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	<title>Agronegócio &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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	<description>A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</description>
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		<title>Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/parana-centro-pecuaria-leiteira-investimento-36-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2026 21:04:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[Sistema FAEP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paraná autoriza construção de centro de pecuária leiteira em Castro, com investimento de R$ 36 milhões e capacidade para formar 500 profissionais por ano.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Sistema FAEP recebeu autorização ambiental para iniciar a construção do Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite, em Castro, na região dos Campos Gerais do Paraná. O empreendimento prevê investimento de aproximadamente R$ 36 milhões e capacidade para formar 500 profissionais por ano em cursos gratuitos voltados à produção leiteira. A Licença de Instalação foi emitida pelo Instituto Água e Terra (IAT) em 30 de outubro de 2026, permitindo que o projeto avance para a etapa de execução das obras.</p>
<p>A nova unidade terá aproximadamente 4 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em oito blocos, e será instalada em um terreno de quatro hectares ao lado do Parque Tecnológico da Agroleite. A empresa A&amp;C Construções e Serviços Ltda. foi selecionada para executar o empreendimento, cujo contrato estabelece prazo de aproximadamente 16 meses corridos para conclusão dos trabalhos.</p>
<p>A autorização representa uma mudança concreta no estágio do projeto, que vinha sendo desenvolvido desde julho de 2024. Até então, a iniciativa havia passado pelas fases de articulação institucional, definição do terreno, elaboração dos projetos, licitação e licenciamento ambiental preliminar. Com a nova licença, o Sistema FAEP poderá iniciar a implantação física do complexo, observadas as exigências ambientais aplicáveis.</p>
<h2>Licença ambiental permite iniciar as obras em Castro</h2>
<p>A Licença de Instalação foi concedida menos de dois meses depois da emissão da Licença Prévia, que havia reconhecido a viabilidade ambiental do empreendimento na localização proposta.</p>
<p>As duas autorizações possuem funções distintas. A Licença Prévia corresponde à etapa de planejamento e estabelece condições para a implantação. A Licença de Instalação permite executar as obras e instalar as estruturas previstas no projeto aprovado, respeitando os requisitos determinados pelo órgão ambiental.</p>
<p>Segundo o diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, o processo foi analisado sem necessidade de complementações documentais. A apresentação dos estudos e informações exigidos pelo instituto permitiu concluir a avaliação em prazo reduzido.</p>
<p>A liberação elimina uma das condições administrativas necessárias para o início da construção, mas não significa que as obras já tenham sido fisicamente iniciadas ou que a unidade esteja autorizada a funcionar.</p>
<p>O início efetivo dos serviços dependerá da mobilização da construtora e do cumprimento das condições previstas no contrato e na licença ambiental. A operação do centro, por sua vez, ficará condicionada à conclusão das instalações e à obtenção das autorizações que forem exigidas para seu funcionamento.</p>
<p>O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, informou que a intenção é colocar a unidade em funcionamento assim que as obras e os preparativos educacionais estiverem concluídos.</p>
<p>A expectativa da entidade é ampliar a disponibilidade de profissionais especializados para atender produtores, cooperativas, propriedades rurais e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341768">empresas</a> vinculadas à cadeia do leite.</p>
<h2>Investimento previsto passou de R$ 32 milhões para R$ 36 milhões</h2>
<p>O valor informado pelo Sistema FAEP em novembro de 2026 representa uma atualização em relação às primeiras estimativas divulgadas para o empreendimento.</p>
<p>Em agosto de 2025, quando ocorreu o lançamento da pedra fundamental, o investimento anunciado era de aproximadamente R$ 32 milhões. Posteriormente, materiais institucionais passaram a mencionar aportes superiores a R$ 35 milhões. A estimativa mais recente é de R$ 36 milhões.</p>
<p>A diferença entre os valores de R$ 32 milhões e R$ 36 milhões corresponde a R$ 4 milhões, ou aumento nominal de 12,5%, considerando as duas referências divulgadas pela entidade.</p>
<p>Essa comparação mostra a evolução do orçamento anunciado, mas não permite atribuir a diferença exclusivamente ao encarecimento da construção. Os documentos consultados não apresentam uma decomposição que permita identificar quanto corresponde a obras civis, equipamentos, instalações educacionais ou outras despesas do projeto.</p>
<p>A atualização dos custos também precisa ser considerada juntamente com o cronograma de implantação.</p>
<p>Em 2025, o Sistema FAEP mencionava a expectativa de iniciar as atividades educacionais em 2027. O cronograma mais recente, entretanto, estabelece um período de execução de aproximadamente 16 meses para as obras.</p>
<p>Caso a construção tenha início em novembro de 2026 e o prazo transcorra sem interrupções, a conclusão física ocorreria por volta de março de 2028. Trata-se de uma referência calculada a partir do prazo contratual, e não de uma data oficial de inauguração.</p>
<p>A licença divulgada em 3 de novembro não estabelece um dia definitivo para o início das aulas. O calendário dependerá da execução da construção, da instalação dos equipamentos e da organização das atividades pedagógicas.</p>
<h2>Centro terá laboratórios, salas de aula e espaços de treinamento</h2>
<p>O projeto arquitetônico prevê oito blocos com funções educacionais e administrativas.</p>
<p>As instalações deverão abrigar laboratórios, salas de aula, biblioteca, refeitório, ambientes para treinamento e áreas destinadas à administração. A estrutura será organizada para atender estudantes, instrutores e profissionais que já trabalham na pecuária leiteira.</p>
<p>O terreno possui quatro hectares, equivalentes a 40 mil metros quadrados. Considerando a área construída de aproximadamente 4 mil metros quadrados informada na atualização mais recente, a metragem edificada equivale a cerca de 10% da superfície total do terreno. Essa relação é apenas uma comparação de áreas e não representa a taxa urbanística de ocupação, que depende da implantação dos edifícios e de suas características.</p>
<p>A dimensão do terreno permite a instalação de diferentes estruturas de apoio ao complexo, além da circulação de estudantes, profissionais e equipes técnicas.</p>
<p>Os prédios seguirão elementos arquitetônicos associados à tradição holandesa presente na região dos Campos Gerais, especialmente na comunidade formada em torno das cooperativas agropecuárias.</p>
<p>A localização ao lado do Parque Tecnológico da Agroleite também aproxima a futura unidade de atividades de pesquisa, demonstração tecnológica, eventos e empresas vinculadas à produção leiteira.</p>
<p>A expectativa é que essa proximidade facilite a realização de atividades práticas e o intercâmbio de conhecimento entre estudantes e profissionais do setor.</p>
<h2>Cursos gratuitos poderão formar 500 profissionais por ano</h2>
<p>O Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite foi planejado para oferecer formação técnica e especializações relacionadas à atividade agropecuária.</p>
<p>Entre os cursos previstos estão o técnico em Agropecuária e a especialização em Bovinocultura de Leite. Segundo o Sistema FAEP, a oferta será estruturada com reconhecimento do Ministério da Educação, observados os procedimentos educacionais aplicáveis.</p>
<p>A capacidade anunciada é de 500 profissionais formados anualmente. Esse número representa a meta de atendimento do complexo, não uma quantidade de formandos já alcançada.</p>
<p>Além dos cursos direcionados a estudantes, o projeto contempla capacitações para instrutores e técnicos que prestam assistência a propriedades rurais.</p>
<p>A formação poderá incluir atividades presenciais e a distância, dependendo da organização dos programas educacionais.</p>
<p>A proposta é aproximar o ensino técnico das demandas efetivas das fazendas leiteiras, especialmente nas áreas relacionadas a manejo, nutrição animal, reprodução, sanidade, qualidade do leite e administração da produção.</p>
<p>A disponibilidade de trabalhadores qualificados constitui uma das necessidades permanentes de uma atividade que combina processos biológicos, utilização intensiva de equipamentos e exigências sanitárias.</p>
<p>A produção leiteira exige acompanhamento diário dos animais, controle da alimentação, manutenção de instalações, procedimentos de ordenha e monitoramento dos indicadores produtivos.</p>
<p>Falhas nesses processos podem comprometer a produtividade, elevar custos e afetar a qualidade do leite entregue às indústrias.</p>
<p>A qualificação técnica pode contribuir para melhorar a eficiência das propriedades, embora os resultados dependam também de investimentos, gestão, assistência veterinária e condições econômicas de cada produtor.</p>
<h2>Castro registra produtividade leiteira cerca de quatro vezes superior à média nacional</h2>
<p>A escolha de Castro como sede do centro está diretamente relacionada à importância do município na produção brasileira de leite.</p>
<p>Localizada nos Campos Gerais do Paraná, a cidade recebeu oficialmente o título de Capital Nacional do Leite por meio da Lei Federal nº 13.584, sancionada em 26 de dezembro de 2017.</p>
<p>O reconhecimento legislativo reflete a concentração de propriedades especializadas, cooperativas agroindustriais, fornecedores de tecnologia e sistemas de produção com elevada produtividade.</p>
<p>Segundo os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados pelo Sistema FAEP, Castro possui mais de 51,5 mil vacas ordenhadas e produção média anual de aproximadamente 10,3 mil litros por animal.</p>
<p>A produtividade nacional informada para comparação é de cerca de 2,4 mil litros por vaca ao ano.</p>
<p>A relação entre essas médias arredondadas indica que a produção por animal em Castro supera em aproximadamente quatro vezes a média brasileira.</p>
<p>O desempenho está associado a fatores como melhoramento genético do rebanho, alimentação, manejo, sanidade animal e investimentos em tecnologias de produção.</p>
<p>A região também reúne cooperativas que desempenham papel relevante no processamento e na comercialização do leite, entre elas a Castrolanda.</p>
<p>A concentração dessas atividades cria condições para a realização de programas educacionais próximos às operações produtivas que serão estudadas.</p>
<h2>Paraná produziu 4,8 bilhões de litros de leite em 2025</h2>
<p>O peso econômico da pecuária leiteira no Paraná também ajuda a dimensionar a importância do novo centro.</p>
<p>Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, o estado produziu aproximadamente 4,8 bilhões de litros de leite, mantendo-se entre os maiores produtores do país.</p>
<p>O valor da produção paranaense alcançou cerca de R$ 12,67 bilhões, conforme os dados do IBGE.</p>
<p>Esses números demonstram a dimensão econômica da atividade, que envolve milhares de propriedades rurais, cooperativas, transportadoras, indústrias de laticínios e fornecedores de insumos e equipamentos.</p>
<p>A cadeia produtiva também apresenta diferenças importantes entre seus participantes. Propriedades altamente tecnificadas convivem com pequenos produtores que enfrentam restrições de capital, escala e acesso à assistência técnica.</p>
<p>A elevação da produtividade pode reduzir o custo por litro produzido, mas seus efeitos dependem de condições específicas, como preço da alimentação, disponibilidade de água, eficiência reprodutiva e preço recebido pelo produtor.</p>
<p>Nesse contexto, o centro pretende oferecer formação técnica aplicável tanto às propriedades de maior escala quanto aos estabelecimentos familiares.</p>
<p>O Sistema FAEP afirma que a unidade terá alcance nacional, permitindo receber profissionais de outras regiões do Brasil interessados em desenvolver competências específicas na bovinocultura leiteira.</p>
<h2>Projeto reúne Sistema FAEP, Senar e cooperativa Castrolanda</h2>
<p>A implantação do centro começou a ser articulada em julho de 2024, quando representantes do Sistema FAEP identificaram a possibilidade de instalar no Paraná uma das unidades nacionais de excelência do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).</p>
<p>A proposta foi desenvolvida com participação do Sistema CNA/Senar, da cooperativa Castrolanda, do Sindicato Rural de Castro e da Prefeitura Municipal.</p>
<p>Em agosto de 2025, durante a Agroleite, foi realizado o lançamento da pedra fundamental do empreendimento.</p>
<p>A cerimônia marcou a apresentação pública da unidade e de suas principais características, incluindo o terreno, a estrutura de ensino e a previsão de formação de 500 profissionais anualmente.</p>
<p>Em julho de 2026, o Sistema FAEP publicou o edital para contratar a empresa responsável pela construção. O processo foi organizado na modalidade de concorrência, com critério de menor preço global, e previu a apresentação das propostas em 15 de julho.</p>
<p>Após a definição da construtora e a obtenção da Licença de Instalação, o empreendimento passou à etapa necessária para executar os serviços contratados.</p>
<p>A A&amp;C Construções e Serviços Ltda. será responsável pela realização das obras, conforme o contrato informado pela entidade.</p>
<p>A implantação integra a estratégia do Senar de desenvolver centros especializados em cadeias produtivas consideradas relevantes para a agropecuária brasileira.</p>
<h2>Início das obras dependerá da execução do cronograma contratado</h2>
<p>Com a licença concedida em 30 de outubro, a próxima etapa é a mobilização da empresa responsável pela construção e o início dos trabalhos no terreno destinado ao centro.</p>
<p>O prazo previsto de 16 meses constitui a principal referência temporal disponível para a execução das obras.</p>
<p>A conclusão da estrutura física não representará, necessariamente, o início imediato dos cursos. Também será preciso instalar laboratórios e equipamentos, organizar a equipe docente e finalizar os procedimentos de implantação educacional.</p>
<p>A formação de 500 profissionais por ano permanecerá como capacidade projetada até que o centro entre em funcionamento e comece a registrar matrículas e conclusões de cursos.</p>
<p>Para o setor leiteiro, a iniciativa busca ampliar a oferta de conhecimento técnico em uma atividade na qual a produtividade depende de investimento contínuo em tecnologia, qualificação e gestão.</p>
<p>O empreendimento chega à fase de construção após mais de dois anos de articulação entre entidades do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341769">agronegócio</a>, cooperativas e poder público, com orçamento atualizado de aproximadamente R$ 36 milhões e previsão de atendimento a profissionais de diferentes regiões do país.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Sistema FAEP — Comunicado institucional de 3 de novembro de 2026 sobre a Licença de Instalação, investimento de R$ 36 milhões, contratação da construtora e prazo de execução das obras.</em></p>
<p><em>Sistema FAEP — Edital da Concorrência nº 001/2026, destinado à contratação dos serviços de construção do Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite, em Castro.</em></p>
<p><em>Sistema FAEP — Comunicados de 2025 sobre a escolha do município, o lançamento da pedra fundamental e a previsão inicial de investimento de R$ 32 milhões.</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, com dados de produção leiteira e produtividade.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei Federal nº 13.584, de 26 de dezembro de 2017, que confere a Castro o título de Capital Nacional do Leite.</em></p>
<p><em>Instituto Água e Terra do Paraná — Informações sobre o licenciamento ambiental do empreendimento, conforme comunicado institucional do Sistema FAEP.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lula tem menos de 20 dias para resolver duas crises no agronegócio; entenda o que está em jogo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-agronegocio-subsidio-diesel-dividas-rurais-novembro-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 11:33:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[diesel]]></category>
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		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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		<category><![CDATA[MP 1376/2026]]></category>
		<category><![CDATA[MP 1391/2026]]></category>
		<category><![CDATA[produtores rurais]]></category>
		<category><![CDATA[renegociação de dívidas]]></category>
		<category><![CDATA[subsídio ao diesel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lula tem até novembro para enfrentar dois desafios no agronegócio: a continuidade do subsídio ao diesel e a renegociação de dívidas rurais.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta duas decisões importantes para o agronegócio brasileiro antes mesmo do início de seu novo mandato, marcado para 5 de janeiro de 2027. A continuidade dos subsídios federais ao óleo diesel e a aprovação de uma medida provisória destinada à renegociação de dívidas rurais concentram as principais preocupações do setor nas próximas semanas, em um cenário de pressão cambial, custos elevados de produção e dificuldades financeiras enfrentadas por agricultores.</p>
<p>Os dois assuntos envolvem prazos distintos. O primeiro exige uma definição imediata do Ministério da Fazenda sobre a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, cujo período de apuração vigente termina nesta terça-feira (27), segundo calendário da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O segundo depende do Congresso Nacional, que tem até 11 de novembro para votar a Medida Provisória 1.376/2026, responsável pela criação de condições especiais de financiamento para produtores prejudicados por perdas de safras.</p>
<p>A situação ganhou importância após a reeleição de Lula, no domingo (25), e a forte valorização do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341432">dólar</a> no primeiro pregão posterior ao segundo turno. A alta da moeda americana encarece as importações de combustíveis e amplia a dificuldade de conciliar o controle de preços com a necessidade de limitar os gastos públicos.</p>
<h2>Subsídio ao diesel exige decisão imediata do governo</h2>
<p>A primeira questão envolve a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341433">política</a> de subvenção econômica ao óleo diesel, criada para reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo sobre o abastecimento e os preços domésticos.</p>
<p>Em setembro, o governo editou a Medida Provisória 1.391/2026, autorizando a concessão de subsídios a produtores e importadores de diesel rodoviário enquanto persistirem condições de instabilidade na oferta internacional de combustíveis.</p>
<p>O mecanismo permite ao Ministério da Fazenda definir o valor da compensação financeira por litro comercializado, em períodos de até 30 dias, prorrogáveis por igual intervalo.</p>
<p>Pela Portaria 2.946, publicada em 25 de setembro, a Fazenda manteve a subvenção em R$ 2,12 por litro. Conforme o calendário atualizado pela ANP em 21 de outubro, o segundo período de apuração ocorre entre 12 e 27 de outubro.</p>
<p>A continuidade do benefício depende de decisão administrativa, não havendo garantia de renovação automática nas mesmas condições. O governo pode manter, modificar ou interromper a compensação, observadas as regras estabelecidas pela medida provisória e por sua regulamentação.</p>
<p>A MP 1.391/2026 também está em análise no Congresso Nacional. O calendário legislativo estabelece 9 de novembro como prazo inicial de deliberação, sujeito à possibilidade constitucional de prorrogação de sua vigência.</p>
<h2>Diesel importado recebe compensação adicional de R$ 1,40 por litro</h2>
<p>A pressão sobre o setor de combustíveis aumentou em outubro, quando o Ministério da Fazenda anunciou uma subvenção adicional destinada especificamente aos importadores de óleo diesel rodoviário.</p>
<p>A Portaria 3.082, de 13 de outubro, acrescentou R$ 1,40 por litro ao benefício anteriormente estabelecido. Com isso, a compensação aos importadores pode atingir R$ 3,52 por litro, considerando a soma das duas parcelas.</p>
<p>A medida adicional tem duração prevista de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. Seu prazo é diferente daquele estabelecido para a subvenção básica de R$ 2,12.</p>
<p>Segundo o Ministério da Fazenda, o custo estimado do incentivo adicional é de R$ 1,6 bilhão para cada período de 30 dias.</p>
<p>O governo justifica a intervenção pela necessidade de assegurar o abastecimento nacional diante das tensões geopolíticas que afetam o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341431">mercado</a> internacional de petróleo.</p>
<p>A continuidade dessa política, entretanto, envolve uma decisão fiscal relevante. Quanto maior o volume de combustível beneficiado e o valor pago por litro, maior tende a ser o desembolso necessário para sustentar o programa.</p>
<h2>Alta do dólar aumenta pressão sobre os custos do agronegócio</h2>
<p>O comportamento do câmbio tornou a discussão sobre o diesel ainda mais importante para os produtores brasileiros.</p>
<p>Após o resultado das eleições presidenciais, o dólar comercial encerrou a segunda-feira (26) próximo de R$ 5,40, em meio à reavaliação das perspectivas econômicas por parte dos investidores.</p>
<p>Como os preços internacionais de petróleo e derivados são denominados em dólares, a desvalorização do real tende a elevar o custo de importação do diesel, mesmo quando as cotações externas permanecem relativamente estáveis.</p>
<p>O efeito sobre o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341430">agronegócio</a> ocorre por diferentes canais.</p>
<p>Dentro das propriedades rurais, o combustível é utilizado na operação de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e outros equipamentos empregados no plantio e na colheita. Fora das fazendas, o diesel representa uma parcela importante das despesas de transporte de grãos, carnes, fertilizantes e insumos agrícolas.</p>
<p>O Balanço Energético Nacional, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), identifica a agropecuária entre os segmentos consumidores de óleo diesel no Brasil. A dependência do transporte rodoviário amplia a exposição do setor às oscilações do combustível.</p>
<p>Por isso, uma eventual redução dos subsídios poderá elevar os custos ao longo das cadeias produtivas, dependendo da resposta dos preços nas refinarias, das importações e do comportamento das distribuidoras.</p>
<p>O impacto não se limita ao produtor. Fretes mais caros podem chegar aos preços de alimentos e de outros produtos transportados por caminhões, embora a intensidade do repasse dependa das condições de mercado.</p>
<h2>Medida provisória das dívidas rurais precisa ser votada até 11 de novembro</h2>
<p>A segunda decisão envolve a Medida Provisória 1.376/2026, publicada em 15 de julho para permitir a criação de linhas especiais de crédito destinadas à composição de dívidas de produtores rurais.</p>
<p>A iniciativa atende agricultores e cooperativas que enfrentaram dificuldades financeiras provocadas por eventos climáticos adversos e perdas de produção.</p>
<p>Pelas regras estabelecidas, podem ser contemplados produtores que registraram perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da receita agropecuária esperada, mediante comprovação técnica.</p>
<p>A medida prevê condições diferenciadas de financiamento, com taxas de juros entre 5% e 12% ao ano, conforme o perfil do beneficiário e os critérios de enquadramento.</p>
<p>Os prazos podem chegar a dez anos, incluindo período de carência de até dois anos, de acordo com as condições aplicáveis à operação.</p>
<p>As linhas abrangem agricultores familiares, produtores de médio porte, grandes produtores e cooperativas, observados os requisitos previstos na regulamentação.</p>
<p>Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o programa tem potencial para viabilizar a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. A estimativa representa o alcance projetado da política, e não o volume efetivamente renegociado.</p>
<h2>Congresso pode deixar produtores sem segurança sobre a continuidade do programa</h2>
<p>A MP 1.376/2026 já teve sua vigência prorrogada pelo Congresso Nacional e precisa ser convertida em lei até 11 de novembro para não perder eficácia.</p>
<p>A matéria está sob relatoria do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).</p>
<p>Caso a votação não ocorra dentro do prazo constitucional, a medida perderá vigência. Nessa hipótese, o tratamento dos efeitos jurídicos produzidos durante sua validade deverá observar as regras constitucionais aplicáveis às medidas provisórias não convertidas em lei.</p>
<p>Isso não significa que todas as operações já formalizadas serão automaticamente anuladas. A Constituição prevê mecanismos para disciplinar as relações jurídicas constituídas durante a vigência de uma medida provisória.</p>
