem ter prazo de até oito anos, com a primeira amortização de principal dois anos depois da contratação.</p>
<p>No Pronaf, os juros começam em 6% ao ano, com limite principal de R$ 400 mil. Para produtores enquadrados no Pronamp, a taxa é de 9% ao ano e o limite chega a R$ 2 milhões. Para as demais categorias, a linha pode alcançar R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.</p>
<p>Há condições mais favoráveis para produtores que tenham sofrido perdas de pelo menos 40% em três ou mais safras entre 2019 e 2025 devido a eventos climáticos extremos.</p>
<p>Nesse grupo, agricultores familiares podem acessar recursos a partir de 5% ao ano. Produtores do Pronamp pagam a partir de 8%, e os demais, 11%. O prazo pode chegar a dez anos.</p>
<h2>Fazenda autorizou contratação até 12 de novembro</h2>
<p>Um dos passos necessários para colocar as linhas em funcionamento ocorreu em agosto.</p>
<p>A Portaria 2.423 do Ministério da Fazenda autorizou o pagamento da equalização das taxas de juros e estabeleceu que as operações subsidiadas podem ser contratadas até 12 de novembro de 2026.</p>
<p>A medida incluiu instituições como Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, BRB, Cresol, Sicoob, Sicredi e outras instituições habilitadas a operar os financiamentos.</p>
<p>A equalização significa que o Tesouro Nacional cobre parte da diferença entre o custo financeiro das instituições e a taxa cobrada do produtor, permitindo juros inferiores aos praticados normalmente pelo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339077">mercado</a>.</p>
<p>A criação formal das linhas, entretanto, não encerrou as dificuldades.</p>
<p>Produtores vêm relatando exigências de entrada sobre o saldo devedor e de apresentação de garantias adicionais para realizar as novas operações. A regulamentação do CMN estabelece que a instituição financeira mantém a responsabilidade pelo risco de crédito e pode avaliar novamente as garantias na contratação.</p>
<p>Essa estrutura ajuda a explicar por que a existência de uma linha subsidiada não significa aprovação automática do refinanciamento.</p>
<h2>Congresso tem menos de dez dias para deliberar sobre MP</h2>
<p>A Medida Provisória 1.376 também entrou em uma etapa decisiva no Congresso.</p>
<p>A página oficial do Congresso Nacional apontava nesta sexta-feira (4) que a MP estava sob relatoria do deputado Paulo Pimenta e em regime de urgência desde 29 de agosto. O prazo de deliberação indicado vai até 12 de setembro, com possibilidade de prorrogação da vigência.</p>
<p>Entre as mudanças em discussão estão ampliação de prazos, alteração das datas de enquadramento e ajustes para produtores que não conseguiram concluir as renegociações antes do vencimento de parcelas.</p>
<p>O tema ganhou pressão adicional no Rio Grande do Sul. Em reunião realizada durante a Expointer, em Esteio, representantes de produtores, parlamentares e entidades do setor discutiram alterações destinadas a ampliar o alcance das linhas e evitar que novos contratos se tornem inadimplentes enquanto as renegociações não são concluídas.</p>
<p>A urgência aumentou porque o problema deixou de ser apenas o estoque acumulado de dívidas. A redução do volume de contratos em curso normal pode afetar a capacidade de produtores de financiar custeio, comprar insumos e implantar a nova safra.</p>
<p>Com R$ 207,4 bilhões já classificados em alguma forma de estresse financeiro e quase um quarto da carteira rural fora da condição normal, o resultado das renegociações nos próximos meses será determinante para saber se a deterioração ficará concentrada em contratos reestruturados ou avançará para níveis maiores de inadimplência.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; dados da carteira de crédito rural, inadimplência e regulamentação das linhas de composição de dívidas</em></p>
<p><em>Conselho Monetário Nacional &#8211; Resoluções 5.330 e 5.334 sobre renegociação e composição de dívidas rurais</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Medida Provisória 1.376 de 15 de julho de 2026</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda &#8211; Portaria 2.423 sobre equalização de juros e prazo de contratação das novas operações</em></p>
<p><em>Congresso Nacional &#8211; tramitação, prazo e situação legislativa da Medida Provisória 1.376</em></p>
<p><em>Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul &#8211; informações sobre endividamento e dificuldades de renegociação apresentadas durante a Expointer</em></p>
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		<title>Brasil ameaça retaliar União Europeia após restrições que atingem US$ 1,84 bilhão em proteínas animais</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-retaliar-uniao-europeia-restricoes-proteina-animal</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 05:24:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
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		<category><![CDATA[embargo europeu]]></category>
		<category><![CDATA[exportações]]></category>
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		<category><![CDATA[reciprocidade]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil elevou o tom contra a União Europeia após a entrada em vigor de novas restrições à importação de produtos brasileiros de origem animal e passou a admitir formalmente a adoção de medidas de reciprocidade caso as negociações com o bloco não produzam uma solução considerada satisfatória. A mudança atinge um fluxo comercial estimado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil elevou o tom contra a União Europeia após a entrada em vigor de novas restrições à importação de produtos brasileiros de origem animal e passou a admitir formalmente a adoção de medidas de reciprocidade caso as negociações com o bloco não produzam uma solução considerada satisfatória. A mudança atinge um fluxo comercial estimado em US$ 1,84 bilhão em 2025, com impacto principalmente sobre carnes e outros produtos de proteína animal exportados ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339057">mercado</a> europeu.</p>
<p>Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores afirmaram que o governo brasileiro vê com “profunda preocupação” as restrições implementadas a partir de 3 de setembro. Brasília sustenta que apresentou documentação e informações adicionais solicitadas pelos europeus e que vem mantendo negociações técnicas e políticas desde maio, quando os Estados-membros da União Europeia aprovaram a lista de países autorizados a continuar exportando determinados produtos dentro das novas regras.</p>
<p>O impasse envolve exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A União Europeia passou a exigir dos fornecedores externos garantias equivalentes às aplicadas aos produtores europeus, incluindo a proibição do uso de antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar rendimento e restrições a substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos.</p>
<p>O Brasil contesta não o princípio de controle sanitário, mas a forma como seu sistema de produção foi enquadrado pelo bloco. O governo afirma ter implementado as medidas necessárias, fornecido informações às autoridades europeias e aceitado inclusive uma auditoria em cadeias produtivas brasileiras.</p>
<p>Se o diálogo fracassar, Brasília deixou explícita uma alternativa que pode transformar a questão sanitária em um conflito comercial mais amplo: recorrer a mecanismos de reciprocidade previstos na legislação brasileira, às disposições do acordo entre Mercosul e União Europeia e aos instrumentos disponíveis no sistema multilateral de comércio.</p>
<h2>Restrição atinge carnes, pescados, ovos e mel</h2>
<p>As novas regras europeias alcançam diferentes categorias de produtos de origem animal e não se limitam à carne bovina. Entre as cadeias tratadas pelo governo brasileiro nas negociações estão carne de aves, carne bovina, pescados, ovos e mel.</p>
<p>Pelas normas europeias, países que pretendem vender determinados animais e produtos de origem animal para consumo humano precisam apresentar garantias de cumprimento das regras sobre antimicrobianos e integrar uma lista específica de exportadores autorizados.</p>
<p>A regulamentação abrange categorias como bovinos, suínos, aves, ovinos, caprinos, produtos de aquicultura, leite, ovos, carne de coelho, caça de criação, mel e envoltórios de origem animal. A autorização é concedida produto por produto, o que significa que um mesmo país pode ser considerado habilitado para determinada cadeia e não para outra.</p>
<p>A Comissão Europeia afirma que as exigências fazem parte da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339058">política</a> de combate à resistência antimicrobiana, problema de saúde pública associado à perda de eficácia de medicamentos utilizados no tratamento de infecções.</p>
<p>Para entrar no mercado europeu, os produtos precisam ainda estar acompanhados da certificação oficial exigida e permanecem sujeitos aos controles nas fronteiras do bloco. Esses procedimentos podem envolver conferência documental, inspeção de identidade, exame físico, coleta de amostras e testes laboratoriais.</p>
<p>A mudança regulatória começou a produzir efeitos em 3 de setembro. Países ou produtos que não estejam devidamente incluídos na relação de autorizados podem ser impedidos de ingressar no mercado europeu até que as garantias consideradas necessárias sejam aceitas.</p>
<h2>Brasil diz ter entregue garantias exigidas pela UE</h2>
<p>O governo brasileiro afirma que trabalha desde maio para evitar a interrupção das exportações. Segundo a manifestação conjunta da Agricultura e do Itamaraty, o país apresentou documentação relativa às cadeias afetadas e realizou sucessivas gestões junto às autoridades europeias.</p>
<p>Brasília também critica o processo adotado pela União Europeia. Na avaliação do governo, não houve diálogo prévio compatível com a dimensão da parceria comercial entre as duas partes antes da decisão tomada pelos Estados-membros em 12 de maio.</p>
<p>A tensão aumentou porque o Brasil considera que possui um sistema de defesa agropecuária capaz de fornecer garantias sanitárias equivalentes às exigidas para entrada no mercado europeu. O país exporta alimentos e produtos agropecuários para mais de 150 mercados e está entre os maiores fornecedores mundiais de proteína animal.</p>
<p>O governo argumenta ainda que a aplicação das novas barreiras ocorre justamente quando Brasil e União Europeia avançam na implementação de uma relação comercial mais profunda construída no âmbito do acordo com o Mercosul.</p>
<p>A avaliação brasileira é que a questão precisa permanecer no campo técnico e científico e não pode ser influenciada por interesses protecionistas. Essa observação ganha peso diante da resistência histórica de segmentos agrícolas europeus ao aumento da concorrência de produtos agropecuários do Mercosul.</p>
<p>Por enquanto, entretanto, a justificativa formal apresentada pela Comissão Europeia é sanitária. O bloco sustenta que todos os parceiros externos precisam demonstrar atendimento às mesmas restrições sobre antimicrobianos exigidas dos produtores europeus.</p>
<h2>Auditoria europeia termina nesta sexta-feira</h2>
<p>Um dos principais elementos para o desenrolar do impasse será uma auditoria conduzida por técnicos europeus no Brasil. A missão começou em 24 de agosto e tem conclusão prevista para esta sexta-feira, 4 de setembro.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339059">trabalho</a> concentra-se inicialmente nas cadeias de carne de aves e mel. Durante a auditoria, técnicos brasileiros estão apresentando os mecanismos oficiais de controle, rastreabilidade e fiscalização utilizados na produção destinada à exportação.</p>
<p>Brasília destacou que aceitou a auditoria mesmo considerando que outros parceiros comerciais do bloco não teriam sido submetidos ao mesmo procedimento. O governo utiliza esse ponto para questionar o tratamento recebido pelo Brasil durante o processo de habilitação.</p>
<p>O encerramento da missão não significa que as restrições serão automaticamente suspensas. Os auditores ainda precisarão consolidar suas conclusões e a Comissão Europeia deverá avaliar se as garantias apresentadas são suficientes para alterar o enquadramento brasileiro.</p>
<p>A própria União Europeia reconhece que países atualmente ausentes da lista podem ser incluídos posteriormente. Para isso, precisam apresentar as informações necessárias e demonstrar conformidade com os requisitos estabelecidos.</p>
<p>Esse mecanismo abre caminho para uma solução negociada sem necessidade de uma disputa comercial mais ampla. A velocidade do processo, porém, será determinante para os exportadores brasileiros, porque cada período de restrição pode significar contratos suspensos, mercadorias redirecionadas e necessidade de buscar outros destinos.</p>
<h2>Comércio afetado chegou a US$ 1,84 bilhão</h2>
<p>Os produtos alcançados pelas novas restrições representaram aproximadamente US$ 1,84 bilhão em exportações brasileiras para a União Europeia em 2025, segundo dados citados no material sobre o início das medidas. A maior exposição está associada às carnes, embora outras categorias de origem animal também façam parte do conjunto atingido.</p>
<p>O valor precisa ser colocado dentro de uma relação comercial muito maior. Em 2025, as exportações brasileiras totais para a União Europeia chegaram a aproximadamente US$ 49,8 bilhões. Apenas os produtos agrícolas movimentaram US$ 21,8 bilhões em vendas brasileiras para o bloco, alta de 12% sobre o ano anterior.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339061">agronegócio</a> é particularmente importante porque o Brasil mantém superávit estrutural nessa parte do comércio bilateral. Café, farelo de soja, soja em grãos, carne bovina, milho, açúcar e suco de laranja aparecem entre os itens relevantes da pauta destinada aos europeus.</p>
<p>As restrições sobre proteína animal, portanto, não paralisam o comércio agrícola entre Brasil e União Europeia, mas atingem algumas das cadeias mais relevantes da produção nacional e podem afetar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339060">empresas</a>, frigoríficos, cooperativas e produtores inseridos nas cadeias exportadoras.</p>
<p>Existe também um efeito indireto. Quando um grande mercado fecha ou restringe compras, os produtos anteriormente destinados a ele precisam ser absorvidos por outros compradores. Dependendo do volume e da duração da restrição, essa redistribuição pode alterar preços e condições comerciais.</p>
<p>O Brasil possui a vantagem de contar com uma rede ampla de destinos para suas carnes e vem expandindo mercados na Ásia, Oriente Médio, África e outras regiões. Ainda assim, a União Europeia permanece importante pela escala, pelo poder de compra e pelas condições comerciais negociadas ao longo dos últimos anos.</p>
<h2>Impasse atinge acordo Mercosul-União Europeia</h2>
<p>A reação brasileira ficou mais dura porque parte dos produtos agora restringidos recebeu tratamento específico nas negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.</p>
<p>O governo afirma que essas mercadorias foram objeto de cotas e reduções tarifárias e que sua exclusão do mercado europeu esvazia parte dos benefícios negociados pelo Brasil. Na avaliação oficial, uma restrição prolongada pode até modificar o equilíbrio de concessões que permitiu a conclusão do acordo.</p>
<p>O tratado entre os dois blocos foi assinado em janeiro de 2026 e cria uma das maiores áreas comerciais do mundo, reunindo um mercado de aproximadamente 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões.</p>
<p>Para o agronegócio brasileiro, uma das principais vantagens esperadas é justamente a ampliação do acesso ao mercado europeu em produtos nos quais o Mercosul possui grande competitividade.</p>
<p>Por isso, uma restrição sanitária aplicada às mesmas categorias beneficiadas por concessões comerciais gera um problema que ultrapassa o cotidiano das inspeções agropecuárias. O Brasil passa a discutir se os ganhos negociados no tratado permanecerão efetivamente disponíveis para os exportadores.</p>
<p>Ao mesmo tempo, normas sanitárias são tratadas separadamente de tarifas comerciais. Um acordo de livre comércio não elimina o direito das partes de estabelecer requisitos de saúde animal e segurança dos alimentos, desde que essas exigências sejam justificadas, não discriminatórias e compatíveis com os compromissos internacionais.</p>
<p>Esse será um dos pontos centrais caso a controvérsia deixe a mesa técnica e avance para mecanismos formais de solução de disputas.</p>
<h2>Lei da Reciprocidade entra no horizonte</h2>
<p>A ameaça brasileira ganhou peso porque o país dispõe desde 2025 de uma legislação específica para reagir a medidas comerciais unilaterais adotadas por outros países ou blocos.</p>
<p>A Lei nº 15.122, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica, estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais, investimentos e determinadas obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual quando medidas estrangeiras prejudicam a competitividade internacional brasileira.</p>
<p>Isso não significa que o governo já tenha decidido aplicar uma retaliação contra produtos europeus. A nota oficial afirma que o Brasil se reserva esse direito caso as tratativas não conduzam tempestivamente a uma solução.</p>
<p>A prioridade ainda é a negociação.</p>
<p>Antes de qualquer resposta mais ampla, o governo terá de avaliar a natureza da medida europeia, os instrumentos jurídicos disponíveis e os possíveis efeitos econômicos de uma reação. A Câmara de Comércio Exterior pode desempenhar papel importante caso o processo avance para mecanismos formais de reciprocidade.</p>
<p>Também existe a possibilidade de utilização dos mecanismos previstos no próprio acordo Mercosul-União Europeia ou no sistema da Organização Mundial do Comércio.</p>
<p>A escolha dependerá sobretudo de como Bruxelas responderá às informações brasileiras e aos resultados da auditoria.</p>
<h2>Disputa sanitária pode virar conflito comercial</h2>
<p>No curto prazo, o cenário mais provável continua sendo de negociação técnica. A União Europeia mantém a possibilidade de atualizar a lista de países autorizados à medida que novas garantias sejam aceitas, enquanto o Brasil procura demonstrar que seu sistema atende às exigências europeias.</p>
<p>A conclusão da auditoria em carne de aves e mel será o primeiro teste concreto dessa estratégia. Se houver reconhecimento das garantias brasileiras e retomada gradual das autorizações, o episódio poderá permanecer restrito ao campo sanitário.</p>
<p>Se o bloqueio se prolongar, porém, cresce a probabilidade de escalada.</p>
<p>Brasília já vinculou publicamente as restrições ao equilíbrio do acordo Mercosul-União Europeia e colocou sobre a mesa medidas de reciprocidade. Ao fazer isso, sinalizou que considera o custo econômico suficientemente relevante para justificar uma resposta fora da esfera exclusivamente sanitária.</p>
<p>Para o setor produtivo, a velocidade da solução será decisiva. As exportações potencialmente atingidas somaram cerca de US$ 1,84 bilhão no ano passado e fazem parte de cadeias em que o Brasil ocupa posição relevante no comércio mundial.</p>
<p>O impasse começa, portanto, como uma divergência sobre garantias relacionadas ao uso de antimicrobianos, mas já possui elementos de uma disputa comercial muito maior.</p>
<p>A União Europeia argumenta que está aplicando requisitos sanitários que valem igualmente para seus produtores e para fornecedores externos. O Brasil afirma ter fornecido as garantias exigidas, questiona o processo adotado pelo bloco e alerta que os obstáculos podem neutralizar concessões negociadas no acordo comercial.</p>
<p>A próxima etapa será definida pelo resultado do diálogo técnico. Caso ele falhe, o governo brasileiro já deixou claro que a reciprocidade deixou de ser apenas uma possibilidade teórica.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério das Relações Exteriores &#8211; nota conjunta sobre as restrições europeias a produtos brasileiros de proteína animal</em></p>
<p><em>Comissão Europeia &#8211; Regulamento sobre medicamentos veterinários e regras de uso de antimicrobianos aplicáveis às importações</em></p>
<p><em>Comissão Europeia &#8211; lista de terceiros países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; dados do comércio agrícola entre Brasil e União Europeia</em></p>
<p><em>Agrostat e Secex/MDIC &#8211; estatísticas de exportações brasileiras para o mercado europeu</em></p>
<p><em>Lei nº 15.122/2025 &#8211; Lei da Reciprocidade Econômica</em></p>
<p><em>Siscomex &#8211; informações sobre o Acordo Mercosul-União Europeia</em></p>
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		<title>Livro reconstrói história das hortaliças no Brasil da alimentação indígena à agricultura moderna</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/historia-hortalicas-brasil-olericultura-paulo-cesar-tavares-melo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 19:45:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Esalq]]></category>
		<category><![CDATA[história da agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[hortaliças]]></category>
		<category><![CDATA[horticultura]]></category>
		<category><![CDATA[olericultura]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo César Tavares de Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A trajetória das hortaliças no Brasil começou muito antes da formação de uma agricultura comercial organizada e atravessou mudanças sociais, migratórias, científicas e tecnológicas que transformaram a maneira como o país produz e consome alimentos. Essa evolução é o eixo de “História das Hortaliças no Brasil: do descobrimento aos tempos atuais”, nova obra do engenheiro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A trajetória das hortaliças no Brasil começou muito antes da formação de uma agricultura comercial organizada e atravessou mudanças sociais, migratórias, científicas e tecnológicas que transformaram a maneira como o país produz e consome alimentos. Essa evolução é o eixo de “História das Hortaliças no Brasil: do descobrimento aos tempos atuais”, nova obra do engenheiro agrônomo e ex-professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) Paulo César Tavares de Melo.</p>
<p>Dividido em três partes e 11 capítulos, o livro acompanha a olericultura brasileira desde os hábitos alimentares existentes antes da chegada dos portugueses, em 1500, até a formação de uma cadeia produtiva marcada atualmente por melhoramento genético, produção profissionalizada, sistemas modernos de distribuição e ampla diversificação de produtos. A publicação foi editada pelo próprio autor com apoio da Associação Brasileira de Horticultura (ABH).</p>
<p>A obra é resultado de uma investigação que antecede em muitos anos sua publicação. Em 2016, Tavares de Melo já havia publicado, em coautoria com Arlete M. T. Melo, um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338812">trabalho</a> dedicado à evolução da olericultura brasileira desde o período do descobrimento até o século XXI. Cinco anos depois, ao registrar sua aposentadoria da Esalq, a própria universidade informou que o pesquisador se dedicava à finalização de um livro sobre a história das hortaliças no país.</p>
<p>O novo trabalho amplia essa investigação e organiza em uma única linha histórica episódios que normalmente aparecem dispersos entre documentos coloniais, estudos agronômicos, registros da imigração, pesquisas sobre melhoramento vegetal e a evolução da produção agrícola brasileira.</p>
<h2>Alimentação indígena antecedeu a formação da olericultura colonial</h2>
<p>A primeira parte da obra volta a um período anterior à organização do território brasileiro pela Coroa portuguesa. Povos originários já consumiam espécies vegetais disponíveis nos diferentes biomas e dominavam práticas de cultivo e aproveitamento de alimentos muito antes da introdução das espécies trazidas posteriormente pelos europeus.</p>
<p>Um dos registros históricos utilizados pelo autor está relacionado à carta escrita por Pero Vaz de Caminha em 1500. O documento descreve alimentos consumidos pelos indígenas encontrados pelos portugueses no litoral. Em trabalhos anteriores, Tavares de Melo destacou referências feitas àquilo que os europeus identificaram como inhame — posteriormente relacionado à mandioca — e ao palmito.</p>
<p>A chegada portuguesa inicia outra etapa dessa história. A circulação de pessoas, plantas e sementes provocada pelas grandes navegações colocou o território brasileiro em contato com espécies originárias de diferentes partes do mundo. Ao longo dos séculos seguintes, variedades trazidas da Europa, da Ásia e de outras regiões passaram a conviver com alimentos já existentes no continente americano.</p>
<p>Essa combinação ajudou a formar um sistema alimentar muito mais diversificado. O processo, porém, não ocorreu de maneira linear. Algumas espécies adaptaram-se rapidamente às condições brasileiras, enquanto outras dependeram de seleção, pesquisa e mudanças nas técnicas de cultivo para que pudessem ser produzidas com regularidade em ambientes tropicais e subtropicais.</p>
<p>O livro acompanha essa primeira fase até a transição do século XIX para o século XX, período em que mudanças demográficas, urbanização crescente e novas correntes migratórias começaram a alterar a estrutura de produção e comercialização de verduras, legumes, raízes e outras hortaliças.</p>
<h2>Imigração japonesa mudou produção e variedade disponível</h2>
<p>Um dos acontecimentos destacados na reconstrução histórica é a chegada dos primeiros grandes contingentes de imigrantes japoneses ao Brasil, iniciada oficialmente em 1908 com o desembarque do Kasato Maru no Porto de Santos. Embora muitos desses imigrantes tenham sido inicialmente direcionados para as lavouras de café, parte das famílias posteriormente passou a desenvolver pequenas propriedades e atividades ligadas à horticultura.</p>
<p>A contribuição ultrapassou o simples aumento da produção. Registros técnicos da pesquisa agropecuária brasileira apontam que famílias japonesas começaram a cultivar pequenas hortas para consumo próprio a partir da década de 1910 e posteriormente avançaram para a produção comercial, utilizando conhecimentos e técnicas intensivas trazidos do Japão.</p>
<p>Esse processo ampliou significativamente o repertório de hortaliças cultivadas no país. Levantamentos técnicos atribuem aos imigrantes japoneses a introdução de pelo menos três dezenas de espécies, além da disseminação comercial de plantas que já estavam presentes no território brasileiro. A atuação desses produtores também se conectou posteriormente ao trabalho de instituições de pesquisa responsáveis pela seleção e pelo desenvolvimento de novas variedades.</p>
<p>A imigração, dessa maneira, alterou tanto o lado da produção quanto o consumo. A crescente presença de hortaliças antes pouco conhecidas ajudou a modificar hábitos alimentares e abriu mercados que, décadas depois, estariam incorporados definitivamente ao varejo brasileiro.</p>
<p>O livro trata esse movimento como parte de uma transformação mais ampla da olericultura no início do século XX, quando a atividade começa a se afastar gradualmente de um modelo baseado principalmente em pequenas hortas de subsistência e passa a adquirir maior importância comercial.</p>
<h2>Segunda Guerra acelerou desenvolvimento de sementes no Brasil</h2>
<p>Outro ponto de inflexão ocorreu a partir de 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. A interrupção ou dificuldade de importação de sementes provenientes da Europa, dos Estados Unidos e do Japão expôs a dependência brasileira de material genético produzido no exterior.</p>
<p>O problema estimulou uma resposta científica nacional. Entre as décadas de 1940 e 1960, programas de pesquisa ganharam importância na seleção de plantas capazes de produzir sob as condições brasileiras. Instituições como o Instituto Agronômico, a Esalq e posteriormente outros centros de pesquisa passaram a desempenhar papel crescente no desenvolvimento de cultivares e técnicas de produção.</p>
<p>Essa adaptação tornou-se especialmente importante porque parte das hortaliças cultivadas no país tinha origem em regiões de clima diferente. Produzir comercialmente determinadas variedades sob temperaturas, regimes de chuva e pressões de doenças típicos de ambientes tropicais exigia soluções próprias.</p>
<p>O melhoramento genético passou, assim, a ser um dos pilares da modernização do setor. A seleção de plantas mais produtivas, resistentes e adequadas às condições locais permitiu ampliar regiões produtoras, elevar produtividade e reduzir algumas limitações impostas pelo clima.</p>
<p>Esse é também um ponto em que a história narrada no livro se encontra com a trajetória profissional de seu autor. Tavares de Melo construiu parte substancial de sua carreira justamente nas áreas de melhoramento genético e produção de hortaliças, acompanhando de dentro das instituições de pesquisa várias das transformações tecnológicas abordadas na publicação.</p>
<h2>Produção deixou de ser atividade periférica no agronegócio</h2>
<p>A segunda metade do século XX levou a olericultura brasileira a outra escala. Expansão urbana, crescimento das redes de supermercados, novas centrais de abastecimento, irrigação, mecanização, desenvolvimento de híbridos e aperfeiçoamento dos sistemas de produção modificaram a cadeia desde a propriedade rural até o consumidor.</p>
<p>Um retrato apresentado pelo próprio Tavares de Melo em trabalho técnico publicado na década passada mostra a dimensão adquirida pelo setor. Dados referentes a 2012 apontavam produção próxima de 19 milhões de toneladas de hortaliças no Brasil e área cultivada da ordem de 800 mil hectares. Batata, tomate, cebola, melancia e cenoura respondiam por parcela majoritária do volume produzido.</p>
<p>Naquele levantamento, estimava-se ainda a geração de aproximadamente 2 milhões de empregos diretos na atividade. Os números são históricos e não devem ser interpretados como uma fotografia do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338811">mercado</a> em 2026, mas ajudam a dimensionar a distância percorrida desde as pequenas hortas que caracterizaram etapas anteriores da olericultura nacional.</p>
<p>O crescimento também provocou deslocamentos geográficos. Novas fronteiras produtivas foram consolidadas em áreas como São Gotardo, em Minas Gerais, Cristalina, em Goiás, e a Chapada Diamantina, na Bahia. Melhorias em irrigação, genética, manejo e logística permitiram produzir determinadas hortaliças em regiões que antes tinham participação muito menor na oferta nacional.</p>
<h2>Do campo às prateleiras, cadeia tornou-se mais complexa</h2>
<p>A terceira parte do livro se concentra justamente nessa estrutura contemporânea. O autor analisa a modernização da produção e da comercialização, a multiplicação da oferta de produtos e a evolução dos canais usados para fazer as hortaliças chegarem ao consumidor.</p>
<p>A cadeia atual envolve viveiros de mudas, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338810">empresas</a> de sementes, produtores rurais, fornecedores de fertilizantes e defensivos, fabricantes de equipamentos, transportadores, centrais de abastecimento, atacadistas, supermercados, feiras e empresas especializadas em produtos frescos. Mais recentemente, comércio eletrônico e sistemas de entrega rápida adicionaram novos caminhos entre o campo e as famílias.</p>
<p>Também houve mudança no próprio produto vendido. Variedades diferenciadas, hortaliças minimamente processadas, folhas prontas para consumo, cultivares especiais e produtos destinados a nichos específicos passaram a disputar espaço com itens tradicionalmente comercializados a granel.</p>
<p>Essa evolução trouxe novos desafios. Produtos altamente perecíveis continuam sujeitos a perdas entre a colheita e o consumo, enquanto alterações climáticas, disponibilidade de água, custo de insumos, mão de obra, sanidade vegetal e exigências de qualidade aumentam a complexidade da atividade.</p>
<p>Para o autor, portanto, a história da olericultura não termina com a modernização tecnológica. A evolução futura dependerá da capacidade de produtores, pesquisadores, empresas e poder público de responder a pressões ambientais e econômicas sem comprometer produtividade e abastecimento.</p>
<h2>Livro reúne investigação histórica e cinco décadas de experiência científica</h2>
<figure id="attachment_1530674" aria-describedby="caption-attachment-1530674" style="width: 1672px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-1530674 size-full" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo.webp" alt="Paulo César Tavares de Melo., engenheiro agrônomo e ex-professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP" width="1672" height="941" title="Livro reconstrói história das hortaliças no Brasil da alimentação indígena à agricultura moderna 1 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo.webp 1672w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-300x169.webp 300w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-1024x576.webp 1024w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-768x432.webp 768w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-1536x864.webp 1536w" sizes="(max-width: 1672px) 100vw, 1672px" /><figcaption id="caption-attachment-1530674" class="wp-caption-text">Paulo César Tavares de Melo., engenheiro agrônomo e ex-professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP</figcaption></figure>
<p>Nascido em João Pessoa, em 1948, Paulo César Tavares de Melo graduou-se em Agronomia pela antiga Escola de Agronomia do Nordeste, atualmente integrada ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba. Posteriormente realizou mestrado e doutorado em Melhoramento Genético de Plantas no Departamento de Genética da Esalq/USP.</p>
<p>Ao longo da carreira, passou pelo Instituto Agronômico de Pernambuco, pela Embrapa Hortaliças, pela iniciativa privada e pela própria Esalq, onde atuou como professor no Departamento de Produção Vegetal. Aposentou-se da universidade em 2020, depois de aproximadamente cinco décadas dedicadas à pesquisa, ensino e extensão.</p>
<p>Em 2021, tornou-se membro titular da Academia Brasileira de Ciência Agronômica, ocupando a cadeira 64. Também presidiu a Associação Brasileira de Horticultura por dois mandatos e desenvolveu atividades de pesquisa, consultoria e cooperação internacional relacionadas ao cultivo e ao melhoramento de hortaliças.</p>
<p>A publicação de “História das Hortaliças no Brasil” ocorre praticamente em paralelo a outro trabalho recente do pesquisador. Em agosto, a Esalq anunciou a obra “História da Agroindústria do Tomate no Brasil: do agreste pernambucano ao cerrado goiano”, na qual Tavares de Melo reconstrói 135 anos da produção e do processamento industrial do tomate no país.</p>
<p>Com o novo livro, o foco deixa uma cultura específica e alcança a formação de toda a olericultura brasileira. Mais do que registrar uma sequência de acontecimentos, a obra mostra como alimentação, imigração, ciência, desenvolvimento de sementes e construção de mercados se combinaram para transformar hortaliças cultivadas inicialmente em pequena escala em componentes permanentes e economicamente relevantes do sistema brasileiro de produção de alimentos.</p>
<hr />
<p><strong>FONTES:</strong></p>
<p>Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz — Divisão de Comunicação — comunicado institucional “História das hortaliças no Brasil: do descobrimento aos tempos atuais” — 31 de agosto de 2026.</p>
<p>Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz — perfil institucional de Paulo César Tavares de Melo e registro de sua trajetória em pesquisa de olericultura — 2021.</p>
<p>Repositório da Produção USP — “Olericultura brasileira: do descobrimento ao século XXI: parte I” — Paulo César Tavares de Melo e Arlete M. T. Melo — 2016.</p>
<p>Embrapa — documentação técnica sobre agricultura e contribuição da imigração japonesa para a olericultura brasileira.</p>
<p>Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz — “História da Agroindústria do tomate no Brasil” — agosto de 2026.</p>
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		<title>BTG estrutura novo Fiagro com retorno-alvo de até 97% do CDI para investidores profissionais</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/btg-pactual-fiagro-retorno-97-cdi</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 18:16:25 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O BTG Pactual estruturou um novo fundo de investimento voltado às cadeias produtivas do agronegócio com duas subclasses seniores que terão rentabilidade-alvo equivalente a 92% e 97% da variação da taxa DI. O FIAGRO BTG Pactual I Responsabilidade Limitada foi constituído em 20 de agosto de 2026 e teve a oferta pública de sua primeira emissão aprovada no dia seguinte, segundo documentos do próprio fundo. Em 28 de agosto, administrador e gestor alteraram o regulamento e ajustaram condições da distribuição, que naquele momento ainda estava em fase pré-operacional e sem cotas subscritas.</p>
<p>O fundo será destinado exclusivamente a investidores profissionais. Para pessoas físicas ou jurídicas enquadradas pelo critério patrimonial da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), essa classificação exige mais de R$ 10 milhões em investimentos financeiros e declaração escrita reconhecendo a condição de investidor profissional. O regulamento do Fiagro estabelece ainda investimento inicial mínimo de R$ 200 mil, sem exigir manutenção de saldo mínimo após a aplicação inicial.</p>
<p>A estrutura combina duas subclasses com características econômicas distintas. A A1 terá rentabilidade-alvo correspondente a 92% da taxa DI e prazo previsto até 31 de agosto de 2037, sujeito a possíveis prorrogações. A A2 terá alvo de 97% do DI e prazo até 31 de agosto de 2036. Nos dois casos, o regulamento prevê tentativa de distribuição mensal dos rendimentos, condicionada, porém, à existência de recursos líquidos suficientes no fundo.</p>
<p>O ponto é importante porque “rentabilidade-alvo” não significa rendimento contratado ou garantido. O próprio regulamento afirma que o objetivo da classe não representa garantia de segurança, rentabilidade ou liquidez dos ativos mantidos na carteira. Em outra seção dedicada aos fatores de risco, o documento admite expressamente a possibilidade de o investidor receber valor inferior ao capital aplicado e de a rentabilidade efetiva ficar abaixo da esperada.</p>
<h2>Duas subclasses terão 12 séries cada</h2>
<p>A primeira emissão foi desenhada de maneira mais segmentada do que uma oferta convencional de cotas de fundo fechado. O documento estabelece que a Subclasse A1 será inicialmente dividida em 12 séries distintas. A Subclasse A2 também contará com outras 12 séries, todas dentro da primeira emissão. A diferenciação entre as séries ocorre essencialmente pelo momento de captação e integralização dos recursos, o que interfere no início da contabilização dos rendimentos correspondentes a cada grupo de cotas.</p>
<p>Na Subclasse A1, o prazo-base vai até agosto de 2037 e o retorno-alvo será calculado com base em 92% da variação diária da taxa dos Depósitos Interfinanceiros, considerando a convenção de 252 dias úteis. O regulamento estabelece ainda amortizações programadas: uma primeira etapa prevista até 31 de agosto de 2035 e nova amortização até 31 de agosto de 2036, além do pagamento correspondente ao encerramento do prazo da subclasse.</p>
<p>A Subclasse A2 oferece referência de retorno maior, de 97% do DI, mas concentra a devolução do capital prioritariamente no fim de seu prazo de duração, em 31 de agosto de 2036. Durante a vigência, o fundo buscará realizar distribuições mensais dos rendimentos prioritários. Se os recursos líquidos disponíveis em determinado mês forem insuficientes, a diferença poderá ser acumulada para pagamento posterior, conforme as regras previstas no regulamento.</p>
<p>Essa mecânica torna inadequada uma comparação direta com um título bancário que paga determinado percentual do CDI. As cotas representam participação em um fundo cuja rentabilidade dependerá da qualidade, da precificação, do fluxo de pagamento e da recuperação dos ativos que vierem a compor a carteira. O percentual do DI funciona como objetivo econômico da estrutura de prioridade, e não como promessa incondicional de pagamento.</p>
<h2>Pelo menos metade da carteira ficará em direitos creditórios do agro</h2>
<p>A política de investimento dá ao gestor uma margem ampla de atuação dentro das cadeias produtivas do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338803">agronegócio</a>. O fundo poderá adquirir ativos financeiros e títulos emitidos por <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338805">empresas</a> e pessoas ligadas ao setor, direitos creditórios, instrumentos de securitização, direitos relacionados a imóveis rurais, Letras de Crédito do Agronegócio, Certificados de Recebíveis do Agronegócio, participações societárias e cotas de outros Fiagros, entre outras possibilidades previstas no regulamento.</p>
<p>Apesar dessa abrangência, existe um eixo obrigatório na carteira: pelo menos 50% do patrimônio líquido deverá ficar aplicado em direitos creditórios do agronegócio. A concentração faz com que o risco de crédito — capacidade de os devedores honrarem suas obrigações — tenha papel determinante no desempenho da estrutura.</p>
<p>O regulamento também permite níveis elevados de concentração. Não foram estabelecidos limites máximos de aplicação por modalidade de ativo, emissor ou devedor em função de percentual do patrimônio líquido. Entre os fatores de risco, o documento afirma que a classe poderá chegar a 100% do patrimônio exposto a direitos creditórios devidos pelo mesmo devedor ou por integrantes de um mesmo grupo econômico.</p>
<p>Há ainda autorização para que até 100% do patrimônio seja aplicado em direitos creditórios classificados pelo próprio regulamento como não padronizados. Esse universo pode incluir créditos vencidos e pendentes de pagamento, recebíveis de existência futura ou valor ainda desconhecido, créditos submetidos a litígio, valores penhorados e obrigações de devedores que estejam em recuperação judicial ou extrajudicial. O documento classifica expressamente essa possibilidade como um fator capaz de elevar substancialmente o risco de perdas patrimoniais.</p>
<h2>Cota subordinada do BTG funcionará como primeira camada de absorção de perdas</h2>
<p>A arquitetura do fundo inclui ainda a Subclasse B, subordinada às subclasses A1 e A2. A partir do primeiro dia útil do segundo mês após a primeira integralização, as cotas B deverão representar pelo menos 1% do patrimônio líquido da classe. Essas cotas serão mantidas pelo Banco BTG Pactual ou por sociedades pertencentes ao seu grupo econômico.</p>
<p>A subordinação significa que a classe B ocupa posição inferior na ordem de recebimento em relação às cotas A1 e A2, funcionando como uma primeira camada patrimonial diante de perdas. O regulamento determina inclusive mecanismos de recomposição quando a participação da subclasse B ficar abaixo do patamar mínimo de 1%. Nessa situação, há inicialmente um período de cura de três dias úteis, durante o qual ficam suspensas distribuições de rendimentos ao BTG destinadas a essas cotas.</p>
<p>Se o desenquadramento persistir, a gestora poderá realizar nova emissão de cotas B para recompor o patamar mínimo, a ser subscrita e integralizada pelo BTG. A existência dessa subordinação, entretanto, não elimina o risco das subclasses seniores: a camada mínima corresponde a apenas 1% do patrimônio e o próprio regulamento admite cenários de perdas substancialmente superiores, inclusive em ativos concentrados ou créditos de maior risco.</p>
<p>A estrutura revela, portanto, uma combinação entre prioridade econômica para os investidores das subclasses A e retenção de uma parcela subordinada pelo grupo financeiro responsável pelo fundo. Na prática, a qualidade dessa proteção dependerá do tamanho efetivo da subclasse B ao longo da operação, da diversificação da carteira e da severidade de eventuais perdas nos créditos adquiridos.</p>
<h2>Investidor não poderá contar com resgate a qualquer momento</h2>
<p>Outro ponto relevante está na liquidez. O FIAGRO BTG Pactual I foi constituído sob a forma de condomínio fechado, o que significa que o investidor não dispõe do mecanismo tradicional de solicitar resgate de cotas a qualquer momento ao administrador. A saída antes das amortizações e do encerramento das subclasses dependerá, quando permitido, da negociação das cotas no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338804">mercado</a> secundário.</p>
<p>O regulamento prevê distribuição no mercado primário por meio do MDA, com liquidação financeira pela B3, e negociação secundária pelo Fundos21. Essa negociação, entretanto, somente poderá ocorrer depois do encerramento da oferta, da integralização das cotas, do cumprimento dos procedimentos operacionais e da consolidação das séries A1 e A2. Também permanece a exigência de que o comprador esteja habilitado para o público-alvo da respectiva subclasse.</p>
<p>Isso não equivale a uma garantia de liquidez. A existência de um ambiente de negociação permite transferir a cota, mas depende de haver contraparte disposta a comprá-la e de preço aceitável ao vendedor. Esse componente ganha importância em um fundo de longa duração, já que os vencimentos previstos para as subclasses alcançam 2036 e 2037.</p>
<p>A regulamentação da CVM também impõe regras próprias às ofertas iniciais de cotas de fundos fechados destinadas a investidores profissionais. A Resolução CVM 160 prevê essa modalidade de distribuição e estabelece critérios para eventual ampliação futura do universo de compradores no mercado secundário, sempre observando também o público-alvo definido pelo regulamento do próprio fundo.</p>
<h2>Novo Fiagro já nasce sob regras específicas da CVM</h2>
<p>O fundo é estruturado em um ambiente regulatório diferente daquele existente quando os primeiros Fiagros chegaram ao mercado brasileiro. Em 2024, a CVM editou a Resolução 214, incorporando à Resolução CVM 175 um anexo normativo específico para fundos de investimento nas cadeias produtivas do agronegócio. As novas regras consolidaram parâmetros próprios para a categoria, que anteriormente operava com maior dependência das normas aplicáveis a outras classes de fundos.</p>
<p>No caso do FIAGRO BTG Pactual I, a concentração mínima de 50% em direitos creditórios aproxima parte relevante de sua operação da disciplina aplicável aos fundos de direitos creditórios. Isso aumenta a importância dos processos de seleção de devedores, análise de lastro, critérios de elegibilidade, monitoramento de inadimplência e recuperação de créditos ao longo dos próximos anos.</p>
<p>A administração fiduciária ficará a cargo da BTG Pactual Serviços Financeiros, enquanto a gestão será exercida pela BTG Pactual Asset Management. A custódia da classe será realizada pelo Banco BTG Pactual. O fundo havia sido constituído em 20 de agosto e, no documento assinado em 28 de agosto, ainda era classificado como pré-operacional, sem subscrições realizadas até aquela data.</p>
<p>A próxima etapa será a efetiva colocação das cotas e a formação da carteira que sustentará os pagamentos às subclasses A1 e A2. Só depois da captação e da aquisição dos primeiros ativos será possível observar a concentração real por devedor, a qualidade dos créditos incorporados, o tamanho efetivo da camada subordinada e a capacidade do fundo de perseguir as metas de 92% e 97% do DI previstas em seus documentos.</p>
<hr />
<p><strong>FONTES:</strong></p>
<p>FIAGRO BTG Pactual I Responsabilidade Limitada — Instrumento Particular de Deliberação Conjunta, regulamento, apêndices e fatores de risco — 28 de agosto de 2026.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 30 — regras para investidores profissionais.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 160 — regime das ofertas públicas de valores mobiliários.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 214 — regras específicas dos Fiagros.</p>
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		<title>XP, BTG e BofA indicam 3 ações do agro para comprar</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/acoes-agro-comprar-sao-martinho-mbrf-slc-agricola</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 11:49:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[ações do agro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As ações ligadas ao agronegócio voltaram a ganhar espaço nas recomendações de grandes instituições financeiras, depois de um período marcado por preços mais fracos de commodities, pressão sobre margens e aumento da cautela dos investidores. São Martinho (SMTO3), MBRF (MBRF3) e SLC Agrícola (SLCE3) aparecem entre as companhias com avaliação favorável em relatórios recentes de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As ações ligadas ao agronegócio voltaram a ganhar espaço nas recomendações de grandes instituições financeiras, depois de um período marcado por preços mais fracos de commodities, pressão sobre margens e aumento da cautela dos investidores. São Martinho (SMTO3), MBRF (MBRF3) e SLC Agrícola (SLCE3) aparecem entre as companhias com avaliação favorável em relatórios recentes de XP Investimentos, Bank of America e BTG Pactual.</p>
<p>As três teses têm pontos de partida diferentes. Na São Martinho, a aposta está concentrada na melhora das perspectivas para açúcar e etanol. Para a MBRF, o principal vetor é a expectativa de recuperação do negócio de carne bovina nos Estados Unidos, acompanhada de redução dos investimentos e avanço do fluxo de caixa. Na SLC Agrícola, a avaliação combina expansão da área cultivada com possível recuperação dos preços de soja, algodão e outras commodities agrícolas.</p>
<p>O movimento não significa que os riscos desapareceram. Condições climáticas, câmbio, custos agrícolas, evolução dos preços internacionais e endividamento permanecem entre as variáveis capazes de alterar rapidamente as projeções. As recomendações refletem cenários traçados pelos analistas e não representam garantia de valorização das ações.</p>
<p>Entre os três casos, a mudança mais explícita de recomendação ocorreu na São Martinho. A XP elevou o papel de neutro para compra e aumentou seu preço-alvo de R$ 14,80 para R$ 22,40 por ação, apoiada principalmente na avaliação de que o balanço entre oferta e demanda de açúcar e etanol se tornou mais favorável.</p>
<h2>São Martinho ganha aposta em açúcar e etanol</h2>
<p>A São Martinho está diretamente exposta a dois mercados que atravessam um momento de reavaliação: açúcar e etanol. Segundo a XP, problemas climáticos em regiões produtoras da Ásia e perspectivas mais desafiadoras para a moagem de cana no Brasil podem restringir a oferta global e sustentar preços maiores.</p>
<p>A instituição também passou a adotar uma visão mais favorável para o etanol no curto prazo. A combinação entre recuperação da demanda e mudanças no mix de produção das usinas pode contribuir para melhorar a formação de preços, embora a relação entre açúcar e etanol continue sendo determinante para as decisões industriais das companhias do setor.</p>
<p>A XP calcula que a São Martinho ainda negocia abaixo do valor considerado adequado pelos seus analistas. A avaliação da instituição considera particularmente a safra 2027/28, período em que estima um múltiplo de aproximadamente 8,6 vezes o indicador EV/Ebit, usado para relacionar o valor de uma companhia com sua capacidade operacional de geração de resultado.</p>
<p>A empresa, entretanto, segue sujeita a variáveis agrícolas que podem alterar esse cenário. A produtividade da cana é uma delas. O desenvolvimento de um episódio mais forte de El Niño também está entre os fatores monitorados porque mudanças relevantes no regime de chuvas podem afetar produtividade, qualidade da matéria-prima e ritmo de moagem.</p>
<p>O câmbio constitui outro componente da equação. Como açúcar é uma commodity negociada internacionalmente, movimentos do real frente ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338779">dólar</a> podem produzir efeitos sobre preços realizados, receitas e operações de proteção financeira. A São Martinho utiliza instrumentos de hedge justamente para reduzir parte dessa volatilidade.</p>
<p>Apesar dessas incertezas, a XP considera que a melhora projetada para os fundamentos de açúcar e etanol supera, neste momento, os riscos incorporados à avaliação da empresa. O preço-alvo de R$ 22,40 representa uma revisão expressiva frente aos R$ 14,80 adotados anteriormente.</p>
<h2>MBRF depende de virada no negócio de carne bovina dos EUA</h2>
<p>Na MBRF, a tese está menos ligada ao ciclo de grãos e mais à geração de caixa da companhia e à expectativa de normalização das margens da operação de carne bovina nos Estados Unidos.</p>
<p>O Bank of America elevou a recomendação das ações de neutra para compra e definiu preço-alvo de R$ 26. A avaliação considera a possibilidade de melhora relevante no fluxo de caixa livre da empresa a partir de 2027, após um período de investimentos elevados.</p>
<p>Pelas projeções atribuídas ao banco, os desembolsos anuais com investimentos podem recuar de aproximadamente R$ 5 bilhões para algo entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões em 2027. A queda do capex liberaria recursos para outras prioridades financeiras e poderia contribuir para a desalavancagem da companhia.</p>
<p>O fluxo de caixa livre projetado avançaria de cerca de R$ 390 milhões para R$ 1,9 bilhão. Para uma empresa com operações de grande escala e endividamento relevante, a transformação do lucro operacional em caixa tem peso importante na avaliação do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338780">mercado</a>, porque determina a velocidade com que a dívida pode ser reduzida ou refinanciada.</p>
<p>O Bank of America também espera recuperação das margens de carne bovina nos Estados Unidos depois de 2026. O mercado norte-americano passou por um ciclo de menor disponibilidade de gado, situação que pressiona o custo da matéria-prima para frigoríficos e reduz a rentabilidade das plantas.</p>
<p>A possível ampliação da oferta de animais provenientes do México aparece como uma das variáveis capazes de ajudar a normalizar esse ambiente. O fechamento de capacidade industrial por concorrentes também pode modificar a distribuição de volumes no mercado e abrir espaço para fabricantes com unidades disponíveis absorverem parte da demanda.</p>
<p>As projeções de Ebitda mencionadas para a MBRF são de R$ 12,8 bilhões em 2026 e R$ 12,9 bilhões em 2027. O avanço pequeno entre os dois anos mostra que a tese não depende apenas de expansão do resultado operacional, mas principalmente de sua conversão em caixa e de uma menor necessidade de investimentos.</p>
<p>A companhia resultou da combinação dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338782">negócios</a> da Marfrig e da BRF e reúne operações em diferentes segmentos de alimentos e proteínas. Essa diversificação reduz a dependência de apenas um produto, mas também aumenta a quantidade de fatores operacionais, cambiais e geográficos que precisam ser considerados na análise da empresa.</p>
<h2>SLC Agrícola combina expansão com recuperação das commodities</h2>
<p>A terceira ação apontada é a SLC Agrícola. O BTG Pactual manteve recomendação de compra para SLCE3 e aumentou o preço-alvo de R$ 20 para R$ 23 por ação.</p>
<p>Considerando a cotação de referência utilizada no relatório, próxima de R$ 15,15, o valor projetado correspondia a potencial de valorização da ordem de 52%. Esse percentual, entretanto, varia diariamente à medida que o preço da ação se movimenta na Bolsa.</p>
<p>A avaliação positiva tem como ponto de partida a expansão realizada pela SLC nos últimos anos. A companhia aumentou sua área plantada, mas o efeito dessa expansão sobre resultados foi parcialmente neutralizado pela redução dos preços de commodities agrícolas, especialmente soja e algodão.</p>
<p>Em um negócio agrícola de larga escala, a expansão de área gera maior potencial de produção, mas não assegura crescimento proporcional de resultado. Receita e margem dependem da produtividade obtida por hectare, preço realizado, custos com fertilizantes e defensivos, arrendamento de terras, fretes, câmbio e resultado das operações de hedge.</p>
<p>O BTG trabalha com a hipótese de que a recuperação das commodities permita à empresa começar a capturar financeiramente uma parcela maior da capacidade construída nos últimos anos. A expectativa é de que 2027 possa marcar a primeira expansão da margem operacional da companhia em três anos.</p>
<p>A avaliação também incorpora a possibilidade de maior geração de caixa e consequente redução da alavancagem. A própria SLC calcula seu valor líquido de ativos em R$ 13,824 bilhões, considerando base de 31 de março de 2026 e avaliação divulgada em junho. O indicador inclui terras, infraestrutura, estoques, ativos biológicos, caixa e outros componentes, descontadas obrigações financeiras e operacionais.</p>
<p>O valor líquido informado corresponde a R$ 27,70 por ação. Esse cálculo não deve ser confundido com preço-alvo de mercado, porque utiliza metodologia patrimonial própria e não incorpora necessariamente os mesmos critérios usados em modelos de fluxo de caixa descontado ou múltiplos adotados por instituições financeiras.</p>
<h2>Clima continua sendo o principal fator de risco</h2>
<p>Apesar do ambiente mais favorável apontado pelos analistas, o clima continua sendo um dos principais elementos de incerteza para as três teses, sobretudo para São Martinho e SLC Agrícola.</p>
<p>Um El Niño mais intenso pode modificar padrões de precipitação em diferentes regiões produtoras. O impacto, entretanto, não é uniforme: excesso de chuvas pode prejudicar determinadas culturas e regiões, enquanto déficit hídrico pode afetar outras. Por isso, projeções agrícolas precisam considerar localização das propriedades, calendário de plantio e colheita e estágio de desenvolvimento das lavouras.</p>
<p>No caso da SLC, investimentos em tecnologia, irrigação, monitoramento das lavouras e diversificação geográfica funcionam como instrumentos de mitigação, mas não eliminam o risco de perdas agrícolas. Na São Martinho, além da produtividade dos canaviais, qualidade da cana e teor de açúcar influenciam diretamente a eficiência da operação.</p>
<p>As commodities também permanecem sujeitas à dinâmica internacional. Estoques globais, safras nos principais países produtores, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338781">política</a> de biocombustíveis, importações chinesas, oferta de açúcar na Índia e produção norte-americana podem modificar as curvas de preços utilizadas nos modelos de avaliação.</p>
<p>Para a MBRF, os riscos são diferentes, mas igualmente relevantes. Preços do gado, capacidade de processamento nos Estados Unidos, desempenho das operações internacionais, câmbio, custos logísticos e velocidade da redução do endividamento podem determinar se a geração de caixa projetada para 2027 será efetivamente alcançada.</p>
<p>A próxima confirmação objetiva das teses virá dos resultados operacionais e financeiros divulgados pelas próprias companhias. São Martinho terá de demonstrar que a melhora esperada para açúcar e etanol chega às margens; a SLC precisará converter expansão e preços agrícolas em maior rentabilidade; e a MBRF terá de mostrar redução dos investimentos, recuperação das operações de carne bovina e avanço consistente do fluxo de caixa.</p>
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		<title>EUA ampliam cota de carne bovina em 300 mil toneladas e abrem janela para exportadores brasileiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 22:06:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
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		<category><![CDATA[pecuária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos abrirão, a partir de 1º de setembro, uma cota adicional de 300 mil toneladas para importação de aparas de carne bovina magra, criando uma oportunidade temporária para fornecedores estrangeiros, entre eles o Brasil, justamente quando a China reduz o ritmo de compras da proteína brasileira. A decisão do governo de Donald Trump, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="299" data-end="835">Os Estados Unidos abrirão, a partir de 1º de setembro, uma cota adicional de 300 mil toneladas para importação de aparas de carne bovina magra, criando uma oportunidade temporária para fornecedores estrangeiros, entre eles o Brasil, justamente quando a China reduz o ritmo de compras da proteína brasileira. A decisão do governo de Donald Trump, porém, não representa uma concessão comercial a Brasília: a medida foi adotada para aumentar a oferta de matéria-prima para carne moída no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338744">mercado</a> americano e conter os preços ao consumidor.</p>
<p data-start="837" data-end="1254">A ampliação foi formalizada pelo presidente americano em 26 de agosto e terá duração máxima de 90 dias. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, com abertura sucessiva em 1º de setembro, 1º de outubro e 31 de outubro. A distribuição ocorrerá pelo sistema de primeiro a chegar, primeiro a ser atendido, e toda a quantidade adicional foi destinada à categoria tarifária de “outros países ou áreas”.</p>
<p data-start="1256" data-end="1555">Isso significa que o Brasil não recebeu uma cota própria de 300 mil toneladas. Exportadores brasileiros habilitados terão de disputar espaço com fornecedores de outros países elegíveis, em uma janela limitada e condicionada à capacidade de embarque, aos preços e às exigências sanitárias americanas.</p>
<p data-start="1557" data-end="1975">A decisão ocorre em momento particularmente relevante para a pecuária brasileira. A China, principal destino da carne bovina nacional, estabeleceu para o Brasil uma cota de 1,106 milhão de toneladas em 2026. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, quando o volume destinado a cada país atingir 100% da quantidade estabelecida, as importações que excederem a cota estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 55%.</p>
<h2 data-section-id="ezrrq5" data-start="1977" data-end="2037">China reduz espaço para o principal fornecedor brasileiro</h2>
<p data-start="2039" data-end="2440">O sinal mais recente vindo de Pequim é mais forte do que a simples existência de uma cota. Em 11 de agosto, o Ministério do Comércio da China informou que as importações de carne bovina brasileira haviam atingido 90% da quantidade estabelecida para o país. Pelas regras chinesas, a sobretaxa de 55% passa a incidir a partir do terceiro dia após o volume alcançar integralmente a quantidade autorizada.</p>
<p data-start="2442" data-end="2684">A regra chinesa não é exclusiva do Brasil. Trata-se de uma salvaguarda aplicada às importações de carne bovina, com quantidades específicas para cada origem. O Brasil, entretanto, recebeu a maior cota individual, de 1,106 milhão de toneladas.</p>
<p data-start="2686" data-end="2975">O próprio governo brasileiro havia informado em julho que 80% da cota já havia sido utilizada, com base na última atualização oficial chinesa disponível naquele momento. A atualização posterior do Ministério do Comércio chinês mostra que o preenchimento avançou rapidamente durante agosto.</p>
<p data-start="2977" data-end="3226">A diferença entre os números evidencia também a velocidade da mudança. Entre a atualização divulgada pelo governo brasileiro em 22 de julho e a informação chinesa de 11 de agosto, o percentual de utilização da cota brasileira passou de 80% para 90%.</p>
<p data-start="3228" data-end="3528">A dimensão do mercado chinês ajuda a explicar a importância da restrição. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a China importou 1,68 milhão de toneladas de carne bovina brasileira em 2025, equivalente a 47,8% de todo o volume exportado pelo país naquele ano.</p>
<p data-start="3530" data-end="3801">A cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida para 2026 é, portanto, inferior ao volume que a China comprou do Brasil no ano anterior. A diferença entre os dois números é de aproximadamente 574 mil toneladas, ou 34,2% do volume exportado para o mercado chinês em 2025.</p>
<h2 data-section-id="5eq1l4" data-start="3803" data-end="3844">Exportações já mostram mudança de rota</h2>
<p data-start="3846" data-end="3954">Os dados de julho confirmam que o setor começou a ajustar seus embarques diante da nova realidade comercial.</p>
<p data-start="3956" data-end="4139">A Abiec registrou exportações brasileiras de carne bovina de 264,4 mil toneladas em julho, queda de 16,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita recuou 5,5%, para US$ 1,58 bilhão.</p>
<p data-start="4141" data-end="4338">A redução foi concentrada na China. As vendas brasileiras ao mercado chinês somaram 85,8 mil toneladas em julho, 47% abaixo do registrado um ano antes. A receita caiu 50,3%, para US$ 537,9 milhões.</p>
<p data-start="4340" data-end="4645">O movimento não significa necessariamente perda de demanda internacional pela carne brasileira. Parte da explicação está na necessidade de controlar o ritmo dos embarques para evitar que cargas destinadas à China sejam enquadradas nas condições tarifárias menos favoráveis depois do preenchimento da cota.</p>
<p data-start="4647" data-end="4924">No acumulado de janeiro a julho, entretanto, as exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas, alta de 9,9% sobre o mesmo período de 2025. Isso mostra que o setor ainda apresenta crescimento no ano, embora a composição dos destinos esteja mudando.</p>
<p data-start="4926" data-end="5139">A própria Abiec apontou que a redução das vendas à China em julho foi acompanhada pelo avanço das exportações para outros mercados. Esse deslocamento ganha importância com a abertura temporária dos Estados Unidos.</p>
<h2 data-section-id="a3zdaa" data-start="5141" data-end="5192">Trump abriu espaço por uma necessidade americana</h2>
<p data-start="5194" data-end="5287">A decisão de Washington tem uma origem diferente da disputa comercial brasileira com a China.</p>
<p data-start="5289" data-end="5606">A Casa Branca justificou o aumento da cota pela insuficiência da oferta doméstica de aparas de carne bovina magra e de produtos substitutos para atender à demanda por carne moída a preços considerados razoáveis. O governo americano também citou a expectativa de aumento do consumo de carne bovina no restante de 2026.</p>
<p data-start="5608" data-end="6032">A medida permite que países elegíveis aumentem suas vendas dentro da faixa tarifária mais favorável. O governo americano determinou ainda que monitore os preços das importações realizadas dentro da quantidade adicional. Se os produtos não forem vendidos a preços 25% inferiores ao preço de mercado das aparas de carne magra, a administração poderá avaliar a eliminação do volume adicional que ainda não tiver sido utilizado.</p>
<p data-start="6034" data-end="6169">Há, portanto, uma finalidade doméstica explícita: ampliar a disponibilidade de matéria-prima para a indústria americana de carne moída.</p>
<p data-start="6171" data-end="6397">Essa característica reduz o espaço para interpretar a decisão como resultado de uma negociação <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338746">política</a> entre Brasília e Washington. O governo americano está tentando resolver uma questão de oferta e preços no próprio mercado.</p>
<p data-start="6399" data-end="6526">Para os exportadores brasileiros, contudo, a origem da decisão é menos importante do que a oportunidade comercial que ela cria.</p>
<h2 data-section-id="143rpnc" data-start="6528" data-end="6586">Brasil terá de disputar uma janela de 300 mil toneladas</h2>
<p data-start="6588" data-end="6688">O principal limite para os frigoríficos brasileiros é que o volume adicional não pertence ao Brasil.</p>
<p data-start="6690" data-end="6941">A cota foi integralmente alocada à categoria “outros países ou áreas” e será preenchida conforme a ordem de entrada das mercadorias. Na prática, <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338745">empresas</a> brasileiras, argentinas e de outros fornecedores elegíveis terão de disputar o espaço disponível.</p>
<p data-start="6943" data-end="7215">A primeira parcela equivale a 100 mil toneladas e será aberta em setembro. O mesmo volume estará disponível em outubro, e uma terceira parcela de 100 mil toneladas começará a ser administrada em 31 de outubro, permanecendo aberta até o preenchimento ou até 30 de novembro.</p>
<p data-start="7217" data-end="7464">A soma de 300 mil toneladas representa cerca de 15,2% das 1,97 milhão de toneladas de carne bovina exportadas pelo Brasil entre janeiro e julho. O número é expressivo, mas não deve ser confundido com uma substituição automática da demanda chinesa.</p>
<p data-start="7466" data-end="7742">Mesmo que o Brasil conseguisse capturar todo o volume adicional americano, as 300 mil toneladas equivaleriam a pouco mais da metade da diferença de aproximadamente 574 mil toneladas entre as exportações brasileiras para a China em 2025 e a cota chinesa estabelecida para 2026.</p>
<p data-start="7744" data-end="7969">Além disso, a medida americana se refere especificamente a aparas de carne bovina magra classificadas em determinadas posições tarifárias. Não representa uma abertura irrestrita para todos os tipos de carne bovina brasileira.</p>
<h2 data-section-id="g0pap1" data-start="7971" data-end="8009">Habilitação sanitária será decisiva</h2>
<p data-start="8011" data-end="8178">Outro fator limita a capacidade de o Brasil aproveitar rapidamente a oportunidade: o acesso ao mercado americano depende de habilitação sanitária dos estabelecimentos.</p>
<p data-start="8180" data-end="8422">O Ministério da Agricultura mantém procedimentos específicos para habilitação e certificação de empresas brasileiras que exportam produtos de origem animal aos Estados Unidos. A lista de estabelecimentos habilitados é atualizada regularmente.</p>
<p data-start="8424" data-end="8759">Isso cria uma diferença importante entre possuir produção de carne bovina e ter capacidade efetiva de atender à nova demanda americana. O frigorífico precisa estar autorizado a exportar, atender às especificações do mercado e conseguir organizar a logística dentro de uma janela em que o critério de alocação é essencialmente temporal.</p>
<p data-start="8761" data-end="8900">A vantagem, nesse contexto, tende a ser maior para empresas que já possuem estrutura comercial e sanitária estabelecida nos Estados Unidos.</p>
<p data-start="8902" data-end="9199">Para a cadeia produtiva, o efeito potencial também depende da capacidade de redirecionar volumes. Uma indústria que reduzir embarques para a China pode avaliar outros mercados, mas essa mudança envolve contratos, padrões de produto, logística, formação de preço e disponibilidade de matéria-prima.</p>
<h2 data-section-id="159k46g" data-start="9201" data-end="9257">Diversificação reduz a exposição a um único comprador</h2>
<p data-start="9259" data-end="9389">O episódio evidencia uma característica estrutural das exportações brasileiras de carne bovina: a concentração em poucos mercados.</p>
<p data-start="9391" data-end="9626">Em 2025, a China absorveu 1,68 milhão de toneladas, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 272 mil toneladas, segundo o levantamento da Abiec. A diferença entre os dois destinos foi superior a 1,4 milhão de toneladas.</p>
<p data-start="9628" data-end="9805">Essa concentração trouxe escala e previsibilidade ao setor durante anos, mas também aumentou a exposição dos exportadores a decisões regulatórias tomadas por um único comprador.</p>
<p data-start="9807" data-end="10004">A salvaguarda chinesa mostra o efeito de uma mudança desse tipo. Quando Pequim limita o volume sujeito às condições tarifárias regulares, frigoríficos precisam acelerar a busca por outros destinos.</p>
<p data-start="10006" data-end="10255">A decisão americana, por sua vez, mostra que a diversificação não depende necessariamente de alinhamento político. O mercado dos Estados Unidos abriu espaço porque enfrenta uma restrição própria de oferta. O interesse econômico criou a oportunidade.</p>
<p data-start="10257" data-end="10397">Para o Brasil, a questão central passa a ser transformar esse tipo de oportunidade pontual em uma estrutura permanente de acesso a mercados.</p>
<h2 data-section-id="1rcg7wu" data-start="10399" data-end="10453">Próximos meses serão decisivos para os frigoríficos</h2>
<p data-start="10455" data-end="10727">O primeiro indicador a acompanhar será a velocidade de ocupação das parcelas americanas a partir de setembro. Como a regra é de primeiro a chegar, empresas com maior capacidade operacional poderão capturar uma parcela relevante do volume antes que a janela seja encerrada.</p>
<p data-start="10729" data-end="10975">O segundo será o comportamento das exportações brasileiras para a China. A utilização da cota e a eventual aplicação da tarifa adicional de 55% poderão determinar quanto produto será redirecionado para outros mercados ou para o mercado doméstico.</p>
<p data-start="10977" data-end="11219">O terceiro será a capacidade do setor de ampliar destinos além dos Estados Unidos. A oportunidade americana é temporária e concentrada em uma categoria específica de produto. Ela não substitui a necessidade de ampliar mercados no longo prazo.</p>
<p data-start="11221" data-end="11503">A equação comercial brasileira, portanto, mudou em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, a China impõe uma limitação quantitativa que reduz a previsibilidade das vendas. De outro, os Estados Unidos oferecem uma janela adicional justamente porque enfrentam falta de matéria-prima.</p>
<p data-start="11505" data-end="11714">Para frigoríficos e pecuaristas, o resultado dependerá menos da relação política entre os governos e mais da capacidade de vender onde houver demanda, dentro das regras tarifárias e sanitárias de cada mercado.</p>
<p data-start="11716" data-end="12106">A principal contribuição da decisão americana para o Brasil pode estar justamente nesse ponto. As 300 mil toneladas adicionais não resolvem a dependência brasileira da China e tampouco garantem que a proteína nacional ocupará todo o espaço criado. Elas apenas mostram, em um momento de pressão sobre o principal destino da carne brasileira, o valor econômico de manter alternativas abertas.</p>
<p data-start="12108" data-end="12119"><strong data-start="12108" data-end="12119">Fontes:</strong></p>
<p data-start="12121" data-end="12324"><em data-start="12121" data-end="12324">Casa Branca dos Estados Unidos &#8211; proclamação de 26 de agosto de 2026 sobre a ampliação temporária da cota de aparas de carne bovina magra e medidas para reduzir a pressão sobre os preços da carne moída</em></p>
<p data-start="12326" data-end="12478"><em data-start="12326" data-end="12478">Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; informações sobre a salvaguarda chinesa, cota brasileira de 1,106 milhão de toneladas e tarifa adicional de 55%</em></p>
<p data-start="12480" data-end="12633"><em data-start="12480" data-end="12633">Ministério do Comércio da República Popular da China &#8211; atualização de 11 de agosto de 2026 sobre a utilização de 90% da cota brasileira de carne bovina</em></p>
<p data-start="12635" data-end="12770"><em data-start="12635" data-end="12770">Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes &#8211; estatísticas de exportação de carne bovina brasileira até julho de 2026</em></p>
<p data-start="12772" data-end="12941"><em data-start="12772" data-end="12941">Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços &#8211; estatísticas consolidadas de comércio exterior e base de dados do Comex Stat de janeiro a julho de 2026</em></p>
<p data-start="12943" data-end="13094" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><em data-start="12943" data-end="13094" data-is-last-node="">Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; procedimentos de habilitação e certificação de estabelecimentos brasileiros para exportação aos Estados Unidos</em></p>
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		<item>
		<title>Boa Safra aprova financiamento de até R$ 332,45 milhões com a Finep</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/boa-safra-soja3-financiamento-finep-332-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 16:39:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[Finep]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Sementes]]></category>
		<category><![CDATA[SOJA3]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Boa Safra Sementes (B3: SOJA3) abriu espaço para uma das maiores captações de longo prazo de sua história ao aprovar a contratação de até R$ 332,45 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O dinheiro será direcionado a iniciativas de inovação e tecnologia e poderá ser pago ao longo de 192 meses, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Boa Safra Sementes (B3: SOJA3)</strong> abriu espaço para uma das maiores captações de longo prazo de sua história ao aprovar a contratação de até <strong>R$ 332,45 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)</strong>. O dinheiro será direcionado a iniciativas de inovação e tecnologia e poderá ser pago ao longo de 192 meses, o equivalente a 16 anos, com carência de três anos antes do início das amortizações.</p>
<p>O tamanho da operação chama atenção não apenas pela cifra absoluta. Considerando a posição financeira apresentada pela Boa Safra ao término do segundo trimestre, o financiamento potencial equivale a aproximadamente <strong>54% da dívida líquida de R$ 619,8 milhões</strong> registrada pela companhia em junho e a cerca de 17% de sua dívida bruta de R$ 1,93 bilhão.</p>
<p>A autorização foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração em reunião realizada em 19 de agosto. O colegiado também deu poderes à diretoria para negociar e assinar os contratos, garantias, aditivos e demais documentos necessários à formalização da operação.</p>
<p>O ponto importante é que a aprovação não significa que R$ 332,45 milhões já tenham entrado no caixa. Trata-se de autorização para contratação de financiamento de até esse valor. A empresa ainda não divulgou publicamente o cronograma de desembolsos, a taxa final da operação nem uma divisão detalhada dos projetos que receberão os recursos. O material divulgado ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338608">mercado</a> limita o destino a projetos de inovação e tecnologia.</p>
<p>A estrutura, porém, mostra que a Boa Safra está buscando uma fonte de capital com horizonte muito mais longo que o ciclo normal de uma safra. A carência de 36 meses e o prazo total de 16 anos permitem financiar investimentos cujo retorno não precisa aparecer imediatamente no balanço, algo especialmente relevante para projetos envolvendo automação, equipamentos, infraestrutura produtiva, pesquisa, desenvolvimento e modernização tecnológica.</p>
<h2>Crédito chega quando Boa Safra acelera investimentos</h2>
<p>A decisão ocorre em um momento de mudança relevante na composição dos investimentos da companhia. No primeiro semestre de 2026, a Boa Safra desembolsou <strong>R$ 66 milhões em Capex</strong>, cinco vezes o volume de R$ 13 milhões aplicado no mesmo período do ano anterior.</p>
<p>Do total deste ano, R$ 63 milhões foram direcionados ao imobilizado e outros R$ 3 milhões ao intangível. A própria companhia observou, entretanto, que parte relevante dessa cifra não corresponde a expansão inteiramente nova: aproximadamente R$ 38 milhões estão associados a ativos voltados ao beneficiamento, armazenagem e tratamento de sementes para pecuária e mix de cobertura.</p>
<p>Ainda assim, o aumento do investimento mostra que a Boa Safra atravessa uma fase na qual crescimento orgânico, ampliação do portfólio e infraestrutura passam a exigir mais capital.</p>
<p>A Finep é justamente uma das principais fontes públicas de financiamento de longo prazo para esse tipo de projeto. As linhas de apoio direto da instituição são destinadas a planos de inovação capazes de elevar produtividade, modernizar processos, desenvolver produtos ou aumentar a competitividade das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338607">empresas</a> brasileiras. Entre os gastos elegíveis podem estar máquinas e equipamentos, softwares, pesquisa e desenvolvimento, treinamento, serviços especializados e preparação de novas estruturas produtivas.</p>
<p>A agência utiliza recursos próprios e também do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o FNDCT, nas operações reembolsáveis voltadas à inovação. As condições variam conforme o enquadramento de cada projeto, razão pela qual o custo financeiro efetivo da operação da Boa Safra só poderá ser avaliado quando as condições finais forem divulgadas.</p>
<h2>Dívida cresceu, mas caixa também ficou maior</h2>
<p>O novo financiamento precisa ser analisado dentro de uma estrutura de capital que mudou significativamente ao longo do último ano.</p>
<p>A Boa Safra encerrou junho com <strong>R$ 1,93 bilhão de dívida bruta consolidada</strong>, ante R$ 1,19 bilhão no segundo trimestre de 2025. O aumento foi de aproximadamente R$ 742 milhões em 12 meses.</p>
<p>A comparação isolada poderia sugerir deterioração forte do balanço. A empresa, entretanto, também ampliou substancialmente a liquidez. Caixa, equivalentes e títulos e valores mobiliários passaram de R$ 390,3 milhões para <strong>R$ 1,31 bilhão</strong> no mesmo intervalo.</p>
<p>Como resultado, a dívida líquida caiu de R$ 800,3 milhões para <strong>R$ 619,8 milhões</strong>, considerando a base ajustada utilizada pela companhia para tornar os períodos comparáveis.</p>
<p>No relatório do segundo trimestre, a Boa Safra destacou ainda que apenas 8% da dívida financeira apresentava vencimento nos 12 meses seguintes. Grande parte do passivo está concentrada em instrumentos de longo prazo, incluindo aproximadamente R$ 1,3 bilhão em Certificados de Recebíveis do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338609">Agronegócio</a> emitidos em 2025.</p>
<p>A estrutura oferece alguma margem para assumir novos compromissos de longo prazo, especialmente se o financiamento da Finep substituir desembolsos que, de outra forma, precisariam sair diretamente do caixa.</p>
<p>Há, porém, uma diferença entre capacidade de pagamento e custo de endividamento. O balanço recente mostra que os juros já se tornaram uma variável importante na demonstração de resultados.</p>
<h2>Resultado financeiro virou ponto de atenção</h2>
<p>No segundo trimestre, a Boa Safra registrou <strong>resultado financeiro líquido negativo de R$ 38 milhões</strong>, depois de ter apresentado saldo positivo de R$ 9 milhões um ano antes.</p>
<p>A companhia atribuiu a mudança principalmente ao maior custo de carregamento da dívida estruturada. As receitas financeiras também diminuíram porque o segundo trimestre de 2025 havia sido beneficiado por ganhos com instrumentos derivativos que não se repetiram neste ano.</p>
<p>Os juros não impediram a empresa de voltar ao lucro, mas reduziram parte da melhora operacional. A Boa Safra registrou lucro líquido de aproximadamente <strong>R$ 2,7 milhões no 2T26</strong>, revertendo o prejuízo de R$ 2,7 milhões observado no mesmo trimestre do ano anterior.</p>
<p>A receita líquida avançou 23%, para R$ 124,7 milhões, enquanto o lucro bruto cresceu 83%, alcançando R$ 69,7 milhões. O Ebitda contábil saiu de resultado negativo de R$ 7,2 milhões para R$ 52,2 milhões.</p>
<p>Já o Ebitda ajustado chegou a <strong>R$ 27,7 milhões</strong>, seis vezes o resultado aproximado de R$ 4,6 milhões registrado no segundo trimestre de 2025.</p>
<p>O desempenho trimestral precisa ser observado com cautela porque o negócio da Boa Safra apresenta forte sazonalidade. A própria empresa afirma que os dois primeiros trimestres têm participação menor no resultado anual, enquanto a maior parte das vendas e da geração de resultado ocorre no segundo semestre.</p>
<p>Nos 12 meses encerrados em junho, o Ebitda ajustado foi de R$ 154 milhões, crescimento de apenas 4% em relação ao período comparável. O lucro líquido acumulado, por sua vez, caiu 77%, de R$ 89,4 milhões para R$ 20,6 milhões.</p>
<p>Isso torna a safra que se inicia particularmente importante para avaliar a capacidade da companhia de combinar crescimento, rentabilidade e um novo ciclo de investimentos.</p>
<h2>R$ 332 milhões são relevantes mesmo diante do caixa</h2>
<p>Se a Boa Safra contratar todo o financiamento aprovado, os R$ 332,45 milhões representarão uma injeção relevante de recursos. Em relação ao caixa e aos títulos financeiros existentes em junho, a operação corresponderia a aproximadamente um quarto dos R$ 1,31 bilhão disponíveis.</p>
<p>A comparação com a dívida líquida é ainda mais expressiva: o limite aprovado corresponde a pouco mais de <strong>53% do endividamento líquido atual</strong>.</p>
<p>Isso não significa, contudo, que a dívida líquida aumentará automaticamente nessa proporção.</p>
<p>Quando uma empresa recebe recursos de um financiamento, a dívida bruta cresce, mas o caixa também aumenta. Enquanto o dinheiro não é gasto, o efeito sobre a dívida líquida tende a ser pequeno. O endividamento líquido passa a crescer à medida que os recursos são efetivamente investidos e deixam o caixa.</p>
<p>No caso da Boa Safra, a avaliação dependerá principalmente de duas variáveis: a velocidade dos desembolsos da Finep e o ritmo de execução dos projetos.</p>
<p>O prazo de 16 anos reduz a pressão sobre o curto prazo. A carência de três anos também cria uma janela para que os investimentos comecem a gerar benefícios operacionais antes das principais amortizações.</p>
<p>Essa combinação explica por que linhas de inovação podem ser mais adequadas para projetos estruturais do que empréstimos bancários tradicionais de menor prazo.</p>
<h2>O que a Boa Safra ainda precisa explicar</h2>
<p>Apesar do tamanho do financiamento, parte importante da operação ainda não está detalhada.</p>
<p>A companhia não informou quais projetos específicos compõem o pacote de investimentos, quanto será destinado a equipamentos, quanto irá para pesquisa e desenvolvimento, se haverá expansão de capacidade industrial ou qual ganho de produtividade espera obter.</p>
<p>Também não foram divulgadas as taxas de juros finais, eventuais indexadores, o cronograma de liberações nem as garantias que serão vinculadas à operação.</p>
<p>Essas informações serão importantes para calcular o verdadeiro retorno financeiro do projeto.</p>
<p>Um financiamento de longo prazo pode ser muito favorável quando o custo é inferior ao retorno obtido com os investimentos. O risco aparece quando a dívida aumenta sem que a capacidade de geração de caixa avance na mesma proporção.</p>
<p>No caso da Boa Safra, essa discussão ganha importância porque o balanço já mostrou pressão relevante das despesas financeiras. Ao mesmo tempo, a empresa possui liquidez elevada e um cronograma de amortizações concentrado no longo prazo.</p>
<h2>Próxima safra será o primeiro teste</h2>
<p>O novo financiamento chega enquanto as projeções oficiais continuam indicando uma produção agrícola brasileira elevada. O levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento mantém a safra 2025/26 em níveis historicamente altos, enquanto as estimativas do IBGE apontam expansão da produção de grãos em 2026 e crescimento da colheita de soja.</p>
<p>Esse ambiente é relevante para uma companhia cujo negócio depende diretamente da área plantada, do nível tecnológico adotado pelos produtores e da demanda por sementes de maior produtividade.</p>
<p>A Boa Safra não está tomando apenas uma decisão financeira. Ao buscar até R$ 332,45 milhões com prazo que se estende por 16 anos, a empresa está construindo capacidade para investir além de um único ciclo agrícola.</p>
<p>O mercado precisará observar agora se a autorização se converterá integralmente em contrato, quais condições financeiras serão pactuadas com a Finep e, principalmente, onde o capital será aplicado.</p>
<p>A diferença entre um financiamento que amplia valor e uma dívida que apenas aumenta o passivo estará na capacidade dos projetos financiados de gerar produtividade, margem e caixa ao longo dos próximos anos.</p>
<p>Com <strong>R$ 1,93 bilhão de dívida bruta, R$ 1,31 bilhão em liquidez e R$ 619,8 milhões de dívida líquida</strong>, a Boa Safra tem espaço financeiro para investir. O crédito da Finep amplia esse espaço de maneira significativa. O próximo passo será mostrar ao investidor exatamente o que a companhia pretende construir com ele.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Boa Safra Sementes — Resultados do 2º trimestre de 2026<br />
Boa Safra Sementes — Atas e deliberações do Conselho de Administração<br />
Comissão de Valores Mobiliários — Informações Trimestrais da Boa Safra em 30 de junho de 2026<br />
Finep — Condições Operacionais de Financiamento Reembolsável 2026<br />
Finep — Apoio Direto à Inovação</p>
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		<title>Abate de bovinos chega a 10,72 milhões no 2º trimestre; suínos avançam e frangos recuam</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/abate-de-bovinos-2-trimestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 21:46:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[abate de bovinos]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[bovinos]]></category>
		<category><![CDATA[carne]]></category>
		<category><![CDATA[frangos]]></category>
		<category><![CDATA[frigoríficos]]></category>
		<category><![CDATA[IBGE]]></category>
		<category><![CDATA[pecuária]]></category>
		<category><![CDATA[produção animal]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A pecuária brasileira manteve produção elevada no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, o país abateu 10,72 milhões de bovinos em estabelecimentos submetidos a algum tipo de inspeção sanitária, volume 1,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e 4,2% acima do primeiro trimestre deste ano. Os dados fazem parte das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>
<p>O crescimento foi ainda mais intenso quando se observa a quantidade de carne produzida. As carcaças bovinas somaram 2,76 milhões de toneladas no trimestre, alta de 3% na comparação anual e de 4,7% diante dos três primeiros meses do ano. Isso mostra que o aumento da produção não ocorreu apenas porque mais animais foram enviados aos frigoríficos. O peso médio das carcaças também ficou maior.</p>
<p>A relação entre o volume produzido e o número de animais abatidos resulta em aproximadamente 257,5 quilos de carcaça por bovino no segundo trimestre. Um ano antes, a média implícita estava perto de 253 quilos. Embora a diferença por animal pareça pequena, ela ganha relevância quando multiplicada por mais de 10 milhões de cabeças processadas em apenas três meses.</p>
<p>O resultado prolonga um período de oferta elevada na pecuária brasileira. Em 2025, o país já havia registrado recordes no abate de bovinos, suínos e frangos. No caso do gado, foram 42,94 milhões de cabeças no ano. O início de 2026 manteve esse ritmo: 10,29 milhões de bovinos foram abatidos no primeiro trimestre e outros 10,72 milhões entre abril e junho. Com isso, o primeiro semestre já acumula pouco mais de 21 milhões de cabeças.</p>
<h2>Produção de carne bovina cresce mais que o abate</h2>
<p>A diferença entre o avanço das cabeças abatidas e o crescimento das carcaças é um dos principais sinais do levantamento. Na comparação anual, o número de bovinos aumentou 1,3%, enquanto o peso total produzido avançou 3%. Na comparação trimestral, a mesma tendência aparece: 4,2% de crescimento no abate e 4,7% na produção de carcaças.</p>
<p>Esse comportamento indica que os frigoríficos receberam, em média, animais mais pesados. O levantamento do IBGE não atribui esse resultado a uma causa específica, já que fatores como genética, alimentação, manejo, idade de abate e condições comerciais podem influenciar o peso final. Ainda assim, o dado é relevante porque mostra que a expansão da oferta de carne foi superior à simples evolução do número de animais processados.</p>
<p>Em uma cadeia do tamanho da pecuária bovina brasileira, pequenas alterações no peso médio produzem efeitos expressivos sobre o volume disponível. Um ganho de poucos quilos por cabeça, aplicado a milhões de bovinos, transforma-se em dezenas de milhares de toneladas adicionais de carne. Isso ajuda a explicar por que a produção de carcaças cresceu mais rapidamente do que o abate no trimestre.</p>
<h2>Suínos também avançam e chegam a 15,58 milhões de cabeças</h2>
<p>O setor de suínos apresentou movimento semelhante. O país abateu 15,58 milhões de animais no segundo trimestre, alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2% frente ao primeiro trimestre deste ano. O peso das carcaças, porém, cresceu em ritmo mais forte e alcançou 1,49 milhão de toneladas, avanço de 4,8% em um ano e de 4,5% na comparação trimestral.</p>
<p>A partir desses volumes, o peso médio implícito ficou próximo de 95,6 quilos por suíno. No primeiro trimestre, a média calculada pelos mesmos parâmetros estava ao redor de 93 quilos. A diferença ajuda a entender por que a produção de carne suína aumentou mais do que o número de animais abatidos.</p>
<p>O desempenho reforça uma tendência comum às duas principais cadeias de mamíferos destinadas à produção de carne no período: além de mais animais chegarem aos frigoríficos, houve aumento no volume médio produzido por cabeça. Para a indústria, esse ganho tem impacto direto na quantidade final de carne colocada no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338300">mercado</a> sem necessidade de uma expansão proporcional do número de animais processados.</p>
<h2>Frango recua em cabeças, mas produz praticamente a mesma quantidade de carne</h2>
<p>A avicultura apresentou um quadro diferente. Foram abatidos 1,69 bilhão de frangos no segundo trimestre de 2026. O número ficou 2,8% acima do observado entre abril e junho do ano passado, mas caiu 1,2% em relação ao primeiro trimestre deste ano.</p>
<p>A queda trimestral no número de aves não se transformou, porém, em redução da produção de carne. O peso acumulado das carcaças chegou a 3,74 milhões de toneladas, resultado 5,1% superior ao de um ano antes e praticamente estável frente aos três primeiros meses de 2026, com avanço de 0,1%.</p>
<p>A explicação está novamente no peso médio. A relação entre as 3,74 milhões de toneladas produzidas e os 1,69 bilhão de frangos abatidos resulta em aproximadamente 2,21 quilos de carcaça por ave. No primeiro trimestre, essa média ficava próxima de 2,18 quilos. O aumento foi suficiente para compensar a redução na quantidade de animais.</p>
<p>Por isso, a queda do abate de frangos precisa ser vista com alguma cautela. O número de cabeças diminuiu na comparação com o início do ano, mas a disponibilidade física de carne praticamente não caiu. Na comparação anual, a cadeia continua em expansão, tanto em número de aves quanto no peso produzido.</p>
<h2>Frango continua à frente em volume total de carne</h2>
<p>Mesmo com o recuo trimestral nas cabeças, o frango permaneceu como a maior das três principais cadeias quando se considera exclusivamente o volume de carcaças. A produção chegou a 3,74 milhões de toneladas no segundo trimestre, ante 2,76 milhões de toneladas de bovinos e 1,49 milhão de toneladas de suínos.</p>
<p>Juntas, as três cadeias produziram aproximadamente 7,99 milhões de toneladas no período. Desse total, o frango respondeu por cerca de 47%, os bovinos por aproximadamente 35% e os suínos por algo próximo de 19%. As proporções servem apenas para mostrar o peso físico de cada atividade e não representam participação em faturamento, exportações ou valor agregado, já que os preços e os mercados das três proteínas são bastante diferentes.</p>
<p>A escala da avicultura também ajuda a explicar por que pequenas mudanças no peso médio das aves têm efeitos importantes sobre a oferta. Quando mais de 1,6 bilhão de animais são abatidos em um único trimestre, uma variação de poucas dezenas de gramas por unidade pode produzir uma diferença relevante na quantidade final de carne.</p>
<h2>Aquisição de leite cai, enquanto couro e ovos avançam</h2>
<p>Fora dos frigoríficos, os resultados foram mistos. Os estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária adquiriram 6,61 bilhões de litros de leite cru no segundo trimestre. O volume ficou 1% acima do registrado no mesmo período de 2025, mas caiu 2,5% em relação ao primeiro trimestre deste ano.</p>
<p>A diferença corresponde a uma redução aproximada de 170 milhões de litros frente aos três primeiros meses de 2026. O dado, porém, precisa ser analisado levando em consideração a sazonalidade da atividade leiteira, que responde às condições das pastagens, regime de chuvas, alimentação do rebanho, custos de produção e preços pagos aos produtores.</p>
<p>Na indústria do couro, os curtumes pesquisados pelo IBGE receberam 10,96 milhões de peças inteiras de couro cru bovino no segundo trimestre, alta de 1,9% tanto na comparação anual quanto em relação ao trimestre imediatamente anterior. A pesquisa considera estabelecimentos que realizam o curtimento de pelo menos 5 mil unidades inteiras de couro cru bovino por ano.</p>
<p>O volume recebido pelos curtumes ficou próximo do número de bovinos abatidos no trimestre, mas os dois indicadores não podem ser relacionados diretamente animal por animal. Diferenças de estoque, tempo entre o abate e o processamento e a própria cobertura estatística das pesquisas impedem esse tipo de equivalência.</p>
<p>Já a produção de ovos de galinha alcançou 1,25 bilhão de dúzias, alta de 0,3% sobre o segundo trimestre de 2025 e de 2,6% frente ao primeiro trimestre de 2026. Convertido para unidades, o resultado corresponde a aproximadamente 15 bilhões de ovos produzidos entre abril e junho.</p>
<h2>Dados mostram oferta de carne ainda elevada em 2026</h2>
<p>O conjunto dos números mostra que a produção animal brasileira entrou no segundo semestre em nível elevado. Bovinos e suínos registraram crescimento tanto no número de animais abatidos quanto no volume de carcaças, enquanto a avicultura conseguiu manter a produção de carne mesmo com uma redução trimestral nas cabeças processadas.</p>
<p>O ponto comum às três cadeias foi o aumento do peso médio das carcaças. Nos bovinos, o ganho ajudou a fazer a produção crescer mais que o abate. Nos suínos, a diferença foi ainda maior. No frango, o aumento do peso médio compensou a queda no número de aves e evitou uma retração na quantidade de carne produzida.</p>
<p>Esses movimentos têm impacto além das propriedades rurais e dos frigoríficos. A oferta de proteína animal influencia preços ao consumidor, exportações, demanda por transporte e a utilização de milho e soja na fabricação de ração, especialmente para aves e suínos. Também afeta atividades associadas, como couro, logística e processamento de alimentos.</p>
<p>Depois dos recordes observados em 2025, os dados do segundo trimestre indicam que a pecuária brasileira continua operando em ritmo forte em 2026. O avanço não aparece apenas na quantidade de animais levados ao abate, mas também na capacidade de produzir mais carne por cabeça — uma diferença que, diante da escala do setor, pode alterar de forma relevante a oferta final de proteínas no país.</p>
<p><strong>Fontes:</strong> Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha referentes ao segundo trimestre de 2026; IBGE — resultados consolidados da produção pecuária de 2025 e do primeiro trimestre de 2026.</p>
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		<title>Boa Safra (SOJA3) dispara quase 20% após carteira recorde de R$ 1,8 bilhão; veja o que animou o mercado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/boa-safra-soja3-carteira-recorde-resultados-2t26</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 15:56:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ações]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Boa Safra]]></category>
		<category><![CDATA[BTG Pactual]]></category>
		<category><![CDATA[carteira de pedidos]]></category>
		<category><![CDATA[resultados 2T26]]></category>
		<category><![CDATA[Sementes]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
		<category><![CDATA[SOJA3]]></category>
		<category><![CDATA[XP Investimentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As ações da Boa Safra (SOJA3) chegaram a avançar quase 20% nesta segunda-feira (17), na primeira reação da Bolsa ao balanço do segundo trimestre de 2026, depois de a companhia apresentar uma carteira de pedidos recorde de R$ 1,8 bilhão, forte expansão do Ebitda ajustado e uma dinâmica de caixa significativamente melhor que a esperada [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As ações da Boa Safra (SOJA3) chegaram a avançar quase 20% nesta segunda-feira (17), na primeira reação da Bolsa ao balanço do segundo trimestre de 2026, depois de a companhia apresentar uma carteira de pedidos recorde de R$ 1,8 bilhão, forte expansão do Ebitda ajustado e uma dinâmica de caixa significativamente melhor que a esperada pelo mercado.</p>
<p>Por volta das 12h16, SOJA3 era negociada a R$ 5,89, em alta de 17,1%, depois de atingir máxima intradiária de R$ 6,04. O fechamento anterior havia ocorrido a R$ 5,03. A reação veio depois da divulgação dos resultados na sexta-feira (14), após o encerramento do pregão.</p>
<p>A Boa Safra encerrou o trimestre com receita líquida próxima de R$ 125 milhões, crescimento de 23% sobre o mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado atingiu aproximadamente R$ 28 milhões, avanço de 504%, enquanto o lucro líquido ficou em cerca de R$ 3 milhões, revertendo o prejuízo registrado um ano antes.</p>
<p>Os números contábeis, porém, explicam apenas parte da valorização. O segundo trimestre é sazonalmente pouco representativo para a Boa Safra porque boa parte das sementes produzidas nessa etapa será entregue aos agricultores durante o segundo semestre. Por isso, investidores concentraram a atenção na carteira contratada, no capital de giro e na capacidade da empresa de converter a expansão realizada nos últimos anos em rentabilidade e caixa. Esse também era o principal foco apontado no material que motivou a pauta.</p>
<h2>Carteira chega a R$ 1,8 bilhão, mas soja recua 12%</h2>
<p>A carteira total de pedidos atingiu R$ 1,8 bilhão ao fim de junho, maior nível já registrado pela Boa Safra e 4% superior ao observado no mesmo período do ano passado. O crescimento, entretanto, apresenta uma composição diferente daquela que sustentou a expansão histórica da companhia.</p>
<p>Os pedidos de sementes de soja, principal negócio do grupo, recuaram 12% e ficaram próximos de R$ 1,47 bilhão. Segundo a empresa e analistas que acompanham o papel, produtores estão postergando decisões de compra para a safra 2026/27, reduzindo a velocidade de contratação em relação ao ciclo anterior.</p>
<p>O avanço da carteira total ocorreu porque outras culturas, serviços e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338086">negócios</a> compensaram essa retração. Os pedidos fora do núcleo tradicional da soja saltaram de aproximadamente R$ 52 milhões para R$ 337 milhões em um ano.</p>
<p>Isso representa crescimento de cerca de <strong>548%</strong>, ou uma multiplicação de quase 6,5 vezes.</p>
<p>Esses novos negócios já correspondem a aproximadamente <strong>19% da carteira total</strong>, ante uma participação muito menor no ano anterior. A soja continua dominante, com mais de 80% dos pedidos, mas a expansão das demais linhas começa a reduzir a concentração econômica da companhia em uma única cultura.</p>
<p>Para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338085">mercado</a>, essa diversificação é um dos elementos positivos do resultado. Ela pode suavizar parte da volatilidade provocada pelos ciclos de compra da soja e ampliar a utilização da estrutura construída pela Boa Safra durante seu período de forte expansão.</p>
<p>A XP classificou o crescimento de 4% do backlog como modesto, mas coerente com a estratégia atual de preservar participação de mercado enquanto a companhia tenta capturar ganhos de escala e eficiência depois da expansão executada em 2025.</p>
<h2>Ebitda cresce 504% e margem chega perto de 22%</h2>
<p>A melhora operacional também chamou atenção.</p>
<p>O Ebitda ajustado passou de aproximadamente R$ 4,6 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 27,7 milhões no 2T26, avanço de 504%. Com receita líquida de cerca de R$ 124,7 milhões, a margem Ebitda ajustada ficou próxima de <strong>22%</strong>.</p>
<p>A expansão foi muito superior ao crescimento da receita, sinalizando melhora relevante na estrutura de custos e despesas.</p>
<p>Antes da divulgação, a XP projetava Ebitda de apenas R$ 14 milhões. O resultado efetivo ficou praticamente <strong>duas vezes acima da estimativa da corretora</strong>. A receita, por outro lado, ficou próxima do esperado: a casa projetava R$ 124 milhões.</p>
<p>Essa diferença ajuda a explicar por que o mercado reagiu mais ao resultado operacional do que ao lucro líquido relativamente pequeno.</p>
<p>A administração passou 2026 tentando capturar benefícios da escala conquistada no ano passado, quando a Boa Safra adotou estratégia agressiva para ganhar participação em um mercado no qual alguns concorrentes estavam retraindo operações. A expansão comercial elevou despesas e exigiu capital de giro, pressionando o caixa.</p>
<p>Agora, a tese depende de converter essa estrutura maior em margens mais altas.</p>
<p>Entre as iniciativas estão otimização do portfólio genético, redução de sobras de sementes e maior eficiência operacional. Sobras são particularmente importantes no setor porque sementes não comercializadas dentro do ciclo adequado podem gerar perdas de margem e necessidade de provisões.</p>
<h2>Caixa surpreende mais que lucro do trimestre</h2>
<p>O ponto que talvez tenha produzido a maior mudança de percepção foi o caixa.</p>
<p>Segundo os cálculos da XP, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 79 milhões. Ainda houve consumo de recursos, mas a corretora esperava uma queima de aproximadamente R$ 200 milhões.</p>
<p>A diferença favorável foi de <strong>R$ 121 milhões</strong>.</p>
<p>A XP também afirmou que a qualidade do crédito permaneceu sob controle, sem deterioração inesperada da inadimplência. Para os analistas, essa combinação pode contribuir para a redução da alavancagem nos próximos períodos.</p>
<p>O fluxo de caixa operacional apresentou uma mudança ainda mais expressiva. O indicador ficou positivo em aproximadamente R$ 304 milhões, ante consumo de R$ 213 milhões no mesmo trimestre do ano passado.</p>
<p>A virada entre os dois períodos é de cerca de <strong>R$ 517 milhões</strong>.</p>
<p>Boa parte dessa diferença veio do capital de giro. A companhia registrou liberação próxima de R$ 315 milhões, em contraste com a forte absorção observada anteriormente.</p>
<p>Um dos itens que mais mudaram foram os adiantamentos a fornecedores. Essa linha havia consumido aproximadamente R$ 552 milhões no segundo trimestre de 2025, principalmente por pagamentos antecipados ligados a royalties. No 2T26, o consumo ficou próximo de apenas R$ 10 milhões.</p>
<p>É uma melhora relevante, mas também está no centro das dúvidas do mercado.</p>
<p>O BTG Pactual considera a dinâmica positiva, mas avalia que ainda é necessário entender quanto da diferença reflete uma mudança estrutural do ciclo financeiro e quanto representa simplesmente deslocamento de pagamentos entre trimestres.</p>
<p>Se parte relevante do benefício for apenas <em>timing</em>, alguma necessidade de caixa poderá reaparecer nos próximos períodos.</p>
<h2>Estoques de R$ 622 milhões antecipam trimestre mais importante</h2>
<p>Outro indicador importante para entender a sazonalidade está nos estoques.</p>
<p>A Boa Safra encerrou junho com aproximadamente R$ 622 milhões em estoques de sementes de soja, montante que será gradualmente convertido em entregas e receita à medida que produtores avançarem no plantio da próxima safra.</p>
<p>Isso torna o segundo semestre muito mais importante que o resultado isolado apresentado agora.</p>
<p>O 2T26 funciona, em grande medida, como período de preparação operacional: a companhia produz, beneficia, armazena e vende antecipadamente sementes que serão entregues posteriormente.</p>
<p>É por isso que uma carteira de R$ 1,8 bilhão não pode ser comparada diretamente com a receita de apenas R$ 125 milhões registrada no trimestre.</p>
<p>O backlog representa vendas contratadas que ainda precisam cumprir condições operacionais e ser reconhecidas como receita.</p>
<p>Essa conversão será um dos principais indicadores observados pelo mercado no terceiro e no quarto trimestres.</p>
<h2>2025 deixou um alerta sobre conversão da carteira</h2>
<p>O tamanho da carteira, isoladamente, não elimina os riscos. A própria experiência recente da Boa Safra criou uma referência importante. Em 2025, uma carteira robusta não se converteu integralmente na performance esperada no terceiro trimestre, período em que problemas de execução e qualidade prejudicaram o desempenho.</p>
<p>A companhia entrou em 2026 justamente com o objetivo de corrigir essas deficiências. Por isso, analistas veem o backlog recorde como condição necessária para resultados melhores, mas não suficiente.</p>
<p>É necessário demonstrar capacidade de produzir, entregar e faturar a carteira mantendo margens, reduzindo sobras e evitando nova pressão de capital de giro.</p>
<p>A queda de 12% nos pedidos de soja adiciona uma segunda variável. Se os produtores estiverem apenas adiando compras, parte desse volume ainda pode entrar na carteira. Se houver efetivamente menor demanda ou pressão competitiva, o crescimento das outras atividades terá de compensar um núcleo muito maior do negócio.</p>
<h2>Alavancagem impede BTG de adotar recomendação de compra</h2>
<p>A diferença entre XP e BTG ajuda a mostrar como o balanço pode ser considerado positivo sem eliminar as preocupações estruturais.</p>
<p>A XP mantém recomendação de compra para SOJA3 e preço-alvo de R$ 11,80. O valor representa aproximadamente o dobro da cotação observada nesta segunda-feira.</p>
<p>O BTG Pactual também tem preço-alvo elevado em relação ao preço de mercado, de R$ 12, mas mantém recomendação neutra. A própria Boa Safra lista essas recomendações em sua página oficial de cobertura de analistas.</p>
<p>A cautela do banco está relacionada principalmente à execução e ao endividamento.</p>
<p>A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado permanece elevada, em torno de 4,3 vezes segundo a análise divulgada após o balanço. Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, alavancagem elevada aumenta as despesas financeiras e reduz a margem para erros operacionais.</p>
<p>O lucro líquido baixo mesmo diante da forte recuperação do Ebitda mostra parte desse efeito.</p>
<p>A companhia gerou avanço operacional significativo, mas os custos financeiros absorvem parcela importante dessa melhora antes que ela chegue ao resultado final.</p>
<h2>Alta de quase 20% antecipa parte da melhora</h2>
<p>A valorização desta segunda-feira muda também a relação entre risco e retorno no curtíssimo prazo.</p>
<p>SOJA3 iniciou o pregão a R$ 5,31, atingiu R$ 6,04 e era negociada a R$ 5,89 por volta das 12h16. Mesmo depois do salto, o papel continua muito abaixo da máxima de 52 semanas, superior a R$ 10.</p>
<p>A reação mostra que parte do mercado estava posicionada para um resultado pior, especialmente em caixa e eficiência operacional.</p>
<p>Mas os próximos gatilhos serão menos dependentes do balanço já conhecido.</p>
<p>O primeiro será a teleconferência do 2T26, programada pela companhia para esta segunda-feira às 14h, quando executivos poderão detalhar carteira, capital de giro, demanda por soja e perspectivas para a safra.</p>
<p>Depois, o mercado precisará acompanhar a conversão dos R$ 1,8 bilhão de pedidos em receita e caixa.</p>
<p>A Boa Safra entregou no segundo trimestre três sinais que investidores buscavam: carteira recorde, melhora de eficiência e menor pressão de caixa. O desafio agora é provar que esses sinais são permanentes.</p>
<p>A valorização de SOJA3 mostra que a Bolsa passou a atribuir maior probabilidade a essa recuperação. A queda nos pedidos de soja, a alavancagem e a necessidade de transformar backlog em entregas, porém, significam que o segundo semestre continua sendo o teste decisivo da tese.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Boa Safra Sementes — release de resultados, demonstrações financeiras e informações operacionais do segundo trimestre de 2026.</em></p>
<p><em>Boa Safra Sementes — cobertura oficial de analistas e calendário de eventos corporativos.</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — documentos do resultado do segundo trimestre de 2026 apresentados pela Boa Safra.</em></p>
<p><em>XP Investimentos — análise dos resultados do segundo trimestre de 2026, estimativas de caixa e avaliação da carteira de pedidos.</em></p>
<p><em>BTG Pactual — cobertura de Boa Safra, recomendação e preço-alvo para SOJA3.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>TEMPOCAMPO completa 10 anos levando ciência climática da Esalq ao produtor rural</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/tempocampo-esalq-ciencia-climatica-agricultura</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 19:24:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[El Niño]]></category>
		<category><![CDATA[Esalq]]></category>
		<category><![CDATA[Milho]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
		<category><![CDATA[TEMPOCAMPO]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O TEMPOCAMPO, sistema desenvolvido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), completa dez anos em 2026 com uma mudança de escala e de função: criado para transformar dados meteorológicos em projeções de produtividade agrícola, o projeto passou a combinar modelagem agroclimática, pesquisa científica e comunicação direta com produtores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O TEMPOCAMPO, sistema desenvolvido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), completa dez anos em 2026 com uma mudança de escala e de função: criado para transformar dados meteorológicos em projeções de produtividade agrícola, o projeto passou a combinar modelagem agroclimática, pesquisa científica e comunicação direta com produtores de soja, milho e cana-de-açúcar.</p>
<p>Coordenado pelo professor Fábio Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq, o sistema começou a oferecer suporte a produtores e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338012">empresas</a> em 2016. Documentos técnicos dos primeiros anos mostram uma infraestrutura baseada em bancos de dados meteorológicos de regiões produtoras brasileiras e modelos calibrados para diferentes ambientes de produção. A proposta era calcular como a variabilidade climática poderia alterar o desempenho das lavouras antes da colheita.</p>
<p>Uma década depois, o projeto soma 10 dissertações de mestrado, nove teses de doutorado e 29 artigos científicos com revisão por pares relacionados às pesquisas desenvolvidas a partir da plataforma. São, portanto, 48 trabalhos acadêmicos entre artigos, dissertações e teses, além da aplicação operacional dos modelos e da produção de conteúdo de extensão rural.</p>
<p>A expansão ocorre em um momento especialmente sensível para a agricultura brasileira. Nesta sexta-feira, 14 de agosto, o Instituto Nacional de Meteorologia informou que novas projeções indicam probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos trimestres. Segundo o INMET, há ainda 69% de probabilidade de o episódio se tornar o mais intenso registrado desde 1950.</p>
<h2>De previsão meteorológica a impacto sobre a produtividade</h2>
<p>O diferencial do TEMPOCAMPO está em não limitar a informação ao prognóstico de chuva ou temperatura. O sistema procura traduzir variáveis meteorológicas em efeito potencial sobre o desenvolvimento das culturas, permitindo que o produtor avalie o impacto climático dentro do planejamento agrícola.</p>
<p>Nos boletins técnicos publicados nos primeiros anos, a plataforma descrevia o processamento diário de dados climáticos de diferentes regiões produtoras e o uso de modelos mecanísticos calibrados para ambientes específicos. A metodologia reuniu variáveis meteorológicas em um indicador denominado Coeficiente de Produtividade Climática, ou CPC.</p>
<p>O indicador foi estruturado para representar a variação de produtividade associada ao clima entre uma safra e outra. Em vez de exigir que o usuário interprete isoladamente chuva, temperatura, radiação, umidade e outros componentes, o modelo procura estimar como o conjunto das condições meteorológicas pode afetar a cultura.</p>
<p>Um boletim de cana-de-açúcar publicado em julho de 2017 mostra como a ferramenta era aplicada. Naquele momento, as simulações apontavam possibilidade de aumento de produtividade em partes de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo e perdas em áreas do Mato Grosso do Sul, Paraná e oeste paulista. Não se tratava simplesmente de prever se choveria, mas de transformar as condições observadas e projetadas em cenários de desempenho agrícola.</p>
<p>A lógica permanece no centro da plataforma em 2026. Segundo Marin, o objetivo é transformar dados complexos em informações que possam ser incorporadas ao cotidiano das propriedades. A aplicação pode alcançar decisões sobre manejo, planejamento da produção, avaliação de risco e preparação para eventos climáticos adversos.</p>
<h2>El Niño aumenta importância da informação climática</h2>
<p>O aniversário de dez anos coincide com uma mudança relevante no Pacífico Equatorial. O El Niño voltou a se estabelecer em junho e avançou rapidamente. A atualização divulgada pelo INMET nesta sexta-feira aponta probabilidade de pelo menos 90% de um episódio muito forte nos trimestres setembro-outubro-novembro, outubro-novembro-dezembro e novembro-dezembro-janeiro.</p>
<p>O instituto informa que os primeiros efeitos já apareceram no Sul do Brasil, onde as chuvas de julho ficaram entre 30% e 90% acima da média, dependendo da localidade. A expectativa é de permanência do fenômeno pelo menos até março de 2027, com tendência de continuidade de volumes elevados de chuva no Sul e maior irregularidade, com totais abaixo da média, nas regiões Norte e Nordeste a partir de outubro.</p>
<p>Esse tipo de assimetria regional ajuda a explicar por que uma previsão nacional é insuficiente para a tomada de decisão agrícola. O mesmo fenômeno oceânico pode elevar o risco de excesso hídrico em determinada região e aumentar a possibilidade de deficiência de água em outra. O impacto também varia conforme cultura, estágio fenológico, tipo de solo, época de plantio e capacidade de manejo.</p>
<p>O TEMPOCAMPO vem incorporando justamente essa discussão às atividades de extensão. O boletim de agosto, produzido conjuntamente pela TV USP Piracicaba e pelo sistema da Esalq, apresenta previsões para agosto, setembro e outubro, além de um balanço das condições meteorológicas observadas em julho.</p>
<p>A plataforma também passou a tratar do El Niño em conteúdos específicos. Em maio, Marin participou de uma produção da Esalq dedicada aos possíveis impactos do fenômeno sobre o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338013">agronegócio</a> brasileiro. A estratégia aproxima o projeto de uma função que vai além da construção de modelos: explicar ao produtor o grau de incerteza das projeções e os caminhos de adaptação possíveis.</p>
<h2>Safra recorde aumenta valor econômico da previsão</h2>
<p>O contexto produtivo amplia a relevância desse tipo de tecnologia. A Companhia Nacional de Abastecimento estima que o Brasil colherá 360,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, volume 2,4% superior ao ciclo anterior e equivalente a um acréscimo de 8,5 milhões de toneladas. A área cultivada alcança 83,5 milhões de hectares.</p>
<p>A soja, uma das culturas cobertas pelo TEMPOCAMPO, deve atingir 180,5 milhões de toneladas. Para o milho, também atendido pelo sistema, a projeção é de 143 milhões de toneladas considerando as diferentes safras do cereal. A dimensão desses números significa que pequenas diferenças de produtividade provocadas pelo clima podem se transformar em milhões de toneladas de variação na oferta.</p>
<p>A própria Conab identificou nesta temporada impactos negativos das condições climáticas sobre lavouras em partes do Nordeste. Esse quadro evidencia uma característica central do risco agropecuário: a produção nacional pode atingir recordes enquanto determinadas regiões ou culturas enfrentam perdas localizadas.</p>
<p>Para o produtor, antecipar esse risco pode influenciar decisões de plantio, contratação de insumos, irrigação, manejo, comercialização e proteção financeira. Para cooperativas, tradings, indústrias e instituições financeiras, projeções de produtividade também podem alterar avaliações sobre oferta, logística, necessidade de crédito e exposição regional.</p>
<p>Os modelos não eliminam a incerteza. Previsões climáticas e agrícolas trabalham com probabilidades e cenários, e mudanças nas condições meteorológicas durante o ciclo podem alterar o resultado inicialmente projetado. O valor da ferramenta está justamente em substituir uma decisão baseada apenas na percepção por outra apoiada em dados e hipóteses mensuráveis.</p>
<h2>Projeto amplia presença fora do ambiente acadêmico</h2>
<p>Se os primeiros anos do TEMPOCAMPO foram marcados por boletins técnicos e desenvolvimento dos modelos, a segunda metade da década trouxe maior ênfase à comunicação. A Esalq informa que os vídeos relacionados ao sistema acumulam mais de 130 mil visualizações quando considerados os conteúdos publicados no canal de Marin e na TV USP Piracicaba.</p>
<p>Desde maio, o projeto também passou a integrar mensalmente o programa AGROCULTURA, da TV Cultura, em quadro produzido pela TV USP Piracicaba. A participação apresenta perspectivas para o mês seguinte e cenários climáticos destinados a orientar decisões no campo. O projeto mantém ainda o TEMPOCAMPO Responde, voltado ao contato com produtores.</p>
<p>A evolução revela uma mudança na própria forma de transferência de tecnologia. Em 2017, os documentos do sistema eram predominantemente boletins técnicos com mapas, tabelas e cenários de produtividade. Em 2026, a mesma base científica passa a circular também em vídeos, televisão e redes digitais, numa tentativa de reduzir a distância entre o conhecimento produzido na universidade e quem decide diariamente na propriedade rural.</p>
<p>A produção acadêmica associada ao projeto reforça essa dupla função. As 10 dissertações, nove teses e 29 artigos representam a vertente de pesquisa, enquanto os boletins e canais de comunicação cumprem a função de extensão — uma combinação particularmente relevante em agrometeorologia, área em que o dado científico somente produz efeito econômico quando chega a tempo de influenciar uma decisão.</p>
<h2>Dez anos mostram mudança na gestão do risco agrícola</h2>
<p>A trajetória do TEMPOCAMPO coincide com a incorporação crescente do risco climático à gestão das propriedades. Solo, genética, fertilização e manejo continuam determinantes da produtividade, mas eventos de seca, excesso de chuva, calor e irregularidade das precipitações podem alterar significativamente o resultado de uma safra mesmo quando os demais fatores estão controlados.</p>
<p>Marin avalia que o clima historicamente recebeu atenção menor do que outros componentes do sistema produtivo. A proposta do projeto é justamente tornar essa variável mais operacional, de modo que a informação meteorológica deixe de ser apenas um dado externo e passe a integrar o processo de planejamento.</p>
<p>A intensificação do El Niño em 2026 dá dimensão prática a esse desafio. O episódio pode produzir consequências diferentes entre regiões brasileiras e continuará sendo monitorado ao longo dos próximos meses. Para uma agricultura que deve colher mais de 360 milhões de toneladas de grãos nesta temporada, entender onde e como o clima pode modificar a produtividade passa a ter impacto não apenas agronômico, mas também financeiro e logístico.</p>
<p>Depois de uma década, o TEMPOCAMPO chega a esse cenário com uma estrutura que combina simulação, acompanhamento agrometeorológico, pesquisa e comunicação. O teste para os próximos anos será ampliar a capacidade de converter previsões cada vez mais complexas em decisões específicas, regionalizadas e tomadas antes que o risco climático se transforme em perda efetiva no campo.<code></code></p>
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		<item>
		<title>Adecoagro (AGRO) registra Ebitda ajustado recorde de US$ 172,5 milhões no 2T26</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/adecoagro-agro-registra-ebitda-ajustado-recorde-de-us-1725-milhoes-no-segundo-trimestre</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 22:52:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Adecoagro S.A. (AGRO) reportou Ebitda ajustado recorde de US$ 172,5 milhões no segundo trimestre de 2026 e de US$ 258,3 milhões no acumulado de seis meses, com desempenho impulsionado pela operação de fertilizantes, maior produção de ureia e maior disponibilidade de cana. O resultado foi divulgado pela companhia em 11 de agosto de 2026, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Adecoagro S.A. (AGRO) reportou Ebitda ajustado recorde de US$ 172,5 milhões no segundo trimestre de 2026 e de US$ 258,3 milhões no acumulado de seis meses, com desempenho impulsionado pela operação de fertilizantes, maior produção de ureia e maior disponibilidade de cana. O resultado foi divulgado pela companhia em 11 de agosto de 2026, após o fechamento do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337952">mercado</a> em Nova York, como o maior da série trimestral e marca a consolidação da aquisição da Profertil concluída em dezembro de 2025.</p>
<p>Segundo o documento de resultados divulgado pela companhia, as vendas brutas ficaram praticamente em linha com o ano anterior nos dois períodos, enquanto a geração de caixa operacional avançou de forma relevante. O lucro operacional foi sustentado pela combinação de preços internacionais de ureia mais elevados, diluição de custos fixos na indústria e estratégia de maximização de etanol no cluster de Mato Grosso do Sul.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Fertilizantes sustentam recorde com ureia a US$ 699 por tonelada</h2>
<p>O segmento de Fertilizantes respondeu pela maior parcela do resultado. Conforme o release de resultados, o Ebitda ajustado da divisão alcançou US$ 121,2 milhões no segundo trimestre e US$ 173,8 milhões no primeiro semestre, com altas de 109,7% e de 148,5% em base pro forma, respectivamente. O avanço foi sustentado por produção de ureia 21,6% maior na comparação anual e preço médio realizado de US$ 699 por tonelada no trimestre.</p>
<p>O desempenho reflete a mudança de escala após a aquisição da Profertil. A planta argentina tem capacidade para produzir até 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano e atende parcela relevante da demanda doméstica daquele país. De acordo com o balanço do primeiro trimestre, o preço médio de venda já havia subido de US$ 444 por tonelada no primeiro trimestre de 2025 para US$ 517 por tonelada no primeiro trimestre de 2026, antes de acelerar no segundo trimestre.</p>
<p>A companhia informou ainda que, desde o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro de 2026, os preços internacionais de ureia avançaram cerca de 55%, com o CFR Brasil negociado em torno de US$ 725 por tonelada em média. Como grande parte da base de custos, principalmente gás natural, permanece fixa, a receita incremental flui diretamente para o Ebitda, com expansão de margem. O documento do primeiro trimestre já projetava Ebitda ajustado mais forte que o antecipado em 2026, com desempenho acima de anos anteriores.</p>
<p>No primeiro trimestre, o segmento havia registrado Ebitda ajustado de US$ 52,5 milhões, o que em base pro forma representava aumento de 4,3 vezes em relação ao mesmo período de 2025, assumindo que a aquisição da Profertil tivesse ocorrido em 1º de janeiro de 2025. O balanço do primeiro trimestre indicava também vendas 67,8% maiores em base anual na divisão, com 69,5 mil toneladas adicionais comercializadas e custo de produção menor por maior diluição e compras spot de gás a preços mais competitivos.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Açúcar, etanol e energia mantém moagem em alta com mix alcooleiro</h2>
<p>A operação de Açúcar, Etanol e Energia registrou Ebitda ajustado de US$ 53,2 milhões no segundo trimestre e de US$ 93,8 milhões no semestre, com recuo de 21,8% e de 4,2% na comparação anual, apesar de maior moagem e mix de etanol de 78%. O segmento de Alimentos e Agricultura entregou Ebitda ajustado de US$ 4,9 milhões no trimestre e de US$ 6,2 milhões no semestre.</p>
<p>Segundo dados do release do primeiro trimestre, a companhia já havia estabelecido recorde de moagem para um primeiro trimestre, com 2,2 milhões de toneladas, alta de 49,1% na comparação anual, com produtividade de 105 toneladas por hectare ante 53 toneladas por hectare no mesmo período do ano anterior. O conteúdo de ATR por tonelada recuou 9,0%, mas o rendimento por hectare avançou 79,5%.</p>
<p>A estratégia de maximizar etanol se manteve. No primeiro trimestre, a divisão operou com mix de 4% de açúcar e 96% de etanol, refletindo flexibilidade operacional e prêmio do etanol sobre o açúcar em Mato Grosso do Sul, de 32% para o hidratado e 50% para o anidro naquele período. No segundo trimestre, a companhia processou 3,5 milhões de toneladas de cana, alta de 2,8% na comparação anual, e acumula 5,8 milhões de toneladas no ano, crescimento de 16,8%.</p>
<p>De acordo com o documento de resultados, 41% da produção acumulada de etanol no ano estava armazenada para captura de preços mais elevados no futuro, prática recorrente da companhia que utiliza capacidade de armazenagem para vender como hidratado ou desidratar e converter em anidro conforme demanda doméstica e de exportação. A energia exportada totalizou 120 mil MWh no primeiro trimestre, alta de 113,4%, explicada pelo maior volume de moagem e uso de bagaço estocado.</p>
<p>Os custos de produção também pressionaram o segmento. O custo unitário acumulado no ano subiu para 10,4 centavos de <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337951">dólar</a> por libra-peso no segundo trimestre, avanço de 16%, pressionado principalmente pela valorização do real e pelo diesel mais caro. No primeiro trimestre, o custo já havia sido de 12,9 centavos por libra ante 11,1 centavos no mesmo intervalo de 2025, impactado pela apreciação do real, antecipação de despesas agrícolas normalmente concentradas mais tarde no ano e menor diluição por menor teor de ATR por tonelada de cana.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Alavancagem cai para 3,0 vezes após pico sazonal</h2>
<p>Em base pro forma, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos doze meses melhorou de 3,2 vezes no primeiro trimestre para 3,0 vezes no segundo trimestre, à medida que o Ebitda mais elevado sustentou o processo de desalavancagem. A posição de dívida líquida havia alcançado US$ 1,627 bilhão em 31 de março de 2026, com alta de 45,3% na comparação trimestral.</p>
<p>Conforme o balanço do primeiro trimestre, o aumento refletiu o pagamento de cerca de US$ 400 milhões referente ao saldo da aquisição da Profertil, além da sazonalidade típica de capital de giro associada a plantio e colheita no segmento de Alimentos e Agricultura no primeiro semestre. A estrutura de endividamento era composta por US$ 341,3 milhões em dívida de curto prazo e US$ 1,515 bilhão em dívida de longo prazo, totalizando dívida bruta de US$ 1,857 bilhão, com caixa e equivalentes de US$ 172,3 milhões e investimentos de curto prazo de US$ 57,0 milhões.</p>
<p>O capex de manutenção somou US$ 51,4 milhões no primeiro trimestre, recuo de 5,5% na comparação anual e de 18,6% em base pro forma, relacionado principalmente à renovação de máquinas agrícolas e industriais nas operações de açúcar, etanol e energia e ao plantio de renovação de 5.862 hectares de cana. O capex de expansão totalizou US$ 433,5 milhões no trimestre, dos quais US$ 396,3 milhões se referiam ao pagamento remanescente pela aquisição de 90% de participação na Profertil.</p>
<p>A companhia reafirmou a intenção de continuar reduzindo o índice de alavancagem por meio de maior geração de Ebitda ajustado, principalmente nas operações de fertilizantes, com liberação sazonal de capital de giro ao longo do segundo semestre.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Mudança de segmentos e integração da Profertil alteram perfil</h2>
<p>Desde 1º de janeiro de 2026, a Adecoagro opera com três segmentos reportáveis: Açúcar, Etanol e Energia, Fertilizantes, que captura os resultados da Profertil, e Alimentos e Agricultura, que consolida as atividades agrícolas e de alimentos anteriormente geridas por verticais separadas, incluindo Grãos, Arroz e Laticínios. A redefinição foi comunicada no release de resultados do ano de 2025 e detalhada no relatório anual.</p>
<p>A aquisição da Profertil foi concluída em 15 de dezembro de 2025, com a compra da participação de 50% detida pela YPF, tornando-se acionista controladora com 90% do capital, enquanto a Asociación de Cooperativas Argentinas mantém 10%. O valor pago pela participação foi de aproximadamente US$ 1,1 bilhão, financiado com caixa existente, linha de crédito de longo prazo e recursos de emissão de ações de US$ 300 milhões, com 41.379.311 ações a US$ 7,25 por ação, ancorada por compromisso de US$ 220 milhões do acionista controlador Tether Investments e US$ 26 milhões de administração e familiares.</p>
<p>Segundo o formulário anual, o Ebitda ajustado pro forma de 2025 teria sido de US$ 467,2 milhões, ante US$ 276,7 milhões reportados em base histórica, refletindo a incorporação integral da Profertil. A companhia projeta vendas superiores a US$ 2 bilhões e quase duplicação do Ebitda ajustado após a integração, com 91 dias de parada programada registrados em 2025 e expectativa de recuperação de produtividade em 2026.</p>
<p>A Adecoagro possui mais de 210 mil hectares próprios e administra mais de 600 mil hectares, além de ativos industriais ligados às diferentes etapas da produção, com sede em Luxemburgo e listagem na Bolsa de Nova York. As operações estão distribuídas em regiões produtivas da Argentina, Brasil e Uruguai, com produção de açúcar, etanol, energia renovável, grãos, arroz, leite e fertilizantes.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Preços, hedge e expansão em Mato Grosso do Sul</h2>
<p>No lado comercial, a companhia informou que 65% da produção de açúcar estava protegida por hedge a preço médio de 15,7 centavos de dólar por libra-peso na data do release do primeiro trimestre, com ritmo de moagem em linha para atingir a meta anual e perspectiva de crescimento de dois dígitos baixo no volume de moagem em 2026 versus 2025, assumindo clima normal.</p>
<p>A expansão do cluster de Mato Grosso do Sul avançou com o acordo para aquisição da usina Caarapó e acordos de fornecimento de cana do Grupo Raízen por valor estimado de R$ 760 milhões, cerca de US$ 148 milhões, pagáveis em dinheiro no fechamento, sujeito a ajustes. A usina, localizada a cerca de 100 km das unidades Angélica e Ivinhema, processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 e pode produzir açúcar, etanol hidratado e anidro e energia renovável. A conclusão está sujeita à aprovação do CADE e outras condições, com fechamento esperado antes de 1º de outubro de 2026.</p>
<p>Em termos de alocação de capital, a assembleia geral anual realizada em 15 de abril de 2026 aprovou distribuição total de dividendo em dinheiro de US$ 35 milhões. A primeira parcela de US$ 17,5 milhões, cerca de US$ 0,1213 por ação, foi paga em 19 de maio de 2026 a acionistas registrados em 4 de maio. A segunda parcela, em igual valor, está prevista para novembro de 2026.</p>
<p>A teleconferência de resultados do segundo trimestre foi agendada para 12 de agosto de 2026, com divulgação do release em 11 de agosto após o fechamento do mercado, conforme cronograma oficial de eventos da companhia.</p>
<hr class="my-6 border-border">
<p class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl"><strong>Fontes:</strong></p>
<ul class="list-inside list-disc whitespace-normal [&amp;&gt;li]:ps-6">
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Earnings Release 1Q26 &#8211; Adjusted EBITDA reached $85.8 million in 1Q26 — 11 de maio de 2026 — https://ir.adecoagro.com/wp-content/uploads/2026/05/ER-03.31.2026.pdf</li>
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Result Center &#8211; Relação de filings incluindo Form 20-F e 6K de conclusão da aquisição da Profertil — 2026 — https://ir.adecoagro.com/result-center/</li>
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Press Release Record Adjusted EBITDA at $172.5 million in 2Q26 and $258.3 million in 6M26 — 11 de agosto de 2026 — https://ir.adecoagro.com/</li>
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Form 20-F for fiscal year ended December 31, 2025 — 29 de abril de 2026 — https://ir.adecoagro.com/sec-filings/</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>STF valida Moratória da Soja, mantém restrições fiscais e afasta indenizações contra tradings</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/stf-moratoria-soja-tradings-indenizacoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 02:46:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Cade]]></category>
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		<category><![CDATA[Moratória da Soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu nesta quarta-feira (12) a validade constitucional da Moratória da Soja, acordo privado pelo qual empresas do setor se comprometeram a não comprar grãos produzidos em determinadas áreas desmatadas da Amazônia, e decidiu encerrar ações e procedimentos que buscavam responsabilizar as tradings pela participação no pacto. Ao mesmo tempo, a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>Supremo Tribunal Federal (STF)</strong> reconheceu nesta quarta-feira (12) a validade constitucional da <strong>Moratória da Soja</strong>, acordo privado pelo qual empresas do setor se comprometeram a não comprar grãos produzidos em determinadas áreas desmatadas da Amazônia, e decidiu encerrar ações e procedimentos que buscavam responsabilizar as tradings pela participação no pacto.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a Corte considerou constitucionais as legislações estaduais que retiram incentivos fiscais de companhias participantes de acordos privados que imponham restrições comerciais além das previstas pela legislação ambiental brasileira. O resultado preserva, portanto, tanto a possibilidade de existência da Moratória da Soja quanto a prerrogativa dos Estados de estabelecer condições para a concessão de seus benefícios tributários.</p>
<p>A decisão resolve duas controvérsias que passaram a caminhar paralelamente nos últimos anos. De um lado, produtores rurais e autoridades estaduais questionavam o fato de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337883">empresas</a> recusarem soja originada de áreas cujo desmatamento poderia ser permitido pela legislação brasileira. De outro, tradings e entidades ambientalistas defendiam a liberdade das empresas para estabelecer critérios próprios de compra e compromissos ambientais mais rigorosos.</p>
<p>O julgamento também afasta, dentro do alcance definido pelo Supremo, pretensões indenizatórias apresentadas contra as empresas participantes do acordo. Durante a discussão, o ministro Flávio Dino chamou a atenção para ações cujos valores reivindicados chegavam à casa de dezenas de bilhões de reais e para o impacto econômico que uma multiplicação dessas demandas poderia produzir sobre o setor.</p>
<h2>Moratória da Soja é considerada compatível com a Constituição</h2>
<p>A posição que prevaleceu no STF foi a de que a participação voluntária de empresas em um compromisso ambiental privado não é, por si só, incompatível com a Constituição.</p>
<p>A Moratória da Soja nasceu em 2006 e passou a estabelecer restrições à aquisição de soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. O critério é mais rigoroso do que a obrigação ambiental mínima estabelecida pela legislação brasileira em determinadas propriedades, já que o Código Florestal admite supressão autorizada de parte da vegetação nativa desde que sejam respeitados os percentuais de Reserva Legal e demais exigências ambientais.</p>
<p>Esse descompasso esteve no centro da controvérsia. Produtores passaram a argumentar que poderiam cumprir integralmente a legislação ambiental e, ainda assim, ficar impedidos de vender soja para empresas participantes da moratória caso houvesse abertura legal de determinada área depois da data de corte do pacto.</p>
<p>Para a maioria formada no Supremo, entretanto, a existência de uma exigência comercial mais rigorosa não torna automaticamente ilícito o acordo. A decisão reconhece espaço para compromissos empresariais voluntários relacionados a políticas ambientais, desde que respeitados os demais limites constitucionais e legais.</p>
<p>O julgamento não transforma a Moratória da Soja em obrigação legal para produtores ou compradores. O pacto continua tendo natureza privada, baseado na adesão das empresas.</p>
<h2>Leis de Mato Grosso e Rondônia também são preservadas</h2>
<p>A validação da moratória não significou a derrubada das leis aprovadas por Estados produtores em reação ao acordo.</p>
<p>Em Mato Grosso, a <strong>Lei nº 12.709, de 24 de outubro de 2024</strong>, estabeleceu restrições à concessão de benefícios fiscais e de terrenos públicos para empresas que participem de acordos ou compromissos capazes de impor limitações à expansão da atividade agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental específica.</p>
<p>A norma não proíbe diretamente uma empresa de participar da Moratória da Soja. O mecanismo adotado pelo Estado é econômico: companhias podem manter políticas privadas de compra mais restritivas, mas podem deixar de preencher as condições estabelecidas pelo governo estadual para obtenção de determinados incentivos.</p>
<p>Rondônia adotou regra de natureza semelhante por meio da <strong>Lei nº 5.837/2024</strong>, também relacionada à concessão de benefícios fiscais para empresas que participam de compromissos privados com restrições adicionais à atividade agropecuária.</p>
<p>As normas foram levadas ao STF porque seus críticos argumentavam que os Estados estariam utilizando a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337882">política</a> tributária para interferir indevidamente em decisões empresariais e compromissos ambientais privados.</p>
<p>O Supremo, entretanto, manteve a validade das legislações estaduais, reconhecendo a possibilidade de os Estados definirem critérios para seus próprios incentivos.</p>
<h2>Regras tributárias precisam respeitar anterioridade</h2>
<p>Embora tenha reconhecido a constitucionalidade das leis, o STF estabeleceu que sua aplicação precisa observar as garantias constitucionais relacionadas à cobrança tributária.</p>
<p>Entre elas estão as regras de anterioridade, destinadas a impedir que determinadas mudanças tributárias produzam efeitos imediatos sobre os contribuintes sem o período mínimo previsto pela Constituição.</p>
<p>O ponto é relevante porque a retirada de benefícios fiscais pode representar aumento indireto da carga tributária suportada pelas empresas atingidas.</p>
<p>A controvérsia sobre Mato Grosso teve impacto direto sobre o comportamento das companhias ainda antes do julgamento definitivo. A legislação estadual levou grandes tradings a reconsiderar a permanência na Moratória da Soja diante da possibilidade de perda de vantagens tributárias no maior Estado produtor do grão no País.</p>
<p>Na virada para 2026, empresas relevantes do comércio internacional de commodities anunciaram ou prepararam sua saída do pacto para preservar as condições fiscais de suas operações em Mato Grosso.</p>
<p>O julgamento desta quarta-feira não elimina essa escolha econômica. Uma trading poderá adotar critérios ambientais próprios, mas deverá considerar as consequências tributárias previstas pelas legislações estaduais consideradas constitucionais pelo Supremo.</p>
<h2>Disputa chegou também ao Cade</h2>
<p>A Moratória da Soja não estava sendo discutida apenas no Judiciário.</p>
<p>Em agosto de 2025, a Superintendência-Geral do <strong>Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)</strong> instaurou o Processo Administrativo nº 08700.005853/2024-38 contra associações e empresas integrantes do Grupo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337885">Trabalho</a> da Soja.</p>
<p>A investigação foi aberta para apurar possível prática anticompetitiva no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337884">mercado</a> de compra e exportação do grão. Entre as entidades envolvidas estavam a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), além de dezenas de companhias.</p>
<p>Na ocasião, a Superintendência-Geral sustentou que o compartilhamento de determinadas informações entre concorrentes e a coordenação necessária para operacionalizar a moratória poderiam produzir efeitos sobre a competição.</p>
<p>Foi então determinada uma medida preventiva que alcançava, entre outros pontos, a coleta e o compartilhamento de informações comerciais, auditorias e documentos utilizados na execução do acordo.</p>
<p>Em setembro de 2025, o Tribunal do Cade manteve a medida preventiva, mas adiou seus efeitos para 1º de janeiro de 2026.</p>
<h2>STF afasta tese de ilegalidade automática do pacto</h2>
<p>A decisão do Supremo altera de maneira importante o cenário jurídico criado em torno dessas disputas.</p>
<p>Ao reconhecer a validade constitucional da Moratória da Soja, o Tribunal afastou a premissa de que a simples participação das tradings no acordo ambiental seria suficiente para caracterizar uma conduta ilegal capaz de sustentar indenizações.</p>
<p>A Corte também determinou o encerramento de processos judiciais e administrativos abrangidos pela controvérsia julgada, evitando a continuidade de uma multiplicidade de ações baseadas na tese de invalidade do próprio pacto.</p>
<p>Isso não significa, contudo, que qualquer comportamento comercial associado a compromissos ambientais esteja automaticamente imune à legislação concorrencial.</p>
<p>O ponto central definido pelo STF é a legalidade constitucional da existência de um compromisso privado dessa natureza. Eventuais condutas específicas que ultrapassem os limites legais continuam sujeitas aos mecanismos ordinários de controle previstos no ordenamento jurídico.</p>
<p>Essa distinção é particularmente relevante no caso do Cade, cuja atuação se concentra na defesa da concorrência e na investigação de práticas específicas de mercado.</p>
<h2>Produtores questionavam restrições além do Código Florestal</h2>
<p>O conflito entre produtores e tradings ganhou força porque a Moratória da Soja criou um padrão comercial diferente do mínimo estabelecido pela legislação ambiental.</p>
<p>No bioma Amazônia, propriedades rurais estão submetidas a regras de Reserva Legal que, em determinadas situações, exigem a preservação de até 80% da vegetação nativa.</p>
<p>Uma área que tenha autorização válida para supressão dentro da parcela legalmente utilizável da propriedade pode, portanto, estar regular perante a legislação brasileira.</p>
<p>Pelo critério estabelecido pela moratória, contudo, a soja cultivada em área desmatada depois de julho de 2008 poderia não ser adquirida pelas empresas participantes mesmo quando a abertura tivesse ocorrido com autorização.</p>
<p>Essa diferença alimentou a reação de entidades ligadas aos produtores, que passaram a sustentar que empresas privadas estariam criando uma espécie de norma ambiental paralela por meio de seu poder de compra.</p>
<p>As companhias e entidades favoráveis à moratória, por sua vez, defenderam que compradores privados possuem liberdade para estabelecer critérios de fornecimento, inclusive em resposta a exigências ambientais de clientes e mercados internacionais.</p>
<h2>Decisão cria resultado de duas vias para o setor</h2>
<p>O desfecho do julgamento não produz uma vitória integral de apenas um dos lados da disputa.</p>
<p>Para as tradings e entidades que defendiam a validade da Moratória da Soja, o principal resultado é o reconhecimento de que um compromisso empresarial ambiental mais rigoroso do que a legislação mínima não é automaticamente inconstitucional.</p>
<p>Para os Estados e representantes do setor produtivo, permanece válida a possibilidade de condicionar benefícios fiscais e incentivos públicos ao cumprimento de requisitos definidos pelas legislações estaduais.</p>
<p>Na prática, empresas passam a lidar com duas escolhas juridicamente admitidas.</p>
<p>Elas podem estabelecer políticas privadas de compra e compromissos ambientais mais restritivos. Os Estados, por outro lado, também podem decidir que determinados incentivos públicos não serão concedidos às empresas que adotarem algumas dessas políticas, desde que respeitados os limites constitucionais e tributários.</p>
<p>Essa combinação explica por que a validação da Moratória da Soja pelo STF não significa necessariamente sua retomada imediata nas mesmas condições existentes anteriormente.</p>
<p>A pressão econômica que levou tradings a abandonar ou rever sua participação permanece, já que as leis estaduais também sobreviveram ao julgamento.</p>
<h2>Julgamento reduz risco de indenizações bilionárias</h2>
<p>Um dos efeitos financeiros mais relevantes da decisão está no contencioso envolvendo pedidos de reparação contra as empresas.</p>
<p>Produtores haviam levado ao Judiciário alegações de que as restrições impostas pela moratória provocaram prejuízos comerciais e que as companhias participantes deveriam responder por essas perdas.</p>
<p>No julgamento, Flávio Dino destacou que havia pretensões que chegavam à faixa de R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões e até R$ 20 bilhões.</p>
<p>A maioria afastou a possibilidade de utilizar a simples participação na Moratória da Soja, considerada constitucional, como fundamento suficiente para esse tipo de responsabilização.</p>
<p>O resultado reduz uma fonte expressiva de insegurança jurídica para as tradings e associações que participaram do acordo, ao mesmo tempo em que preserva a competência dos Estados para definir as condições de utilização de recursos públicos e benefícios tributários.</p>
<p>O novo cenário para o setor será determinado agora pela forma como empresas, produtores e governos estaduais adaptarão suas estratégias à decisão. A Moratória da Soja continua juridicamente possível, mas as consequências fiscais impostas pelas legislações estaduais permanecem válidas — uma combinação que deverá orientar as próximas decisões comerciais das grandes compradoras de soja no País.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes</strong>:</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — STF reconhece validade da Moratória da Soja e determina fim de ações sobre o acordo</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — ações sobre restrições a benefícios fiscais e Moratória da Soja</p>
<p>Assembleia Legislativa de Mato Grosso — Lei nº 12.709/2024</p>
<p>Conselho Administrativo de Defesa Econômica — processo administrativo sobre a Moratória da Soja</p>
<p>Conselho Administrativo de Defesa Econômica — Tribunal mantém medida preventiva com efeitos a partir de 2026</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Cota de carne bovina para China chega a 90% e acende alerta para exportações do Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/cota-carne-bovina-china-brasil-90-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 20:13:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[comércio exterior]]></category>
		<category><![CDATA[cota de exportação]]></category>
		<category><![CDATA[exportações]]></category>
		<category><![CDATA[frigoríficos]]></category>
		<category><![CDATA[pecuária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil já utilizou 90% da cota anual de carne bovina destinada ao mercado chinês em 2026, aproximando o setor frigorífico de um limite comercial que pode alterar significativamente o ritmo dos embarques nos próximos meses. O percentual foi alcançado em 10 de agosto, segundo atualização do Ministério do Comércio da China (Mofcom). A cota [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil já utilizou <strong>90% da cota anual de carne bovina destinada ao mercado chinês em 2026</strong>, aproximando o setor frigorífico de um limite comercial que pode alterar significativamente o ritmo dos embarques nos próximos meses. O percentual foi alcançado em 10 de agosto, segundo atualização do Ministério do Comércio da China (Mofcom).</p>
<p>A cota brasileira para este ano foi fixada em <strong>1,106 milhão de toneladas</strong>. Considerando o patamar de 90% informado pelas autoridades chinesas, o volume contabilizado já corresponde a aproximadamente <strong>995 mil toneladas</strong>, deixando uma margem equivalente a pouco mais de 110 mil toneladas até o teto estabelecido para 2026.</p>
<p>A aproximação do limite ganhou importância porque as regras de salvaguarda adotadas pela China estabelecem uma <strong>sobretaxa adicional de 55% para a carne que ultrapassar a quantidade anual determinada para cada país</strong>. No caso brasileiro, dentro da cota continua valendo a tarifa de importação de 12%. Acima do limite, a incidência tarifária passa, portanto, a 67%.</p>
<p>O mecanismo não representa uma proibição às importações brasileiras. Na prática, porém, a elevação da tarifa pode reduzir de maneira significativa a viabilidade econômica das operações que excederem a cota, obrigando frigoríficos, tradings e compradores chineses a recalcular contratos, embarques e margens.</p>
<h2>Cota de carne bovina para China avança rapidamente</h2>
<p>A velocidade de utilização da cota é um dos principais sinais de atenção para o setor brasileiro. Em <strong>21 de julho</strong>, o Mofcom havia informado que o país chegara a 80% do limite anual. Menos de três semanas depois, em 10 de agosto, o percentual já alcançava 90%.</p>
<p>Isso significa que cerca de 10% de toda a quantidade autorizada dentro da cota foi consumida em aproximadamente 20 dias, embora esse ritmo não possa ser automaticamente projetado para as semanas seguintes, uma vez que <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337834">empresas</a> exportadoras podem ajustar os embarques diante da aproximação do teto.</p>
<p>A própria estrutura da salvaguarda cria um incentivo para essa redução. Quando as importações provenientes do Brasil atingirem 100% da quantidade estabelecida para o ano, começa uma contagem prevista nas regras chinesas.</p>
<p>A partir do <strong>terceiro dia após o atingimento do volume integral da cota, incluindo esse terceiro dia</strong>, as importações passam a ficar sujeitas à cobrança adicional de 55% sobre a tarifa vigente.</p>
<p>O controle do calendário torna-se particularmente relevante porque existe um intervalo entre o embarque da carne no Brasil e seu efetivo ingresso no território chinês. Um carregamento despachado quando ainda houver saldo disponível pode chegar ao destino em um cenário tarifário diferente.</p>
<h2>Limite de 2026 é bem inferior ao volume vendido em 2025</h2>
<p>O tamanho da cota também ajuda a explicar a pressão sobre as exportações brasileiras. Em 2025, as importações chinesas de carne bovina procedentes do Brasil chegaram a aproximadamente <strong>1,7 milhão de toneladas</strong>, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).</p>
<p>O volume estabelecido para 2026, de 1,106 milhão de toneladas, é cerca de <strong>35% inferior</strong> ao total comercializado no ano anterior.</p>
<p>A diferença representa aproximadamente 594 mil toneladas quando o teto deste ano é comparado diretamente com o volume comprado pela China em 2025. Isso não significa necessariamente que toda essa quantidade deixará de ser exportada, pois as vendas podem continuar acima da cota mediante pagamento da tarifa adicional.</p>
<p>O desafio está na viabilidade econômica dessas operações. A Abiec e a CNA afirmaram, quando as medidas foram anunciadas, que a sobretaxa altera as condições de acesso ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337835">mercado</a> chinês e exige reorganização dos fluxos de produção e exportação.</p>
<p>A China tem peso especialmente elevado nesse mercado. Em 2025, o país respondeu por <strong>48,3% do volume total de carne bovina exportado pelo Brasil</strong>, segundo as entidades do setor. A concentração torna qualquer alteração nas condições comerciais chinesas relevante não apenas para os frigoríficos exportadores, mas também para pecuaristas e demais participantes da cadeia produtiva.</p>
<h2>Como funciona a salvaguarda adotada pela China</h2>
<p>A cota faz parte de uma medida de salvaguarda comercial anunciada pelo governo chinês no fim de 2025 e colocada em vigor em <strong>1º de janeiro de 2026</strong>.</p>
<p>A investigação foi iniciada pelas autoridades chinesas em dezembro de 2024. Ao concluir o processo, o Ministério do Comércio da China sustentou que o aumento das importações de carne bovina havia provocado prejuízo grave à indústria doméstica do país.</p>
<p>Pequim decidiu então estabelecer um sistema de <strong>cotas específicas por país combinado com cobrança adicional de tarifa para quantidades que excederem os limites anuais</strong>.</p>
<p>As medidas foram definidas inicialmente para um período de três anos, abrangendo <strong>2026, 2027 e 2028</strong>, com previsão de flexibilização gradual das cotas ao longo de sua vigência.</p>
<p>O Brasil recebeu a maior quantidade individual no primeiro ano da salvaguarda: 1,106 milhão de toneladas. Enquanto as importações permanecerem dentro desse volume, a carne brasileira continua submetida à tarifa de importação atualmente aplicável, de 12%.</p>
<p>Depois do esgotamento, a sobretaxa de 55% passa a ser acrescentada à tarifa vigente, elevando a carga tarifária de importação a 67%.</p>
<p>Outro ponto determinado pelas regras chinesas é que eventuais volumes não utilizados em determinado ano <strong>não podem ser transferidos para o período seguinte</strong>.</p>
<h2>Frigoríficos precisam administrar os últimos 10% da cota</h2>
<p>A chegada aos 90% transforma a administração do saldo restante em uma questão estratégica para os exportadores.</p>
<p>Com aproximadamente nove décimos da cota já utilizados, empresas precisam considerar não apenas pedidos recebidos e capacidade de produção, mas também o período necessário para transporte marítimo, desembaraço e entrada efetiva dos produtos no mercado chinês.</p>
<p>A indústria pode, diante desse cenário, reduzir embarques, alterar escalas de produção ou procurar distribuir parte da oferta para outros destinos internacionais. Ajustes dessa natureza são especialmente importantes para companhias com elevada exposição às vendas para a China.</p>
<p>A mudança também pode atingir decisões dentro das unidades frigoríficas. Dependendo da duração e intensidade da redução dos embarques, empresas podem reorganizar turnos, escalas de abate e programação de compras de animais.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a capacidade do setor de redirecionar mercadorias dependerá da demanda disponível em outros mercados, dos preços oferecidos e das habilitações sanitárias existentes para cada planta exportadora.</p>
<h2>China continua sendo mercado decisivo para carne brasileira</h2>
<p>Apesar da salvaguarda, o mercado chinês permanece estruturalmente relevante para a pecuária brasileira.</p>
<p>A Abiec estima que aproximadamente 30% da carne bovina produzida pelo Brasil seja destinada ao mercado externo, enquanto cerca de 70% permanece no consumo doméstico. Dentro do segmento exportador, entretanto, a participação chinesa é muito superior à dos demais compradores individuais.</p>
<p>Essa concentração foi construída ao longo dos últimos anos, com expansão das plantas brasileiras habilitadas, aumento da demanda chinesa por proteína animal e consolidação do Brasil como um dos principais fornecedores globais.</p>
<p>A salvaguarda muda esse equilíbrio ao criar um teto para que todo o volume continue ingressando no país asiático sob as condições tarifárias anteriores.</p>
<p>Para o setor brasileiro, portanto, o problema não está apenas na quantidade absoluta permitida, mas na diferença entre a cota de 2026 e o padrão de comércio estabelecido anteriormente.</p>
<h2>Medida chinesa vale para diversos fornecedores</h2>
<p>O Ministério da Agricultura e Pecuária esclareceu anteriormente que a salvaguarda <strong>não foi criada exclusivamente contra a carne brasileira</strong>.</p>
<p>O sistema adotado pela China estabeleceu quantidades específicas para diferentes países fornecedores. A cota brasileira é a maior delas justamente em razão da relevância do país no fornecimento de carne bovina ao mercado chinês.</p>
<p>O governo brasileiro também reforçou que a sobretaxa de 55% não incide sobre todos os embarques realizados em 2026. Ela somente passa a valer para volumes importados depois de atingido o teto correspondente ao Brasil e após o prazo estabelecido pelas regras do Mofcom.</p>
<p>Essa distinção é importante porque a tarifa adicional não altera retroativamente as operações realizadas dentro da cota.</p>
<p>Para os próximos meses, contudo, o percentual divulgado em agosto coloca o Brasil muito mais próximo do ponto em que a nova estrutura tarifária pode efetivamente começar a interferir nas vendas.</p>
<h2>Próximo marco será o esgotamento da cota brasileira</h2>
<p>Depois da comunicação de que 90% do volume anual foi utilizado, o próximo evento relevante será a confirmação oficial de que a cota brasileira chegou a <strong>100%</strong>.</p>
<p>Até que isso aconteça, as importações dentro do saldo restante continuam sujeitas às condições tarifárias normais previstas para o Brasil.</p>
<p>O Mofcom vem publicando comunicados periódicos sobre a evolução das quantidades importadas no âmbito da salvaguarda. Em maio, o país já havia atingido 50% da cota. Em 21 de julho, chegou a 80%, e, em 10 de agosto, avançou para 90%.</p>
<p>A trajetória evidencia a rapidez com que a quantidade disponibilizada para o primeiro ano da medida está sendo consumida e amplia a necessidade de acompanhamento dos próximos comunicados oficiais.</p>
<p>Uma vez confirmado o atingimento de 100%, a contagem prevista pelas regras chinesas determinará quando a sobretaxa adicional começará a ser aplicada.</p>
<p>Para frigoríficos e pecuaristas brasileiros, a evolução da <strong>cota de carne bovina para a China</strong> passa, assim, a ser um dos principais fatores comerciais para o restante de 2026, sobretudo pela diferença expressiva entre o limite de 1,106 milhão de toneladas e o volume de aproximadamente 1,7 milhão de toneladas adquirido pelos chineses no ano passado.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<p>Ministério do Comércio da República Popular da China — comunicado de 11 de agosto de 2026, informando que a cota brasileira atingiu 90% em 10 de agosto<br />
Ministério do Comércio da República Popular da China — regras oficiais da salvaguarda sobre importações de carne bovina<br />
Ministério da Agricultura e Pecuária — esclarecimento oficial sobre a cota brasileira<br />
Abiec/CNA — posicionamento sobre as medidas de salvaguarda chinesas</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crise no agronegócio e El Niño redesenham investimentos: onde estão as oportunidades na Bolsa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/agronegocio-el-nino-investimentos-acoes-commodities-etfs</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 01:17:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[3Tentos]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[SLCE3]]></category>
		<category><![CDATA[TTEN3]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O agronegócio brasileiro atravessa em 2026 uma combinação pouco usual. De um lado, a produção permanece elevada e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de grãos de aproximadamente 360 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026, acima do volume registrado na temporada anterior. Do outro, produtores e empresas ainda carregam os efeitos de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O agronegócio brasileiro atravessa em 2026 uma combinação pouco usual. De um lado, a produção permanece elevada e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de grãos de aproximadamente 360 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026, acima do volume registrado na temporada anterior. Do outro, produtores e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337767">empresas</a> ainda carregam os efeitos de anos de expansão financiada por crédito, juros elevados, margens menores e dificuldades para reorganizar dívidas.</p>
<p>A situação ganhou uma variável adicional neste segundo semestre: o El Niño. O aquecimento do Pacífico Equatorial voltou a integrar as projeções climáticas e pode alterar a distribuição das chuvas, a produtividade agrícola e, consequentemente, os preços de algumas commodities. Para quem investe no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337768">agronegócio</a>, isso torna a leitura do setor mais complexa. Uma safra grande não significa necessariamente empresas saudáveis, enquanto um balanço pressionado também não significa que todos os ativos relacionados ao campo tenham perdido atratividade.</p>
<p>O resultado é um ambiente em que a seleção ganha importância. Commodities como milho, açúcar, trigo e boi gordo podem reagir a mudanças na oferta global e às condições climáticas. Empresas listadas na B3 podem carregar descontos relevantes, mas exigem avaliação da dívida e da geração de caixa. Já fundos negociados em Bolsa permitem exposição ao segmento de maneira diversificada ou diretamente vinculada a determinados produtos agrícolas.</p>
<h3>Safra elevada convive com uma crise de crédito no campo</h3>
<p>A dimensão do financiamento necessário para manter o agronegócio brasileiro em funcionamento ajuda a explicar por que o crédito se tornou uma das variáveis centrais para o setor. Na safra 2025/2026, o crédito rural destinado à agricultura empresarial, sem considerar o Pronaf, movimentou R$ 477,2 bilhões. As Cédulas de Produto Rural, conhecidas como CPRs, responderam por 43% desse volume.</p>
<p>O tamanho do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337765">mercado</a>, entretanto, não eliminou as dificuldades financeiras acumuladas nos últimos ciclos. Parte dos produtores aumentou a alavancagem durante o período de preços elevados das commodities, quando a rentabilidade favorecia aquisições de terras, arrendamentos, máquinas e expansão de área. Quando os preços agrícolas perderam força e o custo financeiro permaneceu alto, a capacidade de pagamento de uma parcela desses produtores começou a deteriorar.</p>
<p>A gravidade do problema levou o governo federal a criar, em julho, uma linha específica para composição de dívidas rurais. A regulamentação permite atender produtores e cooperativas enquadrados em determinados critérios de perdas de safras e redução de renda. A medida mostra que o problema deixou de ser apenas pontual e passou a exigir instrumentos específicos de reorganização financeira.</p>
<p>Esse processo também atingiu empresas ligadas à cadeia agrícola. Distribuidores de insumos, produtores, tradings, companhias sucroenergéticas e instituições financeiras passaram a sentir diferentes graus de pressão. O investidor que pretende entrar no setor, portanto, precisa separar uma crise de liquidez temporária de um problema estrutural de endividamento.</p>
<h3>El Niño adiciona volatilidade aos preços agrícolas</h3>
<p>Enquanto o crédito pressiona os balanços, o clima voltou ao centro das decisões. O CPTEC/Inpe identifica condições oceânicas e atmosféricas compatíveis com El Niño e projeta continuidade do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial durante o trimestre de agosto a outubro.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o Climate Prediction Center da NOAA também aponta continuidade e fortalecimento do fenômeno ao longo de 2026. A importância dessa mudança para os mercados agrícolas está na capacidade do El Niño de alterar regimes de precipitação e temperatura em importantes regiões produtoras.</p>
<p>Isso não significa que todas as commodities necessariamente subirão. Os preços agrícolas dependem de uma combinação de estoques, produtividade, área plantada, demanda internacional, câmbio, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337764">política</a> comercial, custos logísticos e condições climáticas em diferentes países.</p>
<p>Ainda assim, a possibilidade de quebra de produção ou redução de produtividade tende a elevar o chamado prêmio climático incorporado aos contratos futuros. É justamente nesse ambiente que algumas gestoras passaram a enxergar oportunidades em produtos como milho, açúcar e trigo.</p>
<p>A tese é relativamente simples: quando os preços estão comprimidos e o mercado trabalha com expectativa de oferta confortável, qualquer deterioração relevante das condições climáticas pode provocar uma reprecificação rápida.</p>
<h3>Commodities eliminam o risco da empresa, mas não o risco do mercado</h3>
<p>A exposição direta a commodities possui uma característica importante para quem pretende investir no agronegócio: ela permite participar do movimento de determinado produto sem assumir diretamente o risco financeiro de uma companhia.</p>
<p>Ao investir em uma empresa agrícola, o acionista precisa acompanhar dívida, vencimentos, geração de caixa, custo de capital, eficiência operacional, governança e eventuais cláusulas financeiras. Uma alta do milho ou da soja não garante automaticamente melhora do resultado de uma companhia excessivamente alavancada.</p>
<p>Na commodity, essa camada de risco empresarial desaparece. O investidor fica essencialmente exposto à dinâmica de preço do produto, embora passe a assumir riscos próprios dos mercados futuros, que podem apresentar elevada volatilidade.</p>
<p>A Terra Investimentos considera essa característica relevante no atual ciclo. A exposição a milho, boi gordo, açúcar ou outros produtos permite capturar de maneira mais direta uma mudança no ciclo agrícola, sem depender da capacidade de determinada companhia de refinanciar suas obrigações.</p>
<p>Isso não transforma commodities em ativos defensivos. Mudanças de safra, câmbio, estoques, políticas comerciais e demanda externa podem alterar rapidamente as cotações.</p>
<p>O mercado de carne bovina é um exemplo. A China estabeleceu uma cota para a carne brasileira a partir da qual incide tarifa adicional. Embora avaliações de mercado tenham apontado aproximação do limite ao longo do ano, o Ministério da Agricultura informou em julho que a condição necessária para a cobrança adicional ainda não havia sido atingida naquele momento. Para o investidor, a divergência mostra a necessidade de acompanhar dados oficiais antes de montar posições baseadas exclusivamente em expectativas.</p>
<h3>Bolsa exige separar empresas fragilizadas de ativos descontados</h3>
<p>Nas ações, o cenário é ainda mais seletivo. A deterioração do crédito no agronegócio deixou exemplos claros de como dificuldades operacionais e financeiras podem destruir valor mesmo em um setor estruturalmente relevante para a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337766">economia</a> brasileira.</p>
<p>A AgroGalaxy (AGXY3), distribuidora de insumos agrícolas, permanece em processo de recuperação judicial. Já a Raízen (RAIZ4), uma das maiores companhias do setor sucroenergético, avançou em 2026 em seu processo de recuperação extrajudicial e teve o plano homologado no fim de julho.</p>
<p>Os dois casos reforçam um ponto importante: tamanho e importância estratégica não eliminam risco financeiro.</p>
<p>Ao mesmo tempo, períodos de estresse podem produzir descontos em empresas com ativos de qualidade e capacidade de atravessar o ciclo. É nessa diferença que algumas casas de análise enxergam oportunidades.</p>
<p>Entre os nomes mencionados está a SLC Agrícola (SLCE3). Uma das teses envolve não apenas a geração de resultado com grãos e algodão, mas também o valor econômico de seu portfólio de terras. A avaliação é que a companhia deve ser analisada com horizonte mais longo, considerando produtividade, valor dos ativos agrícolas e normalização do ciclo.</p>
<p>O investidor precisa, contudo, observar o calendário. Até 11 de agosto, a SLC Agrícola ainda não havia divulgado seu balanço referente ao segundo trimestre de 2026. A publicação estava prevista para 12 de agosto, depois do fechamento do mercado. Qualquer avaliação baseada no 2T26 antes dessa data seria prematura.</p>
<h3>3tentos aparece entre as teses de diversificação</h3>
<p>Outro ativo acompanhado por analistas é a 3tentos (TTEN3). A companhia possui uma estrutura que combina distribuição de insumos, originação e comercialização de grãos, indústria e serviços financeiros relacionados ao produtor.</p>
<p>Essa diversificação pode reduzir a dependência de uma única fonte de receita, mas também faz com que o investidor precise entender como cada divisão responde ao ciclo agrícola.</p>
<p>A Nord Investimentos mantém uma leitura favorável sobre a companhia pela combinação entre crescimento, rentabilidade e diversificação das atividades. Ainda assim, assim como ocorre com outras ações do setor, os juros elevados e a volatilidade dos preços agrícolas aumentam a necessidade de seletividade.</p>
<p>Também nesse caso, é necessário respeitar o calendário de informações. A divulgação dos resultados do segundo trimestre da 3tentos estava prevista para 13 de agosto. Até então, a análise disponível ao mercado deveria continuar baseada nos números oficialmente divulgados anteriormente.</p>
<h3>ETFs oferecem caminho mais simples para acessar o agronegócio</h3>
<p>Para investidores que não pretendem acompanhar individualmente cada empresa ou operar contratos futuros diretamente, os ETFs surgem como uma terceira alternativa.</p>
<p>A BB Asset mantém produtos com diferentes formas de exposição ao setor. O BBOI11 acompanha uma estratégia relacionada ao mercado futuro de boi gordo, enquanto o CORN11 oferece exposição ao milho. O AGRI11, por sua vez, está ligado a uma carteira de empresas do agronegócio.</p>
<p>A estrutura permite que o investidor negocie os fundos em Bolsa da mesma maneira que negocia uma ação, sem precisar administrar diretamente contratos futuros.</p>
<p>A facilidade operacional, porém, não elimina o risco econômico. Um ETF de milho continuará sujeito à volatilidade do milho. Um fundo ligado a empresas agrícolas continuará refletindo as oscilações das companhias presentes no índice.</p>
<p>Existe ainda uma discussão sobre a eficiência dos ETFs de ações do agronegócio brasileiro. Como o universo de companhias listadas diretamente relacionadas ao campo é relativamente limitado, investidores dispostos a realizar análise fundamentalista podem preferir selecionar ações individualmente.</p>
<h3>Onde estão as oportunidades no agronegócio em 2026</h3>
<p>O atual ciclo não permite tratar o agronegócio como uma única tese de investimento. Existem, na prática, diferentes formas de exposição, cada uma sujeita a riscos específicos.</p>
<table>
<thead>
<tr>
<th>Canal de investimento</th>
<th>Exemplos</th>
<th>Principal característica</th>
<th>Risco predominante</th>
<th>Horizonte</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Commodities</td>
<td>Milho, açúcar, trigo e boi gordo</td>
<td>Exposição direta ao ciclo de preços</td>
<td>Clima, oferta, demanda e volatilidade</td>
<td>Curto e médio prazo</td>
</tr>
<tr>
<td>Ações</td>
<td>SLCE3, TTEN3, RAIZ4 e outras</td>
<td>Participação no resultado das empresas</td>
<td>Dívida, execução e geração de caixa</td>
<td>Médio e longo prazo</td>
</tr>
<tr>
<td>ETFs de commodities</td>
<td>BBOI11 e CORN11</td>
<td>Acesso simplificado a estratégias com futuros</td>
<td>Oscilação da commodity</td>
<td>Médio prazo</td>
</tr>
<tr>
<td>ETFs de ações</td>
<td>AGRI11</td>
<td>Diversificação entre companhias do setor</td>
<td>Desempenho das empresas do índice</td>
<td>Médio e longo prazo</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Para o investidor mais agressivo, commodities podem proporcionar exposição direta às mudanças provocadas pelo clima e pela oferta global. Para horizontes mais longos, empresas com ativos relevantes, estrutura financeira administrável e capacidade de geração de caixa podem oferecer maior potencial de valorização.</p>
<p>ETFs ocupam uma posição intermediária, reduzindo a necessidade de escolher individualmente contratos ou empresas, mas sem eliminar os riscos do segmento.</p>
<p>A principal mudança de 2026 é que o agronegócio deixou de permitir análises simplificadas. Uma safra recorde pode coexistir com produtores endividados. Um cenário climático adverso pode favorecer determinada commodity e, simultaneamente, prejudicar empresas produtoras. Companhias pressionadas financeiramente podem continuar perdendo valor, enquanto empresas com balanços mais resistentes podem atravessar o mesmo ciclo e ganhar participação de mercado.</p>