<p>A perda de eficácia, contudo, poderá comprometer a continuidade de novas contratações nos moldes originalmente autorizados e aumentar a incerteza para os produtores que ainda dependem de financiamento.</p>
<p>De acordo com as informações divulgadas pelo Senado Federal, o prazo previsto para a contratação das operações de renegociação vai até 12 de novembro, um dia depois da data-limite de deliberação legislativa.</p>
<p>A proximidade entre esses prazos reforça a importância de uma definição do Congresso sobre as regras do programa.</p>
<h2>Renegociação de dívidas pode influenciar a próxima safra</h2>
<p>A situação financeira dos produtores rurais tem consequências que ultrapassam as propriedades agrícolas.</p>
<p>O acesso ao crédito é determinante para a aquisição de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e serviços necessários à produção. Agricultores com dívidas vencidas ou dificuldades de pagamento podem enfrentar obstáculos para obter novos financiamentos.</p>
<p>Ao permitir a composição dos débitos em condições especiais, a medida provisória busca recuperar a capacidade financeira de produtores afetados por sucessivas perdas de safra.</p>
<p>A continuidade do programa também interessa às instituições financeiras, que precisam administrar o risco de suas carteiras de crédito rural e avaliar a capacidade de pagamento dos clientes.</p>
<p>Para o governo, o desafio é oferecer condições de recuperação ao setor sem comprometer de maneira excessiva os recursos públicos destinados às políticas de financiamento agrícola.</p>
<p>A solução dependerá tanto da aprovação definitiva da legislação quanto da execução das operações pelas instituições financeiras habilitadas.</p>
<h2>Governo terá de equilibrar apoio ao agro e responsabilidade fiscal</h2>
<p>As duas medidas representam desafios diferentes para a política econômica brasileira, mas estão relacionadas pelo impacto sobre os custos de produção e a disponibilidade de recursos financeiros.</p>
<p>No caso do diesel, a questão central é determinar por quanto tempo o governo poderá sustentar compensações aos produtores e importadores de combustíveis, especialmente diante das oscilações do petróleo e do câmbio.</p>
<p>Na renegociação rural, a prioridade é estabelecer regras duradouras para produtores que precisam reorganizar suas obrigações financeiras e recuperar condições de financiamento.</p>
<p>Ambas as iniciativas também exigem atenção aos efeitos fiscais. Subsídios aos combustíveis geram desembolsos públicos, enquanto programas de renegociação podem envolver recursos direcionados, subsídios financeiros e mecanismos de garantia.</p>
<p>O governo defende essas intervenções como instrumentos para reduzir os efeitos de choques externos e preservar a atividade econômica. A manutenção dos benefícios, entretanto, depende de decisões administrativas, disponibilidade orçamentária e, em parte, da aprovação legislativa.</p>
<p>Até 11 de novembro, o Planalto terá de acompanhar a definição sobre o diesel e negociar com o Congresso o futuro da medida provisória das dívidas rurais.</p>
<p>O desfecho dessas discussões poderá influenciar os custos de produção, o financiamento das propriedades e o planejamento das próximas safras, colocando o agronegócio entre os primeiros setores a exigir respostas econômicas do presidente reeleito.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — Calendário de apuração da subvenção ao diesel, atualizado em 21 de outubro de 2026.</p>
<p>Ministério da Fazenda — Portaria MF nº 2.946, de 25 de setembro de 2026.</p>
<p>Ministério da Fazenda — Portaria MF nº 3.082, de 13 de outubro de 2026.</p>
<p>Ministério da Fazenda — Comunicado oficial sobre medidas de estabilização dos preços dos combustíveis, de 9 de outubro de 2026.</p>
<p>Congresso Nacional — Tramitação das Medidas Provisórias 1.391/2026 e 1.376/2026.</p>
<p>Presidência da República — Medidas Provisórias 1.391/2026 e 1.376/2026.</p>
<p>Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar — Informações oficiais sobre a renegociação das dívidas rurais.</p>
<p>Empresa de Pesquisa Energética (EPE) — Balanço Energético Nacional 2026, ano-base 2025.</p>
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		<title>Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027 com queda da produção nacional</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-importacao-trigo-10-milhoes-toneladas-2027</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 23:05:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Abitrigo]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Bunge]]></category>
		<category><![CDATA[Conab]]></category>
		<category><![CDATA[Importação de Trigo]]></category>
		<category><![CDATA[indústria alimentícia]]></category>
		<category><![CDATA[Indústria Moageira]]></category>
		<category><![CDATA[inflação dos alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Logística Portuária]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de grãos]]></category>
		<category><![CDATA[Paraná]]></category>
		<category><![CDATA[Preço do Trigo]]></category>
		<category><![CDATA[Produção de Trigo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[safra 2026/2027]]></category>
		<category><![CDATA[trigo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027. Queda da produção nacional preocupa moinhos, pressiona portos e ameaça elevar custos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<header class="group/header group mx-auto box-border flex w-full max-w-full flex-col gap-4 pb-4 md:border-b md:border-neutral-200 [&amp;_.gallery]:-mx-4 [&amp;_.gallery]:outline [&amp;_.gallery]:outline-2 [&amp;_.gallery]:outline-neutral-950 [&amp;_.gallery]:lg:-mx-0 [&amp;_.gallery]:lg:outline-none">
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<div class="border-b pb-4 lg:border-b-0 lg:pb-0" tabindex="1">
<p>O Brasil poderá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, diante da redução da produção nacional e das dificuldades para obter cereal com qualidade adequada à fabricação de farinha. A projeção foi apresentada nesta sexta-feira (23) por Tito Marquetti Martinho, diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge Alimentos, durante o 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizado no Rio de Janeiro. O cenário preocupa a indústria moageira porque amplia a necessidade de compras externas e pode pressionar a infraestrutura portuária, os custos logísticos e o abastecimento regional. A Argentina deverá permanecer como principal fornecedora do cereal ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341323">mercado</a> brasileiro.</p>
<p>A estimativa representa um alerta para uma cadeia produtiva que já depende de importações para complementar a oferta doméstica. Segundo o especialista em mercado de trigo Elcio Bento, a produção nacional poderá ficar em 5,12 milhões de toneladas, queda de 37% em relação à referência utilizada em sua apresentação no congresso. Nesse cenário, o cereal brasileiro atenderia aproximadamente 36% do consumo nacional, aumentando a participação do produto importado. Os números apresentados pela indústria são projeções de mercado e diferem das estimativas oficiais de órgãos públicos.</p>
<p>Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a menor disponibilidade interna já aponta para um crescimento expressivo das compras externas. O presidente-executivo da entidade, Rubens Barbosa, afirmou durante a abertura do congresso que as importações poderão alcançar ou superar 9 milhões de toneladas, em um movimento que poderá representar o maior volume dos últimos 30 anos. A projeção apresentada pela Bunge para 2027 amplia esse cenário e reforça a preocupação com a capacidade de atendimento da demanda. Os resultados efetivos dependerão da conclusão da colheita, das condições de qualidade e da disponibilidade internacional do cereal.</p>
<h2>Conab prevê queda de 27,2% na produção brasileira de trigo</h2>
<p>O recuo da produção nacional também aparece nas estimativas oficiais. No levantamento divulgado em 15 de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou uma safra brasileira de 5,7 milhões de toneladas de trigo em 2026, redução de 27,2% em relação ao ano anterior. A retração está associada à diminuição da área cultivada e à perda de produtividade das lavouras. Na data da divulgação, aproximadamente 40,3% da área nacional havia sido colhida.</p>
<p>A estimativa da Conab é superior aos 5,12 milhões de toneladas apresentados por Elcio Bento no congresso, mas ambas indicam uma queda relevante da oferta doméstica. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por sua vez, reduziu sua previsão para 5,8 milhões de toneladas na safra 2026/2027. As diferenças decorrem das metodologias, dos períodos de referência e das informações consideradas por cada instituição. Por isso, não devem ser interpretadas como resultados definitivos de uma colheita ainda em andamento.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Fonte</th>
<th>Produção brasileira estimada</th>
</tr>
<tr>
<td>Análise de Elcio Bento apresentada à Abitrigo</td>
<td>5,12 milhões de toneladas</td>
</tr>
<tr>
<td>Conab — outubro de 2026</td>
<td>5,7 milhões de toneladas</td>
</tr>
<tr>
<td>USDA — outubro de 2026</td>
<td>5,8 milhões de toneladas</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A menor produção ocorre em um mercado que precisa atender à demanda de indústrias de panificação, massas alimentícias, biscoitos e outros derivados. O Brasil possui capacidade de moagem distribuída por diferentes estados, mas a localização dos moinhos nem sempre coincide com a disponibilidade regional do cereal. Essa característica aumenta a importância do transporte e da integração entre fornecedores nacionais e estrangeiros. Em períodos de oferta restrita, os custos dessa operação tornam-se ainda mais relevantes para a competitividade das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341322">empresas</a>.</p>
<h2>Qualidade do trigo preocupa mais do que a redução do volume</h2>
<p>Além da quantidade disponível, a qualidade do cereal tornou-se um dos principais desafios para a indústria. Segundo Elcio Bento, a produção de trigo Tipo 1 em São Paulo deverá ficar entre 70 mil e 80 mil toneladas. No Paraná, onde aproximadamente 70% da colheita havia sido concluída no momento de sua análise, a disponibilidade estimada dessa classificação variava de 500 mil a 600 mil toneladas. Os números indicam uma oferta restrita de trigo enquadrado nessa categoria comercial.</p>
<p>A classificação considera características físicas e critérios de qualidade estabelecidos para o cereal. Para a indústria moageira, entretanto, também são importantes atributos como teor e qualidade das proteínas, força do glúten e comportamento da farinha durante o processamento. Diferentes produtos exigem combinações específicas dessas características, o que pode tornar necessário misturar lotes de origens distintas. Assim, mesmo quando há trigo disponível no mercado interno, parte da produção pode não atender integralmente às necessidades de determinados segmentos industriais.</p>
<p>Essa diferença explica por que a dependência externa não pode ser avaliada apenas pela comparação entre produção e consumo. Um país pode precisar importar trigo com características específicas mesmo quando possui estoques domésticos de outras classificações. No atual cenário, a indústria enfrenta simultaneamente a possibilidade de redução do volume disponível e maior heterogeneidade do produto colhido. A combinação tende a aumentar a complexidade das operações de compra e moagem.</p>
<h2>Paraná pode registrar déficit de 1,85 milhão de toneladas</h2>
<p>A redução da oferta também deverá alterar o abastecimento regional. Tradicionalmente responsável por fornecer trigo a outros mercados brasileiros, o Paraná poderá passar de um excedente de aproximadamente 100 mil toneladas para um déficit estimado em 1,85 milhão de toneladas, segundo análise apresentada por Elcio Bento. Essa mudança ampliaria a necessidade de receber cereal de outros estados ou do exterior. O resultado também poderá modificar os fluxos comerciais e elevar a importância da infraestrutura de transporte.</p>
<p>O Paraná possui participação estratégica na produção e no processamento de trigo, além de contar com acesso ao Porto de Paranaguá. A perspectiva de déficit significa que parte dos moinhos poderá depender mais intensamente de fornecedores externos à região. Essa necessidade envolve decisões sobre aquisição, armazenamento e transporte, especialmente quando o trigo importado precisa ser deslocado para unidades industriais localizadas no interior. A eficiência logística poderá influenciar diretamente os custos operacionais das empresas.</p>
<p>No Rio Grande do Sul, a preocupação está relacionada às condições da safra e à disponibilidade efetiva para comercialização. Durante o congresso, representantes do setor destacaram que a redução da produção deverá limitar a capacidade gaúcha de abastecer outros estados. O cenário exige atenção porque Paraná e Rio Grande do Sul tradicionalmente desempenham papel central na oferta brasileira do cereal. Uma retração simultânea nos dois mercados reduz as alternativas de fornecimento doméstico.</p>
<h2>Chuvas e geadas prejudicaram lavouras gaúchas</h2>
<p>As condições climáticas enfrentadas pelo Rio Grande do Sul contribuíram para as dificuldades da produção de trigo em 2026. Segundo Índio Brasil dos Santos, sócio da Solo Corretora de Cereais, a safra foi afetada por menor investimento nas lavouras, dificuldades nos tratos culturais e desenvolvimento limitado das plantas. O excesso de umidade e a baixa incidência de luz solar também prejudicaram diferentes fases do cultivo. Esses fatores comprometem o potencial produtivo e podem afetar a qualidade do grão colhido.</p>
<p>Em julho, períodos prolongados de chuva e céu encoberto reduziram as condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. Agosto apresentou frio e precipitações, enquanto setembro foi marcado por chuvas acima da média e uma ocorrência de geada no dia 7. Em outubro, a continuidade das precipitações dificultou o avanço dos trabalhos em determinadas regiões. A sucessão de eventos climáticos ajuda a explicar a cautela dos participantes do mercado quanto ao resultado final da safra.</p>
<p>Na apresentação realizada durante o congresso, o rendimento estimado para as áreas analisadas foi de 2,5 mil quilos por hectare. Aproximadamente 27% da área considerada havia sido colhida, e a comercialização correspondia a cerca de 30% do volume projetado. Como esses indicadores foram apresentados antes da conclusão da colheita, ainda estavam sujeitos a revisões. A evolução das condições climáticas e dos trabalhos no campo permanece determinante para a oferta final.</p>
<h2>Argentina deve continuar como principal fornecedora do Brasil</h2>
<p>A perspectiva de importações mais elevadas reforça o papel da Argentina no abastecimento brasileiro de trigo. A proximidade geográfica e a integração comercial no Mercosul favorecem as transações entre os dois países. Além disso, a indústria brasileira já possui relações estabelecidas com fornecedores argentinos, o que contribui para a continuidade dos fluxos comerciais. A disponibilidade do cereal no país vizinho, entretanto, dependerá de sua própria safra e das condições internacionais de mercado.</p>
<p>A maior dependência externa também expõe o Brasil às oscilações cambiais. Como as negociações internacionais de trigo são influenciadas por preços em dólares, movimentos de valorização da moeda americana podem encarecer as compras realizadas pelos importadores brasileiros. Custos de transporte marítimo, armazenagem e desembaraço portuário também integram o valor final da matéria-prima. A combinação desses fatores pode afetar as margens dos moinhos e a formação de preços dos produtos derivados.</p>
<p>Outro elemento de incerteza envolve o mercado do Mar Negro, região relevante para o comércio internacional de trigo. O conflito entre Rússia e Ucrânia continua sendo acompanhado pelos participantes do setor devido a seus possíveis efeitos sobre produção, logística e exportações. Alterações no fluxo de embarques podem influenciar os preços internacionais e as decisões de compra de países importadores. Para o Brasil, esse risco reforça a importância de diversificar fornecedores e acompanhar a disponibilidade global do cereal.</p>
<h2>Importações podem aumentar pressão sobre os portos brasileiros</h2>
<p>A movimentação de até 10 milhões de toneladas de trigo importado em um ano representaria uma demanda logística significativa para o Brasil. Distribuído de maneira uniforme, esse volume equivaleria a aproximadamente 833 mil toneladas mensais, embora as compras efetivas variem conforme os períodos de colheita e as necessidades da indústria. O aumento exigiria capacidade de recebimento, descarga, armazenagem e transporte terrestre para os moinhos. Eventuais limitações nessas etapas podem elevar custos e comprometer a eficiência do abastecimento.</p>
<p>O desafio não se resume à movimentação dos navios. Após o desembarque, o trigo precisa seguir para unidades industriais localizadas em diferentes regiões, muitas delas distantes dos principais terminais marítimos. A disponibilidade de caminhões, a capacidade de armazenamento e os custos do transporte influenciam a competitividade das operações. Moinhos com acesso mais eficiente à infraestrutura portuária poderão apresentar vantagens em relação aos concorrentes com maior dependência de longos deslocamentos terrestres.</p>
<p>A maior utilização de trigo importado também poderá exigir ajustes na organização industrial. Empresas que recebem cereais com diferentes características precisarão adequar processos de mistura, controle de qualidade e moagem para manter a padronização das farinhas. Essa exigência tende a ampliar a importância da eficiência operacional. A redução de perdas e a estabilidade dos produtos finais serão fatores relevantes para preservar a rentabilidade.</p>
<h2>Preço do pão e das massas poderá sofrer pressão?</h2>
<p>O trigo é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de farinha, pães, massas e biscoitos. Por isso, mudanças em sua oferta e nos custos de aquisição podem influenciar a indústria alimentícia. A necessidade de importar volumes maiores aumenta a exposição dos moinhos ao câmbio, ao transporte internacional e aos preços praticados pelos fornecedores estrangeiros. Entretanto, essa combinação não significa aumento automático do preço dos alimentos ao consumidor.</p>
<p>O repasse depende de fatores adicionais, como contratos de fornecimento, estoques disponíveis, concorrência entre fabricantes e custos de outros insumos. Despesas com energia, embalagens, distribuição e mão de obra também participam da formação do preço final. Em determinados períodos, empresas podem absorver parte das oscilações da matéria-prima em suas margens. Em outros, aumentos persistentes de custos podem ser transferidos gradualmente aos produtos comercializados.</p>
<p>A evolução dos preços internacionais do trigo também poderá compensar ou ampliar os efeitos da redução da produção brasileira. Caso a oferta global permaneça elevada, o país poderá encontrar condições de aquisição mais favoráveis, mesmo com maior necessidade de importações. Por outro lado, problemas climáticos em grandes produtores ou restrições logísticas podem alterar rapidamente essa perspectiva. O impacto sobre os consumidores dependerá do comportamento conjunto dessas variáveis.</p>
<h2>Dados oficiais mostram importações de 428,5 mil toneladas em setembro</h2>
<p>As estatísticas de comércio exterior oferecem uma referência sobre o fluxo recente de compras internacionais. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil importou aproximadamente 428,5 mil toneladas de trigo e centeio não moídos em setembro de 2026, movimentando US$ 105,1 milhões. O volume ficou 24,6% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. A categoria estatística reúne trigo e centeio, portanto não corresponde exclusivamente às aquisições de trigo.</p>
<p>Em agosto, as compras desses cereais somaram aproximadamente 514,7 mil toneladas, com valor de US$ 125,8 milhões. A comparação mostra que as importações oscilaram entre os dois meses, sem uma trajetória contínua de crescimento no período. Essas movimentações refletem condições comerciais específicas e não permitem antecipar, isoladamente, o total que será importado em 2027. A projeção de até 10 milhões de toneladas está relacionada principalmente à disponibilidade esperada para o próximo ano.</p>
<p>A diferença entre os volumes recentes e as estimativas futuras reforça a necessidade de acompanhar os próximos levantamentos. A conclusão da colheita brasileira, a definição da oferta argentina e a evolução dos estoques determinarão o ritmo das compras externas. O comportamento dos preços internacionais também influenciará o momento de contratação dos embarques. Para a indústria, antecipar essas mudanças será importante na administração dos custos e na garantia de fornecimento.</p>
<h2>Menor produção coloca abastecimento de trigo entre os desafios de 2027</h2>
<p>As projeções apresentadas no Congresso Internacional da Indústria do Trigo apontam para um período de maior dependência do mercado externo. A possibilidade de importar até 10 milhões de toneladas em 2027 evidencia a distância entre a produção nacional e as necessidades da indústria, especialmente diante das preocupações com a qualidade do cereal disponível. Ao mesmo tempo, a previsão oficial de queda de 27,2% na safra brasileira confirma a dimensão do desafio produtivo. A combinação exige atenção à logística, aos custos e à capacidade de abastecimento dos moinhos.</p>
<p>O cenário também destaca diferenças regionais importantes. A perspectiva de déficit no Paraná e as dificuldades enfrentadas pelas lavouras gaúchas poderão alterar os fluxos tradicionais de fornecimento. A Argentina tende a ganhar ainda mais relevância como parceira comercial, enquanto os portos brasileiros deverão receber atenção crescente das empresas importadoras. A capacidade de adaptação da cadeia produtiva será determinante para limitar os efeitos da menor oferta doméstica.</p>
<p>Para 2027, os principais pontos de acompanhamento serão o resultado definitivo da safra brasileira, a qualidade do trigo colhido, os preços internacionais e a capacidade logística de receber volumes maiores. A estimativa de importação ainda não representa uma quantidade contratada ou confirmada, mas sinaliza a dimensão das necessidades previstas pelo setor. Seu cumprimento dependerá das condições de mercado e da evolução do consumo interno. A prioridade da indústria será assegurar matéria-prima suficiente e adequada para manter a regularidade da produção de farinha e de seus derivados.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) — 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizado de 21 a 23 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) — Primeiro Levantamento da Safra de Grãos 2026/2027, divulgado em 15 de outubro de 2026.</p>
<p>Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) — Relatório de oferta e demanda agrícola de outubro de 2026.</p>
<p>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — Estatísticas oficiais do comércio exterior brasileiro, importações de trigo e centeio não moídos, agosto e setembro de 2026.</p>
<p>Ministério da Agricultura e Pecuária — Informações sobre as relações comerciais agrícolas entre Brasil e Argentina.</p>
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		<item>
		<title>Vendas de etanol no Centro-Sul batem recorde de 3,15 bilhões de litros no mercado interno em agosto</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/vendas-etanol-centro-sul-recorde-agosto-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 21:04:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[safra 2026/2027]]></category>
		<category><![CDATA[Única]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vendas de etanol no Centro-Sul batem recorde em agosto de 2026, com 3,36 bilhões de litros comercializados. Produção e exportações também avançam.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<header class="group/header group mx-auto box-border flex w-full max-w-full flex-col gap-4 pb-4 md:border-b md:border-neutral-200 [&amp;_.gallery]:-mx-4 [&amp;_.gallery]:outline [&amp;_.gallery]:outline-2 [&amp;_.gallery]:outline-neutral-950 [&amp;_.gallery]:lg:-mx-0 [&amp;_.gallery]:lg:outline-none">
<div class="flex w-full flex-col gap-4">
<div class="border-b pb-4 lg:border-b-0 lg:pb-0" tabindex="1">
<p>As vendas de etanol no mercado interno brasileiro atingiram um recorde histórico em agosto de 2026, impulsionadas pelo crescimento do consumo do biocombustível e pela expansão da produção no Centro-Sul do país. Segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (23) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), as usinas da região comercializaram 3,15 bilhões de litros no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341319">mercado</a> doméstico, o maior volume mensal já registrado pela entidade. Considerando também as exportações, as vendas totalizaram 3,36 bilhões de litros, ante aproximadamente 2,95 bilhões de litros no mesmo mês da safra anterior. O resultado representa crescimento próximo de 13,9% na comparação anual.</p>
<p>O desempenho foi sustentado principalmente pelo etanol hidratado, utilizado diretamente como combustível em veículos flex. As vendas domésticas dessa modalidade alcançaram 1,96 bilhão de litros, crescimento de 15,42% em relação a agosto de 2025. O etanol anidro, destinado à mistura obrigatória com a gasolina, registrou comercialização interna de 1,19 bilhão de litros, avanço de 6,78%. Os números indicam expansão simultânea da demanda por ambas as modalidades, com maior intensidade no combustível vendido diretamente aos motoristas.</p>
<p>No acumulado da safra 2026/2027, iniciada em abril, a comercialização de etanol no Centro-Sul chegou a 15,38 bilhões de litros até o encerramento de agosto. O volume representa aumento de 6,34% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Desse total, 9,49 bilhões de litros corresponderam ao etanol hidratado, enquanto 5,88 bilhões foram de anidro. A evolução reforça a importância do biocombustível no abastecimento nacional e na atividade econômica do setor sucroenergético.</p>
<h2>Etanol hidratado impulsiona recorde de vendas</h2>
<p>O crescimento de 15,42% nas vendas internas de etanol hidratado foi um dos principais destaques do levantamento. Com 1,96 bilhão de litros comercializados em agosto, o produto respondeu por aproximadamente 62% das vendas domésticas de etanol realizadas pelas unidades do Centro-Sul. O desempenho evidencia o aumento da movimentação do combustível utilizado diretamente em veículos flex, que representam parcela expressiva da frota brasileira. A expansão ocorre em um mercado no qual a competitividade do etanol depende principalmente da relação de preços com a gasolina.</p>
<p>A escolha entre os combustíveis envolve fatores como preço por litro, consumo energético e características do veículo. Como o etanol possui menor densidade energética que a gasolina, o motorista precisa considerar a autonomia obtida com cada produto. Tradicionalmente, utiliza-se a relação de aproximadamente 70% do preço da gasolina como referência inicial de comparação, embora o ponto de equilíbrio varie conforme o automóvel. O aumento das vendas nas usinas não permite concluir, isoladamente, que o etanol ficou mais barato para o consumidor final.</p>
<p>A dinâmica de comercialização também depende dos estoques mantidos por distribuidores, da logística e das condições regionais de abastecimento. O Centro-Sul concentra parte significativa da capacidade industrial sucroenergética brasileira, abastecendo mercados de diferentes estados. Alterações na disponibilidade do produto podem influenciar os custos de distribuição e a formação de preços nos postos. O recorde anunciado pela UNICA, entretanto, refere-se às vendas realizadas pelas unidades produtoras, não ao volume diretamente adquirido pelos consumidores nos estabelecimentos varejistas.</p>
<h2>Mistura de etanol na gasolina chega a 32% em 2026</h2>
<p>O avanço do etanol anidro ocorre em um período de mudança regulatória no mercado brasileiro de combustíveis. Desde 1º de agosto de 2026, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comum e comum aditivada passou temporariamente de 30% para 32%. A medida foi estabelecida pela Resolução nº 9/2026 do Conselho Nacional de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341320">Política</a> Energética (CNPE), com vigência inicial de 180 dias e possibilidade de uma prorrogação pelo mesmo período. Para a gasolina premium, a proporção permaneceu em 25%.</p>
<p>A elevação da mistura aumenta a participação do biocombustível na composição da gasolina comercializada ao consumidor. Em termos operacionais, distribuidoras precisam adquirir etanol anidro em quantidade compatível com as exigências regulatórias e com o volume de gasolina que pretendem comercializar. Essa mudança pode contribuir para ampliar a demanda estrutural pelo produto. Entretanto, o levantamento de agosto não quantifica quanto do crescimento das vendas decorreu especificamente da adoção da mistura E32.</p>
<p>Segundo o Ministério de Minas e Energia, a elevação temporária da mistura integra a estratégia de diversificação da matriz energética e de redução da dependência de gasolina de origem fóssil. A medida também busca aproveitar a capacidade brasileira de produção de biocombustíveis. Seus efeitos sobre preços, importações e abastecimento dependerão das condições de oferta e demanda ao longo de sua vigência. O aumento do consumo de anidro torna ainda mais relevante o acompanhamento da produção e dos estoques disponíveis para as distribuidoras.</p>
<h2>Exportações de etanol crescem 57,4% em agosto</h2>
<p>O mercado externo também apresentou expansão expressiva. As exportações de etanol realizadas pelas unidades produtoras do Centro-Sul totalizaram 214,46 milhões de litros em agosto, crescimento de 57,4% em relação aos 136,25 milhões de litros registrados no mesmo mês de 2025. Na comparação com julho de 2026, quando foram embarcados 118,40 milhões de litros, o avanço chegou a 81,13%. O resultado indica uma aceleração das vendas internacionais durante o período analisado.</p>
<p>A expansão das exportações amplia as possibilidades comerciais das usinas e pode contribuir para a geração de receitas em moeda estrangeira. Entretanto, o volume embarcado precisa ser analisado em conjunto com os preços internacionais, o câmbio e os custos logísticos para determinar seus efeitos sobre a rentabilidade. Um crescimento expressivo em litros não significa necessariamente aumento proporcional do faturamento. A UNICA não apresentou, nesse levantamento, o valor financeiro correspondente às exportações de agosto.</p>
<p>A participação do mercado externo permaneceu menor que a das vendas domésticas. Dos 3,36 bilhões de litros comercializados no mês, aproximadamente 6,4% corresponderam às exportações, considerando os números arredondados divulgados pela entidade. A proporção demonstra a predominância do consumo interno na destinação do etanol produzido pelo Centro-Sul. Ao mesmo tempo, evidencia que o comércio internacional constitui uma alternativa de escoamento relevante para parte da produção brasileira.</p>
<h2>Produção de etanol cresce 13,88% na safra 2026/2027</h2>
<p>O crescimento das vendas foi acompanhado pela expansão da produção nas unidades industriais do Centro-Sul. Entre abril e agosto, a fabricação de etanol alcançou 21,09 bilhões de litros, aumento de 13,88% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior. O volume acumulado inclui 13,35 bilhões de litros de etanol hidratado, avanço de 14,96%, e 7,75 bilhões de litros de anidro, crescimento de 12,06%. O desempenho indica maior direcionamento da atividade industrial à produção do biocombustível.</p>
<p>Somente em agosto, as usinas produziram 4,90 bilhões de litros de etanol, alta de 6,24% na comparação anual. A fabricação de hidratado alcançou 3,08 bilhões de litros, crescimento de 11,83%, enquanto o anidro registrou 1,82 bilhão de litros, queda de 2,04%. Os dados mostram que as duas modalidades tiveram comportamentos diferentes no mês, apesar do crescimento conjunto no acumulado da safra. Essa distinção é importante para compreender a evolução da oferta de cada produto.</p>
<p>O volume produzido não deve ser confundido com a quantidade comercializada no mesmo período. A diferença pode refletir movimentações de estoques, condições contratuais, destinação da produção e outros componentes da operação industrial. Para determinar a evolução dos estoques, seria necessário considerar os saldos iniciais e finais, além de informações adicionais sobre entradas e saídas. O levantamento demonstra expansão simultânea da produção acumulada e das vendas, mas não permite concluir automaticamente que houve aumento ou redução dos estoques disponíveis.</p>
<h2>Etanol de milho amplia participação na produção brasileira</h2>
<p>A fabricação de etanol a partir do milho continua ganhando espaço na matriz de biocombustíveis do Centro-Sul. Em agosto, a produção dessa modalidade atingiu 812,69 milhões de litros, crescimento de 5,08% em relação aos 773,37 milhões registrados no mesmo mês do ciclo anterior. O volume representou 16,59% de todo o etanol fabricado na região durante o mês. A participação demonstra a importância crescente de uma matéria-prima que complementa a produção tradicional baseada na cana-de-açúcar.</p>
<p>No acumulado da safra 2026/2027 até agosto, a produção de etanol de milho chegou a 4,04 bilhões de litros, avanço de 8,47% na comparação anual. A expansão está relacionada ao desenvolvimento de unidades industriais especializadas e à utilização de milho como matéria-prima para a fabricação do combustível. Diferentemente da cana-de-açúcar, o processamento do grão permite uma organização industrial menos dependente da disponibilidade imediata da matéria-prima recém-colhida. Essa característica contribui para diversificar as alternativas de produção ao longo do ano.</p>
<p>O crescimento do segmento também cria oportunidades relacionadas ao aproveitamento de subprodutos industriais, como ingredientes utilizados na alimentação animal. A viabilidade econômica das operações depende dos preços do milho, dos custos energéticos e do mercado para esses produtos. Em regiões produtoras de grãos, a proximidade entre agricultura e indústria pode reduzir determinadas despesas logísticas. A expansão, contudo, permanece sujeita às condições de oferta da matéria-prima e à capacidade de comercialização do etanol.</p>
<h2>Moagem de cana aumenta, mas produção de açúcar recua</h2>
<p>O levantamento da UNICA também mostra mudanças relevantes na atividade sucroenergética. Em agosto, as unidades do Centro-Sul processaram 100,59 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, ante 98,04 milhões no mesmo período da safra 2025/2026. No acumulado entre abril e agosto, a moagem chegou a 412,37 milhões de toneladas, aumento de 1,81%. O desempenho confirma uma expansão moderada no volume de matéria-prima processada.</p>
<p>Apesar da maior moagem, a produção de açúcar apresentou retração. Em agosto, foram fabricadas 7,09 milhões de toneladas do adoçante, queda de 5,61% em relação às 7,51 milhões de toneladas registradas um ano antes. No acumulado da safra, a fabricação alcançou 24,08 milhões de toneladas, redução de 10,29%. Os números mostram uma evolução distinta entre açúcar e etanol durante o atual ciclo agrícola.</p>
<p>A diferença pode estar associada ao direcionamento industrial da matéria-prima e às condições técnicas e comerciais enfrentadas pelas usinas. A produção de açúcar e etanol compete pelo aproveitamento dos açúcares presentes na cana, permitindo ajustes conforme a estrutura industrial e as perspectivas de mercado. Entretanto, o levantamento não atribui integralmente a retração do açúcar a uma decisão deliberada de priorizar o biocombustível. Essa conclusão exigiria informações complementares sobre o mix de produção e os rendimentos industriais.</p>
<p>A qualidade da matéria-prima também merece atenção. Em agosto, o indicador de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) ficou em 143,09 quilos por tonelada de cana, abaixo dos 147,18 quilos registrados no mesmo mês de 2025. A queda de 2,77% indica menor quantidade de açúcar potencialmente recuperável por tonelada processada. Esse fator pode influenciar os resultados industriais, mesmo quando a moagem aumenta.</p>
<h2>Centro-Sul tinha 255 unidades produtoras em operação</h2>
<p>Ao final de agosto, a região Centro-Sul contabilizava 255 unidades produtoras em atividade, segundo a UNICA. Desse total, 235 processavam cana-de-açúcar, 11 eram <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341321">empresas</a> dedicadas à fabricação de etanol a partir do milho e nove operavam como usinas flex. A distribuição revela a predominância da cadeia canavieira, embora a produção de milho tenha ampliado sua contribuição para o volume total de biocombustível. A diversificação tecnológica é uma das características da atual expansão do setor.</p>
<p>A capacidade industrial instalada possui importância estratégica para atender à demanda doméstica e às oportunidades de exportação. Além do processamento agrícola, o abastecimento depende da disponibilidade de armazenamento, transporte e distribuição. O crescimento das vendas exige coordenação entre produtores e empresas responsáveis pela comercialização dos combustíveis. Restrições em qualquer uma dessas etapas podem afetar custos e disponibilidade regional, mesmo quando existe produção suficiente em escala nacional.</p>
<h2>Recorde reforça importância do etanol na matriz energética</h2>
<p>Os números de agosto mostram um setor com expansão simultânea da comercialização doméstica, das exportações e da produção acumulada. O recorde de 3,15 bilhões de litros vendidos no mercado interno evidencia a dimensão alcançada pelo etanol no abastecimento brasileiro. A maior utilização do hidratado e a elevação temporária da mistura de anidro à gasolina também reforçam a importância das decisões de consumidores, distribuidores e autoridades regulatórias. A evolução do mercado dependerá da relação de preços entre combustíveis e das condições de oferta nos próximos meses.</p>
<p>O crescimento da produção de milho acrescenta outra dimensão ao desempenho do setor. A ampliação dessa modalidade reduz a dependência exclusiva da cana-de-açúcar como matéria-prima e pode contribuir para uma oferta mais diversificada. Ao mesmo tempo, o recuo da fabricação de açúcar demonstra que as condições de produção e comercialização das diferentes atividades continuam influenciando as decisões industriais. O equilíbrio entre esses mercados será relevante para os resultados econômicos da safra.</p>
<p>A expansão dos volumes também não garante redução automática dos preços nos postos. A formação do preço final envolve custos de produção, tributos, logística, margens comerciais e concorrência regional. A existência de maior oferta pode favorecer condições de abastecimento, mas seu efeito sobre os consumidores depende da transmissão dessas condições ao longo da cadeia. A próxima etapa será acompanhar se o crescimento das vendas continuará nos meses seguintes e como a produção responderá à demanda.</p>
<p>Com 15,38 bilhões de litros comercializados nos cinco primeiros meses da safra 2026/2027, o Centro-Sul apresenta crescimento de 6,34% em relação ao ciclo anterior. O resultado confirma a expansão da atividade sucroenergética e o avanço da participação dos biocombustíveis na matriz brasileira de transportes. O recorde doméstico de agosto constitui um indicador relevante dessa trajetória, mas sua sustentação dependerá dos preços, da disponibilidade de matéria-prima e das condições econômicas do mercado. A continuidade do crescimento será determinante para o desempenho do setor no restante da safra.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) — Relatório Safra 2026/2027, agosto, divulgado em 23 de outubro de 2026.</p>
<p>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — Comunicado sobre a adoção temporária da mistura E32, publicado em 31 de julho de 2026.</p>
<p>Ministério de Minas e Energia — Resolução CNPE nº 9/2026 e informações sobre a elevação do teor de etanol anidro na gasolina para 32%.</p>
<p>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — Informações técnicas sobre etanol hidratado e etanol anidro.</p>
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		<item>
		<title>Brasil suspende exportações de aves à China e à Malásia após surto de Newcastle em Santa Catarina</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-suspende-exportacoes-aves-china-malasia-newcastle</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 15:11:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Brasil suspende exportações de aves para China e Malásia após foco de Newcastle em SC. Restrições comerciais também atingem o México.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil suspendeu nesta terça-feira (20) as exportações de carne de aves para a China e a Malásia após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A interrupção segue protocolos sanitários internacionais e ocorre em meio à adoção de restrições por outros países compradores, incluindo o México. As medidas representam um novo obstáculo para a indústria avícola brasileira, que acumulou receitas de US$ 8,67 bilhões com exportações de carne de frango nos primeiros nove meses de 2026.</p>
<p>A confirmação da doença, ocorrida em 18 de outubro, levou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a determinar medidas de contenção e comunicar o episódio aos parceiros comerciais. Enquanto China e Malásia estão sujeitas à suspensão nacional das certificações, outros mercados adotam limitações territoriais, que podem abranger determinadas regiões produtoras. A extensão dos efeitos comerciais dependerá principalmente da duração das restrições e da aceitação, pelos importadores, das medidas brasileiras de regionalização sanitária.</p>
<p>O impacto ocorre justamente quando a avicultura brasileira apresenta crescimento expressivo nas vendas internacionais. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que os embarques chegaram a 4,421 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2025. A receita avançou 21%, desempenho que evidencia a importância dos mercados externos para a cadeia produtiva e amplia a relevância econômica de eventuais interrupções prolongadas.</p>
<h2>China concentra parcela relevante das exportações brasileiras</h2>
<p>A suspensão dos embarques para a China representa uma das principais preocupações comerciais do setor. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341086">mercado</a> chinês recebeu aproximadamente 420 mil toneladas de carne de frango brasileira entre janeiro e setembro de 2026, volume equivalente a cerca de 9,5% das exportações nacionais no período. A participação demonstra que uma restrição prolongada pode afetar significativamente o planejamento comercial dos frigoríficos, especialmente daqueles com maior exposição ao país asiático.</p>
<p>Somente em setembro, a China comprou 40,9 mil toneladas de carne de frango brasileira, segundo levantamento da ABPA. O volume representou aproximadamente 8,2% das 500,3 mil toneladas exportadas pelo Brasil naquele mês. A comparação ajuda a dimensionar a parcela dos embarques sujeita ao risco comercial, embora não permita calcular automaticamente o prejuízo decorrente da suspensão.</p>
<p>O protocolo sanitário entre Brasil e China prevê a interrupção cautelar das certificações diante da ocorrência de determinadas enfermidades em estabelecimentos comerciais. A retomada depende das condições estabelecidas pelas autoridades competentes e da avaliação das medidas adotadas para conter a circulação do vírus. Uma das questões decisivas será a possibilidade de restringir territorialmente o embargo, preservando operações de estabelecimentos localizados fora da região afetada.</p>
<p>A diferenciação entre suspensão nacional e regionalização tem consequências econômicas importantes. Quando a restrição alcança todo o território brasileiro, mesmo frigoríficos distantes do foco deixam de realizar os embarques abrangidos pela medida. Caso o importador aceite limitar a restrição à área afetada, unidades de outras regiões poderão manter suas operações, desde que cumpram os requisitos sanitários exigidos.</p>
<h2>Restrições atingem outros mercados e ampliam incertezas</h2>
<p>Além da China e da Malásia, o episódio desencadeou restrições comerciais com diferentes abrangências geográficas. O México também interrompeu compras de produtos avícolas brasileiros, enquanto outros destinos estabeleceram limitações regionais relacionadas à ocorrência sanitária em Santa Catarina. A aplicação das medidas depende dos certificados internacionais e das regras específicas negociadas entre o Brasil e cada país importador.</p>
<p>A situação exige atenção especial das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341085">empresas</a> que trabalham com contratos de fornecimento, programação de abates e cargas destinadas ao exterior. Produtos preparados para mercados sujeitos a novas exigências podem precisar de reavaliação documental ou redirecionamento comercial, dependendo das condições aplicáveis. O efeito financeiro não se limita necessariamente ao cancelamento de vendas, pois alterações de destino podem envolver custos logísticos, diferenças de preços e ajustes na utilização da capacidade industrial.</p>
<p>O México ganhou relevância crescente como comprador de produtos avícolas brasileiros nos últimos anos. Uma interrupção das importações pode afetar empresas que desenvolveram operações comerciais específicas para atender ao mercado mexicano. Entretanto, a dimensão efetiva das perdas dependerá dos volumes ainda não embarcados, dos contratos existentes e do período durante o qual as restrições permanecerem em vigor.</p>
<p>O setor também acompanha a posição de outros parceiros comerciais, especialmente daqueles que reconhecem mecanismos de regionalização sanitária. A diferença entre um bloqueio nacional e uma restrição limitada ao entorno da propriedade contaminada pode determinar a continuidade de parcela expressiva das exportações. Por enquanto, os dados disponíveis não permitem estabelecer o valor total das operações comerciais afetadas.</p>
<h2>Granja com 6 mil perus foi interditada após confirmação da doença</h2>
<p>O foco de Newcastle foi identificado em um estabelecimento comercial de criação de perus localizado em Nova Itaberaba. Segundo o Ministério da Agricultura, a propriedade possuía aproximadamente 6 mil aves, que permaneceram no estabelecimento e não foram encaminhadas ao processamento para consumo. A confirmação ocorreu após investigação epidemiológica conduzida pelo serviço veterinário estadual e análises realizadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.</p>
<p>O processo de investigação envolveu amostras coletadas entre 21 de setembro e 14 de outubro. Após a confirmação laboratorial, o estabelecimento foi interditado, com suspensão da movimentação de animais e adoção dos procedimentos previstos no plano nacional de contingência. As medidas incluem a eliminação sanitária das aves, a limpeza e desinfecção das instalações e o monitoramento de propriedades próximas.</p>
<p>O governo federal estabeleceu uma área de atenção sanitária que abrange Nova Itaberaba e os municípios de Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341087">trabalho</a> de campo prevê o acompanhamento de aproximadamente 133 propriedades, com inspeções clínicas e coleta de materiais para exames laboratoriais. O objetivo é identificar rapidamente possíveis ocorrências adicionais e impedir que a enfermidade se espalhe para outros estabelecimentos comerciais.</p>
<p>A resposta sanitária também envolve o controle da circulação de aves e a avaliação das condições epidemiológicas da região. A atuação conjunta das autoridades federais e estaduais busca delimitar a ocorrência e produzir informações que possam sustentar futuras negociações com os países importadores. A comprovação do controle do foco será fundamental para definir os próximos passos.</p>
<h2>Doença de Newcastle não compromete segurança da carne inspecionada, afirma governo</h2>
<p>A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Dependendo da cepa e das características dos animais infectados, pode provocar manifestações respiratórias, alterações neurológicas e distúrbios digestivos. A circulação de variantes virulentas exige notificação às autoridades internacionais de saúde animal e adoção de medidas específicas de controle.</p>
<p>O Ministério da Agricultura esclareceu que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro. A confirmação da doença em uma propriedade comercial não significa, portanto, que os produtos regularmente inspecionados estejam impróprios para consumo. As restrições às exportações têm natureza sanitária preventiva e visam impedir a disseminação internacional do agente infeccioso por vias consideradas relevantes pelos protocolos veterinários.</p>
<p>A distinção é importante para o mercado doméstico, que absorve parcela significativa da produção nacional. A eventual redução dos embarques pode alterar temporariamente a disponibilidade de determinados produtos no Brasil, mas não há elementos suficientes para concluir que ocorrerá uma queda generalizada dos preços ao consumidor. Esse resultado dependerá da duração dos bloqueios, da capacidade de redirecionamento da produção e do comportamento da demanda.</p>
<h2>Novo episódio reacende preocupação com o comércio internacional</h2>
<p>O registro em Santa Catarina ocorre pouco mais de dois anos depois de outro foco de Newcastle em uma granja comercial brasileira. Em julho de 2024, a doença foi identificada em um estabelecimento avícola de Anta Gorda, no Rio Grande do Sul, provocando a adoção de medidas emergenciais e restrições sanitárias. Naquela ocasião, as autoridades conseguiram controlar a ocorrência, permitindo a posterior revisão das limitações impostas à região.</p>
<p>O histórico também demonstra que a duração de um embargo comercial não depende exclusivamente do controle epidemiológico da doença. Mesmo após a eliminação de um foco, os países compradores precisam avaliar as notificações oficiais e reconhecer o cumprimento das condições previstas em seus protocolos. Por isso, os prazos de retomada podem variar de um destino para outro.</p>
<p>A suspensão de outubro também ocorre depois da recuperação das exportações brasileiras de carne de frango em 2026. O desempenho de setembro foi especialmente expressivo em mercados que haviam registrado volumes reduzidos no ano anterior, durante as restrições relacionadas à influenza aviária. Esse histórico reforça a importância da previsibilidade sanitária para um setor que opera com contratos internacionais e cadeias de fornecimento de grande escala.</p>