<p>O El Niño amplia essa dispersão. O crédito caro amplia ainda mais.</p>
<p>Para quem investe, a oportunidade pode estar justamente nessa diferença entre empresas, produtos e estruturas de capital. O agronegócio continua sendo uma das maiores engrenagens da economia brasileira, mas em 2026 o retorno potencial deixou de depender apenas de acertar a direção das commodities. Passou a depender, sobretudo, de escolher corretamente como participar do ciclo.</p>
<p><strong>Atenção:</strong> os ativos citados têm caráter informativo e não representam recomendação de compra ou venda.</p>
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Companhia Nacional de Abastecimento — acompanhamento da safra brasileira de grãos</li>
<li>Ministério da Agricultura e Pecuária — dados de crédito rural e informações sobre comércio de carne bovina com a China</li>
<li>Banco Central do Brasil e Conselho Monetário Nacional — regulamentação para composição de dívidas rurais</li>
<li>Presidência da República — Medida Provisória nº 1.376/2026</li>
<li>CPTEC/Inpe — monitoramento do El Niño</li>
<li>NOAA Climate Prediction Center — diagnóstico do fenômeno ENSO</li>
<li>BB Asset — documentação dos ETFs AGRI11, BBOI11 e CORN11</li>
<li>AgroGalaxy — Relações com Investidores</li>
<li>Raízen — Relações com Investidores</li>
<li>SLC Agrícola — Relações com Investidores</li>
<li>3tentos — Relações com Investidores</li>
</ul>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>USP Esalq inicia testes de agricultura espacial com microgravidade simulada</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/esalq-agricultura-espacial-testes-microgravidade</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 17:00:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura espacial]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[batata-doce]]></category>
		<category><![CDATA[cara]]></category>
		<category><![CDATA[Esalq]]></category>
		<category><![CDATA[grão-de-bico]]></category>
		<category><![CDATA[microgravidade]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia agrícola]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo iniciou uma nova etapa de pesquisas sobre o desenvolvimento de plantas em condições de microgravidade simulada. Os experimentos são conduzidos em Piracicaba, no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Esalq/USP, e envolvem sementes de grão-de-bico, estacas de batata-doce e materiais de cará. O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo iniciou uma nova etapa de pesquisas sobre o desenvolvimento de plantas em condições de microgravidade simulada. Os experimentos são conduzidos em Piracicaba, no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Esalq/USP, e envolvem sementes de grão-de-bico, estacas de batata-doce e materiais de cará.</p>
<p>O projeto reúne pesquisadores do Brasil, da Itália e de Angola e procura identificar respostas das plantas à alteração do estímulo gravitacional, à iluminação artificial e a ambientes controlados de cultivo. O objetivo declarado é produzir conhecimento para estudos de agricultura espacial e avaliar se parte das técnicas desenvolvidas pode contribuir para sistemas agrícolas terrestres mais resilientes às mudanças climáticas.</p>
<p>Os testes são realizados em laboratório. Até o momento, não houve anúncio de envio das culturas ao espaço nem de lançamento de um satélite com os materiais vegetais. A microgravidade é reproduzida por clinorrotação, técnica que movimenta continuamente as amostras para modificar a direção relativa da força gravitacional percebida pelos organismos.</p>
<p>A etapa atual inclui a segunda repetição do ensaio de germinação do grão-de-bico e a preparação dos meios de cultivo para batata-doce e cará. Os resultados ainda não foram divulgados, e os pesquisadores não apresentaram conclusões sobre ganhos de produtividade, resistência ao clima ou viabilidade comercial das técnicas em avaliação.</p>
<h2>Cooperação reúne Brasil, Itália e Angola</h2>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1528454" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-scaled.jpg" alt="USP Esalq inicia testes de agricultura espacial com microgravidade simulada - Gazeta Mercantil " width="2560" height="1707" title="USP Esalq inicia testes de agricultura espacial com microgravidade simulada 3 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-scaled.jpg 2560w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-300x200.jpg 300w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-1024x683.jpg 1024w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-768x512.jpg 768w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-1536x1024.jpg 1536w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-2048x1366.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p>As atividades integram o projeto “Agricultura Espacial como Motor Estratégico de Inovação para Gerar Soluções Aplicáveis à Agricultura Terrestre Diante das Mudanças Climáticas”. A iniciativa segue um modelo de cooperação triangular entre instituições da Europa, da América Latina e da África.</p>
<p>O financiamento é do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália. A promoção institucional cabe à Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana, que confirmou o início da primeira fase dos trabalhos no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Esalq em 24 de junho de 2026.</p>
<p>Além da universidade brasileira, participa o Instituto Superior Politécnico da Cuanza Sul, de Angola. A proposta combina intercâmbio científico, formação de pesquisadores e desenvolvimento de procedimentos experimentais que possam ser reproduzidos pelas instituições participantes.</p>
<p>Na Esalq, os trabalhos são conduzidos com a participação do professor Paulo Hercílio Viegas Rodrigues, do Departamento de Produção Vegetal. O pesquisador angolano Adérito Tomás Pais da Cunha participa da preparação dos materiais e do meio de cultura utilizado nos ensaios com propagação vegetal.</p>
<p>O modelo triangular procura evitar uma transferência de tecnologia em apenas uma direção. Brasil, Itália e Angola contribuem com conhecimentos, infraestrutura, materiais biológicos e formação técnica, de modo que os procedimentos possam ser adaptados às condições agrícolas dos diferentes países.</p>
<h2>Clinorrotação simula parte dos efeitos da microgravidade</h2>
<p>O experimento com grão-de-bico utiliza a clinorrotação para reduzir a influência de uma direção gravitacional constante sobre as sementes. No equipamento, as amostras são giradas de forma contínua, alterando repetidamente sua orientação em relação ao campo gravitacional terrestre.</p>
<p>O método não elimina a gravidade. Também não reproduz todos os componentes presentes em uma missão espacial, como radiação cósmica, confinamento orbital, vibração de lançamento, vácuo externo ou alterações específicas na circulação de fluidos dentro de uma estação espacial.</p>
<p>A clinorrotação permite estudar, de forma controlada e comparável, como organismos respondem à mudança contínua do vetor gravitacional. Por isso, equipamentos desse tipo são utilizados como instalações terrestres preparatórias para pesquisas que posteriormente podem ser realizadas em voos parabólicos, foguetes, satélites ou laboratórios orbitais.</p>
<p>No caso da Esalq, o desenho experimental inclui plantas submetidas à microgravidade simulada e materiais mantidos sob a gravidade terrestre normal. A comparação entre os dois grupos deverá permitir a identificação de diferenças na germinação e nos estágios iniciais do desenvolvimento.</p>
<p>A repetição do experimento é necessária para verificar se um comportamento observado aparece novamente sob as mesmas condições. Sem essa reprodutibilidade, não é possível determinar se uma diferença decorreu da clinorrotação, de variações biológicas naturais ou de fatores como temperatura, umidade, qualidade das sementes e disponibilidade de água.</p>
<h2>Grão-de-bico abre a fase experimental</h2>
<p>O grão-de-bico foi escolhido para os testes iniciais de germinação. Nessa etapa, os pesquisadores podem acompanhar parâmetros como início da germinação, formação das primeiras estruturas, crescimento das raízes e desenvolvimento da parte aérea.</p>
<p>Na Terra, a gravidade é uma das referências utilizadas pelas plantas para orientar o crescimento. As raízes apresentam tendência de crescimento na direção do campo gravitacional, enquanto a parte aérea responde a estímulos como luz, gravidade e disponibilidade de recursos.</p>
<p>Quando a direção gravitacional deixa de funcionar como uma referência estável, outros sinais podem ganhar importância. A luz, a distribuição de água, o contato com o substrato e os mecanismos internos de crescimento passam a interferir de maneira diferente na orientação vegetal.</p>
<p>Pesquisas internacionais mostram que plantas conseguem germinar e se desenvolver em microgravidade, mas podem apresentar mudanças na expressão de genes, na estrutura das raízes, nas paredes celulares e no transporte de água e nutrientes. A resposta varia conforme a espécie, o sistema de cultivo e a duração da exposição.</p>
<p>O ensaio da Esalq ainda está em fase inicial. A universidade não informou taxas comparativas de germinação, comprimento de raízes, biomassa, composição química ou alterações fisiológicas do grão-de-bico. Esses dados dependerão da conclusão das repetições, das medições e da análise estatística.</p>
<h2>Batata-doce e cará serão cultivados in vitro</h2>
<p>Paralelamente ao ensaio com sementes, a equipe prepara testes com batata-doce e cará. Nesse caso, os pesquisadores trabalharão com materiais vegetais mantidos em condições assépticas, dentro de recipientes com meio de cultura.</p>
<p>A técnica permite controlar nutrientes, umidade, iluminação e contaminações. Também facilita a observação do desenvolvimento das plantas sem parte das variações presentes em solo aberto, como microrganismos, diferenças de fertilidade, pragas e oscilações climáticas.</p>
<p>O meio descrito pela Esalq é baseado na formulação MS, amplamente empregada em cultura de tecidos vegetais. Segundo a instituição, a preparação utilizada no projeto foi desenvolvida com a participação do pesquisador angolano Adérito Tomás Pais da Cunha.</p>
<p>As estacas de batata-doce pertencem à cultivar BRS Anembé, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A grafia oficial adotada pela Embrapa é “Anembé”, embora materiais iniciais de divulgação do projeto tenham registrado o nome como “Anambé”.</p>
<p>A BRS Anembé possui polpa roxa, concentração elevada de antocianinas e adaptação a diferentes condições climáticas. De acordo com a Embrapa, a produtividade média observada em avaliações agronômicas foi de 42,8 toneladas por hectare, com ciclo aproximado entre 130 e 140 dias.</p>
<p>Essas características pertencem ao desempenho terrestre da cultivar e não representam resultados do experimento de microgravidade. A pesquisa da Esalq deverá verificar como o material responde ao ambiente controlado e à alteração do estímulo gravitacional.</p>
<p>O cará utilizado pertence a uma cultivar mantida pela própria escola. A universidade não divulgou, no comunicado inicial, a identificação varietal, as características agronômicas completas ou os indicadores que serão medidos durante o ensaio.</p>
<h2>Sistema CubeSat 2U terá diferentes espectros de LED</h2>
<p>Na etapa seguinte, os materiais de batata-doce e cará deverão ser inoculados nos meios de cultura e instalados em uma estrutura experimental descrita como sistema CubeSat 2U. O equipamento permitirá acompanhar o desenvolvimento vegetal sob diferentes espectros de luz emitidos por LEDs.</p>
<p>A denominação CubeSat é normalmente associada a sistemas modulares e compactos utilizados em projetos espaciais. No experimento da Esalq, porém, a referência ao sistema 2U não significa que um lançamento orbital esteja confirmado. O equipamento será utilizado como ambiente controlado para acomodar os materiais e organizar os componentes do ensaio.</p>
<p>Os diferentes espectros de LED permitem investigar a influência da luz sobre a orientação, a fotossíntese e o desenvolvimento das plantas. Comprimentos de onda distintos podem produzir respostas específicas, especialmente quando a gravidade deixa de funcionar como sinal direcional constante.</p>
<p>A luz vermelha e a azul são utilizadas com frequência em sistemas de cultivo controlado por sua relação com a fotossíntese e com respostas de crescimento. Outros espectros podem ser incluídos para avaliar formato das plantas, alongamento, formação de folhas e interação com os mecanismos de percepção luminosa.</p>
<p>Para que as conclusões sejam válidas, fatores como intensidade da luz, duração do período iluminado, temperatura, disponibilidade de nutrientes e estágio inicial das plantas precisam ser controlados. Alterar simultaneamente diversas variáveis dificultaria a identificação do efeito específico da microgravidade simulada.</p>
<h2>Agricultura espacial enfrenta desafios de água e nutrientes</h2>
<p>O cultivo de plantas no espaço é estudado por agências como a Nasa e a Agência Espacial Europeia como parte dos preparativos para missões humanas mais longas. Além de fornecer alimentos frescos, as plantas podem contribuir para a produção de oxigênio, remoção de dióxido de carbono e reciclagem de recursos.</p>
<p>Um dos principais obstáculos está na distribuição de água, oxigênio e nutrientes na região das raízes. Sem a gravidade terrestre, os líquidos não se comportam da mesma forma e podem se acumular em determinadas partes do sistema ou deixar áreas sem umidade suficiente.</p>
<p>A falta de circulação convectiva também interfere no movimento de gases e solutos. Experimentos realizados em ambiente orbital registraram estresse por baixa disponibilidade de oxigênio nas raízes e alterações na absorção de nutrientes.</p>
<p>Os estudos terrestres não resolvem sozinhos essas dificuldades, mas permitem testar equipamentos, recipientes, iluminação e formulações nutritivas antes de experimentos mais caros e complexos fora da Terra.</p>
<p>O projeto da Esalq poderá contribuir para essa etapa preparatória ao comparar culturas alimentares com características diferentes. O grão-de-bico é avaliado desde a semente, enquanto batata-doce e cará entram nos ensaios por meio de tecidos e estacas cultivados em ambiente asséptico.</p>
<h2>Aplicação terrestre dependerá dos resultados</h2>
<p>A relação entre agricultura espacial e adaptação climática está na possibilidade de desenvolver sistemas capazes de produzir plantas com controle rigoroso de água, nutrientes, iluminação e espaço. Essas técnicas também podem ser úteis em regiões com limitações ambientais ou em instalações de cultivo protegido.</p>
<p>Ambientes controlados podem reduzir a exposição a secas, temperaturas extremas e determinados agentes externos. Em contrapartida, exigem energia, equipamentos, mão de obra especializada e protocolos sanitários, fatores que influenciam a viabilidade econômica.</p>
<p>Ainda não é possível afirmar quais soluções do projeto poderão ser transferidas ao campo. O estudo não apresentou, até esta etapa, tecnologias prontas, estimativas de custo, aumentos de produtividade ou prazos para adoção comercial.</p>
<p>Os possíveis benefícios dependerão da identificação de respostas vegetais reproduzíveis e da transformação dessas observações em técnicas agronômicas. Uma alteração detectada em laboratório precisa ser testada em escalas maiores e comparada com métodos convencionais antes de chegar aos produtores.</p>
<p>A fase iniciada na Esalq estabelece a base experimental dessa agenda. Depois da inoculação dos materiais e da instalação no sistema com LEDs, os pesquisadores deverão acompanhar o crescimento, comparar os grupos e definir quais parâmetros justificam novas etapas.</p>
<p>O projeto ganha relevância por ampliar a cooperação científica entre os três continentes e inserir culturas alimentares de interesse agrícola em pesquisas de microgravidade. Seu impacto concreto, entretanto, dependerá dos resultados, da validação dos procedimentos e da capacidade de converter conhecimento experimental em soluções aplicáveis à produção terrestre.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Selic cai para 14%, mas crédito rural segue com juros de até 12,5%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/selic-14-credito-rural-agronegocio-plano-safra</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 14:08:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[CPR]]></category>
		<category><![CDATA[CRA]]></category>
		<category><![CDATA[crédito rural]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[Plano Safra]]></category>
		<category><![CDATA[Selic]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 5 de agosto, reduziu a taxa básica para 14% ao ano, mas não alterou automaticamente os juros das principais linhas controladas de crédito rural do Plano Safra 2026/2027. Para produtores empresariais, operações de custeio e comercialização continuam sujeitas a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 5 de agosto, reduziu a taxa básica para 14% ao ano, mas não alterou automaticamente os juros das principais linhas controladas de crédito rural do Plano Safra 2026/2027. Para produtores empresariais, operações de custeio e comercialização continuam sujeitas a taxas de até 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp mantém encargos de 9% e programas de investimento operam, conforme a finalidade, em faixas que chegam também a 12,5%.</p>
<p>A diferença decorre da estrutura do Sistema Nacional de Crédito Rural. A Selic é a referência central da política monetária e influencia o custo de captação na <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337470">economia</a>, mas os encargos de linhas com recursos controlados são definidos por regras específicas do Conselho Monetário Nacional (CMN). A Resolução CMN nº 5.324, de 30 de junho, estabeleceu as taxas do atual ano agrícola e não foi modificada pela decisão do Copom desta semana.</p>
<p>Isso significa que a redução da taxa básica pode produzir efeitos sobre operações com juros livremente pactuados, sobre o custo de captação das instituições financeiras e sobre títulos privados, mas não representa uma redução automática de 0,25 ponto nas linhas reguladas. O custo final de uma operação livre depende ainda de prazo, risco de crédito, garantias, estrutura de financiamento e margem cobrada pela instituição financeira.</p>
<p>Também não há, até esta sexta-feira (7), estatística oficial capaz de medir o impacto do corte de agosto sobre a concessão de crédito. O Banco Central programou a divulgação das estatísticas monetárias e de crédito referentes a julho para 28 de agosto. Os dados de agosto, primeiro mês que incorporará a decisão desta semana, serão publicados em 29 de setembro.</p>
<h2>Plano Safra oferece R$ 525,1 bilhões ao agro empresarial</h2>
<p>O Plano Safra 2026/2027 destinado à agricultura empresarial prevê R$ 525,1 bilhões em crédito rural. Desse total, R$ 384,9 bilhões são destinados a custeio e comercialização e R$ 140,2 bilhões a investimentos, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. O programa reservou R$ 72,6 bilhões em recursos controlados para o Pronamp e R$ 452,5 bilhões para os demais produtores e cooperativas.</p>
<p>No custeio empresarial com recursos obrigatórios ou equalizados, o encargo pode chegar a 12,5% ao ano. No Pronamp, voltado aos médios produtores enquadrados nas regras do programa, a taxa é de até 9% tanto para custeio e comercialização quanto para investimento. A diferença entre essas linhas mostra que o custo do crédito rural não acompanha a Selic de maneira uniforme.</p>
<p>Entre os programas de investimento, o Moderfrota tem taxa prefixada de até 12,5% para produtores e cooperativas dentro das condições definidas pelo CMN. Para beneficiários do Pronamp, o mesmo programa prevê até 11,5%. O Inovagro opera com até 11,5%, o Prodecoop com até 12%. O RenovAgro e o PCA têm taxa de até 9,5%, enquanto determinadas operações do PCA para armazenagem de até 12 mil toneladas ficam em 8%.</p>
<p>A estrutura de R$ 140,2 bilhões prevista para investimentos reúne fontes com mecanismos distintos de formação de preço. O Plano Safra programa R$ 55 bilhões em juros controlados não equalizados, além de R$ 10,5 bilhões em recursos direcionados com juros livres e outros R$ 40 bilhões em recursos livres também com taxas livres. É nessas duas últimas parcelas que alterações na Selic podem chegar mais diretamente às novas contratações, sem que exista transmissão integral ou imediata.</p>
<p>O corte desta semana foi o quarto consecutivo de 0,25 ponto percentual em 2026. A Selic começou o ano em 15% e foi reduzida para 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho e 14% em agosto. A redução acumulada desde o início do ciclo alcança um ponto percentual, mas a taxa básica permanece em nível elevado e continua influenciando operações cujo custo acompanha referências de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337469">mercado</a>.</p>
<h2>Crédito privado ganha espaço no financiamento do setor</h2>
<p>A persistência de juros elevados ocorre ao mesmo tempo em que instrumentos privados assumem papel relevante no financiamento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337471">agronegócio</a>. O Boletim de Finanças Privadas do Agro, elaborado pelo Ministério da Agricultura, mostra estoque de R$ 565,15 bilhões em Cédulas de Produto Rural (CPR) em maio de 2026. O volume era 13% superior aos R$ 498,92 bilhões registrados um ano antes.</p>
<p>Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) apresentaram movimento semelhante. O estoque alcançou R$ 175,78 bilhões em maio, aumento de 12% sobre os R$ 157,53 bilhões de maio de 2025. O crescimento desses instrumentos amplia as alternativas ao financiamento bancário tradicional e permite que recursos cheguem ao setor por estruturas vinculadas a recebíveis e obrigações originadas nas cadeias agropecuárias.</p>
<p>Os números, contudo, não apontam expansão uniforme em todas as modalidades. O estoque de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) ficou em R$ 571,51 bilhões em maio, queda de 0,3% em 12 meses. O saldo de Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuou 6%, de R$ 33,27 bilhões para R$ 31,20 bilhões.</p>
<p>No caso da CPR, o crescimento do estoque também conviveu com redução no valor registrado durante a safra. Entre julho de 2025 e maio de 2026, os registros somaram R$ 343,96 bilhões, 6% abaixo dos R$ 366,64 bilhões contabilizados no período equivalente da safra anterior. A quantidade em estoque caiu 1%, para 369 mil títulos, enquanto o tíquete médio aumentou 14%, para R$ 1,53 milhão.</p>
<p>Os Fiagro registravam patrimônio de R$ 62,69 bilhões em abril de 2026, avanço de 79% em relação aos R$ 35,02 bilhões de abril de 2024. O boletim não apresenta comparação com abril de 2025 porque os dados daquele período ficaram indisponíveis durante a adaptação dessa classe de fundos às novas regras regulatórias. A ausência dessa base impede uma comparação anual direta.</p>
<h2>LCA mantém papel relevante no financiamento rural</h2>
<p>Embora o estoque total de LCA tenha apresentado leve retração anual em maio, o instrumento continua relevante para direcionar recursos ao setor. O valor mínimo reaplicado em financiamento rural associado às captações com essas letras chegou a R$ 342,91 bilhões, alta de 20% em relação aos R$ 286,67 bilhões de maio de 2025.</p>
<p>Dentro desse montante, o valor mínimo reaplicado especificamente em operações de crédito rural atingiu R$ 154,31 bilhões, aumento de 8% em 12 meses. As regras vigentes para a safra 2025/2026 obrigaram as instituições financeiras a manter 60% das captações realizadas com LCA aplicadas em operações de financiamento rural. Do percentual direcionado, pelo menos 45% deveria ser destinado a operações de crédito rural.</p>
<p>A distribuição das contratações financiadas com recursos de LCA também mostra a participação dos diferentes grupos financeiros. Entre julho de 2025 e maio de 2026, bancos privados responderam por 38% do crédito rural contratado com essa fonte, bancos públicos por 32%, cooperativas de crédito por 29% e outras instituições por 1%, de acordo com o levantamento oficial.</p>
<p>Esses instrumentos ampliam as fontes disponíveis ao agronegócio, mas não equivalem, por si só, a crédito mais barato. Uma estrutura financeira pode incorporar remuneração vinculada a taxas de referência, prêmio de risco, garantias, prazo e liquidez. Com a Selic em 14%, a referência de remuneração disponível aos investidores continua elevada mesmo depois da quarta redução consecutiva promovida pelo Banco Central.</p>
<p>A coexistência entre recursos controlados e livres também torna incompleta uma leitura do crédito agrícola baseada exclusivamente na taxa básica. Uma empresa que contrata uma linha regulada do Plano Safra está sujeita aos encargos definidos pelo CMN, enquanto outra que capta fora dessas linhas poderá ter o custo determinado pelas condições financeiras vigentes no momento da operação.</p>
<h2>Efeito do corte da Selic sobre o crédito será gradual</h2>
<p>A transmissão da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337531">política</a> monetária para o agronegócio ocorre, portanto, por canais diferentes. Nas linhas controladas, a taxa nominal segue a regulamentação do CMN durante o período de vigência das regras. Nas operações livres, a Selic pode afetar o custo do dinheiro e as referências usadas na precificação, mas o valor efetivamente cobrado do tomador inclui outros componentes.</p>
<p>Por isso, ainda não é possível afirmar, com dados oficiais posteriores à decisão, que o corte de 0,25 ponto reduziu ou deixou de reduzir a pressão de crédito sobre o setor. A decisão ocorreu em 5 de agosto, e as estatísticas completas referentes ao mês só serão conhecidas no fim de setembro. Mesmo os números de julho, a serem divulgados em 28 de agosto, antecedem a redução da Selic.</p>
<p>A magnitude do efeito também dependerá das próximas decisões de política monetária. A taxa básica acumulou queda de um ponto percentual desde o início do ciclo de cortes em março, mas permanece acima dos encargos nominais de várias linhas controladas do Plano Safra. Essa diferença decorre da arquitetura de recursos direcionados, obrigatórios e equalizados que caracteriza parte do crédito rural brasileiro.</p>
<p>A ata da reunião do Copom será divulgada em 11 de agosto, quando o Banco Central detalhará os fundamentos da decisão desta semana. A próxima reunião do comitê está marcada para 15 e 16 de setembro. Até eventual alteração normativa, as taxas controladas do Plano Safra 2026/2027 permanecem nos níveis definidos pelo CMN, enquanto o custo das operações livres continuará dependendo da Selic, das condições de captação e do risco de cada tomador.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Banco Central do Brasil — Comunicados do Copom — decisão de 5 de agosto de 2026</li>
<li>Banco Central do Brasil / Conselho Monetário Nacional — Resolução CMN nº 5.324 — 30 de junho de 2026</li>
<li>Ministério da Agricultura e Pecuária — Plano Safra 2026/2027: Crédito + Inovador — 2026</li>
<li>Ministério da Agricultura e Pecuária — Boletim de Finanças Privadas do Agro — junho de 2026</li>
<li>Banco Central do Brasil — Calendário de divulgação das estatísticas monetárias e de crédito — 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>USP reúne em boletins pesquisas e iniciativas sobre saúde do solo no Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/boletins-usp-pesquisas-saude-solo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 20:29:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Brazilian Soil Health Partnership]]></category>
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		<category><![CDATA[manejo sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[restauração de ecossistemas]]></category>
		<category><![CDATA[saúde do solo]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A série Soil Health News, coordenada pela Brazilian Soil Health Partnership (BSHP), passou a reunir em uma coleção aberta pesquisas, experiências de campo e iniciativas institucionais relacionadas à conservação e ao manejo sustentável dos solos no Brasil. A Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), divulgou em 3 de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A série <em>Soil Health News</em>, coordenada pela Brazilian Soil Health Partnership (BSHP), passou a reunir em uma coleção aberta pesquisas, experiências de campo e iniciativas institucionais relacionadas à conservação e ao manejo sustentável dos solos no Brasil. A Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), divulgou em 3 de agosto de 2026 a disponibilidade dos boletins, que podem ser consultados gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.</p>
<p>A coleção tem quatro edições publicadas entre setembro de 2025 e junho de 2026. Os temas escolhidos — solo vivo, práticas regenerativas, restauração de ecossistemas e estrutura do solo — mostram uma sequência editorial voltada a aproximar resultados científicos de produtores rurais, técnicos, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e outros agentes ligados ao uso da terra.</p>
<p>A BSHP apresenta os boletins como parte de sua frente de disseminação de conhecimento. A aliança está vinculada ao Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON/USP), dentro do macroprograma de pesquisa dedicado ao solo, e recebe apoio operacional do Soil Health &amp; Management Research Group (SOHMA), sediado na Esalq/USP.</p>
<p>Além de divulgar estudos, a iniciativa procura organizar uma agenda nacional para a saúde do solo. Entre os objetivos declarados pela parceria estão ampliar a compreensão sobre o conceito, estabelecer formas de medição, criar protocolos padronizados e conectar os indicadores do solo ao carbono, à biodiversidade, à qualidade da água e aos benefícios oferecidos à sociedade.</p>
<h2>Rede reúne pesquisadores de 15 estados</h2>
<p>A estrutura científica da BSHP alcança diferentes regiões do país. A página institucional da aliança informa a participação de 56 pesquisadores vinculados a universidades e outras instituições de 15 estados. Outra página de pesquisa do projeto menciona um time de 57 pesquisadores, diferença que indica atualização não uniforme entre as áreas do próprio site.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="334078">trabalho</a> da rede busca identificar práticas de manejo capazes de melhorar atributos físicos, químicos e biológicos do solo em culturas anuais e perenes, pastagens e sistemas integrados. Para comparar resultados obtidos em condições distintas, os integrantes adotam protocolos padronizados de amostragem e análise.</p>
<p>A padronização é uma etapa central porque a saúde do solo não depende de um único indicador. A própria rede reconhece a complexidade das avaliações físicas, químicas e biológicas e as variações regionais que dificultam a adoção de uma única metodologia para todos os sistemas produtivos brasileiros.</p>
<p>A proposta da BSHP é produzir correlações mais confiáveis entre as práticas agrícolas e seus efeitos em diferentes condições edafoclimáticas. A rede também pretende definir um conjunto mínimo de dados adaptado à realidade brasileira, capaz de ampliar a escala das avaliações sem ignorar as particularidades das áreas analisadas.</p>
<p>Essa dimensão territorial aparece na organização das ações por bioma. A parceria informa que trabalha com práticas regenerativas e resiliência do solo na Amazônia; recuperação de pastagens e sistemas integrados no Cerrado; restauração florestal e monitoramento de carbono na Mata Atlântica; retenção de água na Caatinga; manejo de pastagens naturais no Pampa; e estudos sobre o uso sustentável de áreas úmidas no Pantanal.</p>
<h2>Primeira edição aborda microbioma e bioanálise</h2>
<p>Publicada em 15 de setembro de 2025, a primeira edição recebeu o título “Solo vivo”. O boletim apresentou resultados de pesquisas conduzidas no Cerrado e na Caatinga sobre sistemas integrados com leguminosas e sobre a contribuição do microbioma para a recuperação da saúde do solo.</p>
<p>A edição também destacou a trajetória da pesquisadora Ieda de Carvalho Mendes e a bioanálise de solos, conhecida como BioAS. A ferramenta foi abordada no informativo como uma alternativa prática de manejo capaz de incorporar a dimensão biológica às avaliações realizadas em áreas agrícolas.</p>
<p>Ao colocar organismos, raízes e processos biológicos no centro da discussão, o primeiro boletim introduziu a abordagem do solo como um sistema vivo. A publicação relaciona essa perspectiva à biodiversidade, à produtividade agrícola, à sustentabilidade e à resiliência dos ecossistemas e das comunidades rurais.</p>
<p>O informativo também reuniu <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="334077">notícias</a>, premiações e eventos envolvendo integrantes da parceria. Esse formato seria mantido nas edições seguintes: resultados de pesquisa são combinados com perfis de cientistas e registros de atividades nacionais e internacionais relacionadas à saúde do solo.</p>
<p>O primeiro número foi organizado por Maurício Roberto Cherubin e teve Victória Santos Souza, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Maria Eduarda Santana S. Fonseca e Eloisa Honorato Rocha entre os autores. A edição recebeu o DOI 10.11606/9786587391991 e o ISBN 978-65-87391-99-1.</p>
<h2>Agricultura regenerativa ganha espaço no Cerrado</h2>
<p>A segunda edição, publicada em 5 de dezembro de 2025, concentrou-se em “Práticas regenerativas”. O conteúdo reuniu estudos desenvolvidos no Cerrado e discutiu o papel de sistemas de manejo voltados à recuperação e à manutenção da saúde do solo.</p>
<p>O boletim apresentou o percurso profissional de Antônio Luis Santi e abordou a importância do georreferenciamento do solo para o manejo sustentável. A incorporação da dimensão espacial permite que diferenças observadas dentro das áreas produtivas sejam consideradas na avaliação e no planejamento das práticas agrícolas.</p>
<p>A escolha do Cerrado está alinhada à atuação territorial da parceria. Para o bioma, a BSHP declara desenvolver trabalhos relacionados à recuperação de pastagens degradadas e à adoção de sistemas integrados, buscando conciliar capacidade produtiva e conservação dos recursos naturais.</p>
<p>A edição vinculou as práticas regenerativas à busca de equilíbrio entre produção, biodiversidade e sustentabilidade. No desenho institucional da BSHP, a identificação de práticas capazes de impulsionar a saúde do solo depende da medição de atributos físicos, químicos e biológicos e da comparação dos resultados em condições distintas.</p>
<p>Organizada por Maurício Roberto Cherubin, a segunda edição teve Eloisa Honorato Rocha, Victória Santos Souza e Carlos Roberto Pinheiro Junior como autores. O registro no Portal de Livros Abertos da USP informa o DOI 10.11606/9788586481819.</p>
<h2>Restauração e estrutura ampliam o foco</h2>
<p>Lançada em 6 de abril de 2026, a terceira edição tratou da restauração de ecossistemas. O boletim reuniu pesquisas sobre restauração florestal e seus efeitos na saúde do solo e na biodiversidade de áreas degradadas, além de apresentar a trajetória do pesquisador Pedro Henrique Santin Brancalion.</p>
<p>A inclusão da restauração ampliou a pauta para além das áreas agrícolas em produção. Na estrutura do CCARBON/USP, a recuperação de ecossistemas degradados é investigada em conexão com aumento do carbono no solo e na biomassa, recuperação da biodiversidade e melhoria dos serviços ecossistêmicos.</p>
<p>A terceira edição foi organizada por Mauricio Roberto Cherubin e teve Eloisa Honorato Rocha, Victória Santos Souza e Carlos Roberto Pinheiro Junior como autores. A publicação recebeu o DOI 10.11606/9788586481925 e o ISBN 978-85-86481-92-5.</p>
<p>A quarta edição, publicada em 15 de junho de 2026, voltou-se à “Estrutura do solo e agricultura regenerativa”. O conteúdo destacou pesquisas sobre a relação entre estrutura física e sistemas de produção, com atenção à biodiversidade e à recuperação de áreas degradadas.</p>
<p>O pesquisador Marcos Pereira Gervásio foi o perfil central dessa edição. A publicação relacionou sua trajetória ao estudo da estrutura do solo e à sustentabilidade dos sistemas produtivos brasileiros, mantendo a combinação entre divulgação de resultados científicos, perfis profissionais, notícias, premiações e eventos.</p>
<p>A quarta edição foi organizada por Mauricio Roberto Cherubin, com autoria de Eloisa Honorato Rocha, Victória Santos Souza e Carlos Roberto Pinheiro Junior. O registro oficial informa o DOI 10.11606/9786562060096.</p>
<p>As quatro edições têm registros próprios no catálogo da USP, com autoria, palavras-chave, data de publicação, identificação bibliográfica e arquivo para acesso. A página da newsletter da BSHP também organiza a sequência completa, embora a página agregadora da série no portal universitário ainda exibisse três títulos no momento da consulta, apesar de a quarta edição possuir registro individual.</p>
<h2>Boletins integram programa mais amplo de pesquisa</h2>
<p>A <em>Soil Health News</em> funciona como uma camada de divulgação de um programa científico mais amplo. O CCARBON/USP organiza suas linhas de pesquisa em solo, plantas, animais, atmosfera e ferramentas digitais. No eixo de solo, o centro investiga, entre outros pontos, se áreas agrícolas brasileiras atuam como fontes ou sumidouros de carbono, como o microbioma influencia o sequestro de carbono e como solos degradados podem ser convertidos em soluções adaptadas às mudanças climáticas.</p>
<p>O programa também aborda restauração de ecossistemas, sistemas integrados, silvicultura, carbono azul e métodos digitais de monitoramento. A conexão entre essas frentes ajuda a explicar por que os boletins alternam temas biológicos, físicos, produtivos e ambientais, em vez de limitar a saúde do solo às análises convencionais de fertilidade.</p>
<p>Em maio de 2026, o Portal de Livros Abertos da USP publicou ainda a obra “Aplicações em saúde do solo: experiências e perspectivas”, organizada por Maurício Roberto Cherubin, Fellipe Alcantara de Oliveira Mello, Leonardo de Aro Galera e George Rodrigues Lambais. O livro reúne resultados de mais de 200 artigos científicos desenvolvidos pelo grupo SOHMA.</p>
<p>Os 16 capítulos percorrem experiências de agricultura regenerativa e sistemas integrados do Sul ao Cerrado e à fronteira agrícola, conservação e recuperação de ecossistemas frágeis, métodos de cálculo de índices de saúde do solo e iniciativas de regulamentação, ensino, extensão e articulação institucional.</p>
<p>A obra recebeu o DOI 10.11606/9786562060027 e o ISBN 978-65-6206-002-7. Segundo o registro oficial, o material foi concebido para apoiar a formação de profissionais de Ciências Agrárias e ampliar a circulação do conhecimento sobre saúde do solo em todas as regiões brasileiras.</p>
<p>A combinação entre livro, rede científica e boletins indica uma estratégia de circulação do conhecimento em diferentes níveis. Enquanto a obra de referência sistematiza resultados acumulados, a <em>Soil Health News</em> apresenta recortes temáticos e atualizações em formato mais curto, com acesso gratuito e conteúdo dirigido também a públicos de fora da universidade.</p>
<p>A próxima etapa formal da série não foi detalhada no comunicado da Esalq/USP. A BSHP mantém, porém, a newsletter entre seus canais permanentes e declara como missão conectar pesquisa, inovação e disseminação para apoiar práticas agrícolas sustentáveis e a conservação dos recursos naturais no país.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Esalq/USP — Boletins divulgam pesquisas e iniciativas sobre saúde do solo no Brasil — 31 de julho de 2026</li>
<li>Brazilian Soil Health Partnership — Sobre a Brazilian Soil Health Partnership</li>
<li>Brazilian Soil Health Partnership — Rede de membros científicos</li>
<li>Brazilian Soil Health Partnership — Soil Health News: edições publicadas</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Solo vivo, nº 1 — 15 de setembro de 2025</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Práticas regenerativas, nº 2 — 5 de dezembro de 2025</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Restauração de ecossistemas, nº 3 — 6 de abril de 2026</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Estrutura do solo e agricultura regenerativa, nº 4 — 15 de junho de 2026</li>
<li>CCARBON/USP — Programas e linhas de pesquisa</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Aplicações em saúde do solo: experiências e perspectivas — 22 de maio de 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Etanol amplia vantagem sobre gasolina e gera economia de até R$ 79 por tanque em São Paulo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/etanol-amplia-vantagem-sobre-gasolina-sao-paulo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 15:02:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[ANP]]></category>
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		<category><![CDATA[safra 2026/2027]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Única]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica sobre a gasolina comum em São Paulo desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Com o biocombustível vendido, em média, a R$ 3,70 por litro e a gasolina a R$ 6,39, a diferença pode representar economia [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica sobre a gasolina comum em São Paulo desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Com o biocombustível vendido, em média, a R$ 3,70 por litro e a gasolina a R$ 6,39, a diferença pode representar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333869">economia</a> de R$ 79,29 no abastecimento de um tanque de 60 litros.</p>
<p>O cálculo considera que um litro de etanol proporciona, em média, 73% do rendimento energético da gasolina. Aplicado esse parâmetro, a gasolina vendida a R$ 6,39 corresponderia a um preço equivalente de R$ 5,07 para o etanol. Como o valor efetivamente encontrado nas bombas paulistas foi de R$ 3,70, a diferença ajustada chegou a R$ 1,32 por litro.</p>
<p>A relação entre os preços ficou em 57,9% em São Paulo. Quanto menor essa proporção, maior tende a ser a vantagem do etanol para os veículos flex. O resultado foi o mais favorável ao biocombustível em oito anos e o segundo melhor desde o início da série utilizada pela entidade, em 2013.</p>
<p>Os dados têm como base o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável por acompanhar os preços praticados nos postos. A pesquisa abrange gasolina comum, etanol hidratado, diesel, gás veicular e gás liquefeito de petróleo, com resultados nacionais, estaduais e municipais.</p>
<h2>Vantagem depende do consumo de cada veículo</h2>
<p>A proporção de 73% utilizada no cálculo representa uma referência técnica mais atualizada do que a regra simplificada dos 70%, tradicionalmente adotada para comparar os dois combustíveis. O ponto de equilíbrio pode variar conforme o modelo do veículo, o motor, as condições de condução e o tipo de percurso.</p>
<p>Para um automóvel que percorra proporcionalmente 73 quilômetros com etanol para cada 100 quilômetros realizados com gasolina, o biocombustível será economicamente vantajoso quando custar menos de 73% do preço do combustível fóssil. Em São Paulo, a relação de 57,9% ficou 15,1 pontos percentuais abaixo desse limite.</p>
<p>A economia de R$ 79,29 não corresponde apenas à diferença nominal entre os preços na bomba. Se fossem comparados diretamente os valores de um tanque de 60 litros, o abastecimento com etanol custaria R$ 222, enquanto a gasolina exigiria R$ 383,40. A distância nominal seria de R$ 161,40, mas parte dela é compensada pelo menor rendimento energético do etanol.</p>
<p>Depois do ajuste pelo consumo, o custo equivalente da gasolina para a mesma distância seria de aproximadamente R$ 304,20. A diferença em relação aos R$ 222 gastos com o etanol fica próxima dos R$ 80 estimados. O benefício efetivo poderá ser maior ou menor conforme a eficiência específica de cada automóvel.</p>
<p>Motoristas podem calcular a paridade dividindo o preço do etanol pelo preço da gasolina. Com os valores médios paulistas, a operação de R$ 3,70 divididos por R$ 6,39 resulta em 0,579, ou 57,9%. O resultado indica vantagem ampla mesmo para veículos nos quais o rendimento relativo do etanol fique abaixo dos 73% adotados pela entidade.</p>
<h2>Etanol é competitivo em seis Estados pesquisados</h2>
<p>A vantagem não ficou restrita à média estadual de São Paulo. Segundo a análise dos dados da ANP, todos os municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais apresentaram preços do etanol abaixo da paridade técnica com a gasolina.</p>
<p>Os seis Estados concentram parcela relevante da produção brasileira de cana-de-açúcar e de etanol de milho. A proximidade das usinas, a disponibilidade do produto e a estrutura logística reduzem custos de transporte e favorecem a transmissão dos preços praticados pelos produtores até os postos.</p>
<p>Em Mato Grosso, a relação entre os preços caiu para 55%. O etanol hidratado foi comercializado, em média, a R$ 3,74 por litro, diante de R$ 6,80 para a gasolina. A diferença nominal atingiu R$ 3,06 por litro, superior aos R$ 2,69 registrados em São Paulo.</p>
<p>A competitividade, entretanto, não é uniforme em todo o território nacional. Estados distantes das principais regiões produtoras enfrentam custos logísticos maiores, e a tributação também interfere no preço final. A ANP esclarece que os combustíveis operam em regime de liberdade de preços desde 2002, sem tabelamento ou autorização prévia para reajustes.</p>
<p>O valor ao consumidor é composto pelos preços praticados por produtores ou importadores, tributos federais e estaduais, custos de distribuição, despesas de revenda e margens comerciais. No caso da gasolina, também influencia a proporção de etanol anidro obrigatoriamente adicionada ao produto antes de sua comercialização.</p>
<h2>Preço nas usinas acumula quedas em julho</h2>
<p>A redução observada nos postos ocorreu após uma sequência de quedas nas negociações entre usinas e distribuidoras. O Indicador Semanal do Etanol Hidratado Cepea/Esalq para São Paulo passou de R$ 2,2427 por litro no período encerrado em 3 de julho para R$ 2,0764 entre os dias 20 e 24.</p>
<p>O recuo acumulado nesse intervalo foi de 7,4%. Apenas na semana de 20 a 24 de julho, a diminuição chegou a 2,68%. O indicador é calculado sem frete, ICMS, PIS e Cofins, motivo pelo qual não deve ser comparado diretamente com os valores pagos pelo consumidor nos postos.</p>
<p>O etanol anidro, misturado à gasolina, apresentou trajetória semelhante. O preço médio caiu de R$ 2,5808 por litro na semana encerrada em 3 de julho para R$ 2,3786 entre os dias 20 e 24, uma redução de 7,8%.</p>
<p>O movimento refletiu a intensificação da moagem de cana-de-açúcar e a necessidade de comercialização por parte de algumas unidades produtoras. A entrada de maior volume no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333870">mercado</a> pressionou as cotações, enquanto distribuidoras mantiveram cautela nas compras diante da expectativa de continuidade da oferta.</p>
<p>A transmissão das quedas das usinas para os postos não é automática nem integral. Estoques adquiridos anteriormente, contratos, frete, tributos e margens comerciais podem retardar ou reduzir o repasse. A sequência de recuos, porém, abriu espaço para uma diminuição dos preços ao consumidor ao longo de julho.</p>
<h2>Produção cresce com cana e etanol de milho</h2>
<p>A oferta também foi favorecida pelo desempenho da produção na safra 2026/2027. Até 1º de junho, as unidades do Centro-Sul haviam produzido 7,54 bilhões de litros de etanol, crescimento de 31,55% em relação ao mesmo estágio do ciclo anterior.</p>
<p>O etanol hidratado, vendido diretamente nos postos, somou 4,96 bilhões de litros, aumento de 29%. A fabricação de anidro alcançou 2,58 bilhões de litros, avanço de 36,73%. Os dados abrangem a produção a partir de cana-de-açúcar e de milho.</p>
<p>Somente na segunda quinzena de maio, foram fabricados 2,13 bilhões de litros de etanol. Desse volume, 1,33 bilhão correspondeu ao hidratado e 796 milhões ao anidro. Cerca de 19,4% da produção quinzenal teve o milho como matéria-prima.</p>
<p>A produção de etanol de milho atingiu 1,57 bilhão de litros desde o começo da safra, alta de 8,63%. Essa modalidade permite fabricação ao longo de períodos em que a moagem de cana diminui e amplia a disponibilidade do combustível em Estados do Centro-Oeste.</p>
<p>A expansão da produção ocorreu apesar de a moagem de cana ter recuado na segunda metade de maio. As usinas processaram 41,55 milhões de toneladas, 13,08% abaixo do volume do mesmo período da safra anterior. A maior destinação da matéria-prima ao etanol e o crescimento da produção de milho compensaram parcialmente a redução.</p>
<h2>Vendas internas acompanham ganho de competitividade</h2>
<p>As vendas das unidades do Centro-Sul somaram 2,88 bilhões de litros de etanol em maio. O hidratado respondeu por 1,79 bilhão de litros, enquanto o anidro totalizou 1,09 bilhão.</p>
<p>No mercado doméstico, a comercialização de hidratado alcançou 1,77 bilhão de litros. A média diária avançou 2,09% na comparação com maio da safra anterior. As vendas de anidro aumentaram 1,66%, também considerando o mercado interno.</p>
<p>A melhora já era observada no fim de maio, quando o preço do etanol nos postos correspondia a 60,7% do valor da gasolina em São Paulo. Na última semana daquele mês, todos os municípios pesquisados nos seis principais Estados produtores apresentavam vantagem para o biocombustível.</p>
<p>Entre o fim de maio e o levantamento divulgado em agosto, a paridade paulista caiu mais 2,8 pontos percentuais, de 60,7% para 57,9%. A redução mostra que o preço do etanol recuou em ritmo superior ao da gasolina durante o período.</p>
<p>No acumulado da safra até 1º de junho, as vendas das usinas do Centro-Sul chegaram a 5,66 bilhões de litros. O hidratado respondeu por 3,55 bilhões, e o anidro, por 2,11 bilhões.</p>
<h2>Mistura de etanol na gasolina sobe para 32%</h2>
<p>O ganho de competitividade do hidratado ocorre simultaneamente ao aumento do uso do etanol anidro na gasolina. O Conselho Nacional de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333868">Política</a> Energética aprovou a elevação temporária da mistura obrigatória de 30% para 32%, conhecida como E32.</p>
<p>A medida entrou em vigor em 1º de agosto e terá duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação por igual período. A autorização está prevista na Lei do Combustível do Futuro e foi precedida por testes coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.</p>
<p>Os ensaios avaliaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões em veículos leves e motocicletas. Segundo o ministério, a mistura com 32% apresentou comportamento equivalente ao das proporções anteriores, inclusive em veículos que não possuem motor flex.</p>
<p>O governo estima que o E32 poderá reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina. A maior demanda por anidro cria uma destinação adicional para a produção das usinas, ao mesmo tempo que o hidratado permanece disponível como opção direta para proprietários de veículos flex.</p>
<p>A vantagem <a href="https://gazetamercantil.com/fgts-agosto-2026-saque-aniversario-liberado" title="FGTS Agosto 2026: saque-aniversário liberado hoje; veja quem recebe" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336173">econômica observada em agosto</a> dependerá da continuidade da oferta, das cotações nas usinas e dos repasses ao varejo. A ANP atualizará semanalmente os preços estaduais e municipais, permitindo verificar se a relação favorável ao etanol será mantida após o início do E32 e durante o avanço da moagem no Centro-Sul.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018 — 3 de agosto de 2026</li>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Levantamento de Preços de Combustíveis — <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336174">consultado em 4 de agosto</a> de 2026</li>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Série Histórica de Preços de Combustíveis e de GLP — consultada em 4 de agosto de 2026</li>
<li>Centro de Estudos Avançados em <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336175">Economia Aplicada — Indicador Semanal do Etanol</a> Cepea/Esalq — consultado em 4 de agosto de 2026</li>
<li>União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Safra 2026/2027, segunda quinzena de maio — 24 de junho de 2026</li>
<li>Ministério de Minas e Energia — CNPE aprova elevação do teor de etanol anidro na gasolina para 32% — 24 de julho de 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Crise em Ormuz leva enxofre a níveis recordes e pressiona custo da safra brasileira</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/crise-ormuz-enxofre-fertilizantes-custo-safra-brasileira</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 15:20:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[custos agrícolas]]></category>
		<category><![CDATA[DAP]]></category>
		<category><![CDATA[enxofre]]></category>
		<category><![CDATA[estreito de Ormuz]]></category>
		<category><![CDATA[fertilizantes]]></category>
		<category><![CDATA[MAP]]></category>
		<category><![CDATA[Mosaic]]></category>
		<category><![CDATA[safra 2026/27]]></category>
		<category><![CDATA[ureia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz aprofundaram a crise no mercado global de fertilizantes e elevaram os custos de matérias-primas essenciais à produção agrícola. O impacto atinge diretamente o Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras e concentra parte relevante das compras no segundo semestre, período de preparação [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="774" data-end="1172">As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz aprofundaram a crise no mercado global de fertilizantes e elevaram os custos de matérias-primas essenciais à produção agrícola. O impacto atinge diretamente o Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras e concentra parte relevante das compras no segundo semestre, período de preparação para a safra 2026/27.</p>
<p data-start="1174" data-end="1514">O principal ponto de pressão está no enxofre, insumo utilizado na fabricação de ácido sulfúrico e, posteriormente, de fertilizantes fosfatados. A redução dos embarques pelo Golfo Pérsico levou a matéria-prima a patamares recordes, próximos ou superiores a US$ 1,2 mil por tonelada em determinadas referências internacionais ao longo do ano.</p>
<p data-start="1516" data-end="1781">A crise também afeta a ureia, a amônia, o fosfato monoamônico, conhecido como MAP, e o fosfato diamônico, o DAP. O Estreito de Ormuz é rota para 34% do comércio mundial de ureia, 23% do fluxo de amônia, 18% das exportações de MAP e DAP e 49% do comércio de enxofre.</p>
<p data-start="1783" data-end="2105">A dimensão do choque vai além dos produtos que deixam diretamente os países do Golfo. Quando o enxofre e a amônia deixam de chegar a fábricas instaladas em outras regiões, unidades industriais reduzem sua produção, suspendem compras ou operam com margens insuficientes para justificar a manutenção da capacidade instalada.</p>
<h2 data-section-id="1i3h5d7" data-start="2107" data-end="2167">Enxofre transforma crise logística em problema industrial</h2>
<p data-start="2169" data-end="2426">O enxofre não é aplicado nas lavouras apenas como nutriente isolado. Sua principal relevância econômica está na produção do ácido sulfúrico, necessário para transformar a rocha fosfática em formas solúveis de fósforo que possam ser absorvidas pelas plantas.</p>
<p data-start="2428" data-end="2675">Sem oferta suficiente dessa matéria-prima, fábricas de fertilizantes fosfatados podem enfrentar dificuldades mesmo quando possuem acesso a minas de fosfato. A crise em Ormuz, portanto, interrompe uma etapa anterior à fabricação do produto acabado.</p>
<p data-start="2677" data-end="3013">Essa característica explica por que a pressão sobre os fosfatados se espalhou rapidamente para países distantes do Oriente Médio. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332129">mercado</a> não depende apenas do transporte de MAP e DAP prontos, mas também do abastecimento de insumos utilizados por produtores localizados no Brasil, nos Estados Unidos, no Marrocos, na Índia e na China.</p>
<p data-start="3015" data-end="3252">Segundo a International Fertilizer Association, aproximadamente 15 milhões de toneladas de enxofre passavam anualmente pela rota de Ormuz antes das interrupções. No caso da ureia, o fluxo se aproximava de 12 milhões de toneladas por ano.</p>
<p data-start="3254" data-end="3520">Entre o fim de fevereiro e o encerramento de abril, somente quatro embarcações de enxofre conseguiram deixar o Golfo pelo estreito, transportando cerca de 200 mil toneladas. Ao fim daquele período, aproximadamente 400 mil toneladas permaneciam retidas em dez navios.</p>
<p data-start="3522" data-end="3754">No mercado de ureia, 17 embarcações carregadas com cerca de 800 mil toneladas continuavam bloqueadas. Havia ainda 150 mil toneladas de fertilizantes fosfatados e 60 mil toneladas de amônia aguardando a retomada do trânsito marítimo.</p>
<h2 data-section-id="grdadi" data-start="3756" data-end="3814">Brasil recebeu 3 milhões de toneladas pela rota em 2025</h2>
<p data-start="3816" data-end="4070">A exposição brasileira aparece nos próprios dados do comércio internacional. Em 2025, o Brasil recebeu de fornecedores dependentes da rota de Ormuz aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de ureia, 900 mil toneladas de enxofre e 700 mil toneladas de MAP.</p>
<p data-start="4072" data-end="4300">Somados, esses três fluxos chegaram a cerca de 3 milhões de toneladas. O volume não representa toda a importação brasileira de fertilizantes, mas mostra a relevância do corredor para produtos fundamentais à agricultura nacional.</p>
<p data-start="4302" data-end="4548">A ureia é a principal fonte de nitrogênio utilizada em diferentes culturas, incluindo milho, cana-de-açúcar, café, algodão e pastagens. O MAP, por sua vez, desempenha papel importante na adubação de base de soja, milho e outras culturas de grãos.</p>
<p data-start="4550" data-end="4797">Já o enxofre importado abastece parte da indústria brasileira de fosfatados. Mesmo quando o produto final é fabricado no País, sua estrutura de custos continua exposta às cotações internacionais e à disponibilidade de matérias-primas estrangeiras.</p>
<p data-start="4799" data-end="5099">O Brasil responde por aproximadamente 8% do consumo mundial de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores mercados globais. A escala da agricultura nacional faz com que alterações relativamente pequenas nos preços internacionais tenham efeitos relevantes sobre o custo total da produção.</p>
<p data-start="5101" data-end="5458">Além da dependência externa, há uma concentração temporal das compras. A demanda brasileira aumenta no segundo semestre, enquanto China, Índia e Estados Unidos possuem calendários diferentes. Essa sazonalidade pode oferecer poder de negociação em anos de oferta confortável, mas aumenta o risco quando a crise coincide com o período de formação de estoques.</p>
<h2 data-section-id="1vux2o5" data-start="5460" data-end="5520">Mosaic reduz produção diante do custo das matérias-primas</h2>
<p data-start="5522" data-end="5731">A deterioração do mercado já produziu efeitos concretos na indústria instalada no Brasil. A Mosaic informou que o aumento do preço do enxofre tornou parte de sua produção de fosfatados economicamente inviável.</p>
<p data-start="5733" data-end="5984">A companhia havia iniciado, ainda em dezembro de 2025, a suspensão temporária da produção de superfosfato simples nas instalações da Fospar e de Araxá. Em janeiro, decidiu prolongar os cortes e suspender novas compras de enxofre no mercado brasileiro.</p>
<p data-start="5986" data-end="6203">A pressão sobre a matéria-prima, portanto, começou antes do agravamento das interrupções em Ormuz. A crise no estreito reduziu ainda mais a oferta internacional e aprofundou um desequilíbrio que já estava em formação.</p>
<p data-start="6205" data-end="6398">Em abril, a Mosaic anunciou a paralisação e desmobilização do complexo de mineração e processamento de Araxá, além da suspensão das atividades de mineração relacionadas à unidade de Patrocínio.</p>
<p data-start="6400" data-end="6674">A medida deverá reduzir a produção anual de fosfatados da Mosaic Fertilizantes em aproximadamente 1 milhão de toneladas. A companhia também colocou os ativos de Araxá à venda e estimou uma redução futura de despesas operacionais e investimentos após a conclusão do processo.</p>
<p data-start="6676" data-end="6873">No primeiro trimestre de 2026, a margem bruta da Mosaic Fertilizantes caiu de US$ 69 para US$ 22 por tonelada. O Ebitda ajustado do negócio brasileiro recuou de US$ 122 milhões para US$ 79 milhões.</p>
<p data-start="6875" data-end="7110">A companhia atribuiu o desempenho a menores volumes, redução das margens de distribuição e aumento do custo do enxofre. No segmento global de fosfatados, os gastos adicionais com matérias-primas chegaram a US$ 280 milhões no trimestre.</p>
<h2 data-section-id="rnafu9" data-start="7112" data-end="7166">Ureia sente impacto do gás e do transporte marítimo</h2>
<p data-start="7168" data-end="7341">Nos fertilizantes nitrogenados, o mecanismo de transmissão da crise é diferente. A ureia é produzida a partir da amônia, cuja fabricação depende intensamente do gás natural.</p>
<p data-start="7343" data-end="7571">O gás funciona tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima para obtenção do hidrogênio utilizado no processo industrial. Na produção de fertilizantes nitrogenados, ele representa normalmente entre 60% e 80% dos custos.</p>
<p data-start="7573" data-end="7810">Ormuz também é uma rota central para o gás natural liquefeito. A interrupção dos fluxos afeta produtores diretamente instalados no Golfo e países asiáticos que dependem do gás importado para manter fábricas de amônia e ureia em operação.</p>
<p data-start="7812" data-end="8044">O choque atingiu os preços internacionais com maior intensidade entre março e abril. A ureia chegou a superar US$ 850 por tonelada em algumas referências internacionais, uma valorização de aproximadamente 80% em relação a fevereiro.</p>
<p data-start="8046" data-end="8328">Parte dessa alta foi posteriormente devolvida com a reorganização das rotas, a liberação de alguns embarques e a retração temporária dos compradores. O mercado, no entanto, continua sujeito a movimentos abruptos porque a circulação de navios não retornou ao padrão anterior à crise.</p>
<p data-start="8330" data-end="8603">O Banco Mundial projeta avanço de quase 60% no preço médio da ureia em 2026. Para o conjunto dos fertilizantes, a previsão é de alta superior a 30%, seguida de possível alívio em 2027, condicionado à recuperação das exportações e à entrada de novas capacidades de produção.</p>
<h2 data-section-id="fqleio" data-start="8605" data-end="8656">Fosfatados caros reduzem apetite dos compradores</h2>
<p data-start="8658" data-end="8884">O aumento dos custos industriais elevou os preços dos fosfatados, mas também passou a restringir a demanda. Produtores rurais, distribuidores e misturadores adiaram parte das compras na expectativa de algum recuo das cotações.</p>
<p data-start="8886" data-end="9082">Esse comportamento produz uma aparente contradição. A oferta está reduzida, mas os preços elevados limitam os <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332127">negócios</a> e impedem que fabricantes repassem integralmente o custo das matérias-primas.</p>
<p data-start="9084" data-end="9337">A indústria pode vender o fertilizante acabado por um valor maior e, ainda assim, registrar margens menores. Isso ocorre quando o preço do enxofre, da amônia e de outros insumos avança mais rapidamente do que a cotação do MAP, do DAP ou do superfosfato.</p>
<p data-start="9339" data-end="9546">A perda de rentabilidade leva algumas fábricas a reduzir as taxas de utilização, agravando a escassez. Ao mesmo tempo, o produtor rural evita fechar contratos em um mercado que considera excessivamente caro.</p>
<p data-start="9548" data-end="9796">A Organização Mundial do Comércio identificou aumento expressivo das restrições comerciais adotadas por países exportadores desde o fechamento de Ormuz. Licenças, cotas e proibições poderiam afetar até 15% das exportações mundiais de fertilizantes.</p>
<p data-start="9798" data-end="10044">Considerada a interrupção dos embarques do Golfo como uma restrição adicional, a parcela potencialmente afetada chegaria a 23,3% do comércio global. A estimativa representa um limite superior, porque parte das cargas continua sendo redirecionada.</p>
<h2 data-section-id="wr8tms" data-start="10046" data-end="10102">Rotas alternativas não substituem capacidade de Ormuz</h2>
<p data-start="10104" data-end="10312">A Arábia Saudita passou a utilizar com maior intensidade portos fora do Golfo, incluindo terminais no Mar Vermelho. Outros exportadores buscaram corredores terrestres e embarques por instalações alternativas.</p>
<p data-start="10314" data-end="10564">Essas soluções, contudo, possuem capacidade limitada e custos superiores. O transporte por terra adiciona despesas de manuseio, armazenagem e deslocamento, enquanto as rotas marítimas mais longas elevam o consumo de combustível e o preço dos seguros.</p>
<p data-start="10566" data-end="10760">O risco no Mar Vermelho também dificulta a substituição. A cadeia global de fertilizantes passou a enfrentar simultaneamente problemas em Ormuz e nas rotas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb.</p>
<p data-start="10762" data-end="11042">A redução da oferta de navios disponíveis para determinadas rotas pressiona os fretes. Em mercados de produtos de baixo valor relativo por tonelada, como algumas matérias-primas para fertilizantes, o custo logístico pode determinar se uma operação permanece economicamente viável.</p>
<p data-start="11044" data-end="11238">Para o comprador brasileiro, o preço final combina a cotação internacional do produto, o frete marítimo, o seguro, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332128">dólar</a>, os custos portuários e o transporte interno até as regiões produtoras.</p>
<p data-start="11240" data-end="11366">Mesmo quando a cotação externa recua, outros componentes podem impedir uma queda equivalente nos preços pagos pelo agricultor.</p>
<h2 data-section-id="11lzrni" data-start="11368" data-end="11438">Produtor brasileiro enfrenta decisão sobre dose e momento de compra</h2>
<p data-start="11440" data-end="11657">O impacto da crise será diferente conforme o nível de cobertura de cada produtor. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332130">Empresas</a> agrícolas e cooperativas que compraram fertilizantes antecipadamente estão parcialmente protegidas contra a elevação imediata.</p>
<p data-start="11659" data-end="11851">Produtores que ainda precisam adquirir grande parte dos insumos para a safra 2026/27 estão mais expostos. A situação é especialmente relevante para culturas intensivas em nitrogênio e fósforo.</p>
<p data-start="11853" data-end="12127">Diante de uma relação de troca desfavorável, o agricultor pode adiar a compra, buscar fontes alternativas, reduzir a dose aplicada ou substituir parte do produto. Essas decisões dependem da análise do solo, da cultura, do potencial produtivo e da disponibilidade financeira.</p>
<p data-start="12129" data-end="12312">A substituição entre nutrientes possui limites técnicos. Potássio, fósforo e nitrogênio cumprem funções diferentes, e a redução excessiva de um deles pode comprometer a produtividade.</p>
<p data-start="12314" data-end="12558">O potássio está menos exposto diretamente à crise de Ormuz porque os principais fornecedores globais estão no Canadá, na Rússia e em Belarus. Ainda assim, pode sofrer efeitos indiretos caso agricultores alterem o orçamento destinado à adubação.</p>
<p data-start="12560" data-end="12771">Um produtor que precisa gastar mais com ureia ou MAP pode reduzir compras de cloreto de potássio para manter o custo total sob controle. Dessa forma, o choque em um nutriente alcança outros segmentos do mercado.</p>
<h2 data-section-id="re9umt" data-start="12773" data-end="12817">Alta pode chegar aos alimentos com atraso</h2>
<p data-start="12819" data-end="12978">O encarecimento dos fertilizantes não se transforma automaticamente em inflação ao consumidor. O primeiro impacto costuma aparecer na margem do produtor rural.</p>
<p data-start="12980" data-end="13225">Quando o preço recebido por soja, milho, algodão ou cana-de-açúcar não acompanha os custos, a rentabilidade diminui. O agricultor pode reagir reduzindo investimentos, adotando uma adubação mais conservadora ou alterando a combinação de culturas.</p>
<p data-start="13227" data-end="13393">O repasse aos alimentos depende da duração da crise, do volume de estoques, do câmbio, das condições climáticas e da capacidade de o mercado absorver os novos custos.</p>
<p data-start="13395" data-end="13656">Caso a redução da aplicação comprometa a produtividade, o efeito poderá surgir na forma de menor oferta e preços agrícolas mais elevados. Esse processo ocorre com atraso e pode atingir primeiro grãos e rações, antes de chegar a carnes, leite e outros alimentos.</p>
<p data-start="13658" data-end="13884">O risco também alcança as exportações. Fertilizantes mais caros reduzem a competitividade da produção brasileira, especialmente quando concorrentes possuem maior produção doméstica de nutrientes ou acesso logístico mais curto.</p>
<h2 data-section-id="bhi01z" data-start="13886" data-end="13951">Safra 2026/27 transforma Ormuz em teste para o agro brasileiro</h2>
<p data-start="13953" data-end="14192">A crise reforça a vulnerabilidade que levou o governo a criar o Plano Nacional de Fertilizantes. A estratégia prevê ampliar a produção nacional, desenvolver fontes alternativas de nutrientes, estimular pesquisa e diversificar fornecedores.</p>
<p data-start="14194" data-end="14398">Os resultados, porém, são de longo prazo. Novas minas, fábricas de nitrogenados e plantas de fosfatados exigem investimentos elevados, licenciamento, infraestrutura e vários anos até o início da produção.</p>
<p data-start="14400" data-end="14572">No horizonte imediato, o Brasil dependerá da disponibilidade internacional, da capacidade dos importadores de encontrar novas origens e da normalização das rotas marítimas.</p>
<p data-start="14574" data-end="14750">A abertura parcial de corredores e a redistribuição dos embarques podem aliviar a escassez, mas não eliminam o prêmio de risco incorporado aos preços, aos fretes e aos seguros.</p>
<p data-start="14752" data-end="15030">A preparação para a safra 2026/27 ocorre, assim, sob uma combinação desfavorável: demanda brasileira concentrada no segundo semestre, indústria internacional operando com restrições e incerteza geopolítica sobre uma rota que concentra quase metade do comércio global de enxofre.</p>
<p data-start="15032" data-end="15394">O comportamento dos preços nas próximas semanas determinará se o choque será absorvido principalmente pelas margens dos produtores ou se avançará para as decisões de adubação, produtividade e oferta agrícola. Para o Brasil, a crise em Ormuz deixou de ser apenas uma questão distante de logística marítima e passou a integrar diretamente o custo da próxima safra.</p>
<p data-start="15396" data-end="15518">
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		<item>
		<title>USP cria mapa químico para rastrear origem de madeira ilegal da Amazônia</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/usp-mapa-quimico-rastrear-madeira-ilegal-amazonia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 14:16:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Documento de Origem Florestal]]></category>
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		<category><![CDATA[USP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um método capaz de restringir geograficamente a origem de madeira extraída da Amazônia a partir da composição química registrada na celulose das árvores. Conduzido pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em Piracicaba, o projeto combina análise de isótopos estáveis, modelagem estatística e aprendizado de máquina [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um método capaz de restringir geograficamente a origem de madeira extraída da Amazônia a partir da composição química registrada na celulose das árvores. Conduzido pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em Piracicaba, o projeto combina análise de isótopos estáveis, modelagem estatística e aprendizado de máquina para verificar se a procedência declarada em documentos florestais é compatível com a região onde a árvore teria crescido.</p>
<p>A tecnologia cria uma espécie de impressão digital natural da madeira. Como as proporções de diferentes formas de oxigênio, carbono, nitrogênio e outros elementos variam de acordo com o regime de chuvas, o solo, a altitude e as condições ambientais, amostras retiradas de regiões distintas da Amazônia apresentam assinaturas químicas diferentes.</p>
<p>O objetivo não é substituir o Documento de Origem Florestal, o DOF, nem determinar imediatamente o ponto exato onde cada árvore foi derrubada. A proposta é oferecer uma prova material independente <a href="https://gazetamercantil.com/inss-agosto-2026-calendario-pagamento-prova-de-vida" title="INSS Agosto 2026: calendário oficial de 25/08 a 08/09 e prova de vida obrigatória &#8211; veja quem recebe" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336196">para</a> confrontar as informações registradas no sistema oficial, reduzindo a área provável de origem e indicando quando a composição da madeira é incompatível com o local declarado.</p>
<p>A pesquisa é coordenada pelo professor Luiz Antonio Martinelli e já envolve colaboração com peritos da Polícia Federal. O trabalho também ganhou uma aplicação econômica mais ampla: permitir que <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332116">empresas</a>, exportadores, instituições financeiras e compradores internacionais verifiquem com maior segurança a origem de produtos florestais inseridos em suas cadeias de fornecimento.</p>
<h2>Assinatura química confronta origem declarada no DOF</h2>
<p>O Documento de Origem Florestal é a licença obrigatória para o transporte e o armazenamento de madeira e outros produtos florestais de espécies nativas. Emitido eletronicamente, o documento reúne informações sobre procedência, volume, espécie, origem e destino da carga.</p>
<p>O sistema foi ampliado com a criação do DOF+ Rastreabilidade, destinado a acompanhar a madeira desde sua localização na floresta até o primeiro processamento. A fiscalização, contudo, ainda depende da consistência das informações inseridas pelos agentes da cadeia e da capacidade dos órgãos públicos de verificar os dados apresentados.</p>
<p>É nessa lacuna que o método da USP pretende atuar. Enquanto registros eletrônicos, autorizações e documentos de transporte podem conter informações falsas ou ser utilizados para encobrir madeira retirada de áreas não autorizadas, a composição isotópica está incorporada à própria estrutura do material.</p>
<p>Os isótopos são formas de um mesmo elemento químico que possuem o mesmo número de prótons, mas quantidades diferentes de nêutrons. A proporção entre essas formas varia na natureza e pode deixar registros mensuráveis nos tecidos das plantas.</p>
<p>Na madeira, os pesquisadores analisam a composição da celulose. A relação entre oxigênio-18 e oxigênio-16, por exemplo, muda conforme a localização geográfica e as condições climáticas às quais a árvore esteve exposta durante seu desenvolvimento.</p>
<p>Essa característica transforma a madeira em uma fonte de evidência pericial. Uma carga acompanhada de documento que indique determinada origem pode ser submetida a análise laboratorial e comparada com o mapa isotópico construído pelos pesquisadores.</p>
<p>Caso a assinatura química seja incompatível com a procedência declarada, o resultado pode servir como elemento adicional em uma investigação. Segundo Martinelli, a vantagem é que não há como alterar artificialmente a composição isotópica formada ao longo do crescimento da árvore. “Não tem como falsificar isótopos estáveis”, afirmou o pesquisador.</p>
<h2>Estudo identificou gradiente químico entre leste e oeste</h2>
<p>A primeira etapa científica consolidada do projeto foi publicada em maio de 2026 na revista internacional <em>Molecules</em>. O estudo apresentou o primeiro mapa regional da distribuição de isótopos estáveis de oxigênio na madeira de árvores da Amazônia.</p>
<p>O artigo analisou 387 árvores coletadas em 25 localidades. Depois da extração da alfa-celulose, os pesquisadores mediram os valores de oxigênio-18 e testaram dois modelos para representar a distribuição geográfica das assinaturas.</p>
<p>O primeiro utilizou regressão linear múltipla, método estatístico que relaciona a composição isotópica a variáveis ambientais. O segundo empregou o algoritmo Random Forest, técnica de aprendizado de máquina que combina diferentes árvores de decisão para identificar padrões em grandes conjuntos de dados.</p>
<p>O modelo de regressão linear apresentou coeficiente de determinação de 0,70. Isso significa que as variáveis empregadas conseguiram explicar aproximadamente 70% da variação observada nos valores médios entre os locais analisados.</p>
<p>O Random Forest alcançou desempenho semelhante, com coeficiente de 0,67. A proximidade dos resultados indicou que tanto a abordagem estatística tradicional quanto o aprendizado de máquina conseguiram reproduzir o principal padrão geográfico identificado pela pesquisa.</p>
<p>Os dois modelos revelaram um gradiente entre o sudeste e o noroeste da Amazônia. As madeiras provenientes da parte ocidental apresentaram proporções menores de oxigênio-18, enquanto as amostras do leste registraram concentrações mais elevadas.</p>
<p>A explicação está relacionada ao deslocamento da umidade proveniente do oceano Atlântico. À medida que as massas de ar avançam sobre o continente e provocam precipitações, parte dos isótopos mais pesados do oxigênio é retirada da atmosfera pela chuva.</p>
<p>Quando a umidade chega às áreas mais distantes do oceano, especialmente no oeste amazônico, a água já perdeu uma parcela maior de oxigênio-18. Essa diferença é absorvida pelas árvores e incorporada à celulose, deixando um registro químico da dinâmica climática regional.</p>
<h2>Inteligência artificial amplia capacidade de cruzar variáveis</h2>
<p>O uso de inteligência artificial permite ao projeto trabalhar com relações que não seguem necessariamente padrões lineares. Na Amazônia, a composição da madeira pode ser influenciada simultaneamente pelo regime de chuvas, temperatura, altitude, umidade, tipo de solo, evapotranspiração e características fisiológicas de cada espécie.</p>
<p>Modelos de aprendizado de máquina conseguem cruzar essas variáveis e identificar combinações difíceis de capturar por métodos mais simples. A tecnologia também permite revisar as previsões à medida que novas amostras são incorporadas ao banco de dados.</p>
<p>A inteligência artificial, entretanto, não elimina a necessidade de uma base física representativa. O sistema depende de amostras cuja origem seja conhecida e confiável. Quanto mais ampla e distribuída for a coleta, maior tende a ser a capacidade do modelo de diferenciar regiões próximas.</p>
<p>O artigo publicado utilizou somente o oxigênio como marcador isotópico. O projeto mais amplo já trabalha com carbono e nitrogênio e pretende incorporar o estrôncio, elemento cuja composição pode refletir características geológicas e dos solos.</p>
<p>A combinação de vários marcadores poderá reduzir áreas de incerteza. Uma região que apresente valores semelhantes de oxigênio a outra pode ter composição distinta de carbono, nitrogênio ou estrôncio, permitindo uma separação mais precisa.</p>
<p>A equipe também estuda a criação de um mapa baseado na concentração de diferentes elementos químicos presentes na madeira. Essa ferramenta, chamada de <em>elementalscape</em>, poderia complementar o mapa isotópico e ampliar o número de características utilizadas na atribuição de origem.</p>
<h2>Base ampliada reúne 800 árvores em 63 localidades</h2>
<p>Embora o estudo publicado tenha considerado 387 árvores de 25 pontos, o projeto completo já reúne amostras de aproximadamente 800 árvores coletadas em 63 localidades da Amazônia.</p>
<p>A expansão é necessária porque a floresta ocupa uma área extensa, reúne grande diversidade de espécies e apresenta variações de solo e clima em escalas relativamente pequenas. Uma base concentrada em poucos pontos poderia produzir resultados excessivamente amplos ou atribuir confiança indevida a determinada região.</p>
<p>No estágio atual, o melhor modelo consegue excluir aproximadamente 80% da área florestal amazônica ao avaliar a possível origem de uma amostra. Isso representa a eliminação de cerca de 3,2 milhões de quilômetros quadrados.</p>
<p>O percentual demonstra o potencial do método, mas também revela sua principal limitação. Os 20% restantes correspondem a aproximadamente 640 mil quilômetros quadrados, área superior à de muitos países e equivalente a cerca de duas vezes e meia o território do Estado de São Paulo.</p>
<p>A ferramenta, portanto, ainda não deve ser apresentada como um sistema capaz de apontar sozinho a fazenda, o município ou o local exato da extração. Sua função mais imediata é restringir possibilidades e testar a compatibilidade entre a madeira apreendida e a origem declarada.</p>
<p>Em uma investigação, essa informação pode ser cruzada com coordenadas de planos de manejo, imagens de satélite, registros de transporte, dados de serrarias, volumes autorizados, rotas logísticas e documentos fiscais.</p>
<p>Quanto maior a quantidade de evidências convergentes, mais robusta será a atribuição de origem. A análise isotópica poderá funcionar como uma camada adicional de verificação, e não como substituta de todos os demais instrumentos de fiscalização.</p>
<h2>Arco do desmatamento concentra maior dificuldade técnica</h2>
<p>O maior desafio do projeto está justamente no arco do desmatamento, faixa que se estende por áreas do Maranhão, Pará, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas e concentra parte relevante da pressão sobre a floresta.</p>
<p>A região apresenta elevada diversidade de solos, microclimas, formações florestais e históricos de ocupação. Isso aumenta a variabilidade das assinaturas químicas e dificulta a construção de fronteiras claras entre uma área e outra.</p>
<p>Há ainda um problema operacional. O avanço da exploração madeireira e da conversão da floresta reduz o número de árvores disponíveis para amostragem em determinados locais. Como resultado, as áreas com maior risco de extração ilegal podem ser justamente aquelas em que os pesquisadores encontram maior dificuldade para construir uma base representativa.</p>
<p>A superação dessa limitação exigirá novas campanhas de coleta, maior diversidade de espécies e integração com instituições que atuam em diferentes partes da Amazônia.</p>
<p>O artigo reúne pesquisadores ligados à USP, Universidade de Brasília, Universidade Estadual Paulista, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Universidade do Estado do Amapá, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Lavras, Universidade Estadual de Montes Claros, Universidade de Utah e Polícia Federal.</p>
<p>A participação de diferentes instituições amplia o acesso a coleções, laboratórios, áreas de pesquisa e conhecimentos especializados. Também aproxima a produção acadêmica da aplicação pericial, condição necessária para que o método saia da fase experimental e seja incorporado a procedimentos de fiscalização.</p>
<h2>Polícia Federal prepara aplicação pericial do método</h2>
<p>A Polícia Federal já mantém iniciativas voltadas ao uso de análises geoquímicas para determinar a origem de madeira apreendida. Um dos projetos institucionais, denominado Madeira de Lei, concentra-se na exploração ilegal e utiliza estudos químicos para atribuição geográfica do material.</p>
<p>A cooperação com o grupo da USP pode oferecer aos peritos um mapa de referência contra o qual as amostras sejam comparadas. Depois de consolidada, a metodologia poderá ser aplicada a pequenos fragmentos retirados de toras, tábuas, móveis ou outros produtos.</p>
<p>O potencial probatório dependerá da validação científica, da padronização da coleta, do controle da cadeia de custódia e da definição de margens de erro. Laudos utilizados em processos criminais ou administrativos precisam demonstrar como as amostras foram obtidas, conservadas, analisadas e comparadas.</p>
<p>Outro ponto será estabelecer o peso da análise isotópica diante das demais evidências. Um resultado incompatível com o DOF pode indicar fraude, mistura de cargas ou falha documental, mas deverá ser interpretado dentro do conjunto da investigação.</p>
<p>Ainda assim, a possibilidade de testar fisicamente uma declaração de origem muda a dinâmica da fiscalização. Em vez de depender exclusivamente da conferência de registros, os órgãos públicos passam a contar com uma característica interna da própria madeira.</p>
<h2>Exigências internacionais aumentam valor da rastreabilidade</h2>
<p>O desenvolvimento da tecnologia ocorre em um momento de aumento das exigências ambientais sobre cadeias globais de fornecimento. A União Europeia se prepara para aplicar, a partir de 30 de dezembro de 2026, regras que obrigam empresas a demonstrar que determinadas commodities e produtos não estão associados ao desmatamento ou à degradação florestal.</p>
<p>A madeira está entre os produtos abrangidos. As empresas deverão realizar procedimentos de diligência, reunir dados de geolocalização e avaliar o risco de que os itens comercializados tenham origem em áreas desmatadas após a data de corte estabelecida pela regulação.</p>
<p>O mapa isotópico não substitui a geolocalização exigida pelas autoridades europeias. Ele pode, porém, funcionar como instrumento de auditoria para testar a consistência das informações fornecidas por produtores e fornecedores.</p>
<p>Para exportadores brasileiros, a capacidade de comprovar a origem pode reduzir o risco de retenções, sanções, cancelamento de contratos e perda de compradores. Para bancos, fundos e seguradoras, a tecnologia pode melhorar a avaliação de riscos socioambientais vinculados a empresas do setor florestal.</p>
<p>Companhias de móveis, construção, papel, celulose e varejo também poderão utilizar análises independentes para verificar fornecedores considerados mais expostos. A rastreabilidade deixaria de ser apenas um requisito documental e passaria a incorporar testes físicos por amostragem.</p>
<p>O efeito econômico mais relevante poderá ocorrer na diferenciação entre madeira legal e produtos cuja origem não possa ser comprovada. Empresas com cadeias auditáveis tendem a enfrentar menos barreiras, enquanto operações dependentes de documentação inconsistente ficam mais expostas a fiscalizações e restrições comerciais.</p>
<h2>Ampliação do banco de amostras definirá alcance da tecnologia</h2>
<p>A transformação do mapa isotópico em uma ferramenta operacional dependerá agora da expansão da base de referência e da validação em casos reais.</p>
<p>Novas coletas deverão preencher lacunas geográficas, aumentar a representação do arco do desmatamento e testar se diferenças entre espécies afetam as previsões. A inclusão de carbono, nitrogênio, estrôncio e outros elementos poderá reduzir a área de incerteza deixada pelo oxigênio.</p>
<p>Também será necessário criar protocolos para laboratórios, estabelecer critérios de interpretação e determinar em quais condições uma origem pode ser considerada compatível ou incompatível.</p>
<p>O avanço já obtido mostra que a madeira preserva informações ambientais capazes de atravessar as etapas de corte, transporte e processamento. Ao transformar esse registro natural em evidência mensurável, a pesquisa da USP abre uma nova frente contra a lavagem de madeira ilegal.</p>