<p>Os números acumulados de janeiro a setembro permitem dimensionar a exposição econômica sem antecipar perdas ainda não realizadas. Considerando a receita de US$ 8,673 bilhões e o volume de 4,421 milhões de toneladas, o valor médio das exportações brasileiras no período foi de aproximadamente US$ 1.962 por tonelada. Trata-se de uma média nacional calculada a partir de diferentes produtos e destinos, que não corresponde necessariamente ao preço contratado por qualquer mercado específico.</p>
<h2>Retomada das vendas dependerá de negociações sanitárias</h2>
<p>O Ministério da Agricultura mantém interlocução com as autoridades dos países importadores para comunicar as medidas adotadas e apresentar a evolução do controle da doença. A aceitação da regionalização poderá reduzir o alcance comercial das restrições, permitindo que estabelecimentos situados fora das áreas afetadas continuem atendendo determinados destinos. A decisão, entretanto, depende das regras de cada mercado.</p>
<p>Para os frigoríficos brasileiros, o principal desafio imediato é adaptar a programação comercial às exigências sanitárias vigentes. A eventual redistribuição de cargas para outros compradores poderá amortecer parte dos efeitos, mas não elimina automaticamente diferenças de preços, especificações de produtos e custos logísticos. As condições de cada contrato também poderão influenciar a capacidade das empresas de reorganizar os embarques.</p>
<p>A evolução das investigações epidemiológicas nas 133 propriedades monitoradas será um dos fatores determinantes para a resposta oficial. Novos resultados laboratoriais, a conclusão dos procedimentos de erradicação e o reconhecimento internacional das medidas brasileiras deverão orientar as próximas decisões comerciais. Até que esses procedimentos avancem, permanecem indefinidos o prazo de normalização das exportações e o impacto financeiro efetivo sobre a indústria avícola nacional.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — notas oficiais de 19 de outubro de 2026 sobre a confirmação do foco de Newcastle e as medidas de controle sanitário.</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — informações da coletiva de imprensa de 19 de outubro de 2026 sobre o monitoramento epidemiológico e o comércio internacional.</em></p>
<p><em>Associação Brasileira de Proteína Animal — balanço das exportações brasileiras de carne de frango de setembro de 2026, divulgado em 7 de outubro.</em></p>
<p><em>Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina — comunicado sobre a confirmação da doença em Nova Itaberaba e as medidas de contenção.</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — documentação oficial sobre a doença de Newcastle e os procedimentos nacionais de vigilância e emergência zoossanitária.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Recuperação judicial no agronegócio cai 20,7%, mas endividamento preocupa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/recuperacao-judicial-agronegocio-cai-2026-endividamento</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 22:03:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[crédito rural]]></category>
		<category><![CDATA[economia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[endividamento rural]]></category>
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		<category><![CDATA[Mato Grosso]]></category>
		<category><![CDATA[Plano Safra 2026/2027]]></category>
		<category><![CDATA[produtores rurais]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação judicial]]></category>
		<category><![CDATA[Serasa Experian]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pedidos de recuperação judicial no agronegócio caem 20,7% no 2º trimestre de 2026, mas endividamento e inadimplência ainda preocupam produtores.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, uma queda de 20,7% em relação às 565 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pela Serasa Experian e representam a primeira redução do indicador para um segundo trimestre desde 2022. Apesar do recuo, o volume de processos continua a evidenciar as dificuldades financeiras enfrentadas por produtores rurais e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341025">empresas</a> ligadas à cadeia produtiva. O endividamento acumulado, os custos operacionais e as restrições de acesso ao crédito permanecem entre os principais desafios do setor.</p>
<p>Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando foram contabilizados 474 pedidos, a redução foi de 5,5%, equivalente a 26 solicitações a menos. Em relação ao segundo trimestre de 2025, a diferença chega a 117 registros, interrompendo uma sequência de altas observada nos períodos correspondentes de 2023, 2024 e 2025. O levantamento considera produtores rurais que atuam como pessoas físicas ou jurídicas, além de empresas vinculadas à cadeia do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341022">agronegócio</a>. Embora os números indiquem uma desaceleração, ainda não é possível determinar se representam o início de uma recuperação financeira consistente.</p>
<p>A redução dos pedidos judiciais também precisa ser analisada em conjunto com os indicadores de inadimplência bancária. Dados do Banco Central mostram que os atrasos no crédito rural direcionado a pessoas físicas alcançaram 7,6% em fevereiro de 2026, o maior percentual da série histórica considerada no relatório de junho. A taxa permaneceu próxima desse patamar nos meses seguintes, evidenciando que as dificuldades de pagamento continuavam relevantes. Os dois indicadores medem fenômenos diferentes, mas sua análise conjunta ajuda a compreender por que a queda das recuperações judiciais não significa necessariamente uma redução equivalente do endividamento.</p>
<h2>Queda dos pedidos de recuperação judicial exige cautela</h2>
<p>O responsável pela área de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, atribui parte da retração a fatores relacionados ao calendário produtivo e à situação financeira dos produtores. A entrada de receitas provenientes da comercialização de safras pode ter melhorado temporariamente a capacidade de pagamento de algumas propriedades, reduzindo a necessidade de recorrer à Justiça. Renegociações realizadas diretamente com instituições financeiras e fornecedores também podem contribuir para a diminuição das solicitações. Entretanto, essas hipóteses não demonstram, isoladamente, que houve redução estrutural das dívidas acumuladas.</p>
<p>A sazonalidade exerce influência importante sobre o fluxo de caixa das atividades agropecuárias, uma vez que despesas e receitas não ocorrem de maneira uniforme durante o ano. Produtores frequentemente precisam financiar insumos, máquinas, mão de obra e operações de transporte antes de receber pela venda da produção. Quando o preço obtido na comercialização fica abaixo do esperado, a margem disponível para pagar financiamentos pode ser comprometida. Esse desequilíbrio tende a provocar sucessivas renegociações e, nos casos mais graves, pedidos de recuperação judicial.</p>
<p>O recuo de 20,7% também não deve ser confundido com uma queda de igual magnitude no número de produtores endividados. O indicador da Serasa Experian acompanha solicitações judiciais e identificadores de participantes dos processos, não o estoque total de dívidas rurais. Um produtor pode enfrentar dificuldades financeiras sem recorrer à recuperação judicial, seja porque conseguiu renegociar obrigações, seja porque ainda não reúne condições para apresentar um pedido. Assim, a diminuição do número de solicitações revela menor procura pelo instrumento judicial no período, mas não permite medir diretamente a saúde financeira de todo o agronegócio.</p>
<h2>Mato Grosso lidera recuperação judicial no agronegócio</h2>
<p>Mato Grosso concentrou o maior número de pedidos de recuperação judicial do agronegócio entre abril e junho de 2026, com 107 solicitações, o equivalente a 23,9% do total nacional. Goiás apareceu em segundo lugar, com 84 registros, seguido por São Paulo, com 72, Minas Gerais, com 54, e Paraná, com 42. Juntos, esses cinco estados responderam por 359 solicitações, aproximadamente 80,1% de todos os pedidos identificados no levantamento. A concentração geográfica evidencia a relevância das principais regiões produtoras no universo de processos acompanhados pela Serasa Experian.</p>
<p>Somente Mato Grosso e Goiás reuniram 191 registros, correspondentes a 42,6% do total nacional. Os dois estados possuem forte participação na produção de grãos e na pecuária, atividades que frequentemente demandam financiamentos de custeio, comercialização e investimentos. O elevado número absoluto de pedidos, entretanto, não significa necessariamente que apresentem o maior risco proporcional de insolvência do país. Uma comparação mais precisa exigiria relacionar as solicitações ao universo de produtores, empresas e operações de crédito existentes em cada unidade da Federação.</p>
<p>A presença de São Paulo entre os estados com maior número de pedidos também demonstra que as dificuldades financeiras não se restringem às regiões de expansão agrícola. O estado concentra atividades agroindustriais, serviços especializados, empresas comerciais e produção rural diversificada, que integram diferentes etapas da cadeia agropecuária. Problemas de liquidez podem atingir tanto quem produz diretamente no campo quanto empresas responsáveis pelo fornecimento de insumos, processamento e comercialização. Dessa forma, o endividamento rural pode gerar consequências que ultrapassam os limites das propriedades agrícolas.</p>
<h2>Soja lidera pedidos entre produtores rurais pessoa jurídica</h2>
<p>Entre os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica, o cultivo de soja concentrou 70 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026. A criação de bovinos apareceu em seguida, com 28 solicitações, enquanto o cultivo de cana-de-açúcar contabilizou 15 registros. Também figuraram entre as atividades com maior número de ocorrências o cultivo de café, com 13 pedidos, e o de cereais, com 12. Os dados identificam os segmentos com maior volume absoluto de solicitações nesse grupo, sem estabelecer, por si só, uma classificação proporcional de risco financeiro.</p>
<p>A produção de soja envolve elevados desembolsos antecipados, especialmente com sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e serviços especializados. A rentabilidade depende da produtividade obtida, das condições de comercialização e da relação entre preços de venda e custos de produção. Como parte significativa da atividade utiliza financiamento bancário e crédito comercial, problemas de safra ou redução das margens podem comprometer o pagamento das obrigações contratadas. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a gestão do fluxo de caixa ocupa posição central na sustentabilidade financeira dos produtores.</p>
<p>Na pecuária bovina, o ciclo de produção também exige planejamento financeiro de médio e longo prazo, principalmente nas operações de aquisição de animais, alimentação e manutenção das propriedades. Oscilações nos preços de comercialização e nos custos de produção podem alterar a capacidade de geração de receitas. Embora a atividade tenha apresentado menos pedidos do que a soja, os 28 registros indicam que as dificuldades financeiras alcançam diferentes segmentos do agronegócio. A extensão do problema depende das condições específicas de cada atividade, incluindo o grau de endividamento e os prazos das obrigações financeiras.</p>
<h2>Pedidos entre produtores pessoa física recuam 10,5%</h2>
<p>Os produtores rurais que atuam como pessoa física registraram 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, uma redução de 10,5% em comparação com as 220 solicitações do mesmo período de 2025. Esse grupo apresentou o maior número de registros entre os três perfis acompanhados pela Serasa Experian. Mato Grosso liderou o recorte, com 49 pedidos, seguido por Goiás, com 46, Minas Gerais, com 23, São Paulo, com 22, e Paraná, com 16. A distribuição reforça a concentração das dificuldades em importantes regiões de produção agropecuária.</p>
<p>A classificação por porte revelou outro aspecto relevante do levantamento. Produtores enquadrados na categoria denominada sem propriedades concentraram 70 solicitações, número superior ao registrado entre grandes proprietários, que apresentaram 51 pedidos. Pequenos proprietários contabilizaram 39 registros, enquanto médios produtores somaram 37. A categoria sem propriedades pode incluir produtores que exploram áreas arrendadas e integrantes de estruturas familiares ou econômicas relacionadas à atividade rural.</p>
<p>Esse resultado chama atenção para a situação de produtores cuja atividade depende de contratos de arrendamento ou de estruturas de exploração que não envolvem a propriedade direta da terra. Além dos custos tradicionais de produção, esses agentes podem enfrentar obrigações contratuais relacionadas ao uso das áreas cultivadas. Em períodos de margens reduzidas, compromissos fixos podem aumentar a pressão sobre o fluxo de caixa e limitar a capacidade de reorganização financeira. Entretanto, o número absoluto de pedidos não permite concluir que arrendatários apresentem risco proporcional maior sem informações sobre a quantidade total de produtores em cada categoria.</p>
<h2>Empresas do agronegócio também enfrentam dificuldades financeiras</h2>
<p>As empresas ligadas à cadeia produtiva do agronegócio apresentaram 91 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, uma retração de 10,8% em relação às 102 solicitações do mesmo intervalo de 2025. Os serviços de apoio à agropecuária lideraram esse grupo, com 26 registros, seguidos pela agroindústria de transformação primária, com 20. O comércio atacadista de produtos agropecuários primários contabilizou 18 solicitações, enquanto revendedores de insumos agropecuários, excluídas as máquinas, registraram 10. O resultado mostra que a pressão financeira também atinge empresas responsáveis pelo funcionamento das cadeias de produção, processamento e distribuição.</p>
<p>A situação dessas companhias merece acompanhamento porque suas receitas estão diretamente relacionadas à atividade econômica dos produtores rurais. Dificuldades de pagamento no campo podem afetar o recebimento de fornecedores, distribuidores e prestadores de serviços, criando pressões adicionais sobre o capital de giro. Empresas que dependem de poucos clientes ou apresentam elevada exposição ao crédito comercial podem enfrentar riscos ainda maiores em períodos de inadimplência. O encadeamento dessas relações significa que problemas financeiros inicialmente concentrados na produção podem alcançar outros segmentos da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341024">economia</a> regional.</p>
<p>A própria metodologia do indicador exige atenção na interpretação desses resultados. A Serasa Experian utiliza informações sobre processos judiciais e CPFs ou CNPJs relacionados às solicitações, permitindo identificar diferentes perfis de participantes. Um mesmo processo pode envolver agentes de mais de uma categoria, razão pela qual os recortes não devem ser tratados automaticamente como processos independentes. Essa ressalva é importante para evitar superestimações ao analisar separadamente produtores pessoas físicas, pessoas jurídicas e empresas da cadeia agroindustrial.</p>
<h2>Inadimplência rural pressiona mercado de crédito</h2>
<p>O ambiente de crédito constitui um dos principais fatores de preocupação para a continuidade das atividades agropecuárias. No Relatório de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341023">Política</a> Monetária de junho de 2026, o Banco Central informou que a inadimplência no crédito rural direcionado a pessoas físicas havia atingido 7,6% em fevereiro, permanecendo próxima desse nível nos meses seguintes. Embora o ritmo de crescimento dos atrasos tivesse diminuído, a autoridade monetária identificava um patamar historicamente elevado. O dado revela a persistência de dificuldades financeiras que não desaparecem necessariamente com a redução dos pedidos judiciais.</p>
<p>O aumento da inadimplência pode influenciar as condições oferecidas pelas instituições financeiras, especialmente na avaliação do risco das novas operações. Bancos e cooperativas de crédito consideram capacidade de pagamento, garantias, histórico financeiro e perspectivas da atividade antes de conceder financiamentos. Em um ambiente de maior seletividade, produtores com dificuldades de liquidez podem encontrar obstáculos para financiar a safra seguinte. Esse efeito pode intensificar a pressão sobre empresas que dependem da renovação periódica de capital de giro.</p>
<p>A diferença entre inadimplência bancária e recuperação judicial é fundamental para a compreensão dos indicadores. A primeira representa operações de crédito com pagamentos em atraso conforme os critérios estatísticos aplicáveis, enquanto a segunda envolve uma medida judicial de reorganização de obrigações. O aumento de atrasos pode ocorrer sem crescimento imediato das solicitações de recuperação, assim como renegociações podem postergar a necessidade de recorrer à Justiça. Por isso, os dois indicadores devem ser acompanhados conjuntamente, mas não podem ser considerados equivalentes.</p>
<h2>Plano Safra e renegociação de dívidas entram na equação</h2>
<p>O governo federal anunciou, em junho, R$ 525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial no Plano Safra 2026/2027. Desse montante, R$ 384,9 bilhões foram destinados a operações de custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões ficaram reservados a investimentos. O programa também prevê condições específicas para médios produtores e linhas voltadas à modernização das atividades agropecuárias. A disponibilidade anunciada de recursos, entretanto, não assegura que todos os produtores terão acesso aos financiamentos, pois a contratação depende de critérios financeiros e operacionais.</p>
<p>A renegociação das dívidas rurais também passou a contar com medidas específicas aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional em julho e setembro de 2026. As resoluções nº 5.330 e nº 5.340 estabeleceram condições para composição de determinadas obrigações financeiras, incluindo operações anteriormente prorrogadas ou renegociadas. As medidas contemplam situações definidas nas normas e dependem do enquadramento dos produtores e das decisões das instituições financeiras. Como foram editadas depois do segundo trimestre, não podem ser consideradas causas diretas da redução de pedidos observada entre abril e junho.</p>
<p>Para produtores em dificuldades, a possibilidade de renegociar dívidas pode representar uma alternativa à recuperação judicial, especialmente quando o problema financeiro é temporário e existe perspectiva de geração futura de receitas. O alongamento dos prazos pode reduzir a pressão imediata sobre o caixa, mas não elimina o valor das obrigações nem assegura a capacidade de pagamento. A eficácia dessas medidas dependerá da evolução das receitas agropecuárias, dos custos financeiros e das condições de comercialização das safras. O acompanhamento das renegociações será importante para verificar se os produtores conseguem retomar a normalidade financeira sem necessidade de intervenção judicial.</p>
<h2>Recuperação financeira do agro dependerá dos próximos trimestres</h2>
<p>A queda de 20,7% nos pedidos de recuperação judicial representa uma mudança relevante na trajetória recente do indicador, mas ainda não permite concluir que o ciclo de dificuldades financeiras tenha sido superado. A concentração das solicitações em estados de forte atividade agropecuária, a presença de produtores sem propriedades próprias e os registros em empresas da cadeia produtiva mostram a diversidade dos agentes expostos ao problema. Ao mesmo tempo, os dados de inadimplência bancária revelam que parte das pressões sobre o crédito rural permanece elevada. A combinação dessas informações exige uma avaliação mais ampla do que a simples comparação trimestral de processos judiciais.</p>
<p>Nos próximos meses, três indicadores serão especialmente importantes para avaliar a sustentabilidade da melhora: a evolução da inadimplência no crédito rural, a capacidade de pagamento após as renegociações e o comportamento dos novos pedidos judiciais. Também será necessário observar se os financiamentos disponibilizados pelo Plano Safra conseguem atender à demanda de produtores com condições econômicas viáveis, mas temporariamente pressionados por dívidas. Uma redução persistente das recuperações judiciais, acompanhada de melhora nas carteiras de crédito e maior geração de caixa, forneceria evidências mais consistentes de estabilização financeira. Por enquanto, os dados mostram um alívio no fluxo de novos pedidos, mas não uma recuperação comprovada da saúde financeira do agronegócio brasileiro.</p>
<h3>Fontes</h3>
<p>Serasa Experian — Indicador Agro de Recuperações Judiciais, segundo trimestre de 2026, divulgado em 19 de outubro de 2026.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Relatório de Política Monetária, junho de 2026, indicadores de inadimplência do crédito rural.</p>
<p>Ministério da Agricultura e Pecuária — Plano Safra 2026/2027, dados oficiais de crédito e financiamento da agricultura empresarial.</p>
<p>Conselho Monetário Nacional — Resolução nº 5.330, de 23 de julho de 2026.</p>
<p>Conselho Monetário Nacional — Resolução nº 5.340, de 4 de setembro de 2026.</p>
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		<title>Café de Minas alcança preço equivalente a R$ 134,6 mil por saca em leilão no Japão</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/cafe-minas-gerais-134-mil-saca-leilao-japao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 15:46:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[café brasileiro]]></category>
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		<category><![CDATA[Fazenda Santuário Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Leilão Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Paulo Dias Pereira Filho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um café especial produzido na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais, alcançou nesta sexta-feira (16) o preço equivalente a aproximadamente R$ 134,6 mil por saca de 60 quilos em um leilão internacional realizado em Tóquio, no Japão. O produto, da variedade geisha e processado pelo método natural, foi arrematado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um café especial produzido na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais, alcançou nesta sexta-feira (16) o preço equivalente a aproximadamente R$ 134,6 mil por saca de 60 quilos em um leilão internacional realizado em Tóquio, no Japão. O produto, da variedade geisha e processado pelo método natural, foi arrematado pela empresa japonesa Snow Beans por US$ 200 a libra-peso, colocando a produção brasileira entre os cafés mais valorizados do evento organizado pela Alliance for Coffee Excellence (ACE).</p>
<p>O valor de R$ 134,6 mil corresponde à conversão proporcional do preço para uma saca convencional de 60 quilos, unidade utilizada como referência no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340862">mercado</a> cafeeiro. Na operação efetivamente realizada, entretanto, foram comercializados apenas 10 quilos de café, pelo total de US$ 4.410, equivalentes a aproximadamente R$ 22,4 mil. A distinção é importante porque o preço divulgado representa uma referência calculada, e não o pagamento por uma saca inteira.</p>
<p>O café foi produzido por Luiz Paulo Dias Pereira Filho, integrante da quarta geração de uma família de cafeicultores da Mantiqueira de Minas. A negociação ocorreu durante a SCAJ 2026 – World Specialty Coffee Conference and Exhibition, feira internacional realizada entre 14 e 17 de outubro, na capital japonesa. O leilão reuniu produtores reconhecidos em competições internacionais de qualidade, com participação de compradores presenciais e pela internet.</p>
<p>O resultado reforça a capacidade dos cafés especiais brasileiros de alcançar valores elevados em mercados internacionais, especialmente quando apresentam características sensoriais diferenciadas, origem reconhecida e disponibilidade limitada. A operação, contudo, ocorreu em condições específicas de um leilão beneficente e não representa o preço habitual do café produzido no Brasil.</p>
<h2>Café brasileiro foi vendido por US$ 4.410 em lote de 10 quilos</h2>
<p>Os registros oficiais da Alliance for Coffee Excellence confirmam que o café da Fazenda Santuário Sul foi negociado a US$ 200 por libra-peso. O lote tinha peso anunciado de 22,05 libras, equivalente a aproximadamente 10 quilos, e recebeu lance vencedor de US$ 4.410, apresentado pela Snow Beans, empresa japonesa que atua no mercado de cafés especiais.</p>
<p>A partir desses valores, cada quilo foi comercializado por aproximadamente US$ 441. Considerando uma taxa de conversão próxima de R$ 5,09 por <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340863">dólar</a>, o preço corresponde a cerca de R$ 2,24 mil por quilo. Uma quantidade de 100 gramas representaria aproximadamente R$ 224 em valor proporcional, antes de despesas adicionais com transporte, torrefação, tributos e comercialização.</p>