<p>A consolidação do método dependerá menos da promessa de localizar uma árvore isolada e mais da capacidade de construir um sistema amplo, auditável e estatisticamente confiável. Com 800 árvores catalogadas em 63 localidades, o mapa começa a ganhar escala, mas será o crescimento dessa rede que determinará sua utilidade para a Polícia Federal, para o comércio exterior e para a cadeia florestal brasileira.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>USDA reduz milho e soja a 63%; calor ameaça fase decisiva da safra dos EUA</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/usda-reduz-avaliacao-milho-soja-safra-estados-unidos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 23:42:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[USDA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu nesta segunda-feira, 27 de julho, a avaliação das lavouras de milho e soja do país após o avanço do calor e da deficiência de chuvas nas Grandes Planícies e em partes do Meio-Oeste. A parcela das duas culturas classificada como boa ou excelente caiu para 63% na [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu nesta segunda-feira, 27 de julho, a avaliação das lavouras de milho e soja do país após o avanço do calor e da deficiência de chuvas nas Grandes Planícies e em partes do Meio-Oeste. A parcela das duas culturas classificada como boa ou excelente caiu para 63% na semana encerrada no domingo, 26, justamente quando grande parte das plantas atravessa fases determinantes para a formação dos grãos.</p>
<p>A deterioração foi mais intensa no milho. O percentual de lavouras em boa ou excelente condição recuou quatro pontos em apenas uma semana, ante 67% no levantamento anterior. Na mesma etapa da temporada de 2025, a avaliação alcançava 73%.</p>
<p>Na soja, a classificação positiva caiu de 66% para 63%. Um ano antes, 70% das áreas eram consideradas boas ou excelentes.</p>
<p>Os resultados são os mais baixos para esta época do ano desde 2023 e aumentam a atenção do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331990">mercado</a> sobre o clima de agosto. A piora, porém, ainda não representa uma estimativa de quebra da safra dos Estados Unidos. O relatório do USDA mede visualmente o estado das plantações e pode mudar rapidamente caso as chuvas retornem.</p>
<h2>Milho perde quatro pontos durante a polinização</h2>
<p>A condição do milho apresentou uma mudança relevante na composição das avaliações.</p>
<p>A parcela considerada excelente caiu de 16% para 13%, enquanto as lavouras em boa condição passaram de 51% para 50%. Ao mesmo tempo, o grupo classificado como ruim ou muito ruim aumentou de 9% para 12%.</p>
<p>O movimento ocorreu quando 78% das áreas já haviam alcançado a emissão dos estilos-estigmas, etapa conhecida como <em>silking</em> e diretamente ligada à polinização das espigas.</p>
<p>O desenvolvimento estava acima dos 74% observados, em média, nos cinco anos anteriores. Em relação à semana precedente, houve avanço de 19 pontos percentuais.</p>
<p>Outros 25% das lavouras já se encontravam na fase de grão leitoso ou farináceo, ante média histórica de 22%. O adiantamento torna a disponibilidade de água ainda mais importante porque uma parcela elevada da safra já entrou no período de definição do número e do peso dos grãos.</p>
<p>Durante a polinização, temperaturas excessivas podem reduzir a viabilidade do pólen e impedir a fecundação uniforme da espiga. A falta de umidade também leva a planta a limitar seu desenvolvimento para preservar energia, o que pode resultar em menos grãos.</p>
<p>O efeito depende da intensidade e da duração do estresse. Um episódio curto de calor seguido por chuvas regulares tende a causar menos danos do que uma sequência prolongada de temperaturas altas e solo seco.</p>
<h2>Iowa sustenta média, mas Planícies apresentam fragilidade</h2>
<p>A avaliação nacional encobre diferenças importantes entre os Estados produtores.</p>
<p>Iowa, maior produtor norte-americano de milho, mantinha 80% das lavouras em condição boa ou excelente. Minnesota apresentava 77%, enquanto Wisconsin registrava 74%.</p>
<p>Esses índices ajudaram a sustentar a média dos Estados Unidos, mas o quadro era mais frágil nas áreas atingidas por seca e calor nas Planícies.</p>
<p>No Colorado, apenas 31% das plantações estavam em boa condição e nenhuma parcela foi classificada como excelente. Outros 41% do milho eram considerados ruins ou muito ruins.</p>
<p>No Texas, o grupo bom ou excelente representava 42%, enquanto 30% das áreas estavam nas duas piores classificações.</p>
<p>Dakota do Norte tinha 50% das lavouras em condição boa ou excelente. Em Dakota do Sul, o índice também era de 50%, com 23% das áreas classificadas como ruins ou muito ruins.</p>
<p>Kansas apresentava 54% de avaliação positiva e Nebraska, 60%. A diferença entre as regiões mostra que uma eventual redução da produtividade nacional dependerá da capacidade dos Estados centrais de compensar perdas nas áreas mais secas.</p>
<h2>Soja avança rapidamente para a formação de vagens</h2>
<p>A soja também chegou a uma etapa em que a distribuição das chuvas passa a ter influência direta sobre o resultado da safra.</p>
<p>O USDA informou que 80% das lavouras estavam em floração, acima dos 74% registrados no mesmo período de 2025 e da média dos cinco anos anteriores.</p>
<p>A formação de vagens alcançava 47% das áreas. O índice superava os 39% observados tanto no ano anterior quanto na média histórica.</p>
<p>A soja possui maior capacidade de compensação do que o milho durante parte do ciclo. Chuvas em agosto ainda podem estimular o enchimento das vagens e preservar o peso dos grãos, mesmo depois de semanas menos favoráveis em julho.</p>
<p>Essa capacidade diminui à medida que as plantas avançam. Se a deficiência hídrica persistir durante a formação e o enchimento das vagens, a cultura pode abortar flores, limitar o número de sementes e encurtar o período de desenvolvimento.</p>
<p>A parcela da soja em condição ruim ou muito ruim subiu de 8% para 9%. Um ano antes, as duas categorias somavam 6%.</p>
<h2>Dakota do Norte tem menos da metade da soja bem avaliada</h2>
<p>Iowa e Minnesota continuavam entre os Estados com melhores condições para a soja. Ambos registravam 78% das áreas em condição boa ou excelente.</p>
<p>No outro extremo, apenas 46% das plantações de Dakota do Norte estavam nas duas melhores classificações. Outros 13% eram considerados ruins ou muito ruins e 41% permaneciam em condição regular.</p>
<p>Dakota do Sul tinha 52% das lavouras bem avaliadas, enquanto 20% apareciam nas categorias ruim ou muito ruim.</p>
<p>Em Illinois, um dos maiores produtores de soja dos Estados Unidos, a classificação boa ou excelente alcançava 57%. Michigan apresentava 53%.</p>
<p>Nebraska registrava 61%, e Kansas, 64%.</p>
<p>A distribuição geográfica será decisiva para o resultado nacional. Perdas nas áreas mais secas poderão ser parcialmente compensadas por produtividades elevadas em Iowa, Minnesota e outras regiões, desde que o clima continue favorável nesses Estados.</p>
<h2>Umidade do solo piora nas Grandes Planícies</h2>
<p>Os dados de umidade ajudam a explicar a queda das avaliações.</p>
<p>No Colorado, 89% do solo superficial estava com umidade curta ou muito curta. Em Dakota do Sul, o índice chegava a 75%, enquanto Nebraska apresentava 72%.</p>
<p>Dakota do Norte tinha 62% do solo superficial nas duas categorias de deficiência. Em Michigan, o percentual alcançava 63%.</p>
<p>Mesmo em Iowa, onde as lavouras mantinham condições relativamente boas, 36% do solo apresentava umidade curta ou muito curta.</p>
<p>O U.S. Drought Monitor registrou expansão e intensificação da seca em partes das Planícies e do Alto Meio-Oeste durante a semana anterior à divulgação do relatório.</p>
<p>A região enfrentou temperaturas entre aproximadamente 1°C e mais de 5°C acima da média em algumas áreas. O calor elevou a evaporação e acelerou a perda de umidade do solo.</p>
<p>A piora também atingiu pastagens. Em Nebraska, 66% das áreas de pasto estavam em condição ruim ou muito ruim. No Colorado, o percentual chegava a 77%.</p>
<p>O enfraquecimento das pastagens pode aumentar os custos dos pecuaristas, antecipar o uso de alimentos armazenados e ampliar a procura por milho e outros ingredientes destinados à alimentação dos rebanhos.</p>
<h2>Previsão aponta risco de seca de início rápido</h2>
<p>O Climate Prediction Center dos Estados Unidos indicou risco de desenvolvimento rápido de seca em partes das Grandes Planícies e do Cinturão do Milho no começo de agosto.</p>
<p>O fenômeno ocorre quando uma combinação de pouca chuva, temperaturas elevadas, vento e forte evaporação provoca perda acelerada de umidade.</p>
<p>Ao contrário de secas que se desenvolvem gradualmente durante meses, a chamada seca de início rápido pode alterar as condições agrícolas em poucas semanas.</p>
<p>O risco é maior quando o fenômeno coincide com as etapas reprodutivas das culturas. Milho em polinização e soja em formação de vagens podem perder potencial antes que uma eventual regularização das chuvas consiga restabelecer as condições anteriores.</p>
<p>As previsões, contudo, não indicam clima uniforme para toda a região produtora. Tempestades localizadas podem levar volumes elevados a determinados municípios enquanto propriedades próximas permanecem secas.</p>
<p>Por isso, além do total acumulado, o mercado acompanhará a distribuição geográfica e a frequência das precipitações.</p>
<h2>Relatório mede condição, não produtividade final</h2>
<p>As classificações semanais do USDA são um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado de grãos, mas possuem limitações.</p>
<p>O levantamento utiliza informações de aproximadamente 3,6 mil pessoas cujas atividades permitem observar lavouras e manter contato frequente com produtores nos principais Estados agrícolas.</p>
<p>Os participantes avaliam visualmente o estágio de desenvolvimento e as condições das culturas. Os dados são reunidos em nível estadual e depois ponderados pela área plantada para formar o resultado nacional.</p>
<p>A avaliação é subjetiva. Uma lavoura classificada como boa por um observador pode receber uma interpretação diferente de outro profissional, embora o USDA adote definições padronizadas.</p>
<p>As estimativas também estão sujeitas a revisão na semana seguinte. Eventos meteorológicos ocorridos depois do envio de parte dos formulários podem alterar o quadro observado até o domingo de referência.</p>
<p>Apesar dessas limitações, uma queda simultânea de milho e soja durante fases críticas é relevante porque sinaliza deterioração disseminada, e não apenas um problema isolado em uma cultura.</p>
<p>A confirmação de perdas dependerá dos próximos relatórios de produtividade e produção, que combinam pesquisas com produtores, levantamentos de campo, imagens e modelos estatísticos.</p>
<h2>Área menor deixa milho mais exposto ao clima</h2>
<p>A sensibilidade da safra de milho aumentou porque os agricultores norte-americanos reduziram a área cultivada em 2026.</p>
<p>O USDA estima o plantio de 95,3 milhões de acres, cerca de 38,6 milhões de hectares, uma queda de 3% em relação ao ano anterior.</p>
<p>A área que deverá ser efetivamente colhida para produção de grãos foi calculada em 87,4 milhões de acres, redução de 4%.</p>
<p>Com menos hectares disponíveis, a produtividade passa a ter peso ainda maior sobre o volume final. Uma queda relevante do rendimento não poderá ser compensada pela expansão da área, como ocorreu em outras temporadas.</p>
<p>Os estoques oferecem algum amortecimento. Em 1º de junho, os Estados Unidos armazenavam 5,29 bilhões de bushels de milho, 14% acima do volume registrado um ano antes.</p>
<p>Os estoques mantidos nas propriedades cresceram 16%, enquanto os volumes em armazéns comerciais avançaram 12%.</p>
<p>Essa disponibilidade reduz o risco de escassez imediata, mas não elimina o impacto que uma safra menor poderia exercer sobre os preços ao longo do ciclo 2026/2027.</p>
<h2>Soja tem mais área e estoques maiores</h2>
<p>Na soja, os produtores adotaram uma estratégia diferente.</p>
<p>A área plantada foi estimada em 85,4 milhões de acres, aproximadamente 34,6 milhões de hectares, alta de 5% sobre 2025.</p>
<p>A área destinada à colheita também deverá crescer 5%, para 84,4 milhões de acres.</p>
<p>A ampliação oferece uma proteção parcial contra uma redução moderada de produtividade. Ainda assim, um período prolongado de seca durante agosto poderia impedir que o aumento da área se transformasse em produção maior.</p>
<p>Os estoques norte-americanos de soja somavam 1,06 bilhão de bushels em 1º de junho, avanço de 5% em relação ao ano anterior.</p>
<p>Dentro das propriedades rurais, o volume caiu 11%. Os estoques mantidos fora das fazendas aumentaram 16%.</p>
<p>A combinação de maior área e estoques elevados limita, inicialmente, o risco de falta do produto. O balanço poderá se apertar caso a produção recue e a demanda por exportação, esmagamento e biocombustíveis permaneça forte.</p>
<h2>Trigo de primavera mantém nota, mas Planícies preocupam</h2>
<p>O USDA manteve em 53% a parcela do trigo de primavera considerada boa ou excelente.</p>
<p>A estabilidade nacional escondeu diferenças regionais. Minnesota apresentava 88% das lavouras nas duas melhores categorias, enquanto Dakota do Sul registrava apenas 27%.</p>
<p>Em Dakota do Norte, maior produtor norte-americano da variedade, 52% das áreas eram boas ou excelentes. Outros 19% estavam classificadas como ruins ou muito ruins.</p>
<p>A cultura já se aproximava do fim do ciclo. Cerca de 92% das lavouras haviam espigado e 2% da área estava colhida.</p>
<p>O calor pode acelerar a maturação, reduzir o peso dos grãos e afetar a qualidade do trigo, especialmente quando ocorre junto com deficiência hídrica.</p>
<h2>Risco climático pode elevar prêmio nos preços</h2>
<p>A deterioração das lavouras tende a aumentar o prêmio climático dos contratos futuros de milho e soja negociados em Chicago.</p>
<p>Esse prêmio representa o valor adicional incorporado às cotações quando cresce a possibilidade de a oferta ficar abaixo do esperado.</p>
<p>A reação não depende apenas das classificações semanais. Estoques, exportações, demanda para ração, produção de etanol, esmagamento de soja, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331989">política</a> de biocombustíveis, câmbio e relações comerciais também influenciam os preços.</p>
<p>A maior área de soja e os estoques elevados podem limitar altas mais fortes caso as chuvas retornem em agosto.</p>
<p>No milho, a redução da área plantada torna o balanço mais sensível a uma eventual queda de produtividade.</p>
<p>Uma recuperação rápida do clima poderá retirar parte do prêmio e pressionar as cotações. A continuidade do calor e da seca, por outro lado, obrigaria o <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="334006">mercado a trabalhar</a> com estimativas menores de produção.</p>
<h2>Brasil pode ganhar espaço, mas ração fica mais cara</h2>
<p>Uma safra norte-americana abaixo do esperado poderia beneficiar exportadores brasileiros de soja e milho.</p>
<p>O Brasil disputa <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337210">com</a> os Estados Unidos os principais mercados globais das duas commodities e costuma ganhar competitividade quando a oferta norte-americana enfrenta restrições.</p>
<p>A Conab estima a produção brasileira de grãos em 360,1 milhões de toneladas na temporada 2025/2026.</p>
<p>A soja, cuja colheita já foi concluída, alcançou 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3%. A produção de milho foi estimada em 141,7 milhões de toneladas.</p>
<p>O volume <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333555">coloca o país</a> em posição para atender parte de uma eventual transferência da demanda internacional. O efeito dependerá do câmbio, dos preços em Chicago, dos custos portuários e da disponibilidade de produto para exportação.</p>
<p>A valorização dos grãos, porém, produz efeitos distintos dentro do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331991">agronegócio</a> brasileiro.</p>
<p>Milho e farelo de soja são os principais ingredientes das rações utilizadas na produção de frangos, suínos, ovos, leite e bovinos confinados. Preços mais altos podem reduzir margens de frigoríficos e criadores.</p>
<p>A indústria de etanol de milho também enfrenta custo maior quando a matéria-prima se valoriza. Parte desse impacto pode ser compensada pela alta dos coprodutos, como o farelo de milho utilizado na alimentação animal.</p>
<h2>Agosto definirá dimensão do risco para a oferta global</h2>
<p>O relatório do USDA confirma que a condição da safra dos Estados Unidos piorou, mas o tamanho de uma eventual perda continua em aberto.</p>
<p>O milho atravessa a polinização e o início do enchimento dos grãos, enquanto a soja avança para a formação de vagens. As duas culturas chegaram ao período em que a disponibilidade de água exerce maior influência sobre a produtividade.</p>
<p>Chuvas regulares nas próximas semanas poderão estabilizar as avaliações e preservar parte relevante do potencial produtivo.</p>
<p>A persistência do calor e da seca aumentaria a probabilidade de revisões negativas nas estimativas de produção, com efeitos sobre os preços globais, as exportações e o custo das cadeias de proteína animal.</p>
<p>A próxima atualização semanal mostrará se a queda para 63% foi uma deterioração pontual ou o início de uma tendência mais longa.</p>
<p>Com a área de milho menor, a soja em ritmo acelerado de desenvolvimento e o risco oficial de seca rápida no Cinturão do Milho, o clima de agosto passou a ser o principal fator de definição da safra norte-americana e do equilíbrio mundial de grãos.</p>
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		<title>Agrolend mira R$ 2 bilhões no crédito rural enquanto inadimplência faz bancões recuarem</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/agrolend-mira-2-bilhoes-credito-rural-bancos-inadimplencia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 15:35:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Agrolend pretende elevar sua carteira de crédito para aproximadamente R$ 2 bilhões até o fim de 2026, mais que o dobro dos R$ 968 milhões registrados em dezembro do ano passado. A estratégia, detalhada pelo fundador e co-CEO Alan Glezer, busca aproveitar a redução da oferta de crédito rural pelos grandes bancos em meio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Agrolend pretende elevar sua carteira de crédito para aproximadamente R$ 2 bilhões até o fim de 2026, mais que o dobro dos R$ 968 milhões registrados em dezembro do ano passado. A estratégia, detalhada pelo fundador e co-CEO Alan Glezer, busca aproveitar a redução da oferta de crédito rural pelos grandes bancos em meio ao aumento da inadimplência, das recuperações judiciais e do custo financeiro enfrentado pelo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331823">agronegócio</a> brasileiro.</p>
<p>A instituição aposta que a retração das principais fontes de financiamento abriu espaço para operações com produtores capitalizados, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331820">empresas</a> de insumos, distribuidores e grandes grupos da cadeia agroindustrial. Em vez de ampliar indiscriminadamente a exposição ao setor, a Agrolend pretende concentrar o crescimento em clientes considerados mais resilientes e com capacidade de pagamento comprovada.</p>
<p>O plano é agressivo. Para alcançar R$ 2 bilhões, a companhia precisará adicionar mais de R$ 1 bilhão à carteira em apenas um ano, enquanto parte do sistema financeiro adota critérios mais restritivos para novos empréstimos ao campo.</p>
<p>O cenário combina uma demanda ainda elevada por capital de giro com menor disponibilidade de recursos. Produtores precisam financiar sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e despesas da safra, mas enfrentam margens menores, juros altos e preços agrícolas abaixo dos picos observados no início da década.</p>
<p>É nesse desequilíbrio que a Agrolend identifica sua oportunidade. A expansão, entretanto, exigirá que a instituição preserve a qualidade da carteira enquanto amplia rapidamente o volume de operações em um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331822">mercado</a> marcado por crescente deterioração do risco.</p>
<h2>Carteira de crédito cresceu 15 vezes em três anos</h2>
<p>A Agrolend encerrou 2025 com R$ 968 milhões em carteira de crédito, resultado que representou uma expansão de aproximadamente 15 vezes em relação aos R$ 58 milhões registrados três anos antes.</p>
<p>Os ativos totais alcançaram R$ 1,5 bilhão, enquanto o lucro líquido somou R$ 23,9 milhões, o melhor resultado anual desde a fundação da empresa, em 2020.</p>
<p>A instituição iniciou suas atividades como sociedade de crédito direto e, em 2023, recebeu autorização do Banco Central para alterar seu objeto social e se transformar em sociedade de crédito, financiamento e investimento.</p>
<p>A mudança ampliou as possibilidades de captação e de concessão de crédito. Embora a Agrolend se apresente comercialmente como uma plataforma financeira digital voltada ao agronegócio, sua classificação regulatória não é a de banco múltiplo ou banco comercial.</p>
<p>O crescimento recente também foi acompanhado por uma mudança no perfil dos clientes. A empresa nasceu com foco em pequenos e médios produtores, utilizando tecnologia para simplificar análise, contratação e liberação de recursos.</p>
<p>Nos últimos anos, passou a atuar com maior intensidade em operações estruturadas de atacado. O modelo inclui financiamentos para empresas agrícolas, fornecedores de insumos e subsidiárias de grupos multinacionais, além do atendimento direto aos produtores.</p>
<p>Essa mudança permite a realização de contratos maiores. Segundo Glezer, a instituição já possui capacidade para estruturar operações individuais entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões, especialmente quando empresas precisam financiar vendas de fertilizantes, defensivos ou outros insumos.</p>
<h2>Inadimplência rural permanece próxima do recorde</h2>
<p>A ambição da Agrolend contrasta com o ambiente mais difícil do crédito rural. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das operações direcionadas a pessoas físicas no campo chegou a 7,6% em maio de 2026.</p>
<p>O indicador considera contratos com pelo menos uma parcela vencida há mais de 90 dias. Em fevereiro, a taxa atingiu 7,72%, o maior nível da série histórica iniciada em 2011.</p>
<p>Em março, houve recuo para 7,16%. O percentual voltou a subir para 7,51% em abril e chegou a 7,6% no mês seguinte, mostrando que a deterioração perdeu velocidade, mas ainda não foi revertida.</p>
<p>O Relatório de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331821">Política</a> Monetária do Banco Central também apontou retração nas concessões de crédito rural no trimestre encerrado em abril. Segundo a autoridade monetária, a carteira tem sido afetada pela inadimplência elevada e pela transferência de parte da demanda de financiamento <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333987">para instrumentos do mercado</a> de capitais.</p>
<p>A combinação ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso das instituições tradicionais. Quando os atrasos aumentam, os bancos elevam provisões para perdas, endurecem os critérios de aprovação e reduzem limites para segmentos considerados mais vulneráveis.</p>
<p>Esse ajuste não costuma ficar restrito aos produtores com problemas financeiros. Modelos de risco aplicados em larga escala podem provocar uma retração generalizada da oferta, atingindo também empresas e produtores com boa produtividade, patrimônio relevante e baixo endividamento.</p>
<p>A Agrolend pretende explorar justamente essa diferença. A instituição afirma utilizar uma seleção individualizada para separar tomadores pressionados financeiramente daqueles que continuam apresentando fundamentos sólidos.</p>
<h2>Juros e queda das commodities comprimiram as margens</h2>
<p>O atual ciclo de dificuldades começou depois de um período excepcionalmente favorável para o agronegócio. Entre 2021 e 2022, os juros estavam em níveis inferiores aos atuais, enquanto a soja chegou a ser negociada perto de R$ 180 por saca em algumas regiões.</p>
<p>Os preços elevados estimularam investimentos em máquinas, expansão de áreas cultivadas, aquisição de insumos e aumento da produção. Parte desses investimentos foi financiada com crédito rural, linhas bancárias, operações com fornecedores e títulos ligados ao agronegócio.</p>
<p>A reversão veio com o aumento dos juros, a valorização dos insumos e a queda das cotações agrícolas. A soja recuou para patamares próximos de R$ 120 por saca em determinadas praças, reduzindo a receita esperada por produtores que haviam elevado custos e endividamento.</p>
<p>A alta do custo financeiro agravou o problema. Empréstimos renovados a taxas maiores passaram a consumir parcela crescente da geração de caixa, especialmente em propriedades com baixa produtividade, dependência de terras arrendadas ou menor capacidade de armazenagem.</p>
<p>O resultado foi o aumento dos pedidos de renegociação e das recuperações judiciais. Embora o agronegócio brasileiro permaneça competitivo no mercado internacional, a situação financeira varia amplamente conforme região, cultura, nível tecnológico e estrutura patrimonial.</p>
<p>Produtores com terra própria, elevada produtividade e gestão profissional tendem a suportar melhor a queda das margens. Já aqueles com custos fixos elevados, arrendamentos caros e dívidas de curto prazo ficam mais expostos às oscilações das commodities.</p>
<p>Essa heterogeneidade sustenta a estratégia da Agrolend, mas também representa seu principal desafio. Crescer no crédito rural exige capacidade de identificar quais empresas atravessam um problema temporário e quais apresentam deterioração estrutural.</p>
<h2>Bancões reduzem exposição depois da expansão</h2>
<p>Banco do Brasil (BBAS3), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Caixa Econômica Federal ampliaram sua participação no financiamento ao agronegócio durante o período de maior rentabilidade do setor.</p>
<p>Além das linhas tradicionais do Plano Safra, as instituições avançaram em operações com recursos livres, capital de giro, financiamento de máquinas, títulos privados e crédito para empresas da cadeia produtiva.</p>
<p>A deterioração da qualidade das carteiras alterou esse movimento. Os bancos passaram a exigir mais garantias, reduzir limites, rever preços e priorizar clientes com histórico mais longo de relacionamento.</p>
<p>O Banco do Brasil (BBAS3), maior financiador individual do agronegócio brasileiro, possui uma exposição particularmente relevante. A piora dos indicadores do campo aumenta a pressão sobre provisões e pode afetar o resultado da instituição, mesmo quando existem garantias vinculadas aos contratos.</p>
<p>Bancos privados enfrentam dinâmica semelhante. O custo de manter capital reservado para operações consideradas mais arriscadas reduz a atratividade de uma expansão acelerada no crédito rural.</p>
<p>A retração também alcançou empresas internacionais de fertilizantes, defensivos e outros insumos que tradicionalmente financiam seus clientes. <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337164">Com juros maiores em mercados</a> desenvolvidos, o custo global do capital subiu e reduziu a disponibilidade de financiamento comercial.</p>
<p>Para produtores e empresas do campo, o efeito é uma menor variedade de fontes. A necessidade de crédito continua, mas os financiadores exigem taxas mais altas, garantias adicionais e demonstrações financeiras mais detalhadas.</p>
<h2>Agrolend aposta em velocidade e operações sob medida</h2>
<p>A Agrolend pretende competir com os grandes bancos por meio de três fatores: rapidez na análise, flexibilidade na estruturação e especialização no agronegócio.</p>
<p>Em operações ligadas à venda de insumos, o tempo pode ser decisivo. Uma distribuidora pode precisar de recursos para concluir uma compra, financiar um cliente ou aproveitar uma condição comercial disponível por poucos dias.</p>
<p>Bancos de grande porte normalmente possuem processos mais longos, com diferentes níveis de aprovação, áreas de risco e comitês. A Agrolend afirma conseguir tomar decisões em prazos menores por operar com uma estrutura mais enxuta e análise concentrada.</p>
<p>A instituição também passou a atender clientes maiores. Esse movimento reduz a dependência de uma grande quantidade de pequenos contratos, mas aumenta a concentração da carteira.</p>
<p>Uma operação de R$ 100 milhões representa mais de 10% da carteira registrada no fim de 2025. Mesmo com garantias e boa avaliação de crédito, a inadimplência de um único cliente de grande porte poderia produzir impacto relevante.</p>
<p>O crescimento para R$ 2 bilhões tende a reduzir proporcionalmente essa concentração, desde que a expansão ocorra com diversificação entre empresas, regiões, produtos e cadeias agrícolas.</p>
<p>A velocidade de aprovação também precisa ser equilibrada com a qualidade da análise. Em momentos de expansão, instituições financeiras podem ser pressionadas a flexibilizar critérios para atingir metas comerciais.</p>
<p>A Agrolend sustenta que iniciou o endurecimento de sua política ainda em 2023, antes da fase mais intensa da deterioração do crédito rural. A medida teria permitido entrar no atual ciclo com menor exposição a produtores vulneráveis.</p>
<h2>Inadimplência de 0,7% vira principal ativo da estratégia</h2>
<p>A instituição informou ter encerrado 2025 com inadimplência acima de 90 dias de 0,7%, muito abaixo do percentual registrado no crédito rural direcionado a pessoas físicas no sistema financeiro.</p>
<p>O índice de cobertura das operações problemáticas ficou em 386%. Isso significa que as provisões constituídas correspondiam a quase quatro vezes o volume de contratos classificados como inadimplentes pelo critério divulgado.</p>
<p>A Agrolend também reportou alavancagem de 1,9 vez. O indicador compara o tamanho das operações e dos ativos com o capital próprio disponível para absorver perdas.</p>
<p>Instituições financeiras de grande porte normalmente operam com alavancagem superior, o que aumenta a rentabilidade sobre o capital em períodos favoráveis, mas também amplia o impacto de perdas inesperadas.</p>
<p>A estrutura menos alavancada oferece espaço para crescimento. Ao mesmo tempo, dobrar a carteira em um único ano aumentará a necessidade de captação, capital regulatório e provisões.</p>
<p>A Agrolend utiliza Letras de Crédito do Agronegócio como uma de suas fontes de recursos. A estratégia declarada é captar em prazos mais longos e conceder empréstimos mais curtos, reduzindo o risco de descasamento entre vencimentos.</p>
<p>Essa disciplina será testada pela expansão. Para atingir a meta de R$ 2 bilhões, a instituição precisará obter recursos suficientes sem elevar excessivamente o custo de captação nem comprometer a liquidez.</p>
<p>O resultado também dependerá da manutenção do índice de inadimplência. Uma carteira maior tende a trazer novos riscos, especialmente quando o crescimento ocorre em um setor atravessado por renegociações e recuperações judiciais.</p>
<h2>Renegociação de dívidas muda o ambiente do crédito rural</h2>
<p>O agravamento do endividamento levou o governo e o Conselho Monetário Nacional a criarem novas condições para composição e renegociação de dívidas rurais.</p>
<p>As regras autorizam instituições financeiras a oferecer linhas para liquidação ou amortização de determinadas operações, com prazo de pagamento de até oito anos e início da amortização do principal depois de dois anos.</p>
<p>A adesão, porém, não é automática. Os bancos continuam responsáveis pela análise e pelo risco das novas operações, o que significa que produtores com situação financeira mais frágil podem enfrentar dificuldades para obter aprovação.</p>
<p>A renegociação pode reduzir a pressão de curto prazo e evitar a quebra de empreendimentos economicamente viáveis. Por outro lado, apenas alongar prazos não resolve problemas de baixa produtividade, custos excessivos ou endividamento incompatível com a capacidade de geração de caixa.</p>
<p>Para financiadores especializados, esse ambiente cria oportunidades e riscos. Empresas podem buscar crédito fora das instituições tradicionais para recompor capital de giro, reorganizar dívidas ou financiar a continuidade da produção.</p>
<p>A Agrolend precisará distinguir operações destinadas a sustentar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331819">negócios</a> saudáveis daquelas que apenas transferem passivos de um credor para outro.</p>
<h2>Queda dos juros será decisiva para a próxima fase do crédito rural</h2>
<p>A expansão planejada para 2026 parte da avaliação de que o agronegócio continuará demandando financiamento, mesmo após a piora dos indicadores.</p>
<p>A produção brasileira mantém vantagens relacionadas a clima, disponibilidade de terras, tecnologia, escala e capacidade exportadora. Esses fundamentos não eliminam os ciclos de baixa, mas sustentam a demanda estrutural por capital.</p>
<p>A velocidade da recuperação dependerá principalmente dos juros e dos preços das commodities. Uma redução consistente do custo financeiro aliviaria o caixa dos produtores e facilitaria a renegociação de dívidas.</p>
<p>Preços agrícolas mais altos também poderiam recompor margens, mas o resultado varia de acordo com produtividade, custos logísticos, câmbio e condições climáticas.</p>
<p>Até que esse cenário melhore, a seleção de clientes continuará sendo o principal fator de diferenciação. O espaço deixado pelos grandes bancos pode permitir à Agrolend alcançar os R$ 2 bilhões pretendidos, mas o crescimento só será sustentável se a instituição mantiver controle sobre inadimplência, concentração e liquidez.</p>
<p>A meta coloca a financeira entre os agentes que buscam redesenhar o crédito rural brasileiro. Ao avançar quando os concorrentes recuam, a Agrolend aposta que a crise separará empresas capitalizadas de produtores excessivamente endividados — e que sua análise de risco será capaz de identificar essa diferença antes que ela apareça nos balanços.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lula sanciona lei que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-sanciona-lei-proibe-foie-gras-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 14:12:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.475, que proíbe em todo o território nacional a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Publicada nesta sexta-feira, 24 de julho, no Diário Oficial da União, a norma atinge diretamente o foie gras, produto elaborado com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.475, que proíbe em todo o território nacional a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Publicada nesta sexta-feira, 24 de julho, no Diário Oficial da União, a norma atinge diretamente o foie gras, produto elaborado com o fígado de patos ou gansos submetidos à ingestão forçada de grandes quantidades de alimento, e entrará em vigor depois de um período de adaptação de 180 dias.</p>
<p>A proibição não se limita à fabricação do foie gras no Brasil. Como a lei também impede a comercialização, restaurantes, empórios, supermercados, distribuidores e importadores não poderão vender no país produtos obtidos pelo método, ainda que tenham sido fabricados no exterior.</p>
<p>O texto sancionado abrange o foie gras fresco, congelado, processado ou enlatado, mas não restringe a aplicação da norma a esse produto. Qualquer outro alimento produzido por meio de alimentação forçada poderá ser alcançado pela legislação.</p>
<p>A lei considera alimentação forçada qualquer procedimento mecânico ou manual destinado a obrigar o animal a ingerir alimento ou suplementos além de seu limite natural de saciedade. A definição inclui a utilização de tubos ou outros instrumentos para introduzir o conteúdo diretamente na garganta, no esôfago, no papo ou no estômago.</p>
<h2>Proibição só começa após período de adaptação</h2>
<p>Embora tenha sido publicada nesta sexta-feira, a nova legislação não produz efeitos imediatos. O prazo de 180 dias foi incluído para permitir que fabricantes, distribuidores, importadores e estabelecimentos comerciais encerrem contratos, ajustem estoques e reorganizem suas operações.</p>
<p>A vigência deverá começar em janeiro de 2027. Até lá, as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331789">empresas</a> poderão continuar comercializando o produto, desde que respeitem as demais normas sanitárias, ambientais e de defesa do consumidor aplicáveis.</p>
<p>O período de transição também permite que os órgãos responsáveis pela fiscalização definam procedimentos para identificar produtos abrangidos pela lei e orientar os agentes econômicos.</p>
<p>Importadores precisarão revisar encomendas, contratos de fornecimento e cargas programadas para chegar ao Brasil depois da entrada em vigor. Restaurantes e varejistas, por sua vez, terão de administrar os estoques para evitar a manutenção de produtos proibidos após o término da transição.</p>
<p>A lei não determina indenização por mercadorias que ainda estejam armazenadas quando a proibição começar. O risco comercial, portanto, ficará com as empresas que não ajustarem previamente suas compras e seus estoques.</p>
<h2>Regra alcança venda de produtos importados</h2>
<p>Uma das principais consequências da Lei nº 15.475 será o fechamento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331790">mercado</a> brasileiro ao foie gras produzido em países onde a alimentação forçada continua autorizada.</p>
<p>A legislação não proíbe expressamente o ato aduaneiro da importação, mas torna ilegal a comercialização do produto no território nacional. Na prática, a entrada de mercadorias destinadas à venda perderá sua finalidade econômica quando a norma começar a valer.</p>
<p>O foie gras encontrado no mercado brasileiro é associado principalmente à gastronomia de alto padrão, com presença em restaurantes, hotéis, delicatessens e lojas especializadas. Como não existem estatísticas públicas consolidadas sobre o tamanho desse mercado <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333538">no</a> país, não é possível estimar com precisão o impacto financeiro da proibição.</p>
<p>A medida, contudo, atinge uma cadeia relativamente específica. Diferentemente de carnes, ovos e produtos avícolas de consumo amplo, o foie gras possui preço elevado e demanda concentrada em um segmento restrito da alimentação e da gastronomia.</p>
<p>Empresas que trabalham com o produto poderão substituir o item por patês convencionais, preparações vegetais ou alternativas produzidas sem alimentação forçada. A nova lei não proíbe produtos que usem denominações comerciais semelhantes, desde que sua fabricação não envolva o método vedado.</p>
<h2>Descumprimento poderá resultar em detenção e multa</h2>
<p>A Lei nº 15.475 vincula o descumprimento da proibição ao artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais. O dispositivo prevê detenção de três meses a um ano e multa para quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos, domesticados, nativos ou exóticos.</p>
<p>A responsabilização penal dependerá da apuração de cada caso e da identificação das pessoas responsáveis pela conduta. A simples presença do produto em um estabelecimento poderá gerar fiscalização e apreensão, mas a aplicação de pena criminal exige procedimento próprio, com direito ao contraditório e à ampla defesa.</p>
<p>Além da esfera penal, a lei permite a aplicação das sanções administrativas previstas na legislação ambiental. Entre as medidas possíveis estão advertência, multa, apreensão de produtos e instrumentos, destruição ou inutilização da mercadoria, suspensão de venda e fabricação e embargo da atividade.</p>
<p>As penalidades não serão necessariamente aplicadas de forma automática ou conjunta. A autoridade responsável deverá considerar a natureza da infração, sua gravidade, os antecedentes do infrator e as circunstâncias do caso concreto.</p>
<p>Empresas também poderão enfrentar consequências civis, sanitárias e consumeristas, dependendo da forma como o produto for produzido, anunciado, importado ou comercializado após a proibição.</p>
<h2>Alimentação forçada provoca hipertrofia do fígado</h2>
<p>O foie gras é produzido principalmente a partir do fígado de patos e gansos. No método tradicional conhecido como gavage, as aves recebem alimento diretamente no sistema digestivo por meio de tubos, em quantidades superiores ao que consumiriam espontaneamente.</p>
<p>A alimentação intensiva provoca acúmulo de gordura e aumento do fígado, característica responsável pela textura e pelo sabor valorizados na gastronomia. O processo ocorre nas semanas que antecedem o abate.</p>
<p>O projeto que deu origem à lei sustenta que a técnica pode provocar lesões no esôfago, inflamações, dificuldades respiratórias e problemas de locomoção. A justificativa legislativa também cita estudos segundo os quais a taxa de mortalidade entre aves submetidas à alimentação forçada é superior à observada em sistemas convencionais.</p>
<p>Organizações de proteção animal classificam o procedimento como incompatível com princípios básicos de bem-estar. Representantes do setor gastronômico e produtores, por outro lado, argumentam em diferentes países que a atividade pode ser realizada sob controles veterinários e integra tradições culturais antigas.</p>
<p>A nova legislação brasileira encerra essa discussão do ponto de vista regulatório nacional: independentemente das condições específicas de criação, nenhum alimento obtido por alimentação forçada poderá ser produzido ou vendido no país depois do prazo de adaptação.</p>
<h2>Projeto tramitou por mais de seis anos no Congresso</h2>
<p>A proibição teve origem no Projeto de Lei nº 90, apresentado em fevereiro de 2020 pelo senador Eduardo Girão. A proposta foi analisada inicialmente pela Comissão de Meio Ambiente do Senado e aprovada em caráter terminativo em maio de 2022.</p>
<p>Como não houve recurso para votação no plenário do Senado, o texto seguiu diretamente para a Câmara dos Deputados. A proposta passou pelas comissões de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Constituição e Justiça e de Cidadania.</p>
<p>A etapa final na Câmara ocorreu em abril de 2026, quando a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a constitucionalidade da proposta. Como o texto havia sido analisado em caráter conclusivo e não sofreu alterações, não precisou retornar ao Senado.</p>
<p>O projeto foi encaminhado à sanção presidencial em julho e transformado na Lei nº 15.475 em 23 de julho de 2026. A publicação no Diário Oficial ocorreu no dia seguinte.</p>
<p>A tramitação prolongada refletiu a controvérsia sobre o alcance da intervenção estatal em práticas produtivas, tradições gastronômicas e proteção animal. O texto avançou sem estabelecer exceções para pequenos produtores, restaurantes especializados ou mercadorias importadas.</p>
<h2>Lei federal resolve disputa sobre competência legislativa</h2>
<p>A criação de uma norma federal também busca reduzir a insegurança jurídica provocada por tentativas anteriores de proibir o foie gras em âmbito municipal.</p>
<p>Em 2015, o município de São Paulo aprovou uma legislação que impedia a produção e a venda do produto. A norma foi questionada judicialmente e declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.</p>
<p>O entendimento foi de que a proibição não tratava apenas de uma questão de interesse local e interferia em matérias de produção e comércio que exigiam legislação federal. Esse histórico foi citado durante a tramitação do projeto no Congresso.</p>
<p>Com a nova lei nacional, a restrição passa a ter aplicação uniforme em todos os estados e municípios. Governos locais poderão participar da fiscalização dentro de suas competências, mas não haverá mais diferenças territoriais sobre a legalidade da produção ou venda.</p>
<p>A uniformização também facilita a atuação de redes varejistas, distribuidores e restaurantes com operações em diferentes unidades da Federação, que terão de seguir uma única regra nacional.</p>
<h2>Restaurantes e varejistas precisarão revisar fornecedores</h2>
<p>Para os estabelecimentos comerciais, o principal desafio será comprovar que produtos semelhantes ao foie gras não foram obtidos por meio de alimentação forçada.</p>
<p>Notas fiscais e documentos de importação identificam a origem e a composição das mercadorias, mas poderão não detalhar o método utilizado na criação das aves. Empresas terão de exigir de seus fornecedores declarações, certificados ou informações técnicas que permitam verificar o processo produtivo.</p>
<p>O risco é maior para produtos processados, patês, conservas e preparações que contenham fígado de pato ou ganso entre os ingredientes. A denominação comercial do alimento não será suficiente para determinar se ele está ou não sujeito à proibição.</p>
<p>Restaurantes também precisarão revisar cardápios, campanhas publicitárias e descrições oferecidas aos consumidores. A comercialização inclui não apenas a venda direta do produto embalado, mas sua utilização em pratos servidos mediante pagamento.</p>
<p>A fiscalização poderá alcançar fabricantes, importadores, distribuidores, varejistas e estabelecimentos de alimentação. A responsabilidade dependerá da participação de cada agente na produção, na entrada e na colocação do produto no mercado.</p>
<h2>Alternativas sem alimentação forçada permanecem permitidas</h2>
<p>A legislação não proíbe o uso de fígado de pato ou ganso de forma geral. O veto recai especificamente sobre produtos obtidos mediante alimentação forçada.</p>
<p>Criadores poderão desenvolver métodos baseados no comportamento natural das aves, desde que não obriguem a ingestão além do limite de saciedade. Pesquisas internacionais também avaliam o uso de técnicas nutricionais, processos celulares e produtos vegetais capazes de reproduzir algumas características do foie gras tradicional.</p>
<p>Essas alternativas poderão continuar sendo comercializadas no Brasil, desde que cumpram as normas sanitárias e não induzam o consumidor a erro sobre a composição ou o processo de fabricação.</p>
<p>O período de 180 dias cria uma janela para que importadores e restaurantes busquem fornecedores que utilizem métodos compatíveis com a nova legislação.</p>
<p>A mudança também poderá estimular empresas de alimentos a desenvolver substitutos voltados ao mercado de gastronomia premium, segmento que continuará demandando produtos com textura, apresentação e uso culinário semelhantes.</p>
<h2>Proibição coloca bem-estar animal no centro da produção</h2>
<p>A sanção amplia a presença do bem-estar animal na regulamentação brasileira de alimentos. Até agora, a Lei de Crimes Ambientais já permitia punir maus-tratos, mas não havia uma norma federal específica proibindo a produção e a comercialização de alimentos obtidos por alimentação forçada.</p>
<p>A Lei nº 15.475 transforma esse entendimento geral em uma obrigação objetiva para toda a cadeia econômica. O debate deixa de depender apenas da avaliação sobre as condições de cada criadouro e passa a considerar o próprio método incompatível com a legislação.</p>
<p>Para produtores e comerciantes, o próximo semestre será de adaptação. Contratos deverão ser revistos, estoques reduzidos e fornecedores submetidos a novas exigências documentais.</p>
<p>Quando o período de transição terminar, a fabricação e a venda de foie gras produzido por gavage poderão resultar em apreensão, multas, suspensão de atividades e responsabilização criminal.</p>
<p>A sanção encerra uma tramitação iniciada em 2020 e estabelece uma regra nacional <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333979">para um mercado</a> pequeno em volume, mas de elevada repercussão cultural e regulatória. A partir de janeiro de 2027, o foie gras tradicional produzido por alimentação forçada deixará de poder ser fabricado e comercializado legalmente no Brasil.</p>
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		<title>Palma de óleo mira 1 milhão de hectares no Brasil com corrida por SAF e diesel verde</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/palma-de-oleo-brasil-um-milhao-hectares-saf-biocombustiveis</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 00:29:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura familiar]]></category>
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		<category><![CDATA[SAF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O setor brasileiro de palma de óleo projeta ampliar a área cultivada dos atuais 280 mil hectares estimados para até 1 milhão de hectares ao longo da próxima década, impulsionado pela perspectiva de aumento da demanda por combustível sustentável de aviação, diesel verde e outros biocombustíveis de baixa emissão. A expansão deverá se concentrar em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O setor brasileiro de palma de óleo projeta ampliar a área cultivada dos atuais 280 mil hectares estimados para até 1 milhão de hectares ao longo da próxima década, impulsionado pela perspectiva de aumento da demanda por combustível sustentável de aviação, diesel verde e outros biocombustíveis de baixa emissão. A expansão deverá se concentrar em áreas anteriormente desmatadas ou alteradas pela atividade humana, sobretudo no Pará, maior produtor nacional, para evitar que o crescimento seja associado à abertura de novas áreas de floresta.</p>
<p>A projeção foi apresentada pela Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma, a Abrapalma, e representa uma estimativa do setor, não uma meta oficial do governo. Para que esse cenário se concretize, o Brasil precisará elevar os investimentos em plantio, processamento, logística e certificação ambiental, além de assegurar contratos de longo prazo capazes de sustentar uma cultura que demora anos para atingir sua plena produção.</p>
<p>A corrida por matérias-primas renováveis ganhou força com a Lei do Combustível do Futuro. A legislação criou o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, o ProBioQAV, que estabelece metas progressivas de redução das emissões nos voos domésticos a partir de 2027.</p>
<p>A exigência começa com redução de 1% das emissões e aumenta gradualmente até chegar a 10% em 2037. A lei também instituiu o Programa Nacional de Diesel Verde, abrindo um novo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331763">mercado</a> potencial para óleos vegetais, resíduos e outras matérias-primas que atendam aos critérios técnicos e ambientais.</p>
<p>A palma de óleo pode disputar parte desse mercado por apresentar rendimento de óleo por hectare significativamente superior ao da soja. A vantagem agronômica, contudo, não garante acesso automático ao setor de combustíveis. Refinarias, companhias aéreas e compradores internacionais exigirão rastreabilidade, certificação e comprovação da intensidade de carbono em toda a cadeia.</p>
<h2>Expansão precisa ocorrer fora da floresta nativa</h2>
<p>O principal limite ambiental à expansão está definido no Zoneamento Agroecológico da Palma de Óleo, aprovado pelo governo federal em 2010.</p>
<p>O instrumento permite orientar novos projetos para áreas antropizadas, isto é, territórios que já sofreram intervenção humana. O zoneamento exclui vegetação nativa, unidades de conservação, terras indígenas, áreas urbanas e regiões sem aptidão climática ou com elevado risco de degradação.</p>
<p>Também ficaram fora das áreas consideradas aptas os terrenos desmatados a partir de 2008. Na prática, a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331761">política</a> foi desenhada para evitar que o crédito rural e os investimentos destinados à palma de óleo estimulem a derrubada recente de floresta.</p>
<p>O zoneamento identificou áreas com condições para o cultivo em estados da Amazônia Legal, como Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Maranhão e Mato Grosso. Também foram identificadas áreas antropizadas aptas em estados do Nordeste e do Sudeste.</p>
<p>A existência de território tecnicamente disponível não significa que todo ele possa receber plantios. A implantação depende de situação fundiária regular, licenciamento, infraestrutura, disponibilidade de trabalhadores, acesso a crédito e proximidade de unidades de processamento.</p>
<p>Os frutos precisam ser processados rapidamente após a colheita para preservar a qualidade do óleo. Essa característica exige que as plantações estejam ligadas a uma rede industrial e logística, reduzindo a viabilidade de projetos isolados ou muito distantes das usinas.</p>
<h2>Pará concentra produtores, indústrias e rastreabilidade</h2>
<p>O Pará reúne a maior estrutura produtiva da palma de óleo no país. Dados da Agência de Defesa Agropecuária do Estado apontam 1.438 produtores cadastrados, a maioria formada por agricultores familiares.</p>
<p>O Vale do Acará, principal polo da atividade, concentra 1.921 unidades produtivas e 14 indústrias. Desde a implantação da rastreabilidade estadual, em dezembro de 2023, foram emitidas mais de 69 mil Guias de Trânsito Vegetal.</p>
<p>Esses documentos acompanharam a movimentação de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de cachos de frutos frescos, permitindo identificar a origem e o destino da produção dentro do estado.</p>
<p>A atualização cadastral das unidades produtivas é obrigatória. Quem não regulariza as informações fica impedido de emitir a guia necessária ao transporte dos frutos.</p>
<p>O controle envolve dados do produtor, documentos de posse ou propriedade da terra e Cadastro Ambiental Rural. As áreas declaradas também podem passar por análise de imagens para validação das informações.</p>
<p>A rastreabilidade cumpre funções sanitárias, econômicas e ambientais. Além de monitorar a circulação da produção, cria uma base para comprovar a origem dos frutos e afastar fornecedores ligados a irregularidades fundiárias ou ambientais.</p>
<p>Esse sistema será cada vez mais relevante caso o Brasil pretenda vender óleo ou biocombustíveis a mercados que exigem cadeias livres de desmatamento. A Europa, por exemplo, impõe critérios rigorosos para reconhecer matérias-primas como sustentáveis e contabilizar sua contribuição para a redução de emissões.</p>
<h2>Produtividade supera a de outras oleaginosas</h2>
<p>A palma possui uma das maiores produtividades entre as culturas destinadas à produção de óleo vegetal.</p>
<p>Estudos da Embrapa indicam que a cultura pode produzir várias vezes mais óleo por hectare que a soja. Em condições adequadas, a diferença pode chegar a dez vezes, embora o resultado dependa da variedade, do clima, do manejo e da idade das plantas.</p>
<p>Essa produtividade reduz a quantidade de terra necessária para obter o mesmo volume de óleo. Do ponto de vista econômico, permite concentrar a produção em uma área menor e diluir custos de colheita e processamento.</p>
<p>A cultura também é permanente. Depois de implantado, o palmeiral pode permanecer produtivo durante décadas, oferecendo um fluxo mais estável de matéria-prima.</p>
<p>Em contrapartida, o investimento inicial é elevado e o retorno não é imediato. A planta demora alguns anos para entrar em produção comercial e só alcança o rendimento máximo depois de um período de maturação.</p>
<p>O produtor precisa financiar mudas, preparo da área, adubação, mão de obra e manutenção antes de receber a primeira receita significativa. Essa defasagem torna o crédito de longo prazo um dos elementos centrais da expansão.</p>
<p>A cultura também está sujeita a riscos fitossanitários. O amarelecimento fatal provocou perdas em áreas produtoras e incentivou o desenvolvimento de híbridos mais resistentes, como materiais resultantes do cruzamento entre a palma africana e o caiaué amazônico.</p>
<h2>Agricultura familiar ocupa espaço estratégico</h2>
<p>O modelo implantado no Pará combina plantações próprias das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331764">empresas</a> com a produção de agricultores familiares integrados.</p>
<p>Esses produtores recebem assistência técnica, acesso a mudas e, em determinados projetos, contratos de compra de longo prazo. O preço costuma acompanhar referências da commodity ou fórmulas acordadas com a indústria.</p>
<p>Para as empresas, a integração amplia a oferta de frutos sem exigir a aquisição de toda a terra necessária ao crescimento. Para as famílias, o contrato oferece um comprador definido e maior previsibilidade de receita.</p>
<p>A estrutura também permite utilizar linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, e recursos do Plano Safra.</p>
<p>O modelo, no entanto, exige salvaguardas para evitar dependência excessiva de um único comprador. Como o fruto precisa ser processado rapidamente, o produtor geralmente possui poucas alternativas de venda fora da indústria localizada em sua região.</p>
<p>Contratos transparentes, fórmulas claras de preço, assistência técnica independente e mecanismos de solução de conflitos serão necessários para que a expansão distribua renda ao longo da cadeia.</p>
<p>A palma demanda <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331762">trabalho</a> contínuo durante o ano, diferentemente de culturas concentradas em períodos específicos de plantio e colheita. Essa característica pode gerar empregos mais estáveis, mas também exige treinamento, condições adequadas de trabalho e capacidade de retenção de mão de obra no campo.</p>
<h2>SAF cria mercado potencial a partir de 2027</h2>
<p>O combustível sustentável de aviação se tornou o principal vetor de expectativa para a cadeia.</p>
<p>A aviação possui poucas alternativas disponíveis para reduzir suas emissões no curto prazo. Aeronaves elétricas ou movidas a hidrogênio ainda enfrentam limitações técnicas para operar em grande escala, especialmente em voos de longa distância.</p>
<p>O SAF pode ser utilizado em mistura com o querosene de aviação convencional, desde que produzido por rotas tecnológicas autorizadas e cumpra padrões internacionais.</p>
<p>A palma pode servir como matéria-prima em determinadas rotas, mas precisará demonstrar redução real de emissões ao longo de todo o ciclo. Entram nessa conta o cultivo, os fertilizantes, o processamento, o transporte e eventual mudança no uso da terra.</p>
<p>Se houver desmatamento associado à produção, a vantagem climática pode desaparecer. Por isso, o uso de áreas já abertas, a recuperação de solos degradados e a rastreabilidade serão determinantes para a aceitação comercial.</p>
<p>A meta brasileira de redução das emissões em voos domésticos começa em 2027 e aumenta durante a década seguinte. Esse calendário oferece perspectiva de demanda, mas não assegura que a palma será a matéria-prima escolhida.</p>
<p>O setor competirá com óleos residuais, gorduras animais, etanol, resíduos agrícolas e combustíveis sintéticos. Preço, disponibilidade, intensidade de carbono e segurança de fornecimento definirão a participação de cada rota.</p>
<h2>Dependência de importações expõe contradição do mercado</h2>
<p>Apesar de possuir condições climáticas favoráveis e extensa área apta, o Brasil ainda importa parte do óleo de palma utilizado internamente.</p>
<p>A Abrapalma estima que as compras externas atendam cerca de 30% do consumo nacional, que se aproxima de 1 milhão de toneladas por ano. A maior parcela é utilizada pelas indústrias de alimentos, higiene, cosméticos e produtos químicos.</p>
<p>O óleo de palma está presente em margarinas, biscoitos, sorvetes, sabonetes, detergentes e uma ampla variedade de produtos industrializados. Sua estabilidade e versatilidade explicam a demanda global.</p>
<p>A dependência das importações cria espaço para a substituição por produção nacional. Ao mesmo tempo, a entrada de produto estrangeiro com imposto reduzido pode pressionar as margens dos agricultores e das indústrias brasileiras.</p>
<p>Em 2025, o governo federal incluiu o óleo de palma entre os alimentos que receberam redução temporária da tarifa de importação como parte das medidas destinadas a conter preços.</p>
<p>Para os produtores, mudanças frequentes na política tarifária reduzem a previsibilidade necessária a investimentos com retorno de longo prazo. Um palmeiral implantado hoje produzirá por décadas e precisa de regras que permitam estimar receitas ao longo desse período.</p>
<p>Para o governo, o desafio é equilibrar o custo dos alimentos e dos insumos industriais com a criação de uma cadeia nacional competitiva.</p>
<h2>Investimento industrial precisará acompanhar os plantios</h2>
<p>Levar a área cultivada para perto de 1 milhão de hectares exigiria mais que a distribuição de mudas e a abertura de crédito rural.</p>
<p>A capacidade de processamento terá de crescer no mesmo ritmo. Sem novas usinas, os frutos adicionais não encontrariam destino dentro da janela adequada após a colheita.</p>
<p>Também serão necessários investimentos em estradas, energia, armazenagem, laboratórios, viveiros e sistemas de tratamento de resíduos.</p>
<p>As indústrias de biocombustíveis precisarão estabelecer contratos de fornecimento capazes de justificar o plantio. Como a demanda atual está concentrada em alimentos e produtos de consumo, uma expansão acelerada sem compradores definidos poderia gerar excesso de oferta e queda dos preços.</p>
<p>A chegada do SAF e do diesel verde cria uma saída potencial, mas depende da construção ou conversão de refinarias e da definição de padrões regulatórios.</p>
<p>A participação de grandes companhias de energia pode acelerar o processo. Esses grupos possuem capacidade financeira, acesso a tecnologia e relacionamento com mercados internacionais, mas exigirão escala e segurança jurídica.</p>
<p>O custo logístico também será decisivo. Produzir matéria-prima na Amazônia e transportá-la para refinarias ou terminais distantes pode reduzir parte da vantagem econômica e ambiental.</p>
<h2>Rastreabilidade definirá acesso aos mercados mais rentáveis</h2>
<p>A projeção de 1 milhão de hectares coloca a palma de óleo diante de uma oportunidade e de um risco reputacional.</p>
<p>A oportunidade está na combinação entre produtividade elevada, disponibilidade de áreas degradadas e crescimento da demanda por combustíveis de baixo carbono.</p>
<p>O risco está na possibilidade de a expansão reproduzir problemas registrados em países do Sudeste Asiático, onde a abertura de plantações foi associada ao desmatamento de florestas tropicais e à perda de biodiversidade.</p>
<p>O Brasil possui instrumentos para evitar essa trajetória, como o zoneamento agroecológico, o Cadastro Ambiental Rural, o monitoramento por satélite e a Guia de Trânsito Vegetal.</p>
<p>A eficácia dependerá da fiscalização, da integração das bases públicas e da exclusão de fornecedores que descumpram as regras.</p>
<p>Compradores internacionais não deverão aceitar apenas declarações de sustentabilidade. Exigirão dados verificáveis sobre origem, emissões, situação fundiária e respeito aos direitos trabalhistas e das comunidades.</p>
<p>Se conseguir demonstrar conformidade, o Brasil poderá oferecer um óleo de palma com atributos diferentes dos produtos associados ao desmatamento em outros países.</p>
<h2>Crédito e demanda definirão tamanho real da expansão</h2>
<p>A meta setorial de atingir 1 milhão de hectares em dez anos é tecnicamente possível diante da área indicada pelo zoneamento, mas sua realização dependerá de condições econômicas que ainda precisam ser construídas.</p>
<p>O setor terá de mobilizar capital para um cultivo de maturação lenta, ampliar a indústria e garantir contratos antes de realizar plantios em larga escala.</p>
<p>Também será necessário conciliar três mercados: alimentos e produtos de consumo, substituição das importações e novos biocombustíveis.</p>
<p>O SAF pode transformar a demanda, mas a competição entre matérias-primas será intensa. A palma somente ocupará espaço relevante se combinar preço competitivo, fornecimento regular e baixa intensidade de carbono comprovada.</p>
<p>Para os agricultores familiares, o crescimento pode ampliar renda e emprego na Amazônia. Para as empresas, abre a possibilidade de participar de um mercado global pressionado por metas climáticas.</p>
<p>O resultado, porém, será medido pela origem de cada tonelada produzida. A expansão que respeitar áreas já abertas e incorporar rastreabilidade pode transformar a palma em uma nova fronteira de bioeconomia. Sem esse controle, o setor perderá acesso justamente aos compradores dispostos a pagar mais por matérias-primas sustentáveis.</p>
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		<title>Banco do Brasil (BBAS3) ganha rota para aliviar crise no agro, mas 2T26 ainda chega sob pressão</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-do-brasil-bbas3-mp-dividas-rurais-balanco-2t26</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 17:39:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[balanço 2T26]]></category>
		<category><![CDATA[Banco do Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco do Brasil (BBAS3) ganhou, em julho, uma nova ferramenta para conter a deterioração de sua carteira rural, após o governo federal editar a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza linhas especiais para a composição de dívidas de produtores e cooperativas. A medida pode reduzir gradualmente a inadimplência e as despesas com provisões, mas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco do Brasil (BBAS3) ganhou, em julho, uma nova ferramenta para conter a deterioração de sua carteira rural, após o governo federal editar a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza linhas especiais para a composição de dívidas de produtores e cooperativas. A medida pode reduzir gradualmente a inadimplência e as despesas com provisões, mas chegou depois do encerramento do segundo trimestre e, por isso, não deverá alterar de forma relevante o balanço que será divulgado em 12 de agosto.</p>
<p>A separação entre esses dois momentos é decisiva para os acionistas. O resultado do 2T26 refletirá a situação da carteira até 30 de junho, quando a nova estrutura de renegociação ainda não existia. O eventual alívio dependerá da regulamentação do Conselho Monetário Nacional, da análise dos pedidos e da assinatura dos contratos dentro do prazo previsto.</p>
<p>A MP permite alongar operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural de clientes que enfrentaram perdas recorrentes de produção ou renda. Não se trata, porém, de perdão de dívidas. Os débitos serão substituídos ou amortizados por novos financiamentos, sujeitos à capacidade de pagamento, às garantias e às políticas de risco de cada instituição.</p>
<p>Para o Banco do Brasil, maior agente financeiro do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331727">agronegócio</a> nacional, o programa abre uma rota para recuperar contratos que deixaram de gerar receitas e passaram a exigir reservas para perdas. Ao mesmo tempo, mantém o risco de crédito com o banco, o que impede uma reversão automática das provisões já reconhecidas.</p>
<h2>MP cria linha especial para dívidas acumuladas desde 2019</h2>
<p>A Medida Provisória nº 1.376 foi publicada em 15 de julho e autoriza a criação de linhas destinadas à liquidação ou amortização de operações de custeio, comercialização, industrialização e investimento rural.</p>
<p>Também poderão ser incluídas determinadas Cédulas de Produto Rural com liquidação financeira, instrumento utilizado por produtores para <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335894">antecipar recursos com</a> base na entrega futura ou no valor de produtos agrícolas.</p>
<p>A regra alcança produtores rurais e cooperativas que tenham registrado perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada. A situação deverá ser comprovada por laudo elaborado por profissional habilitado.</p>
<p>A queda de renda poderá decorrer de secas, estiagens, enchentes, geadas, granizo, vendavais, ondas de frio e outros eventos climáticos extremos. A redução dos preços de comercialização dos produtos financiados também poderá justificar o enquadramento.</p>
<p>O programa contempla operações que foram prorrogadas ou renegociadas até 31 de maio de 2026 e estejam adimplentes no momento da contratação. Também inclui determinados contratos que entraram em atraso a partir de janeiro de 2024 e permaneciam inadimplentes no fim de maio de 2026.</p>
<h2>Juros e limites variam conforme o porte do produtor</h2>
<p>As condições foram divididas de acordo com o enquadramento do cliente e a gravidade das perdas.</p>
<p>Na linha geral, agricultores familiares vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, poderão contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano.</p>
<p>Para produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, o Pronamp, o limite será de R$ 2 milhões, com taxa de 9% ao ano. Os demais produtores poderão acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12%.</p>
<p>O prazo de pagamento será de até oito anos. A primeira amortização do principal poderá ocorrer dois anos depois da contratação, mas os juros continuarão sendo pagos durante a carência.</p>
<p>Há condições mais favoráveis para produtores que comprovarem perdas em três ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 40% da renda esperada.</p>
<p>Nesse grupo, agricultores do Pronaf poderão contratar até R$ 500 mil, com juros de 5% ao ano. O limite do Pronamp será de R$ 2,5 milhões, com taxa de 8%, enquanto os demais produtores poderão obter até R$ 8 milhões, com juros de 11%.</p>
<p>Para as situações mais graves, o prazo poderá chegar a dez anos, também com dois anos antes da primeira parcela de amortização do principal.</p>
<h2>Renegociação não elimina análise de risco do banco</h2>
<p>A MP determina que os novos contratos sejam avaliados como novas operações de crédito. Na prática, o Banco do Brasil precisará analisar novamente a situação financeira do produtor, as garantias disponíveis, o histórico de pagamento e a viabilidade da atividade financiada.</p>
<p>O texto permite revisar as garantias vinculadas às dívidas. Elas poderão ser reduzidas quando houver excesso ou ampliadas quando forem insuficientes para cobrir a nova exposição.</p>
<p>Essa exigência procura evitar que contratos inviáveis sejam apenas transferidos para um vencimento mais distante. O objetivo é identificar produtores que enfrentam uma dificuldade temporária, mas possuem condições de retomar os pagamentos com um fluxo financeiro mais longo.</p>
<p>Para o banco, uma renegociação bem estruturada pode interromper o aumento da inadimplência, restabelecer receitas de juros e reduzir a necessidade de novas provisões. Uma operação mal dimensionada, no entanto, apenas posterga o reconhecimento da perda.</p>
<p>O risco continuará sendo das instituições financeiras. A MP autoriza o uso de recursos obrigatórios do crédito rural, fontes equalizadas, fundos constitucionais, poupança rural, Letras de Crédito do Agronegócio e recursos livres, mas não transfere automaticamente a responsabilidade pelas perdas ao Tesouro.</p>
<h2>Fundo garantidor pode reduzir parte da exposição</h2>
<p>A medida também autoriza a União a participar de um fundo garantidor voltado a operações contratadas por produtores afetados por eventos climáticos adversos.</p>
<p>A estrutura deverá contar com a participação de instituições financeiras e produtores, além de admitir aportes de outros entes federativos. As regras de funcionamento, os limites de cobertura e as condições para acionamento ainda dependerão de regulamentação.</p>
<p>O fundo pode reduzir parte da exposição dos bancos, principalmente em regiões atingidas por eventos climáticos de grande intensidade. Seu efeito sobre o Banco do Brasil dependerá do volume de recursos, da parcela coberta e do perfil dos contratos incluídos.</p>
<p>A existência da garantia não dispensa a avaliação do cliente. O banco continuará obrigado a verificar se o produtor possui capacidade de gerar renda suficiente para cumprir o novo cronograma.</p>
<p>A MP também exclui operações encaminhadas para a Dívida Ativa da União. Esses débitos seguem outras regras e não poderão ser incorporados às linhas previstas no programa.</p>
<h2>Medida chegou depois do fechamento do 2T26</h2>
<p>O principal limite para uma melhora imediata está no calendário. O segundo trimestre terminou em 30 de junho, enquanto a MP foi publicada em 15 de julho.</p>
<p>O Banco do Brasil apresentará suas informações trimestrais em 12 de agosto e realizará a exposição pública dos resultados no dia seguinte. O balanço mostrará a evolução da carteira rural antes da criação das novas linhas.</p>
<p>Não haverá, portanto, contratos assinados sob a MP nº 1.376 dentro do período contábil do 2T26. O máximo que o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331729">mercado</a> poderá obter em agosto são indicações da administração sobre a parcela potencialmente elegível e o ritmo esperado de implementação.</p>
<p>Os investidores deverão observar as despesas com perdas associadas ao risco de crédito, a inadimplência superior a 90 dias, a margem financeira, a rentabilidade e os índices de capital.</p>
<p>Também será relevante verificar se a deterioração permaneceu concentrada no agronegócio ou se alcançou outras carteiras. Uma piora mais ampla poderia reduzir o impacto positivo esperado da renegociação rural.</p>
<h2>Banco já vinha oferecendo soluções para produtores endividados</h2>
<p>A MP nº 1.376 não inaugura a atuação do Banco do Brasil na reorganização de passivos do campo. A instituição já opera o Desenrola Rural, direcionado principalmente à agricultura familiar, e o BB Regulariza Dívidas Agro, criado a partir de regras anteriores.</p>
<p>Esses programas possuem públicos, datas, fontes de recursos e condições próprias. A nova medida amplia o conjunto de instrumentos ao incluir produtores afetados por perdas de safras recentes e ao prever linhas com encargos definidos por porte.</p>
<p>A experiência operacional do banco pode facilitar a implantação, mas o volume de pedidos tende a exigir análise detalhada. Cada contrato precisará ser conferido quanto à origem da dívida, ao período da inadimplência, às perdas comprovadas e aos limites disponíveis.</p>
<p>O prazo para contratação é de até 120 dias após a publicação da MP. A janela relativamente curta aumenta a pressão para que o Conselho Monetário Nacional e o Ministério da Fazenda concluam rapidamente as normas complementares.</p>
<p>As instituições também estão autorizadas a prorrogar por até 30 dias determinados vencimentos de clientes que estavam adimplentes em 14 de julho e pretendem aderir às novas linhas. A prorrogação funciona como uma ponte até a contratação, mas está sujeita aos critérios previstos na medida.</p>
<h2>Primeiro efeito deve aparecer na formação de provisões</h2>
<p>O impacto inicial sobre o Banco do Brasil tende a ocorrer na velocidade de constituição de novas provisões.</p>
<p>Quando um cliente deixa de pagar ou apresenta piora relevante de risco, o banco reserva uma parcela maior de recursos para cobrir a possibilidade de perda. Esse reconhecimento reduz o lucro no período.</p>
<p>Se as renegociações restabelecerem o fluxo de pagamentos, a instituição poderá diminuir gradualmente a necessidade de formar novas reservas. Uma reversão de provisões antigas dependerá de evidências concretas de recuperação do crédito.</p>
<p>O segundo efeito poderá ocorrer na margem financeira. Contratos que deixaram de gerar receitas por causa da inadimplência podem voltar a contribuir com juros depois de reestruturados e classificados de acordo com as normas bancárias.</p>
<p>Essa recuperação não será simultânea para toda a carteira. Os pedidos serão apresentados em momentos diferentes, passarão por análise individual e dependerão da documentação entregue pelos produtores.</p>
<p>A leitura mais prudente é de uma melhora distribuída ao longo dos próximos trimestres, e não de uma virada completa no primeiro balanço após a regulamentação.</p>
<h2>Regras podem reduzir espera por novos programas de socorro</h2>
<p>A definição das condições também pode alterar o comportamento de produtores que vinham adiando pagamentos na expectativa de uma renegociação patrocinada pelo governo.</p>
<p>Quando não há clareza sobre os critérios, clientes em dificuldade podem evitar acordos bilaterais <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337149">com os bancos para aguardar</a> condições mais vantajosas. Esse movimento prolonga a inadimplência e aumenta o custo das provisões.</p>
<p>Com a publicação da MP, produtores elegíveis passam a conhecer os limites, os juros, os prazos e as exigências básicas. Aqueles que não se enquadram também recebem um sinal mais claro de que precisarão negociar por outros instrumentos.</p>
<p>Para o sistema financeiro, essa definição reduz parte da incerteza. O benefício, contudo, dependerá da regulamentação e da capacidade das instituições de processar os pedidos dentro do prazo.</p>
<p>A medida também estabelece que a contratação não impedirá o acesso a novas operações de crédito rural nem justificará, por si só, a inclusão do produtor em cadastros restritivos.</p>
<p>Essa regra busca permitir que o cliente reorganize as dívidas sem perder totalmente o financiamento necessário para plantar a próxima safra. Para o banco, a concessão de novos recursos continuará condicionada à <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331728">política</a> interna de crédito.</p>
<h2>Balanço de agosto manterá BBAS3 no centro do mercado</h2>
<p>O resultado de 12 de agosto será o primeiro grande teste para o Banco do Brasil (BBAS3) depois da publicação da MP das dívidas rurais.</p>
<p>O mercado deverá separar dois temas. O primeiro será a extensão dos danos acumulados até junho, medida pelas provisões, pela inadimplência e pelo custo do crédito. O segundo será a capacidade da nova estrutura de produzir recuperação a partir do terceiro trimestre.</p>
<p>Uma estabilização dos indicadores poderá sustentar a expectativa de que o pior da carteira rural ficou para trás. Uma nova deterioração, por outro lado, elevará a cobrança por informações mais detalhadas sobre os contratos elegíveis e o calendário das renegociações.</p>
<p>A medida provisória oferece ao banco uma ferramenta relevante, mas não substitui a disciplina na concessão de novos financiamentos. O Banco do Brasil terá de combinar sua função de principal financiador do campo com a proteção do capital e da rentabilidade.</p>
<p>O efeito sobre as ações BBAS3 dependerá menos do valor total de dívidas potencialmente alcançadas no sistema e mais da parcela que retornar efetivamente à normalidade dentro da carteira do banco.</p>
<p>Até que as contratações comecem e os pagamentos sejam retomados, a MP representa uma perspectiva de alívio. O balanço do 2T26, porém, continuará mostrando o peso da crise rural antes da nova tentativa de reorganização.</p>
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		<title>Unesp vence prêmio com tecnologia de baixo custo para monitorar piscicultura em tempo real</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/unesp-premio-aqua-on-plus-monitoramento-piscicultura</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 17:05:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Aqua-On Plus]]></category>
		<category><![CDATA[aquicultura de precisão]]></category>
		<category><![CDATA[Aquishow]]></category>
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		<category><![CDATA[Prêmio Inovação Aquícola]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia aquícola]]></category>
		<category><![CDATA[Unesp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores e estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) conquistaram o primeiro lugar na categoria Produção do Prêmio Inovação Aquícola 2026 com o Aqua-On Plus, uma estação inteligente de baixo custo desenvolvida para monitorar, em tempo real, as condições ambientais de sistemas de criação de peixes. A tecnologia, concebida na Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias, no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisadores e estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) conquistaram o primeiro lugar na categoria Produção do Prêmio Inovação Aquícola 2026 com o Aqua-On Plus, uma estação inteligente de baixo custo desenvolvida para monitorar, em tempo real, as condições ambientais de sistemas de criação de peixes. A tecnologia, concebida na Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias, no câmpus de Registro, foi premiada durante a Aquishow, em Uberlândia, por seu potencial de reduzir riscos, melhorar a gestão das fazendas aquícolas e ampliar o acesso de pequenos e médios produtores à aquicultura de precisão.</p>
<p>O Aqua-On Plus automatiza a coleta e a transmissão remota de informações limnológicas e meteorológicas. Na prática, o equipamento permite acompanhar mudanças na qualidade da água e nas condições climáticas sem depender apenas de medições presenciais ou verificações feitas em intervalos mais longos.</p>
<p>A proposta é oferecer ao produtor uma base contínua de informações para decisões relacionadas ao manejo, à alimentação dos animais, ao uso de insumos e à prevenção de perdas. Alterações no ambiente de cultivo podem afetar rapidamente o desenvolvimento dos peixes e, quando identificadas tarde, reduzir a capacidade de reação dentro da propriedade.</p>
<p>O reconhecimento obtido na Aquishow também alcançou a própria Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias. A estrutura da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira foi premiada na categoria Academia, destinada a iniciativas desenvolvidas por universidades e instituições de pesquisa.</p>
<h2>Aqua-On Plus transforma dados ambientais em apoio ao produtor</h2>
<p>O principal diferencial do Aqua-On Plus está na capacidade de realizar leituras contínuas e transmitir os dados a distância. A tecnologia foi desenhada para acompanhar parâmetros ambientais relevantes para a produção aquícola e organizar essas informações de forma que possam ser utilizadas na rotina de manejo.</p>
<p>Em uma fazenda de piscicultura, mudanças de temperatura, chuvas intensas, variações na água e alterações nas condições do reservatório podem comprometer o equilíbrio do sistema produtivo. Dependendo da intensidade e da duração dessas mudanças, os efeitos podem aparecer no consumo de ração, no crescimento dos animais, na sanidade e nos índices de mortalidade.</p>
<p>O monitoramento não substitui a assistência técnica nem elimina a necessidade de inspeções no local. A função do Aqua-On Plus é ampliar a frequência das leituras e reduzir o intervalo entre o surgimento de uma alteração e sua identificação pelo produtor.</p>
<p>Com informações atualizadas, a equipe responsável pela criação pode ajustar o manejo antes que o problema alcance uma dimensão maior. Esse ganho de tempo é especialmente importante em sistemas intensivos, nos quais uma falha ambiental pode afetar um grande número de animais em poucas horas.</p>
<p>Segundo o professor Guilherme Wolff Bueno, integrante do projeto, a tecnologia permite acompanhar continuamente parâmetros ambientais e produtivos. Os dados fornecidos em tempo real podem apoiar decisões, reduzir riscos operacionais e aumentar a eficiência dos sistemas de cultivo.</p>
<h2>Redução de custos orientou desenvolvimento da estação</h2>
<p>O Aqua-On Plus começou a ser desenvolvido em 2022 e passou por sucessivos ajustes para se aproximar das necessidades encontradas nas propriedades. Uma das prioridades da equipe foi reduzir o custo da solução sem comprometer sua capacidade de monitoramento.</p>
<p>A engenheira de pesca e doutoranda Brennda Cheretti, uma das idealizadoras do equipamento, afirma que o acesso à ciência e à tecnologia ainda é caro para parte dos pequenos produtores. Sensores, sistemas de transmissão e plataformas de acompanhamento podem exigir investimentos incompatíveis com a capacidade financeira de operações de menor escala.</p>
<p>A equipe buscou enfrentar essa limitação com uma estrutura modular e replicável. Em vez de desenvolver um sistema único e rígido, os pesquisadores trabalharam em uma solução que possa ser adaptada a diferentes condições de cultivo e necessidades produtivas.</p>
<p>Essa característica poderá permitir configurações distintas conforme o tamanho da propriedade, o ambiente de instalação e os parâmetros que precisam ser acompanhados. A modularidade também tende a facilitar atualizações e substituições de componentes ao longo da vida útil do equipamento.</p>
<p>O preço comercial do Aqua-On Plus ainda não foi definido. A estação continua em desenvolvimento e deverá passar por uma última rodada de testes antes do pedido de patente. Somente após a definição do modelo industrial será possível calcular custos de produção, instalação, manutenção e suporte técnico.</p>
<p>Para pequenos e médios produtores, a viabilidade dependerá da relação entre o investimento exigido e os ganhos obtidos com a redução de perdas, o melhor aproveitamento dos insumos e a maior previsibilidade da produção.</p>
<h2>Tecnologia avançou do laboratório para fazendas de piscicultura</h2>
<p>Ao longo de quatro anos, o Aqua-On Plus evoluiu do nível 2 para o nível 7 na escala de maturidade tecnológica, conhecida pela sigla TRL. O avanço indica que o projeto deixou a fase inicial de formulação, passou por avaliações em ambiente controlado e chegou aos testes em condições próximas da realidade produtiva.</p>
<p>A primeira simulação em campo ocorreu em um tanque escavado na região do Vale do Ribeira. O protótipo foi instalado para que a equipe pudesse avaliar a realização das leituras, a transmissão dos dados e a resistência da estrutura ao uso contínuo em ambiente aquícola.</p>
<p>Essa etapa permitiu identificar problemas que nem sempre aparecem em laboratório. Equipamentos instalados próximos ou dentro da água ficam expostos à umidade, à chuva, ao calor, às variações de temperatura e ao desgaste provocado pela permanência prolongada no campo.</p>
<p>Depois dos testes no Vale do Ribeira, o Aqua-On Plus foi levado para um reservatório de maior escala no município de Chavantes, no interior de São Paulo. O novo ambiente permitiu observar o funcionamento do equipamento sob condições mais próximas das encontradas em uma operação comercial.</p>
<p>Em Chavantes, a estação foi submetida a mudanças climáticas, precipitações e outros fatores de estresse capazes de interferir tanto nas leituras quanto na integridade do protótipo. O objetivo era verificar se o sistema manteria a estabilidade diante de eventos reais e variações ambientais menos previsíveis.</p>
<p>Os resultados foram considerados positivos pela equipe, mas o Aqua-On Plus ainda deverá passar por novos ajustes. A validação em campo representa uma etapa relevante, embora não signifique que o equipamento esteja pronto para ser produzido e comercializado em grande escala.</p>
<h2>Maturidade tecnológica ainda não representa produto pronto</h2>
<p>O nível 7 na escala TRL mostra que o Aqua-On Plus já foi demonstrado em ambiente operacional relevante. O estágio, no entanto, ainda exige <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331721">trabalho</a> de engenharia antes que a solução possa chegar regularmente ao mercado.</p>
<p>Entre o protótipo funcional e o produto comercial existem etapas relacionadas à padronização dos componentes, à estabilidade do sistema, à definição de fornecedores e à capacidade de fabricação em série. Também será necessário estruturar procedimentos de instalação, manutenção e atendimento ao produtor.</p>
<p>Outro ponto decisivo será a comunicação dos dados. Uma estação de monitoramento precisa não apenas coletar informações, mas apresentá-las de forma compreensível e útil para quem toma decisões na propriedade.</p>
<p>Alertas excessivamente técnicos ou difíceis de interpretar podem reduzir o valor prático do sistema. Para alcançar produtores com diferentes níveis de formação e estrutura, o Aqua-On Plus deverá combinar precisão científica com operação simples.</p>
<p>A conectividade representa outro desafio. Parte da produção aquícola está localizada em regiões rurais com acesso limitado à internet ou instabilidade na transmissão de dados. A solução comercial terá de considerar essas restrições para evitar que o equipamento fique dependente de uma infraestrutura inexistente em algumas áreas.</p>
<p>A capacidade de operar em diferentes condições será fundamental para a expansão do projeto. A aquicultura brasileira reúne viveiros escavados, tanques-rede, reservatórios e sistemas com características ambientais distintas, o que exige flexibilidade tecnológica.</p>
<h2>Patente deverá anteceder licenciamento para empresas</h2>
<p>A próxima etapa planejada pelos pesquisadores é o depósito da patente com apoio da Agência Unesp de Inovação, a AUIN. A proteção da propriedade intelectual deverá ocorrer antes da negociação com startups ou <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331720">empresas</a> interessadas na produção e na comercialização do Aqua-On Plus.</p>
<p>O professor Érico Tadao Teramoto, coautor do projeto, destaca que o caminho entre a ideia inicial e a chegada de uma inovação ao produtor pode levar vários anos. O processo envolve experimentação, testes, correções e validações sucessivas.</p>
<p>Depois do depósito da patente, a Unesp poderá avaliar modelos de licenciamento. Nesse formato, uma empresa recebe autorização para utilizar a tecnologia e assume responsabilidades relacionadas à fabricação, à distribuição e ao atendimento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331722">mercado</a>.</p>
<p>A transferência para o setor privado pode acelerar a transformação do protótipo em produto, mas dependerá do interesse comercial e da demonstração de viabilidade econômica. Empresas potenciais licenciadas precisarão avaliar o tamanho do mercado, o custo industrial, a demanda dos produtores e a possibilidade de prestar suporte em diferentes regiões.</p>
<p>O Aqua-On Plus também terá de demonstrar que o monitoramento produz resultados financeiros mensuráveis. A adoção será mais provável se o produtor conseguir relacionar o equipamento à redução de mortalidade, à melhoria do uso de ração, à diminuição de deslocamentos ou ao aumento da produtividade.</p>
<p>O prêmio obtido na Aquishow aumenta a exposição do projeto diante de empresas, investidores e agentes da cadeia aquícola. Ainda assim, o reconhecimento técnico não elimina as exigências de escala, confiabilidade e retorno econômico associadas à comercialização.</p>
<h2>Aquicultura de precisão avança com expansão da produção</h2>
<p>A busca por sistemas de monitoramento acompanha o crescimento e a profissionalização da aquicultura brasileira. À medida que as propriedades aumentam sua escala, o controle das condições ambientais se torna mais importante para reduzir perdas e preservar margens.</p>
<p>Na criação de peixes, a alimentação representa uma parcela relevante dos custos. Alterações ambientais podem reduzir o consumo dos animais e comprometer a conversão da ração em ganho de peso, elevando o custo por quilo produzido.</p>
<p>O monitoramento contínuo pode ajudar a identificar momentos em que o manejo precisa ser ajustado. A utilização mais eficiente dos insumos tem impacto direto sobre a rentabilidade, sobretudo em operações pressionadas por custos de ração, energia, mão de obra e transporte.</p>
<p>O uso de dados também melhora a capacidade de planejamento. Informações acumuladas ao longo do tempo permitem comparar períodos, identificar padrões e avaliar como o sistema reage a mudanças de clima ou manejo.</p>
<p>Essa base histórica pode se tornar um ativo relevante para a gestão. Em vez de depender apenas da observação imediata, o produtor passa a contar com registros capazes de apoiar decisões futuras e orientar investimentos.</p>
<p>A adoção de tecnologias de precisão, contudo, permanece desigual. Grandes operações têm maior capacidade de absorver equipamentos e equipes especializadas, enquanto pequenos produtores enfrentam restrições de crédito, conectividade e assistência técnica.</p>
<p>É nesse segmento que o Aqua-On Plus pretende se diferenciar. Ao priorizar baixo custo e modularidade, o projeto busca ampliar o acesso a ferramentas que normalmente ficam concentradas em sistemas mais capitalizados.</p>
<h2>Incubadora aproxima pesquisa acadêmica do mercado</h2>
<p>A Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias está instalada no câmpus da Unesp em Registro e atua como ambiente de desenvolvimento de projetos científicos e empresariais ligados à aquicultura.</p>
<p>A estrutura reúne estudantes, professores, pesquisadores e parceiros externos em iniciativas voltadas à solução de problemas encontrados no setor produtivo. O Aqua-On Plus é resultado desse modelo de colaboração.</p>
<p>Além da Unesp, o desenvolvimento contou com a participação de pesquisadores e instituições parceiras. O projeto recebeu recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e do governo federal.</p>
<p>O financiamento público permitiu realizar as etapas de pesquisa, construção dos protótipos e testes em campo. A fase comercial, no entanto, deverá exigir novos recursos e a participação de empresas capazes de assumir a fabricação em escala.</p>
<p>A incubadora também exerce papel de formação. Estudantes envolvidos nos projetos acompanham etapas que vão da concepção científica à validação tecnológica, aproximando a atividade acadêmica das demandas empresariais e produtivas.</p>
<p>A premiação na categoria Academia reconheceu a capacidade da Aquário de Ideias de articular pesquisa, inovação e aplicação prática. O resultado reforça a posição do câmpus de Registro como polo de desenvolvimento tecnológico para a aquicultura.</p>
<h2>Prêmio acelera caminho do Aqua-On Plus até o mercado</h2>
<p>O Aqua-On Plus foi projetado inicialmente para sistemas de criação de peixes, mas os pesquisadores consideram a possibilidade de ampliar seu uso para a produção de camarões e moluscos. A expansão dependerá de adaptações específicas para cada espécie e ambiente.</p>
<p>Os parâmetros relevantes para uma fazenda de peixes não são necessariamente os mesmos exigidos em outras modalidades de aquicultura. Por isso, a modularidade deverá ser testada também como capacidade de adaptação técnica.</p>
<p>Antes dessa ampliação, a prioridade será concluir a validação do sistema atual. A equipe pretende realizar uma nova etapa de testes, corrigir eventuais limitações e preparar a documentação necessária para o depósito da patente.</p>
<p>A futura empresa licenciada terá de transformar a estação experimental em uma solução confiável para uso diário. Esse processo inclui fabricação padronizada, garantia de peças, atualização tecnológica e assistência ao produtor.</p>
<p>O prêmio recebido em Uberlândia funciona como uma vitrine para o projeto e pode facilitar a aproximação com parceiros comerciais. O avanço efetivo, porém, dependerá da capacidade de manter o baixo custo quando o Aqua-On Plus deixar a escala experimental.</p>
<p>Se concluir essa transição, a tecnologia poderá ampliar o acesso à aquicultura de precisão e oferecer a pequenos produtores uma ferramenta para acompanhar riscos que hoje são identificados de forma tardia ou descontínua.</p>
<p>O desafio agora é converter o reconhecimento científico em uma solução economicamente viável, resistente às condições do campo e capaz de gerar resultados mensuráveis dentro das fazendas aquícolas.</p>
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		<title>Brasil encosta nos EUA com US$ 169,2 bi em exportações agrícolas e disputa liderança global</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-exportacoes-agricolas-169-bi-eua-lideranca-global-analise</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 17:15:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil encerrou 2025 com US$ 169,2 bilhões em exportações do agronegócio, a menos de US$ 2 bilhões dos US$ 171 bilhões embarcados pelos Estados Unidos. A diferença, a menor já registrada entre os dois países, coloca o Brasil pela primeira vez em condição efetiva de disputar a liderança mundial do comércio agrícola, posição ocupada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil encerrou 2025 com US$ 169,2 bilhões em exportações do agronegócio, a menos de US$ 2 bilhões dos US$ 171 bilhões embarcados pelos Estados Unidos. A diferença, a menor já registrada entre os dois países, coloca o Brasil pela primeira vez em condição efetiva de disputar a liderança mundial do comércio agrícola, posição ocupada pelos americanos por décadas e que sustentou parte relevante do poder de definição de preços, padrões sanitários e rotas logísticas globais.</p>
<p>A fotografia da virada foi organizada pelo jornal britânico Financial Times a partir dos dados oficiais divulgados nesta semana. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, as vendas externas brasileiras cresceram 3% sobre 2024 e garantiram superávit setorial de US$ 149,07 bilhões. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, as exportações agrícolas americanas recuaram para US$ 171 bilhões em 2025, após o pico de 2022, pressionadas por preços internacionais mais baixos, <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331600">dólar</a> valorizado e perda de mercados. As duas estatísticas usam classificações distintas, mas apontam para a mesma direção. A liderança americana deixou de ser incontestável.</p>
<p>O que está em jogo vai além de um ranking. Quando o maior exportador de alimentos muda, muda a forma como o mundo compra, financia e transporta comida. Para o Brasil, significa mais dólares entrando pela balança comercial, mais peso nas negociações bilaterais e mais exposição a um único cliente. Para os Estados Unidos, significa lidar com um déficit agrícola crescente e com a necessidade de redesenhar subsídios, <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331603">política</a> de biocombustíveis e estratégia comercial.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Diferença de menos de US$ 2 bi encerra era de domínio incontestável</h3>
<p>A aproximação entre US$ 169,2 bilhões e US$ 171 bilhões não é apenas simbólica. Ela materializa um movimento de duas décadas. No início dos anos 2000, o Brasil exportava pouco mais de um décimo do que exporta hoje em produtos do agro. O avanço veio com expansão de área no Centro-Oeste, adoção de cultivares adaptadas ao Cerrado, correção de solo e um salto de produtividade por hectare que permitiu ao país produzir mais sem crescer na mesma proporção em área.</p>
<p>Levantamento da <a class="wpil_keyword_link" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331604">Gazeta Mercantil</a> com base em dados da Secex e do USDA mostra que a trajetória dos dois países se inverteu nos últimos três anos. Enquanto o Brasil manteve crescimento mesmo com queda de preços de soja e milho, os Estados Unidos perderam valor embarcado. O dado de 2025 consolida essa inversão porque ocorre em um ano de preços internacionais menos favoráveis, o que indica que o ganho brasileiro não depende apenas de cotação, mas de volume, diversificação de destinos e capacidade de originação.</p>
<p>O superávit de US$ 149,07 bilhões do agro brasileiro em 2025 foi, mais uma vez, o principal amortecedor das contas externas. Em um contexto de juros globais ainda elevados e de custo de financiamento pressionado, essa entrada de divisas ajuda a suavizar a volatilidade cambial e a financiar importações de bens de capital, combustíveis e insumos. É um efeito fiscal indireto, mas relevante, porque sustenta arrecadação de estados exportadores e reduz a necessidade de captação externa em momentos de aversão a risco.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">China acelera virada e troca fornecedor americano por brasileiro</h3>
<p>A China explica boa parte da convergência. Em 2025, o país comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331606">agronegócio</a> brasileiro, o equivalente a 32,7% de todas as exportações do setor, com crescimento de 11% em um ano. No sentido oposto, as vendas agrícolas dos Estados Unidos para a China despencaram 66%, para US$ 8,4 bilhões. O <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331602">mercado</a> chinês, que já foi o principal destino do agro americano, caiu para a sexta posição no ranking de clientes dos EUA.</p>
<p>A disputa tarifária aberta pelo governo Donald Trump acelerou um processo que já estava em curso. Importadores chineses, diante de tarifas, incerteza regulatória e risco de interrupção de embarques, ampliaram contratos de longo prazo com o Brasil em soja, carnes, açúcar e algodão. Esses contratos não envolvem apenas preço. Eles amarram originação, armazenagem, capacidade portuária e financiamento de safra. Uma vez estabelecidos, tendem a ser mantidos, porque o custo de trocar de fornecedor inclui revalidar plantas frigoríficas, certificar fazendas e reorganizar logística interna na China.</p>
<p>O Financial Times ressalta que não se trata de um efeito conjuntural isolado. O Brasil construiu, ao longo de vinte anos, uma estrutura capaz de atender a China em escala. Isso inclui calendário agrícola complementar ao americano, oferta concentrada de farelo e grão no primeiro semestre e capacidade de entregar volumes grandes em janela curta, o que é decisivo para esmagadoras chinesas que operam com estoques baixos.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Segunda safra cria vantagem estrutural que o clima americano não permite</h3>
<p>Parte central dessa capacidade está no modelo de duas safras. Em Mato Grosso, principal polo produtor de grãos, áreas plantadas com soja no verão recebem milho ou algodão na sequência. Esse sistema dilui custos fixos de terra, máquinas e infraestrutura e gera duas receitas na mesma área em um único ano agrícola. Nos Estados Unidos, o inverno rigoroso impede essa intensificação na maior parte do Corn Belt, onde o produtor tem uma janela principal de cultivo.</p>
<p>Essa diferença de modelo tem consequência econômica direta. Ao produzir duas culturas, o produtor brasileiro reduz o custo médio por tonelada e ganha flexibilidade para decidir o que vender conforme preço relativo entre soja, milho e algodão. Para tradings, significa maior oferta de milho no segundo semestre, justamente quando os estoques americanos começam a cair. Para a indústria de carnes, significa oferta mais estável de grãos para ração, o que sustenta competitividade de proteína animal.</p>
<p>O Brasil já lidera as exportações mundiais de soja, carne bovina, carne de frango, café, açúcar e suco de laranja, e vem ganhando participação em algodão e carne suína. A safra de grãos 2025/2026 está estimada pelo Ministério da Agricultura em 353,4 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica. No primeiro trimestre de 2026, as exportações do agro superaram US$ 38 bilhões, também recorde para o período, segundo a pasta. O dado do início de 2026 é relevante porque mostra que a safra recorde está sendo convertida em embarque, não apenas em estoque de passagem.</p>
<p>A renovação de máquinas entra nesse cálculo. Em junho, o governo anunciou o programa Move Agricultura, com R$ 14 bilhões para financiar tratores, colheitadeiras e outros equipamentos. A medida afeta custo operacional, produtividade e capacidade de plantar dentro da janela ideal, que é determinante para a segunda safra. Para a indústria de máquinas agrícolas, representa demanda firme em um ano de crédito mais caro.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Balança comercial, dólar e juros sentem o efeito imediato</h3>
<p>A disputa pela liderança tem efeito prático sobre a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331605">economia</a> brasileira. O agro responde pela maior parte do superávit comercial e é a principal fonte privada de <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337135">dólares no mercado</a> à vista. Quando as exportações crescem em volume, mesmo com preço médio menor, o fluxo cambial ajuda a conter depreciações abruptas do real e reduz a pressão sobre inflação de alimentos e combustíveis importados.</p>
<p>Para a política monetária, o canal é indireto. Um superávit robusto melhora a percepção de risco externo e dá mais espaço ao Banco Central para calibrar juros sem a necessidade de responder a choques cambiais. Para o Tesouro, o efeito aparece na arrecadação de estados do Centro-Oeste e do Matopiba e na atividade de setores ligados a transporte, armazenagem e insumos. Não é por acaso que a curva de juros futuros costuma reagir a revisões de safra e a dados mensais de exportação da Secex.</p>
<p>Para o consumidor brasileiro, a leitura é dupla. De um lado, exportação forte sustenta emprego e renda no interior. De outro, maior integração com a China e com o mercado internacional torna o preço interno de soja, milho, carnes e açúcar mais sensível à demanda externa. Em anos de quebra nos EUA ou de aceleração chinesa, o repasse para o varejo doméstico pode ser mais rápido do que em anos de oferta abundante.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Empresas listadas entram no centro da disputa</h3>
<p>O rearranjo comercial muda a equação de <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331601">empresas</a> que operam na originação, processamento e logística. Frigoríficos e tradings passam a lidar com um cliente mais concentrado e exigente em termos de escala e regularidade. No Brasil, companhias listadas como JBS (JBSS3), BRF (BRFS3), Marfrig (MRFG3) e SLC Agrícola (SLCE3) ficam mais expostas à dinâmica de frete marítimo, habilitação de plantas e spread entre preço interno e internacional. Para as produtoras de grãos, a segunda safra vira variável central de margem, porque define diluição de custo fixo e capacidade de travar preço em Chicago e no câmbio.</p>
<p>Para as tradings globais, a mudança de eixo significa redefinir onde investir em armazéns, esmagadoras e terminais portuários. A capacidade de originar milho no Brasil no segundo semestre, embarcar pelo Arco Norte e entregar na Ásia em prazo competitivo passou a valer tanto quanto a capacidade tradicional de originar no Golfo do México. Isso explica parte dos investimentos recentes em portos do Pará e Maranhão e em ferrovias que conectam o Centro-Oeste ao Norte.</p>
<p>Para o investidor de Bolsa, o recado é que o agro brasileiro deixou de ser apenas uma história de volume para ser também uma história de execução logística. O diferencial entre empresas não está mais só em produtividade no campo, mas em capacidade de armazenar, transportar, financiar e certificar carga. A volatilidade do dólar, o custo do diesel e o preço do frete deixam de ser coadjuvantes e passam a definir resultado trimestral.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Por que os EUA perderam tração e viraram importadores líquidos</h3>
<p>Nos Estados Unidos, o valor das exportações agrícolas atingiu o pico em 2022 e recuou para US$ 171 bilhões em 2025. Conforme o USDA, a queda reflete combinação de preços menores, dólar forte e mudança na composição da demanda por soja e milho. Ao mesmo tempo, as importações agrícolas americanas chegaram a US$ 212 bilhões, o que gerou déficit de US$ 41 bilhões no comércio agrícola. É um número que contrasta com o período em que os Estados Unidos dominavam simultaneamente produção, comércio e formação de preços globais.</p>
<p>A estratégia americana <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333960">para compensar a perda de mercados</a> tem se apoiado em subsídios diretos a produtores e em incentivos ao uso de milho para biocombustíveis. A política sustenta renda no campo e ajuda a escoar parte da produção, mas não recupera automaticamente clientes que já migraram para o Brasil e estabeleceram cadeias de abastecimento alternativas. Além disso, o aumento da produção de proteínas vegetais, a maior concorrência da América do Sul e a preferência de importadores asiáticos por contratos mais flexíveis reduziram o poder de precificação dos EUA em algumas cadeias.</p>
<p>Há ainda um componente de custo interno. A mão de obra, o custo de armazenagem e o transporte interno nos EUA subiram nos últimos anos, enquanto o Brasil, mesmo com gargalos, conseguiu manter custo de produção competitivo em grãos e carnes. A diferença não está na tecnologia embarcada, que é elevada nos dois países, mas na capacidade de escalar área e de produzir duas safras onde o clima permite.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Logística cara e rastreabilidade ambiental definem se liderança será sustentável</h3>
<p>A possível liderança brasileira convive com limitações que podem travar o salto final. A primeira é logística. A distância entre as áreas produtoras do Centro-Oeste e os portos do Sudeste e do Arco Norte ainda impõe custo elevado, congestionamentos em safra e dependência de rodovias. O escoamento pela BR-163, a expansão da Ferrovia Norte-Sul e os terminais no Arco Norte avançaram, mas não acompanharam integralmente o crescimento de 353,4 milhões de toneladas de grãos. Cada ponto percentual de perda de eficiência logística reduz a competitividade que o campo constrói com produtividade.</p>
<p>A segunda limitação é ambiental e regulatória. A expansão de lavouras e pastagens sobre vegetação nativa pressiona o debate sobre desmatamento e cria risco de barreiras comerciais. A União Europeia avança com exigências de rastreabilidade por lote e comprovação de cadeia livre de desmatamento, o que aumenta custo de conformidade para tradings, frigoríficos e produtores. O investimento em monitoramento por satélite, certificação, segregação de origem e sistemas de rastreabilidade de bovinos e grãos deixa de ser diferencial e vira condição para manter acesso a mercados de maior valor agregado.</p>
<p>Esse custo regulatório tende a se concentrar nas empresas que não investiram em governança socioambiental. Para as que já operam com rastreabilidade, pode virar vantagem competitiva, porque cria barreira de entrada para concorrentes menores. É um ponto que interessa diretamente a investidores que avaliam risco de sanção, perda de cliente e desconto em múltiplos por exposição ambiental.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">O que pode confirmar ou adiar a ultrapassagem em 2026</h3>
<p>A diferença inferior a US$ 2 bilhões entre Brasil e Estados Unidos em 2025 não significa que a ultrapassagem já ocorreu oficialmente. As metodologias de classificação de produtos são diferentes e a comparação direta exige ajustes. Ela mostra, porém, que a disputa entrou em uma nova fase, em que o Brasil tem safras sucessivas, acesso privilegiado à China e um modelo de segunda safra que amplia volume sem expandir área na mesma proporção.</p>
<p>Os próximos meses serão decisivos para confirmar a tendência. O USDA divulga em agosto nova rodada de estimativas de oferta, demanda e estoques, a Conab atualiza a projeção de safra e o Ministério da Agricultura detalha o desempenho por produto. O comportamento da demanda chinesa, a política tarifária americana, o ritmo de embarque do milho segunda safra e o custo de frete marítimo vão definir se o Brasil supera os EUA ainda em 2026 ou se a ultrapassagem fica para o ciclo seguinte.</p>
<p>Para a Gazeta Mercantil, o ponto central é que o agro brasileiro deixou de ser apenas fornecedor complementar para ser formador de preço e de rota logística. Quando um país passa a responder por mais de um terço das importações agrícolas do maior comprador do mundo, como ocorre com o Brasil na China, ele muda a balança de poder no comércio global de alimentos. Resta saber se o país conseguirá transformar volume em liderança sustentável, com logística eficiente, crédito para mecanização e rastreabilidade que garanta acesso a mercados exigentes. O número de 2025 indica que a janela está aberta. O custo para atravessá-la será medido em ferrovias, portos e sistemas de controle que vão muito além da porteira.</p>
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		<item>
		<title>Governo Federal abre renegociação de R$ 100 bilhões em dívidas rurais; veja quem pode aderir</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/mp-renegociacao-100-bilhoes-dividas-rurais-quem-pode-aderir</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 17:06:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[crédito rural]]></category>
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		<category><![CDATA[MP 1376]]></category>
		<category><![CDATA[produtores rurais]]></category>
		<category><![CDATA[Pronaf]]></category>
		<category><![CDATA[Pronamp]]></category>
		<category><![CDATA[renegociação de dívidas rurais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governo federal abriu uma nova frente para enfrentar o endividamento do agronegócio ao publicar, na quarta-feira (15), a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza a criação de linhas de crédito destinadas à renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. O programa atenderá produtores e cooperativas que acumularam perdas de safra entre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governo federal abriu uma nova frente para enfrentar o endividamento do agronegócio ao publicar, na quarta-feira (15), a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza a criação de linhas de crédito destinadas à renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. O programa atenderá produtores e cooperativas que acumularam perdas de safra entre 2019 e 2025, com juros entre 5% e 12% ao ano e prazo de pagamento que poderá chegar a dez anos.</p>
<p>A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou em vigor com a publicação em edição extra do Diário Oficial da União. O texto estabelece as condições gerais do programa, mas a liberação dos recursos ainda dependerá da regulamentação do Conselho Monetário Nacional e da análise individual feita pelos bancos.</p>
<p>O valor de R$ 100 bilhões corresponde ao volume estimado de operações que poderão ser refinanciadas, e não a um desembolso direto do Tesouro Nacional. As linhas serão abastecidas por recursos obrigatórios do crédito rural, fundos constitucionais, fontes equalizadas pelo governo e capital próprio das instituições financeiras.</p>
<p>Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o impacto anual da medida sobre as contas públicas deverá ficar abaixo de R$ 4 bilhões. A maior parte desse custo virá da equalização dos juros, mecanismo pelo qual a União cobre a diferença entre a taxa paga pelo produtor e o custo financeiro da operação.</p>
<h2>Renegociação exige perdas em pelo menos duas safras</h2>
<p>A renegociação de dívidas rurais não estará disponível para todo produtor endividado. A regra geral exige que o interessado tenha sofrido perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução de pelo menos 30% da renda bruta agropecuária esperada.</p>
<p>As perdas poderão ter sido provocadas por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados. A MP menciona secas, estiagens, enchentes, enxurradas, alagamentos, geadas, granizo, chuvas intensas, tornados, ondas de frio e vendavais.</p>
<p>O prejuízo precisará estar relacionado à safra ou à atividade que originou a dívida submetida à renegociação. Não será suficiente demonstrar uma perda genérica na propriedade ou uma redução de receita em outra cultura sem vínculo com o financiamento.</p>
<p>A comprovação deverá ser feita por meio de laudo elaborado por profissional habilitado. Caberá ao Conselho Monetário Nacional definir os procedimentos operacionais e a documentação que será exigida pelas instituições financeiras.</p>
<p>Produtores que enfrentaram perdas mais graves terão condições diferenciadas. Nessa segunda faixa, será necessário demonstrar prejuízos em três ou mais safras, provocados por eventos climáticos, além de redução mínima de 40% da renda bruta esperada.</p>
<h2>Juros começam em 5% para agricultores familiares</h2>
<p>As taxas da renegociação serão definidas de acordo com o porte do produtor e a intensidade das perdas acumuladas.</p>
<p>Na regra geral, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, pagarão juros de 6% ao ano.</p>
<p>Para miniprodutores, pequenos e médios agricultores atendidos pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, o Pronamp, a taxa será de 9% ao ano. Os demais produtores pagarão 12%.</p>
<p>Nos casos mais graves, com perdas em pelo menos três safras e redução de renda igual ou superior a 40%, as taxas cairão para 5% ao ano no Pronaf, 8% no Pronamp e 11% para os demais produtores.</p>
<p>A diferença busca concentrar o maior subsídio nas propriedades mais atingidas por sucessivos eventos climáticos. Essa categoria foi desenhada especialmente para regiões que enfrentaram repetidas quebras de produção, como áreas afetadas por estiagens prolongadas e pelas enchentes no Rio Grande do Sul.</p>
<p>“É uma linha que vai dar o fôlego necessário para o agricultor brasileiro chegar adiante”, afirmou Durigan após a reunião que fechou o acordo entre o governo, a Câmara dos Deputados e representantes do setor agropecuário.</p>
<h2>Limite chega a R$ 8 milhões por produtor</h2>
<p>Na faixa destinada aos produtores que perderam duas ou mais safras e tiveram redução de renda de pelo menos 30%, o limite principal será de R$ 400 mil para beneficiários do Pronaf.</p>
<p>Produtores enquadrados no Pronamp poderão contratar até R$ 2 milhões, enquanto o teto para os demais será de R$ 4 milhões.</p>
<p>A MP permite operações complementares quando a dívida superar esses valores. Um agricultor do Pronaf poderá contratar crédito adicional de até R$ 600 mil, mas o saldo excedente será submetido à taxa aplicável ao Pronamp.</p>
<p>No caso dos produtores do Pronamp, será possível obter uma operação adicional de até R$ 2 milhões, com a incidência da taxa cobrada dos demais produtores.</p>
<p>Para quem se enquadrar na categoria de perdas mais severas, os limites principais serão ampliados. O teto chegará a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores.</p>
<p>Também haverá possibilidade de crédito complementar nessa faixa. Beneficiários do Pronaf poderão financiar mais R$ 500 mil, enquanto produtores do Pronamp poderão contratar até R$ 1,5 milhão adicional, ambos com taxas correspondentes à categoria imediatamente superior.</p>
<p>Os limites são cumulativos por mutuário, considerando as operações feitas em uma ou mais instituições financeiras. O produtor, portanto, não poderá multiplicar o teto por meio da contratação em diferentes bancos.</p>
<h2>Pagamento poderá ser feito em até dez anos</h2>
<p>A regra geral estabelece prazo de até oito anos para o pagamento da renegociação. A primeira parcela de amortização do principal vencerá dois anos após a contratação.</p>
<p>A carência não significa suspensão completa dos pagamentos. Durante os dois primeiros anos, o produtor terá de pagar os juros incidentes sobre a operação, embora ainda não precise amortizar o valor principal da dívida.</p>
<p>Para produtores atingidos por perdas mais severas, o prazo será ampliado para até dez anos. A primeira amortização também poderá ocorrer dois anos depois da contratação, com pagamento dos juros durante a carência.</p>
<p>O alongamento reduz o valor das parcelas e procura adequar o fluxo da dívida ao ciclo de recuperação da propriedade. O efeito prático, porém, dependerá da capacidade futura de geração de caixa e do custo acumulado ao longo do contrato.</p>
<p>As linhas deverão ser contratadas em até 120 dias contados da publicação da MP. O prazo curto aumenta a pressão para que o Conselho Monetário Nacional regulamente rapidamente o programa e para que os bancos adaptem seus sistemas.</p>
<h2>Custeio, comercialização e investimento estão incluídos</h2>
<p>A renegociação alcançará operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização que tenham sido prorrogadas ou renegociadas até 31 de maio de 2026 e estejam adimplentes no momento da contratação da nova linha.</p>
<p>Também poderão ser refinanciadas operações dessas modalidades contratadas até 31 de dezembro de 2025 que tenham entrado em inadimplência a partir de 1º de janeiro de 2024 e continuassem em atraso em 31 de maio de 2026.</p>
<p>No crédito para investimento, poderão ser incluídas parcelas vencidas ou com vencimento entre janeiro de 2024 e dezembro de 2026. A operação original deverá ter sido contratada até o fim de 2025 e ter permanecido inadimplente na data de corte prevista pela MP.</p>
<p>A medida abrange contratos firmados com recursos do Pronaf, do Pronamp, de outras linhas do Sistema Nacional de Crédito Rural e dos fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.</p>
<p>Não poderão entrar no programa dívidas que já tenham sido encaminhadas para a Dívida Ativa da União. Também ficam fora valores anteriormente quitados por indenizações do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária ou por seguro rural.</p>
<p>Operações contratadas com determinados recursos do Fundo Social ou ao amparo da Medida Provisória nº 1.314/2025 também estão sujeitas a restrições, para evitar a sobreposição de benefícios públicos.</p>
<h2>CPRs inadimplentes entram no refinanciamento</h2>
<p>A MP também permite a renegociação de determinadas Cédulas de Produto Rural com liquidação financeira, instrumento amplamente utilizado no financiamento privado do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="325122">agronegócio</a>.</p>
<p>Os bancos poderão adquirir novas CPRs para liquidar ou amortizar títulos emitidos em favor de instituições financeiras até 31 de dezembro de 2025.</p>
<p>Para entrar no programa, a CPR original deverá ter ficado inadimplente a partir de janeiro de 2024 e permanecido em atraso em 31 de maio de 2026. O título também precisará estar registrado em entidade autorizada pelo Banco Central.</p>
<p>A operação deverá estar relacionada à liquidação de outra CPR e o produtor terá de cumprir os critérios de perdas de safra e redução de renda definidos na medida.</p>
<p>O prazo de reembolso poderá chegar a oito anos. Os recursos poderão vir da poupança rural, de Letras de Crédito do Agronegócio e de outras fontes livres ou direcionadas das instituições financeiras.</p>
<p>A inclusão das CPRs atende a uma das principais reivindicações do setor. Nos últimos anos, parte crescente do financiamento da produção migrou para instrumentos privados, distribuídos entre bancos, revendas, tradings, cooperativas e fornecedores de insumos.</p>
<h2>Parcelas próximas do vencimento poderão ser prorrogadas</h2>
<p>A MP autoriza os bancos a adiar por até 30 dias o vencimento de parcelas de principal e juros de determinadas operações rurais.</p>
<p>A medida temporária <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328585">vale para contratos que estavam adimplentes em</a> 14 de julho de 2026 e tinham vencimento previsto para os 30 dias seguintes à publicação da norma.</p>
<p>A prorrogação não será automática nem universal. O financiamento deverá atender aos critérios do programa, e o produtor precisará solicitar a contratação de uma das linhas de renegociação.</p>
<p>Durante o período adicional, a dívida continuará sendo corrigida pelos encargos normais do contrato. A fonte de recursos original será mantida e não haverá necessidade de assinatura de termo aditivo para a extensão.</p>
<p>Segundo o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), o intervalo permitirá que os produtores preparem os documentos necessários. “O prazo dessas parcelas que estavam vencendo hoje e nos próximos dias dará um fôlego para que os produtores possam apresentar a documentação necessária”, disse.</p>
<h2>Bancos continuarão responsáveis pelo risco de crédito</h2>
<p>Embora o governo tenha criado as condições do programa, o risco das operações permanecerá com as instituições financeiras.</p>
<p>Cada pedido será submetido às políticas internas do banco, que poderá analisar capacidade de pagamento, histórico do cliente, garantias e viabilidade econômica da propriedade.</p>
<p>A dívida refinanciada será tratada como uma nova operação para efeitos de classificação de risco. O cumprimento dos requisitos legais não assegura, por si só, a aprovação do crédito.</p>
<p>A MP permite a revisão das garantias já vinculadas aos contratos. Elas poderão ser reduzidas quando forem excessivas ou ampliadas quando o banco considerar que o patrimônio oferecido não cobre adequadamente o novo financiamento.</p>
<p>O texto também determina que a adesão à renegociação não poderá impedir a contratação de novos créditos rurais nem justificar a inclusão do produtor ou da cooperativa em cadastros restritivos.</p>
<p>Essa proteção é relevante porque o alongamento da dívida antiga não resolve a necessidade de capital para a safra seguinte. Sem acesso a novos recursos, o produtor poderia refinanciar o passivo e, ainda assim, ficar sem condições de comprar sementes, fertilizantes, defensivos e combustível.</p>
<h2>Fundo garantidor terá participação da União</h2>
<p>A medida autoriza a União a participar como cotista de um fundo garantidor destinado a operações contratadas por produtores afetados por eventos climáticos.</p>
<p>Segundo Durigan, o governo trabalha com um limite de até R$ 2 bilhões para a constituição do instrumento. Estados, municípios, produtores e instituições financeiras também poderão participar.</p>
<p>O fundo terá natureza privada e patrimônio separado do patrimônio dos cotistas e do administrador. Ele responderá pelas obrigações somente até o limite dos bens e direitos que possuir, sem garantia ou aval direto do Poder Público.</p>
<p>A intenção é reduzir o risco das operações e facilitar a concessão de crédito de médio e longo prazo. A cobertura oferecida pelo fundo poderá diminuir a necessidade de garantias adicionais e limitar o spread cobrado pelos bancos.</p>
<p>Os detalhes ainda dependerão de regulamentação do Poder Executivo, incluindo o valor que será aportado pela União, os limites de cobertura e as regras de elegibilidade.</p>
<h2>Acordo evitou votação de projeto mais amplo no Congresso</h2>
<p>A publicação da MP encerrou um impasse entre o governo e o Congresso em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, aprovado pelo Senado em junho e devolvido à Câmara após sofrer alterações.</p>
<p>O projeto aprovado pelos senadores previa condições mais amplas, com juros de 3,5% a 7,5% ao ano, limites de até R$ 10 milhões por beneficiário e uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.</p>
<p>O texto também autorizava financiamentos de até R$ 50 milhões para associações, cooperativas e condomínios, além de prever carência adicional de até três anos.</p>
<p>O Ministério da Fazenda resistiu ao projeto por causa do custo fiscal e do alcance considerado excessivo. O acordo anunciado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), retirou a proposta da pauta e transferiu a solução para uma medida provisória negociada com a Frente Parlamentar da Agropecuária.</p>
<p>A MP adotou juros e limites menos favoráveis do que os aprovados no Senado, mas ampliou o atendimento a dívidas relacionadas à queda de preços, incorporou as CPRs e criou a possibilidade de um fundo garantidor.</p>
<h2>Bancos e CMN decidirão quanto dos R$ 100 bilhões chegará ao campo</h2>
<p>A MP nº 1.376 já produz efeitos legais, mas precisará ser analisada pela Câmara e pelo Senado para ser convertida definitivamente em lei.</p>
<p>Parlamentares poderão apresentar emendas para reduzir juros, ampliar limites ou modificar os critérios de acesso. O texto terá validade inicial de 60 dias, prorrogável por igual período caso a votação não seja concluída.</p>
<p>Antes da apreciação do Congresso, o impacto efetivo dependerá da regulamentação do Conselho Monetário Nacional e da abertura das linhas pelos bancos.</p>
<p>O governo deverá apresentar, até 180 dias depois do encerramento do prazo de contratação, um relatório com o número de operações e os valores efetivamente renegociados.</p>
<p>A MP também prevê punições para produtores, cooperativas e profissionais que apresentarem laudos ou documentos fraudulentos. O beneficiário poderá perder o crédito, devolver os valores recebidos e ficar impedido de contratar operações subvencionadas por até cinco anos.</p>
<p>Com R$ 100 bilhões potencialmente elegíveis, o programa oferece uma saída para produtores pressionados por perdas climáticas, juros elevados e deterioração dos preços agrícolas. O volume que será efetivamente refinanciado, no entanto, será definido pelos laudos apresentados, pela disposição dos bancos em assumir risco e pela capacidade de pagamento de cada propriedade.</p>
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		<title>Exportações de carne bovina batem recorde e somam US$ 9,85 bilhões no semestre</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/exportacoes-carne-bovina-brasil-recorde-us-985-bilhoes-semestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 00:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram US$ 9,85 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado pelo setor para o período. Entre janeiro e junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% superior ao apurado nos seis primeiros meses de 2025. O resultado confirma a força da proteína bovina [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram US$ 9,85 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado pelo setor para o período. Entre janeiro e junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% superior ao apurado nos seis primeiros meses de 2025.</p>
<p>O resultado confirma a força da proteína bovina brasileira no comércio internacional, mas também expõe a concentração das vendas em poucos mercados. A China continuou como principal destino, com 794,7 mil toneladas compradas no semestre e US$ 4,87 bilhões em receita.</p>
<p>Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.</p>
<p>O desempenho financeiro cresceu em ritmo mais forte que o volume. Enquanto as toneladas exportadas avançaram 15,5%, a receita subiu 36,2% frente ao primeiro semestre de 2025, quando as vendas externas haviam somado US$ 7,24 bilhões.</p>
<p>Essa diferença mostra que o setor foi beneficiado não apenas pelo aumento dos embarques, mas também pela valorização do preço médio da carne brasileira no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323612">mercado</a> internacional.</p>
<h2>Carne bovina brasileira em números</h2>
<p><strong>Exportações no semestre:</strong> 1,705 milhão de toneladas<br />
<strong>Crescimento em volume:</strong> 15,5%<br />
<strong>Receita no semestre:</strong> US$ 9,85 bilhões<br />
<strong>Crescimento em receita:</strong> 36,2%<br />
<strong>Exportações em junho:</strong> 317,3 mil toneladas<br />
<strong>Receita em junho:</strong> US$ 1,975 bilhão<br />
<strong>Principal destino:</strong> China<br />
<strong>Participação da China no volume:</strong> 46,6%<br />
<strong>Produto dominante:</strong> carne bovina in natura</p>
<h2>Receita cresce acima do volume exportado</h2>
<p>A diferença entre crescimento físico e crescimento financeiro é o ponto mais relevante dos números do semestre.</p>
<p>O Brasil exportou 229 mil toneladas a mais de carne bovina em relação ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, a receita aumentou em US$ 2,61 bilhões.</p>
<p>Na prática, o país vendeu mais e vendeu melhor. O avanço dos preços internacionais elevou o faturamento dos frigoríficos e reforçou a importância da carne bovina na pauta de exportações do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323611">agronegócio</a>.</p>
<p>O movimento favorece <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323613">empresas</a> com presença relevante no mercado externo, como JBS (JBSS3), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), ainda que o impacto financeiro dependa de câmbio, custos, margens, hedge e composição geográfica das vendas de cada companhia.</p>
<p>O setor também se beneficiou da capacidade brasileira de manter escala, regularidade de embarques e habilitação sanitária para diversos mercados.</p>
<h2>China concentra quase metade das compras</h2>
<p>A China comprou 794,7 mil toneladas de carne bovina brasileira no primeiro semestre, alta de 24% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>Em receita, as vendas para o mercado chinês somaram US$ 4,87 bilhões, avanço de 49,4% na comparação anual.</p>
<p>Com esses números, o país asiático respondeu por 46,6% do volume exportado pelo Brasil no semestre. A participação reforça a dependência estrutural da cadeia bovina brasileira em relação à demanda chinesa.</p>
<p>A concentração tem efeito positivo quando o mercado chinês compra em ritmo forte, como ocorreu no primeiro semestre. Mas também aumenta a exposição do setor a mudanças tarifárias, sanitárias e regulatórias definidas por Pequim.</p>
<p>Esse será um dos principais pontos de atenção no segundo semestre.</p>
<h2>Cota chinesa pode mudar o ritmo dos embarques</h2>
<p>O bom desempenho do primeiro semestre não elimina riscos para a segunda metade do ano.</p>
<p>A China passou a aplicar em 2026 um sistema de cotas para importações de carne bovina. No caso brasileiro, a cota anual foi definida em aproximadamente 1,106 milhão de toneladas. Volumes acima desse limite podem ficar sujeitos a tarifa adicional.</p>
<p>Como os embarques para a China avançaram rapidamente no início do ano, o setor passou a <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="331169">trabalhar com a possibilidade de</a> desaceleração das vendas ao mercado chinês nos meses seguintes.</p>
<p>Esse cenário tende a obrigar frigoríficos brasileiros a buscar maior diversificação de destinos. A estratégia passa por ampliar presença em mercados como México, Rússia, Indonésia, Filipinas, Oriente Médio e países da América Latina.</p>
<p>A dificuldade é que nenhum desses destinos, isoladamente, tem escala próxima à chinesa. Por isso, mesmo com diversificação, a China continuará sendo decisiva para o resultado anual do setor.</p>
<h2>Estados Unidos seguem como segundo maior destino</h2>
<p>Os Estados Unidos foram o segundo principal comprador de carne bovina brasileira no primeiro semestre.</p>
<p>O país importou 205 mil toneladas, alta de 13% em volume. A receita somou US$ 1,35 bilhão, avanço de 29,8%.</p>
<p>O mercado norte-americano tem importância estratégica porque combina escala, preços mais elevados e demanda por diferentes cortes e categorias de produto.</p>
<p>Mesmo em um ambiente de maior atenção comercial entre Brasil e Estados Unidos, os embarques de carne bovina mantiveram desempenho robusto no acumulado do semestre.</p>
<p>A continuidade desse ritmo dependerá das condições de acesso ao mercado, da competitividade da carne brasileira e do comportamento dos preços domésticos norte-americanos.</p>
<h2>União Europeia compra menos em volume, mas paga mais</h2>
<p>A União Europeia importou 51,2 mil toneladas de carne bovina brasileira no primeiro semestre, movimentando US$ 452,3 milhões.</p>
<p>O bloco ficou entre os principais mercados em valor, embora represente participação menor em volume quando comparado a China e Estados Unidos.</p>
<p>A diferença reflete o perfil do mercado europeu, que tende a comprar cortes de maior valor agregado e possui exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade mais rigorosas.</p>
<p>O setor acompanha com atenção novas regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos em produtos de origem animal. A partir de setembro, a certificação sanitária para exportações destinadas ao bloco deverá observar requisitos adicionais.</p>
<p>Para frigoríficos brasileiros, a União Europeia continua relevante menos pela escala e mais pelo preço médio e pela sinalização reputacional. Permanecer habilitado no mercado europeu ajuda a reforçar padrões de controle exigidos também por outros compradores.</p>
<h2>Chile e Rússia ganham espaço</h2>
<p>Além dos grandes compradores, mercados médios ampliaram a participação nas exportações brasileiras.</p>
<p>O Chile importou 70,7 mil toneladas no semestre, com receita de US$ 420,2 milhões. O crescimento foi de 20% em volume e 33,2% em valor.</p>
<p>A Rússia comprou 62,2 mil toneladas, gerando US$ 284,1 milhões em receita. O avanço foi mais forte: 53,8% em volume e 58,9% em valor.</p>
<p>Esses resultados são relevantes porque ajudam a reduzir, ainda que parcialmente, a dependência de China e Estados Unidos.</p>
<p>A Rússia voltou a ganhar importância como destino para a carne brasileira em um momento de rearranjo do comércio global de alimentos. Já o Chile segue como comprador consistente na América do Sul, com demanda regular e proximidade logística.</p>
<h2>Junho teve maior receita mensal da série</h2>
<p>O mês de junho consolidou o melhor resultado mensal da série histórica das exportações brasileiras de carne bovina.</p>
<p>Foram embarcadas 317,3 mil toneladas, alta de 16,6% sobre junho de 2025. A receita chegou a US$ 1,975 bilhão, avanço de 38,1%.</p>
<p>O resultado mensal confirmou que o ritmo forte do semestre não foi concentrado apenas no início do ano. Ao contrário, junho terminou com volume e faturamento elevados, mesmo em um ambiente já marcado por incertezas comerciais.</p>
<p>A China continuou na liderança no mês, com 161,9 mil toneladas e US$ 1,08 bilhão em compras. O volume cresceu 19%, enquanto a receita avançou 39,5%.</p>
<p>Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar em receita, com US$ 192,9 milhões, apesar da queda de 8,3% no volume embarcado. O dado indica melhora expressiva do preço médio.</p>
<h2>Carne in natura domina a pauta</h2>
<p>A carne bovina in natura continuou concentrando a maior parte das exportações.</p>
<p>Em junho, o produto respondeu por 279,7 mil toneladas, equivalentes a 88,1% do volume total embarcado. Em receita, foram US$ 1,83 bilhão, ou 92,6% do faturamento mensal.</p>
<p>O predomínio da carne in natura mostra que o Brasil ainda exporta majoritariamente proteína em forma menos industrializada, embora com grande escala e competitividade.</p>
<p>As carnes industrializadas somaram 8,5 mil toneladas e US$ 74 milhões em junho. Os miúdos responderam por 20,1 mil toneladas e US$ 46,3 milhões.</p>
<p>Também houve embarques de gorduras, tripas e carnes salgadas, mas com participação menor no total.</p>
<p>A composição da pauta indica espaço para crescimento de produtos de maior valor agregado, especialmente em mercados que aceitam cortes premium, processados e linhas com certificações específicas.</p>
<h2>México e Indonésia reforçam diversificação</h2>
<p>Entre os <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337043">mercados que ganharam destaque</a> em junho, o México teve uma das maiores expansões.</p>
<p>Os embarques para o país somaram 11,8 mil toneladas, alta de 153,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita foi de US$ 74 milhões, crescimento de 136,6%.</p>
<p>A Indonésia importou 10,6 mil toneladas e ficou entre os dez principais destinos do mês.</p>
<p>Hong Kong, Arábia Saudita, União Europeia, Rússia e Filipinas também apareceram entre os compradores relevantes.</p>
<p>A diversificação não elimina a centralidade da China, mas reduz a vulnerabilidade do setor a choques específicos em um único mercado. Para 2026, essa estratégia será especialmente importante por causa da cota chinesa e das novas exigências europeias.</p>
<h2>Exportação recorde fortalece frigoríficos, mas riscos aumentam</h2>
<p>O primeiro semestre foi positivo para a cadeia exportadora de carne bovina, mas o segundo semestre tende a ser mais seletivo.</p>
<p>A receita recorde melhora o ambiente para frigoríficos com forte presença internacional. Empresas como JBS, MBRF e Minerva podem se beneficiar de preços externos elevados, demanda firme e câmbio ainda favorável às exportações.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a margem das companhias dependerá do custo do boi gordo, da disponibilidade de animais, da evolução do câmbio e da capacidade de redirecionar volumes caso o mercado chinês perca ritmo.</p>
<p>O setor também precisa lidar com exigências crescentes de rastreabilidade, controles sanitários e comprovação ambiental.</p>
<p>Esses fatores tornam o desempenho das exportações menos dependente apenas da demanda e mais ligado à capacidade de cumprir requisitos técnicos em diferentes mercados.</p>
<h2>Segundo semestre dependerá de novos destinos</h2>
<p>A principal dúvida para o restante de 2026 é se o Brasil conseguirá manter o ritmo recorde com menor dependência da China.</p>
<p>A resposta dependerá da velocidade de abertura e expansão de mercados alternativos. México, Rússia, Indonésia, Filipinas e <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333478">países do Oriente Médio aparecem como</a> destinos estratégicos, mas ainda não substituem a escala chinesa.</p>
<p>O setor também acompanhará as condições comerciais com Estados Unidos e União Europeia, dois mercados importantes para receita e diversificação.</p>
<p>Se os preços internacionais continuarem elevados, a receita pode permanecer forte mesmo com eventual desaceleração do volume. Caso os embarques percam ritmo e os preços recuem, a comparação com o primeiro semestre se tornará mais difícil.</p>
<p>O recorde de janeiro a junho confirma a competitividade da carne bovina brasileira. Mas a sustentação do resultado anual dependerá menos de um único comprador e mais da capacidade de espalhar vendas por uma base maior de mercados.</p>
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		<item>
		<title>USP e INRAE iniciam centro internacional de saúde planetária em Piracicaba</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/usp-inrae-centro-saude-planetaria-piracicaba-esalq</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 20:50:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e o Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, a Alimentação e o Ambiente da França (INRAE) iniciaram em Piracicaba as atividades de gestão do Planetary Health International Research Center (PHIRC), centro internacional voltado à pesquisa em saúde [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e o Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, a Alimentação e o Ambiente da França (INRAE) iniciaram em Piracicaba as atividades de gestão do Planetary Health International Research Center (PHIRC), centro internacional voltado à pesquisa em saúde planetária.</p>
<p>A iniciativa busca integrar ciência agrícola, segurança alimentar, saúde humana, biodiversidade, clima e inovação tecnológica em um mesmo ecossistema de pesquisa. O centro terá sede no campus Luiz de Queiroz, da Esalq/USP, e nasce <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337044">como uma das principais apostas</a> de cooperação científica entre Brasil e França em temas ligados ao futuro da produção de alimentos.</p>
<p>O PHIRC foi formalizado pela USP e pelo INRAE em 2025 como um centro internacional dedicado ao estudo das conexões entre saúde humana, animal, vegetal e ambiental. Segundo o INRAE, o centro está baseado em Piracicaba, será codirigido por pesquisadores das duas instituições e foi estruturado em torno de uma estratégia científica comum.</p>
<p>Agora, a etapa em Piracicaba marca o início da operação prática do novo ecossistema, com reuniões de gestão, definição de prioridades científicas e articulação de projetos conjuntos. A agenda também integra as comemorações dos 125 anos da Esalq.</p>
<h2>Centro reunirá pesquisadores do Brasil e da França</h2>
<p>O PHIRC começa suas atividades com uma rede de mais de 200 pesquisadores brasileiros e franceses, organizados em cinco eixos de atuação. A proposta é combinar a experiência brasileira em sistemas tropicais com o conhecimento francês em agricultura, alimentação e meio ambiente.</p>
<p>Essa integração é considerada estratégica porque muitos dos problemas enfrentados pelos dois países são comuns, mas aparecem em contextos produtivos e climáticos diferentes. A comparação entre ecossistemas tropicais e temperados deve permitir o desenvolvimento de soluções mais amplas para agricultura sustentável, segurança alimentar, redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas.</p>
<p>O INRAE afirma que o novo centro mobiliza pesquisadores de áreas como ciências naturais, médicas, sociais e políticas, com foco em agricultura sustentável, ambiente e saúde humana. A instituição também destaca que a parceria se apoia em uma colaboração científica de longa duração com a USP.</p>
<h2>Cinco pilares vão orientar a pesquisa</h2>
<p>O programa científico do PHIRC está organizado em cinco pilares. O primeiro trata de sistemas de produção sustentável, com foco em agricultura, pecuária, agroecologia, biodiversidade funcional e biocontrole.</p>
<p>O segundo pilar aborda adaptação e mitigação das mudanças climáticas na agricultura, nas florestas e no setor de alimentos. A frente inclui temas como genética, modelagem, manejo de carbono e resiliência produtiva.</p>
<p>O terceiro eixo envolve o uso responsável de recursos naturais, especialmente água e solo, em ambientes saudáveis. A proposta é desenvolver tecnologias e práticas que reduzam desperdícios, aumentem eficiência e contribuam para a conservação dos ecossistemas.</p>
<p>O quarto pilar trata de sistemas alimentares saudáveis e nutrição preventiva. Entre os temas previstos estão dietas sustentáveis, proteínas alternativas, reaproveitamento de resíduos agroindustriais e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323582">economia</a> circular.</p>
<p>O quinto eixo reúne agricultura digital e sistemas alimentares, com uso de inteligência artificial, automação, sensores inteligentes, robótica e modelos digitais aplicados ao campo. Esses cinco eixos também constam do desenho internacional divulgado pelo INRAE para o centro.</p>
<h2>Encontro marca início da governança do PHIRC</h2>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_1455925" aria-describedby="caption-attachment-1455925" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-1455925 size-full" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-scaled.jpg" alt="USP e INRAE iniciam centro internacional de saúde planetária em Piracicaba - Gazeta Mercantil " width="2560" height="1707" title="USP e INRAE iniciam centro internacional de saúde planetária em Piracicaba 4 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-scaled.jpg 2560w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-300x200.jpg 300w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-1024x683.jpg 1024w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-768x512.jpg 768w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-1536x1024.jpg 1536w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-2048x1366.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-1455925" class="wp-caption-text">Divulgação</figcaption></figure>
<p>Para marcar o início das atividades em parceria, pesquisadores brasileiros e franceses se reuniram entre os dias 6, 7 e 8 de julho em São Paulo, Pirassununga e Piracicaba. O núcleo científico e deliberativo da programação ocorreu no campus da Esalq/USP, durante o 1st PHIRC High-Level Meeting.</p>
<p>A agenda incluiu reunião institucional na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), visita ao campus da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga, e abertura oficial do escritório do INRAE na instituição.</p>
<p>Em Piracicaba, representantes da USP e do INRAE apresentaram os programas de pesquisa dos cinco pilares do PHIRC e realizaram a primeira reunião do conselho de administração. Foram discutidos o plano de gestão, oportunidades de financiamento e o plano de ação científica para os próximos 12 meses.</p>
<p>A programação também incluiu sessão de debates <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335838">com o Conselho Consultivo</a> Externo e visitas técnicas a laboratórios estratégicos da Esalq, como o Centro de Pesquisa em Carbono na Agricultura Tropical (CCarbon), o Laboratório de Biotecnologia Animal e estruturas ligadas ao LIA Learn/PHIRC no Departamento de Entomologia e Acarologia.</p>
<h2>USP vê centro como resposta a desafio global</h2>
<p>O reitor da USP, Aluísio Segurado, afirmou que o centro nasce para atuar em uma das frentes mais críticas do mundo contemporâneo: a produção de alimentos em um contexto de mudanças climáticas, pressão ambiental e necessidade de dietas mais saudáveis.</p>
<p>Segundo ele, a parceria fortalece a missão da universidade de gerar conhecimento, formar pessoas e transformar ciência em inovação aplicável à sociedade.</p>
<p>“A Universidade de São Paulo é a universidade líder da América Latina na geração do conhecimento inovador e as parcerias acadêmicas internacionais fortalecem o cumprimento dessa missão”, afirmou Segurado.</p>
<p>A diretora da Esalq, professora Thais Vieira, destacou que desafios como segurança alimentar, resiliência dos sistemas agroalimentares, mudanças climáticas e saúde planetária não podem mais ser enfrentados de forma isolada por instituições ou países.</p>
<p>Para ela, o PHIRC traduz uma nova forma de produzir conhecimento: integrada, interdisciplinar e internacional.</p>
<h2>França amplia cooperação científica com o Brasil</h2>
<p>Do lado francês, o presidente do INRAE, Philippe Mauguin, afirmou que o PHIRC dá continuidade a uma cooperação científica já consolidada entre Brasil e França em temas como clima, agricultura, alimentação e biodiversidade.</p>
<p>O próprio INRAE informa que USP e INRAE produziram mais de 430 publicações científicas conjuntas desde 2017 em áreas como ecologia, ambiente, microbiologia, ciência de alimentos e florestas.</p>
<p>A cooperação institucional também foi fortalecida por memorandos de entendimento e pela criação de laboratórios internacionais associados. Em 2025, a USP já havia informado que a unidade do INRAE em Piracicaba deveria operar vinculada ao campus da Esalq, em articulação com outras unidades da universidade.</p>
<p>Anne-Nathalie Volkoff, diretora de pesquisa do INRAE e especialista em pragas agrícolas, coordena o PHIRC pelo lado francês. Segundo ela, Brasil e França compartilham problemas semelhantes e têm competências complementares para ampliar o impacto da pesquisa em saúde planetária.</p>
<p>Na USP, a coordenação está a cargo do professor Fernando Cônsoli, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq. Ele afirma que o centro deverá concentrar esforços em soluções orientadas a problemas concretos da sociedade, como produção de alimentos, preservação da biodiversidade e equidade nutricional.</p>
<h2>Saúde planetária conecta clima, alimento e vida humana</h2>
<p>A saúde planetária parte da ideia de que a saúde humana depende da integridade dos sistemas naturais. Isso significa que alimentação, clima, uso da terra, biodiversidade, água, solo e saúde pública não podem ser tratados como agendas separadas.</p>
<p>O tema ganhou relevância diante da aceleração das mudanças climáticas. A Organização Meteorológica Mundial estima que há 86% de chance de pelo menos um ano entre 2025 e 2029 superar temporariamente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. A entidade também alerta que cada fração adicional de aquecimento aumenta riscos de ondas de calor, chuvas extremas, secas intensas, derretimento de geleiras, aquecimento dos oceanos e elevação do nível do mar.</p>
<p>No campo, esses efeitos afetam produtividade, pragas, disponibilidade de água, qualidade do solo e estabilidade das cadeias de abastecimento. Por isso, o PHIRC pretende atuar na fronteira entre ciência básica, inovação tecnológica e formulação de políticas públicas.</p>
<h2>Centro pode atrair recursos e formar jovens cientistas</h2>
<p>O plano de ação do PHIRC prevê intercâmbios de curta duração para pesquisadores e estudantes de pós-graduação das duas nações. A partir de 2027, a expectativa é ampliar bolsas de pós-doutorado e submeter projetos conjuntos a grandes fundos internacionais.</p>
<p>Segundo o desenho institucional divulgado pelo INRAE, o reconhecimento do centro pela FAPESP poderá abrir caminho para um financiamento de R$ 30 milhões ao longo de cinco anos, voltado ao lançamento operacional em 2026, projetos conjuntos, mobilidade científica, escolas de verão e simpósios internacionais.</p>
<p>A meta dos organizadores é gerar publicações de alto impacto, formar jovens cientistas e criar uma plataforma de pesquisa capaz de dialogar com governos, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323583">empresas</a>, produtores rurais e instituições multilaterais.</p>
<h2>Impacto esperado vai além dos laboratórios</h2>
<p>O PHIRC foi desenhado para produzir impacto econômico, ambiental, social e tecnológico. Na área de inovação, o centro deve estimular pesquisas em biodefensivos, agricultura digital, robótica, circularidade de resíduos agroindustriais e novas cadeias de valor ligadas ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323584">mercado</a> verde.</p>
<p>No campo ambiental, a expectativa é contribuir para redução da pegada de carbono da agropecuária, diminuição do uso de pesticidas, melhor manejo de água e solo e fortalecimento de sistemas produtivos mais resilientes.</p>
<p>Na área de políticas públicas, o centro pretende gerar dados científicos para apoiar decisões sobre rotulagem de alimentos, subsídios, agricultura sustentável, segurança alimentar e adaptação climática.</p>
<p>A criação do PHIRC coloca Piracicaba em posição de destaque na agenda internacional de pesquisa em saúde planetária. Ao reunir USP, Esalq, INRAE, FAPESP e uma rede de pesquisadores dos dois países, o centro tenta responder a uma pergunta central para as próximas décadas: como produzir mais e melhor sem comprometer a saúde das pessoas, dos ecossistemas e do próprio planeta?</p>
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		<item>
		<title>Ovos e café puxam lista de produtos em falta nos supermercados no mês de maio</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ovos-cafe-falta-produtos-supermercados-maio-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 22:33:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Abastecimento]]></category>
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		<category><![CDATA[varejo alimentar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a crescer em maio de 2026, puxada principalmente por ovos e café. O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a indisponibilidade de itens no varejo, subiu para 12,4% no mês, alta de 0,9 ponto percentual em relação a abril, quando havia ficado em 11,5%. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a crescer em maio de 2026, puxada principalmente por ovos e café. O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a indisponibilidade de itens no varejo, subiu para 12,4% no mês, alta de 0,9 ponto percentual em relação a abril, quando havia ficado em 11,5%.</p>
<p>O resultado interrompeu o movimento de melhora observado no mês anterior e reforçou a pressão sobre a cadeia de abastecimento de alimentos e bebidas. Na prática, a ruptura indica que determinado produto não estava disponível para o consumidor no ponto de venda no momento da compra.</p>
<p>Entre as categorias monitoradas, os ovos de aves tiveram o maior índice de falta nas prateleiras. A ruptura do item avançou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, alta de 2,9 pontos percentuais. O café também teve piora relevante, com o índice passando de 6,8% para 8,6%, avanço de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>O movimento mostra que a queda ou estabilidade de preços nem sempre significa maior disponibilidade nas lojas. Em alguns casos, o aumento da procura, a sazonalidade, os ajustes de estoque e a dinâmica logística podem elevar a falta de produtos mesmo em períodos de recuo nos preços ao consumidor.</p>
<h2>O que é ruptura no varejo</h2>
<p>No varejo alimentar, ruptura é o termo usado para indicar a ausência de um produto na gôndola. Isso pode ocorrer por falhas de reposição, atraso logístico, erro de previsão de demanda, falta no fornecedor, mudança no comportamento do consumidor ou decisão do varejista de reduzir estoque.</p>
<p>O indicador é importante porque afeta diretamente o faturamento dos supermercados e a experiência de compra do consumidor. Quando o item não está disponível, o cliente pode trocar de marca, comprar outro produto, adiar a compra ou procurar o concorrente.</p>
<p>Para o varejo, o desafio é equilibrar disponibilidade e capital empatado em estoque. Estoque baixo demais aumenta o risco de ruptura. Estoque alto demais eleva custos, perdas e pressão sobre margens, especialmente em categorias perecíveis ou de alto giro.</p>
<p>Em maio, a combinação de sazonalidade, oscilações de preço e mudanças no ritmo de consumo contribuiu para a piora do indicador em categorias relevantes da cesta alimentar.</p>
<h2>Ovos lideram falta nas prateleiras</h2>
<p>Os ovos de aves continuaram como a categoria com maior nível de ruptura entre os produtos analisados. O índice passou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, avanço de 2,9 pontos percentuais.</p>
<p>A alta da indisponibilidade ocorreu mesmo com sinais de acomodação nos preços. A embalagem com seis unidades caiu de R$ 7,51 para R$ 7,15, o menor valor desde janeiro. A caixa com 12 unidades recuou de R$ 11,98 para R$ 11,61, enquanto a de 24 unidades passou de R$ 11,67 para R$ 11,52. Já a embalagem de 30 unidades subiu levemente, de R$ 21,43 para R$ 21,56.</p>
<p>O comportamento sugere que o problema não está apenas no preço, mas também na capacidade de reposição e na distribuição do produto no varejo. Mesmo <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333474">com produção ainda elevada no país</a>, a cadeia mostrou sinais de ajuste.</p>
<p>Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de ovos de galinha somou 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre de 2026. O volume foi 0,4% maior que o registrado no mesmo período de 2025, mas ficou 3,5% abaixo do quarto trimestre de 2025.</p>
<p>Essa leitura ajuda a explicar a pressão nas gôndolas. A produção segue em patamar alto, mas perdeu força na comparação trimestral, o que pode ter reduzido a folga de abastecimento em determinados mercados.</p>
<h2>Café também fica mais difícil de encontrar</h2>
<p>O café foi outro destaque da piora no abastecimento. A ruptura da categoria subiu de 6,8% em abril para 8,6% em maio, avanço de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>A alta ocorreu apesar da queda nos preços médios acompanhados no período. O café em pó recuou de R$ 73,45 para R$ 71,22 por quilo. O café em grãos caiu de R$ 133,96 para R$ 127,28 por quilo.</p>
<p>Esse descompasso entre preço e disponibilidade é relevante para o consumidor. Mesmo com algum alívio no valor final, o produto pode não estar presente em todas as lojas, marcas ou apresentações procuradas.</p>
<p>No caso do café, a ruptura pode ser influenciada por fatores como recomposição de estoques, substituição de marcas, variação de demanda e ajustes no repasse de preços ao longo da cadeia. Para supermercados, a categoria exige atenção porque tem alto giro, forte presença na cesta básica e sensibilidade elevada a preço.</p>
<h2>Açúcar avança mesmo com preços menores</h2>
<p>O açúcar também registrou aumento de ruptura em maio. O índice subiu de 8,6% para 10,4%, alta de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>Nos preços, o movimento foi de queda. O açúcar refinado passou de R$ 4,39 para R$ 4,23 por quilo. O açúcar cristal caiu de R$ 3,73 para R$ 3,71 por quilo.</p>
<p>A leitura econômica é que preços mais baixos podem estimular a procura e acelerar o giro nas lojas. Quando o consumo cresce em velocidade superior à reposição, a ruptura aumenta, mesmo em um ambiente de maior oferta na cadeia produtiva.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323472">mercado</a> de açúcar vinha sendo influenciado pelo avanço da safra e por maior disponibilidade do produto, fatores que pressionaram os preços no mercado interno. Para o varejo, porém, o aumento da competitividade do item pode ter ampliado a demanda nas gôndolas.</p>
<h2>Azeite volta a pressionar o abastecimento</h2>
<p>Depois de melhora em abril, o azeite voltou a registrar aumento de ruptura em maio. O índice passou de 10,8% para 12,6%, também com alta de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>A categoria teve comportamento misto nos preços. O azeite virgem subiu de R$ 62,66 para R$ 63,71 por litro, enquanto o extravirgem caiu de R$ 75,20 para R$ 74,42 por litro.</p>
<p>O azeite segue como uma das categorias mais sensíveis do varejo alimentar, tanto pelo preço elevado quanto pela dependência de importações e pela volatilidade da oferta internacional. Oscilações de abastecimento, câmbio e custo logístico podem impactar a presença do produto nas prateleiras.</p>
<p>Para o consumidor, a ruptura pode aparecer não apenas como ausência total do item, mas também como redução de variedade, menor oferta de marcas ou indisponibilidade de versões mais procuradas.</p>
<h2>Vinho e cerveja também têm alta de ruptura</h2>
<p>Além dos alimentos básicos, bebidas também tiveram aumento de indisponibilidade nas gôndolas.</p>
<p>No caso do vinho, a ruptura passou de 10,6% para 12,2%, alta de 1,6 ponto percentual. O movimento acompanha a sazonalidade típica da categoria, já que o consumo tende a ganhar força nos meses mais frios do ano.</p>
<p>Os preços tiveram comportamento majoritariamente negativo. O vinho importado caiu de R$ 61,00 para R$ 59,01. O vinho fino nacional passou de R$ 46,71 para R$ 46,14. O vinho de mesa ficou praticamente estável, de R$ 24,86 para R$ 24,87. Já a sangria subiu de R$ 11,28 para R$ 12,28.</p>
<p>A cerveja teve a menor alta de ruptura entre os itens destacados, mas também piorou. O índice passou de 10,4% em abril para 11,5% em maio, avanço de 1,1 ponto percentual.</p>
<p>Apesar de o período ser tradicionalmente mais fraco para a categoria, na comparação com o verão, a cerveja mantém alto giro e grande variedade de marcas, embalagens e versões. Isso exige reposição constante e planejamento mais preciso dos supermercados.</p>
<h2>O que o aumento da ruptura mostra sobre o consumo</h2>
<p>A alta do Índice de Ruptura em maio mostra que o varejo alimentar ainda opera sob pressão, mesmo em categorias nas quais houve queda de preços.</p>
<p>O dado é importante porque a disponibilidade do produto é parte central da inflação percebida pelo consumidor. Quando um item some da prateleira, o cliente pode migrar para marcas mais caras, embalagens diferentes ou produtos substitutos, o que muda a composição da compra.</p>
<p>Para supermercados, a ruptura representa perda potencial de venda. Para fornecedores, pode indicar falha na distribuição ou dificuldade de acompanhar mudanças rápidas de demanda. Para consumidores, significa menor previsibilidade na compra de itens de rotina.</p>
<p>O avanço em ovos e café é especialmente relevante porque os dois produtos têm forte presença no consumo doméstico brasileiro. A falta desses itens nas gôndolas tende a ser mais percebida pelo consumidor do que a indisponibilidade de categorias menos frequentes.</p>
<h2>Pressão deve manter varejo em alerta</h2>
<p>O resultado de maio indica que supermercados terão de reforçar a gestão de estoque e reposição nos próximos meses, especialmente em categorias de alto giro e grande sensibilidade de preço.</p>
<p>O cenário exige atenção a três pontos: comportamento da demanda, custos logísticos e velocidade de recomposição da oferta. Quando esses fatores se movem ao mesmo tempo, o risco de ruptura aumenta.</p>
<p>A alta do indicador não significa desabastecimento generalizado, mas aponta piora na disponibilidade de produtos específicos. Para o consumidor, isso pode aparecer como prateleiras incompletas, menor variedade ou dificuldade para encontrar marcas habituais.</p>
<p>Com <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328496">ovos e café no</a> centro da pressão, o varejo alimentar entra no meio do ano com um desafio adicional: manter preços competitivos sem ampliar a falta de produtos nas gôndolas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Preços das carnes batem recorde histórico, mas índice global de alimentos recua em junho</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/precos-das-carnes-batem-recorde-indice-global-alimentos-recua-junho</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 15:58:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[carnes]]></category>
		<category><![CDATA[cereais]]></category>
		<category><![CDATA[exportações]]></category>
		<category><![CDATA[FAO]]></category>
		<category><![CDATA[frango]]></category>
		<category><![CDATA[índice de preços]]></category>
		<category><![CDATA[preços dos alimentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O índice de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) fechou junho de 2026 com média de 130,3 pontos, o que representa uma redução de 0,3% em relação ao mês anterior. O recuo ocorre após três meses consecutivos de alta, e resulta da combinação entre a desvalorização de produtos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>O índice de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) fechou junho de 2026 com média de 130,3 pontos, o que representa uma redução de 0,3% em relação ao mês anterior. O recuo ocorre após três meses consecutivos de alta, e resulta da combinação entre a desvalorização de produtos como cereais, açúcar e derivados do leite e o avanço verificado nos segmentos de óleos vegetais e, especialmente, das carnes.</div>
<div></div>
<div>Embora tenha registrado queda mensal, o indicador permanece 1,7% acima do patamar observado em junho de 2025. A comparação com o pico histórico, atingido em março de 2022, porém, mostra um alívio significativo: os preços globais de alimentos ainda estão 18,7% abaixo daquele nível máximo, alcançado no auge das tensões geopolíticas e das dificuldades logísticas que marcaram o período pós-pandemia.</div>
<div></div>
<h2>Carnes atingem novo recorde impulsionadas pelo frango</h2>
<div></div>
<div>O destaque do levantamento da FAO ficou por conta do segmento de carnes, cujo índice avançou 0,4% em junho e estabeleceu um novo recorde nominal desde o início da série histórica da organização. Segundo os dados, o principal motor da alta foi o aumento nas cotações da carne de frango, reflexo de um cenário de demanda mais aquecida em diferentes regiões do globo e de ajustes na oferta disponível para comercialização.</div>
<div></div>
<div>Para a FAO, o desempenho das exportações brasileiras tem peso decisivo nesse movimento. O país é o maior vendedor externo de carne de frango do mundo, e a elevação dos valores negociados nos portos nacionais tem servido como referência para as negociações internacionais. Além disso, houve uma redução temporária na oferta doméstica, resultado de ajustes no ritmo de produção realizados pelas indústrias após períodos de margens mais apertadas, o que também contribuiu para sustentar os preços.</div>
<div></div>
<div>O aumento não foi uniforme entre todos os tipos de proteína. A carne suína, por exemplo, registrou estabilidade de cotações, enquanto a bovina apresentou leve alta, mas em ritmo mais moderado que o das aves. A dinâmica reflete condições específicas de cada <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323198">mercado</a>, como o estoque de animais prontos para abate, o custo de produção e a demanda por parte de importadores.</div>
<div></div>
<h2>Cereais e açúcar puxam o recuo geral do índice</h2>
<div></div>
<div>Se as carnes subiram, outros grupos de produtos foram responsáveis por levar o indicador geral para baixo. O índice de cereais recuou 1,2% em junho, com quedas expressivas nos preços do trigo, do milho e do arroz. O movimento está ligado às perspectivas de colheitas maiores nas principais regiões produtoras do hemisfério norte, o que reduz a pressão sobre os estoques globais e diminui a incerteza do mercado.</div>
<div></div>
<div>Já o índice de açúcar registrou queda de 1,9%, interrompendo uma sequência de altas que vinha desde o início do ano. A redução ocorre após previsões de safra mais volumosa em países como Brasil e Índia, os dois maiores produtores mundiais. Com a expectativa de oferta mais abundante, os contratos futuros negociados nas bolsas internacionais passaram a operar em níveis mais baixos, influenciando o preço de mercado.</div>
<div></div>
<div>Os produtos lácteos também contribuíram para o recuo, com queda de 0,8% no período. O aumento da produção em países da Europa e da Oceania, aliado ao ritmo de crescimento mais moderado da demanda de importadores como a China, permitiu que os valores retornassem a patamares mais estáveis, após meses de volatilidade.</div>
<div></div>
<h2>Óleos vegetais seguem em alta por restrições de oferta</h2>
<div></div>
<div>Em sentido contrário, o índice de óleos vegetais avançou 1,1% em junho, mantendo uma trajetória de alta que já dura quatro meses. O principal motivo é a limitação da oferta global, com produção menor do que o esperado em grandes produtores. No caso do óleo de palma, as condições climáticas desfavoráveis no Sudeste Asiático reduziram o ritmo de colheita, enquanto o óleo de soja segue pressionado por questões relacionadas à logística e à alocação da produção entre diferentes mercados finais.</div>
<div></div>
<div>Para o Brasil, esse movimento tem efeitos mistos. <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328473">Como um dos</a> maiores exportadores mundiais de soja e de seus derivados, a alta dos óleos eleva o valor da receita de vendas externas, mas também aumenta o custo de insumos para a própria indústria nacional de alimentos e para a produção de ração animal, o que pode, em um segundo momento, pressionar os custos de produção de carnes.</div>
<div></div>
<h2>Impactos para o mercado interno e inflação</h2>
<div></div>
<div>A evolução dos preços globais de alimentos tem reflexo direto sobre a <a class="wpil_keyword_link" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323196">economia</a> brasileira, especialmente sobre a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Embora o Brasil seja um grande produtor e exportador, variações internacionais afetam tanto os valores recebidos pelos produtores quanto os preços praticados no mercado interno, por meio da concorrência e da formação de preços baseada em referências externas.</div>
<div></div>
<div>No caso das carnes, a alta observada no mercado internacional pode limitar a queda de preços no varejo brasileiro, mesmo em períodos de maior oferta interna. Por outro lado, a redução nos valores de cereais e açúcar ajuda a aliviar a pressão sobre os custos de produção da indústria alimentícia e sobre os gastos das famílias com a cesta básica.</div>
<div></div>
<div>Analistas do setor avaliam que o cenário segue marcado por incertezas. A evolução do clima nas principais regiões produtoras, as decisões de <a class="wpil_keyword_link" title="Política | Diario de Pernambuco" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323197">política</a> comercial dos países e o ritmo da atividade econômica global são fatores que podem alterar as projeções para os próximos meses. Até o momento, porém, a tendência é de maior estabilidade, sem o risco de retorno a picos de preços como os registrados em 2022.</div>
<div></div>
<h2>Brasil mantém posição estratégica no comércio global</h2>
<div></div>
<div>Os dados da FAO reforçam, mais uma vez, o papel central do Brasil no mercado mundial de alimentos. Além de ser o maior exportador de frango, o país também está entre os principais vendedores de soja, milho, açúcar e carne bovina. Essa posição faz com que as decisões de produção e as condições climáticas no território nacional sejam acompanhadas de perto por operadores de todo o mundo.</div>
<div></div>
<div>A capacidade de responder à demanda externa, ao mesmo tempo em que mantém o abastecimento do mercado interno, é um dos principais desafios para o setor agropecuário brasileiro. O ajuste de produção que elevou os preços do frango neste primeiro semestre, por exemplo, faz parte da gestão de margens, que busca evitar perdas para os produtores e garantir a sustentabilidade da atividade a longo prazo.</div>
<div></div>
<h2>Dinâmica de preços define margens e investimentos no agro</h2>
<div></div>
<div>A combinação de altas em alguns produtos e quedas em outros redefine o cenário econômico do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323199">agronegócio</a> brasileiro para o segundo semestre de 2026. Produtores e indústrias terão que adaptar suas estratégias conforme a evolução de cada segmento: enquanto as proteínas animais devem manter receitas sustentadas, os produtores de cereais e açúcar enfrentam o desafio de manter a rentabilidade com valores mais baixos.</div>
<div></div>
<div>Esse cenário também influencia a oferta de crédito e os investimentos no setor. Instituições financeiras, como o Itaú BBA, já sinalizaram que serão mais seletivas na concessão de empréstimos para a safra 2026/27, mesmo com a expectativa de crescimento da carteira de crédito. A avaliação de risco passa a levar em conta com mais rigor a variação de preços e a capacidade de pagamento dos produtores em um ambiente de maior volatilidade.</div>
<div></div>
<div>Com as condições climáticas e a demanda global ainda como principais variáveis a serem observadas, o mercado segue atento a novos indicadores que possam indicar se a estabilidade recente será mantida ou se novas pressões de preços devem surgir nos próximos meses.</div>
<div></div>
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		<title>Fiagros pagam dividendos de até 1,54% em julho; veja valores e datas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/dividendos-fiagros-julho-2026-vcra11-rura11-iaag11-aazq11</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 14:01:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[AAZQ11]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os Fiagros negociados na B3 iniciam julho de 2026 com uma nova rodada de distribuição de rendimentos, liderada pelo Vectis Datagro Crédito Agronegócio (VCRA11), que pagará R$ 0,97 por cota em 13 de julho. Considerando a cotação de R$ 62,80 registrada na data-base de 30 de junho, o fundo alcançou dividend yield mensal estimado de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os Fiagros negociados na B3 iniciam julho de 2026 com uma nova rodada de distribuição de rendimentos, liderada pelo Vectis Datagro Crédito Agronegócio (VCRA11), que pagará R$ 0,97 por cota em 13 de julho. Considerando a cotação de R$ 62,80 registrada na data-base de 30 de junho, o fundo alcançou dividend yield mensal estimado de 1,54%, o maior entre os veículos que anunciaram proventos no encerramento do mês, referentes aos resultados de junho.</p>
<p>Itaú Asset Rural Fiagro (RURA11), Inter Amerra Fiagro (IAAG11) e AZ Quest Sole Fiagro (AAZQ11) também comunicaram pagamentos para julho. Nos quatro casos, a relação entre o valor distribuído por cota e o preço utilizado como referência ficou acima de 1%.</p>
<p>Terão direito aos dividendos dos Fiagros os investidores que mantiveram as cotas em carteira até o fechamento do pregão de 30 de junho. A partir de 1º de julho, os ativos passaram a ser negociados na condição ex-rendimentos, o que exclui os novos compradores dessa distribuição específica.</p>
<p>Os valores serão depositados automaticamente na conta da corretora utilizada pelo cotista, sem necessidade de solicitação. O calendário começa em 7 de julho e se estende até o dia 14.</p>
<h2>VCRA11 concentra maior retorno mensal da rodada</h2>
<p>O VCRA11 lidera os <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328467">dividendos dos Fiagros anunciados para julho</a> ao distribuir R$ 0,97 por cota. O crédito será realizado em 13 de julho aos investidores posicionados no fundo ao término da sessão de 30 de junho.</p>
<p>O valor representa redução de R$ 0,03 em relação à distribuição anterior, quando o fundo pagou R$ 1 por cota. Ainda assim, a combinação entre o provento anunciado e o preço de referência de R$ 62,80 levou o dividend yield mensal estimado a 1,54%.</p>
<p>Nos últimos meses, os pagamentos do VCRA11 oscilaram entre R$ 0,85 e R$ 1,07 por cota. A variação pode refletir mudanças nas receitas da carteira, amortizações, pagamentos efetuados pelos devedores, provisões e eventual utilização de reservas acumuladas.</p>
<p>O fundo concentra sua estratégia em operações de crédito vinculadas às cadeias produtivas do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323172">agronegócio</a>, com exposição relevante a Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs.</p>
<p>Nesse modelo, os dividendos dos Fiagros dependem diretamente da capacidade dos emissores e devedores de cumprir as obrigações previstas nos contratos. Índices de correção, taxas de juros e cronogramas de amortização também influenciam o resultado mensal.</p>
<h2>RURA11 abre calendário de pagamentos em 7 de julho</h2>
<p>O RURA11 será o primeiro entre os quatro fundos a realizar o pagamento. O Itaú Asset Rural Fiagro distribuirá R$ 0,11 por cota em 7 de julho, considerando a mesma data-base de 30 de junho.</p>
<p>Com a cota de referência em R$ 8,46, o provento corresponde a dividend yield mensal estimado de 1,30%. O percentual pode apresentar pequenas diferenças entre plataformas, conforme o preço adotado no cálculo, mas o valor efetivamente creditado permanece em R$ 0,11 por cota.</p>
<p>O fundo mantém uma carteira direcionada a operações de crédito do setor rural. Por essa razão, a análise dos dividendos dos Fiagros no RURA11 exige atenção à qualidade dos devedores, à estrutura das garantias e ao nível de concentração dos ativos.</p>
<p>Um dividend yield elevado pode resultar de uma distribuição robusta, mas também pode ser consequência de uma queda no preço da cota. Nesse segundo cenário, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323171">mercado</a> pode estar exigindo retorno maior diante de riscos percebidos na carteira.</p>
<h2>IAAG11 mantém retorno mensal acima de 1%</h2>
<p>O IAAG11 pagará R$ 0,11 por cota em 14 de julho. Com base na cotação de R$ 8,51 registrada na data-base, o rendimento equivale a dividend yield mensal aproximado de 1,29%.</p>