<p>A conversão para uma saca de 60 quilos resulta em aproximadamente US$ 26,46 mil, equivalentes a R$ 134,6 mil pela referência cambial utilizada. O cálculo permite comparar o valor com a unidade tradicional do setor, mas não significa que uma saca completa tenha sido vendida nessas condições.</p>
<p>O microlote comercializado correspondia a apenas um sexto do peso de uma saca convencional. A aplicação do mesmo preço a uma quantidade seis vezes maior pressupõe condições que não foram efetivamente testadas na negociação. A disponibilidade restrita do produto e a natureza beneficente do evento são fatores relevantes para compreender o valor obtido.</p>
<p>O lance vencedor também não constitui uma cotação aplicável à produção regular da fazenda. O preço foi definido em uma disputa específica entre compradores especializados, interessados em cafés de origem identificada e características valorizadas no segmento de alta qualidade.</p>
<h2>Fazenda Santuário Sul obteve o maior preço entre os cafés brasileiros</h2>
<p>A edição de 2026 do Legends of Excellence Charity Auction reuniu 12 lotes de produtores de seis países: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Cada participante disponibilizou aproximadamente 10 quilos de café, em uma iniciativa que combinou reconhecimento internacional da qualidade produtiva e arrecadação de recursos para projetos sociais.</p>
<p>Entre os representantes brasileiros, o lote da Fazenda Santuário Sul alcançou o maior valor. O segundo café nacional foi produzido pela Fazenda Sertãozinho, vinculada ao Café Orfeu, também em Minas Gerais. Da variedade arara e processado pelo método natural, esse produto foi arrematado por US$ 151 a libra-peso, totalizando US$ 3.329,55.</p>
<p>A comparação revela que o café de Luiz Paulo Dias Pereira Filho recebeu um preço aproximadamente 32,5% superior ao obtido pela Fazenda Sertãozinho. A diferença demonstra a valorização relativa entre os dois microlotes, embora não permita concluir que uma variedade seja necessariamente mais valiosa que outra em todas as condições comerciais.</p>
<p>Na classificação geral do leilão, o geisha brasileiro alcançou o quarto maior preço por libra-peso. A primeira colocação ficou com a Finca El Puente, de Honduras, cujo café geisha lavado atingiu US$ 333 por libra, sendo arrematado por compradores da Coreia do Sul.</p>
<p>A segunda posição foi ocupada pela Cafetalera Buenos Aires, da Nicarágua, com US$ 270,50 por libra. Em terceiro lugar apareceu a Finca La Salsa, de Honduras, com US$ 223. O café da Fazenda Santuário Sul ficou imediatamente atrás desses produtores, superando os demais participantes da competição.</p>
<p>Os dados oficiais registram arrecadação total de US$ 40.086,91, distribuída entre os 12 lotes, após 396 lances. O café da Santuário Sul respondeu por aproximadamente 11% desse montante, enquanto os dois representantes brasileiros, somados, alcançaram US$ 7.739,55, equivalentes a 19,3% da arrecadação.</p>
<p>Esses percentuais dimensionam a participação brasileira no resultado financeiro do evento e mostram que os dois lotes nacionais concentraram quase um quinto do valor total negociado, embora representassem apenas um sexto da quantidade de lotes oferecidos.</p>
<h2>Luiz Paulo Dias acumula 23 participações como finalista do Cup of Excellence</h2>
<p>O produtor responsável pelo café de maior valorização entre os brasileiros pertence à quarta geração de uma família tradicional da cafeicultura da Mantiqueira de Minas. Além da Fazenda Santuário Sul, Luiz Paulo Dias Pereira Filho está ligado ao Sítio Senhor Niquinho e é cofundador da CarmoCoffees, empresa especializada na comercialização internacional de cafés de qualidade superior.</p>
<p>Segundo a Alliance for Coffee Excellence, Luiz Paulo é apresentado como 23 vezes finalista do Cup of Excellence, competição internacional que reconhece cafés de destaque por suas características sensoriais. O histórico inclui resultados obtidos por propriedades ligadas à família ao longo de diferentes safras.</p>
<p>Entre os resultados destacados pela entidade está a classificação do Sítio Senhor Niquinho na 13ª posição em 2020, com 88,44 pontos. Em 2021, a Fazenda IP alcançou a segunda colocação, com 90,14 pontos, enquanto em 2023 o Sítio Senhor Niquinho voltou a figurar entre os premiados, com 87,82 pontos.</p>
<p>A trajetória também inclui uma pontuação de 95,85 registrada pela família em 2005, desempenho mencionado pela organização internacional como um dos marcos de sua atuação na produção de cafés especiais.</p>
<p>O reconhecimento acumulado contribuiu para a inclusão do produtor no Legends of Excellence, programa que destaca participantes com histórico consistente de qualidade e contribuição ao desenvolvimento de regiões produtoras.</p>
<p>A atuação de Luiz Paulo também envolve iniciativas de valorização regional, rastreabilidade e aproximação de pequenos e médios cafeicultores com compradores estrangeiros. Por meio da CarmoCoffees, o produtor participa de um modelo de comercialização que busca ampliar o acesso da cafeicultura mineira a mercados especializados.</p>
<h2>Variedade geisha e cultivo a 1.300 metros contribuem para diferenciação</h2>
<p>O café comercializado pela Fazenda Santuário Sul pertence à variedade geisha, integrante da espécie arábica. Originária da Etiópia, essa variedade conquistou reconhecimento internacional especialmente a partir de competições realizadas no Panamá, onde cafés de perfil sensorial diferenciado passaram a alcançar preços elevados.</p>
<p>O geisha é conhecido por apresentar potencial para aromas florais, notas cítricas e características que podem lembrar determinados tipos de chá. Essas propriedades, entretanto, variam conforme a origem, o ambiente de cultivo, as condições de maturação, o processamento e a torra.</p>
<p>De acordo com o catálogo oficial do leilão, o lote brasileiro foi cultivado a aproximadamente 1.300 metros de altitude, na região de Carmo de Minas. As condições ambientais da Mantiqueira, combinadas com práticas adequadas de manejo, fazem parte dos fatores que podem contribuir para a qualidade dos cafés produzidos na região.</p>
<p>Outro diferencial do produto é o processamento natural. Nesse método, os frutos são secos com casca e polpa, antes da remoção das camadas externas. O procedimento exige controle cuidadoso das condições de secagem para evitar defeitos e preservar as características desejadas na bebida.</p>
<p>Quando conduzido adequadamente, o processamento natural pode favorecer perfis associados à doçura e a notas frutadas. A qualidade final, contudo, depende da interação entre diferentes fatores produtivos e não pode ser atribuída exclusivamente ao método empregado.</p>
<p>A combinação de variedade, origem, altitude, processamento e histórico do produtor contribui para a diferenciação comercial do microlote. Em mercados especializados, essas informações permitem aos compradores identificar produtos com características particulares e avaliar sua disponibilidade em relação à demanda.</p>
<h2>Leilão beneficente destinará recursos a projetos sociais e educação</h2>
<p>O caráter beneficente da negociação representa uma particularidade importante na interpretação dos valores. Segundo a Alliance for Coffee Excellence, os 12 produtores participantes doaram integralmente os lotes disponibilizados, permitindo que os recursos arrecadados fossem destinados a iniciativas sociais e educacionais.</p>
<p>A organização estabelece que 50% dos valores de arrematação sejam direcionados a projetos sociais em comunidades produtoras. A outra metade será destinada à educação cafeeira em diferentes países, incluindo atividades de capacitação, formação técnica e desenvolvimento profissional.</p>
<p>Dessa forma, os US$ 4.410 obtidos pelo lote da Fazenda Santuário Sul não constituem receita comercial convencional recebida integralmente pelo produtor. O valor corresponde ao arremate de um produto doado para uma iniciativa de financiamento social.</p>
<p>Essa característica também influencia a formação dos preços. Além das qualidades sensoriais e da disponibilidade limitada, os compradores participam de uma operação cuja arrecadação possui finalidade beneficente. O resultado não deve, portanto, ser utilizado como referência automática para contratos regulares de compra e venda de café.</p>
<p>A exposição internacional proporcionada pelo evento, entretanto, pode contribuir para ampliar o reconhecimento comercial dos produtores participantes. O encontro reúne representantes de torrefadoras, importadores, compradores especializados e profissionais envolvidos na cadeia internacional do café.</p>
<h2>Safra brasileira deve alcançar 67,6 milhões de sacas em 2026</h2>
<p>A valorização obtida pelo microlote mineiro ocorre em um ano de expansão da produção nacional. Segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 24 de setembro, a safra brasileira de café está estimada em 67,6 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, crescimento de 19,6% em relação a 2025.</p>
<p>A projeção representa o maior volume da série histórica da estatal e reflete a combinação de bienalidade positiva das lavouras, aumento da área em produção e melhora da produtividade. A área produtiva foi estimada em 1,95 milhão de hectares, expansão de 5,1% sobre o ano anterior.</p>
<p>Para o café arábica, espécie à qual pertence o geisha comercializado no Japão, a Conab prevê colheita de 48,2 milhões de sacas, aumento de 34,8% em relação à safra anterior. O volume corresponde a aproximadamente 71,3% de toda a produção brasileira estimada para 2026.</p>
<p>Minas Gerais continua exercendo papel central nesse mercado. A produção mineira de arábica foi projetada em 34,96 milhões de sacas, o equivalente a aproximadamente 72,5% do total nacional da espécie. Apenas as regiões sul e centro-oeste do estado deverão responder por 15,93 milhões de sacas.</p>
<p>Esses números mostram a dimensão da cafeicultura mineira e ajudam a contextualizar a origem do produto premiado no exterior. O estado reúne propriedades voltadas à produção em grande escala e fazendas especializadas em microlotes de qualidade superior.</p>
<p>A comparação também revela diferenças importantes entre os segmentos. Enquanto a maior parte da produção brasileira abastece canais comerciais de grande volume, os cafés especiais podem conquistar valorização adicional por atributos sensoriais, rastreabilidade, reputação e relacionamento com compradores.</p>
<p>O preço obtido no Japão não representa o valor médio do café mineiro ou brasileiro, mas evidencia uma alternativa de diferenciação econômica para produtores capazes de alcançar padrões exigidos pelo mercado de especialidades.</p>
<h2>Resultado reforça a presença internacional dos cafés especiais brasileiros</h2>
<p>A comercialização do geisha da Fazenda Santuário Sul amplia a visibilidade da Mantiqueira de Minas em um segmento internacional no qual a qualidade e a identificação de origem influenciam diretamente a disposição dos compradores em pagar preços superiores.</p>
<p>O desempenho de Luiz Paulo Dias Pereira Filho também demonstra a importância de uma trajetória construída por meio de investimentos produtivos, participação em competições e acesso a canais especializados de comercialização. O histórico da família ajuda a explicar o reconhecimento alcançado pelo lote, embora não seja possível atribuir o valor obtido a um único fator.</p>
<p>A presença brasileira entre os quatro maiores preços do leilão representa um resultado relevante para o posicionamento internacional dos cafés especiais do país. Ao mesmo tempo, a comparação com os demais participantes revela a existência de concorrência qualificada de produtores da América Central, especialmente Honduras e Nicarágua.</p>
<p>A negociação registrada em Tóquio deve ser interpretada dentro de suas características específicas: um lote de aproximadamente 10 quilos, vendido em uma competição beneficente, por US$ 200 a libra-peso. A equivalência de R$ 134,6 mil por saca serve como referência para dimensionar o preço alcançado, mas não corresponde a uma transação efetiva de 60 quilos.</p>
<p>O resultado documentado é que a Snow Beans arrematou o café brasileiro por US$ 4.410, colocando a Fazenda Santuário Sul na quarta posição geral e na liderança entre os representantes nacionais. A venda reforça o reconhecimento da cafeicultura de qualidade superior da Mantiqueira de Minas e evidencia o valor atribuído a produções selecionadas no mercado internacional.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Alliance for Coffee Excellence — Resultado oficial do Legends of Excellence Charity Auction de 16 de outubro de 2026, com valores de arrematação, quantidades comercializadas, identificação dos compradores e classificação dos lotes.</em></p>
<p><em>Alliance for Coffee Excellence — Catálogo oficial Legends of Excellence 2026, com informações sobre produtores, propriedades, variedades, processamento, altitude e histórico de participação no Cup of Excellence.</em></p>
<p><em>Alliance for Coffee Excellence — Apresentação institucional e regulamento do leilão beneficente, com informações sobre a destinação dos recursos arrecadados.</em></p>
<p><em>Alliance for Coffee Excellence — Histórico da Fazenda Santuário Sul e de Luiz Paulo Dias Pereira Filho, com registros de participações e classificações em competições internacionais.</em></p>
<p><em>Companhia Nacional de Abastecimento — Terceiro Levantamento da Safra de Café de 2026, divulgado em 24 de setembro, com estimativas de produção, produtividade, área cultivada e participação de Minas Gerais.</em></p>
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		<title>Gastos com defensivos para algodão sobem 14% e atingem recorde de R$ 8,2 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/mercado-defensivos-algodao-recorde-8-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 14:20:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Valor na safra 2025/26 é 14% superior ao ciclo anterior, enquanto a área potencial tratada cresceu 6%, para 209,07 milhões de hectares</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mercado brasileiro de defensivos agrícolas destinados à cultura do algodão alcançou um faturamento recorde de R$ 8,217 bilhões na safra 2025/26, crescimento de aproximadamente 14% em relação aos R$ 7,19 bilhões movimentados no ciclo anterior. O resultado representa um acréscimo de mais de R$ 1 bilhão nas despesas com proteção das lavouras em apenas uma temporada, segundo levantamento FarmTrak Algodão, realizado pela consultoria Kynetec Brasil. A expansão foi impulsionada pelo maior número de tratamentos fitossanitários e pelo encarecimento do manejo agrícola, especialmente no combate a insetos que comprometem a produtividade e a qualidade da fibra.</p>
<p>O crescimento ocorreu em um momento de redução da área cultivada com algodão no país, evidenciando que a demanda por defensivos não depende exclusivamente da expansão das plantações. A pesquisa identificou aumento da intensidade dos tratamentos, acompanhado pela elevação do valor destinado à proteção das lavouras. A chamada área potencial tratada, indicador que considera a soma das superfícies alcançadas pelas aplicações ao longo do ciclo produtivo, avançou 6%, de 196,31 milhões para 209,07 milhões de hectares. O resultado revela que o crescimento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340716">mercado</a> foi proporcionalmente superior à expansão da cobertura dos tratamentos, indicando maior dispêndio por unidade de área tratada.</p>
<p>A pressão exercida pelo bicudo-do-algodoeiro, uma das principais ameaças à cotonicultura brasileira, aparece entre os fatores centrais desse movimento. O controle da praga movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões no período, enquanto os gastos com produtos destinados ao combate de lagartas alcançaram R$ 928 milhões. Juntas, essas duas frentes representam parcela expressiva das despesas com inseticidas e ajudam a explicar por que o setor de proteção de cultivos continua ampliando seu faturamento mesmo diante das oscilações da área plantada.</p>
<h2>Gastos com defensivos crescem acima da área tratada</h2>
<p>Os dados da Kynetec mostram que o mercado brasileiro de defensivos para algodão passou de R$ 7,19 bilhões na safra 2024/25 para R$ 8,217 bilhões em 2025/26. A diferença nominal de aproximadamente R$ 1,027 bilhão corresponde a uma expansão de 14,3%, resultado que levou o segmento ao maior patamar já registrado na série histórica da consultoria.</p>
<p>Quando os valores são expressos em dólares, o crescimento aparece em proporção menor. O faturamento passou de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão, avanço de aproximadamente 10%. A diferença entre as duas moedas reflete as condições cambiais consideradas no levantamento, uma vez que parte dos insumos agrícolas utilizados no Brasil possui custos associados ao mercado internacional.</p>
<p>A pesquisa também identificou uma elevação significativa na intensidade do manejo fitossanitário. O número médio de tratamentos passou de 95 para 107 entre as duas temporadas, crescimento próximo de 13%. O indicador deve ser interpretado como uma medida da intensidade acumulada de utilização dos produtos, e não necessariamente como o número de operações individuais de pulverização realizadas em cada propriedade, já que diferentes produtos podem integrar uma mesma intervenção no campo.</p>
<p>A relação entre os indicadores ajuda a dimensionar a mudança. Enquanto a área potencial tratada aumentou aproximadamente 6%, o faturamento avançou mais que o dobro dessa proporção. Considerando apenas a divisão entre o valor total do mercado e a área potencial tratada, a receita por hectare-equivalente de tratamento cresceu cerca de 7,5%. Esse cálculo não representa uma variação pura de preços, pois também pode refletir mudanças na combinação de produtos, nas doses utilizadas e no perfil dos tratamentos.</p>
<p>Outro indicador relevante é a despesa estimada por hectare físico cultivado. Utilizando o faturamento de R$ 8,217 bilhões e a área de 1,952 milhão de hectares considerada no levantamento, chega-se a um valor próximo de R$ 4,2 mil por hectare. Trata-se de uma relação entre o tamanho do mercado e a área agrícola pesquisada, que não deve ser confundida com o custo individual de uma aplicação de defensivo.</p>
<p>O conjunto dos números revela uma pressão crescente sobre o orçamento destinado à proteção do algodão. Para os produtores, a questão não envolve apenas o preço de compra dos insumos, mas também a quantidade de tratamentos necessários para preservar a produtividade e evitar perdas comerciais.</p>
<h2>Inseticidas concentram metade do mercado</h2>
<p>Os inseticidas permaneceram como a principal categoria de defensivos utilizados na cotonicultura brasileira, movimentando aproximadamente R$ 4,119 bilhões durante a safra 2025/26. O montante corresponde a cerca de 50% de todo o mercado de proteção de cultivos do algodão, proporção que evidencia a importância econômica do controle de pragas na estrutura de custos da atividade.</p>
<p>Na temporada anterior, o faturamento da categoria havia alcançado R$ 3,606 bilhões. O crescimento foi de aproximadamente 14%, acompanhando a expansão do mercado total. A área potencial tratada com inseticidas também aumentou, passando de 79,15 milhões para 87,66 milhões de hectares, avanço próximo de 11%.</p>
<p>A combinação desses indicadores mostra que os inseticidas possuem participação no faturamento superior à sua representatividade na área potencial tratada. Enquanto respondem por metade dos gastos com defensivos, representam aproximadamente 42% da área-equivalente acumulada de tratamentos. Essa diferença reflete características do manejo de insetos, que pode exigir produtos com custos distintos daqueles utilizados no controle de doenças e plantas daninhas.</p>
<p>O principal destaque foi o bicudo-do-algodoeiro, responsável por aproximadamente R$ 2 bilhões em despesas com controle fitossanitário. O valor equivale a quase um quarto de todo o mercado de defensivos utilizados no algodão e a aproximadamente metade do faturamento registrado pela categoria de inseticidas. Segundo a Kynetec, o combate à praga exigiu, em média, 18 tratamentos ao longo da temporada.</p>
<p>O bicudo, identificado cientificamente como <em>Anthonomus grandis</em>, ataca estruturas reprodutivas da planta, incluindo botões florais e frutos em formação, provocando danos que podem comprometer o desenvolvimento e o rendimento da lavoura. Sua capacidade de reprodução e permanência nas regiões produtoras exige uma estratégia contínua de monitoramento e controle, frequentemente iniciada antes mesmo do estabelecimento de uma nova safra.</p>
<p>O problema ultrapassa os limites de uma única propriedade. Como o inseto pode se deslocar entre áreas próximas e sobreviver durante a entressafra, medidas isoladas tendem a apresentar eficácia limitada quando as lavouras vizinhas não seguem práticas adequadas de manejo.</p>
<h2>Bicudo-do-algodoeiro exige controle durante a safra e na entressafra</h2>
<p>A pressão do bicudo sobre a produção brasileira foi um dos temas centrais do 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em setembro de 2026, em Belo Horizonte. Durante o encontro, pesquisadores e especialistas destacaram que o combate à praga precisa começar antes do plantio e continuar após a colheita, com ações coordenadas entre produtores.</p>
<p>O pesquisador Guilherme Rolim, do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), explicou que o inseto pode desenvolver cinco ou seis gerações durante um único ciclo da cultura. Essa capacidade reprodutiva, combinada à possibilidade de sobrevivência em estruturas vegetais remanescentes, torna o manejo especialmente complexo nas regiões de produção intensiva.</p>
<p>Entre as medidas recomendadas estão a destruição adequada das soqueiras, o cumprimento do vazio sanitário, o monitoramento com armadilhas e a adoção de estratégias integradas de controle. Essas práticas permitem reduzir a população da praga antes do início da temporada seguinte, diminuindo a necessidade de intervenções emergenciais durante o desenvolvimento das plantas.</p>
<p>Pesquisas conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também reforçam a importância do monitoramento populacional do bicudo. O acompanhamento permite identificar a presença do inseto, avaliar sua evolução e orientar decisões de manejo de acordo com as condições encontradas em cada região produtora.</p>
<p>A intensificação dos tratamentos, portanto, não deve ser interpretada automaticamente como aumento de eficiência na proteção das lavouras. Uma quantidade maior de aplicações pode indicar pressão fitossanitária elevada, enquanto o manejo integrado busca combinar controle químico, práticas culturais e monitoramento para reduzir perdas e evitar intervenções desnecessárias.</p>
<p>Para os agricultores, o desafio consiste em equilibrar o custo das medidas de proteção com o potencial de prejuízo provocado pelas pragas. A eficiência econômica depende não apenas do número de aplicações, mas também da escolha do momento correto, da eficácia dos produtos utilizados e da capacidade de prevenir novas infestações.</p>
<h2>Lagartas movimentam R$ 928 milhões e ampliam participação nos custos</h2>
<p>Além do bicudo, as lagartas contribuíram para elevar a demanda por inseticidas na safra 2025/26. Segundo o levantamento da Kynetec, os gastos com produtos destinados ao controle desse grupo de pragas alcançaram R$ 928 milhões, ante R$ 795 milhões na temporada anterior.</p>
<p>O crescimento foi de aproximadamente 17%, percentual superior à expansão de 14% do mercado total de defensivos para algodão. A diferença sugere que o controle de lagartas ganhou importância relativa na composição das despesas fitossanitárias durante o período pesquisado.</p>
<p>As lagartas podem atingir diferentes partes do algodoeiro, incluindo folhas e estruturas reprodutivas, dependendo da espécie e do estágio de desenvolvimento das plantas. A intensidade dos danos está relacionada à população de insetos, às condições ambientais e à capacidade de detecção e intervenção dos produtores.</p>
<p>A ampliação dos gastos com esse tipo de controle não permite concluir, isoladamente, que todas as regiões tenham enfrentado aumento de infestação na mesma proporção. O faturamento de defensivos também pode ser influenciado por mudanças nos produtos empregados, no custo das formulações e na estratégia de manejo adotada pelas propriedades.</p>
<p>Ainda assim, a expansão da categoria reforça a relevância do controle de insetos para a rentabilidade da cotonicultura brasileira. O algodão possui um ciclo relativamente longo e apresenta períodos de elevada sensibilidade a ataques de pragas, exigindo acompanhamento técnico contínuo e decisões ajustadas às condições de cada lavoura.</p>
<h2>Fungicidas e herbicidas também ampliam faturamento</h2>
<p>Embora os inseticidas concentrem a maior parte das despesas, outras categorias de defensivos também registraram crescimento na safra 2025/26. Os fungicidas movimentaram aproximadamente R$ 1,986 bilhão, representando cerca de 24% do mercado total. O desempenho foi associado à procura por produtos de maior valor agregado e ao manejo de doenças que podem comprometer o desenvolvimento das plantas.</p>
<p>Os fungicidas são utilizados para controlar agentes causadores de doenças, cuja incidência varia conforme fatores como umidade, temperatura, condições de cultivo e suscetibilidade das variedades plantadas. A necessidade de tratamento depende das características de cada região e das condições observadas durante o ciclo agrícola.</p>
<p>Os herbicidas ocuparam a terceira posição entre as principais categorias, com faturamento próximo de R$ 1,143 bilhão, crescimento de aproximadamente 6,3% em relação ao ciclo anterior. Esses produtos são empregados no controle de plantas daninhas que competem com o algodoeiro por água, nutrientes e luminosidade, além de interferirem nas operações de cultivo e colheita.</p>
<p>Nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outras soluções de proteção agrícola movimentaram aproximadamente R$ 986 milhões, respondendo por cerca de 12% do mercado. O segmento reúne tecnologias voltadas a problemas fitossanitários distintos, desde o controle de organismos presentes no solo até a proteção das plantas durante as fases iniciais de desenvolvimento.</p>
<p>A distribuição do faturamento mostra que o manejo do algodão exige intervenções contra diferentes grupos de organismos que afetam a produção. Embora o combate a insetos permaneça predominante, o controle de doenças, plantas daninhas e problemas relacionados ao solo também representa parcela importante dos custos operacionais.</p>
<h2>Produção recorde contrasta com redução da área plantada</h2>
<p>O avanço das despesas com defensivos ocorre em uma temporada na qual a área cultivada com algodão recuou no Brasil. Segundo o 12º levantamento da safra de grãos 2025/26, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em setembro, o país deve produzir aproximadamente 4,14 milhões de toneladas de pluma, volume recorde na série histórica da estatal.</p>
<p>A estimativa representa crescimento de 1,5% em relação ao ciclo anterior, apesar da redução de 3,2% na área plantada, calculada em aproximadamente 2,02 milhões de hectares. A produtividade média foi projetada em 2.053 quilos de pluma por hectare, avanço de 4,9% e também o maior nível da série histórica.</p>
<p>Os números indicam que a produção brasileira ampliou seu potencial de rendimento mesmo com uma superfície cultivada menor. Essa evolução resulta de um conjunto de fatores que inclui condições climáticas, características das lavouras, tecnologias agrícolas e práticas de manejo, não sendo possível atribuí-la exclusivamente ao aumento do uso de defensivos.</p>
<p>A relação entre produtividade e custos de proteção é particularmente importante para os produtores. Quando o rendimento por hectare aumenta, uma mesma área pode gerar maior volume de produto comercializável. Entretanto, a rentabilidade dependerá da comparação entre a receita obtida com a fibra e o conjunto das despesas, incluindo fertilizantes, sementes, defensivos, máquinas, mão de obra, financiamento e transporte.</p>
<p>O recorde de faturamento do mercado de defensivos não significa, portanto, que os produtores tenham obtido lucros igualmente recordes. Ele demonstra que o valor movimentado pelos insumos de proteção cresceu, enquanto o resultado econômico da atividade depende de variáveis adicionais.</p>
<h2>Mato Grosso mantém liderança, mas registra retração de 8% na área</h2>
<p>O levantamento da Kynetec identificou uma redução de aproximadamente 8% na área cultivada com algodão em Mato Grosso, principal estado produtor do país. Segundo a pesquisa, a superfície plantada passou de 1,502 milhão para 1,376 milhão de hectares entre as safras 2024/25 e 2025/26.</p>
<p>A retração equivale a aproximadamente 126 mil hectares e reforça a importância de acompanhar os custos por unidade de produção, em vez de considerar apenas o tamanho total do mercado. Uma área menor pode conviver com gastos elevados quando a intensidade do manejo aumenta ou quando há maior utilização de produtos de custo superior.</p>
<p>A pesquisa FarmTrak Algodão foi elaborada com base em entrevistas presenciais realizadas em quase 270 propriedades de diferentes regiões produtoras. Segundo a metodologia divulgada, a cobertura corresponde a aproximadamente 97% da área de algodão considerada no levantamento, estimada em 1,952 milhão de hectares.</p>
<p>A diferença entre essa estimativa e os 2,02 milhões de hectares projetados pela Conab deve ser observada com cautela. As instituições utilizam metodologias e abrangências próprias, de modo que os números não são necessariamente intercambiáveis.</p>
<p>O desempenho de Mato Grosso possui grande influência sobre a dinâmica nacional de insumos porque o estado concentra a maior parcela da produção de algodão. As estratégias de controle de pragas adotadas na região, especialmente contra o bicudo, afetam diretamente a demanda por inseticidas e outros produtos de proteção vegetal.</p>
<h2>Custos de produção tornam manejo mais decisivo para a rentabilidade</h2>
<p>O faturamento recorde de R$ 8,2 bilhões evidencia o peso crescente dos defensivos agrícolas na cadeia produtiva do algodão. A expansão do mercado ocorreu simultaneamente ao aumento da intensidade dos tratamentos e à necessidade de controlar pragas capazes de provocar perdas relevantes de produtividade.</p>
<p>Para a indústria de proteção de cultivos, o resultado representa a ampliação de um mercado de elevado valor agregado. Para os produtores, porém, a mesma evolução corresponde a um aumento das despesas que precisam ser compensadas pela produtividade, pela qualidade da fibra e pelas condições de comercialização.</p>
<p>Essa diferença de perspectiva é essencial para interpretar os números. O crescimento das vendas de defensivos pode favorecer fabricantes e distribuidores, mas também indicar um ambiente de maior dificuldade fitossanitária para quem produz. Não há relação automática entre o faturamento da indústria de insumos e a rentabilidade das fazendas.</p>
<p>A expansão mais rápida do valor de mercado em comparação com a área potencial tratada também sugere que a análise dos custos precisa considerar a composição dos produtos utilizados. Tecnologias de maior valor podem elevar as despesas, mas sua eficiência econômica depende da capacidade de prevenir perdas suficientes para justificar o investimento.</p>
<p>Nesse cenário, a adoção de estratégias de manejo integrado, associadas ao monitoramento de pragas e ao cumprimento das medidas sanitárias durante a entressafra, ganha importância para reduzir riscos e racionalizar aplicações. O objetivo é preservar o potencial produtivo sem transformar o aumento permanente dos gastos em uma consequência inevitável da atividade agrícola.</p>
<p>A safra 2025/26 apresenta, assim, dois recordes que precisam ser analisados em conjunto: o maior faturamento da série histórica do mercado de defensivos para algodão, apontado pela Kynetec, e a maior produção nacional de pluma estimada pela Conab. Enquanto a produtividade avança, o desafio do setor será assegurar que o custo crescente de proteção das lavouras não comprometa os ganhos econômicos proporcionados pelo aumento da produção.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Kynetec Brasil — Levantamento FarmTrak Algodão, safra 2025/26, conforme dados divulgados em outubro de 2026.</p>
<p>Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) — 12º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, publicado em setembro de 2026.</p>
<p>Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Algodão) — Circular Técnica 143, sobre aspectos bioecológicos, monitoramento e controle populacional do bicudo-do-algodoeiro.</p>
<p>Congresso Brasileiro do Algodão — Informações técnicas apresentadas no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em setembro de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>EUA batem recorde de compras de carne bovina do Brasil, mas China reduz exportações</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/exportacoes-carne-bovina-brasil-eua-china</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 18:32:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
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		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[exportações brasileiras]]></category>
		<category><![CDATA[frigoríficos]]></category>
		<category><![CDATA[mercado internacional]]></category>
		<category><![CDATA[salvaguarda chinesa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos se consolidaram em setembro como o principal vetor de expansão entre os grandes mercados da carne bovina brasileira, justamente no momento em que a China reduziu fortemente as compras em razão da salvaguarda adotada por Pequim. O Brasil exportou 48,3 mil toneladas de carne bovina aos norte-americanos no mês, alta de 389% [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os Estados Unidos se consolidaram em setembro como o principal vetor de expansão entre os grandes mercados da carne bovina brasileira, justamente no momento em que a China reduziu fortemente as compras em razão da salvaguarda adotada por Pequim. O Brasil exportou 48,3 mil toneladas de carne bovina aos norte-americanos no mês, alta de 389% sobre setembro de 2025, com receita de US$ 313,8 milhões, avanço de 333,8%. O desempenho fez os embarques aos Estados Unidos atingirem o maior volume mensal da série para o país.</p>
<p>Dentro desse total, a carne bovina in natura respondeu por 44,44 mil toneladas. O resultado superou por cerca de 310 toneladas, ou 0,7%, o recorde anterior de 44,13 mil toneladas, registrado em abril de 2025. O aumento ocorreu em um <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340437">mercado</a> que já vinha ampliando as compras e ganhou uma nova condição de acesso a volumes sob a cota tarifária dos Estados Unidos a partir de setembro.</p>
<p>A mudança não significou a retirada geral das tarifas sobre a carne brasileira. Em 26 de agosto, o governo de Donald Trump ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a quantidade de aparas de carne bovina magra que poderia entrar nos Estados Unidos dentro da tarifa reduzida da cota. O volume adicional foi dividido em três parcelas mensais de 100 mil toneladas, com a primeira válida em setembro. A medida foi direcionada a produtos usados principalmente na produção de carne moída e ficou disponível para países classificados pelo sistema americano como “outros países ou áreas”.</p>
<p>O efeito sobre o comércio brasileiro apareceu em um momento de reorganização dos destinos das exportações. Enquanto as vendas aos Estados Unidos cresciam, a China praticamente deixou de exercer o mesmo papel no terceiro trimestre. Em setembro, o mercado chinês recebeu apenas 12,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, com receita de US$ 75,2 milhões. Na comparação anual, o volume caiu 93,2% e o valor recuou 92,9%.</p>
<h2>Estados Unidos avançam enquanto China perde espaço</h2>
<p>O contraste entre os dois mercados alterou de forma significativa a composição das exportações brasileiras no mês. As 48,3 mil toneladas destinadas aos Estados Unidos representaram cerca de 21% de todo o volume de carne bovina exportado pelo Brasil em setembro, enquanto os embarques para a China corresponderam a aproximadamente 5,6%.</p>
<p>Em termos absolutos, os norte-americanos compraram quase 3,7 vezes o volume enviado ao mercado chinês no mês. Essa diferença seria muito menor em um ambiente comercial normal, porque a China vinha sendo, com ampla margem, o principal destino da carne bovina brasileira.</p>
<p>A retração chinesa está diretamente relacionada à salvaguarda implementada pelo país asiático no início de 2026. A medida estabeleceu cotas específicas por origem. Para o Brasil, o limite do primeiro ano foi fixado em 1,106 milhão de toneladas. Depois do preenchimento da cota, os embarques adicionais ficam sujeitos a uma tarifa de 55% sobre a alíquota regular.</p>
<p>O Ministério do Comércio da China informou em 30 de setembro que a cota brasileira havia atingido 100% em 29 de setembro. A partir de 1º de outubro, portanto, as importações brasileiras que ultrapassassem o limite passariam a receber a sobretaxa prevista pela salvaguarda.</p>
<p>A restrição ajuda a explicar por que a queda chinesa foi muito superior ao avanço norte-americano. Em setembro do ano passado, o Brasil havia enviado cerca de 189,7 mil toneladas à China, segundo a variação informada para o período. A diferença para as 12,9 mil toneladas deste ano equivale a uma redução próxima de 176,8 mil toneladas. Já o aumento das compras dos Estados Unidos entre agosto e setembro, estimado a partir dos dados divulgados pelo setor, ficou em aproximadamente 14,2 mil toneladas.</p>
<p>Isso significa que o acréscimo mensal das vendas americanas compensou pouco mais de 8% do volume perdido pela China na comparação anual de setembro. A expansão dos Estados Unidos, portanto, é relevante para a diversificação dos compradores, mas ainda não substitui a escala que o mercado chinês representa para os frigoríficos brasileiros.</p>
<h2>Receita do setor cresce mesmo com queda no volume</h2>
<p>As exportações brasileiras de carne bovina somaram 229,3 mil toneladas em setembro, redução de 35,1% diante das 353,1 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025. A receita caiu menos, para US$ 1,38 bilhão, ante US$ 1,90 bilhão um ano antes, retração de 27,6%.</p>
<p>A diferença entre as duas taxas mostra que a valorização média da tonelada exportada ajudou a reduzir o impacto da queda física dos embarques. Pela relação entre receita e volume, o valor médio exportado por tonelada ficou aproximadamente 11,6% acima do registrado em setembro de 2025.</p>
<p>No acumulado de janeiro a setembro, o quadro é mais favorável. O Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, praticamente o mesmo patamar de 2025, com queda de 0,5%. A receita, porém, atingiu US$ 14,17 bilhões, alta de 14,1%.</p>
<p>A diferença equivale a um avanço aproximado de 14,7% no valor médio obtido por tonelada no período, cálculo que evidencia o peso dos preços internacionais e da composição dos mercados sobre o faturamento do setor. A indústria conseguiu preservar a geração de receita mesmo sem repetir o volume extraordinariamente elevado observado no ano anterior.</p>
<p>Os Estados Unidos contribuíram para esse resultado. Entre janeiro e setembro, o país importou 317,4 mil toneladas de carne bovina brasileira, crescimento de 45%. A receita alcançou US$ 2,08 bilhões, alta de 60,8%. O faturamento avançou, portanto, mais rapidamente do que o volume, sinalizando aumento próximo de 10,9% no valor médio por tonelada vendida ao mercado americano.</p>
<p>A China permaneceu muito acima dos demais destinos em escala acumulada, com 912 mil toneladas e US$ 5,59 bilhões entre janeiro e setembro. Ainda assim, a participação chinesa recuou para 37,5% do volume e 39,4% da receita no período, diante da retração observada no terceiro trimestre.</p>
<h2>Nova cota americana amplia espaço para a carne brasileira</h2>
<p>A medida anunciada por Trump em agosto criou uma oportunidade específica para exportadores de carne bovina magra. A proclamação elevou em 300 mil toneladas a quantidade sujeita à tarifa dentro da cota americana, distribuída em três blocos de 100 mil toneladas.</p>
<p>A primeira parcela foi disponibilizada a partir de 1º de setembro, coincidindo com o salto das exportações brasileiras. A segunda começou em 1º de outubro e a terceira está prevista para 31 de outubro, permanecendo disponível até o preenchimento do volume ou até 30 de novembro.</p>
<p>A regra é importante porque o governo americano justificou a ampliação pela necessidade de reforçar a oferta doméstica de aparas magras, utilizadas na produção de carne moída. A medida não foi criada especificamente para o Brasil e tampouco garante que o volume adicional será integralmente ocupado por frigoríficos brasileiros. O ganho para as <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340436">empresas</a> brasileiras depende de competitividade, disponibilidade de produto, habilitação dos estabelecimentos e capacidade de atender às especificações do mercado.</p>
<p>Mesmo assim, o aumento das compras americanas no mesmo mês da abertura da primeira parcela da nova cota mostra a relevância daquele mecanismo para a cadeia exportadora. O Brasil possui escala de produção suficiente para disputar esse espaço e já vinha aumentando sua presença nos Estados Unidos antes da expansão temporária.</p>
<p>O movimento também reduz parcialmente a concentração geográfica das exportações. Com a China submetida a uma limitação específica, mercados capazes de absorver grandes volumes ganham importância estratégica para os frigoríficos. Os Estados Unidos são o principal exemplo desse processo em 2026.</p>
<h2>Outros destinos também ampliam compras</h2>
<p>A recomposição dos mercados não ficou restrita aos Estados Unidos. O Chile recebeu 19,4 mil toneladas em setembro, aumento de 87,2% sobre um ano antes, enquanto a receita alcançou US$ 117,5 milhões, alta de 107,7%.</p>
<p>A Rússia importou 13,1 mil toneladas, crescimento de 20,5%, e gerou US$ 66,5 milhões, avanço de 40,2%. A Arábia Saudita recebeu 7,7 mil toneladas, 35,8% acima de setembro de 2025, com faturamento de US$ 44,4 milhões.</p>
<p>Também chamaram atenção os mercados de menor participação relativa. A Indonésia ampliou as compras em 822%, para 9,4 mil toneladas, e o Canadá elevou os embarques em 870,7%, para 4 mil toneladas. A Turquia recebeu 5,9 mil toneladas, aumento de 129,5%.</p>
<p>Esses mercados ajudam a distribuir a demanda, mas nenhum deles possui, isoladamente, escala comparável à China. O resultado de setembro mostra, portanto, uma mudança na composição dos destinos mais do que uma substituição integral de um comprador por outro.</p>
<h2>Europa adiciona outra restrição ao comércio brasileiro</h2>
<p>A diversificação dos mercados ocorre ao mesmo tempo em que a União Europeia passou a aplicar novas exigências relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos. A regra europeia entrou em aplicação em 3 de setembro e exige garantias sobre o cumprimento dos requisitos previstos pela legislação do bloco.</p>
<p>Em junho, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados para determinadas categorias, incluindo bovinos, após informar que não havia recebido garantias consideradas suficientes de que as exigências seriam cumpridas. A mudança atingiu diretamente as exportações brasileiras de carne bovina para o bloco a partir de setembro.</p>
<p>Os dados acumulados até setembro ainda refletem meses anteriores à interrupção. A União Europeia recebeu 107,1 mil toneladas de carne bovina brasileira no período, com receita de US$ 942,8 milhões, altas de 27% e 37,9%, respectivamente. O desempenho, portanto, não representa integralmente o efeito da nova restrição, porque boa parte dos embarques ocorreu antes da mudança regulatória.</p>
<p>O ambiente comercial do segundo semestre combina, assim, três movimentos distintos: a perda temporária de espaço na China, a expansão acelerada dos Estados Unidos e novas barreiras sanitárias na Europa. Para os exportadores brasileiros, a capacidade de redistribuir embarques entre destinos tornou-se decisiva.</p>
<p>O resultado de janeiro a setembro indica que a indústria manteve praticamente estável o volume exportado e aumentou significativamente a receita. A continuidade desse desempenho dependerá da duração das restrições chinesas, do aproveitamento das oportunidades abertas nos Estados Unidos e da capacidade de recuperar mercados afetados por exigências sanitárias.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços &#8211; dados consolidados do comércio exterior brasileiro e informações da Secretaria de Comércio Exterior</em></p>
<p><em>Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes &#8211; estatísticas de exportação de carne bovina, desempenho por destino e informações setoriais de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Casa Branca dos Estados Unidos &#8211; proclamação de 26 de agosto de 2026 sobre a ampliação temporária da cota tarifária para aparas de carne bovina magra</em></p>
<p><em>Ministério do Comércio da China &#8211; decisão sobre a salvaguarda das importações de carne bovina e tabela de cotas por país para 2026</em></p>
<p><em>Comissão Europeia &#8211; regulamentação sobre requisitos relacionados ao uso de medicamentos antimicrobianos e autorização de países exportadores de produtos de origem animal</em></p>
<p><em>Comex Stat &#8211; dados de embarques brasileiros de carne bovina in natura por país de destino</em></p>
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		<title>Protecionismo amplia pressão sobre Brasil e eleva papel da diplomacia do agro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/protecionismo-pressiona-agronegocio-brasileiro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 00:21:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[comércio exterior]]></category>
		<category><![CDATA[diplomacia comercial]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[exportações agrícolas]]></category>
		<category><![CDATA[Tarifas]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A disputa por mercados agrícolas passou a incorporar de forma mais direta questões de segurança nacional, política comercial e geopolítica, elevando a importância da atuação brasileira no exterior. O tema ganhou destaque nesta quinta-feira (1º), durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, em um painel dedicado às estratégias de crescimento e consolidação do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A disputa por mercados agrícolas passou a incorporar de forma mais direta questões de segurança nacional, política comercial e geopolítica, elevando a importância da atuação brasileira no exterior. O tema ganhou destaque nesta quinta-feira (1º), durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, em um painel dedicado às estratégias de crescimento e consolidação do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340131">agronegócio</a> no mercado global. A discussão ocorreu em um momento de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, avanço da regulamentação ambiental europeia e maior esforço do governo para ampliar canais comerciais.</p>
<p>A mudança tem efeito direto sobre um setor cuja exposição externa é elevada. Dados oficiais do comércio exterior paulista mostram que, no primeiro semestre de 2026, a China respondeu por US$ 30,54 bilhões das exportações do agronegócio brasileiro, equivalente a 35,1% do total. A União Europeia absorveu US$ 12,62 bilhões, ou 14,5%, enquanto os Estados Unidos ficaram em US$ 5 bilhões, 5,7% da pauta. Juntos, os três destinos representaram cerca de 55,3% das vendas externas do agro brasileiro no período.</p>
<p>A concentração amplia simultaneamente a força comercial e a exposição a mudanças regulatórias ou tarifárias. No mesmo período, as exportações do agro brasileiro para a China cresceram 10,5% em valor, enquanto as vendas para a União Europeia avançaram 4,6%. Para os Estados Unidos, houve queda de 25,1%. O contraste mostra que a diversificação não é apenas uma estratégia de expansão, mas também uma forma de reduzir a dependência de mercados sujeitos a decisões comerciais unilaterais.</p>
<h2>Tarifas transformam acesso ao mercado em instrumento de negociação</h2>
<p>A frente mais imediata está nos Estados Unidos. Em julho, o governo norte-americano estabeleceu sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações originárias do Brasil, em medidas decorrentes de investigações conduzidas sob a Seção 301 da legislação comercial americana. O Brasil contestou as medidas na Organização Mundial do Comércio, que registrou a abertura das consultas entre os dois países em 27 de julho.</p>
<p>As conversas bilaterais, entretanto, avançaram nas últimas semanas. Em 30 de setembro, os ministros brasileiros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, reuniram-se em Milwaukee com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo o governo brasileiro, Washington deverá apresentar nas próximas semanas uma proposta para o escopo de um grupo de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340134">trabalho</a> destinado a discutir questões tarifárias e não tarifárias.</p>
<p>O episódio evidencia que, para exportadores agrícolas, o acesso ao consumidor estrangeiro deixou de depender apenas de preço, escala e qualidade do produto. Tarifas, regras sanitárias, requisitos ambientais, padrões técnicos e mecanismos de rastreabilidade passaram a fazer parte da disputa comercial.</p>
<p>A própria <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340133">política</a> comercial brasileira já incorporou medidas para reduzir parte dos efeitos das barreiras americanas. Em setembro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços regulamentou a possibilidade de prorrogação, por até 12 meses, dos prazos de operações de drawback afetadas pelas tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos. O mecanismo permite postergar obrigações relacionadas a tributos suspensos em operações vinculadas à exportação.</p>
<h2>União Europeia combina mercado relevante e novas exigências</h2>
<p>Na Europa, o desafio assume natureza diferente. O Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento, conhecido como EUDR, passará a ser aplicado a grandes e médias <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340132">empresas</a> a partir de 30 de dezembro de 2026. Para as pequenas e microempresas abrangidas pelas regras, a aplicação ocorrerá em 30 de junho de 2027.</p>