<p>O pagamento representa uma redução de R$ 0,01 em relação ao mês anterior, quando o fundo distribuiu R$ 0,12 por cota. Mesmo com a diminuição nominal, os dividendos dos Fiagros no IAAG11 permaneceram acima de 1% em relação ao preço de mercado utilizado como referência.</p>
<p>A diferença entre provento por cota e dividend yield é relevante na comparação entre os fundos. O valor nominal, isoladamente, não permite determinar qual ativo oferece maior remuneração proporcional, porque cada veículo possui preço, patrimônio, quantidade de cotas e estratégia diferentes.</p>
<p>No caso do IAAG11, o retorno acima de 1% resulta da relação entre o pagamento de R$ 0,11 e uma cotação inferior a R$ 9. Uma mudança significativa no preço de mercado pode alterar o percentual mesmo que o fundo mantenha o mesmo valor por cota.</p>
<h2>AAZQ11 distribuirá R$ 0,08 por cota</h2>
<p>O AAZQ11 também realizará o crédito em 14 de julho. O fundo anunciou o pagamento de R$ 0,08 por cota aos investidores posicionados no encerramento de 30 de junho.</p>
<p>Considerando a cotação de referência de R$ 7,25, os dividendos dos Fiagros no AAZQ11 representam retorno mensal estimado de 1,14%. O percentual é inferior ao observado em VCRA11, RURA11 e IAAG11, mas permanece acima da marca de 1%.</p>
<p>A comparação mostra que valores menores por cota podem resultar em dividend yields relevantes quando o preço de mercado também é mais baixo. Essa relação, contudo, não substitui a avaliação do risco de crédito, da liquidez e da capacidade de manutenção dos pagamentos.</p>
<p>Para o investidor, a origem das receitas é tão importante quanto o percentual anunciado. Dividendos dos Fiagros sustentados pelo resultado recorrente da carteira tendem a oferecer um sinal mais consistente do que distribuições apoiadas em reservas ou receitas extraordinárias.</p>
<h2>Calendário concentra créditos entre 7 e 14 de julho</h2>
<p>O RURA11 abre o calendário em 7 de julho, com pagamento de R$ 0,11 por cota. Em 13 de julho, será a vez do VCRA11, que distribuirá R$ 0,97 por cota.</p>
<p>No dia 14, IAAG11 e AAZQ11 realizarão seus pagamentos. O primeiro creditará R$ 0,11 por cota, enquanto o segundo distribuirá R$ 0,08.</p>
<p>Entre os dividendos dos Fiagros com data-base em 30 de junho, o ranking de retorno mensal estimado é liderado pelo VCRA11, com 1,54%. Na sequência aparecem RURA11, com 1,30%, IAAG11, com 1,29%, e AAZQ11, com 1,14%.</p>
<p>Os percentuais são históricos e resultam da divisão do provento pela cotação utilizada como referência. Eles não representam promessa de rentabilidade futura nem garantia de que os fundos manterão os mesmos valores nos próximos meses.</p>
<h2>Data-base determina quais investidores recebem</h2>
<p>A data-base, também conhecida como data com, determina quais investidores participam de uma distribuição. Nos quatro fundos, era necessário terminar o pregão de 30 de junho com as cotas em carteira.</p>
<p>Quem comprou os ativos a partir de 1º de julho não terá direito aos dividendos dos Fiagros referentes a essa competência. Esses investidores poderão receber os próximos rendimentos, desde que permaneçam posicionados até as futuras datas de corte.</p>
<p>Na sessão em que uma cota passa a ser negociada ex-rendimento, o preço pode sofrer um ajuste próximo ao valor distribuído. O movimento, porém, não é automático nem necessariamente equivalente ao provento, porque as cotações também respondem à oferta, à demanda e às expectativas sobre o fundo.</p>
<p>Por esse motivo, o recebimento de rendimentos não deve ser confundido com ganho integral. O valor pago pode ser parcial ou totalmente compensado por uma desvalorização da cota no mercado secundário.</p>
<h2>SNAG11 e SNFZ11 seguiram cronograma diferente</h2>
<p>Os fundos SNAG11 e SNFZ11 adotaram um calendário distinto. Ambos utilizaram 15 de junho como data-base e realizaram os créditos em 25 de junho, antes da rodada programada para julho.</p>
<p>O SNAG11 distribuiu R$ 0,12 por cota. Considerando o preço de referência de R$ 10,48, o dividend yield mensal foi estimado em 1,15%.</p>
<p>O SNFZ11 pagou R$ 0,10 por cota. Com base na cotação de R$ 9,75, os dividendos dos Fiagros no fundo corresponderam a aproximadamente 1,03% no mês.</p>
<p>Embora esses pagamentos já tenham sido realizados, os números ajudam a dimensionar o nível de remuneração observado recentemente no segmento. A comparação precisa considerar diferenças de estratégia, composição da carteira e perfil de risco.</p>
<h2>Yield elevado amplia atenção ao risco de crédito</h2>
<p>Os dividendos dos Fiagros acima de 1% ao mês tendem a atrair investidores interessados em renda periódica, mas o indicador não deve ser analisado isoladamente. O yield pode subir porque o fundo aumentou o pagamento ou porque a cota perdeu valor.</p>
<p>Quando o avanço do percentual decorre da desvalorização do ativo, o mercado pode estar incorporando preocupações com inadimplência, deterioração das garantias, baixa liquidez ou redução esperada dos resultados.</p>
<p>Nos fundos de crédito, a qualidade dos devedores é um dos principais fatores de risco. Também pesam a estrutura das garantias, os prazos de vencimento, a concentração das operações e a capacidade de recuperação dos recursos em caso de descumprimento dos contratos.</p>
<p>As garantias podem reduzir as perdas, mas sua execução pode ser demorada, sujeita a disputas judiciais e insuficiente para assegurar a recuperação integral do capital.</p>
<p>Os relatórios gerenciais permitem verificar se os dividendos dos Fiagros foram gerados por receitas recorrentes, ganhos extraordinários, amortizações ou utilização de reservas. A origem do pagamento é um dos principais elementos para medir sua sustentabilidade.</p>
<h2>Exposição ao agronegócio adiciona riscos específicos</h2>
<p>Os Fiagros direcionam recursos a diferentes elos das cadeias agropecuárias. Conforme a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política | Diario de Pernambuco" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323173">política</a> de investimento, podem adquirir CRAs, direitos creditórios, imóveis rurais, participações societárias ou cotas de outros veículos ligados ao setor.</p>
<p>Essa exposição conecta o investidor a uma atividade relevante para a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323175">economia</a> brasileira, mas também amplia a sensibilidade a eventos climáticos, preços das commodities, custos de produção, juros, câmbio e endividamento dos produtores.</p>
<p>Secas, enchentes, quebras de safra ou quedas abruptas nos preços agrícolas podem reduzir a capacidade de pagamento de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323174">empresas</a> e produtores. Em carteiras mais concentradas, um único evento de crédito pode afetar os dividendos dos Fiagros.</p>
<p>Mudanças no ambiente financeiro também produzem efeitos diferentes. Títulos atrelados ao CDI podem elevar as receitas quando os juros estão altos, mas o aumento do custo do crédito também pressiona os devedores e eleva o risco de renegociação.</p>
<h2>Isenção tributária depende dos requisitos legais</h2>
<p>Os rendimentos distribuídos por Fiagros podem ser isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas quando o fundo e o investidor atendem às condições previstas na legislação.</p>
<p>A isenção não abrange automaticamente todas as situações. A estrutura do fundo, a negociação das cotas e o nível de participação do cotista podem interferir no tratamento tributário dos dividendos dos Fiagros.</p>
<p>Além disso, o ganho obtido com a venda das cotas por preço superior ao custo de aquisição está sujeito às regras tributárias aplicáveis às operações de renda variável.</p>
<p>O investidor também precisa informar as posições e os rendimentos recebidos na declaração anual, observando as normas vigentes e as características de cada operação.</p>
<h2>Retorno total também depende da cotação</h2>
<p>O desempenho de um Fiagro não se resume ao valor distribuído mensalmente. O retorno total combina os dividendos dos Fiagros com a valorização ou desvalorização das cotas no mercado.</p>
<p>Um fundo pode pagar um yield elevado e, ainda assim, gerar perda ao investidor caso a cota registre queda superior ao rendimento recebido. O movimento inverso também é possível, com retorno total positivo mesmo diante de uma distribuição mensal menor.</p>
<p>A análise deve considerar períodos mais longos, regularidade dos pagamentos, evolução patrimonial, liquidez, concentração da carteira e comportamento das cotas. Comparações restritas a um único mês podem produzir conclusões incompletas.</p>
<p>Os próximos relatórios gerenciais deverão detalhar a origem dos pagamentos de julho, eventuais atrasos, renegociações, amortizações e novas operações. Essas informações serão decisivas para verificar se os dividendos dos Fiagros acima de 1% refletem geração recorrente de caixa ou fatores pontuais.</p>
<h2>Crédito do agronegócio permanece no centro da remuneração</h2>
<p>A rodada de julho confirma que os fundos de crédito do agronegócio continuam oferecendo rendimentos elevados em relação às cotações de mercado. O VCRA11 se destaca com yield estimado de 1,54%, enquanto RURA11, IAAG11 e AAZQ11 permanecem acima de 1%.</p>
<p>O cenário de juros, inflação e disponibilidade de crédito continuará influenciando a remuneração das carteiras. Ao mesmo tempo, as condições financeiras de produtores e empresas do setor serão determinantes para o controle da inadimplência.</p>
<p>Para os cotistas, os dividendos dos Fiagros permanecem como componente relevante da estratégia de renda. A manutenção desse patamar dependerá da qualidade dos ativos, da capacidade de pagamento dos devedores e da geração efetiva de caixa ao longo dos próximos meses.</p>
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		<item>
		<title>Ufopa patenteia painel de alta resistência produzido com caule de açaizeiro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ufopa-patente-paineis-caule-acaizeiro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 17:31:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) obteve do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a patente de uma tecnologia que transforma o caule excedente do açaizeiro em painéis colados de alta resistência mecânica. A concessão foi publicada em 16 de junho de 2026 e protege uma solução criada para aproveitar um material que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) obteve do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a patente de uma tecnologia que transforma o caule excedente do açaizeiro em painéis colados de alta resistência mecânica. A concessão foi publicada em 16 de junho de 2026 e protege uma solução criada para aproveitar um material que costuma ter baixo valor econômico após o manejo dos açaizais amazônicos.</p>
<p>Batizada de “Painéis de Caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”, a invenção utiliza ripas retiradas da parte mais densa e fibrosa do caule. Depois de processadas, as peças são unidas em camadas que podem ter as fibras dispostas paralelamente ou em orientações diferentes, conforme a resistência e a finalidade pretendidas.</p>
<p>O método permite obter um material com aparência e características funcionais semelhantes às de produtos de madeira, madeira laminada cruzada e bambu colado. Entre as <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="331133">aplicações estudadas estão componentes para</a> a construção civil, móveis, revestimentos e diferentes tipos de objetos.</p>
<p>A invenção foi desenvolvida pelos pesquisadores João Thiago Rodrigues de Sousa e Victor Hugo Pereira Moutinho, vinculados ao Instituto de Biodiversidade e Florestas da Ufopa, e por Bruno Monteiro Balboni, docente da Universidade de São Paulo (USP). A titularidade registrada no INPI pertence à Ufopa e à Agência de Inovação Tecnológica da universidade.</p>
<h2>Patente protege tecnologia até maio de 2040</h2>
<p>O pedido de patente, registrado sob o número BR 10 2020 008929-3, foi depositado em 5 de maio de 2020 e publicado inicialmente em novembro de 2021. Após o exame técnico, o INPI concedeu a patente de invenção com o código B1.</p>
<p>A proteção não começa a contar a partir da concessão, mas da data do depósito. Dessa forma, o prazo previsto é de 20 anos contados desde 5 de maio de 2020, o que estende a vigência até maio de 2040, desde que sejam cumpridas as condições legais, incluindo o pagamento das anuidades exigidas para a manutenção do direito.</p>
<p>A concessão assegura aos titulares o direito de impedir a exploração não autorizada da tecnologia protegida no território brasileiro. A patente, porém, não significa que o painel já esteja disponível comercialmente ou pronto para uso imediato em obras e produtos fabricados em larga escala.</p>
<p>A proteção industrial reconhece a novidade, a atividade inventiva e a aplicação industrial do método descrito. A chegada ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323017">mercado</a> dependerá de etapas adicionais, como definição do modelo de produção, padronização do material, análise de custos, formação de fornecedores e atendimento às exigências técnicas aplicáveis a cada segmento.</p>
<h2>Painel aproveita parte fibrosa descartada no manejo</h2>
<p>O painel é formado por ripas obtidas da borda do caule das palmeiras do gênero <em>Euterpe</em>. As peças são coladas longitudinalmente para formar camadas, cuja quantidade e orientação podem variar de acordo com o produto desejado.</p>
<p>A configuração permite trabalhar o caule em formato semelhante ao de tábuas e painéis industriais. Segundo a documentação técnica divulgada pela Agência de Inovação Tecnológica da Ufopa, o processo amplia as possibilidades de aproveitamento do material, até então utilizado principalmente em estado bruto ou deixado nas próprias áreas de produção.</p>
<p>O diferencial está em transformar um resíduo irregular e de difícil utilização em uma matéria-prima com dimensões e características mais adequadas ao processamento industrial. Essa conversão pode abrir espaço para móveis, utensílios, elementos decorativos e componentes construtivos produzidos a partir do caule.</p>
<p>O manejo de açaizais envolve o desbaste de estipes mais altos, finos ou com baixa produção, além do controle da densidade das plantas. Essas intervenções favorecem a entrada de luz, reduzem a competição e podem melhorar a produção de frutos, mas também geram caules que nem sempre encontram destinação econômica.</p>
<p>Ao criar uma utilização para esse material, a tecnologia pode acrescentar uma segunda fonte de receita à atividade. O produtor continuaria comercializando o fruto e teria a possibilidade de fornecer o caule retirado durante o manejo para unidades de processamento ou fabricantes interessados no novo painel.</p>
<p>Essa oportunidade, entretanto, depende da organização de uma cadeia que ainda não está estabelecida. Será necessário definir como o material será coletado, transportado, armazenado e processado sem tornar o custo logístico superior ao valor do produto final.</p>
<h2>Tecnologia ainda precisa avançar até a escala industrial</h2>
<p>A ficha tecnológica da Ufopa classificou a invenção no nível de maturidade tecnológica TRL 5. Nessa etapa, as funções críticas dos componentes já foram validadas em ambiente relevante, mas o desenvolvimento ainda está abaixo dos níveis associados à demonstração de protótipos completos em ambiente operacional e à produção comercial consolidada.</p>
<p>Na prática, isso significa que os pesquisadores já ultrapassaram as fases iniciais de conceito e testes exclusivamente laboratoriais, mas ainda precisam demonstrar a viabilidade técnica e econômica da solução em condições próximas às de uma operação industrial.</p>
<p>Para aplicações na construção civil, por exemplo, o produto deverá atender aos requisitos correspondentes ao uso pretendido. Fatores como resistência, durabilidade, comportamento em ambientes úmidos, adesivos utilizados, estabilidade dimensional e padronização das peças podem influenciar a possibilidade de adoção.</p>
<p>Na indústria moveleira e na fabricação de objetos, o caminho pode ser mais curto, especialmente em produtos nos quais o aspecto visual e a identidade amazônica do material tenham valor comercial. Mesmo nesses mercados, a disponibilidade regular de matéria-prima e a capacidade de reproduzir painéis com características uniformes serão determinantes.</p>
<p>A Ufopa informou que os próximos estudos estarão concentrados na viabilidade de comercialização e na inserção do produto no mercado. A estratégia inclui aproximar a pesquisa de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323019">empresas</a>, instituições e potenciais parceiros capazes de levar o processo para uma escala superior.</p>
<h2>Pará concentra 68% da extração nacional de açaí</h2>
<p>A possível utilização industrial do caule ganha relevância pela dimensão econômica da cadeia do açaí no Pará. Dados mais recentes da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o país extraiu 247,5 mil toneladas de açaí em 2024.</p>
<p>O Pará respondeu por 168,5 mil toneladas, equivalentes a 68,1% da produção extrativa nacional. O valor gerado no estado alcançou R$ 801,9 milhões, avanço de 23,2% em relação ao ano anterior. Os números não incluem toda a produção proveniente de cultivos agrícolas, mas dimensionam o peso da atividade extrativa na <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323071">economia</a> regional.</p>
<p>A invenção da Ufopa procura ampliar essa cadeia para além do fruto, criando uma aplicação de maior valor agregado para o material resultante do manejo. A perspectiva está alinhada à bioeconomia amazônica, baseada no desenvolvimento de produtos, processos e serviços que aproveitem recursos regionais sem exigir a abertura de novas áreas.</p>
<p>Os painéis já foram apresentados durante a COP30, realizada em Belém em 2025, e na XVII Feira da Indústria do Pará, em 2026. A participação nesses eventos <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333464">colocou o projeto em contato com</a> instituições de pesquisa, representantes da indústria e potenciais parceiros para as próximas etapas de desenvolvimento.</p>
<h2>Ufopa chega à terceira patente concedida</h2>
<p>Com a nova concessão, a Ufopa passa a contabilizar 11 pedidos de patente depositados no INPI, dos quais três já resultaram em cartas-patentes. Uma quarta tecnologia aguarda a conclusão do processo de concessão, segundo a universidade.</p>
<p>O portfólio protegido também inclui um sistema baseado em gordura vegetal de murumuru para liberação prolongada de fármacos na pele e em mucosas e um produto cosmético para colorir os lábios desenvolvido com pigmento extraído das cascas do jambeiro-vermelho.</p>
<p>A etapa decisiva para os painéis de caule do açaizeiro será transformar a propriedade intelectual em uma operação produtiva. A patente garante a proteção jurídica da solução, mas a geração <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337037">de</a> renda para produtores e a entrada nos mercados de construção e mobiliário dependerão agora da capacidade de converter o protótipo em produto fabricado com escala, regularidade e desempenho comprovado.</p>
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		<title>Governo Lula lança Plano Safra de R$ 525,1 bilhões e reduz juros do crédito rural</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/governo-lula-plano-safra-2026-2027-credito-rural</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 17:34:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura empresarial]]></category>
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		<category><![CDATA[Plano Safra 2026/2027]]></category>
		<category><![CDATA[produtor rural]]></category>
		<category><![CDATA[Pronamp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira, 30 de junho, o Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial, com R$ 525,1 bilhões em linhas de crédito destinadas a médios e grandes produtores rurais, cooperativas agropecuárias e empresas do setor. O volume representa aumento nominal de aproximadamente R$ 9 bilhões, ou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira, 30 de junho, o Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial, com R$ 525,1 bilhões em linhas de crédito destinadas a médios e grandes produtores rurais, cooperativas agropecuárias e empresas do setor.</p>
<p>O volume representa aumento nominal de aproximadamente R$ 9 bilhões, ou 1,7%, em comparação com os R$ 516,2 bilhões anunciados para o ciclo anterior.</p>
<p>A nova edição do programa também reduz as taxas máximas de juros de diferentes linhas de custeio e investimento. As condições variam conforme o perfil do produtor e a finalidade do financiamento, ficando entre 8% e 12,5% ao ano nas principais modalidades divulgadas.</p>
<p>O lançamento foi realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, sob a condução do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.</p>
<p>Lula não participou presencialmente da cerimônia porque estava em Assunção, no Paraguai, para a Cúpula do Mercosul. O Plano Safra integra a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política | Diario de Pernambuco" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="322845">política</a> econômica e agrícola do governo federal para o ciclo produtivo entre julho de 2026 e junho de 2027.</p>
<p>Os recursos poderão ser utilizados na compra de sementes, fertilizantes, defensivos, rações e outros insumos, além do financiamento da comercialização da produção, aquisição de máquinas, construção de armazéns e implantação de sistemas de irrigação e energia renovável.</p>
<h2>Quanto o governo Lula destinou ao Plano Safra 2026/27?</h2>
<p>Dos R$ 525,1 bilhões anunciados para a agricultura empresarial:</p>
<ul>
<li><strong>R$ 384,9 bilhões</strong> serão destinados ao custeio e à comercialização;</li>
<li><strong>R$ 140,2 bilhões</strong> serão direcionados a investimentos;</li>
<li><strong>R$ 72,6 bilhões</strong> estarão vinculados ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, o Pronamp.</li>
</ul>
<p>As linhas de custeio financiam as despesas necessárias para a condução das atividades agrícolas e pecuárias durante a safra.</p>
<p>O produtor pode utilizar os recursos para adquirir sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, rações, medicamentos veterinários, combustíveis e outros itens necessários à produção.</p>
<p>As operações de comercialização ajudam produtores e cooperativas a financiar o armazenamento e a venda dos produtos.</p>
<p>O objetivo é evitar que toda a produção seja negociada imediatamente após a colheita, período em que o aumento da oferta costuma pressionar os preços.</p>
<p>Já as linhas de investimento possuem prazos mais longos e financiam projetos de modernização das propriedades, aquisição de equipamentos e ampliação da infraestrutura rural.</p>
<h2>Investimentos aumentam mais de 38%</h2>
<p>A principal mudança na composição do novo Plano Safra está na ampliação dos recursos destinados a investimentos.</p>
<p>No ciclo 2025/2026, essa parcela havia sido fixada em R$ 101,5 bilhões. Agora, o valor sobe para R$ 140,2 bilhões, aumento de aproximadamente R$ 38,7 bilhões, ou 38,1%.</p>
<p>O avanço indica que o governo Lula pretende direcionar uma parcela maior do crédito rural para projetos de modernização, armazenagem, mecanização e aumento da produtividade.</p>
<p>Em sentido contrário, os recursos previstos para custeio e comercialização diminuíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, redução nominal de aproximadamente 7,2%.</p>
<p>Embora o volume total do Plano Safra tenha crescido, houve uma mudança relevante na distribuição interna dos recursos.</p>
<p>O governo pretende incentivar investimentos capazes de reduzir custos estruturais e melhorar a eficiência da produção rural.</p>
<p>Uma propriedade que instala energia solar, amplia a irrigação ou constrói um armazém, por exemplo, pode diminuir despesas recorrentes e ganhar mais flexibilidade para decidir quando comercializar seus produtos.</p>
<h2>Pronamp terá R$ 72,6 bilhões</h2>
<p>O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural receberá R$ 72,6 bilhões no ciclo 2026/2027.</p>
<p>O volume representa aumento em relação aos aproximadamente R$ 69,1 bilhões anunciados na edição anterior.</p>
<p>A taxa máxima de juros do Pronamp foi reduzida de 10% para 9% ao ano.</p>
<p>O programa atende produtores situados entre a agricultura familiar e os grandes grupos agropecuários.</p>
<p>Esses produtores normalmente possuem maior escala produtiva que os beneficiários do Pronaf, mas enfrentam mais dificuldades de acesso a crédito do que grandes <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="322846">empresas</a> do setor.</p>
<p>As linhas do Pronamp podem financiar despesas de custeio e determinados investimentos realizados nas propriedades.</p>
<p>A redução de um ponto percentual tende a diminuir o custo das operações, especialmente nos financiamentos de maior valor ou com prazos mais longos.</p>
<p>A disponibilidade dos recursos, porém, não significa aprovação automática. Os pedidos continuam sujeitos à análise de crédito das instituições financeiras.</p>
<h2>Quais serão as taxas de juros?</h2>
<p>As taxas máximas variam conforme a finalidade da operação e o programa escolhido.</p>
<p>Entre as principais condições anunciadas pelo governo Lula estão:</p>
<ul>
<li><strong>Pronamp:</strong> até 9% ao ano;</li>
<li><strong>custeio empresarial:</strong> até 12,5% ao ano;</li>
<li><strong>PCA para armazéns de menor capacidade:</strong> 8% ao ano;</li>
<li><strong>demais operações do PCA:</strong> 9,5% ao ano;</li>
<li><strong>RenovAgro:</strong> 9,5% ao ano;</li>
<li><strong>RenovAgro Ambiental:</strong> 8,5% ao ano;</li>
<li><strong>Inovagro:</strong> 11,5% ao ano;</li>
<li><strong>Proirriga:</strong> 11,5% ao ano;</li>
<li><strong>investimento empresarial:</strong> 11,5% ao ano;</li>
<li><strong>Moderfrota Pronamp:</strong> 11,5% ao ano;</li>
<li><strong>Moderfrota para os demais produtores:</strong> 12,5% ao ano.</li>
</ul>
<p>O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, conhecido como PCA, terá uma das menores taxas entre as linhas anunciadas.</p>
<p>Para estruturas enquadradas na faixa de menor capacidade definida pelo programa, os juros serão de 8% ao ano.</p>
<p>A medida busca estimular a construção de silos e armazéns em propriedades e cooperativas que ainda dependem de estruturas distantes ou insuficientes.</p>
<h2>Crédito rural continua caro apesar da redução</h2>
<p>O governo apresentou a redução das taxas <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328420">como um dos</a> principais avanços do Plano Safra 2026/2027.</p>
<p>Apesar dos cortes, o custo do crédito rural permanece elevado em comparação com períodos nos quais a taxa básica de juros estava em níveis mais baixos.</p>
<p>O financiamento de custeio empresarial, por exemplo, terá taxa máxima de 12,5% ao ano.</p>
<p>O percentual representa uma despesa relevante para produtores que dependem de crédito para comprar insumos e financiar toda a produção.</p>
<p>A diferença entre os juros cobrados no Plano Safra e as taxas praticadas normalmente no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="322844">mercado</a> pode ser coberta por mecanismos de equalização.</p>
<p>Nesse modelo, o produtor paga a taxa definida pelo programa, enquanto o Tesouro Nacional arca com parte da diferença em relação ao custo efetivo da operação para o banco.</p>
<p>O montante de R$ 525,1 bilhões também reúne recursos provenientes de diferentes fontes.</p>
<p>Há linhas controladas, equalizadas, não equalizadas e financiamentos estruturados com recursos captados pelas próprias instituições financeiras.</p>
<p>Por isso, nem todas as operações possuem os mesmos juros, prazos ou exigências.</p>
<h2>Regularização ambiental poderá reduzir juros</h2>
<p>Produtores que mantiverem o Cadastro Ambiental Rural regularizado e adotarem práticas sustentáveis poderão receber redução de até um ponto percentual nos juros das operações de custeio.</p>
<p>O desconto poderá ser dividido da seguinte forma:</p>
<ul>
<li>até <strong>0,5 ponto percentual</strong> para propriedades com o CAR regularizado;</li>
<li>até <strong>0,5 ponto percentual adicional</strong> pela adoção de práticas agropecuárias consideradas sustentáveis.</li>
</ul>
<p>O produtor que cumprir os dois requisitos poderá obter o abatimento integral de um ponto percentual.</p>
<p>A concessão do benefício dependerá da comprovação das condições e dos procedimentos definidos pelas instituições financeiras.</p>
<p>O Cadastro Ambiental Rural reúne informações sobre os limites das propriedades, áreas de preservação permanente, reservas legais, vegetação nativa e espaços utilizados na produção.</p>
<p>O objetivo do governo é utilizar o crédito rural como incentivo à regularização ambiental e à adoção de técnicas que aumentem a produtividade com menor impacto sobre os recursos naturais.</p>
<h2>Armazenagem é uma das prioridades</h2>
<p>A ampliação da capacidade brasileira de armazenagem aparece como uma das prioridades do novo Plano Safra.</p>
<p>Os recursos poderão financiar a construção, reforma e modernização de armazéns, silos e câmaras frias.</p>
<p>A existência de estruturas adequadas permite que produtores e cooperativas guardem os produtos durante períodos maiores e escolham momentos mais favoráveis para a comercialização.</p>
<p>Também reduz perdas, filas em terminais e pressão sobre estradas e portos durante os meses de colheita.</p>
<p>A produção brasileira de grãos cresceu em ritmo superior ao da capacidade de armazenagem em diversas regiões.</p>
<p>Sem silos próprios ou próximos, parte dos agricultores precisa transportar ou vender a produção imediatamente após a colheita.</p>
<p>Essa necessidade pode aumentar os custos logísticos e reduzir o poder de negociação dos produtores.</p>
<p>A linha do PCA com juros de 8% ao ano procura estimular principalmente a construção de unidades de menor porte.</p>
<h2>Máquinas, irrigação e energia renovável</h2>
<p>O programa também prevê recursos para compra de máquinas, implantação de sistemas de irrigação e geração de energia nas propriedades.</p>
<p>As linhas de modernização poderão financiar tratores, colheitadeiras, equipamentos de precisão e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade.</p>
<p>O Proirriga atenderá projetos de irrigação, infraestrutura elétrica e equipamentos destinados ao uso mais eficiente da água.</p>
<p>Também haverá apoio a projetos de energia solar, eólica, biomassa, cogeração e armazenamento de eletricidade.</p>
<p>Esses investimentos podem diminuir a dependência da rede convencional e reduzir despesas, especialmente em propriedades que necessitam de bombeamento, refrigeração ou funcionamento contínuo de máquinas.</p>
<p>Os financiamentos também poderão apoiar a recuperação de áreas produtivas e a adoção de tecnologias destinadas a reduzir custos.</p>
<p>O retorno econômico dependerá da qualidade dos projetos, do comportamento dos preços agrícolas e das condições climáticas durante os próximos ciclos.</p>
<h2>Seguro rural ganha importância</h2>
<p>A gestão dos riscos climáticos também faz parte do Plano Safra 2026/2027.</p>
<p>O governo pretende associar a possibilidade de renegociação de determinadas operações de custeio à existência de cobertura pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, o Proagro, ou por seguro rural.</p>
<p>A intenção é estimular a contratação de mecanismos de proteção antes que as perdas ocorram.</p>
<p>Secas, enchentes, geadas e outros eventos climáticos podem comprometer a produção e dificultar o pagamento dos financiamentos.</p>
<p>Quando o produtor não possui seguro ou cobertura equivalente, as perdas frequentemente resultam em pedidos de renegociação ou prorrogação das dívidas.</p>
<p>O novo modelo busca dividir a responsabilidade entre produtores, bancos, seguradoras e governo.</p>
<p>A efetividade da medida dependerá do preço das apólices, da disponibilidade de cobertura e dos recursos destinados à subvenção pública do seguro rural.</p>
<h2>Plano Safra não entrega dinheiro diretamente aos produtores</h2>
<p>Os R$ 525,1 bilhões representam a capacidade prevista de financiamento para o ciclo, e não uma transferência direta de recursos para as propriedades.</p>
<p>As contratações serão realizadas por bancos públicos, instituições privadas e cooperativas de crédito autorizadas a operar as linhas rurais.</p>
<p>Para pedir o financiamento, o produtor normalmente precisa apresentar documentos pessoais e da propriedade, projeto ou orçamento da atividade, histórico financeiro e comprovação de regularidade.</p>
<p>A instituição avaliará a capacidade de pagamento, as garantias apresentadas e a viabilidade econômica da operação.</p>
<p>O banco poderá aprovar um valor inferior ao solicitado ou recusar o financiamento caso considere o risco elevado.</p>
<p>A existência de recursos anunciados no Plano Safra também não significa que todas as linhas estarão disponíveis imediatamente em todas as instituições.</p>
<p>A liberação dependerá da distribuição dos recursos, dos limites operacionais e das decisões comerciais de cada banco.</p>
<h2>Quem pode contratar o Plano Safra empresarial?</h2>
<p>O bloco lançado pelo governo Lula é voltado à agricultura empresarial.</p>
<p>Ele contempla médios e grandes produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas, cooperativas agropecuárias e determinadas agroindústrias enquadradas nas regras dos programas.</p>
<p>O uso da palavra “empresarial” não significa que qualquer empresa poderá acessar as linhas.</p>
<p>O financiamento precisa estar relacionado a uma atividade rural elegível, como agricultura, pecuária, armazenagem, comercialização ou industrialização de produtos agropecuários.</p>
<p>A agricultura familiar possui um Plano Safra próprio, operado principalmente por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf.</p>
<h2>Novo Plano Safra começa em julho</h2>
<p>O Plano Safra 2026/2027 orientará as contratações realizadas entre julho de 2026 e junho de 2027.</p>
<p>O volume de R$ 525,1 bilhões é recorde em termos nominais, embora o crescimento de 1,7% sobre o ciclo anterior seja relativamente moderado.</p>
<p>A mudança mais expressiva está na ampliação das linhas de investimento, que cresceram mais de 38%.</p>
<p>O governo Lula aposta que o aumento dos financiamentos para máquinas, armazenagem, irrigação e energia poderá elevar a produtividade e reduzir gargalos do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="322843">agronegócio</a> brasileiro.</p>
<p>Para os produtores, o impacto efetivo dependerá da velocidade de liberação dos recursos, da disponibilidade das linhas e das exigências adotadas pelos bancos.</p>
<p>Também serão determinantes a evolução dos preços das commodities, o custo dos fertilizantes, o comportamento do câmbio e as condições climáticas ao longo da safra.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Retomada de fábrica da Petrobras expõe encruzilhada do Brasil com fertilizantes nitrogenados</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/petrobras-retoma-ufn-iii-encruzilhada-fertilizantes-nitrogenados</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 00:39:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do globo, vive uma encruzilhada estrutural na área de fertilizantes nitrogenados, que ficou explícita com o anúncio feito pela Petrobras (PETR4) na quinta‑feira, 25, de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN‑III), em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul). Paralisada desde 2014, a unidade demandará [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="linha-fina">O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do globo, vive uma encruzilhada estrutural na área de <strong>fertilizantes nitrogenados</strong>, que ficou explícita com o anúncio feito pela Petrobras (PETR4) na quinta‑feira, 25, de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN‑III), em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul). Paralisada desde 2014, a unidade demandará investimentos superiores a R$ 5 bilhões, com recursos do novo Programa de Aceleração do Crescimento, e terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas por dia de ureia e 2,2 mil toneladas por dia de amônia, o suficiente para atender 15% de todo o consumo nacional do insumo. A previsão de entrada em operação vai do final de 2028 ao início de 2029. A medida, apresentada como avanço rumo à soberania alimentar e à redução da dependência externa — hoje 80% da ureia consumida no país vem do exterior, sobretudo da Rússia, da China e do Oriente Médio — esconde, porém, dois desafios centrais: o custo proibitivo do gás natural no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322535">mercado</a> interno, que pode inviabilizar a competitividade do produto sem subsídios, e o fato de a tecnologia adotada ser a mesma de 15 anos atrás, baseada em combustível fóssil, num momento em que o mundo acelera a transição para processos de baixo carbono.</p>
<p>A guerra na Ucrânia, os choques sucessivos de preços internacionais e os gargalos logísticos registrados a partir de 2022 deixaram claro para produtores, governo e autoridades que a exposição a fornecedores estrangeiros tem custo elevado e pode comprometer safras inteiras. É nesse cenário que a UFN‑III volta ao centro da agenda, integrante do Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê dobrar a capacidade produtiva nacional até o fim da década.</p>
<h2>Potência agrícola continua refém de insumos importados</h2>
<p>O paradoxo brasileiro salta aos olhos em qualquer levantamento setorial: o país ocupa posição de liderança na exportação de soja, milho, café, açúcar, carne e suco de laranja, mas permanece extremamente vulnerável na ponta dos insumos básicos. Dos fertilizantes consumidos em geral, cerca de 70% vem de fora; entre os nitrogenados, cujo principal representante é a ureia, essa taxa chega aos 80%. O produto é a fonte mais utilizada de nitrogênio, elemento indispensável ao desenvolvimento vegetal, aplicado em larga escala nas lavouras de milho, cana‑de‑açúcar, trigo, arroz, café e pastagens.</p>
<p>A concentração geográfica da oferta mundial agrava o risco. Rússia e China respondem, sozinhas, por quase metade da capacidade produtiva global de ureia. Ambas já usaram restrições a exportações como instrumento de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política | Diario de Pernambuco" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322550">política</a> interna ou de negociação geopolítica, o que provoca saltos abruptos de preço e desabastecimento temporário em mercados dependentes como o brasileiro. Para o governo, ampliar a produção doméstica aparece, portanto, como medida tanto econômica quanto de segurança nacional.</p>
<p>A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, explicou no ato de relançamento que a estratégia da estatal vai além da UFN‑III. “Estamos considerando a hipótese de duplicar todas as nossas fábricas, seja a Unidade de Nitrogênio de Aratu, na Bahia, as unidades Fafen, em diferentes estados, ou a própria UFN‑III, no Centro‑Oeste”, disse. A região foi escolhida justamente por concentrar cerca de 60% de todo o consumo de fertilizantes do país, o que reduz custos logísticos na distribuição.</p>
<h2>Obra iniciada em 2011 é retomada após 12 anos parada</h2>
<p>A história da unidade de Três Lagoas ajuda a explicar por que o país nunca conseguiu avançar de forma sustentada na produção própria. As obras começaram em 2011, com previsão de conclusão para 2016, mas foram interrompidas abruptamente em 2014, em meio a ajustes orçamentários, reavaliação de carteira de projetos da estatal e mudanças na política de preços do gás natural. Desde então, as estruturas permanecem ociosas, <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328380">com cerca de 40% dos</a> serviços físicos já executados, conforme levantamentos técnicos.</p>
<p>Agora, com o cronograma revisto, a expectativa é que em pouco mais de dois anos e meio o complexo esteja em plena produção. Além de atender diretamente à demanda, a presença de uma unidade de grande porte costuma funcionar como referência de preço regional, reduzindo a capacidade de oscilação abusiva por parte de importadores. A estimativa oficial é que cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos sejam gerados durante a fase de construção, e outros 400 postos permanentes na operação.</p>
<p>A despeito dos números positivos, especialistas ouvidos pela reportagem alertam que capacidade instalada, por si só, não significa oferta garantida nem preços mais baixos ao produtor rural. Dois fatores explicam por quê: a estrutura de custos da produção nacional e o histórico de oferta irregular das unidades da Petrobras ao longo das últimas duas décadas.</p>
<h2>Gás natural corresponde a até 80% do custo final da ureia</h2>
<p>O entrave maior à competitividade dos fertilizantes nitrogenados fabricados no Brasil é o preço do insumo energético básico. “O gás natural representa entre 60% e 80% do custo de produção da ureia”, explica Marcelo Soto, diretor de operações e inteligência de suprimentos da SCA, empresa especializada em análise e comercialização de insumos para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322534">agronegócio</a>. Para que a produção nacional consiga competir em pé de igualdade com grandes exportadores como Rússia, Irã e Catar, o custo do gás precisaria ficar em torno de US$ 3 por milhão de BTUs.</p>
<p>Na prática, o preço pago por usuários industriais no mercado livre brasileiro varia bastante, mas em muitos períodos chega a US$ 12 e pode ultrapassar US$ 15 por milhão de BTUs — cinco vezes o valor de referência. Nessa conta, sem subsídios cruzados, isenções tributárias ou uma política específica de preços para a indústria química, a ureia produzida em Três Lagoas só será mais vantajosa do que a importada em momentos de picos extremos de cotação internacional ou de frete marítimo muito elevado.</p>
<p>Há ainda uma segunda camada de concorrência que costuma ficar de fora dos anúncios oficiais. O produtor rural não compra apenas ureia: ele arbitra entre todas as fontes disponíveis de nitrogênio, como o sulfato de amônio, majoritariamente proveniente da China, e o nitrato de amônio, que vem em grande parte da Rússia, escolhendo sempre a alternativa com melhor relação custo‑benefício naquele momento. Além disso, a oferta das fábricas da Petrobras foi, historicamente, intermitente, funcionando em geral apenas quando o preço de mercado ficava favorável. “Essa falta de continuidade impede que distribuidores e produtores firmem contratos de longo prazo, mantendo a dependência estrutural da importação”, completa Soto.</p>
<p>Procurada, a Petrobras não se pronunciou sobre a projeção de custo unitário do produto, nem sobre eventuais mecanismos para baratear o gás ou adaptar o processo no futuro.</p>
<h2>Tecnologia projetada há 15 anos acende debate sobre obsolescência</h2>
<p>Outra frente de discussão ganhou força depois do anúncio: a UFN‑III foi concebida em 2011, usando rota química tradicional, na qual a amônia é sintetizada a partir de gás natural, com emissão intensa de gás carbônico. Hoje, a indústria global caminha rapidamente para a amônia produzida a partir de hidrogênio renovável, a chamada amônia verde, que dispensa o uso de combustível fóssil e tem pegada de carbono próxima de zero.</p>
<p>A pergunta que circula nos meios técnicos e acadêmicos é se vale a pena investir mais de R$ 5 bilhões numa tecnologia que, no momento em que a fábrica ficar pronta, já estará defasada do ponto de vista climático, correndo o risco de sofrer restrições comerciais ou encargos adicionais por conta de regras de fronteira de carbono que já começam a ser adotadas na Europa e nos Estados Unidos. Para alguns, o ideal seria projetar a unidade já com capacidade de conversão gradual para a rota limpa; para outros, a urgência de segurança de suprimento fala mais alto, e a adaptação pode ser feita em etapas posteriores.</p>
<p>A resposta não é simples, pois a alternativa renovável ainda esbarra em limitações econômicas claras.</p>
<h2>Amônia verde é a solução de longo prazo, mas escala só vem depois de 2030</h2>
<p>Luiz Viga, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde, resume o dilema com uma frase repetida à exaustão no setor: “O fertilizante mais caro é aquele que não se tem”. Na sua avaliação, a retomada da UFN‑III é uma medida necessária para o curto prazo, mas não dispensa o planejamento acelerado da rota limpa, única capaz de dar competitividade sustentada ao país nas próximas décadas.</p>
<p>Diferente da rota fóssil, a amônia verde usa apenas água e eletricidade de fontes renováveis — hidráulica, eólica, solar —, dois recursos em abundância no território nacional. O custo, porém, ainda é elevado, embora venha caindo em ritmo acelerado. Há poucos anos, a tonelada custava entre US$ 2 mil e US$ 3 mil; hoje já existem projetos estruturados na Índia e na China com custo na casa dos US$ 700. A tendência é de nova queda forte, na mesma proporção que ocorreu com painéis fotovoltaicos e baterias elétricas nos últimos 15 anos.</p>
<p>“O principal risco para o Brasil não é a tecnologia, mas manter a competitividade do preço da energia elétrica”, observa Viga. Encargos setoriais, tributos e leilões com deságios cada vez menores pressionam a tarifa e podem inviabilizar não só a indústria de hidrogênio, mas toda a estratégia de eletrificação da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322551">economia</a>. Programas como o Profert, que concede incentivos fiscais e linhas de crédito especiais, são vistos como avanço, mas ainda insuficientes para atrair o volume de capital necessário. A expectativa do setor é que os primeiros grandes projetos comerciais de fertilizantes verdes saiam do papel até 2028, com operação plena a partir de 2030, e que o produto já tenha participação relevante no mercado doméstico entre 2030 e 2040, ainda que não seja a maioria.</p>
<h2>Escolha revela tensão permanente entre segurança e transição energética</h2>
<p>A decisão de seguir adiante com a UFN‑III nos moldes atuais é, na prática, a materialização de uma escolha política e econômica difícil: priorizar, no curto prazo, a redução da dependência externa e a garantia de abastecimento, mesmo com tecnologia madura mas intensiva em carbono, enquanto se constrói paralelamente a base para a nova geração de insumos. Não há consenso sobre se o equilíbrio está no ponto certo.</p>
<p>Para o agronegócio, o ganho potencial está na maior estabilidade de oferta e na formação de um preço de referência interno, mas o benefício só chegará de fato ao bolso <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333420">do</a> produtor se o custo do gás for tratado como questão de Estado. Para a Petrobras, o projeto reforça o retorno da empresa a segmentos estratégicos que havia abandonado, mas também expõe a estatal ao risco de operar uma unidade com margens apertadas ou negativas por longos períodos. Para o clima, o saldo é negativo nas emissões, mas pode ser parcialmente compensado se a estrutura física servir depois como plataforma de conversão para amônia verde.</p>
<p>Seja qual for o resultado final, o caso de Três Lagoas permanecerá como exemplo emblemático: num país de dimensões continentais e vocação agrícola inquestionável, avançar na autossuficiência de fertilizantes nitrogenados nunca foi apenas uma questão de construir fábricas, mas de alinhar preços de energia, regulação, incentivos e visão de futuro numa mesma direção.</p>
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		<item>
		<title>Bayer é alvo de denúncia internacional por danos ligados a agrotóxicos na América Latina</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bayer-denunciada-por-danos-socioambientais-agrotoxicos-america-latina</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 19:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há mais de dois anos, organizações de quatro países da América Latina e entidades internacionais buscam responsabilizar a Bayer, uma das maiores produtoras mundiais de agrotóxicos e sementes, por impactos causados por seus produtos à base de glifosato em comunidades rurais e indígenas da região. A denúncia, apresentada em 2024 ao Ponto de Contato Nacional [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div>Há mais de dois anos, organizações de quatro países da América Latina e entidades internacionais buscam responsabilizar a Bayer, uma das maiores produtoras mundiais de agrotóxicos e sementes, por impactos causados por seus produtos à base de glifosato em comunidades rurais e indígenas da região. A denúncia, apresentada em 2024 ao Ponto de Contato Nacional (PCN) da Alemanha, no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta contaminação de água, solo e alimentos, além de doenças e perda de território, mas esbarra em limitações dos instrumentos internacionais.</div>
<div></div>
<div>A decisão mais recente do órgão, publicada em 9 de junho de 2026, rejeitou analisar diretamente as alegações de violações e sugeriu uma mediação restrita às políticas corporativas da empresa — medida que foi recusada pelos denunciantes, que consideram o procedimento insuficiente para reparar danos concretos.</div>
<div>joão</div>
<h2>Base da denúncia reúne dados de quatro países</h2>
<div></div>
<div>A ação é movida por seis instituições: o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), da Argentina; a Terra de Direitos, do Brasil; a BASE-IS, do Paraguai; a Fundación TIERRA, da Bolívia; além das organizações internacionais Misereor e Centro Europeu para os Direitos Humanos e o Direito Constitucional (ECCHR).</div>
<div></div>
<div>O material entregue ao PCN alemão reúne estudos técnicos, registros laboratoriais, relatos de moradores e dados de expansão agrícola desde o início da década de 2010. Segundo as entidades, a multinacional tem se beneficiado do crescimento da monocultura de soja na América do Sul, <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322368">mercado</a> onde obtém receitas expressivas com a venda de defensivos agrícolas, ao mesmo tempo em que as populações vizinhas às lavouras enfrentam consequências diretas.</div>
<div></div>
<div>“As florestas são derrubadas para dar lugar às plantações, a biodiversidade é reduzida, o abastecimento de alimentos é ameaçado, a água potável é poluída e os conflitos fundiários se intensificam”, resume o documento apresentado à OCDE.</div>
<div></div>
<div>O glifosato, princípio ativo de diversos produtos comercializados pela Bayer, está no centro das alegações. Embora a empresa defenda a segurança do composto dentro das regras de uso, as organizações apontam exposição acima de limites recomendados em regiões onde a aplicação é feita de forma intensiva e contínua.</div>
<div></div>
<h2>Mecanismo da OCDE propõe mediação, mas sem análise de danos</h2>
<div></div>
<div>Ao invés de abrir uma investigação aprofundada sobre os casos relatados, o PCN alemão informou, no início deste mês, que considerou as alegações insuficientes para dar seguimento e propôs uma negociação apenas sobre as regras internas de “devida diligência” da Bayer.</div>
<div></div>
<div>Para os denunciantes, a decisão representa uma limitação estrutural dos mecanismos da OCDE, que não têm poder coercitivo e dependem da adesão voluntária das <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322367">empresas</a>. “Discutir políticas abstratas não resolve o problema quando as pessoas continuam adoecendo e perdendo seu modo de vida por causa da exposição aos agrotóxicos”, afirma Silvia Rojas Castro, consultora jurídica sênior do ECCHR.</div>
<div></div>
<div>Daisy Ribeiro, assessora jurídica da Terra de Direitos, explica que a regra da organização prevê, na fase inicial, apenas a demonstração de plausibilidade dos fatos, e não a comprovação definitiva de causalidade como em um processo judicial. Mesmo assim, o órgão exigiu provas individuais e diretas entre cada caso de contaminação e um produto específico da marca, exigência que as entidades classificam como desproporcional.</div>
<div></div>
<div>“O PCN deixou de aplicar a avaliação reforçada que é necessária em contextos de alto risco socioambiental, em que a simples presença do produto e o histórico de uso já configuram indícios suficientes para aprofundar a análise”, complementa Jaqueline Andrade, também assessora jurídica da organização brasileira.</div>
<div></div>
<h2>Casos concretos ilustram impactos em diferentes regiões</h2>
<div></div>
<div>A denúncia traz exemplos detalhados de ocorrências em cada um dos países envolvidos, com registros que remontam a 2011. Na província de Buenos Aires, Argentina, uma família da cidade de Pergamino relatou problemas de saúde graves, incluindo abortos espontâneos, distúrbios respiratórios e alterações em exames de sangue, após anos vivendo ao lado de lavouras pulverizadas com agrotóxicos. Análises laboratoriais encontraram resíduos de glifosato e seu metabólito principal, o ácido aminometilfosfônico, na urina dos moradores.</div>
<div></div>
<div>No Paraguai, na Colônia Yeruti Ñu, região de reforma agrária, o cercamento da área por plantações de soja resultou em internações por intoxicação química e uma morte confirmada em 2011. O caso chegou ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que emitiu parecer favorável às vítimas, mas sem desdobramentos efetivos de responsabilização.</div>
<div></div>
<div>No Brasil, o foco das alegações recai sobre as aldeias indígenas Avá-Guarani, nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, no Paraná, um dos principais estados produtores de soja do país. Com a expansão das lavouras, comunidades que dependem de rios e nascentes para consumo e plantio próprio passaram a registrar contaminação da água, diminuição de peixes e desaparecimento de espécies silvestres. Relatos incluem aumento de doenças respiratórias, dores de cabeça e interrupções de gestação, especialmente entre crianças e idosos.</div>
<div></div>
<div>Já na Bolívia, no departamento de Santa Cruz, o desmatamento associado ao cultivo de soja transgênica avançou cerca de 436 mil hectares entre 2011 e 2022, segundo dados compilados pelas entidades. Hoje, mais de 230 mil pessoas vivem em áreas a menos de 500 metros de lavouras, situação que, conforme a denúncia, compromete tanto a saúde quanto a segurança alimentar local.</div>
<div></div>
<h2>Empresa mantém posicionamento e não reconhece responsabilidade</h2>
<div></div>
<div>A Bayer não se manifestou diretamente sobre cada caso específico apresentado na denúncia. Em nota padrão divulgada ao longo do processo, a empresa afirma cumprir todas as normas regulatórias dos países onde atua e seguir as diretrizes internacionais da OCDE, com processos de avaliação de risco e medidas de segurança para uso de seus produtos.</div>
<div></div>
<div>A companhia também destaca que o glifosato é aprovado por agências reguladoras em mais de 160 países, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, e que estudos científicos independentes confirmam sua segurança quando utilizado corretamente.</div>
<div></div>
<div>Para as organizações, porém, a postura reforça a necessidade de mecanismos mais eficazes <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="331076">para responsabilizar grandes corporações</a>. “As regras existem, mas sem poder de fiscalização e sanção, acabam sendo apenas recomendações. O resultado é que as violações continuam e as comunidades não têm a quem recorrer de forma efetiva”, observa Ribeiro.</div>
<div></div>
<h2>Caso coloca em xeque regulação global do agronegócio</h2>
<div></div>
<div>A disputa ocorre em um momento em que o uso de agrotóxicos e a expansão da monocultura estão no centro de debates sobre sustentabilidade e segurança alimentar na América Latina. O Brasil é um dos maiores consumidores de defensivos agrícolas do mundo, e o glifosato segue sendo o princípio ativo mais comercializado, apesar de restrições ou proibições em alguns países da Europa e da América do Norte.</div>
<div></div>
<div>A decisão do PCN alemão deve servir de referência para outras ações semelhantes, já que mostra os limites de ferramentas criadas para conciliar a atuação empresarial com a proteção de direitos humanos. Se as entidades não aceitarem a mediação, a denúncia será arquivada no âmbito da OCDE, restando às comunidades recorrer a tribunais nacionais, caminho que costuma ser mais demorado e complexo.</div>
<div></div>
<div>Para o setor do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322366">agronegócio</a>, o caso também levanta questões sobre a imagem das empresas que atuam na região. Enquanto produtores defendem a tecnologia como essencial para manter a produtividade e a competitividade internacional, organizações da sociedade civil cobram maior transparência e controle sobre a cadeia de insumos.</div>
<div></div>
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		<title>Custos de frangos e suínos caem em maio com redução da ração, diz Embrapa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/custos-producao-frangos-suinos-maio-2026-embrapa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 18:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[avicultura]]></category>
		<category><![CDATA[custo de produção]]></category>
		<category><![CDATA[custos de produção de frangos e suínos]]></category>
		<category><![CDATA[Embrapa]]></category>
		<category><![CDATA[frango de corte]]></category>
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		<category><![CDATA[ICPSuíno]]></category>
		<category><![CDATA[Milho]]></category>
		<category><![CDATA[ração]]></category>
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		<category><![CDATA[suinocultura]]></category>
		<category><![CDATA[suínos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os custos de produção de frangos de corte e suínos diminuíram em maio de 2026 nos principais estados produtores do Brasil, segundo levantamento da Embrapa Suínos e Aves divulgado pela Central de Inteligência de Aves e Suínos, a Cias. No Paraná, o custo de produção do frango de corte caiu 0,38% em relação a abril, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os custos de produção de frangos de corte e suínos diminuíram em maio de 2026 nos principais estados produtores do Brasil, segundo levantamento da Embrapa Suínos e Aves divulgado pela Central de Inteligência de Aves e Suínos, a Cias.</p>
<p>No Paraná, o custo de produção do frango de corte caiu 0,38% em relação a abril, para R$ 4,68 por quilo. Em Santa Catarina, o custo do suíno vivo recuou 0,37%, de R$ 6,25 para R$ 6,23 por quilo.</p>
<p>A redução foi provocada principalmente pela queda <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328260">dos custos com</a> ração, componente que representou 63,03% das despesas da avicultura e 72,45% dos gastos da suinocultura em maio.</p>
<h2>Quanto custou produzir frangos e suínos em maio de 2026?</h2>
<p>De acordo com a Embrapa, os principais resultados de maio foram:</p>
<ul>
<li><strong>Frango de corte no Paraná:</strong> R$ 4,68 por quilo;</li>
<li><strong>Variação mensal do custo do frango:</strong> queda de 0,38%;</li>
<li><strong>Suíno vivo em Santa Catarina:</strong> R$ 6,23 por quilo;</li>
<li><strong>Variação mensal do custo do suíno:</strong> queda de 0,37%;</li>
<li><strong>ICPFrango:</strong> 362,13 pontos;</li>
<li><strong>ICPSuíno:</strong> 356,33 pontos.</li>
</ul>
<p>Os índices elaborados pela Embrapa acompanham mensalmente a evolução dos gastos necessários para produzir frangos e suínos em sistemas representativos da produção nacional.</p>
<h2>Custo do frango cai para R$ 4,68 por quilo no Paraná</h2>
<p>O custo de produção do frango de corte no Paraná ficou em R$ 4,68 por quilo em maio de 2026, com queda de 0,38% em relação ao mês anterior.</p>
<p>O Índice de Custo de Produção do Frango, conhecido como ICPFrango, atingiu 362,13 pontos.</p>
<p>Entre janeiro e maio de 2026, o ICPFrango acumulou alta de 0,53%. Na comparação com os 12 meses anteriores, porém, o indicador registrou queda de 2,05%.</p>
<p>A diferença entre o resultado acumulado no ano e a variação em 12 meses mostra que os custos tiveram oscilações ao longo do período. Embora tenham voltado a subir ligeiramente nos primeiros meses de 2026, permanecem abaixo do nível observado um ano antes.</p>
<h2>Ração representa 63,03% do custo do frango</h2>
<p>A ração continuou sendo o principal componente do custo de produção do frango de corte.</p>
<p>Em maio, a alimentação das aves respondeu por 63,03% do custo total apurado pela Embrapa. As despesas com ração caíram 1,15% no mês e acumularam redução de 6,63% em 12 meses.</p>
<p>A produção de ração para frangos depende principalmente de milho e farelo de soja. Por isso, o custo da avicultura é influenciado diretamente pela disponibilidade dos grãos, pelo resultado das safras, pelo câmbio, pelas exportações e pelos preços do transporte.</p>
<p>Quando milho e farelo de soja ficam mais baratos, o custo de alimentação das aves tende a diminuir. Como a ração concentra mais de 60% das despesas, pequenas variações nos preços dos grãos podem provocar impacto relevante no custo final por quilo.</p>
<p>Além da alimentação, os produtores têm despesas com pintos de um dia, energia, aquecimento, mão de obra, medicamentos, manutenção das instalações, transporte e depreciação dos equipamentos.</p>
<h2>Custo do suíno vivo recua para R$ 6,23 por quilo</h2>
<p>Em Santa Catarina, o custo de produção do suíno vivo caiu de R$ 6,25 por quilo em abril para R$ 6,23 em maio.</p>
<p>A redução mensal foi de 0,37%. O Índice de Custo de Produção de Suínos, o ICPSuíno, ficou em 356,33 pontos.</p>
<p>No acumulado de janeiro a maio de 2026, o indicador apresentou queda de 3,87%. Em 12 meses, a redução foi de 1,51%.</p>
<p>O resultado indica que os custos da suinocultura apresentaram trajetória de queda mais consistente ao longo dos primeiros cinco meses de 2026.</p>
<h2>Ração concentra 72,45% das despesas com suínos</h2>
<p>Na suinocultura, a alimentação representou 72,45% do custo total de produção em maio.</p>
<p>O custo da ração para suínos caiu 0,36% no mês e acumulou redução de 2,83% entre janeiro e maio de 2026.</p>
<p>A participação superior a 70% torna a produção de suínos altamente sensível às oscilações do milho, da soja e de outros ingredientes utilizados na alimentação animal.</p>
<p>O ciclo produtivo dos suínos é mais longo que o dos frangos e exige maior consumo de ração até o animal atingir o peso de abate. Por isso, alterações nos preços dos insumos podem afetar diretamente a margem econômica das granjas.</p>
<h2>Principais dados da Embrapa sobre os custos de produção</h2>
<table>
<thead>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th align="right">Frango de corte</th>
<th align="right">Suíno vivo</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Estado de referência</td>
<td align="right">Paraná</td>
<td align="right">Santa Catarina</td>
</tr>
<tr>
<td>Custo por quilo em maio</td>
<td align="right">R$ 4,68</td>
<td align="right">R$ 6,23</td>
</tr>
<tr>
<td>Variação mensal</td>
<td align="right">-0,38%</td>
<td align="right">-0,37%</td>
</tr>
<tr>
<td>Índice de custo</td>
<td align="right">362,13 pontos</td>
<td align="right">356,33 pontos</td>
</tr>
<tr>
<td>Variação acumulada em 2026</td>
<td align="right">+0,53%</td>
<td align="right">-3,87%</td>
</tr>
<tr>
<td>Variação em 12 meses</td>
<td align="right">-2,05%</td>
<td align="right">-1,51%</td>
</tr>
<tr>
<td>Participação da ração no custo</td>
<td align="right">63,03%</td>
<td align="right">72,45%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h2>Por que Paraná e Santa Catarina são usados como referência?</h2>
<p>A Embrapa utiliza o Paraná como estado de referência para o cálculo do custo de produção do frango de corte porque o estado ocupa posição de liderança na avicultura brasileira.</p>
<p>Santa Catarina é adotada como referência para a suinocultura devido à importância de sua cadeia produtiva, formada por criadores, cooperativas, frigoríficos e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="322059">empresas</a> exportadoras.</p>
<p>Os dois estados concentram estruturas produtivas representativas e possuem participação relevante na produção e no processamento de proteínas animais.</p>
<p>Os valores calculados, entretanto, não correspondem necessariamente ao custo exato de todas as propriedades brasileiras. Despesas com transporte, energia, mão de obra, instalações, escala e produtividade variam entre municípios e produtores.</p>
<p>Os índices servem como referência para acompanhar a tendência dos <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333407">custos das cadeias de frangos e suínos</a> no país.</p>
<h2>Queda dos custos melhora a margem do produtor?</h2>
<p>A redução do custo de produção não garante, isoladamente, aumento da margem dos produtores.</p>
<p>A rentabilidade depende da diferença entre o custo por quilo e o preço recebido pela venda do frango ou do suíno.</p>
<p>Mesmo com ração mais barata, a margem pode continuar pressionada caso os preços pagos ao produtor recuem em ritmo maior. O aumento da oferta de animais ou a redução da demanda também pode afetar negativamente as cotações.</p>
<p>A melhora efetiva da rentabilidade dependerá de fatores como:</p>
<ul>
<li>preços pagos pelos frigoríficos;</li>
<li>volume de animais disponível;</li>
<li>demanda do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="322058">mercado</a> brasileiro;</li>
<li>ritmo das exportações;</li>
<li>cotação do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="322060">dólar</a>;</li>
<li>custos de transporte;</li>
<li>desempenho das safras de milho e soja.</li>
</ul>
<p>Produtores integrados e independentes também podem sentir os efeitos de maneira diferente, de acordo com os contratos e com a divisão dos custos entre granja e indústria.</p>
<h2>Exportações influenciam os preços pagos aos produtores</h2>
<p>O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne de frango e carne suína.</p>
<p>As vendas externas ajudam a absorver parte da oferta produzida pelas granjas e frigoríficos nacionais. Quando as exportações crescem, aumenta a demanda por animais e pode haver sustentação dos preços pagos ao produtor.</p>
<p>Embargos sanitários, barreiras comerciais, problemas logísticos ou redução das compras internacionais podem gerar o efeito contrário.</p>
<p>A cotação do dólar também influencia a competitividade das proteínas brasileiras no mercado externo. Um real desvalorizado torna o produto nacional mais barato para compradores estrangeiros, embora também possa encarecer insumos importados.</p>
<h2>Milho e soja determinarão a trajetória dos custos</h2>
<p>A continuidade da queda dos custos de produção de frangos e suínos dependerá principalmente dos preços do milho e da soja.</p>
<p>Uma safra elevada aumenta a oferta de grãos no mercado interno e pode reduzir os custos das rações. Já problemas climáticos, perdas de produtividade ou forte crescimento das exportações podem elevar novamente os preços.</p>
<p>Os produtores também acompanham os custos de frete e armazenamento. Granjas localizadas próximas às regiões produtoras de grãos podem ter vantagem logística em relação a unidades mais distantes.</p>
<p>A valorização do dólar pode estimular a exportação de milho e soja e reduzir a disponibilidade doméstica, mesmo em anos de boa produção.</p>
<h2>Outros custos continuam pressionando a atividade</h2>
<p>Apesar da queda da ração, os produtores ainda enfrentam despesas relevantes com energia, mão de obra, medicamentos, manutenção e biossegurança.</p>
<p>Na produção de frangos, o aquecimento e a ventilação dos aviários são essenciais para manter as condições adequadas de desenvolvimento das aves.</p>
<p>Na criação de suínos, instalações climatizadas, manejo de dejetos, água, limpeza e controle sanitário exigem investimentos permanentes.</p>
<p>A prevenção de doenças também é decisiva para evitar mortalidade, perda de produtividade e restrições comerciais.</p>
<p>Por isso, a redução dos custos da alimentação oferece alívio, mas não elimina todos os fatores de pressão sobre a produção.</p>
<h2>O que são ICPFrango e ICPSuíno?</h2>
<p>O ICPFrango é o Índice de Custo de Produção do Frango. O indicador mede a evolução mensal das despesas necessárias para produzir frango de corte no Paraná.</p>
<p>O ICPSuíno é o Índice de Custo de Produção de Suínos. Ele acompanha os gastos necessários para produzir suíno vivo em Santa Catarina.</p>
<p>Os índices são elaborados pela Embrapa Suínos e Aves e divulgados por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos.</p>
<p>Eles incluem componentes como ração, mão de obra, energia, medicamentos, instalações, equipamentos e outros custos relacionados à atividade.</p>
<h2>Perguntas frequentes sobre os custos de frangos e suínos</h2>
<h3>Quanto custou produzir um quilo de frango em maio de 2026?</h3>
<p>O custo de produção do frango de corte foi de R$ 4,68 por quilo no Paraná, segundo a Embrapa.</p>
<h3>Quanto custou produzir um quilo de suíno em maio de 2026?</h3>
<p>O custo de produção do suíno vivo foi de R$ 6,23 por quilo em Santa Catarina.</p>
<h3>Os custos de frangos e suínos aumentaram ou diminuíram?</h3>
<p>Os custos diminuíram em maio. A queda foi de 0,38% para o frango de corte e de 0,37% para o suíno vivo.</p>
<h3>Qual é o principal custo da produção de frangos?</h3>
<p>A ração é o principal custo da avicultura e representou 63,03% das despesas em maio de 2026.</p>
<h3>Qual é o principal custo da produção de suínos?</h3>
<p>A ração também é o principal custo da suinocultura e respondeu por 72,45% das despesas em maio de 2026.</p>
<h3>Por que os custos caíram?</h3>
<p>A redução foi provocada principalmente pela queda nas despesas com ração.</p>
<h3>A queda dos custos significa que frango e carne suína ficarão mais baratos?</h3>
<p>Não necessariamente. Os preços ao consumidor também dependem da demanda, das exportações, da oferta, dos custos industriais, dos transportes e das margens do varejo.</p>
<h2>Ração mais barata sustenta alívio para as granjas</h2>
<p>O levantamento da Embrapa mostra que os custos de produção de frangos e suínos voltaram a cair em maio de 2026.</p>
<p>No Paraná, o custo do frango de corte ficou em R$ 4,68 por quilo. Em Santa Catarina, o suíno vivo custou R$ 6,23 por quilo.</p>
<p>A redução foi impulsionada principalmente pela ração, que representa a maior parcela das despesas nas duas cadeias.</p>
<p>O movimento melhora as condições de planejamento dos produtores, mas o efeito sobre a rentabilidade dependerá dos preços de venda, das exportações, da demanda interna e do comportamento do milho e da soja nos próximos meses.</p>
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		<title>Exportações do Agronegócio Brasileiro em 2026: Análise Estrutural e Perspectivas de Mercado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/exportacoes-agronegocio-brasileiro-2026-recorde-391-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 15:38:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[55]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O agronegócio brasileiro atingiu o montante recorde de R$ 391 bilhões em exportações nos primeiros cinco meses de 2026, o que representa 50,2% das vendas externas totais do país. Este desempenho confirma a centralidade do setor na estabilidade macroeconômica nacional, mesmo sob a pressão de uma alta de 7,4% nos custos de fertilizantes. O mercado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O agronegócio brasileiro atingiu o montante recorde de R$ 391 bilhões em exportações nos primeiros cinco meses de 2026, o que representa 50,2% das vendas externas totais do país. Este desempenho confirma a centralidade do setor na estabilidade macroeconômica nacional, mesmo sob a pressão de uma alta de 7,4% nos custos de fertilizantes. O mercado reconhece que a eficiência produtiva não assegura mais, por si só, a rentabilidade; a volatilidade cambial e as exigências de rastreabilidade impõem novos critérios de competitividade às <strong>exportações do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="320130">agronegócio</a> brasileiro</strong>.</p>
<p>Este artigo apresenta uma análise técnica sobre o desempenho comercial do setor, detalhando os fluxos para mercados estratégicos como China e União Europeia. Examinamos o impacto do câmbio, projetado em R$ 5,55 para o encerramento do período, nos índices financeiros e na tomada de decisão do executivo. A análise percorre desde os gargalos logísticos e o déficit de armazenagem até as barreiras ambientais europeias, oferecendo subsídios para o planejamento estratégico de 2027.</p>
<div class="key-takeaways">
<h2 id="principais-conclusões"><a name="principais-conclusões"></a>Principais Conclusões</h2>
<ul>
<li>Compreenda a estrutura que sustenta o desempenho recorde das <strong>exportações <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="333384">do</a> agronegócio brasileiro</strong>, com participação superior a 50% no volume total das vendas externas do país.</li>
<li>Analise a dependência estratégica do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="321804">mercado</a> chinês e os impactos das novas regulamentações ambientais da União Europeia sobre o fluxo comercial de 2026.</li>
<li>Avalie o impacto dos gargalos logísticos e do reajuste nos custos de insumos importados sobre a margem operacional de produtores e tradings.</li>
<li>Identifique a correlação entre a volatilidade do câmbio e a rentabilidade real, considerando as projeções macroeconômicas para o encerramento do ano.</li>
<li>Conheça as tendências de digitalização e o papel do blockchain na rastreabilidade exigida pelos novos padrões de consumo global para 2027.</li>
</ul>
</div>
<div class="table-of-contents" role="navigation" aria-label="Índice">
<h2 id="índice"><a name="índice"></a>Índice</h2>
<ul>
<li><a href="#panorama-das-exportações-do-agronegócio-brasileiro-em-2026">Panorama das Exportações do Agronegócio Brasileiro em 2026</a></li>
<li><a href="#principais-mercados-destinos-e-a-geopolítica-do-comércio-exterior">Principais Mercados Destinos e a Geopolítica do Comércio Exterior</a></li>
<li><a href="#desafios-estruturais-logística-sustentabilidade-e-custos">Desafios Estruturais: Logística, Sustentabilidade e Custos</a></li>
<li><a href="#impacto-macroeconômico-e-financeiro-câmbio-e-juros">Impacto Macroeconômico e Financeiro: Câmbio e Juros</a></li>
<li><a href="#perspectivas-para-2027-e-estratégias-de-tomada-de-decisão">Perspectivas para 2027 e Estratégias de Tomada de Decisão</a></li>
</ul>
</div>
<h2 id="panorama-das-exportações-do-agronegócio-brasileiro-em-2026"><a name="panorama-das-exportações-do-agronegócio-brasileiro-em-2026"></a>Panorama das Exportações do Agronegócio Brasileiro em 2026</h2>
<p>O desempenho das <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong> nos primeiros cinco meses de 2026 consolidou um novo patamar histórico para o comércio exterior nacional. Entre janeiro e maio, o setor movimentou aproximadamente R$ 391,2 bilhões, montante que representa uma expansão de 4,6% frente ao mesmo intervalo de 2025. A relevância do campo para a solvência das contas externas é absoluta. O agronegócio respondeu por 50,2% do total exportado pelo Brasil no período, fundamentado por um <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Agroneg%C3%B3cio_no_Brasil" target="_blank" rel="noopener">Panorama do Agronegócio Brasileiro</a> que prioriza o ganho de escala para compensar a volatilidade das cotações internacionais.</p>
<p>A pauta exportadora mantém uma concentração elevada em commodities, embora o volume embarcado tenha compensado a oscilação negativa em preços médios de ativos específicos. Em maio de 2026, as vendas atingiram R$ 88,8 bilhões, alta de 8,2% sobre o ano anterior. O superávit setorial de R$ 79,9 bilhões no mês reforça a resiliência do modelo produtivo. Esse cenário ocorre mesmo diante do aumento de 7,4% nos custos de fertilizantes projetado para o ano, o que exige uma gestão financeira rigorosa por parte dos executivos do setor.</p>
<h3>Soja e Milho: A hegemonia dos grãos na balança comercial</h3>
<p>A soja permanece como o principal motor das <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong>, somando R$ 34,9 bilhões em embarques apenas no mês de maio. A demanda chinesa absorveu cerca de 40% desse volume, apesar das pressões de baixa na Bolsa de Chicago. O milho safrinha atua como regulador de liquidez no segundo semestre, mantendo o fluxo cambial aquecido. A competitividade do grão nacional é testada por custos logísticos elevados, onde o frete pode representar mais de 60% do custo total para produtores situados em polos distantes dos portos.</p>
<h3>Complexo de Carnes: Proteínas animais e novos mercados</h3>
<p>O segmento de proteínas animais registrou avanços operacionais significativos em 2026. A carne bovina alcançou R$ 9,4 bilhões em vendas em maio, um crescimento de 50,2% em valor. O frango contribuiu com R$ 4,9 bilhões, enquanto a carne suína estabeleceu um recorde para o mês, atingindo R$ 1,5 bilhão. A expansão para mercados no Sudeste Asiático e Oriente Médio é impulsionada por certificações sanitárias rigorosas. Essa diversificação de destinos é estratégica para reduzir a exposição a riscos geopolíticos e barreiras comerciais em blocos econômicos tradicionais.</p>
<h2 id="principais-mercados-destinos-e-a-geopolítica-do-comércio-exterior"><a name="principais-mercados-destinos-e-a-geopolítica-do-comércio-exterior"></a>Principais Mercados Destinos e a Geopolítica do Comércio Exterior</h2>
<p>A geografia das <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong> em 2026 reflete um cenário de polarização econômica e novas exigências normativas. A China mantém a liderança isolada, absorvendo cerca de 40% do volume total embarcado, o que representou um aporte de R$ 34,9 bilhões apenas no mês de maio. Contudo, a estratégia nacional busca mitigar a exposição excessiva a um único comprador. O foco recai na expansão para o bloco BRICS+ e nações do Sudeste Asiático, como Vietnã e Tailândia, onde o crescimento populacional sustenta a demanda por segurança alimentar.</p>
<h3>China: O motor das exportações agropecuárias brasileiras</h3>
<p>O mercado chinês continua a sustentar a demanda por farelo de soja e proteínas animais, impulsionado por uma recuperação metódica de seu PIB. Segundo uma Análise do Mercado Global, o Brasil consolidou sua posição como fornecedor preferencial devido à regularidade logística e protocolos fitossanitários rigorosos. Em 2026, acordos bilaterais facilitaram a habilitação de novas plantas frigoríficas, garantindo liquidez imediata para o setor de carnes. Para acompanhar as variações diárias dessas negociações, executivos utilizam o <a href="https://gazetamercantil.com" target="_blank">monitoramento de índices setoriais</a> para subsidiar decisões de hedge e comercialização.</p>
<h3>União Europeia e Barreiras Não Tarifárias</h3>
<p>A União Europeia, segundo maior destino com R$ 13,3 bilhões em compras em maio, impõe desafios estruturais por meio da regulação de desmatamento zero (EUDR). A conformida<a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330987">de</a> ambiental deixou de ser um diferencial de marketing para tornar-se condição obrigatória de acesso ao mercado europeu. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="320131">Empresas</a> que adotam sistemas de rastreabilidade ganham vantagem competitiva, assegurando a origem legal dos produtos em toda a cadeia. O impasse no acordo Mercosul-União Europeia persiste, mas o fluxo comercial mantém-se resiliente em nichos de alta especialização.</p>
<p>A relação comercial com os Estados Unidos, que importaram R$ 4,6 bilhões no mesmo período, é marcada pela dualidade competitiva. Enquanto os <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="328169">EUA são parceiros em setores como</a> suco de laranja e produtos florestais, atuam como concorrentes diretos no mercado global de grãos. O fortalecimento do comércio Sul-Sul, especialmente <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje oscila nos 168 mil pontos com juros em alta e tensão no Oriente Médio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="321805">com o Oriente Médio</a> e Bangladesh, oferece uma alternativa estratégica para escoar o excedente produtivo. O posicionamento brasileiro como garantidor da oferta global de alimentos é o principal ativo em um tabuleiro geopolítico fragmentado.</p>
<h2 id="desafios-estruturais-logística-sustentabilidade-e-custos"><a name="desafios-estruturais-logística-sustentabilidade-e-custos"></a>Desafios Estruturais: Logística, Sustentabilidade e Custos</h2>
<p>A viabilidade das <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong> em 2026 depende diretamente da superação de gargalos estruturais que elevam o custo operacional das tradings e produtores. Embora o setor tenha superado os dados de exportação do agronegócio em 2025, a rentabilidade real enfrenta a pressão de insumos importados. O Rabobank projeta um reajuste médio de 7,4% no preço dos fertilizantes para este ciclo. Esse cenário exige uma gestão financeira rigorosa, pautada no uso de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) para garantir liquidez sem comprometer as margens.</p>
<p>A logística permanece como o principal componente redutor de competitividade. Para propriedades situadas em polos produtivos distantes da costa, o frete pode representar mais de 60% do custo logístico total. A recomendação técnica para o executivo é reavaliar operações onde o transporte consome mais de 20% do valor de venda do produto. Investimentos em projetos ferroviários estratégicos e na expansão de outras modalidades de transporte são fundamentais para equilibrar a matriz de transportes, reduzindo a dependência do modal rodoviário e as emissões de carbono associadas ao diesel.</p>
<h3>Infraestrutura Portuária e Escoamento da Safra</h3>
<p>A consolidação de novos corredores logísticos e a expansão de rotas alternativas de escoamento aliviaram o fluxo nos principais terminais portuários, mas a infraestrutura ainda opera próxima do limite. Investimentos em terminais de uso privado e a modernização da gestão portuária aceleraram o giro de navios. Persiste, contudo, o problema da armazenagem. Cerca de 80% da capacidade de estocagem nacional está localizada fora das fazendas. Essa configuração retira o poder de negociação do produtor, que se vê obrigado a escoar a produção imediatamente, independentemente das condições de preço do mercado internacional.</p>
<h3>ESG e a Imagem do Agronegócio no Exterior</h3>
<p>A percepção ambiental tornou-se um fator determinante para o custo do capital e o acesso a mercados premium. Instituições financeiras globais aplicam taxas diferenciadas para empresas que comprovam a redução da pegada de carbono por meio da agricultura de precisão. O rastreamento total da cadeia produtiva é o único mecanismo capaz de contornar barreiras não tarifárias, especialmente na Europa. O combate ao desmatamento ilegal deixou de ser uma pauta puramente ética para se tornar uma <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política | Diario de Pernambuco" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="320128">política</a> de Estado voltada à proteção das exportações do agronegócio brasileiro.</p>
<div class="infographic-container"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1422752" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico.jpg" alt="Infografico Agronegocio - Gazeta Mercantil " width="1200" height="2449" title="Exportações do Agronegócio Brasileiro em 2026: Análise Estrutural e Perspectivas de Mercado 6 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico.jpg 1200w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico-147x300.jpg 147w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico-502x1024.jpg 502w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico-768x1567.jpg 768w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico-753x1536.jpg 753w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico-1004x2048.jpg 1004w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/06/infografico-150x306.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></div>
<h2 id="impacto-macroeconômico-e-financeiro-câmbio-e-juros"><a name="impacto-macroeconômico-e-financeiro-câmbio-e-juros"></a>Impacto Macroeconômico e Financeiro: Câmbio e Juros</h2>
<p>As <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong> funcionam como o principal lastro da estabilidade externa brasileira em 2026. Em um ambiente de incertezas fiscais, a entrada de divisas proveniente do campo é o que sustenta a liquidez do mercado de câmbio nacional. A projeção de que o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="320129">dólar</a> alcance R$ 5,55 ao final do ano altera significativamente a dinâmica de rentabilidade operacional. Se por um lado a receita convertida em Reais apresenta crescimento nominal, por outro, os custos de produção acompanham essa valorização, comprimindo as margens líquidas de produtores que não realizaram estratégias de hedge antecipado.</p>
<p>O custo financeiro permanece como um fator de pressão sobre o setor. A manutenção de taxas de juros elevadas encarece tanto o financiamento da safra quanto o carregamento de ativos em estoque. Diante do déficit de armazenagem, o setor é compelido a buscar crédito privado via Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), fugindo das limitações orçamentárias do crédito oficial. Na B3, as empresas ligadas ao comércio exterior agropecuário apresentam comportamento descorrelacionado do índice geral, operando frequentemente em terreno positivo mesmo quando o cenário doméstico se deteriora, dada a natureza dolarizada de seus fluxos de caixa.</p>
<h3>Câmbio e Competitividade Internacional</h3>
<p>A gestão do risco cambial tornou-se tão crítica para o sucesso das <strong>exportações brasil agronegócio</strong> quanto a produtividade técnica no campo. A volatilidade do Real impacta diretamente a formação do preço na origem, afetando a previsibilidade de receitas para o ciclo de 2027. Enquanto as grandes tradings utilizam derivativos sofisticados para travar custos, o médio produtor segue mais exposto às oscilações bruscas da moeda. O entendimento profundo das correlações entre agro e índices financeiros é vital para a preservação do capital de giro. Profissionais do setor utilizam o <a href="https://gazetamercantil.com" target="_blank">monitoramento de índices e cotações</a> para antecipar movimentos de mercado e proteger suas margens operacionais.</p>
<h3>O Agro como Sustentáculo do PIB Brasileiro</h3>
<p>A decomposição do Produto Interno Bruto brasileiro em 2026 revela uma dependência estrutural do setor externo agropecuário. O superávit setorial de R$ 79,9 bilhões registrado em maio é o componente que garante o equilíbrio das contas nacionais e a solvência do balanço de pagamentos. Esse desempenho gera um efeito multiplicador robusto, estimulando desde a indústria de implementos e máquinas até o setor de serviços especializados em biotecnologia. A entrada massiva de divisas internacionais permite ao Banco Central gerir as reservas com maior autonomia, reduzindo o risco de contágio por crises em outros mercados emergentes. A arrecadação tributária derivada desta cadeia produtiva sustenta a capacidade de investimento do Estado, consolidando o agronegócio <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="335768">como o motor da resiliência econômica</a> nacional.</p>
<h2 id="perspectivas-para-2027-e-estratégias-de-tomada-de-decisão"><a name="perspectivas-para-2027-e-estratégias-de-tomada-de-decisão"></a>Perspectivas para 2027 e Estratégias de Tomada de Decisão</h2>
<p>O encerramento de 2026 consolida um período de ajuste estrutural para as <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong>. Analistas do setor projetam que 2027 apresentará um cenário de expansão mais robusto, pautado pela estabilização dos custos de produção e pela maturação de investimentos logísticos em ferrovias e terminais portuários. A dinâmica de consumo global sinaliza uma transição para padrões de exigência elevados, onde a demanda por proteínas alternativas e produtos com certificação orgânica cresce em mercados de alto poder aquisitivo. O Brasil, detentor de uma base produtiva diversificada, deve posicionar-se não apenas como fornecedor de volume, mas como provedor de segurança alimentar sustentável.</p>
<p>A digitalização do comércio exterior atua como o principal facilitador dessa transição. A adoção de blockchain para a rastreabilidade integral da cadeia e o uso de contratos inteligentes conferem agilidade e transparência aos trâmites jurídicos e legislativos. Essa infraestrutura digital é vital para assegurar o cumprimento de normas internacionais, reduzindo a exposição a riscos reputacionais e financeiros que poderiam comprometer o acesso a capitais estrangeiros. A integração desses dados ao monitoramento setorial permite que as tradings operem com maior previsibilidade em cenários de alta volatilidade.</p>
<h3>Inovação e a &#8220;Agroindústria 4.0&#8221;</h3>
<p>A biotecnologia e a edição genômica são os pilares do aumento da produtividade sem a necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas. Agtechs nacionais lideram o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial voltadas à previsão meteorológica de alta precisão e à gestão de riscos climáticos. Essas ferramentas permitem que o executivo antecipe quebras <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="335767">de safra e</a> ajuste as estratégias de comercialização com meses de antecedência. A integração de sensores e softwares de gestão no campo transforma a fazenda em uma unidade industrial de alta tecnologia, onde cada hectare é monitorado para maximizar o retorno sobre o capital investido.</p>
<h3>Diretrizes para Executivos e Investidores</h3>
<p>O cenário para 2027 exige uma postura analítica diante da volatilidade dos mercados. Executivos devem monitorar atentamente a política agrícola e os ciclos de juros nas principais economias, fatores que ditam o custo do financiamento privado via CRAs e LCAs. Oportunidades significativas surgem em ativos reais e em companhias listadas com forte exposição ao mercado externo, que apresentam resiliência operacional em períodos de instabilidade doméstica. O acompanhamento rigoroso de índices e cotações é indispensável para a manutenção de uma governança corporativa sólida. Para subsidiar sua tomada de decisão estratégica com dados precisos, <a href="https://gazetamercantil.com/" target="_blank">acompanhe a Gazeta Mercantil para análises exclusivas do agronegócio</a> e acesse um monitoramento setorial especializado que traduz a complexidade do cenário global para o ambiente de negócios.</p>
<h2 id="diretrizes-para-a-competitividade-agroexportadora-em-2027"><a name="diretrizes-para-a-competitividade-agroexportadora-em-2027"></a>Diretrizes para a Competitividade Agroexportadora em 2027</h2>
<p>O desempenho recorde das <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong> em 2026, que atingiram R$ 391 bilhões nos primeiros cinco meses, consolida o setor como o principal garantidor da solvência externa nacional. A manutenção desse patamar exige que executivos e investidores integrem a rastreabilidade digital e a eficiência logística às suas estratégias operacionais. A superação de barreiras não tarifárias e o manejo adequado do risco cambial, com o dólar projetado em R$ 5,55, são agora tão determinantes para a rentabilidade quanto a produtividade no campo.</p>
<p>A transição para a Agroindústria 4.0 e o fortalecimento de novos destinos comerciais no Sudeste Asiático oferecem caminhos para mitigar a dependência de mercados tradicionais. Para navegar nesse cenário de margens comprimidas e alta volatilidade, o acesso a informações precisas é indispensável. <a href="https://gazetamercantil.com/" target="_blank">Acompanhe as principais notícias e análises de mercado na Gazeta Mercantil</a>, instituição que é referência no jornalismo econômico desde 1920. Nossa plataforma oferece análises técnicas de especialistas e cobertura em tempo real de indicadores de commodities e câmbio. O planejamento fundamentado em dados sólidos assegura a resiliência necessária para enfrentar os ciclos econômicos futuros.</p>
<h2 id="perguntas-frequentes"><a name="perguntas-frequentes"></a>Perguntas Frequentes</h2>
<h3>Qual a importância do agronegócio para as exportações brasileiras em 2026?</h3>
<p>O setor é o principal motor da balança comercial nacional, respondendo por 50,2% do total das vendas externas no primeiro semestre de 2026. As <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong> garantiram um superávit setorial de R$ 79,9 bilhões apenas no mês de maio. Essa performance é fundamental para a estabilidade do Real e para a solvência das contas públicas, servindo como lastro macroeconômico em períodos de volatilidade financeira global.</p>
<h3>Quais são os principais produtos do agronegócio exportados pelo Brasil?</h3>
<p>A soja lidera a pauta exportadora, com embarques que somaram R$ 34,9 bilhões em maio de 2026. Seguem-se o complexo de carnes, com destaque para a proteína bovina, que registrou R$ 9,4 bilhões no mesmo período, e os produtos florestais. O milho também desempenha papel central, especialmente no segundo semestre, garantindo a liquidez do fluxo comercial e o aproveitamento da infraestrutura logística instalada.</p>
<h3>Como o câmbio afeta as exportações do agronegócio?</h3>
<p>A taxa de câmbio atua diretamente na formação do preço pago ao produtor e na competitividade internacional dos ativos agropecuários. Com a projeção do dólar em R$ 5,55 para o encerramento de 2026, ocorre um aumento nominal nas receitas de exportação convertidas em moeda nacional. Entretanto, essa valorização eleva o custo de insumos importados, como fertilizantes, cujos preços subiram 7,4%, exigindo gestão rigorosa de hedge.</p>
<h3>Quais países são os maiores compradores do agronegócio brasileiro?</h3>
<p>A China permanece como o principal destino comercial, absorvendo cerca de 40% do volume total embarcado pelo país em 2026. A União Europeia ocupa o segundo posto, com compras que atingiram R$ 13,3 bilhões em maio, seguida pelos Estados Unidos. Observa-se também uma expansão estratégica para mercados do Sudeste Asiático e Oriente Médio, visando reduzir a dependência de blocos tradicionais e diversificar riscos geopolíticos.</p>
<h3>Quais são os principais desafios logísticos para a exportação do agro?</h3>
<p>A dependência excessiva do modal rodoviário e o déficit crônico de armazenagem são os entraves primários à competitividade nacional. O frete pode representar mais de 60% do custo logístico total para produtores distantes dos portos, reduzindo a rentabilidade real das operações. Além disso, 80% da capacidade de estocagem situa-se fora das propriedades rurais, o que obriga o escoamento imediato da safra independentemente das condições de preço.</p>
<h3>Como as questões ambientais influenciam o comércio exterior do agronegócio?</h3>
<p>Exigências de sustentabilidade funcionam como barreiras não tarifárias, especialmente na União Europeia por meio da regulação de desmatamento zero. O acesso a mercados de alto valor agregado depende da comprovação de origem legal e da implementação de sistemas de rastreabilidade total. Além do comércio, critérios ESG impactam o custo do capital, com instituições financeiras aplicando taxas diferenciadas para operações que demonstram redução da pegada de carbono.</p>
<h3>O que esperar das exportações do agronegócio para 2027?</h3>
<p>As perspectivas para 2027 são otimistas, pautadas na maturação de investimentos em infraestrutura e na estabilização de custos iniciada este ano. Espera-se que a adoção de tecnologias digitais e contratos inteligentes otimize as <strong>exportações do agronegócio brasileiro</strong> em termos de transparência e agilidade. O ano de 2026 é compreendido como um período de ajuste e eficiência, preparando o setor para um ciclo de maior rentabilidade no próximo período.</p>
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		<title>Plano da China para autossuficiência alimentar acende alerta no agronegócio brasileiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 17:20:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A divulgação do 15º Plano Quinquenal da China, válido para o período de 2026 a 2030, reacendeu o sinal de atenção no agronegócio brasileiro ao indicar que Pequim pretende ampliar a autossuficiência alimentar, elevar a produção doméstica de grãos e proteínas e reduzir gradualmente a dependência de importações agrícolas, movimento que pode afetar produtores, tradings, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A divulgação do 15º Plano Quinquenal da China, válido para o período de 2026 a 2030, reacendeu o sinal de atenção no <strong>agronegócio brasileiro</strong> ao indicar que Pequim pretende ampliar a autossuficiência alimentar, elevar a produção doméstica de grãos e proteínas e reduzir gradualmente a dependência de importações agrícolas, movimento que pode afetar produtores, tradings, frigoríficos, cooperativas e investidores no Brasil, principal fornecedor externo de soja e um dos maiores vendedores de carne bovina ao país asiático.</p>
<p>A preocupação decorre do peso da China no comércio exterior do campo brasileiro. O país asiático responde por cerca de 60% das compras externas de soja do <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="333354">Brasil</a> e por aproximadamente 40% das importações de carne bovina brasileira. Em valores, a relação comercial movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano e sustenta parte relevante da renda agropecuária, da geração de divisas e da dinâmica logística ligada ao escoamento de commodities.</p>
<p>O debate ganhou força após projeções apontarem que a China poderia reduzir de forma relevante as importações de soja ao longo da próxima década, caso avance em seu plano de segurança alimentar. Um relatório da consultoria global Systemiq estima queda de cerca de 25% nas compras externas chinesas de soja até 2030, o equivalente a 23,5 milhões de toneladas em relação ao nível de 2025. Em um horizonte mais longo, até 2040, a retração poderia chegar a 30%.</p>
<p>Apesar do impacto potencial, especialistas do setor avaliam que uma mudança brusca na relação entre Brasil e China é improvável no curto prazo. A avaliação predominante é que Pequim tem limites estruturais para substituir rapidamente importações agrícolas, especialmente por causa da escassez de terras agricultáveis, da pressão sobre recursos hídricos, da fragmentação da produção rural e da magnitude da demanda interna por alimentos e rações.</p>
<p><strong>Pequim coloca segurança alimentar no centro da estratégia nacional</strong></p>
<p>O 15º Plano Quinquenal reforça uma diretriz recorrente da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política | Diario de Pernambuco" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="317394">política</a> chinesa: tratar a segurança alimentar como tema de segurança nacional. A estratégia prevê ampliar a produção doméstica de grãos, fortalecer cadeias de proteína animal, investir em inovação agrícola e reduzir vulnerabilidades associadas à dependência de fornecedores estrangeiros.</p>
<p>A diretriz não é nova. A China busca há décadas elevar sua capacidade interna de abastecimento, impulsionada pelo crescimento da renda, pela urbanização, pela mudança nos hábitos de consumo e pela necessidade de garantir estabilidade de preços para uma população superior a 1 bilhão de pessoas.</p>
<p>Nos últimos anos, o país intensificou investimentos em mecanização, biotecnologia, sementes geneticamente modificadas, irrigação, digitalização do campo e melhoramento genético. O objetivo é aumentar a produtividade por hectare e diminuir a exposição a choques externos, como guerras comerciais, conflitos geopolíticos, crises logísticas e <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330921">oscilações bruscas nos</a> preços internacionais de alimentos.</p>
<p>A nova etapa do planejamento chinês amplia essa agenda. Além de grãos básicos, como arroz e trigo, o plano mira culturas ligadas à alimentação animal, principalmente soja e milho. A estratégia também inclui expansão da pecuária, uso de recursos marítimos e florestais e estímulo a proteínas alternativas.</p>
<p>Para o <strong><a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="319273">agronegócio</a> brasileiro</strong>, o ponto sensível está na soja. O grão é o principal produto da pauta exportadora do campo para a China e sustenta uma cadeia que envolve produção agrícola, armazenagem, transporte, esmagamento, portos, crédito rural, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="319271">mercado</a> de terras, defensivos, fertilizantes e serviços financeiros.</p>
<p><strong>Soja concentra maior risco para exportadores brasileiros</strong></p>
<p>A soja ocupa o centro das preocupações porque a China é, de longe, o maior comprador global do produto. O país importa o grão principalmente para produzir farelo usado na alimentação de suínos, aves e outros animais, além de óleo vegetal para consumo e uso industrial.</p>
<p>Caso a demanda chinesa por soja importada recue de forma consistente, o impacto sobre o <strong>agronegócio brasileiro</strong> dependerá da velocidade do ajuste, da capacidade de absorção por outros mercados e do comportamento dos preços internacionais. Uma queda abrupta poderia pressionar cotações, reduzir margens de produtores, afetar tradings e alterar o planejamento de safra em regiões altamente dependentes da exportação.</p>
<p>O cenário mais severo, porém, está longe de ser consenso. Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global e professor do Insper, avalia que a China tem capacidade de elevar sua produção de grãos, mas enfrenta obstáculos relevantes para alcançar autossuficiência em produtos como a soja.</p>
<p>Segundo o especialista, o plano chinês prevê levar a produção total de grãos para cerca de 725 milhões de toneladas, com acréscimo de aproximadamente 25 milhões de toneladas no período. O avanço depende de tecnologia, sementes geneticamente modificadas e ganhos de produtividade, especialmente no milho, cuja produção anual se aproxima de 300 milhões de toneladas.</p>
<p>Mesmo com esse esforço, a soja apresenta desafio maior. A cultura exige área extensa, compete com outras lavouras consideradas prioritárias para o consumo humano e depende de condições agronômicas nem sempre disponíveis em escala suficiente dentro da China.</p>
<p>A estrutura fundiária também limita o ritmo de transformação. O campo chinês ainda é formado por cerca de 180 milhões de pequenos agricultores, o que dificulta a adoção homogênea de tecnologia, mecanização e ganhos acelerados de escala. Para analistas, esse quadro torna improvável uma substituição rápida das importações brasileiras.</p>
<p><strong>Carne bovina também entra no radar do setor</strong></p>
<p>Além da soja, a carne bovina brasileira aparece entre os produtos mais expostos a mudanças na política alimentar chinesa. A China se tornou um destino central para frigoríficos brasileiros nos últimos anos, absorvendo volumes expressivos e influenciando preços, margens e estratégias comerciais das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="319272">empresas</a> do setor.</p>
<p>A busca por maior produção doméstica de proteínas pode afetar gradualmente esse mercado. Pequim tem interesse em fortalecer sua pecuária, reduzir dependência externa e proteger produtores locais em momentos de excesso de oferta ou queda de preços internos.</p>
<p>Ainda assim, a substituição de carne importada por produção nacional tende a ser limitada por fatores estruturais. Produzir proteína animal em grande escala exige grãos, água, área, tecnologia, sanidade, logística e controle ambiental. Além disso, a demanda chinesa por carne varia conforme renda, preços relativos e política de estoques.</p>
<p>Para o <strong>agronegócio brasileiro</strong>, a carne bovina representa uma frente de atenção, mas não necessariamente de ruptura. O Brasil tem competitividade reconhecida em custo de produção, escala, disponibilidade de pastagens e capacidade de atender diferentes padrões sanitários exigidos por mercados internacionais.</p>
<p>O risco principal está na concentração. Quando um comprador responde por parcela relevante das exportações, qualquer alteração regulatória, tarifária, sanitária ou política pode gerar volatilidade. Por isso, frigoríficos, associações setoriais e autoridades brasileiras vêm buscando ampliar habilitações e diversificar destinos no Oriente Médio, Sudeste Asiático, América Latina e outros mercados.</p>
<p><strong>Relação bilateral mantém peso estratégico para os dois países</strong></p>
<p>A força da parceria entre Brasil e China explica por que especialistas veem baixa probabilidade de uma ruptura comercial abrupta. Desde o início dos anos 2000, as exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram em ritmo acelerado, impulsionadas por complementaridade econômica rara: a China precisa garantir abastecimento alimentar e o Brasil dispõe de escala produtiva, tecnologia tropical e capacidade exportadora.</p>
<p>No agronegócio, esse fluxo movimenta cerca de US$ 50 bilhões por ano. A soja lidera, mas a pauta inclui carne bovina, carne de frango, celulose, algodão, açúcar, milho e outros produtos. A China, por sua vez, tornou-se o principal mercado externo para o campo brasileiro e exerce influência direta sobre preços, decisões de plantio, investimentos logísticos e estratégias de comercialização.</p>
<p>Essa interdependência reduz a probabilidade de cortes bruscos. Mesmo que Pequim avance em sua meta de autossuficiência, o abastecimento externo continuará importante para garantir regularidade, controle de preços e segurança de estoques.</p>
<p>Para Hsia Hua Sheng, vice-presidente do Bank of China Brasil e professor associado da Fundação Getulio Vargas, a busca chinesa por segurança alimentar não deve ser interpretada como novidade ou ruptura. A diretriz aparece há pelo menos 15 anos nos documentos estratégicos do país e vem sendo reforçada de forma gradual.</p>
<p>Na avaliação do economista, o <strong>agronegócio brasileiro</strong> já <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330920">trabalha há décadas para</a> lidar com mudanças na demanda chinesa, seja por aumento de produtividade, abertura de novos mercados, agregação de valor ou expansão de cadeias alternativas, como biocombustíveis.</p>
<p><strong>Margens apertadas tornam alerta mais sensível no campo</strong></p>
<p>A repercussão do plano chinês ocorre em um momento de maior fragilidade financeira em partes do <strong>agronegócio brasileiro</strong>. O setor enfrenta custos elevados, juros ainda altos, volatilidade cambial, encarecimento de fertilizantes, maior pressão logística e episódios de inadimplência em algumas cadeias produtivas.</p>
<p>Esse ambiente torna qualquer notícia sobre possível redução da demanda chinesa mais sensível. Com margens estreitas, produtores e empresas dependem de eficiência operacional, escala e previsibilidade de preços para manter rentabilidade.</p>
<p>Nos últimos anos, conflitos geopolíticos e choques de oferta elevaram custos de insumos agrícolas, especialmente fertilizantes e defensivos. O crédito rural também ficou mais caro, aumentando a pressão sobre capital de giro, financiamento de safra e renegociação de dívidas.</p>
<p>Nesse contexto, uma eventual queda nas exportações para a China poderia reduzir receitas, pressionar preços internos e afetar decisões de investimento. O impacto seria maior em regiões fortemente ligadas à soja, como Mato Grosso, Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Rio Grande do Sul.</p>
<p>Ainda assim, analistas destacam que o risco deve ser avaliado de forma gradual. A China não tende a abandonar fornecedores internacionais de uma hora para outra. A mudança mais provável, caso ocorra, seria uma redução progressiva do ritmo de crescimento das importações ou uma recomposição de origens de compra conforme fatores políticos, comerciais e sanitários.</p>
<p><strong>Diversificação de mercados vira prioridade defensiva</strong></p>
<p>A resposta estratégica do <strong>agronegócio brasileiro</strong> passa pela diversificação de destinos. O avanço em mercados do Sudeste Asiático, Oriente Médio, África e outras regiões da Ásia pode reduzir a dependência chinesa e dar maior estabilidade às receitas de exportação.</p>
<p>No caso das proteínas animais, o Brasil vem ampliando habilitações sanitárias e negociações bilaterais com diferentes países. Na soja, a diversificação é mais complexa porque a China concentra grande parte da demanda global, mas ainda há espaço para ampliar vendas a outros compradores e estimular o processamento interno.</p>
<p>A agregação de valor também tende a ganhar importância. Em vez de exportar apenas grão, o Brasil pode expandir a produção e exportação de farelo, óleo, carnes e produtos industrializados associados à cadeia da soja. Essa estratégia, porém, depende de competitividade tributária, infraestrutura, energia, logística e acesso a mercados.</p>
<p>Outra frente relevante está nos biocombustíveis. O aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel comercializado no país amplia a demanda por óleo de soja e pode ajudar a absorver parte da produção doméstica em cenários de menor crescimento das exportações.</p>
<p>A transição energética também abre espaço para novos usos agrícolas. A soja passa a ter papel não apenas alimentar, mas também energético, em um mercado que busca combustíveis de menor intensidade de carbono. Embora essa alternativa não substitua integralmente a China, ela pode reduzir pressões sobre preços e ampliar a resiliência da cadeia.</p>
<p><strong>Plano chinês impõe adaptação gradual ao campo brasileiro</strong></p>
<p>O 15º Plano Quinquenal da China não representa, por si só, uma ruptura imediata para o <strong>agronegócio brasileiro</strong>, mas funciona como alerta estratégico. A intenção de Pequim de reduzir dependência externa confirma uma tendência de longo prazo e obriga produtores, exportadores e formuladores de política agrícola no Brasil a considerar cenários de menor crescimento da demanda chinesa.</p>
<p>A dependência chinesa continuará sendo fator central para o campo brasileiro na próxima década. As limitações de área, água e produtividade da China tornam improvável uma substituição acelerada das importações, especialmente em soja. Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico, a reorganização da dieta, o uso de proteínas alternativas e a política de segurança alimentar podem reduzir parte da expansão que sustentou o crescimento das vendas brasileiras nas últimas duas décadas.</p>
<p>Para o Brasil, o desafio será preservar competitividade no principal mercado externo sem ficar excessivamente exposto a um único comprador. Isso exigirá produtividade, diplomacia comercial, abertura de mercados, agregação de valor, infraestrutura logística e fortalecimento de novas demandas internas, como biocombustíveis.</p>
<p>A China continuará no centro do tabuleiro do <strong>agronegócio brasileiro</strong>. A diferença é que, a partir do novo plano, o setor passa a observar Pequim não apenas como cliente dominante, mas também como concorrente potencial em busca de maior autonomia alimentar.</p>
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		<title>Brasil amplia exportações dBrasil amplia exportações de soja em 2026 e reforça liderança global no agroe soja em 2026</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-amplia-exportacoes-de-soja-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 04:55:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As exportações de soja do Brasil seguem em ritmo forte em 2026 e consolidam o país como um dos principais fornecedores globais da oleaginosa. Com embarques robustos, demanda externa firme e uma colheita volumosa, o agronegócio brasileiro mantém protagonismo no comércio internacional e reforça a importância da soja para a balança comercial, para a renda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As <strong>exportações de soja</strong> do Brasil seguem em ritmo forte em 2026 e consolidam o país como um dos principais fornecedores globais da oleaginosa. Com embarques robustos, demanda externa firme e uma colheita volumosa, o <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="315690">agronegócio</a> brasileiro mantém protagonismo no comércio internacional e reforça a importância da soja para a balança comercial, para a renda dos produtores e para a dinâmica de fundos ligados ao setor, como o SNAG11.</p>
<p>Segundo dados da ANEC, os embarques brasileiros mantiveram trajetória ascendente <a href="https://gazetamercantil.com/cotacao-do-dolar-hoje" title="Dólar Fecha em Queda: Real se Beneficia com Alta do Petróleo e Inflação Controlada nos EUA" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315739">nos primeiros meses</a> do ano. Em maio, as <strong>exportações de soja</strong> alcançaram cerca de 15 milhões de toneladas. Para junho, a projeção setorial <a href="https://gazetamercantil.com/boldsonaro-indiciado-esquema-desvio-25-milhoes" title="Bolsonaro é indiciado por esquema de desvio acima de R$ 25 milhões" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315751">indica aproximadamente 12 milhões</a> de toneladas, sinalizando continuidade de um fluxo logístico intenso nos principais corredores de escoamento do país.</p>
<p>No acumulado de janeiro a maio, o Brasil embarcou 59 milhões de <a href="https://gazetamercantil.com/mais-de-60percent-das-aplicacoes-no-tesouro-direto-sao-de-ate-r-1-mil-ghtml" title="Tesouro Direto Registra Emissão Líquida de R$ 659 Milhões em Outubro" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315724">toneladas de soja, acima das 54 milhões de toneladas registradas</a> no mesmo período de 2025. O avanço confirma a força da safra nacional e evidencia a capacidade do país de atender à demanda internacional em larga escala, especialmente em um momento em <a href="https://gazetamercantil.com/lci-significado-entenda-investimentos-renda-fixa" title="O que significa LCI no mercado financeiro?" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315732">que compradores globais buscam segurança</a> no fornecimento de commodities agrícolas.</p>
<h2>Exportações de soja ganham força em 2026</h2>
<p>O desempenho das <strong>exportações de soja</strong> em 2026 reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. De um lado, o Brasil segue ampliando sua capacidade produtiva, com ganhos de produtividade, adoção de <a href="https://gazetamercantil.com/embrapa-apps-inteligencia-artificial-irrigacao-aquicultura" title="Embrapa lança aplicativos com inteligência artificial para irrigação e aquicultura" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315709">tecnologia no campo</a> e maior profissionalização da cadeia agrícola. De outro, a demanda externa permanece aquecida, impulsionada principalmente pelo <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="315692">mercado</a> asiático.</p>
<p>A soja continua sendo uma das culturas <a href="https://gazetamercantil.com/quais-estados-do-brasil-produzem-mais-energia-solar" title="Energia Solar: Os Melhores Estados para Investir e Economizar na Conta de Luz" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315711">mais estratégicas para o Brasil</a>. A oleaginosa movimenta produtores rurais, cooperativas, tradings, <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="315689">empresas</a> de transporte, armazenagem, portos, indústrias de processamento e investidores do mercado financeiro. Por isso, o avanço das <strong>exportações de soja</strong> não representa apenas um dado comercial positivo, mas também um indicador relevante sobre a saúde do agronegócio nacional.</p>
<p>A estimativa <a href="https://gazetamercantil.com/evento-de-frio-intenso-esta-proximo-ha-risco-de-geadas-e-friagem-pelo-brasil-na-segunda-semana-de-abril-sul-sudeste-html" title="Frio intenso com risco de geadas e friagem pelo Brasil é previsto para a segunda semana de abril" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315730">para o ano aponta exportações próximas</a> de 110 milhões de toneladas. <a href="https://gazetamercantil.com/sao-paulo-emite-alerta-para-coqueluche" title="São Paulo emite alerta para coqueluche após 105 casos confirmados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315762">Caso esse patamar se confirme</a>, o Brasil reforçará sua posição como fornecedor-chave no mercado global, ampliando a influência da produção nacional sobre preços, contratos internacionais e estratégias de abastecimento de grandes compradores.</p>
<h2>China concentra a demanda pela soja brasileira</h2>
<p>A China segue <a href="https://gazetamercantil.com/vendas-de-veiculos-crescem-em-setembro" title="Vendas de veículos no Brasil sobem 8% em setembro com apoio das exportações e dos carros sustentáveis" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315755">como principal destino das <strong>exportações de soja</strong> brasileiras</a>. Nos cinco primeiros meses de 2026, o país asiático absorveu cerca de 70% <a href="https://gazetamercantil.com/prazo-adesao-simples-nacional-2026-final" title="Simples Nacional 2026: Prazo de Adesão Termina Hoje (30/01)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315741">das compras externas da oleaginosa nacional</a>. A concentração da demanda chinesa mostra a relevância desse mercado para o agro brasileiro e reforça a dependência estratégica entre os dois países no setor de alimentos e commodities.</p>
<p>O apetite <a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-de-goias-sobem-marco-soja-carnes-china" title="Exportações de Goiás sobem 62,3% em março com força da soja, carnes e demanda da China" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315752">chinês pela soja</a> está ligado à necessidade de abastecimento da indústria de ração animal, ao consumo interno e à recomposição de estoques. <a href="https://gazetamercantil.com/recomendacao-de-investimentos" title="Especialistas recomendam venda de ações da Renner e Banco do Brasil para day trade desta terça-feira" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315761">Para o Brasil</a>, essa demanda oferece previsibilidade de escoamento e fortalece contratos comerciais de médio e longo prazo. A estabilidade nas <a href="https://gazetamercantil.com/magazine-luiza-acao-disparar-216-analise-comprar-agora" title="Magazine Luiza (MGLU3) Pode Disparar 215,9%, afirma BB Investimentos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315738">compras também favorece investimentos</a> em logística, armazenagem e infraestrutura portuária.</p>
<p>A força da China nas <a href="https://gazetamercantil.com/exportacao-de-soja-brasileira-china-2025" title="Exportação de soja brasileira dispara com guerra comercial EUA-China e liderança no mercado chinês" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315705">exportações de soja brasileiras</a> também aumenta a relevância da ANEC como referência setorial. As projeções da entidade ajudam o mercado a acompanhar o ritmo <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="328018">dos embarques e servem como</a> termômetro para produtores, empresas exportadoras, investidores e fundos ligados ao agronegócio.</p>
<h2>Safra volumosa sustenta embarques</h2>
<p>O avanço das <strong>exportações de soja</strong> em 2026 está diretamente ligado ao desempenho da safra brasileira. A colheita volumosa permitiu ao país <a href="https://gazetamercantil.com/petrobras-leva-ao-cade-proposta-para-abandonar-venda-de-refinarias" title="Petrobras propõe manter controle de refinarias e revisar acordo com Cade" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315737">manter um fluxo elevado de vendas</a> externas, mesmo diante de desafios logísticos e variações nos preços internacionais.</p>
<p>A produtividade no campo segue <a href="https://gazetamercantil.com/como-credito-privado-rival-bancos" title="O Crescimento e Desafios do Crédito Privado: Uma Análise Abrangente" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315715">como um dos</a> principais diferenciais competitivos do Brasil. O uso de sementes mais adaptadas, tecnologia agrícola, máquinas modernas, sistemas de irrigação e práticas de manejo <a href="https://gazetamercantil.com/whatsapp-web-tera-chats-com-cores-diferentes-e-veja-impacto" title="WhatsApp Web terá chats com cores diferentes, temas visuais e fundos dinâmicos; veja impacto da mudança" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315763">tem permitido ganhos consistentes em diferentes</a> regiões produtoras. Esse avanço reduz custos relativos, melhora margens e amplia a capacidade de o país competir <a href="https://gazetamercantil.com/senador-e-tido-como-simpatizante-de-lobby-de-grandes-empresas-de-tecnologia-dos-eua-laercio-oliveira-apresentou-30-emendas-sobre-inteligencia-artificial" title="Senador do PP é tido como simpatizante de lobby de grandes big techs." target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315747">com outros grandes</a> fornecedores globais.</p>
<p>Além disso, a expansão da agricultura em áreas consolidadas e a melhoria <a href="https://gazetamercantil.com/stf-da-30-dias-para-conclusao-de-acordos-de-leniencia-da-lava-jato" title="STF concede prazo adicional para renegociação dos acordos de leniência da Lava Jato" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315735">de</a> processos de gestão nas propriedades fortalecem a capacidade de resposta dos produtores brasileiros. Com maior planejamento, acesso a crédito e estrutura comercial mais sofisticada, o setor consegue aproveitar janelas favoráveis de <a href="https://gazetamercantil.com/china-demanda-fraca-e-preos-em-queda-atingem-os-principais-setores-industriais-ghtml" title="China: demanda fraca e preços em queda atingem os principais setores industriais" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315758">pre</a>ços e demanda.</p>
<h2>Logística segue como fator decisivo</h2>
<p>A logística é um dos pontos centrais para sustentar o crescimento das <strong>exportações de soja</strong>. O volume embarcado exige coordenação entre produção, transporte rodoviário, ferrovias, hidrovias, armazéns e portos. Quando a <a href="https://gazetamercantil.com/safra-eleva-preco-alvo-assai-asai3" title="Safra eleva preço-alvo do Assaí (ASAI3), mas mantém cautela com competição no atacarejo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315745">safra é elevada</a> e a demanda externa permanece aquecida, a eficiência do sistema logístico se torna ainda mais determinante.</p>
<p>Os <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje-busca-recuperacao-setimo-pregao-queda" title="Ibovespa Busca Recuperação Após Série de Quedas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315721">principais portos brasileiros têm</a> papel estratégico nesse processo. A movimentação intensa observada nos últimos meses mostra que o país <a href="https://gazetamercantil.com/petroleo-fechamento-13-08-2024" title="Petróleo: Queda nos preços após revisão da AIE e aumento das tensões no Oriente Médio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315742">avançou</a> em capacidade de escoamento, mas também evidencia a necessidade contínua de investimentos. Gargalos em estradas, filas em terminais e limitações de armazenagem ainda podem afetar margens e <a href="https://gazetamercantil.com/prazo-de-renegociacao-do-desenrola-brasil-acaba-nesta-segunda" title="Prazo para renegociação de dívidas no Desenrola Brasil termina hoje" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315753">prazos</a>.</p>
<p>A expansão das <strong>exportações de soja</strong> aumenta a pressão por soluções logísticas mais eficientes. Investimentos em armazenagem, irrigação, transporte e infraestrutura portuária tendem a ganhar importância nos próximos anos, especialmente diante da <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-futuro-hoje-vale-lula-trump-mercado" title="Ibovespa Futuro Opera Estável com Suporte da Vale e Expectativa de Encontro Lula-Trump" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315726">expectativa de manutenção do Brasil como</a> protagonista global na produção agrícola.</p>
<h2>SNAG11 se beneficia do ciclo favorável da soja</h2>
<p>O ambiente positivo das <strong>exportações de soja</strong> fortalece as perspectivas para fundos ligados ao agronegócio, como o SNAG11. Embora o Fiagro tenha foco em operações de financiamento, o ciclo favorável de preços, volumes exportados e <a href="https://gazetamercantil.com/usiminas-usim5-cai-apos-rebaixamento-bofa-safra" title="Usiminas (USIM5) despenca após BofA e Safra cortarem recomendação da ação" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315706">geração de caixa</a> dos produtores pode reduzir riscos e reforçar garantias.</p>
<p>Quando produtores e <a href="https://gazetamercantil.com/quanto-custa-abrir-e-operar-uma-clinica-medica" title="A economia do consultório médico: quanto custa abrir e operar uma clínica no Brasil em 2026" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315740">empresas do agro operam</a> em um cenário de demanda aquecida, a capacidade de pagamento dos tomadores tende a melhorar. Isso é relevante <a href="https://gazetamercantil.com/bndes-reduz-custo-maquinas-industria-4-0" title="BNDES reduz custo de linha para máquinas da Indústria 4.0" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315712">para fundos que financiam cadeias produtivas</a> do setor, uma vez que a qualidade dos recebíveis, das garantias e da estrutura de crédito depende diretamente da saúde financeira dos agentes do campo.</p>
<p>O SNAG11 possui 11 ativos, exposição indireta a 264 devedores, histórico de inadimplência nula, patrimônio próximo de R$ 1 bilhão e mais de 130 mil cotistas. Esses dados reforçam a relevância do fundo dentro do universo dos Fiagros e indicam sua exposição a uma cadeia que se beneficia do bom momento das <strong>exportações de soja</strong>.</p>
<h2>Fiagro ganha relevância com avanço do agronegócio</h2>
<p>O crescimento das <strong>exportações de soja</strong> também ajuda a explicar o aumento do interesse por Fiagros. Esses fundos permitem ao investidor acessar oportunidades vinculadas ao agronegócio, seja por meio de crédito, imóveis rurais, recebíveis, <a href="https://gazetamercantil.com/mills-mils3-dispara-loxam-compra-controle-opa" title="Mills (MILS3) dispara após venda de controle e possível saída da bolsa" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315716">infraestrutura ou empresas da cadeia</a> produtiva.</p>
<p>No caso do SNAG11, a carteira possui exposição a segmentos que dialogam diretamente <a href="https://gazetamercantil.com/internet-agricola" title="Sinal da Sol, do Grupo RZK, cobrirá 15% da área agrícola brasileira com internet até o final de 2023" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315749">com a competitividade agrícola</a>. Armazenamento representa 6,3% da carteira, enquanto irrigação corresponde a 22,7%. Esses dois pilares são importantes para <a href="https://gazetamercantil.com/savetan-jbs-couros-reduz-agua-energia-residuos-curtimento" title="Savetan: JBS Couros acelera tecnologia que reduz água e energia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315714">elevar a eficiência</a> produtiva e permitir uma comercialização mais estratégica da safra.</p>
<p>A armazenagem dá ao produtor maior flexibilidade <a href="https://gazetamercantil.com/google-indica-momento-compra-passagens-aereas" title="Ferramenta do Google indica melhor preço para comprar passagens aéreas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315731">para vender em momentos</a> mais favoráveis, evitando a necessidade de liquidação imediata da produção. Já a irrigação contribui <a href="https://gazetamercantil.com/brb-capitalizacao-risco-colapso" title="BRB capitalização: executivo alerta para risco de colapso do banco sem aprovação" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315743">para reduzir riscos</a> climáticos, ampliar produtividade e melhorar a previsibilidade da produção. Em um cenário de <strong>exportações de soja</strong> elevadas, esses fatores tornam-se ainda mais relevantes.</p>
<h2>Preparativos para a safra 2026/27 avançam</h2>
<p>Enquanto o Brasil consolida números expressivos nas <strong>exportações de soja</strong> em 2026, o setor <a href="https://gazetamercantil.com/nubank-ja-se-prepara-para-entrar-em-novos-paises" title="Nubank já se prepara para entrar em novos países" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315756">já se prepara</a> para a safra 2026/27. O Ministério da Agricultura divulgou o calendário de vazio sanitário e plantio, <a href="https://gazetamercantil.com/4-dicas-para-ajudar-no-crescimento-de-micros-pequenas-e-medias-empresas-html-amp" title="4 Dicas para Impulsionar o Crescimento de Micros, Pequenas e Médias Empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315750">medidas essenciais para</a> o controle da ferrugem-asiática e para a preservação da sanidade da cultura.</p>
<p>O vazio sanitário é uma etapa fundamental no manejo da soja. Ele reduz a presença de plantas vivas no período determinado, dificultando a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática. A medida protege lavouras futuras, <a href="https://gazetamercantil.com/governo-reduz-prazo-para-pagamento-de-imposto-de-compras-internacionais-feitas-fora-do-remessa-conforme-ghtml" title="Governo reduz prazo para pagamento de imposto de compras internacionais em Plataformas de E-commerce" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315748">reduz a necessidade de</a> defensivos e contribui para manter a produtividade.</p>
<p>A organização antecipada do calendário agrícola mostra a importância do planejamento para sustentar o crescimento das <strong>exportações de soja</strong>. Em um mercado cada vez mais competitivo, sanidade vegetal, previsibilidade regulatória e eficiência operacional são fatores decisivos para manter o Brasil em posição <a href="https://gazetamercantil.com/silas-malafaia-critica-jair-bolsonaro" title="Silas Malafaia Critica Jair Bolsonaro: &#8220;Covarde e Omissão&#8221; nas Eleições de São Paulo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315729">de liderança</a>.</p>
<h2>Competitividade brasileira permanece elevada</h2>
<p>A competitividade do Brasil nas <strong>exportações de soja</strong> está ancorada em produtividade, escala, tecnologia e capacidade de adaptação. O país combina vastas áreas produtoras, experiência técnica acumulada, <a href="https://gazetamercantil.com/previsao-do-tempo-chuva-temporais-brasil-24-02-2026" title="Previsão do Tempo: chuva e temporais atingem todas as regiões do Brasil nesta terça-feira" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315733">clima favorável em diversas regiões</a> e uma cadeia empresarial cada vez mais sofisticada.</p>
<p>O <a href="https://gazetamercantil.com/exterior-no-positivo-e-dolar-estavel-abrem-espaco-para-avanco-em-negocios-locais" title="Mercados financeiros globais atentos às decisões dos Bancos Centrais e indicadores econômicos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315734">avanço tecnológico no campo é um dos</a> elementos que explicam essa posição. <a href="https://gazetamercantil.com/internet-das-coisas-iot-telecom-brasil" title="Internet das Coisas (IoT) revoluciona telecom e conecta máquinas no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315707">Agricultura de precisão</a>, monitoramento por satélite, sistemas de gestão, biotecnologia, mecanização e análise de dados ajudam produtores a tomar decisões mais eficientes. Esse conjunto de ferramentas permite reduzir perdas, otimizar insumos e elevar a rentabilidade.</p>
<p>Além disso, a profissionalização das cooperativas e tradings fortalece a inserção internacional da soja brasileira. Essas empresas atuam na organização de contratos, financiamento, logística e comercialização, conectando produtores nacionais a compradores globais. O resultado é uma cadeia integrada, capaz de responder rapidamente às mudanças do mercado.</p>
<h2>Impacto econômico vai além do campo</h2>
<p>O crescimento das <strong>exportações de soja</strong> tem efeito direto sobre a <a class="wpil_keyword_link" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="315691">economia</a> brasileira. A atividade movimenta renda no interior, gera empregos, impulsiona serviços, aumenta a demanda por transporte e fortalece a arrecadação em municípios produtores. A soja também contribui para o saldo comercial do país, sendo uma das <a href="https://gazetamercantil.com/dolar-hoje-numeros-inflacao-brasileira" title="Dólar Opera em Baixa após Divulgação de Dados de Inflação pela FGV" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315736">principais responsáveis pela</a> entrada de divisas.</p>
<p>Nas regiões agrícolas, o bom desempenho da soja costuma se refletir em maior consumo, investimentos em máquinas, expansão de armazéns, contratação de <a href="https://gazetamercantil.com/enel-e-multada-em-r-13-milhoes-por-ma-prestacao-de-servico-em-sao-paulo-htmlamp" title="Enel São Paulo recebe multa de R$ 13 milhões por interrupções no fornecimento de energia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315722">mão de obra e crescimento de serviços</a> especializados. Esse efeito multiplicador <a href="https://gazetamercantil.com/reforma-do-imposto-de-renda-arthur-lira-aliquota-10-por-cento" title="Reforma do Imposto de Renda: Arthur Lira Mantém Alíquota Máxima de 10% e Avança Projeto na Câmara" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315717">amplia a importância da cultura para</a> além da porteira.</p>
<p><a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-opera-em-queda-em-dia-negativo-para-ativos-brasileiros" title="Ibovespa em Leve Queda com Avanço dos Juros e Alta do Dólar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315710">Para o mercado financeiro</a>, as <strong>exportações de soja</strong> funcionam como indicador relevante de atividade no agronegócio. Fundos, bancos, seguradoras, empresas de crédito e investidores acompanham os dados <a href="https://gazetamercantil.com/toyota-se-une-tencent-para-ganhar-fora-no-mercado-de-veculos-eltricos-da-china-ghtml" title="Toyota se alia à Tencent para conquistar o mercado chinês de carros elétricos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315725">de embarque para</a> avaliar risco, oportunidade e tendência de receita no setor.</p>
<h2>Riscos ainda exigem atenção</h2>
<p>Apesar do cenário favorável, as <strong>exportações de soja</strong> não estão livres de riscos. Oscilações nos preços internacionais, variações cambiais, questões climáticas, custos logísticos e mudanças na demanda chinesa podem alterar as projeções <a href="https://gazetamercantil.com/vacancia-galpoes-logisticos-brasil" title="Vacância de galpões logísticos cai a 7,1% e confirma força do setor" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315760">do setor</a>. A concentração <a href="https://gazetamercantil.com/resultado-eleicoes-2024" title="Resultado Eleições 2024: Análise Completa e Impactos no Cenário Político Brasileiro" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315718">das vendas em um grande</a> comprador também exige cautela estratégica.</p>
<p>O clima é um <a href="https://gazetamercantil.com/fortuna-dos-mais-ricos-cresce" title="Fortunas dos Mais Ricos Disparam Enquanto Bilhões Enfrentam Decréscimo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315744">dos fatores mais</a> sensíveis. Secas, <a href="https://gazetamercantil.com/voce-esta-segurando-seu-telefone-de-forma-errada-confira-dicas-para-evitar-problemas8d11bc456ed90780d6f7afc6c4d389292tfc2exp-html" title="Como o Uso Excessivo de Smartphones Afeta sua Saúde Física e Como Minimizar os Riscos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315759">excesso de</a> chuvas ou eventos extremos podem afetar produtividade, qualidade dos grãos e ritmo de colheita. <a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-agronegocio-brasileiro-recorde-soja-carne-china" title="Agro brasileiro bate recorde de US$ 16,6 bilhões em exportações com soja e carne bovina" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315746">Como a soja</a> depende de janelas específicas de plantio e desenvolvimento, qualquer desvio relevante pode impactar a oferta.</p>
<p>Outro ponto de atenção está na infraestrutura. Embora o Brasil tenha avançado, o aumento dos volumes <a href="https://gazetamercantil.com/empresas-afetadas-tarifas-trump-credito-bndes-plano-brasil-soberano" title="Empresas afetadas por tarifas de Trump já podem pedir crédito ao BNDES; veja regras" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315719">exportados exige investimentos</a> contínuos para evitar gargalos. A competitividade internacional depende não apenas da produção no campo, mas também da capacidade de <a href="https://gazetamercantil.com/declaracao-anual-do-mei-dasn-simei" title="Declaração Anual do MEI (DASN-SIMEI): prazo final é 31 de maio; saiba como entregar sem erros" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315757">entregar a soja ao comprador final com</a> eficiência, previsibilidade e custo adequado.</p>
<h2>Perspectiva para 2026 segue positiva</h2>
<p>A perspectiva para as <strong>exportações de soja</strong> brasileiras em 2026 permanece positiva. O volume embarcado nos primeiros meses do ano, a força da demanda chinesa e a estimativa de vendas externas próximas de 110 milhões de toneladas indicam um ciclo favorável para o agronegócio nacional.</p>
<p>Esse ambiente tende a beneficiar produtores, cooperativas, tradings, <a href="https://gazetamercantil.com/ambar-energia-compra-termeletricas-bolognesi-setor-eletrico" title="Âmbar Energia amplia aposta da J&amp;F no setor elétrico com compra de termelétricas da Bolognesi" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315728">empresas de</a> logística e fundos expostos ao setor, como o SNAG11. A combinação <a href="https://gazetamercantil.com/pequenos-negocios-criaram-80-dos-empregos-formais-em-julho" title="Micro e Pequenas Empresas Impulsionam a Geração de Empregos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315713">de</a> safra volumosa, mercado externo aquecido e melhora na geração de caixa dos agentes do campo cria um cenário de sustentação para investimentos e expansão.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a manutenção da liderança brasileira dependerá da capacidade de enfrentar gargalos estruturais, preservar a sanidade das lavouras, <a href="https://gazetamercantil.com/bolsas-europeias-hoje-ameaca-donald-trump-uniao-europeia-tarifas" title="Bolsas Europeias Hoje: Queda Generalizada Com Ameaças de Tarifas e Crise Global" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315723">ampliar eficiência logística e diversificar mercados</a> compradores. O Brasil já ocupa posição de destaque, mas a consolidação dessa liderança exige planejamento, investimento e <a href="https://gazetamercantil.com/banco-master-crise-2026-impactos-trabalhadores-clientes" title="Crise do Banco Master atinge 1,4 mil funcionários e 1,6 milhão de clientes; entenda os impactos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315708">gestão de risco</a>.</p>
<h2>Brasil consolida protagonismo na soja global</h2>
<p>O avanço das <strong>exportações de soja</strong> em 2026 reforça o papel do Brasil como potência agrícola global. Com embarques superiores aos registrados no ano anterior, forte presença no mercado chinês e projeção robusta para o fechamento do ano, o país confirma sua <a href="https://gazetamercantil.com/brasil-nova-ordem-global-seguranca-energetica-minerais-criticos" title="Brasil pode ganhar relevância na nova ordem global, mas precisa acelerar estratégia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315727">relevância estratégica no abastecimento mundial de alimentos</a> e insumos.</p>
<p>Para o agronegócio, o momento representa oportunidade de fortalecimento financeiro, expansão de infraestrutura e consolidação de ganhos tecnológicos. Para investidores, o ciclo favorável da soja amplia a atenção sobre Fiagros e ativos conectados à cadeia produtiva.</p>
<p>O desempenho brasileiro mostra que a soja continua sendo um dos motores <a href="https://gazetamercantil.com/azul-cai-assai-lidera-ganhos-boatos-de-fusao" title="Ibovespa: Azul teve 18% de queda, enquanto Assai lidera ganhos com boatos sobre fusão" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315720">mais importantes da economia</a> nacional. Em um cenário <a href="https://gazetamercantil.com/samsung-imposto-heranca-sucessao-lee-jae-yong" title="Samsung conclui imposto bilionário em meio a sucessão marcada por prisão, disputa familiar e poder global" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="315754">global marcado por</a> competição, demanda crescente e necessidade de segurança alimentar, as <strong>exportações de soja</strong> seguem como vetor central da presença do Brasil no comércio internacional.<code class="language-html"><br />
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		<title>Minerva (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) caem com veto da UE à carne brasileira</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/veto-ue-carne-brasileira-minerva-jbs-mbrf-impactos-acoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 16:59:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A decisão da União Europeia de barrar importações de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil a partir de 3 de setembro pressionou, nesta segunda-feira (8), as ações de frigoríficos brasileiros na B3 e reacendeu a preocupação de investidores com margens, realocação de volumes e exposição das companhias ao mercado europeu. Na avaliação da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="255" data-end="844">A decisão da União Europeia de barrar importações de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil a partir de 3 de setembro pressionou, nesta segunda-feira (8), as ações de frigoríficos brasileiros na B3 e reacendeu a preocupação de investidores com margens, realocação de volumes e exposição das companhias ao mercado europeu. Na avaliação da Genial Investimentos, o veto da UE à carne brasileira deve ter impacto desigual sobre Minerva (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3), com efeitos mais relevantes sobre rentabilidade por tonelada do que sobre a receita consolidada das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313933">empresas</a>.</p>
<p data-start="846" data-end="1188">Por volta das 11h06, as ações da MBRF (MBRF3) recuavam 3,24%, enquanto Minerva (BEEF3) caía 2,45% e JBS (JBSS32) tinha baixa de 2,48%. O movimento refletia a reação inicial do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313936">mercado</a> à confirmação da restrição europeia, ainda que analistas avaliem que a exposição direta das companhias ao bloco seja limitada em relação ao faturamento total.</p>
<p data-start="1190" data-end="1453">Segundo dados do Agrostat citados pela Genial, a União Europeia foi o terceiro principal destino da carne brasileira em valor em 2025, com movimentação de US$ 1,8 bilhão. Desse total, US$ 1,1 bilhão correspondeu à carne bovina e US$ 762 milhões à carne de frango.</p>
<p data-start="1455" data-end="1768">Apesar do peso do bloco como mercado premium, o volume financeiro representa uma parcela relativamente pequena da receita consolidada dos grandes frigoríficos. A JBS (JBSS32), por exemplo, registrou faturamento de US$ 88 bilhões nos últimos 12 meses, o que reduz a dimensão do impacto direto em termos de receita.</p>
<h2 data-section-id="19434vo" data-start="1770" data-end="1827">Mercado europeu pesa mais nas margens do que no volume</h2>
<p data-start="1829" data-end="2209">O principal ponto de atenção para os frigoríficos não está apenas no volume exportado para a União Europeia, mas no perfil dos produtos vendidos e nas margens praticadas no bloco. A Europa costuma ser tratada como um <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330895">mercado de maior valor agregado para</a> proteínas brasileiras, especialmente por concentrar compras com padrões sanitários, cortes específicos e preços mais elevados.</p>
<p data-start="2211" data-end="2513">A perda de acesso a esse mercado, ainda que parcial e com prazo para entrada em vigor, pode obrigar empresas brasileiras a redirecionar volumes para destinos menos rentáveis. Esse movimento tende a reduzir a margem por tonelada, mesmo quando as companhias conseguem preservar parte do volume exportado.</p>
<p data-start="2515" data-end="2795">Na leitura da Genial, o efeito deve ser analisado de acordo com a origem da produção. O veto anunciado pela União Europeia vale para produtos do Brasil. Em contrapartida, exportações originadas de Argentina, Uruguai e Paraguai seguem habilitadas e podem absorver parte da demanda.</p>
<p data-start="2797" data-end="3098">Esse detalhe altera a avaliação de risco entre as empresas. Companhias com operação mais diversificada na América do Sul ou produção relevante fora do Brasil tendem a ter maior capacidade de realocar embarques. Já empresas com maior concentração de produção brasileira ficam mais expostas à restrição.</p>
<p data-start="3100" data-end="3385">O analista Luca Vello, da Genial, afirmou que o ponto decisivo é a parcela de origem brasileira, já que o veto não atinge outros países do Mercosul. Segundo ele, produtos que saem de Argentina, Uruguai e Paraguai continuam habilitados e podem absorver parte dos volumes redirecionados.</p>
<h2 data-section-id="1sn9yew" data-start="3387" data-end="3456">Minerva (BEEF3) aparece como mais protegida pela operação regional</h2>
<p data-start="3458" data-end="3735">Mesmo sendo mais concentrada em carne bovina, a Minerva (BEEF3) é vista pela Genial como a companhia mais protegida entre os frigoríficos analisados. A avaliação considera a plataforma regional da empresa, que reúne operações no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Colômbia.</p>
<p data-start="3737" data-end="4087">A presença em diferentes países da América do Sul dá à Minerva (BEEF3) maior flexibilidade para reorganizar parte dos embarques. Como o veto europeu atinge apenas produtos brasileiros, plantas localizadas em países vizinhos podem ser utilizadas para atender parte da demanda europeia, desde que cumpram os requisitos sanitários e comerciais do bloco.</p>
<p data-start="4089" data-end="4365">Segundo a corretora, a parcela diretamente afetada representa cerca de 3,4% da receita bruta acumulada pela Minerva (BEEF3) nos últimos 12 meses. Outros 2% a 3% das vendas para a União Europeia têm origem em Argentina, Uruguai e Paraguai, ficando fora do alcance da restrição.</p>
<p data-start="4367" data-end="4648">Essa configuração reduz o risco de perda integral do mercado europeu para a companhia. Ainda assim, a Genial ressalta que a União Europeia é um destino premium, o que mantém pressão sobre margens caso parte da produção brasileira precise ser deslocada para mercados de menor valor.</p>
<p data-start="4650" data-end="4913">O contraponto para a Minerva (BEEF3) é a concentração em carne bovina. Diferentemente de concorrentes mais diversificados, a empresa não conta com outra proteína de peso para compensar eventual perda de rentabilidade na carne bovina brasileira destinada à Europa.</p>
<h2 data-section-id="g3rg5i" data-start="4915" data-end="4976">JBS (JBSS32) tem proteção maior pela diversificação global</h2>
<p data-start="4978" data-end="5193">A JBS (JBSS32) é avaliada como menos vulnerável em razão de sua diversificação geográfica. Embora o Brasil responda por 26% da receita por consumo, apenas 12% da produção da companhia está no País, segundo a Genial.</p>
<p data-start="5195" data-end="5519">A empresa tem cerca de metade do faturamento originado nos Estados Unidos e também mantém produção dentro da própria Europa, por meio de operações como Moy Park e Vivera. Essa estrutura internacional permite maior flexibilidade para atender mercados diferentes e reduzir a dependência de exportações brasileiras específicas.</p>
<p data-start="5521" data-end="5813">No caso da JBS (JBSS32), o impacto do veto se restringe às exportações de carne bovina da JBS Brasil e aos embarques de frango e processados da Seara destinados ao continente europeu. A maior parte das exportações brasileiras da companhia tem como destino mercados da Ásia e do Oriente Médio.</p>
<p data-start="5815" data-end="6083">A Genial estima exposição equivalente a cerca de 1% da receita consolidada da JBS (JBSS32), em uma faixa de 0,5% a 1,5%. A corretora também destaca a elevada capacidade de realocação da companhia por meio da Austrália, dos Estados Unidos e da produção local na Europa.</p>
<p data-start="6085" data-end="6383">Essa diversificação tende a reduzir o impacto financeiro direto, mas não elimina riscos pontuais. A perda de acesso de produtos brasileiros a um mercado premium pode afetar margens em linhas específicas, especialmente se a realocação ocorrer para destinos com preços inferiores ou maior competição.</p>
<h2 data-section-id="oanc60" data-start="6385" data-end="6447">MBRF (MBRF3) enfrenta risco dividido entre bovinos e frango</h2>
<p data-start="6449" data-end="6711">Para MBRF (MBRF3), a avaliação da Genial aponta risco dividido entre os <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313934">negócios</a> de carne bovina e frango. A operação Beef América do Norte, baseada nos Estados Unidos, não é afetada pela medida europeia. A exposição se concentra em Beef América do Sul e na BRF.</p>
<p data-start="6713" data-end="6964">Somadas, as exportações brasileiras destinadas à União Europeia representam cerca de 2,5% da receita consolidada da MBRF (MBRF3), o equivalente a R$ 1,3 bilhão por trimestre. Desse total, aproximadamente 1% está ligado à carne bovina e 1,5% ao frango.</p>
<p data-start="6966" data-end="7237">A diferença central está na capacidade de redirecionamento dos volumes. Na carne bovina, a produção pode migrar para plantas no Uruguai e na Argentina, países que continuam habilitados para exportar ao bloco europeu. Esse caminho permite alguma flexibilidade operacional.</p>
<p data-start="7239" data-end="7533">No frango, o cenário é mais desafiador. A BRF concentra o abate de aves no Brasil e não possui estrutura equivalente habilitada no Mercosul para atender a demanda europeia na mesma escala. Isso aumenta a sensibilidade da companhia à restrição, especialmente em produtos de maior valor agregado.</p>
<p data-start="7535" data-end="7871">A Genial lembra que a reabertura dos mercados da União Europeia e da China para o frango foi um dos principais motores do resultado internacional da BRF no primeiro trimestre de 2026. Com o veto, parte desse ganho tende a ser revertida, ainda que o impacto total dependa da capacidade de redirecionamento e das negociações até setembro.</p>
<h2 data-section-id="1otjea4" data-start="7873" data-end="7941">Janela até setembro permite negociações e realocação de embarques</h2>
<p data-start="7943" data-end="8195">A restrição europeia entra em vigor em 3 de setembro, o que cria uma janela para negociações diplomáticas, ajustes comerciais e reorganização de embarques. Esse prazo é relevante para empresas e governo tentarem reduzir o impacto operacional da medida.</p>
<p data-start="8197" data-end="8472">Do ponto de vista das companhias, os próximos meses serão decisivos para renegociar contratos, buscar mercados alternativos e direcionar produção para plantas localizadas fora do Brasil quando possível. A velocidade desse ajuste pode determinar a extensão da perda de margem.</p>
<p data-start="8474" data-end="8814">Para o governo brasileiro, o veto cria uma agenda de negociação com a União Europeia em torno de exigências sanitárias, rastreabilidade, habilitação de plantas e eventuais adequações regulatórias. O setor de proteína animal tem peso relevante na balança comercial e costuma reagir rapidamente a mudanças de acesso a mercados internacionais.</p>
<p data-start="8816" data-end="9102">A restrição também ocorre em um ambiente externo mais sensível para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313935">agronegócio</a> brasileiro. Exportadores de carnes já lidam com volatilidade cambial, custos logísticos, competição internacional e mudanças de demanda em mercados estratégicos como China, Oriente Médio e Estados Unidos.</p>
<p data-start="9104" data-end="9363">Mesmo quando o impacto direto sobre receita é limitado, barreiras em mercados premium podem alterar a precificação de ativos na Bolsa. Investidores tendem a antecipar riscos de margem, revisões de estimativas e eventuais pressões sobre resultados trimestrais.</p>
<h2 data-section-id="x13ugc" data-start="9365" data-end="9431">Ações de frigoríficos reagem ao risco de perda de rentabilidade</h2>
<p data-start="9433" data-end="9754">A queda das ações de Minerva (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) mostra que o mercado passou a incorporar o risco de perda de rentabilidade em exportações para a União Europeia. A reação foi mais intensa em MBRF (MBRF3), justamente a companhia que, segundo a Genial, enfrenta maior desafio no redirecionamento de frango.</p>
<p data-start="9756" data-end="10084">Para investidores, o efeito mais relevante pode aparecer na margem operacional das unidades expostas, e não necessariamente em uma queda proporcional da receita consolidada. O mercado europeu compra produtos com maior valor agregado, e a substituição por destinos alternativos pode exigir descontos ou mudanças no mix de vendas.</p>
<p data-start="10086" data-end="10363">A JBS (JBSS32) tende a se beneficiar de sua escala global e produção diversificada. A Minerva (BEEF3), por sua vez, conta com presença regional forte na América do Sul. Já MBRF (MBRF3) enfrenta uma equação mais complexa no frango, diante da concentração da produção brasileira.</p>
<p data-start="10365" data-end="10700">O veto da UE à carne brasileira também reforça a importância da diversificação geográfica no setor de proteínas. Companhias <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="333345">com plantas em diferentes países</a> conseguem responder melhor a barreiras comerciais localizadas, enquanto empresas mais concentradas ficam mais expostas a decisões sanitárias ou políticas de mercados específicos.</p>
<h2 data-section-id="16wvhgx" data-start="10702" data-end="10767">Veto da UE coloca margens dos frigoríficos no centro do pregão</h2>
<p data-start="10769" data-end="11158">A decisão da União Europeia amplia a pressão sobre frigoríficos brasileiros em um momento em que investidores já monitoram custos, demanda externa e recuperação de margens no setor de proteína animal. Embora a exposição direta à Europa represente parcela limitada da receita consolidada das empresas, o peso do bloco como mercado premium torna o impacto mais sensível para a rentabilidade.</p>
<p data-start="11160" data-end="11559">Minerva (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) chegam à janela até setembro com desafios diferentes. A Minerva (BEEF3) tem proteção regional, mas é mais concentrada em carne bovina. A JBS (JBSS32) conta com diversificação global e produção em outros mercados. A MBRF (MBRF3) enfrenta maior dificuldade no frango, segmento em que a capacidade de substituição por plantas fora do Brasil é mais restrita.</p>
<p data-start="11561" data-end="11909">Para o mercado, o ponto central será acompanhar se as empresas conseguirão realocar volumes sem perda relevante de margem e se negociações diplomáticas poderão reduzir ou reverter parte da restrição antes da entrada em vigor. Até lá, o veto da UE à carne brasileira tende a permanecer <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330896">como fator de volatilidade para as ações</a> de frigoríficos na B3.</p>
<p data-start="11911" data-end="12097">
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		<title>Etanol na mira dos EUA pode abrir negociação comercial com o Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/etanol-eua-brasil-tarifas-investigacao-comercial</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 00:40:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inclusão do etanol na investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil reacendeu uma disputa antiga sobre tarifas, acesso a mercado e competitividade entre os dois maiores produtores globais do biocombustível. O tema ganhou força depois que Washington passou a questionar a alíquota de 18% aplicada pelo Brasil ao etanol de milho norte-americano, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="292" data-end="850">A inclusão do <strong data-start="306" data-end="316">etanol</strong> na investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil reacendeu uma disputa antiga sobre tarifas, acesso a mercado e competitividade entre os dois maiores produtores globais do biocombustível. O tema ganhou força depois que Washington passou a questionar a alíquota de 18% aplicada pelo Brasil ao etanol de milho norte-americano, enquanto o etanol de cana brasileiro entra no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313120">mercado</a> dos EUA com tarifa de 2,5%, em um cenário que pode abrir espaço para uma nova rodada de negociação comercial entre os dois países.</p>
<p data-start="852" data-end="1200">A avaliação foi feita por Sérgio Araújo, <a href="https://gazetamercantil.com/metais-ouro-fechamento-23-08-2024" title="Ouro fecha em alta após indicação de corte de juros pelo Fed" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313189">presidente executivo da Associação Brasileira dos</a> Importadores de Combustíveis, a Abicom, ao Times Brasil. Segundo ele, a presença do etanol na investigação norte-americana está mais ligada à pressão <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política | Diario de Pernambuco" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322750">política</a> de produtores dos Estados Unidos do que a uma ameaça imediata ao setor sucroenergético brasileiro.</p>
<p data-start="1202" data-end="1470">“Existe de fato um desequilíbrio nessa relação comercial”, afirmou Araújo. <a href="https://gazetamercantil.com/brb-capitalizacao-risco-colapso" title="BRB capitalização: executivo alerta para risco de colapso do banco sem aprovação" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313206">Para o executivo</a>, o presidente norte-americano Donald Trump usa o tema para sinalizar apoio a produtores de etanol de milho, segmento com peso econômico e político relevante nos Estados Unidos.</p>
<p data-start="1472" data-end="1818">A disputa ocorre em meio à <a href="https://gazetamercantil.com/americanas-amer3-isider-trading" title="CVM Acusa Ex-Executivos da Americanas  (AMER3) de Insider Trading em Escândalo Bilionário" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313190">investigação aberta por Washington contra</a> práticas comerciais brasileiras, com base na Seção 301 da legislação dos EUA. O instrumento permite ao governo norte-americano adotar medidas de retaliação quando entende que políticas de outro país prejudicam <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313118">empresas</a>, exportadores ou interesses comerciais dos Estados Unidos.</p>
<h2 data-section-id="1tfzepo" data-start="1820" data-end="1878">Tarifa de 18% está no centro da pressão norte-americana</h2>
<p data-start="1880" data-end="2180">O ponto central da reclamação dos Estados Unidos é a diferença entre as tarifas aplicadas pelos dois países. Hoje, o etanol de milho produzido nos EUA enfrenta uma alíquota de importação de 18% <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330880">para entrar no mercado</a> brasileiro. Já o etanol de cana exportado pelo Brasil aos Estados Unidos paga 2,5%.</p>
<p data-start="2182" data-end="2401">Na leitura de Washington, essa assimetria reduz a competitividade do produto norte-americano no Brasil e limita o acesso dos produtores dos EUA a um dos maiores mercados consumidores de combustíveis renováveis do mundo.</p>
<p data-start="2403" data-end="2658"><a href="https://gazetamercantil.com/reforma-da-oms-plano-trump-saida-eua-saude-global" title="Reforma da OMS: Trump Propõe Mudanças Radicais e Nomeação de um Norte-Americano para o Comando" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313212">Para os produtores norte-americanos</a>, o Brasil é um mercado estratégico por causa da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina. A demanda brasileira por biocombustíveis é estrutural e deriva de uma política energética consolidada ao longo de décadas.</p>
<p data-start="2660" data-end="2988">O etanol americano, produzido majoritariamente a partir do milho, já teve <a href="https://gazetamercantil.com/xp-inc-adquire-participacao-minoritaria-relevante-na-manchester-investimentos" title="XP Inc. Adquire Participação Minoritária na Manchester Investimentos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313194">participação mais relevante</a> no abastecimento brasileiro. Esse fluxo ocorria principalmente em períodos de entressafra da cana-de-açúcar nas regiões Sul e Sudeste, quando a oferta doméstica ficava mais apertada e a importação podia complementar o mercado.</p>
<p data-start="2990" data-end="3195">Segundo Araújo, esse produto chegava ao Brasil com custo competitivo em momentos de maior necessidade de oferta. O aumento tarifário, no entanto, reduziu a atratividade econômica do etanol norte-americano.</p>
<h2 data-section-id="1b3xb4h" data-start="3197" data-end="3250">Disputa tem componente político nos Estados Unidos</h2>
<p data-start="3252" data-end="3487">A pressão sobre o etanol não pode ser analisada apenas pela ótica comercial. Nos Estados Unidos, o setor de etanol de milho tem forte influência política, especialmente em estados agrícolas relevantes <a href="https://gazetamercantil.com/inflacao-alemanha-2025" title="Inflação na Alemanha Atinge 2,1%: Entenda o Que Isso Significa para a Economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313195">para a base</a> eleitoral republicana.</p>
<p data-start="3489" data-end="3760">Produtores rurais, usinas de milho e entidades ligadas ao <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313119">agronegócio</a> norte-americano têm interesse em ampliar mercados externos para o biocombustível. O Brasil, por sua escala de consumo e por sua política de mistura obrigatória à gasolina, aparece <a href="https://gazetamercantil.com/petrobras-assina-contrato-de-r-67-bilhoes-de-compra-e-venda-de-gas-natural-com-copergas" title="Petrobras assina contrato de R$ 6,7 bilhões de compra e venda de gás natural com Copergás" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313215">como destino natural</a>.</p>
<p data-start="3762" data-end="4098">Na análise da <a class="wpil_keyword_link" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="313122">Gazeta Mercantil</a>, a inclusão do etanol na investigação contra o Brasil também funciona como sinal político interno nos Estados Unidos. Ao cobrar maior <a href="https://gazetamercantil.com/abertura-de-mercado-cautela-externa-prevalece" title="Mercados globais caminham para primeira perda semanal em quatro semanas com tensão no Oriente Médio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313193">abertura do mercado</a> brasileiro, Trump atende a uma pauta sensível para produtores agrícolas norte-americanos, ao mesmo tempo em que reforça sua agenda de defesa comercial.</p>
<p data-start="4100" data-end="4403">A discussão ocorre em um <a href="https://gazetamercantil.com/evolucao-da-energia-solar-causa-impacto-positivo-na-economia-e-no-meio-ambiente" title="Energia Solar Fotovoltaica: Investimentos e Impactos no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313199">ambiente mais amplo de tensão entre Brasília</a> e Washington. A investigação norte-americana não se limita ao etanol. O <a href="https://gazetamercantil.com/dolar-recua-de-olho-em-eleicao-nos-eua-e-china-antes-de-relatorio-fiscal" title="Dólar Opera em Baixa com Desistência de Biden e Corte de Juros na China" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313183">relatório dos EUA também aborda temas como</a> Pix, propriedade intelectual, plataformas digitais, patentes, combate à pirataria, meio ambiente e decisões judiciais.</p>
<p data-start="4405" data-end="4602">Ainda assim, o etanol tem peso próprio porque envolve uma cadeia com forte presença nos dois países e uma relação comercial que combina competição, complementaridade e disputa <a href="https://gazetamercantil.com/bolsas-europeias-em-alta-06-02" title="Bolsas europeias operam em leve alta impulsionadas por resultados positivos e sinais de estímulos na China" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313200">por acesso a mercado</a>.</p>
<h2 data-section-id="qcbt38" data-start="4604" data-end="4660">Brasil ficou menos dependente da importação de etanol</h2>
<p data-start="4662" data-end="4886">Apesar da pressão dos EUA, o <a href="https://gazetamercantil.com/impactos-das-mudancas-na-gestao-fiscal-sobre-os-negocios-no-brasil" title="Desafios e mudanças: O cenário empresarial e econômico do Brasil em 2024" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313185">impacto direto sobre o setor brasileiro</a> tende a ser limitado no curto prazo. Isso ocorre porque o Brasil ampliou sua capacidade interna de produção, especialmente com o avanço do etanol de milho.</p>
<p data-start="4888" data-end="5120"><a href="https://gazetamercantil.com/segunda-empresa-mais-pagou-dividendos" title="Vale é a segunda maior pagadora de dividendos da B3 nos últimos três anos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313209">Nos últimos anos</a>, o país deixou de depender exclusivamente da cana-de-açúcar para expandir a oferta de etanol. A produção a partir do milho ganhou espaço no Centro-Oeste e começa a avançar para outras regiões, como Bahia e Maranhão.</p>
<p data-start="5122" data-end="5356">Esse <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje-bolsa-de-valores-economia-vale3" title="Ibovespa Hoje: Desemprego em Queda, Balanço da Vale e Expectativas com o Fed Movimentam o Mercado" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313207">movimento altera a dinâmica do mercado</a>. Se antes a importação do etanol norte-americano era importante para complementar a oferta em determinados períodos, a expansão da <a href="https://gazetamercantil.com/savetan-jbs-couros-reduz-agua-energia-residuos-curtimento" title="Savetan: JBS Couros acelera tecnologia que reduz água e energia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313196">produção doméstica reduz</a> a necessidade de compras externas.</p>
<p data-start="5358" data-end="5653">Araújo destacou que novas unidades de produção de etanol de milho no Brasil diminuem gradualmente a dependência de importações. A tendência é <a href="https://gazetamercantil.com/destaques-mercado-financeiro-hoje" title="Destaques do Mercado Financeiro: Tudo o Que Você Precisa Saber Hoje (24/01)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313181">que o país se torne</a> mais autossuficiente nessa frente, com capacidade de atender parte maior da demanda interna mesmo fora dos picos de produção da cana.</p>
<p data-start="5655" data-end="5884">Esse <a href="https://gazetamercantil.com/negociacoes-de-dolar-avancam-em-novembro-2023" title="Impulsionado pela Alta Temporada e Dólar Favorável, Volume de Operações com o Dólar Cresce 20% em Novembro" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313191">avanço também fortalece a posição brasileira em</a> eventual negociação. Um país menos dependente da importação tem maior margem para discutir tarifas, cotas e condições comerciais sem <a href="https://gazetamercantil.com/volume-mananciais-de-sao-paulo" title="Volume dos mananciais de São Paulo cai para 31,7% e pressiona abastecimento" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313213">pressionar imediatamente seu abastecimento</a>.</p>
<h2 data-section-id="ccy5xb" data-start="5886" data-end="5937">Mercado interno absorve 95% da produção nacional</h2>
<p data-start="5939" data-end="6115">Outro fator que reduz a vulnerabilidade do <a href="https://gazetamercantil.com/setores-economia-bombar-2024" title="Perspectivas de Investimento em 2024: Tecnologia e Consumo Doméstico Lideram Recuperação" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313180">setor brasileiro</a> é o peso do mercado doméstico. Segundo Araújo, cerca de 95% da produção nacional de etanol é consumida internamente.</p>
<p data-start="6117" data-end="6447">Esse dado é relevante porque mostra que o setor sucroenergético brasileiro não depende majoritariamente das exportações aos Estados Unidos para sustentar sua operação. O consumo interno é o principal destino da produção, impulsionado pela frota flex, pela mistura obrigatória à gasolina e pela demanda por combustíveis renováveis.</p>
<p data-start="6449" data-end="6700">Em 2025, o Brasil importou aproximadamente 320 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos e exportou cerca de 380 milhões de litros de etanol de cana para o mercado norte-americano. Em volume, os fluxos comerciais foram relativamente equilibrados.</p>
<p data-start="6702" data-end="6907">Essa <a href="https://gazetamercantil.com/caso-master-toffoli-devolve-processo-tanure-justica-sp" title="Caso Master: Toffoli Devolve Processo de Tanure à Justiça de SP por Falta de Conexão" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313186">relação mostra que a disputa não</a> envolve uma dependência unilateral. Brasil e Estados Unidos compram e vendem etanol entre si, ainda <a href="https://gazetamercantil.com/do-sub-17-ao-profissional" title="Do sub-17 ao profissional: como a base antecipa o que veremos nas próximas rodadas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313210">que com bases</a> produtivas diferentes e regimes tarifários distintos.</p>
<p data-start="6909" data-end="7136">O Brasil tem vantagem histórica no etanol de cana, enquanto os Estados Unidos lideram a produção de etanol de milho. As duas cadeias competem, mas também <a href="https://gazetamercantil.com/quanto-investir-para-seu-filho-ter-r-100-mil-aos-18-anos" title="Investindo no futuro: como a previdência complementar pode garantir um futuro financeiro estável para seus filhos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313211">podem se complementar</a> em momentos específicos de oferta, preço e demanda.</p>
<h2 data-section-id="18yf59l" data-start="7138" data-end="7193">Etanol de milho dos EUA abastece mistura da gasolina</h2>
<p data-start="7195" data-end="7420">O etanol de milho importado dos Estados Unidos pode ser utilizado normalmente na cadeia de combustíveis brasileira. Segundo Araújo, o produto funciona de forma semelhante ao etanol anidro produzido a partir da cana-de-açúcar.</p>
<p data-start="7422" data-end="7609">O etanol anidro é destinado à mistura obrigatória na gasolina vendida ao consumidor. Atualmente, a gasolina comercializada nos postos contém 70% de gasolina fóssil e 30% de etanol anidro.</p>
<p data-start="7611" data-end="7830">Essa proporção pode ser atendida tanto por etanol de cana quanto por etanol de milho. O consumidor final não compra o etanol de milho norte-americano como combustível puro, mas ele pode entrar na composição da gasolina.</p>
<p data-start="7832" data-end="8124">A distinção é importante para entender o impacto da tarifa. Quando o etanol importado perde competitividade, o efeito aparece na composição de custos da cadeia de combustíveis e na disponibilidade de oferta para mistura, e <a href="https://gazetamercantil.com/braskem-reitera-que-nao-conduz-negociacoes-com-novonor-e-petrobras-sobre-venda-da-companhia-ghtml" title="Braskem busca esclarecimentos e Petrobras avança em processo de auditoria" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313187">não necessariamente em um produto vendido</a> isoladamente ao consumidor.</p>
<p data-start="8126" data-end="8324">Em períodos de menor produção doméstica, a importação pode ajudar a equilibrar o mercado. Com a tarifa de 18%, porém, o produto norte-americano se torna menos competitivo frente à produção nacional.</p>
<h2 data-section-id="17h4ffm" data-start="8326" data-end="8380">Negociação pode envolver tarifas e acesso a mercado</h2>
<p data-start="8382" data-end="8677">A presença do etanol na investigação norte-americana pode abrir caminho para uma negociação comercial mais ampla entre Brasil e Estados Unidos. O <a href="https://gazetamercantil.com/pagamento-bolsa-familia-2026-regras-calendario" title="Pagamento do Bolsa Família em 2026: regras, calendário e quem tem direito ao benefício" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313184">tema pode ser tratado em conjunto com</a> outras pautas de interesse bilateral, incluindo tarifas, biocombustíveis, sustentabilidade e cadeias agrícolas.</p>
<p data-start="8679" data-end="8968">Araújo avalia <a href="https://gazetamercantil.com/taxa-selic-guia-completo-juros-investimentos" title="Taxa Selic: O que é e como impacta seus investimentos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313179">que</a> a situação também pode ser vista como oportunidade para colocar o problema na mesa e discutir soluções. A diferença tarifária é real, mas o impacto concreto depende da evolução da investigação, da posição do <a href="https://gazetamercantil.com/fabrica-de-chips-na-lua-rapidus-japao-semicondutores-2-nanometros" title="Fábrica de chips na Lua: plano do Japão com a Rapidus eleva disputa global por semicondutores" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313188">governo brasileiro e da disposição de</a> Washington para negociar.</p>
<p data-start="8970" data-end="9147">Uma eventual negociação poderia abordar <a href="https://gazetamercantil.com/trump-reduz-tarifas-alimentos" title="Trump reduz tarifas e tenta conter alta dos alimentos nos EUA" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313178">redução de tarifas</a>, criação de cotas, regras de reciprocidade ou acordos específicos para períodos de maior necessidade de abastecimento.</p>
<p data-start="9149" data-end="9441">Para o Brasil, qualquer mudança precisaria levar em conta os interesses dos produtores nacionais de etanol, tanto de cana quanto de milho. A abertura maior ao produto norte-americano pode pressionar <a href="https://gazetamercantil.com/google-indica-momento-compra-passagens-aereas" title="Ferramenta do Google indica melhor preço para comprar passagens aéreas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313197">preços internos em alguns momentos</a>, mas também pode ampliar a flexibilidade de abastecimento.</p>
<p data-start="9443" data-end="9597">Para os Estados Unidos, o objetivo seria recuperar competitividade no mercado brasileiro e atender a uma demanda antiga dos produtores de etanol de milho.</p>
<h2 data-section-id="a3clsa" data-start="9599" data-end="9652">Setor sucroenergético acompanha riscos com cautela</h2>
<p data-start="9654" data-end="9886">Embora o risco imediato pareça limitado, o <a href="https://gazetamercantil.com/servios-tm-menor-dinamismo-no-2-semestre-com-agro-concentrado-no-primeiro-diz-ibge-ghtml" title="Setor de serviços apresenta menor dinamismo no segundo semestre do ano, indica IBGE" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313198">setor brasileiro tende a acompanhar o tema</a> com cautela. A investigação comercial dos EUA pode gerar desdobramentos tarifários mais amplos e afetar setores diferentes da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="322751">economia</a> brasileira.</p>
<p data-start="9888" data-end="10084">No caso do etanol, o ponto de atenção é saber se a reclamação norte-americana resultará apenas em pressão diplomática ou se será usada <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje tomba com nova tarifa dos EUA contra Brasil e dólar a R$ 5,05" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313177">como base para medidas concretas contra produtos brasileiros</a>.</p>
<p data-start="10086" data-end="10347"><a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-recorde-historico-2025" title="Ibovespa dispara: veja por que a bolsa brasileira vive seu melhor momento" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313203">Até o momento</a>, as propostas norte-americanas seguem em fase de consulta pública e dependem de decisões posteriores das autoridades dos Estados Unidos. <a href="https://gazetamercantil.com/milho-cai-na-b3-com-dolar-abaixo-de-5-e-negocios-travados-no-brasil" title="Milho cai na B3 com dólar abaixo de R$ 5, porto pressionado e negócios travados no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313192">Esse calendário dá tempo para manifestações de empresas, associações e representantes dos</a> governos envolvidos.</p>
<p data-start="10349" data-end="10526">Para o Brasil, será importante demonstrar <a href="https://gazetamercantil.com/rand253506-5" title="Os ETFs que mais renderam em fevereiro: descubra as melhores oportunidades de investimento" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313202">que sua política tarifária tem fundamentos econômicos</a> e setoriais, além de defender a relevância da cadeia nacional de biocombustíveis.</p>