<p>A norma cobre commodities como carne bovina, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha e madeira, além de produtos derivados. Para acessar o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340215">mercado</a> europeu, as empresas precisarão demonstrar que os produtos não estão associados a desmatamento recente e que foram produzidos em conformidade com a legislação do país de origem.</p>
<p>Em julho, a Comissão Europeia atualizou o escopo de produtos derivados abrangidos e estabeleceu regras operacionais para o sistema de declarações de diligência. A revisão retirou alguns itens do regime, acrescentou outros e manteve a entrada em aplicação das regras principais no fim de 2026.</p>
<p>Para o Brasil, isso cria um problema comercial diferente do enfrentado com os Estados Unidos. No mercado americano, o principal instrumento de pressão recente foi tarifário; no europeu, a barreira é construída em torno de requisitos regulatórios e de comprovação. Em ambos os casos, entretanto, o exportador precisa responder rapidamente a decisões tomadas fora do país.</p>
<p>Foi nesse contexto que especialistas participantes do GAFFFF defenderam maior coordenação entre governo e iniciativa privada. Laura Antoniazzi, da Agroicone, afirmou no painel que o Brasil precisa atuar de forma pragmática diante das exigências europeias, combinando questionamento de pontos específicos com capacidade de adaptação às regras de um mercado considerado relevante para as exportações brasileiras.</p>
<h2>Rede de adidos amplia capacidade de negociação</h2>
<p>Uma das estruturas já existentes para essa estratégia é a rede de adidos agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária. O Mapa informa atualmente 40 adidos brasileiros designados junto a representações diplomáticas no exterior. Eles atuam na abertura, manutenção e ampliação de mercados, identificando oportunidades comerciais, desafios regulatórios e possibilidades de investimento e cooperação.</p>
<p>A distribuição dos postos também mostra a tentativa de acompanhar mercados estratégicos. Há adidos em países como China, Estados Unidos, Japão, Índia, Indonésia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, México e Reino Unido, além de representações junto à União Europeia, à Organização Mundial do Comércio e à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.</p>
<p>Em 2026, o governo ainda abriu processo para seleção de oito novos postos, incluindo Alemanha, Colômbia, Egito, Reino Unido, Angola, Marrocos, Roma e Bruxelas. O movimento amplia justamente a presença em mercados e centros diplomáticos com peso comercial e regulatório.</p>
<p>O Ministério da Agricultura também passou a utilizar a plataforma ConectAgro para reunir informações sobre comércio, oportunidades e atuação dos adidos. A ferramenta foi apresentada como instrumento para ampliar a circulação de informações e apoiar a expansão das exportações brasileiras.</p>
<h2>Segurança alimentar ganha peso na geopolítica</h2>
<p>A discussão sobre acesso a mercados também está ligada à capacidade de abastecimento. No painel do GAFFFF, Pablo Ibanez, professor e pesquisador da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, associou a transformação do comércio internacional à crescente incorporação da segurança alimentar nas estratégias nacionais. A avaliação apresentada foi de que países passaram a tratar o abastecimento de alimentos como componente de segurança nacional, ampliando a dimensão estratégica das cadeias agrícolas.</p>
<p>Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, destacou a posição do Brasil como grande fornecedor internacional de proteína animal e relacionou essa capacidade ao déficit de consumo de proteína em parcelas expressivas da população mundial. A declaração reforça um argumento recorrente do setor: escala produtiva e capacidade de abastecimento são ativos comerciais, mas precisam ser convertidos em relacionamento diplomático e acesso efetivo a mercados.</p>
<p>Essa transformação ocorre enquanto o sistema multilateral enfrenta uma multiplicação de mecanismos de proteção comercial. A Organização Mundial do Comércio, em sua edição de 2026 dos perfis tarifários globais, ampliou o levantamento de tarifas e medidas não tarifárias aplicadas por mais de 150 economias, refletindo a importância crescente desses instrumentos na definição das condições de acesso a mercados.</p>
<h2>Diversificação reduz concentração, mas exige coordenação</h2>
<p>Os dados do primeiro semestre mostram por que a discussão ultrapassa a diplomacia tradicional. China, União Europeia e Estados Unidos concentraram aproximadamente 55% das exportações do agronegócio brasileiro. A China sozinha respondeu por mais de um terço das vendas externas do setor. Ao mesmo tempo, a diferença entre o avanço das exportações para China e União Europeia e a queda registrada nos Estados Unidos mostra como decisões comerciais podem alterar rapidamente o peso relativo de cada destino.</p>
<p>A diversificação, portanto, envolve mais do que buscar compradores adicionais. Ela exige negociação sanitária, reconhecimento de certificações, adaptação regulatória, infraestrutura logística, inteligência comercial e presença institucional permanente.</p>
<p>A aproximação recente com a Índia oferece um exemplo desse movimento. Em agosto, Brasil e Índia trataram da ampliação do Acordo de Comércio Preferencial, acesso a mercados, barreiras comerciais e diversificação das exportações. Nos sete primeiros meses de 2026, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 10,1 bilhões, crescimento de 32,9% em relação ao mesmo período anterior.</p>
<p>O ponto central para o agronegócio é que novos mercados precisam ser construídos antes que uma crise comercial torne a diversificação uma necessidade urgente. A estrutura de adidos, a negociação de acordos e a atuação conjunta de governo e empresas formam instrumentos para esse processo.</p>
<p>O cenário também reduz a separação entre política agrícola e política externa. Quando tarifas são usadas como instrumento de negociação e exigências ambientais condicionam o acesso a grandes mercados, competitividade passa a depender não apenas da produção dentro da porteira, mas da capacidade brasileira de antecipar regras, defender seus interesses e apresentar ao comprador externo evidências sobre origem, segurança, sustentabilidade e regularidade dos produtos.</p>
<p>A reunião entre Brasil e Estados Unidos em 30 de setembro, um dia antes do início do GAFFFF, dá dimensão prática ao debate realizado no festival. O governo brasileiro e o USTR concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir obstáculos tarifários e não tarifários. Ao mesmo tempo, a União Europeia se prepara para colocar em funcionamento o EUDR. Para o agronegócio brasileiro, as duas frentes indicam que a disputa comercial será cada vez mais definida pela combinação entre diplomacia, regulação e capacidade de resposta empresarial.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; estrutura dos 40 adidos agrícolas brasileiros, atribuições e distribuição dos postos diplomáticos</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; processo seletivo de 2026 para novos postos de adidos agrícolas</em></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços &#8211; medidas tarifárias dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e ações de resposta comercial</em></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Ministério das Relações Exteriores &#8211; reunião Brasil-Estados Unidos de 30 de setembro de 2026 e criação de grupo de trabalho comercial</em></p>
<p><em>Comissão Europeia &#8211; aplicação, escopo e regras de implementação do Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento</em></p>
<p><em>Instituto de <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340135">Economia</a> Agrícola de São Paulo &#8211; destinos e desempenho das exportações do agronegócio brasileiro no primeiro semestre de 2026</em></p>
<p><em>Organização Mundial do Comércio &#8211; perfis tarifários globais de 2026 e disputa entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas adicionais</em></p>
<p><em>GAFFFF &#8211; programação de 2026 e painel sobre estratégias do agronegócio no mercado global</em></p>
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		<title>CTC quer dobrar produtividade da cana até 2040 com sementes sintéticas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ctc-dobrar-produtividade-cana-2040</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 15:22:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[biotecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[cana-de-açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[CTC]]></category>
		<category><![CDATA[etanol]]></category>
		<category><![CDATA[produtividade agrícola]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), companhia aberta negociada no segmento Bovespa Mais sob o código CTCA3, entrou em uma etapa decisiva de seu plano para dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros até 2040. A estratégia parte de uma referência de 74 toneladas de cana por hectare na safra 2022/23 e estabelece como objetivo alcançar 148 toneladas por hectare sem depender da expansão da área cultivada. O salto será buscado pela combinação de quatro frentes: melhoramento genético, biotecnologia, manejo orientado por dados e um novo sistema de plantio baseado em sementes sintéticas.</p>
<p>A distância entre a meta e o desempenho atual mostra a dimensão do projeto. A Companhia Nacional de Abastecimento estima produção de 705,2 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, com avanço de 4,7% sobre o ciclo anterior e recuperação de 3,6% da produtividade média. A estimativa corresponde a um rendimento próximo de 78 toneladas por hectare. Assim, atingir 148 toneladas significaria elevar em cerca de 90% a produtividade observada atualmente no país, além de representar exatamente o dobro da referência de 74 toneladas adotada pelo próprio CTC para sua Visão 2040.</p>
<p>O efeito potencial desse ganho pode ser dimensionado pela área hoje utilizada. Mantida uma área colhida próxima de 9 milhões de hectares, um rendimento médio de 148 toneladas por hectare levaria a uma produção teórica superior a 1,3 bilhão de toneladas de cana. O cálculo não é uma projeção de produção para 2040, porque clima, renovação dos canaviais, adoção tecnológica e diferenças regionais impedem uma extrapolação direta. Ele mostra, porém, por que elevar a produtividade passou a ser uma variável estratégica: produzir mais matéria-prima deixa de exigir, na mesma proporção, novas áreas agrícolas.</p>
<p>O histórico recente confirma que o caminho não será linear. Na região Centro-Sul, dados da Plataforma de Benchmarking do CTC apontaram produtividade média de 77,7 toneladas por hectare entre abril e setembro de 2025, queda de 6,5% sobre igual intervalo da safra anterior. No acumulado até outubro daquele ano, a média caiu para 75,7 toneladas por hectare, 5,1% abaixo do ciclo precedente. Variações climáticas, idade dos canaviais, ambiente de produção e manejo continuam exercendo influência suficiente para afastar o resultado efetivo do potencial genético das plantas.</p>
<h2>Sementes sintéticas reduzem de 16 toneladas para 400 quilos o material de plantio</h2>
<p>É no sistema de plantio que o CTC colocou em operação uma das mudanças mais profundas de sua estratégia. Em abril de 2026, a companhia inaugurou em Piracicaba, no interior de São Paulo, sua primeira Unidade de Produção de Sementes, construída com investimento superior a R$ 100 milhões. A instalação ocupa aproximadamente 10 mil metros quadrados e foi concebida para transformar uma tecnologia desenvolvida em laboratório em um processo industrial capaz de ser testado e ampliado no campo.</p>
<p>A diferença em relação ao modelo convencional está no material utilizado para formar o canavial. O plantio tradicional depende de colmos ou segmentos da própria cana, o que exige transportar grande quantidade de biomassa entre viveiros e áreas agrícolas. Segundo os parâmetros apresentados pelo CTC, são necessárias aproximadamente 16 toneladas de cana para implantar um hectare. Com as sementes sintéticas, o volume pode cair para cerca de 400 quilos.</p>
<p>A redução é de 97,5%, ou seja, o novo sistema utiliza aproximadamente um quadragésimo da massa movimentada no modelo tradicional. O efeito ultrapassa o custo do material. Menos peso significa menor necessidade de transporte, máquinas, diesel e operações agrícolas, além da possibilidade de reduzir a compactação do solo e aumentar a velocidade de implantação das novas variedades. A produção em ambiente controlado também busca entregar maior uniformidade e sanidade ao material levado ao campo.</p>
<p>Outra mudança ocorre dentro da própria área agrícola. Os viveiros usados para multiplicar material de plantio podem ocupar, segundo o CTC, até 5% das terras destinadas à cultura. A empresa estima que sua substituição poderia liberar aproximadamente 500 mil hectares atualmente empregados na produção de mudas. Considerando a dimensão atual do canavial brasileiro, a ordem de grandeza é compatível com centenas de milhares de hectares que poderiam voltar à produção comercial sem abertura de nova área agrícola.</p>
<p>A tecnologia, contudo, ainda está longe de uma disseminação comparável à dimensão do setor. A primeira unidade tem capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano operando em um turno. Diante de uma área nacional próxima de 9 milhões de hectares, isso corresponde a menos de 0,01% do canavial brasileiro. A comparação deixa claro que a fábrica de Piracicaba é uma estrutura de validação e início de escala, e não capacidade suficiente para substituir imediatamente o sistema convencional.</p>
<p>O CTC afirma desenvolver a tecnologia desde 2013, com participação de cerca de 150 especialistas e previsão de investimentos acumulados da ordem de R$ 1 bilhão até o lançamento comercial. A lógica econômica é acelerar a introdução das novas variedades: uma genética mais produtiva tem efeito limitado se sua multiplicação e chegada aos canaviais continuar dependente de um processo demorado e intensivo em biomassa.</p>
<h2>Genética e biotecnologia atacam produtividade e perdas no mesmo sistema</h2>
<p>O segundo componente da estratégia é o melhoramento genético. A série CTC Advana foi desenvolvida para ampliar simultaneamente produtividade, teor de açúcar, sanidade e adaptação aos diferentes ambientes de produção. Nos ensaios divulgados pelo centro para a CTC Advana 1, a variedade registrou vitória em 95% das comparações com o principal padrão utilizado como referência e incremento médio de 2,1 toneladas de açúcar por hectare. O cálculo considera a média de 17 ensaios experimentais e cinco cortes.</p>
<p>Esse indicador, porém, não deve ser confundido com a meta de 148 toneladas. O desempenho da variedade é expresso em toneladas de açúcar por hectare, enquanto a Visão 2040 mede toneladas de cana por hectare. O primeiro indicador incorpora também a concentração de açúcar da matéria-prima; o segundo mede exclusivamente a massa colhida. A distinção é relevante porque o retorno econômico de um canavial depende não apenas do volume físico de cana, mas da quantidade de açúcar recuperável obtida nessa matéria-prima.</p>
<p>A CTC Advana 2, apresentada em 2026, amplia a estratégia para ambientes mais restritivos. A companhia informou taxa de vitória de 87% nos ensaios e estima ganho de produtividade próximo de 10% frente aos padrões utilizados em suas comparações. Em vez de apostar em uma única variedade para todo o território, a companhia trabalha com diferentes materiais para condições específicas de solo, clima, época de corte e ambiente produtivo.</p>
<p>A biotecnologia funciona como a camada destinada a preservar parte desse potencial. Em maio, o CTC recebeu aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança para o primeiro evento da plataforma VerdPRO2, que reúne resistência à broca-da-cana e tolerância a herbicida. A companhia estima que a broca provoque perdas próximas de R$ 8 bilhões por ano no setor, enquanto o controle de plantas daninhas movimenta mais de R$ 6 bilhões anuais entre herbicidas e operações agrícolas.</p>
<p>Somados, os dois problemas representam uma dimensão econômica superior a R$ 14 bilhões por ano segundo as estimativas utilizadas pelo CTC. Isso não significa que a nova tecnologia eliminará integralmente essas despesas ou perdas, mas ajuda a explicar por que proteção genética e manejo foram incorporados à estratégia de produtividade. Criar uma variedade capaz de produzir mais não basta se pragas, competição com plantas daninhas ou falhas operacionais consumirem parte do ganho antes da colheita.</p>
<p>Depois da aprovação regulatória, o CTC iniciou em junho o Programa Pioneiros, destinado a testar a VerdPRO2 em condições reais de manejo. Mais de 50 profissionais foram mobilizados para acompanhar as áreas e gerar dados de campo. A etapa é relevante porque desempenho experimental e resultado comercial não são equivalentes: a resposta da tecnologia precisa ser observada em diferentes ambientes, ciclos de produção e sistemas de manejo antes de uma adoção em larga escala.</p>
<h2>CTC amplia investimento para converter pesquisa em adoção comercial</h2>
<p>A passagem da pesquisa para escala aparece também nos números financeiros da companhia. Na safra 2025/26, o CTC registrou receita líquida de R$ 470,6 milhões, alta de 11,3%, e lucro líquido de R$ 216,5 milhões, avanço de 23,2% sobre o ciclo anterior. O Ebitda alcançou R$ 218,7 milhões, com margem de 46,5%.</p>
<p>Ao mesmo tempo, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegaram a R$ 268 milhões, crescimento de 14,6%. O valor supera o próprio lucro líquido do período em R$ 51,5 milhões, uma diferença de quase 24%, embora as duas medidas tenham naturezas contábeis distintas e não devam ser comparadas como se representassem a mesma conta. O dado dimensiona, ainda assim, o peso financeiro atribuído ao desenvolvimento de novas tecnologias.</p>
<p>O Capex avançou de forma ainda mais acelerada, para R$ 139 milhões, aumento de 142,4%. Os recursos foram destinados principalmente à Unidade de Produção de Sementes, laboratórios e infraestrutura de pesquisa. Mesmo com o aumento dos desembolsos, o CTC encerrou a safra com caixa líquido de R$ 501,7 milhões.</p>
<p>A participação da empresa no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340223">mercado</a> de plantio chegou a 32%, seis pontos percentuais acima da safra anterior. Entre o plantio realizado com variedades protegidas, 81% foi feito com materiais lançados a partir de 2020. Esses números mostram uma segunda dimensão do desafio de 2040: além de produzir tecnologia, a companhia precisa encurtar o intervalo entre desenvolvimento, aprovação, multiplicação e adoção efetiva pelos produtores.</p>
<h2>Etanol E32 aumenta demanda enquanto setor tenta produzir mais sem ampliar área</h2>
<p>A busca por produtividade ocorre em um momento de expansão da produção de biocombustíveis. No segundo levantamento da safra 2026/27, a Conab projetou 705,2 milhões de toneladas de cana, 42,89 milhões de toneladas de açúcar e 29,98 bilhões de litros de etanol produzido a partir da cana. Somado ao etanol de milho, estimado em 11,91 bilhões de litros, o país poderá atingir 41,88 bilhões de litros do biocombustível no ciclo.</p>
<p>A demanda doméstica ganhou um componente adicional em 1º de agosto, quando entrou em vigor, em caráter temporário, a gasolina E32. O percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina comum passou de 30% para 32% por 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período. A gasolina premium permaneceu com mistura de 25%.</p>
<p>A mudança não significa que toda cana adicional será direcionada ao etanol. As usinas ajustam o mix entre açúcar e combustível de acordo com preços, contratos, condições industriais e perspectivas de mercado. Ainda assim, um rendimento agrícola maior amplia a quantidade de matéria-prima disponível para os dois mercados sem exigir crescimento equivalente da área cultivada.</p>
<p>É nessa relação que a meta do CTC ganha dimensão econômica. Dobrar a produtividade de 74 para 148 toneladas por hectare não depende de uma única inovação e tampouco será demonstrado pela capacidade inicial da fábrica de sementes ou por uma nova variedade isoladamente. A estratégia exige que genética, proteção biotecnológica, manejo e plantio funcionem em conjunto e mantenham desempenho em ambientes agrícolas distintos por sucessivos cortes.</p>
<p>O cronograma até 2040 oferece tempo para que essas tecnologias avancem, mas o ponto de partida continua distante da meta. Com produtividade nacional próxima de 78 toneladas por hectare, o setor precisa adicionar cerca de 70 toneladas por hectare para alcançar o objetivo definido pelo CTC. A primeira fase já saiu do laboratório. O teste seguinte será mostrar se tecnologias desenvolvidas em escala experimental conseguem atravessar milhões de hectares e alterar de forma permanente a produtividade média da cana brasileira.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Centro de Tecnologia Canavieira &#8211; Visão 2040 e Relatório de Sustentabilidade com a meta de elevar a produtividade de 74 para 148 toneladas de cana por hectare</em></p>
<p><em>Companhia Nacional de Abastecimento &#8211; segundo levantamento da safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27</em></p>
<p><em>Comissão Técnica Nacional de Biossegurança &#8211; registros regulatórios relativos à cana-de-açúcar geneticamente modificada resistente à broca e tolerante ao glifosato</em></p>
<p><em>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis &#8211; regras da mistura temporária E32 em vigor desde agosto de 2026</em></p>
<p><em>Conselho Nacional de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340171">Política</a> Energética &#8211; Resolução nº 9 de 2026 sobre a elevação temporária do teor de etanol anidro na gasolina</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>China aplica tarifa de 67% à carne bovina brasileira fora da cota de 2026</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/china-tarifa-carne-bovina-brasileira-cota-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 20:48:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
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		<category><![CDATA[frigoríficos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual estabelecida pela China passa a enfrentar uma tarifa de 67% para entrar no mercado chinês a partir desta quinta-feira, 1º de outubro. A mudança ocorreu depois que o Ministério do Comércio da China confirmou que o Brasil atingiu em 29 de setembro 100% do limite reservado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual estabelecida pela China passa a enfrentar uma tarifa de 67% para entrar no mercado chinês a partir desta quinta-feira, 1º de outubro. A mudança ocorreu depois que o Ministério do Comércio da China confirmou que o Brasil atingiu em 29 de setembro 100% do limite reservado ao país para 2026. A partir do terceiro dia contado pelo mecanismo previsto na salvaguarda, os embarques acima da quantidade estabelecida passam a sofrer uma sobretaxa de 55 pontos percentuais sobre a tarifa regular de importação de 12%.</p>
<p>A medida não representa uma nova tarifa de 67% aplicada indistintamente a toda carne bovina brasileira. O mecanismo funciona por meio de uma cota anual: enquanto o volume importado permanece dentro do limite definido para o Brasil, continua valendo a tarifa regular. A cobrança adicional incide somente sobre mercadorias que ultrapassarem a quantidade prevista para o ano. A salvaguarda foi anunciada pelo governo chinês em 31 de dezembro de 2025, entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e permanecerá válida até o fim de 2028.</p>
<p>Para 2026, a cota brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. O Brasil recebeu o maior limite individual entre todos os fornecedores contemplados pela medida, reflexo de sua posição como principal origem estrangeira da carne bovina consumida pela China. Mesmo assim, o volume disponível mostrou-se insuficiente para sustentar durante todo o ano o ritmo de comércio observado entre os dois países nos últimos exercícios.</p>
<h2>Cota brasileira sobe pouco nos próximos dois anos</h2>
<p>O mecanismo chinês prevê uma liberação gradual da quantidade permitida ao longo dos três anos de vigência da salvaguarda. Depois das 1,106 milhão de toneladas estabelecidas para 2026, a cota brasileira aumenta para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e chega a 1,151 milhão em 2028.</p>
<p>O acréscimo no próximo ano será, portanto, de 22 mil toneladas, ou aproximadamente 1,99%. Entre 2027 e 2028, haverá aumento adicional de 23 mil toneladas, equivalente a 2,04%. Considerando todo o período, a quantidade disponível para o Brasil crescerá 45 mil toneladas entre o primeiro e o terceiro ano, avanço acumulado de aproximadamente 4,07%.</p>
<p>O aumento é pequeno diante da escala do comércio bilateral de carne bovina. A China recebeu cerca de 1,68 milhão de toneladas de produtos do complexo bovino brasileiro em 2025 segundo a série agregada da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes. Essa estatística, porém, possui abrangência maior do que os produtos alcançados pela salvaguarda chinesa e inclui, além de carne in natura, categorias como miúdos, gorduras, tripas e produtos industrializados.</p>