<p data-start="10528" data-end="10807">O setor sucroenergético também poderá argumentar que o mercado brasileiro é aberto a importações, embora sujeito a tarifas, e que o crescimento do etanol de milho doméstico reflete investimento produtivo local, não necessariamente restrição <a href="https://gazetamercantil.com/inteligencia-artificial-lucro-produtividade-investimentos-economia" title="Inteligência artificial entra na fase do retorno: agora a disputa é por lucro" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313204">artificial ao produto</a> norte-americano.</p>
<h2 data-section-id="yvnlex" data-start="10809" data-end="10863">Avanço do etanol de milho muda equilíbrio no Brasil</h2>
<p data-start="10865" data-end="11078">A expansão do etanol de milho no Brasil é um dos fatores mais relevantes para entender a nova fase do mercado. O país, tradicionalmente associado ao etanol de cana, passou a desenvolver uma segunda base produtiva.</p>
<p data-start="11080" data-end="11268">Esse avanço tem impacto estratégico. A produção de etanol de milho pode complementar a oferta durante a entressafra da cana, <a href="https://gazetamercantil.com/petrobras-alta-de-048-na-gasolina-cai-para-004-com-desconto" title="Petrobras anuncia alta de R$ 0,48, mas desconto federal reduz aumento para R$ 0,04; entenda" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313214">reduzir oscilações regionais e aumentar</a> a segurança energética.</p>
<p data-start="11270" data-end="11458">A interiorização de plantas industriais também movimenta economias regionais, amplia a demanda por milho e cria novas cadeias de valor ligadas a coprodutos, logística e <a href="https://gazetamercantil.com/ambar-energia-compra-termeletricas-bolognesi-setor-eletrico" title="Âmbar Energia amplia aposta da J&amp;F no setor elétrico com compra de termelétricas da Bolognesi" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313176">geração de energia</a>.</p>
<p data-start="11460" data-end="11734"><a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-futuro-plano-petrobras-desemprego" title="Ibovespa futuro sobe com plano da Petrobras e desemprego em queda" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313182">Com unidades avançando para novos</a> estados, o Brasil reduz sua exposição à importação e fortalece sua capacidade de atender o consumo interno. Essa mudança tende a pesar nas negociações com os Estados Unidos, porque altera o argumento de necessidade de abastecimento externo.</p>
<p data-start="11736" data-end="12020">Ao mesmo tempo, o crescimento do etanol de milho brasileiro coloca o país em competição mais direta com os produtores norte-americanos. A disputa deixa de ser apenas entre etanol de cana brasileiro e etanol de milho dos EUA, passando a envolver também produtores brasileiros de milho.</p>
<h2 data-section-id="1dufh8c" data-start="12022" data-end="12081">Biocombustível vira peça da disputa comercial Brasil-EUA</h2>
<p data-start="12083" data-end="12314">A discussão sobre etanol mostra como biocombustíveis passaram a ocupar espaço relevante nas disputas comerciais internacionais. O tema envolve energia, agricultura, clima, indústria, segurança de abastecimento e política tarifária.</p>
<p data-start="12316" data-end="12553">Brasil e Estados Unidos têm interesses comuns na defesa <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="327973">dos biocombustíveis como</a> alternativa de menor emissão em relação aos combustíveis fósseis. <a href="https://gazetamercantil.com/por-que-ha-empresarios-desanimados-com-economia-brasileira" title="Economia brasileira mostra sinais de recuperação, mas popularidade de Lula continua baixa" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313201">Mas também competem por</a> mercados, tecnologia, padrões regulatórios e vantagens comerciais.</p>
<p data-start="12555" data-end="12746">A investigação norte-americana coloca essa tensão em evidência. O etanol aparece como pauta setorial, mas também como parte de uma agenda maior de pressão dos <a href="https://gazetamercantil.com/apoio-trump-flavio-bolsonaro-lula-2026" title="Apoio de Trump a Flávio Bolsonaro pode favorecer Lula, revela pesquisa Quaest" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313175">EUA sobre políticas brasileiras</a>.</p>
<p data-start="12748" data-end="12996"><a href="https://gazetamercantil.com/governo-ainda-estuda-incentivo-para-linha-branca-diz-alckmin-ghtml" title="Governo ainda estuda incentivo para linha branca, diz Alckmin" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313205">Para o governo</a> brasileiro, o desafio será evitar que a discussão tarifária comprometa a competitividade da cadeia nacional. Para Washington, a meta é ampliar espaço para seus produtores e reduzir o que considera uma assimetria no acesso ao mercado.</p>
<p data-start="12998" data-end="13257">A disputa ainda está em fase inicial e os impactos concretos dependem das próximas decisões dos Estados Unidos. Por enquanto, a inclusão do etanol na investigação aumenta a pressão sobre Brasília, mas também abre uma janela de negociação entre os dois <a href="https://gazetamercantil.com/fmi-brasil-turbulencia-global-projecoes-2026" title="FMI Brasil: país está preparado para crise global, mas dívida preocupa e exige reformas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="313208">países</a>.</p>
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		<title>Produção de açúcar e etanol dispara no Centro-Sul e supera projeções do mercado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/producao-acucar-etanol-centro-sul-safra-recorde-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 15:50:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil registrou forte aceleração na segunda quinzena de abril e reforçou as projeções de uma safra robusta para o setor sucroenergético em 2026/27. Dados divulgados nesta quarta-feira (27) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que as usinas processaram 40,06 milhões de toneladas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="280" data-end="744">A produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil registrou forte aceleração na segunda quinzena de abril e reforçou as projeções de uma safra robusta para o setor sucroenergético em 2026/27. Dados divulgados nesta quarta-feira (27) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que <a href="https://gazetamercantil.com/milhoes-de-trabalhadores-no-mundo-saem-as-ruas-contra-o-genocidio-do-povo-palestino" title="Milhões de Trabalhadores de Todo o Mundo se Manifestam em Solidariedade ao Povo Palestino Contra Genocídio de Israel" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310637">as</a> usinas processaram 40,06 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no período, volume 123,12% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.</p>
<p data-start="746" data-end="1066">O <a href="https://gazetamercantil.com/moedas-globais-dolar-avanca-cautela-mercado" title="Dólar se valoriza em meio à cautela global: Iene e Euro enfrentam quedas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310624">avanço da moagem impulsionou</a> a produção tanto de açúcar quanto de etanol. A fabricação do adoçante atingiu 1,80 milhão de toneladas na quinzena, <a href="https://gazetamercantil.com/volume-de-servicos-brasil-dezembro-2025-pms" title="Volume de serviços no Brasil recua em dezembro, mas mantém crescimento anual de 2,8%" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310648">crescimento de 109,5% na comparação anual</a>. Já a produção total de etanol, incluindo o combustível produzido a partir do milho, <a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-de-minas-gerais-2025" title="Exportações de Minas Gerais somam US$ 17,9 bilhões em 2025 e garantem superávit recorde" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310650">somou 2,04 bilhões</a> de litros, alta de 105,85%.</p>
<p data-start="1068" data-end="1348">Os números superaram as expectativas do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="310556">mercado</a> e reforçaram a percepção de melhora operacional do setor neste início de safra. Analistas consultados <a href="https://gazetamercantil.com/brb-registra-prejuizo-primeiro-semestre" title="Banco de Brasília (BRB) registra prejuízo de R$ 43,7 milhões no primeiro semestre de 2023 após ajustes contábeis" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310635">pela S&amp;P Global Energy projetavam moagem de</a> 36,3 milhões de toneladas e produção de açúcar de 1,48 milhão de toneladas no período.</p>
<p data-start="1350" data-end="1615">O desempenho também ocorre em meio à melhora da produtividade agrícola, <a href="https://gazetamercantil.com/petroleo-fechamento-13-08-2024" title="Petróleo: Queda nos preços após revisão da AIE e aumento das tensões no Oriente Médio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310612">avanço da qualidade da cana e aumento</a> da competitividade do etanol nas bombas, cenário que vem estimulando as usinas a ampliar a destinação da matéria-prima para a fabricação do biocombustível.</p>
<h2 data-section-id="1a83g0o" data-start="1617" data-end="1669">Etanol ganha espaço no mix de produção das usinas</h2>
<p data-start="1671" data-end="1891">Apesar do crescimento expressivo da produção de açúcar, o setor sucroenergético intensificou a estratégia de priorização do etanol diante do cenário mais favorável de rentabilidade do biocombustível no mercado doméstico.</p>
<p data-start="1893" data-end="2066">Segundo a Unica, 59,66% da cana processada na segunda quinzena de abril foi direcionada à produção de etanol, acima dos 54,31% registrados no mesmo <a href="https://gazetamercantil.com/biden-pede-aos-americanos-para-baixarem-temperatura-e-diz-que-eua-passam-por-periodo-de-teste-htmlutm_sourcenewsshowcaseutm_mediumgnewsutm_campaigncdaqeagakgcicjcw0_8kmm3c-qiwwawjawutm_content-2" title="Biden Apela à Calma em Discurso Após Tentativa de Assassinato de Trump" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310627">período da safra passada</a>.</p>
<p data-start="2068" data-end="2190">A mudança reflete principalmente a maior competitividade do etanol hidratado frente à <a href="https://gazetamercantil.com/alta-petroleo-ipca-selic-itau-bba" title="Alta do petróleo pode pressionar IPCA e travar cortes da Selic, diz Itaú BBA" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310622">gasolina nos postos de combustíveis</a>.</p>
<p data-start="2192" data-end="2373">De acordo com Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial, Regulação e Competitividade da Unica, a relação de preços segue amplamente favorável ao consumo do biocombustível.</p>
<p data-start="2375" data-end="2636">“A diferença relativa entre os <a href="https://gazetamercantil.com/preco-do-etanol-2026-alta-gasolina-compensa" title="Preço do etanol sobe em 2026 e perde vantagem frente à gasolina no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310617">preços do etanol hidratado e da gasolina</a> nos postos está em 64,5% na média do país, chegando a 61,7% no Estado de São Paulo. Essa condição oferece uma opção efetiva de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="310706">economia</a> e descarbonização ao consumidor brasileiro”, afirmou.</p>
<p data-start="2638" data-end="2847">O cenário amplia as perspectivas para uma <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-futuro-hoje-vale-lula-trump-mercado" title="Ibovespa Futuro Opera Estável com Suporte da Vale e Expectativa de Encontro Lula-Trump" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310619">temporada recorde</a> de produção de etanol no Brasil, especialmente diante do crescimento da fabricação a partir do milho e da maior flexibilidade operacional das usinas.</p>
<h2 data-section-id="fj968e" data-start="2849" data-end="2906">Moagem supera projeções e reforça recuperação da safra</h2>
<p data-start="2908" data-end="3070">Os dados da segunda quinzena de abril reforçam a percepção de recuperação consistente da safra após um início marcado por expectativas mais cautelosas do mercado.</p>
<p data-start="3072" data-end="3255">A moagem acima das projeções foi impulsionada tanto <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-estavel-petrobras-ambev" title="Ibovespa Estável com Apoio da Petrobras; Ações da Ambev Sobem pelo Quarto Dia Consecutivo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310632">pela retomada mais intensa das operações</a> industriais quanto pela melhora das condições agrícolas em importantes regiões produtoras.</p>
<p data-start="3257" data-end="3459">Segundo a Unica, 38 unidades produtoras reiniciaram as atividades na segunda metade de abril, <a href="https://gazetamercantil.com/imposto-reduzido-para-remedios-elevara-aliquota-total-diz-haddad" title="Imposto reduzido para remédios elevará alíquota total, diz Haddad" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310642">elevando para 238 o número total</a> de usinas em operação no Centro-Sul, incluindo unidades de etanol de milho.</p>
<p data-start="3461" data-end="3709">Além do avanço operacional, o setor registrou <a href="https://gazetamercantil.com/10-cidades-melhor-qualidade-de-vida-no-brasil" title="As 10 cidades com melhor qualidade de vida no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310645">melhora relevante na qualidade</a> da matéria-prima. O Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que mede a quantidade de sacarose extraída da cana, cresceu 6,34% <a href="https://gazetamercantil.com/producao-industrial-brasileira-cresce-2024" title="Produção Industrial Brasileira Cresce 3,1% em 2024 Mesmo com Queda no Final do Ano" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310644">em relação à mesma quinzena do</a> ano passado.</p>
<p data-start="3711" data-end="3824">A combinação entre maior moagem e melhora do ATR <a href="https://gazetamercantil.com/savetan-jbs-couros-reduz-agua-energia-residuos-curtimento" title="Savetan: JBS Couros acelera tecnologia que reduz água e energia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310626">elevou a eficiência</a> industrial das usinas neste início de safra.</p>
<p data-start="3826" data-end="4040">Analistas do s<a href="https://gazetamercantil.com/taxa-selic-guia-completo-juros-investimentos" title="Taxa Selic: O que é e como impacta seus investimentos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310621">e</a>tor observam que as condições climáticas mais favoráveis e a recuperação parcial da produtividade agrícola ajudaram a sustentar o avanço operacional após os impactos registrados em ciclos anteriores.</p>
<h2 data-section-id="11xmhy5" data-start="4042" data-end="4105">Produção acumulada mostra forte crescimento na safra 2026/27</h2>
<p data-start="4107" data-end="4225">No acumulado da safra 2026/27, <a href="https://gazetamercantil.com/petroleo-petrobras-petr3-petr4-domina-marco-e-inicia-abril-sob-volatilidade" title="Petróleo domina março, impulsiona Petrobras (PETR3; PETR4) e inicia abril sob volatilidade" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310649">iniciada oficialmente em abril</a>, o desempenho do setor também mostra expansão acelerada.</p>
<p data-start="4227" data-end="4353">Até 1º de maio, a moagem de cana no Centro-Sul <a href="https://gazetamercantil.com/safra-soja-brasil-178-milhoes-2025" title="Safra de soja do Brasil deve alcançar 178,1 milhões de toneladas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310647">alcançou 60,46 milhões de toneladas</a>, crescimento de 74,58% na comparação anual.</p>
<p data-start="4355" data-end="4441">A produção total de etanol chegou a 3,29 bilhões de litros no período, alta de 71,84%.</p>
<p data-start="4443" data-end="4696">Desse total, 2,30 bilhões de litros correspondem ao etanol hidratado, utilizado diretamente nos veículos flex, com crescimento de 59,47%. Já a produção de etanol anidro, misturado à gasolina, <a href="https://gazetamercantil.com/contratos-do-exercito-com-empresas-investigadas" title="Contratos do Exército com empresas investigadas somam milhões e levantam suspeitas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310646">somou 982,88 milhões</a> de litros, avanço expressivo de 110,07%.</p>
<p data-start="4698" data-end="4830">A produção acumulada de açúcar <a href="https://gazetamercantil.com/fintech-wise-atinge-marca-de-2-milhes-de-cartes-emitidos-no-brasil" title="Fintech Wise alcança marco histórico com 2 milhões de cartões emitidos no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310630">atingiu 2,47 milhões</a> de toneladas, aumento de 55,24% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior.</p>
<p data-start="4832" data-end="5090">Os números consolidam a percepção de que o setor iniciou a temporada em ritmo significativamente mais forte do que em 2025, impulsionado por melhores condições agrícolas, <a href="https://gazetamercantil.com/danone-aposta-em-maior-demanda-por-produtos-de-nutricao-medica" title="Danone Investe em Nutrição Médica para Enfrentar Desafios do Envelhecimento Populacional" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310610">maior eficiência industrial e demanda</a> doméstica resiliente por combustíveis renováveis.</p>
<h2 data-section-id="1202o10" data-start="5092" data-end="5158">Mercado acompanha impacto sobre preços internacionais do açúcar</h2>
<p data-start="5160" data-end="5287">O avanço da produção brasileira também ocorre em um momento de forte atenção do <a href="https://gazetamercantil.com/apoio-a-produtores-de-arroz-governo-70-milhoes-pepro-pep-conab" title="Apoio a produtores de arroz: governo libera R$ 70 milhões via Pepro e PEP para estabilizar mercado" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310613">mercado internacional de commodities agrícolas</a>.</p>
<p data-start="5289" data-end="5453">O <a href="https://gazetamercantil.com/crescimento-exportacoes-ovos-carne-frango-2025" title="Exportações de Ovos e Carne de Frango do Brasil: Crescimento Exorbitante em Março de 2025" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310614">Brasil ocupa posição central no mercado global</a> de açúcar e etanol, sendo o maior exportador mundial do adoçante e um dos principais produtores de biocombustíveis.</p>
<p data-start="5455" data-end="5636">O <a href="https://gazetamercantil.com/swile-brasil-expansao-r-600-milhoes-regulacao-vale-refeicao" title="Swile Brasil acelera expansão, mira liderança global até 2030 e aposta em nova regulação do vale-refeição" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310638">crescimento da moagem e</a> da produção no Centro-Sul tende a aumentar a oferta global de açúcar, fator acompanhado de perto por traders, usinas, fundos e importadores internacionais.</p>
<p data-start="5638" data-end="5799">Ao mesmo tempo, a maior destinação da cana <a href="https://gazetamercantil.com/comissao-adia-analise-pec-anistia" title="Comissão Especial Adia Análise da PEC da Anistia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310623">para o etanol reduz parte</a> do potencial de expansão da oferta de açúcar, ajudando a equilibrar o mercado internacional.</p>
<p data-start="5801" data-end="5998">Nos últimos meses, os preços globais do açúcar vinham sendo influenciados por preocupações envolvendo oferta na Índia, condições climáticas em grandes produtores e oscilações no <a href="https://gazetamercantil.com/preco-do-petroleo-cai-eua-ira-encontro-oma" title="Preço do petróleo cai com diálogo EUA-Irã e foco em Omã" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310609">mercado de energia</a>.</p>
<p data-start="6000" data-end="6195">Especialistas avaliam <a href="https://gazetamercantil.com/usiminas-usim5-participacao-acoes-jpmorgan" title="Usiminas (USIM5) diz que participação do JP Morgan não supera 5% das ações" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310640">que a estratégia das</a> usinas brasileiras continuará fortemente condicionada à relação entre preços internacionais do açúcar, petróleo, gasolina e etanol no mercado doméstico.</p>
<p data-start="6197" data-end="6352">Como o setor possui elevada flexibilidade industrial, parte relevante da produção <a href="https://gazetamercantil.com/raizen-raiz4-cosan-venda-participacao-reestruturacao" title="Cosan pode vender participação na Raízen (RAIZ4) após reestruturação, diz CEO" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310618">pode migrar entre açúcar e etanol</a> conforme as condições de rentabilidade.</p>
<h2 data-section-id="2vc1if" data-start="6354" data-end="6413">Etanol de milho amplia transformação estrutural do setor</h2>
<p data-start="6415" data-end="6530">Um dos movimentos <a href="https://gazetamercantil.com/quais-estados-do-brasil-produzem-mais-energia-solar" title="Energia Solar: Os Melhores Estados para Investir e Economizar na Conta de Luz" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310629">mais</a> relevantes da atual safra é o crescimento contínuo da produção de etanol de milho no Brasil.</p>
<p data-start="6532" data-end="6717">Embora o Centro-Sul siga amplamente dominado pela cana-de-açúcar, o avanço das usinas flex e da produção baseada em milho vem alterando gradualmente a dinâmica do <a href="https://gazetamercantil.com/raizen-raiz4-queda-moagem-cana-trimestre-analise" title="Raízen (RAIZ4): Moagem de cana despenca 23% no trimestre e produção de açúcar recua" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310616">setor sucroenergético</a>.</p>
<p data-start="6719" data-end="6919">O modelo ganhou força principalmente em estados do Centro-Oeste, impulsionado pela ampla disponibilidade de milho, <a href="https://gazetamercantil.com/ipo-da-compass-detalhes-oferta-bilionaria-cosan-b3" title="IPO da Compass pode movimentar bilhões; veja quanto a oferta pode chegar – Times Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310608">investimentos em infraestrutura</a> e crescimento da demanda por combustíveis renováveis.</p>
<p data-start="6921" data-end="7082">A expansão da produção de <a href="https://gazetamercantil.com/xp-investimentos-sao-martinho-reduz-preco-alvo-smto3" title="XP Investimentos reduz preço-alvo da São Martinho (SMTO3) e prevê queda mesmo após desvalorização de 55%" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310607">etanol de milho ajuda a reduzir</a> a sazonalidade tradicional do setor, já que as usinas podem operar durante períodos mais longos do ano.</p>
<p data-start="7084" data-end="7236">Além disso, o crescimento desse segmento fortalece a estratégia brasileira de <a href="https://gazetamercantil.com/energia-solar-em-minas-gerais-expansao-matriz-energetica" title="Minas Gerais lidera ampliação da matriz energética brasileira em 2024" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310641">ampliação da matriz energética</a> renovável e redução de emissões de carbono.</p>
<p data-start="7238" data-end="7381">Investidores acompanham o movimento com atenção diante do aumento dos investimentos <a href="https://gazetamercantil.com/jalles-machado-jalls3-debentures-biocombustivel" title="Jalles Machado (JALLS3) emite 400 mil debêntures com isenção de IR e foco em energia sustentável" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310631">em biocombustíveis</a>, transição energética e descarbonização.</p>
<p data-start="7383" data-end="7528"><a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="310558">Empresas</a> ligadas ao setor sucroenergético também vêm ampliando projetos voltados à cogeração de energia, biogás, biometano e créditos de carbono.</p>
<h2 data-section-id="1kljb8c" data-start="7530" data-end="7593">Competitividade do biocombustível sustenta demanda doméstica</h2>
<p data-start="7595" data-end="7701">A forte competitividade do etanol <a href="https://gazetamercantil.com/bitcoin-etfs-btc-criptomoeda-mercado" title="Bitcoin atinge US$ 73 mil antes de recuar, enquanto ETFs impulsionam fluxo de capital" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310625">segue sendo um dos</a> principais fatores de sustentação do consumo interno.</p>
<p data-start="7703" data-end="7849">Segundo dados da Unica, o volume diário comercializado pelas usinas <a href="https://gazetamercantil.com/agenda-do-dia-servicos-devem-ter-avancado-02percent-em-fevereiro-estimam-economistas-ghtml" title="Volume de serviços no Brasil projetam pequeno avanço em fevereiro" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310639">em abril avançou</a> 15,26% em relação a março, totalizando 1,75 bilhão de litros.</p>
<p data-start="7851" data-end="8018">A relação de preços entre etanol hidratado e gasolina continua favorecendo o biocombustível em importantes mercados consumidores, <a href="https://gazetamercantil.com/mega-sena-hoje-concurso-3009-premio-especial-300-milhoes" title="Mega-Sena hoje: concurso 3009 antecede prêmio especial de R$ 300 milhões" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310615">especialmente no Estado de São Paulo</a>.</p>
<p data-start="8020" data-end="8170">Além da vantagem econômica ao consumidor, o etanol também <a href="https://gazetamercantil.com/trajetoria-da-selic-banco-central-2026-inflacao-juros" title="Trajetória da Selic Banco Central: BC mantém estratégia mesmo com guerra e inflação em alta" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310643">mantém protagonismo na estratégia</a> brasileira de redução de emissões no setor de transportes.</p>
<p data-start="8172" data-end="8413">Especialistas avaliam que o ambiente atual combina fatores positivos para o segmento: preços competitivos, maior eficiência industrial, aumento da produção e <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-tem-o-menor-nmero-de-empresas-listadas-em-tres-anos" title="Seca de IPOs e desempenho fraco do Ibovespa afastam investidores da B3" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310620">crescimento estrutural da demanda por combustíveis de</a> menor intensidade de carbono.</p>
<p data-start="8415" data-end="8606">Ao mesmo tempo, o setor segue monitorando riscos ligados ao clima, volatilidade das commodities, oscilações do <a href="https://gazetamercantil.com/governo-zerar-pis-cofins-diesel-guerra-ira" title="Governo zera PIS e Cofins do diesel para conter alta causada pela guerra no Irã" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310628">petróleo e possíveis mudanças regulatórias envolvendo combustíveis</a> e tributação.</p>
<h2 data-section-id="z3xf9t" data-start="8608" data-end="8671">Safra forte reforça protagonismo do Brasil no mercado global</h2>
<p data-start="8673" data-end="8892">O desempenho robusto da safra 2026/27 reforça o protagonismo do <a href="https://gazetamercantil.com/projecao-queda-inflacao-2024" title="Projeções indicam leve queda na inflação brasileira para este ano" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310611">Brasil no mercado</a> internacional de açúcar e etanol em um momento de crescente atenção global sobre segurança energética e transição para fontes renováveis.</p>
<p data-start="8894" data-end="9082">O avanço da moagem no Centro-Sul aumenta a expectativa de <a href="https://gazetamercantil.com/destaques-mercado-financeiro-hoje" title="Destaques do Mercado Financeiro: Tudo o Que Você Precisa Saber Hoje (24/01)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310636">que o país</a> mantenha posição estratégica tanto no fornecimento global de açúcar quanto na expansão da indústria de biocombustíveis.</p>
<p data-start="9084" data-end="9262">A combinação entre produtividade agrícola, flexibilidade industrial e grande capacidade exportadora mantém o setor sucroenergético brasileiro entre os <a href="https://gazetamercantil.com/fortuna-dos-mais-ricos-cresce" title="Fortunas dos Mais Ricos Disparam Enquanto Bilhões Enfrentam Decréscimo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310633">mais competitivos do mundo</a>.</p>
<p data-start="9264" data-end="9458">Com usinas ampliando a produção, maior competitividade do etanol e crescimento do segmento de milho, o setor inicia a <a href="https://gazetamercantil.com/mec-escuta-2-milhoes-adolescentes-nova-politica" title="Adolescentes Querem Mais Esportes e Tecnologia nas Escolas, Aponta Semana da Escuta das Adolescências" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310634">nova safra em ambiente mais</a> favorável do que o observado nos últimos ciclos.</p>
<p data-start="9460" data-end="9643">O desempenho também fortalece as perspectivas de geração de receita, investimentos e expansão operacional das companhias ligadas ao <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="310557">agronegócio</a> e aos biocombustíveis ao longo de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Agro brasileiro bate recorde de US$ 16,6 bilhões em exportações com soja e carne bovina</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/exportacoes-agronegocio-brasileiro-recorde-soja-carne-china</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 21:39:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[exportações do agronegócio brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Viana]]></category>
		<category><![CDATA[safra de soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As exportações do agronegócio brasileiro bateram recorde em abril ao alcançar US$ 16,650 bilhões, impulsionadas pelo forte embarque de soja, pelo avanço das vendas de carne bovina e pela demanda chinesa em meio às disputas comerciais entre Estados Unidos e China. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (25), reforça o peso do agro na balança comercial [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="223" data-end="790">As <strong data-start="226" data-end="267">exportações do agronegócio brasileiro</strong> bateram recorde em abril ao alcançar US$ 16,650 bilhões, impulsionadas pelo forte embarque de soja, pelo avanço das vendas de carne bovina e pela demanda chinesa em meio às disputas comerciais entre Estados Unidos e China. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (25), reforça o peso do agro na balança comercial do país e mostra como a supersafra nacional ampliou a capacidade do Brasil de atender o <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="309913">mercado</a> externo em um momento de reorganização das cadeias globais de alimentos.</p>
<p data-start="792" data-end="1139">O desempenho histórico foi sustentado principalmente pelo complexo soja, <a href="https://gazetamercantil.com/taxa-selic-guia-completo-juros-investimentos" title="Taxa Selic: O que é e como impacta seus investimentos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309936">que segue como</a> principal motor das vendas externas do campo brasileiro. A produção nacional estimada em 180 milhões de toneladas ampliou o excedente exportável e fortaleceu a posição do Brasil como fornecedor estratégico para a China, <a href="https://gazetamercantil.com/super-bowl-mais-lucrativo-do-mundo" title="Super Bowl movimenta bilhões em poucas horas e se consolida como o maior negócio do esporte mundial" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309979">maior compradora mundial</a> da oleaginosa.</p>
<p data-start="1141" data-end="1386">A carne bovina também ganhou relevância no <a href="https://gazetamercantil.com/aumento-empregos-32-por-cento" title="Brasil cria 240 mil empregos formais em abril de 2024: melhor resultado para o mês desde 2020" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310068">resultado de abril</a>. A aceleração das compras por parte de importadores chineses, interessados em garantir espaço dentro das <a href="https://gazetamercantil.com/alckmin-guerra-tarifaria-cotas-importacao" title="Alckmin descarta guerra tarifária com os EUA e aposta em cotas para equilíbrio comercial" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309931">cotas de importação</a>, ajudou a elevar o ritmo dos embarques de proteína animal.</p>
<p data-start="1388" data-end="1722">O economista Gabriel Viana, especialista nos <a href="https://gazetamercantil.com/exportacao-de-soja-brasileira-china-2025" title="Exportação de soja brasileira dispara com guerra comercial EUA-China e liderança no mercado chinês" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309943">mercados de soja</a> e biodiesel, afirmou que o desempenho das exportações reflete a combinação entre oferta elevada no Brasil e demanda internacional aquecida. Segundo ele, o cenário externo continua favorecendo o produto brasileiro, sobretudo pela <a href="https://gazetamercantil.com/minerio-de-ferro-queda-preco-guerra-comercial" title="Minério de Ferro: Queda nos Preços com Tensão Comercial entre EUA e China" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309968">tensão comercial entre</a> Washington e Pequim.</p>
<h2 data-section-id="1hwd3h5" data-start="1724" data-end="1775">Soja brasileira ganha força com demanda da China</h2>
<p data-start="1777" data-end="2032">A soja foi o principal destaque das <strong data-start="1813" data-end="1854">exportações do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="309928">agronegócio</a> brasileiro</strong> em abril. O volume embarcado foi favorecido pela colheita robusta e pela procura firme da China, que continua direcionando parte relevante de <a href="https://gazetamercantil.com/gpa-pcar3-venda-acoes-casino-cencosud" title="Grupo Pão de Açúcar Nega Venda de Ações para Rede Chilena Cencosud" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309962">suas compras para</a> a América do Sul.</p>
<p data-start="2034" data-end="2416">A guerra comercial entre <a href="https://gazetamercantil.com/lula-trump-reuniao-prevista-quinta-eua-tarifas-eleicao-2026" title="Lula e Trump têm reunião prevista para quinta nos EUA sobre tarifas e eleição de 2026" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310056">Estados Unidos e China</a> tem sido decisiva para esse movimento. Quando as <a href="https://gazetamercantil.com/tarifa-35-produtos-canadenses-eua-comercio" title="Tarifa de 35% sobre produtos canadenses acende alerta nas relações comerciais entre EUA e Canadá" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309967">relações comerciais entre</a> os dois países se deterioram, compradores chineses tendem a reduzir a exposição à soja norte-americana e a buscar fornecedores alternativos. O Brasil, pela escala de produção e pela capacidade de entrega, tornou-se o principal beneficiário desse deslocamento.</p>
<p data-start="2418" data-end="2738">Gabriel Viana explicou que esse padrão já havia sido observado na temporada anterior e voltou a aparecer <a href="https://gazetamercantil.com/vai-faltar-acao-para-comprar-brasil-2026-ibovespa" title="Vai faltar ação para comprar no Brasil em 2026: por que o Ibovespa pode entrar em novo ciclo de alta" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310072">no ciclo</a> atual. <a href="https://gazetamercantil.com/pib-brasileiro-estabilidade" title="Economistas Preveem Crescimento Moderado do PIB Brasileiro no Segundo Trimestre" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309965">Segundo o economista</a>, as compras chinesas deram sustentação às exportações brasileiras justamente porque a disputa tarifária tornou a soja dos Estados Unidos menos previsível para o mercado asiático.</p>
<p data-start="2740" data-end="3012">A China depende <a href="https://gazetamercantil.com/stf-da-30-dias-para-conclusao-de-acordos-de-leniencia-da-lava-jato" title="STF concede prazo adicional para renegociação dos acordos de leniência da Lava Jato" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310063">da soja importada para</a> abastecer sua indústria de ração animal, óleo vegetal e processamento de alimentos. Por isso, a <a href="https://gazetamercantil.com/dino-vai-se-reunir-com-lula-para-discutir-medidas-adicionais-para-segurana-pblica-no-rio-ghtml" title="Ministro Flávio Dino, se reunirá com o Lula para discutir medidas de segurança no Rio de Janeiro" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309971">segurança de</a> fornecimento é um fator central para os compradores chineses. Nesse contexto, o <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-ao-vivo-bolsa-dolar-juros-11-08-2025" title="Ibovespa ao Vivo: Bolsa, Dólar e Juros em Foco com Commodities e Geopolítica no Radar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309959">Brasil se consolida como</a> parceiro essencial.</p>
<p data-start="3014" data-end="3321">A vantagem brasileira também está associada ao calendário agrícola. Em abril, a safra nacional já permite <a href="https://gazetamercantil.com/danone-aposta-em-maior-demanda-por-produtos-de-nutricao-medica" title="Danone Investe em Nutrição Médica para Enfrentar Desafios do Envelhecimento Populacional" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309937">maior disponibilidade de produto para</a> exportação, enquanto outros grandes fornecedores globais operam em momentos diferentes de oferta. Esse fator sazonal <a href="https://gazetamercantil.com/moraes-pede-ajuda-dos-eua-paulo-figueiredo" title="Moraes pede ajuda dos EUA para intimar Paulo Figueiredo no processo do golpe" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310074">ajuda a explicar o salto dos</a> embarques no mês.</p>
<h2 data-section-id="9c9mlu" data-start="3323" data-end="3369">Supersafra amplia excedente para exportação</h2>
<p data-start="3371" data-end="3629">A estimativa de uma safra de 180 milhões de toneladas de soja foi determinante para o </strong><a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-do-agro-brasileiro-2025" title="Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde e geram superávit de US$ 149 bilhões" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310055">recorde das <strong data-start="3469" data-end="3510">exportações do agronegócio brasileiro</a>. <a href="https://gazetamercantil.com/crise-financeira-da-nissan" title="Crise financeira da Nissan tem redução de postos de trabalho e queda na produção como resposta" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309975">Com maior produção</a>, o país elevou o excedente destinado ao comércio exterior sem comprometer o abastecimento interno.</p>
<p data-start="3631" data-end="3923">Esse excedente dá ao <a href="https://gazetamercantil.com/projecao-queda-inflacao-2024" title="Projeções indicam leve queda na inflação brasileira para este ano" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309945">Brasil maior poder de negociação no mercado</a> internacional. Compradores globais, especialmente os chineses, buscam volume, regularidade e capacidade de entrega. A produção elevada permite que <a href="https://gazetamercantil.com/superavit-comercial-brasil-janeiro-2026" title="Superávit comercial Brasil cresce 86% em janeiro com forte desempenho do agronegócio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309934">exportadores brasileiros atendam grandes contratos em</a> períodos de forte demanda.</p>
<p data-start="3925" data-end="4177">O desempenho também <a href="https://gazetamercantil.com/crise-diplomatica-brasil-eua-declaracoes-itamaraty" title="Crise diplomática Brasil EUA: Itamaraty reage a declarações dos EUA e reforça soberania nacional" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310078">reforça a competitividade do produtor nacional</a>. Mesmo com gargalos logísticos, o país tem conseguido ampliar sua presença no comércio global de grãos, apoiado em escala, <a href="https://gazetamercantil.com/embrapa-apps-inteligencia-artificial-irrigacao-aquicultura" title="Embrapa lança aplicativos com inteligência artificial para irrigação e aquicultura" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309929">tecnologia no campo</a> e uma cadeia de originação já consolidada.</p>
<p data-start="4179" data-end="4412">A força da soja, no entanto, não elimina os <a href="https://gazetamercantil.com/riscos-da-harmonizacao-facial-ultrassom" title="Riscos ocultos da harmonização facial reacendem debate sobre segurança no setor estético" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310080">riscos do setor</a>. Oscilações climáticas, <a href="https://gazetamercantil.com/biometano-no-transporte-do-agronegocio-avanca-no-parana-e-pode-reduzir-frete" title="Biometano no transporte do agronegócio avança no Paraná e pode reduzir custo do frete em mais de 40%" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310069">custos de transporte</a>, volatilidade cambial, preço do petróleo e eventuais barreiras comerciais podem alterar rapidamente as margens dos exportadores.</p>
<p data-start="4414" data-end="4692">Ainda assim, o resultado de abril mostra que o Brasil segue em posição privilegiada no mercado agrícola global. Em um ambiente de disputas comerciais e incertezas geopolíticas, a capacidade de produzir e <a href="https://gazetamercantil.com/imposto-exportacao-petroleo-trf2-decisao-petroleiras-shell-equinor" title="Imposto de exportação de petróleo: Justiça autoriza volta da cobrança para grandes petroleiras" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309966">exportar alimentos em grande</a> escala se transforma em vantagem estratégica.</p>
<h2 data-section-id="6kq8gj" data-start="4694" data-end="4749">Carne bovina acelera embarques com corrida por cotas</h2>
<p data-start="4751" data-end="4996">Além da soja, a carne bovina teve papel relevante no </strong><a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-de-soja-brasil-crescem-200-janeiro-2026" title="Exportações de Soja Disparam 215% em Janeiro e Projetam Bimestre Recorde em 2026" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310058">recorde das <strong data-start="4816" data-end="4857">exportações do agronegócio brasileiro</a>. O s<a href="https://gazetamercantil.com/importacoes-de-calcados-brasil-2025" title="Importações de Calçados no Brasil Batem Recorde em 2025 e Preocupam a Indústria Nacional" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310062">e</a>tor foi impulsionado pela demanda da China e pela movimentação de importadores para garantir participação dentro das cotas de compra.</p>
<p data-start="4998" data-end="5302">Segundo Gabriel Viana, a dinâmica <a href="https://gazetamercantil.com/magazine-luiza-mglu3-acoes-investimento" title="Magazine Luiza (MGLU3) registra uma das maiores altas do Ibovespa em novembro, impulsionada por melhora no cenário macroeconômico" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309973">das carnes envolve uma</a> particularidade. Como há limite para a entrada de carne brasileira no mercado chinês, compradores <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-estavel-petrobras-ambev" title="Ibovespa Estável com Apoio da Petrobras; Ações da Ambev Sobem pelo Quarto Dia Consecutivo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309949">têm antecipado operações</a> para assegurar espaço nas cotas disponíveis. Esse comportamento acelera os embarques e <a href="https://gazetamercantil.com/fatn11-compra-predio-sp-retrofit-plug-and-play-2026" title="FATN11 compra prédio em São Paulo e aposta em retrofit plug and play para ampliar receitas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309977">amplia a receita</a> externa do segmento.</p>
<p data-start="5304" data-end="5580">A carne bovina brasileira mantém forte presença no comércio internacional por causa da escala do rebanho, da capacidade industrial <a href="https://gazetamercantil.com/milho-cai-na-b3-com-dolar-abaixo-de-5-e-negocios-travados-no-brasil" title="Milho cai na B3 com dólar abaixo de R$ 5, porto pressionado e negócios travados no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309930">dos frigoríficos e da competitividade de preços</a>. A China, por sua vez, continua sendo um dos principais destinos da proteína <a href="https://gazetamercantil.com/quais-estados-do-brasil-produzem-mais-energia-solar" title="Energia Solar: Os Melhores Estados para Investir e Economizar na Conta de Luz" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309948">produzida no Brasil</a>.</p>
<p data-start="5582" data-end="5833">O <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-futuro-bitcoin-100-mil" title="Ibovespa Futuro em Alta: Bitcoin Rompe US$ 100 Mil e Taxação de Dividendos no Radar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310059">avanço das carnes mostra que o recorde</a> de abril não ficou restrito ao complexo soja. A pauta exportadora do agronegócio brasileiro é diversificada e inclui grãos, proteínas, café, açúcar, celulose e outros <a href="https://gazetamercantil.com/donald-trump-critica-brasil-tarifas-comerciais-retaliacao" title="Donald Trump critica Brasil por tarifas altas e promete retaliação comercial" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310065">produtos de alto peso na balança comercial</a>.</p>
<p data-start="5835" data-end="6106">Para os frigoríficos e produtores, o aumento das exportações representa maior demanda externa e <a href="https://gazetamercantil.com/tensao-pl-apos-elogio-lula" title="Tensões Internas no PL: Bolsonaro Alerta para Possível Implosão Após Elogios a Lula" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309960">pode contribuir para</a> sustentar preços ao longo da cadeia. Ao mesmo tempo, a concentração de <a href="https://gazetamercantil.com/china-vendas-de-imveis-crescem-4-pontos-percentuais-em-maio-aps-medidas-de-apoio-estatal" title="Incorporadoras imobiliárias chinesas aumentam vendas em maio, mas ainda enfrentam desafios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310064">vendas para a China</a> exige atenção a mudanças regulatórias, sanitárias e comerciais.</p>
<h2 data-section-id="hnj9s4" data-start="6108" data-end="6152">Relação com a China é de interdependência</h2>
<p data-start="6154" data-end="6361">A forte participação chinesa nas <strong data-start="6187" data-end="6228">exportações do agronegócio brasileiro</strong> costuma <a href="https://gazetamercantil.com/recuperacao-extrajudicial-raizen-raiz4-impacto-cosan-csan3" title="Recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) derruba ações e levanta dúvidas sobre impacto na Cosan (CSAN3)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310070">levantar dúvidas sobre</a> dependência comercial. Para Gabriel Viana, porém, a relação deve <a href="https://gazetamercantil.com/pagamento-bolsa-familia-2026-regras-calendario" title="Pagamento do Bolsa Família em 2026: regras, calendário e quem tem direito ao benefício" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309946">ser vista como</a> uma interdependência.</p>
<p data-start="6363" data-end="6645">O <a href="https://gazetamercantil.com/comissao-adia-analise-pec-anistia" title="Comissão Especial Adia Análise da PEC da Anistia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310060">Brasil depende da China para</a> absorver grandes volumes de soja e carne. A China, por outro lado, também depende do Brasil <a href="https://gazetamercantil.com/regulamentacao-criptomoedas-sec-bitcoin-trump" title="Bitcoin e Criptomoedas Avançam com Força-Tarefa da SEC e Apoio de Trump" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309953">para garantir abastecimento regular</a> de alimentos e insumos agrícolas. Essa necessidade mútua <a href="https://gazetamercantil.com/anvisa-aprova-wegovy-ozempic-risco-cardiovascular" title="Anvisa aprova Wegovy e Ozempic para reduzir risco cardiovascular no Brasil" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309978">reduz o risco</a> de ruptura abrupta no comércio entre os dois países.</p>
<p data-start="6647" data-end="6936">Ainda assim, o cenário exige cautela. Eventuais <a href="https://gazetamercantil.com/bolsas-da-europa-fecham-em-alta-apos-otimismo" title="Bolsas da Europa fecham em alta com otimismo sobre balanços e expectativa de acordo entre EUA e China" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309932">acordos entre Xi Jinping</a> e Donald Trump podem alterar o fluxo de compras no segundo semestre. Se a China voltar a adquirir soja dos Estados Unidos em maior volume, o <a href="https://gazetamercantil.com/desmatamento-no-cerrado-mapbiomas-vegetacao" title="Desmatamento no Cerrado já destruiu quase metade da vegetação nativa em 40 anos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309951">Brasil poderá perder</a> participação relativa em alguns períodos da temporada.</p>
<p data-start="6938" data-end="7275">Esse risco <a href="https://gazetamercantil.com/braskem-reitera-que-nao-conduz-negociacoes-com-novonor-e-petrobras-sobre-venda-da-companhia-ghtml" title="Braskem busca esclarecimentos e Petrobras avança em processo de auditoria" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309954">não</a> significa necessariamente uma queda estrutural das vendas brasileiras. O <a href="https://gazetamercantil.com/gasolina-passa-de-r-6-por-litro-pela-primeira-vez-em-dez-meses-ghtml" title="Aumento do Preço da Gasolina no Brasil: Impactos e Perspectivas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310077">impacto dependerá de preços</a>, prêmios de exportação, disponibilidade de produto, custos logísticos e condições de entrega. Mesmo quando há acordo comercial, fatores operacionais <a href="https://gazetamercantil.com/stf-julga-os-limites-da-atuacao-e-subordinacao-das-forcas-armadas" title="STF julga limites da atuação das Forças Armadas e hierarquia em relação aos três poderes" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309970">podem limitar a velocidade de recomposição das</a> compras norte-americanas.</p>
<p data-start="7277" data-end="7499">Viana destacou <a href="https://gazetamercantil.com/tesouro-direto-atrativo-juros-altos-2026" title="Tesouro Direto segue atrativo com juros altos; veja o que pesa sobre as taxas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310075">que a logística também pesa</a> nessa equação. Mesmo que a China decida comprar mais soja dos Estados Unidos, atrasos de entrega e <a href="https://gazetamercantil.com/tarifas-de-trump-suprema-corte-us-175-bilhoes" title="Suprema Corte dos EUA pode anular tarifas de Trump e gerar US$ 175 bilhões em reembolsos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309963">custos de transporte podem</a> manter o Brasil competitivo em determinados momentos.</p>
<h2 data-section-id="9xvcg" data-start="7501" data-end="7560">Logística segue como desafio para manter competitividade</h2>
<p data-start="7562" data-end="7802">O recorde das <strong data-start="7576" data-end="7617">exportações <a href="https://gazetamercantil.com/camarote-do-carnaval-luxo-desfile-das-campeas" title="Camarote do Carnaval oferece luxo, atrações internacionais e ingressos para o Desfile das Campeãs" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310079">do</a> agronegócio brasileiro</strong> também chama atenção para os gargalos de infraestrutura. O crescimento da produção exige capacidade de armazenagem, transporte e escoamento compatível <a href="https://gazetamercantil.com/telefonica-vivo-expansao-fibra-optica" title="Telefônica Vivo Avalia Expansão com Aquisições de Redes de Fibra e Novos Serviços" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309976">com o ritmo de expansão</a> do campo.</p>
<p data-start="7804" data-end="8051">Rodovias sobrecarregadas, dependência de longas distâncias <a href="https://gazetamercantil.com/utm_sourcenewsshowcaseutm_mediumgnewsutm_campaigncdaqeagakgcicjcqq5elmlz6pqmwxvofawutm_contentrundowngaa_atggaa_nartj-u__84yehv1j8lo49xd0ahw8ghsy1avvp9cisuhcpadl-er2dl7ljydnjnah7jycmxaqwu9" title="Lula e Pacheco discutem MP PIS/Cofins: Decisão esperada para hoje" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309961">até os portos e</a> limitações em parte da malha ferroviária ainda elevam custos para produtores e exportadores. Esses fatores <a href="https://gazetamercantil.com/soja-em-chicago-alta-maxima-tres-meses-demanda-china" title="Soja em Chicago dispara com China no radar e pode redefinir o mercado global de grãos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309969">podem reduzir margens em um mercado global</a> altamente competitivo.</p>
<p data-start="8053" data-end="8280">O <a href="https://gazetamercantil.com/preco-do-diesel-no-brasil-nao-cai-com-queda-do-petroleo" title="Preço do diesel no Brasil não deve cair mesmo com queda do petróleo e reabertura de Ormuz" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309944">preço do petróleo</a> também influencia a conta. <a href="https://gazetamercantil.com/como-credito-privado-rival-bancos" title="O Crescimento e Desafios do Crédito Privado: Uma Análise Abrangente" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309939">Como o frete marítimo e</a> o transporte interno são sensíveis ao custo dos combustíveis, movimentos de alta podem encarecer a entrega e afetar a competitividade do produto brasileiro.</p>
<p data-start="8282" data-end="8584">A expansão de corredores logísticos, ferrovias, hidrovias, terminais portuários e estruturas de armazenagem é considerada essencial para sustentar o <a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-automoveis-brasil-2025" title="Exportações de Automóveis do Brasil Alcançam Maior Nível em 7 Anos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309933">crescimento das exportações nos próximos anos</a>. Sem avanços nessa agenda, parte da vantagem produtiva do <a href="https://gazetamercantil.com/processo-contra-jair-bolsonaro-stf-reus" title="STF abre processo contra Jair Bolsonaro: entenda a ação penal que pode levar o ex-presidente à prisão" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309938">Brasil pode ser corroída por</a> custos operacionais.</p>
<p data-start="8586" data-end="8823">Mesmo <a href="https://gazetamercantil.com/super-mei-limite-140-mil-aprovado" title="Senado aprova criação do Super MEI com limite de R$ 140 mil e novas regras para empreendedores" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310073">com essas limitações</a>, o país tem conseguido responder à demanda externa. O resultado de abril mostra <a href="https://gazetamercantil.com/uma-em-cada-dez-familias-brasileiras-enfrenta-inseguranca-alimentar" title="Pesquisa do IBGE revela que 7,4 milhões de famílias brasileiras sofrem com insegurança alimentar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309942">que a cadeia exportadora brasileira</a> mantém capacidade de operar em grande escala, ainda que com desafios relevantes no escoamento.</p>
<h2 data-section-id="1dnmy3o" data-start="8825" data-end="8879">Recorde reforça peso do agro na economia brasileira</h2>
<p data-start="8881" data-end="9152">O resultado de US$ 16,650 bilhões em abril confirma o papel central do agronegócio na <a class="wpil_keyword_link" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="309915">economia</a> brasileira. As <strong data-start="8991" data-end="9032">exportações do agronegócio brasileiro</strong> são uma das principais fontes de entrada de <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-futuro-hoje-queda-tarifas-eua-petrobras" title="Ibovespa futuro hoje recua com tensão sobre tarifas dos EUA e balanço da Petrobras" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310066">dólares no país e</a> contribuem diretamente para o saldo da balança comercial.</p>
<p data-start="9154" data-end="9417">A força do setor também <a href="https://gazetamercantil.com/padilha-nega-conflito-na-relacao-governo-congresso" title="Padilha nega conflito na relação entre governo e Congresso" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309950">tem efeitos sobre</a> renda, arrecadação, emprego e atividade econômica em regiões produtoras. Estados ligados à soja, ao milho, à pecuária e à agroindústria tendem a sentir de <a href="https://gazetamercantil.com/pequenos-negocios-criaram-80-dos-empregos-formais-em-julho" title="Micro e Pequenas Empresas Impulsionam a Geração de Empregos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309955">forma</a> mais intensa os impactos positivos do aumento dos embarques.</p>
<p data-start="9419" data-end="9688">Para o mercado, o desempenho do agro ajuda a equilibrar as <a href="https://gazetamercantil.com/brasil-fluxo-cambial-negativo-maio-banco-central" title="Brasil registra fluxo cambial negativo de US$ 1,4 bilhão em maio até dia 8" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309941">contas externas</a> e pode influenciar a dinâmica cambial. A entrada de divisas via <a href="https://gazetamercantil.com/amp-27" title="Missão de Inspeção Russa Reforça Exportações Brasileiras de Carne para a Rússia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309974">exportações tende a reforçar</a> a oferta de dólares, embora o câmbio também dependa de fatores financeiros, fiscais e internacionais.</p>
<p data-start="9690" data-end="9922">O recorde de abril ocorre em um momento <a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-petroleo-eua-recorde-estreito-ormuz" title="Exportações de petróleo dos EUA batem recorde com crise no Estreito de Ormuz" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309940">de elevada atenção ao comércio global</a>. Disputas tarifárias, tensões geopolíticas, mudanças climáticas e busca por <a href="https://gazetamercantil.com/apoio-a-produtores-de-arroz-governo-70-milhoes-pepro-pep-conab" title="Apoio a produtores de arroz: governo libera R$ 70 milhões via Pepro e PEP para estabilizar mercado" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309935">segurança alimentar têm ampliado a relevância de</a> grandes produtores agrícolas.</p>
<p data-start="9924" data-end="10276">Nesse ambiente, o Brasil aparece como um dos principais fornecedores globais <a href="https://gazetamercantil.com/ipc-s-sobe-066-segunda-quadrissemana-maio-2026" title="IPC-S sobe 0,66% em maio, com pressão de habitação e despesas diversas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309958">de alimentos</a>. A combinação entre escala produtiva, demanda chinesa e diversificação da pauta exportadora coloca o país em posição estratégica, mas também aumenta a necessidade de políticas voltadas à infraestrutura, sanidade, <a href="https://gazetamercantil.com/abertura-de-mercado-cautela-externa-prevalece" title="Mercados globais caminham para primeira perda semanal em quatro semanas com tensão no Oriente Médio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309956">abertura de mercados</a> e previsibilidade comercial.</p>
<h2 data-section-id="nt60st" data-start="10278" data-end="10343">Disputa entre EUA e China pode mudar fluxo no segundo semestre</h2>
<p data-start="10345" data-end="10631">O segundo semestre será decisivo para medir a <a href="https://gazetamercantil.com/exportacoes-do-agronegocio-janeiro-108-bilhoes-balanca-comercial" title="Exportações do agronegócio atingem US$ 10,8 bi em janeiro e sustentam superávit bilionário" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310057">sustentabilidade do ritmo das <strong data-start="10421" data-end="10462">exportações do agronegócio</a> brasileiro</strong>. O mercado acompanhará de perto as negociações entre Estados Unidos e China, a evolução <a href="https://gazetamercantil.com/natura-explora-venda-da-maior-parte-de-seus-negocios-internacionais-da-marca-avon" title="Natura Avalia Possibilidade de Venda de Parte dos Negócios Internacionais sob a Marca Avon" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310076">dos preços internacionais</a> e a capacidade de entrega dos principais fornecedores.</p>
<p data-start="10633" data-end="10861">Se Pequim ampliar compras de soja norte-americana, exportadores <a href="https://gazetamercantil.com/com-queda-de-8-no-numero-anual-de-queimadas-brasil-pode-registrar-uma-baixa-maior-em-dezembro-devido-as-chuvas-html" title="Com redução de 8% nas queimadas, Brasil pode registrar uma baixa ainda maior em dezembro" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309972">brasileiros podem enfrentar maior</a> concorrência. Se as tensões comerciais continuarem, o Brasil tende a preservar vantagem relevante na disputa <a href="https://gazetamercantil.com/brb-registra-prejuizo-primeiro-semestre" title="Banco de Brasília (BRB) registra prejuízo de R$ 43,7 milhões no primeiro semestre de 2023 após ajustes contábeis" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309964">pela</a> demanda chinesa.</p>
<p data-start="10863" data-end="11136">A <a href="https://gazetamercantil.com/exportacao-de-carne-bovina-brasil-bate-recorde" title="Exportação de Carne Bovina Bate Recorde de R$ 9,3 Bilhões em Julho Apesar do Tarifaço dos EUA" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310071">carne bovina também seguirá dependente do</a> comportamento dos compradores asiáticos e das cotas de importação. A corrida para garantir espaço nesses limites ajudou o resultado de abril, mas o ritmo <a href="https://gazetamercantil.com/vale-vale3-presidente-eduardo-bartolomeo-ceo-lista" title="Disputa pela Presidência da Vale: Conheça os Principais Candidatos e as Expectativas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309952">dos próximos meses dependerá de novas</a> autorizações, preços e demanda final.</p>
<p data-start="11138" data-end="11394">O <a href="https://gazetamercantil.com/agrishow-2026-endividamento-recorde-agro-juros-crise" title="Agrishow 2026: Endividamento recorde de 7% no agro expõe crise de juros e custos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310067">recorde de abril confirma a força do agro</a> brasileiro, mas não elimina a volatilidade do comércio internacional. O setor entra <a href="https://gazetamercantil.com/cotacao-do-dolar-hoje" title="Dólar Fecha em Queda: Real se Beneficia com Alta do Petróleo e Inflação Controlada nos EUA" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309957">nos próximos meses com</a> uma base favorável, sustentada por safra elevada, demanda externa firme e protagonismo no mercado chinês.</p>
<p data-start="11396" data-end="11800">Ao mesmo tempo, a dependência de poucos grandes compradores, os gargalos logísticos e as incertezas <a href="https://gazetamercantil.com/dolar-sobe-e-vai-a-r-511-com-politica-monetaria-e-tensoes-geopoliticas-no-radar-ghtml" title="Dólar inicia a manhã em alta frente ao real, enquanto euro recua" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="310061">geopolíticas continuarão no radar</a> de produtores, exportadores e autoridades. O desempenho histórico reforça a relevância do Brasil no abastecimento global, <a href="https://gazetamercantil.com/infkacao-desacelera-junho-2024" title="Inflação no Brasil Desacelera em Junho de 2024" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="309947">mas também evidencia que competitividade no</a> agro depende cada vez mais de escala, infraestrutura e capacidade de adaptação ao cenário internacional.</p>
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		<title>China libera frigoríficos brasileiros e retoma compra de carne bovina após um ano</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/china-retoma-compra-carne-bovina-frigorificos-brasileiros-jbs</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 20:49:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A China autorizou nesta quarta-feira (20) a retomada das exportações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025, em uma decisão considerada estratégica para o agronegócio nacional e para a indústria de proteína animal. A medida foi anunciada após reuniões entre autoridades brasileiras e chinesas em Pequim e ocorre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="296" data-end="796">A China autorizou nesta quarta-feira (20) a retomada das exportações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025, em uma decisão considerada estratégica para o agronegócio nacional e para a indústria de proteína animal. A medida foi anunciada após reuniões entre autoridades brasileiras e chinesas em Pequim e ocorre em meio aos esforços do governo federal para ampliar o acesso do setor agropecuário brasileiro ao principal <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="306496">mercado</a> consumidor do mundo.</p>
<p data-start="798" data-end="1313">Entre as plantas liberadas está a unidade de Mozarlândia (GO), da <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">JBS</span></span>, considerada a maior processadora de carne bovina do mundo. Também voltaram a ser habilitadas uma unidade da Frisa, em Nanuque (MG), e uma planta da Bon-Marte, em Presidente Prudente (SP). As três <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="306500">empresas</a> haviam sido bloqueadas pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) sob alegação de “não conformidade” com requisitos regulatórios chineses relacionados ao registro de estabelecimentos estrangeiros.</p>
<p data-start="1315" data-end="1627">A retomada das operações representa um alívio para o setor exportador brasileiro, especialmente em um momento de elevada dependência do mercado chinês. O país asiático é atualmente o principal destino da carne bovina brasileira e responde por parcela relevante da receita das exportações do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="306497">agronegócio</a> nacional.</p>
<p data-start="1629" data-end="1904">A decisão também ocorre durante visita oficial do ministro da Agricultura, André de Paula, à China. Paralelamente à reabertura das três unidades, o Ministério da Agricultura solicitou às autoridades chinesas a habilitação de 33 novos frigoríficos brasileiros para exportação.</p>
<p data-start="1906" data-end="2056">O movimento é interpretado pelo setor como um sinal de aproximação comercial e de fortalecimento da confiança chinesa no sistema sanitário brasileiro.</p>
<h2 data-section-id="jg4zni" data-start="2058" data-end="2108">Reabertura fortalece exportações do agronegócio</h2>
<p data-start="2110" data-end="2291">A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a decisão chinesa representa uma “importante conquista” para o setor de proteína animal brasileiro.</p>
<p data-start="2293" data-end="2501">Segundo a entidade, a autorização reforça o reconhecimento da qualidade sanitária da carne bovina produzida no Brasil e demonstra que o país continua sendo um parceiro estratégico para o abastecimento chinês.</p>
<p data-start="2503" data-end="2797">A suspensão aplicada em março do ano passado havia provocado preocupação entre frigoríficos e exportadores. Na ocasião, a autoridade sanitária chinesa não detalhou quais critérios específicos teriam motivado a decisão, limitando-se a mencionar problemas relacionados aos registros das unidades.</p>
<p data-start="2799" data-end="2949">O bloqueio afetou diretamente plantas relevantes para a cadeia exportadora brasileira, sobretudo em estados com forte participação na pecuária bovina.</p>
<p data-start="2951" data-end="3160">No caso da unidade da JBS em Mozarlândia, a paralisação das vendas à China teve impacto relevante porque a planta está entre as principais estruturas industriais do grupo voltadas à exportação de carne bovina.</p>
<p data-start="3162" data-end="3393">Analistas do setor avaliam que a reabertura pode contribuir para recompor margens da indústria frigorífica, em um momento marcado pela volatilidade dos preços internacionais da proteína animal e pelo aumento da concorrência global.</p>
<h2 data-section-id="23cnk0" data-start="3395" data-end="3452">China segue como principal mercado da carne brasileira</h2>
<p data-start="3454" data-end="3670">A relação comercial entre Brasil e China tornou-se central para o agronegócio brasileiro nos últimos anos. Atualmente, a China concentra uma fatia significativa das compras externas de carne bovina produzida no país.</p>
<p data-start="3672" data-end="3942">A dependência do mercado chinês é acompanhada de perto por frigoríficos, produtores rurais e investidores do setor agropecuário, uma vez que qualquer alteração sanitária, diplomática ou regulatória tende a produzir efeitos imediatos sobre preços, produção e exportações.</p>
<p data-start="3944" data-end="4163">A forte demanda chinesa ajudou a consolidar o Brasil como maior exportador mundial de carne bovina. Além da competitividade de preços, o país se beneficia da elevada capacidade produtiva e da expansão do rebanho bovino.</p>
<p data-start="4165" data-end="4346">Nos últimos anos, porém, o mercado passou a conviver com episódios recorrentes de embargos temporários, suspensões sanitárias e revisões técnicas por parte das autoridades chinesas.</p>
<p data-start="4348" data-end="4550">O histórico inclui interrupções relacionadas a casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como “mal da vaca louca”, além de auditorias sanitárias em plantas frigoríficas brasileiras.</p>
<p data-start="4552" data-end="4747">Mesmo diante desses episódios, o fluxo comercial entre os dois países continuou crescendo, sustentado pela necessidade chinesa de ampliar a oferta de proteína animal para abastecer sua população.</p>
<h2 data-section-id="1r50dtv" data-start="4749" data-end="4797">Governo busca habilitação de 33 novas plantas</h2>
<p data-start="4799" data-end="4931">Além da retomada das três unidades suspensas, o governo brasileiro tenta ampliar a presença da indústria nacional no mercado chinês.</p>
<p data-start="4933" data-end="5114">Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, o Brasil solicitou a habilitação de 33 novos frigoríficos para exportação à China.</p>
<p data-start="5116" data-end="5198">O pedido envolve 20 plantas de carne bovina, 11 unidades de aves e duas de suínos.</p>
<p data-start="5200" data-end="5381">Caso as habilitações avancem, o setor poderá ampliar significativamente a capacidade de exportação para o mercado asiático, em um cenário de aumento global da demanda por proteínas.</p>
<p data-start="5383" data-end="5542">A estratégia do governo brasileiro busca diversificar a base exportadora e reduzir a concentração das vendas em um número limitado de frigoríficos habilitados.</p>
<p data-start="5544" data-end="5701">Executivos do setor avaliam que novas autorizações podem elevar a competitividade das empresas brasileiras e ampliar o volume de embarques nos próximos anos.</p>
<p data-start="5703" data-end="5847">A abertura de mercado também é vista como importante para estados produtores que dependem da exportação de proteína animal como motor econômico.</p>
<h2 data-section-id="19kfqqy" data-start="5849" data-end="5912">JBS mantém protagonismo no mercado global de proteína animal</h2>
<p data-start="5914" data-end="6051">A retomada da unidade de Mozarlândia recoloca a <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">JBS</span></span> no centro das exportações brasileiras para a China.</p>
<p data-start="6053" data-end="6322">A companhia possui operações em diversos países e atua nos segmentos de bovinos, aves, suínos e alimentos processados. No Brasil, a empresa mantém presença relevante na cadeia de exportação de proteína animal e figura entre os principais grupos do agronegócio nacional.</p>
<p data-start="6324" data-end="6528">A reabertura da planta ocorre em um momento importante para a estratégia internacional da companhia, diante da crescente demanda asiática e das disputas comerciais envolvendo grandes exportadores globais.</p>
<p data-start="6530" data-end="6769">Para investidores e agentes do mercado financeiro, decisões regulatórias chinesas costumam ser acompanhadas com atenção porque têm potencial para influenciar receitas, volumes exportados e margens operacionais dos frigoríficos brasileiros.</p>
<p data-start="6771" data-end="6962">Empresas do setor frequentemente enfrentam oscilações nas ações em função de <a class="wpil_keyword_link" title="Notícias" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="306499">notícias</a> relacionadas à China, especialmente em casos envolvendo habilitações sanitárias ou restrições comerciais.</p>
<p data-start="6964" data-end="7121">Além da JBS, companhias brasileiras do setor de proteína animal monitoram de perto as negociações diplomáticas e técnicas conduzidas entre Brasília e Pequim.</p>
<h2 data-section-id="1dp35fj" data-start="7123" data-end="7178">Questões sanitárias seguem no centro das negociações</h2>
<p data-start="7180" data-end="7303">As relações comerciais entre Brasil e China no agronegócio dependem fortemente da confiança sanitária entre os dois países.</p>
<p data-start="7305" data-end="7504">A Administração-Geral de Aduanas da China adota critérios rígidos de fiscalização e costuma exigir protocolos específicos relacionados à rastreabilidade, segurança alimentar e certificações técnicas.</p>
<p data-start="7506" data-end="7631">Por isso, auditorias, inspeções e revisões regulatórias tornaram-se parte permanente da rotina dos frigoríficos exportadores.</p>
<p data-start="7633" data-end="7802">A suspensão aplicada às três unidades brasileiras em 2025 ocorreu sob alegação de descumprimento de requisitos relacionados ao registro de estabelecimentos estrangeiros.</p>
<p data-start="7804" data-end="8033">Embora as autoridades chinesas não tenham detalhado publicamente os pontos específicos de inconformidade, o episódio reforçou a necessidade de adequação contínua das plantas brasileiras aos padrões exigidos pelo mercado asiático.</p>
<p data-start="8035" data-end="8224">Especialistas em comércio exterior observam que a China utiliza mecanismos sanitários tanto para controle técnico quanto como instrumento estratégico nas relações comerciais internacionais.</p>
<p data-start="8226" data-end="8377">Apesar disso, o Brasil continua sendo considerado um fornecedor prioritário devido à escala de produção e à competitividade da carne bovina brasileira.</p>
<h2 data-section-id="76ymbi" data-start="8379" data-end="8442">Exportações de carne bovina ganham peso na balança comercial</h2>
<p data-start="8444" data-end="8600">O agronegócio segue <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="327734">como um dos</a> principais pilares da balança comercial brasileira, e a carne bovina ocupa posição de destaque entre os produtos exportados.</p>
<p data-start="8602" data-end="8774">A retomada das compras por parte da China tende a fortalecer as perspectivas de embarques ao longo de 2026, especialmente em um cenário de demanda internacional resiliente.</p>
<p data-start="8776" data-end="8959">Economistas do setor agropecuário apontam que a ampliação das exportações pode contribuir para geração de divisas, aumento da atividade industrial e fortalecimento da cadeia pecuária.</p>
<p data-start="8961" data-end="9074">O movimento também ocorre em um momento de atenção global sobre segurança alimentar e abastecimento de proteínas.</p>
<p data-start="9076" data-end="9236">A China, maior consumidora mundial de carne, mantém <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política | Diario de Pernambuco" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323907">política</a> de diversificação de fornecedores, mas o Brasil segue entre os parceiros considerados estratégicos.</p>
<p data-start="9238" data-end="9405">Além do impacto comercial, a retomada das habilitações possui efeito institucional relevante ao sinalizar estabilidade nas relações bilaterais entre Brasília e Pequim.</p>
<p data-start="9407" data-end="9612">Nos bastidores do setor, a expectativa é que novas liberações possam ocorrer nos próximos meses, especialmente caso avancem as negociações envolvendo as 33 plantas indicadas pelo Ministério da Agricultura.</p>
<h2 data-section-id="1xmbpb4" data-start="9614" data-end="9685">Liberação chinesa amplia expectativa por novos embarques brasileiros</h2>
<p data-start="9687" data-end="9887">A autorização concedida pela China para três <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330702">frigoríficos brasileiros encerra mais de um ano</a> de suspensão e reforça o peso estratégico do mercado asiático para a indústria nacional de proteína animal.</p>
<p data-start="9889" data-end="10074">O setor agora acompanha os desdobramentos das negociações conduzidas pelo governo brasileiro em Pequim, especialmente em relação ao pedido de habilitação de novas unidades exportadoras.</p>
<p data-start="10076" data-end="10311">A avaliação de entidades do agronegócio é que a retomada pode representar não apenas a recuperação de volumes perdidos, mas também a abertura de espaço para expansão adicional das exportações brasileiras de carne bovina, aves e suínos.</p>
<p data-start="10313" data-end="10589">Com a China consolidada como principal parceira comercial do agronegócio brasileiro, decisões sanitárias e regulatórias do país asiático continuarão exercendo influência direta sobre frigoríficos, produtores rurais, investidores e sobre o desempenho das exportações do Brasil.</p>
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		<title>Embrapa lança aplicativos com inteligência artificial para irrigação e aquicultura</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/embrapa-apps-inteligencia-artificial-irrigacao-aquicultura</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 14:43:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Embrapa Agricultura Digital desenvolveu dois aplicativos gratuitos para apoiar produtores rurais no uso de tecnologia, dados e inteligência artificial em atividades estratégicas do agronegócio. As ferramentas Irriga Certo e Aquicultura Certa foram criadas para melhorar a gestão da irrigação e da piscicultura, com diagnósticos técnicos, alertas, recomendações de manejo e informações climáticas voltadas à [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-single-content="true">
<p data-start="250" data-end="705">A Embrapa Agricultura Digital desenvolveu dois aplicativos gratuitos para apoiar produtores rurais no uso de tecnologia, dados e inteligência artificial em atividades estratégicas do agronegócio. As ferramentas <strong data-start="461" data-end="477">Irriga Certo</strong> e <strong data-start="480" data-end="501">Aquicultura Certa</strong> foram criadas para melhorar a gestão da irrigação e da piscicultura, com diagnósticos técnicos, alertas, recomendações de manejo e informações climáticas voltadas à produção mais eficiente e sustentável.</p>
<p data-start="707" data-end="1125">O <strong data-start="709" data-end="730">Aquicultura Certa</strong> utiliza inteligência artificial para auxiliar produtores no gerenciamento da criação de peixes, com controle de alimentação, qualidade da água, crescimento dos lotes e previsão de colheita. Já o <strong data-start="926" data-end="942">Irriga Certo</strong> calcula a demanda hídrica de culturas da fruticultura tropical, orientando o produtor sobre quando irrigar, quanto irrigar e por quanto tempo manter os equipamentos em funcionamento.</p>
<p data-start="1127" data-end="1483">As soluções reforçam o avanço da agricultura digital no Brasil em um momento em que produtores buscam reduzir custos, elevar produtividade e melhorar a precisão das decisões no campo. Ao oferecer ferramentas gratuitas e de acesso simplificado, a Embrapa amplia o alcance da assistência técnica digital e leva tecnologia a propriedades de diferentes portes.</p>
<h2 data-section-id="1k5pu3l" data-start="1485" data-end="1538">Aquicultura Certa usa IA no manejo da piscicultura</h2>
<p data-start="1540" data-end="1818">O <strong data-start="1542" data-end="1563">Aquicultura Certa</strong> foi desenvolvido para apoiar a produção de tilápia e tambaqui em tanques-rede e viveiros. Disponível gratuitamente para dispositivos Android, o <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="330575">aplicativo utiliza inteligência artificial para</a> auxiliar produtores no acompanhamento técnico da piscicultura.</p>
<p data-start="1820" data-end="2115">A ferramenta permite registrar e monitorar informações sobre lotes, alimentação, mortalidade, conversão alimentar, crescimento dos peixes e previsão de colheita. Com esses dados, o produtor consegue avaliar o desempenho da produção de forma mais precisa e identificar pontos de ajuste no manejo.</p>
<p data-start="2117" data-end="2369">O aplicativo também apresenta gráficos detalhados sobre a evolução dos peixes. Esse acompanhamento facilita a identificação de desvios no crescimento, melhora o planejamento da alimentação e ajuda a estimar o melhor momento para a retirada dos animais.</p>
<p data-start="2371" data-end="2675">A proposta é aumentar a eficiência no uso de insumos e contribuir para uma piscicultura mais rentável. Como a alimentação representa uma das principais despesas da atividade, decisões mais precisas sobre quantidade, frequência e composição da ração podem ter impacto direto nos custos e na produtividade.</p>
<h2 data-section-id="1cix4w4" data-start="2677" data-end="2718">App monitora água, alimentação e clima</h2>
<p data-start="2720" data-end="2973">Um dos principais recursos do <strong data-start="2750" data-end="2771">Aquicultura Certa</strong> é o gerenciamento da alimentação dos peixes. O aplicativo permite a elaboração de planos nutricionais personalizados, adaptados às características da produção e ao estágio de desenvolvimento dos lotes.</p>
<p data-start="2975" data-end="3245">A ferramenta também monitora a qualidade da água e envia alertas ao produtor quando identifica condições que exigem atenção. Parâmetros inadequados podem comprometer o crescimento dos peixes, aumentar a mortalidade e reduzir a produtividade dos viveiros ou tanques-rede.</p>
<p data-start="3247" data-end="3489">Outro diferencial é a integração de dados climáticos locais e previsões meteorológicas ao manejo. Temperatura, chuva e variações ambientais influenciam o comportamento dos peixes, a qualidade da água e a necessidade de ajustes na alimentação.</p>
<p data-start="3491" data-end="3803">O aplicativo inclui ainda um chatbot com inteligência artificial, que oferece suporte ao produtor com orientações sobre manejo, diagnóstico de problemas e alimentação dos peixes. A funcionalidade aproxima o usuário de informações técnicas e reduz a dependência de atendimento presencial para dúvidas recorrentes.</p>
<h2 data-section-id="rdly93" data-start="3805" data-end="3861">Irriga Certo calcula necessidade de água das culturas</h2>
<p data-start="3863" data-end="4109">O <strong data-start="3865" data-end="3881">Irriga Certo</strong> é voltado à fruticultura tropical e tem como objetivo ajudar produtores a usar água de forma mais eficiente. O aplicativo calcula a demanda hídrica ideal das culturas e indica a necessidade de irrigação em cada área cadastrada.</p>
<p data-start="4111" data-end="4379">A ferramenta estima a umidade do solo, calcula a lâmina de água necessária e informa o tempo de funcionamento dos equipamentos de irrigação. Com isso, o produtor passa a tomar decisões com base em dados técnicos, e não apenas por observação visual ou prática empírica.</p>
<p data-start="4381" data-end="4712">O uso correto da irrigação é um dos fatores mais importantes para produtividade e sustentabilidade no campo. Água em excesso pode elevar custos, desperdiçar recursos, prejudicar o solo e afetar o desenvolvimento das plantas. Água insuficiente pode provocar estresse hídrico, reduzir a produção e comprometer a qualidade dos frutos.</p>
<p data-start="4714" data-end="4871">Com o <strong data-start="4720" data-end="4736">Irriga Certo</strong>, a Embrapa busca dar ao produtor uma ferramenta prática para equilibrar produtividade, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="305040">economia</a> de recursos e manejo adequado da água.</p>
<h2 data-section-id="h0ig30" data-start="4873" data-end="4925">Monitoramento em tempo real reduz risco de perdas</h2>
<p data-start="4927" data-end="5193">O aplicativo realiza monitoramento em tempo real da umidade do solo e envia alertas quando os níveis de água se aproximam do limite crítico para a cultura. Esse recurso é importante para evitar perdas em períodos de calor, baixa umidade ou irregularidade das chuvas.</p>
<p data-start="5195" data-end="5447">A ferramenta permite o cadastro georreferenciado de talhões, variedades, idade das plantas e sistemas de irrigação. Essas informações ajudam a construir uma visão detalhada da propriedade e aumentam a rastreabilidade das decisões tomadas pelo produtor.</p>
<p data-start="5449" data-end="5740">O <strong data-start="5451" data-end="5467">Irriga Certo</strong> utiliza uma ampla base de dados climáticos de todo o Brasil e calcula automaticamente a evapotranspiração potencial, indicador usado para estimar a quantidade de água perdida pelo solo e pelas plantas. A partir desse cálculo, o sistema indica a demanda hídrica da cultura.</p>
<p data-start="5742" data-end="5980">A tecnologia é especialmente relevante em um cenário de maior variabilidade climática. Períodos de seca, chuvas irregulares e temperaturas elevadas exigem manejo mais preciso da água para evitar queda de produtividade e aumento de custos.</p>
<h2 data-section-id="udkz79" data-start="5982" data-end="6026">Agricultura digital ganha espaço no campo</h2>
<p data-start="6028" data-end="6291">Os aplicativos da Embrapa mostram como a agricultura digital pode transformar a rotina de produtores rurais. Ao reunir dados climáticos, inteligência artificial, alertas e recomendações técnicas, as ferramentas reduzem incertezas e tornam o manejo mais eficiente.</p>
<p data-start="6293" data-end="6514">Na aquicultura, o ganho está no controle mais rigoroso da alimentação, da qualidade da água e do crescimento dos peixes. Na irrigação, o avanço está na definição mais precisa da necessidade de água em cada área produtiva.</p>
<p data-start="6516" data-end="6817">A adoção de soluções digitais também pode aproximar pequenos e médios produtores de tecnologias antes restritas a sistemas mais caros ou complexos. Aplicativos gratuitos permitem ampliar o acesso a conhecimento técnico e melhorar a tomada de <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="336874">decisão em propriedades com</a> diferentes níveis de estrutura.</p>
<p data-start="6819" data-end="7067">A tendência é que ferramentas desse tipo ganhem relevância nos próximos anos. A pressão por produtividade, sustentabilidade, economia de insumos e adaptação climática deve acelerar o uso de dados e inteligência artificial no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="304830">agronegócio</a> brasileiro.</p>
<h2 data-section-id="1thfhqd" data-start="7069" data-end="7120">Tecnologia ajuda a reduzir custos e desperdícios</h2>
<p data-start="7122" data-end="7343">A principal contribuição dos aplicativos está na capacidade de transformar informações técnicas em decisões práticas. No campo, erros de manejo podem gerar desperdício de água, ração, energia, insumos e tempo operacional.</p>
<p data-start="7345" data-end="7628">Na piscicultura, o excesso de alimentação pode elevar custos e comprometer a qualidade da água. A falta de alimentação adequada, por outro lado, prejudica o crescimento dos peixes e reduz a rentabilidade. Com dados organizados, o produtor consegue ajustar o manejo com mais precisão.</p>
<p data-start="7630" data-end="7913">Na fruticultura irrigada, o uso inadequado da água também afeta diretamente os custos. Irrigar além do necessário aumenta gasto com energia, reduz eficiência e pode prejudicar o desenvolvimento das plantas. Irrigar menos do que a cultura precisa compromete produtividade e qualidade.</p>
<p data-start="7915" data-end="8090">Ao oferecer alertas, cálculos automáticos e recomendações, as ferramentas da Embrapa ajudam o produtor a reduzir desperdícios e a melhorar a eficiência econômica da atividade.</p>
<h2 data-section-id="1h5kfoz" data-start="8092" data-end="8134">Embrapa reforça inovação no agronegócio</h2>
<p data-start="8136" data-end="8413">O desenvolvimento do <strong data-start="8157" data-end="8173">Irriga Certo</strong> e do <strong data-start="8179" data-end="8200">Aquicultura Certa</strong> reforça o papel da Embrapa na modernização da produção agropecuária brasileira. As ferramentas combinam pesquisa pública, tecnologia digital e aplicação prática em áreas diretamente ligadas à segurança alimentar.</p>
<p data-start="8415" data-end="8647">A digitalização do campo não se limita a grandes propriedades. Aplicativos gratuitos podem apoiar produtores de diferentes escalas, oferecendo informações técnicas, gestão mais organizada e maior controle sobre variáveis produtivas.</p>
<p data-start="8649" data-end="8972">Em um cenário de custos elevados, mudanças climáticas e maior exigência por sustentabilidade, o uso de tecnologia se tornou parte central da competitividade no agronegócio. Irrigar com precisão, alimentar peixes corretamente e monitorar indicadores produtivos são decisões que podem determinar a rentabilidade da atividade.</p>
<p data-start="8974" data-end="9193">Com os novos aplicativos, a Embrapa amplia o acesso a soluções digitais e oferece ao produtor rural ferramentas para produzir com mais eficiência, menor desperdício e maior capacidade de adaptação às condições do campo.</p>
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