<p>Por essa razão, não é tecnicamente adequado simplesmente dividir a cota de 1,106 milhão de toneladas pelo volume total de 1,68 milhão registrado pela ABIEC e concluir que determinado percentual das exportações de 2025 permaneceria livre da sobretaxa. A salvaguarda chinesa possui um escopo aduaneiro específico, concentrado em carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, incluindo carcaças, meias-carcaças, cortes com osso e carne desossada.</p>
<p>O dado de 2025 continua útil para demonstrar a dimensão da China dentro das exportações brasileiras, mas não deve ser tratado como denominador exato da cota tarifária.</p>
<h2>China reservou 2,688 milhões de toneladas em 2026</h2>
<p>A salvaguarda não foi criada exclusivamente para o Brasil. O governo chinês estabeleceu cotas individuais para seus principais fornecedores e um limite separado para outros países e regiões abrangidos pelas regras.</p>
<p>Em 2026, a soma das cotas alcança 2,688 milhões de toneladas. Esse volume sobe para 2,742 milhões em 2027 e 2,797 milhões em 2028. O Brasil possui, isoladamente, a maior parcela do sistema, com mais de 1,1 milhão de toneladas por ano.</p>
<p>A Argentina recebeu cota de 511 mil toneladas em 2026, enquanto o Uruguai ficou com 324 mil toneladas. Nova Zelândia e Austrália receberam, respectivamente, 206 mil e 205 mil toneladas. Os Estados Unidos têm limite de 164 mil toneladas e o grupo formado pelos demais países sujeitos ao mecanismo ficou com 172 mil toneladas.</p>
<p>A sobretaxa sobre o volume excedente permanece em 55 pontos percentuais nos três anos da salvaguarda. Ao mesmo tempo, as cotas são ampliadas gradualmente, mecanismo utilizado pela China para relaxar a restrição ao longo do período sem eliminar de imediato a proteção concedida aos produtores domésticos.</p>
<h2>Cota chegou a 100% em 29 de setembro</h2>
<p>O monitoramento realizado pelo Ministério do Comércio chinês mostra como o limite brasileiro foi sendo consumido ao longo de 2026. Em 9 de maio, a utilização havia alcançado 50% da quantidade disponível. Em 21 de julho, chegou a 80% e, em 10 de agosto, atingiu 90%.</p>
<p>O marco definitivo ocorreu em 29 de setembro, quando a autoridade chinesa registrou a utilização de 100% da cota. No dia seguinte, o Ministério do Comércio publicou novo aviso informando que a cobrança adicional começaria à zero hora de 1º de outubro.</p>
<p>A diferença entre o registro oficial chinês e as estimativas divulgadas anteriormente pelo setor brasileiro decorre principalmente do momento utilizado para contabilizar as mercadorias. A indústria brasileira já considerava a cota economicamente comprometida meses antes porque somava os produtos que haviam deixado os portos nacionais e ainda estavam em trânsito para a Ásia.</p>
<p>A ABIEC informou que o transporte marítimo entre Brasil e China pode levar aproximadamente 40 a 45 dias. Dessa forma, uma carga embarcada no Brasil pode estar comercialmente comprometida e a caminho do comprador chinês sem aparecer imediatamente na utilização oficial da cota registrada na chegada.</p>
<p>Para efeitos tarifários, contudo, prevalece a sistemática definida pelas autoridades chinesas. O marco oficial foi o atingimento de 100% em 29 de setembro e a cobrança sobre o excedente passou a ser aplicada em 1º de outubro.</p>
<h2>Embarques para China desabaram em agosto</h2>
<p>O ajuste dos frigoríficos brasileiros ao limite chinês começou muito antes da cobrança efetiva da sobretaxa. Em agosto, o Brasil exportou apenas 18,9 mil toneladas de carne bovina para a China, redução de 88,2% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita obtida com o destino caiu 88,6%, para US$ 101,9 milhões.</p>
<p>A própria ABIEC relacionou a retração à administração da cota. Segundo a entidade, o setor já considerava o limite praticamente comprometido pelas cargas embarcadas e ainda em trânsito, o que provocou uma forte desaceleração dos novos envios durante o segundo semestre.</p>
<p>A mudança fica ainda mais evidente quando comparada ao acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, a China recebeu 899,2 mil toneladas de produtos bovinos brasileiros acompanhados pela ABIEC, com receita de US$ 5,51 bilhões. Mesmo com a forte desaceleração recente, o país asiático ainda respondeu por 40,8% de todo o volume brasileiro exportado no período.</p>
<p>No total, as exportações brasileiras de carne bovina somaram 2,202 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, avanço de 5,3% sobre o mesmo intervalo de 2025. A receita cresceu em ritmo ainda maior, 21,7%, e chegou a US$ 12,79 bilhões.</p>
<p>Os números mostram que a redução das compras chinesas no segundo semestre não provocou uma retração equivalente nas exportações totais brasileiras, principalmente porque outros destinos ampliaram significativamente suas aquisições.</p>
<h2>Estados Unidos, Europa e Rússia absorvem mais carne</h2>
<p>Em agosto, os Estados Unidos superaram a China entre os principais destinos mensais da carne bovina brasileira, com 35,3 mil toneladas, aumento de 276% em relação a agosto de 2025. A União Europeia recebeu 23,4 mil toneladas, crescimento de 108,6%, enquanto a Rússia importou 22 mil toneladas, avanço de 54,5%. O Chile comprou 17,4 mil toneladas, 44,4% a mais.</p>
<p>Esses quatro mercados geraram, respectivamente, US$ 226,5 milhões, US$ 201,9 milhões, US$ 116,8 milhões e US$ 108,3 milhões em receitas para os exportadores brasileiros durante agosto.</p>
<p>No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, os Estados Unidos aparecem como o segundo principal destino, com 269,1 mil toneladas e US$ 1,74 bilhão. O Chile recebeu 107,3 mil toneladas, a Rússia, 96,3 mil toneladas, e a União Europeia, 87,1 mil toneladas.</p>
<p>Também houve crescimento expressivo em mercados menores. A Indonésia comprou 55,2 mil toneladas de janeiro a agosto, avanço de 259,6%. O Vietnã chegou a 10 mil toneladas, aumento de 408,3%, enquanto a Argentina alcançou 19 mil toneladas, crescimento de 140,1%.</p>
<p>O avanço desses destinos não elimina a importância da China, mas reduz parcialmente a dependência de um único comprador justamente no momento em que o maior <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340224">mercado</a> da carne brasileira passa a operar sob uma restrição quantitativa.</p>
<h2>Tarifa de 67% torna excedente muito mais caro</h2>
<p>A consequência mais direta do esgotamento da cota é a mudança brusca no custo de entrada da carne brasileira na China. Dentro do limite, permanece a tarifa regular de 12%. Para o volume que exceder a cota, o governo chinês acrescenta 55 pontos percentuais sobre essa alíquota, elevando a incidência a 67%.</p>
<p>A diferença altera substancialmente a viabilidade econômica de novos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340146">negócios</a>. Um produto importado com tarifa de 67% precisa suportar um custo aduaneiro muito superior ao enfrentado durante a maior parte do ano, o que pode reduzir margens de exportadores e importadores ou exigir preços mais elevados no mercado chinês.</p>
<p>Isso não significa que exportações brasileiras para a China estejam proibidas até dezembro. As vendas podem continuar, desde que compradores e vendedores estejam dispostos a absorver o custo tarifário adicional. Na prática, porém, a sobretaxa cria um forte desestímulo econômico aos volumes fora da cota.</p>
<p>Também não há obrigação de que toda carne que deixe de seguir para a China seja automaticamente direcionada ao mercado brasileiro. Frigoríficos podem alterar destinos, mix de cortes e estratégias comerciais conforme preços, habilitações sanitárias, contratos já firmados e demanda em outros países.</p>
<h2>Novos frigoríficos ganham acesso em meio à restrição</h2>
<p>O esgotamento da cota ocorreu praticamente ao mesmo tempo em que novas plantas brasileiras receberam autorização para vender ao mercado chinês. Em 29 de setembro, a Administração-Geral das Alfândegas da China habilitou duas unidades de carne bovina: a Supremo Carnes, de Carlos Chagas, em Minas Gerais, e a Masterboi, de Canhotinho, em Pernambuco.</p>
<p>Também foram autorizados dois estabelecimentos do setor de aves: Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste, em Minas Gerais, e Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul.</p>
<p>No caso da carne bovina, entretanto, a inclusão de novos frigoríficos na lista sanitária não aumenta a quantidade destinada ao Brasil dentro da salvaguarda. A cota é estabelecida para o país como um todo, e não individualmente para cada estabelecimento habilitado.</p>
<p>Isso cria uma situação particular para as novas plantas: elas passam a ter autorização sanitária para exportar ao maior mercado mundial da proteína brasileira justamente quando a quantidade prevista para 2026 já foi integralmente utilizada.</p>
<p>A habilitação continua sendo estratégica para os próximos exercícios, especialmente porque os estabelecimentos estarão aptos a participar dos embarques quando a cota de 2027 for aberta.</p>
<h2>Nova cota começa em janeiro de 2027</h2>
<p>O próximo marco passa a ser 1º de janeiro de 2027, quando entra em vigor uma nova cota anual de 1,128 milhão de toneladas para o Brasil. O acréscimo será de apenas 22 mil toneladas em relação ao limite deste ano.</p>
<p>O planejamento logístico ganha importância porque o percurso marítimo pode levar entre 40 e 45 dias. Exportadores precisam considerar não apenas a data do embarque no Brasil, mas também a chegada das mercadorias e a forma como a China contabiliza a utilização da cota.</p>
<p>A experiência de 2026 mostra ainda o risco de concentração dos embarques no início do ano. A cota chegou a 50% já em 9 de maio e atingiu 80% em julho. Pouco menos de nove meses após sua abertura, o limite estava completamente consumido.</p>
<p>Se o fluxo voltar a se concentrar no primeiro semestre de 2027, o setor poderá enfrentar novamente uma desaceleração significativa antes do fim do ano. A expansão de apenas 1,99% da cota reduz o espaço para que um crescimento expressivo das exportações seja absorvido pelo mercado chinês sem incidência da sobretaxa.</p>
<p>A diversificação de destinos, portanto, passa a exercer papel ainda mais importante. O crescimento observado nos Estados Unidos, União Europeia, Rússia, Chile, Indonésia e outros mercados oferece alternativas para parte da produção, embora nenhum desses compradores isoladamente se aproxime da escala alcançada pela China.</p>
<h2>Salvaguarda continuará até 2028</h2>
<p>A medida chinesa foi adotada depois de uma investigação iniciada em dezembro de 2024. O Ministério do Comércio concluiu que o aumento das importações de carne bovina havia provocado dano grave à indústria doméstica e estabeleceu como resposta uma salvaguarda baseada em cotas por país e tarifa adicional para os volumes excedentes.</p>
<p>A regra abrange carne de animais bovinos fresca, refrigerada ou congelada, incluindo carcaças e meias-carcaças, cortes com osso e carne desossada. Os produtos estão classificados nos códigos aduaneiros chineses 02011000, 02012000, 02013000, 02021000, 02022000 e 02023000.</p>
<p>A salvaguarda permanecerá em vigor até 31 de dezembro de 2028. A quantidade brasileira sobe gradualmente para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão em 2028, mas a sobretaxa de 55 pontos percentuais sobre o excedente permanece durante os três anos.</p>
<p>Com o limite de 2026 integralmente utilizado, o setor entra agora na primeira experiência concreta de comércio brasileiro sob a tarifa extrateto. A partir de outubro, a decisão de continuar enviando carne para a China dependerá do preço negociado, das margens disponíveis e da capacidade dos compradores de absorver uma carga tributária muito superior à praticada dentro da cota.</p>
<p>Ao mesmo tempo, os dados de exportação mostram que os frigoríficos já iniciaram uma redistribuição de seus embarques. A China permanece como principal destino acumulado em 2026, mas sua participação caiu fortemente no fluxo mensal enquanto outros compradores aumentaram as aquisições.</p>
<p>O desafio para 2027 será administrar um limite apenas 22 mil toneladas maior e evitar que a concentração dos embarques volte a consumir a cota muito antes do encerramento do ano. A salvaguarda transforma, assim, a gestão do volume disponível em uma variável permanente da relação comercial entre Brasil e China até pelo menos 2028.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Ministério do Comércio da República Popular da China — Comunicado de 30 de setembro de 2026 sobre o atingimento de 100% da cota brasileira.</p>
<p>Ministério do Comércio da República Popular da China — Comunicado nº 87 de 2025, decisão final sobre a salvaguarda aplicada às importações de carne bovina.</p>
<p>Ministério do Comércio da República Popular da China — tabela oficial das cotas nacionais e tarifas adicionais para 2026, 2027 e 2028.</p>
<p>Ministério da Agricultura e Pecuária — esclarecimentos sobre a cota brasileira, tarifa regular de 12% e sobretaxa incidente sobre os volumes excedentes.</p>
<p>Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes — dados das exportações brasileiras de carne bovina de 2025 e de janeiro a agosto de 2026.</p>
<p>Administração-Geral das Alfândegas da China — registros de estabelecimentos brasileiros habilitados à exportação de produtos de origem animal.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>BrasilAgro (AGRO3) vende área na Bahia por R$ 96,4 milhões e prevê ganho de R$ 51,5 milhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasilagro-agro3-vende-area-bahia-r-96-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 16:28:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A BrasilAgro (AGRO3) vendeu uma área da Fazenda Rio do Meio, em Correntina, no oeste da Bahia, por R$ 96,4 milhões em valor nominal. A operação envolve 2.592,97 hectares, dos quais 1.752,66 hectares são considerados úteis, e deverá gerar um ganho de R$ 51,5 milhões antes dos impostos no primeiro trimestre do exercício social de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A BrasilAgro (AGRO3) vendeu uma área da Fazenda Rio do Meio, em Correntina, no oeste da Bahia, por R$ 96,4 milhões em valor nominal. A operação envolve 2.592,97 hectares, dos quais 1.752,66 hectares são considerados úteis, e deverá gerar um ganho de R$ 51,5 milhões antes dos impostos no primeiro trimestre do exercício social de 2026/2027. A transação, anunciada pela companhia em 29 de setembro, volta a colocar em evidência uma das características centrais do modelo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340089">negócios</a> da empresa: a compra de propriedades rurais, o desenvolvimento produtivo dessas áreas e a posterior venda dos ativos quando a administração entende que parte relevante da valorização já pode ser capturada.</p>
<p>O preço acertado corresponde a 425 sacas de soja por hectare útil. Pelas referências consideradas no contrato, o negócio chega aos R$ 96,4 milhões em termos nominais, o equivalente a aproximadamente R$ 55 mil por hectare útil. Como parte do pagamento será recebida ao longo dos próximos anos, a BrasilAgro calcula que o valor presente da operação seja de R$ 78,8 milhões, ou aproximadamente R$ 45 mil por hectare útil. Mesmo depois desse desconto financeiro, o montante representa cerca de 2,9 vezes o valor contábil da área vendida, registrado em R$ 27,3 milhões.</p>
<p>Desse valor contábil, aproximadamente R$ 22,6 milhões correspondem ao custo de aquisição da área e outros R$ 4,7 milhões refletem investimentos realizados na propriedade, já descontada a depreciação. A diferença entre o valor carregado no balanço e o preço obtido na venda ajuda a mostrar como a valorização das terras constitui uma parcela importante do resultado econômico da BrasilAgro. A companhia estima uma taxa interna de retorno de 26,2% ao ano em reais e de 20,9% em dólares, índices que consideram o período de permanência da propriedade no portfólio, os investimentos realizados e os valores previstos no contrato de venda.</p>
<h2>BrasilAgro já recebeu parte do pagamento</h2>
<p>A BrasilAgro informou que já recebeu uma primeira parcela correspondente a 181.568,50 sacas de soja, aproximadamente 24% do volume previsto no contrato. Consideradas as referências financeiras utilizadas na operação, essa parcela equivale a R$ 21,1 milhões. O saldo remanescente, de 563.312 sacas, deverá ser quitado pelo comprador em quatro parcelas anuais, fazendo com que parte relevante do caixa relacionado à transação seja recebida ao longo dos próximos exercícios.</p>
<p>Esse cronograma de pagamento explica a diferença entre o valor nominal de R$ 96,4 milhões e os R$ 78,8 milhões calculados a valor presente. O primeiro número representa a soma financeira prevista no contrato sem o desconto do tempo, enquanto o segundo considera o fato de que uma parcela do dinheiro somente ingressará no caixa da companhia nos próximos anos. Para avaliar a operação em relação ao valor contábil atual da terra, o valor presente oferece uma comparação mais próxima da realidade econômica da venda.</p>
<p>Ainda assim, a distância entre os R$ 78,8 milhões a valor presente e os R$ 27,3 milhões registrados contabilmente permanece expressiva. É dessa diferença, ajustada pelos critérios contábeis e tributários aplicáveis à transação, que surge a expectativa de reconhecimento de R$ 51,5 milhões em ganho antes dos impostos. Esse resultado deve aparecer já no primeiro trimestre do exercício social iniciado em julho de 2026.</p>
<h2>Fazenda Rio do Meio entrou no portfólio em 2020</h2>
<p>Localizada em Correntina, uma das principais regiões agrícolas do oeste da Bahia, a Fazenda Rio do Meio foi adquirida pela BrasilAgro em janeiro de 2020. Na ocasião, a propriedade possuía aproximadamente 12,3 mil hectares e passou a integrar a estratégia de desenvolvimento de terras da companhia, que procura adquirir ativos rurais com potencial de valorização e aumentar seu valor por meio de investimentos, melhorias produtivas, infraestrutura e expansão da capacidade agrícola.</p>
<p>Ao longo dos anos seguintes, a fazenda passou por diferentes etapas de desenvolvimento e também por operações envolvendo parcelas das terras. No exercício encerrado em junho de 2026, a BrasilAgro chegou a registrar a retomada de 4.092 hectares da propriedade em decorrência do distrato de uma venda anterior. A incorporação dessa área novamente ao portfólio teve impacto relevante na avaliação dos imóveis rurais mantidos pela empresa e ajudou a elevar o valor total atribuído às propriedades.</p>
<p>Em 30 de junho de 2026, a companhia avaliava seu conjunto de terras em aproximadamente R$ 3,34 bilhões, aumento de 8,2% em relação ao exercício anterior. Do crescimento de R$ 252,2 milhões registrado nessa avaliação, cerca de R$ 109 milhões estavam relacionados justamente à retomada dos 4.092 hectares da Fazenda Rio do Meio. A venda anunciada agora representa uma nova etapa dentro desse processo de monetização do ativo.</p>
<h2>Venda expõe diferença entre valor contábil e valor de mercado</h2>
<p>Um dos aspectos mais importantes da transação está na diferença entre o preço obtido pela BrasilAgro e o valor pelo qual a área aparecia contabilizada. Os R$ 78,8 milhões calculados a valor presente correspondem a quase três vezes os R$ 27,3 milhões registrados no balanço. Na prática, a operação mostra que uma parcela da valorização das terras acumulada durante o período de desenvolvimento não aparece integralmente no valor contábil até que o ativo seja vendido.</p>
<p>Essa característica é relevante para compreender os resultados da BrasilAgro. Embora a companhia produza commodities agrícolas e esteja exposta a fatores como preços de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, câmbio, produtividade e condições climáticas, parte importante de sua estratégia está associada ao negócio imobiliário rural. A empresa procura comprar propriedades com potencial de transformação, elevar sua produtividade, desenvolver infraestrutura e vender essas áreas posteriormente por valores superiores aos custos acumulados.</p>
<p>Por isso, os resultados da companhia podem apresentar variações importantes de um exercício para outro. Em períodos nos quais poucas propriedades são vendidas, a contribuição da atividade imobiliária tende a ser menor. Quando ocorrem operações relevantes, porém, os ganhos com terras podem exercer peso significativo sobre o lucro, mesmo sem alterações proporcionais no desempenho da produção agrícola.</p>
<p>A operação da Fazenda Rio do Meio oferece uma demonstração concreta desse mecanismo. Considerando o valor presente, a área foi vendida por aproximadamente 190% acima do valor contábil. Isso não significa que toda a diferença será imediatamente transformada em caixa, já que parte do pagamento será recebida ao longo de quatro anos, mas mostra o tamanho da valorização realizada na negociação.</p>
<h2>Arrendamento mantém aberta possibilidade de nova venda</h2>
<p>Além da área vendida, a BrasilAgro anunciou o arrendamento de outros 383,44 hectares úteis da Fazenda Rio do Meio. O contrato seguirá até junho de 2030 e inclui uma opção de compra que poderá ser exercida pelo arrendatário até março de 2028. Caso a aquisição seja concretizada, o preço previsto será o mesmo utilizado na negociação já anunciada: 425 sacas de soja por hectare útil.</p>
<p>Esses 383,44 hectares não estão incluídos nos R$ 96,4 milhões da transação concluída. A estrutura do contrato permite à companhia obter receita com o arrendamento enquanto mantém aberta a possibilidade de uma segunda venda envolvendo outra parcela da propriedade. Caso a opção de compra seja exercida, a BrasilAgro deverá realizar uma nova operação de monetização da Fazenda Rio do Meio em condições semelhantes às utilizadas agora.</p>
<p>A escolha desse formato também preserva flexibilidade para a empresa. Enquanto a venda não ocorre, a terra continua gerando receita. Se o comprador decidir exercer a opção, a companhia transforma mais uma parcela do ativo imobiliário em caixa e resultado realizado. Se isso não acontecer, a área permanece sob controle da BrasilAgro ao término das condições previstas no contrato.</p>
<h2>Estratégia da AGRO3 vai além da produção agrícola</h2>
<p>A negociação chama atenção para um aspecto que nem sempre aparece de forma clara quando a BrasilAgro é analisada apenas como uma empresa ligada ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340091">agronegócio</a>. O modelo da companhia combina a operação agrícola tradicional com uma estratégia imobiliária baseada em terras. A produção gera receita recorrente e aproveita os ativos enquanto eles permanecem no portfólio, mas a valorização das propriedades pode produzir ganhos adicionais quando chega o momento da venda.</p>
<p>Na atividade agrícola, o desempenho está sujeito aos preços das commodities, às condições climáticas, aos custos de produção, às taxas de câmbio e à produtividade das safras. No negócio de terras, entram fatores diferentes, como localização das fazendas, desenvolvimento da infraestrutura, qualidade do solo, disponibilidade de água, capacidade produtiva, expansão agrícola da região e interesse de investidores ou produtores em adquirir áreas já desenvolvidas.</p>
<p>A administração procura combinar essas duas frentes. Enquanto uma propriedade permanece na carteira, ela pode produzir soja, milho, algodão, cana ou gerar receita por outras atividades. Ao mesmo tempo, investimentos feitos na terra podem elevar sua produtividade e aumentar seu valor de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340090">mercado</a>. Quando a empresa considera que existe uma oportunidade adequada de realização, parte ou a totalidade do imóvel pode ser vendida.</p>
<h2>Operação transforma valorização em resultado</h2>
<p>A venda da área da Fazenda Rio do Meio converte uma valorização que estava associada ao patrimônio imobiliário da BrasilAgro em ganho efetivamente realizado. A propriedade vendida tinha valor contábil de R$ 27,3 milhões, foi negociada por R$ 96,4 milhões em termos nominais e possui valor presente de R$ 78,8 milhões. A empresa projeta reconhecer R$ 51,5 milhões antes dos impostos e calcula retorno anualizado de 26,2% em reais.</p>
<p>Parte do dinheiro já entrou no caixa, com os R$ 21,1 milhões referentes à primeira parcela, enquanto o restante deverá ser recebido nos quatro anos seguintes. Ao mesmo tempo, os 383,44 hectares adicionais arrendados mantêm aberta a possibilidade de uma nova transação até março de 2028, o que poderá ampliar a monetização da Fazenda Rio do Meio nos próximos exercícios.</p>
<p>Para os acionistas da BrasilAgro, a operação fornece uma referência direta sobre a diferença entre o valor pelo qual determinadas terras aparecem no balanço e o preço que esses ativos conseguem alcançar quando são efetivamente negociados. O impacto mais imediato deverá aparecer no resultado do primeiro trimestre de 2026/2027, quando a companhia espera reconhecer o ganho de R$ 51,5 milhões relacionado à venda.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>BrasilAgro — Fato Relevante sobre venda e arrendamento de áreas da Fazenda Rio do Meio, de 29 de setembro de 2026.</p>
<p>BrasilAgro — Relações com Investidores e portfólio de propriedades.</p>
<p>BrasilAgro — Demonstrações financeiras e informações referentes ao exercício encerrado em 30 de junho de 2026.</p>
<p>BrasilAgro — Informações institucionais sobre estratégia de aquisição, desenvolvimento e comercialização de propriedades agrícolas.</p>
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		<title>Presidente do Banco do Brasil (BBAS3) chama Lula de “presidente do agronegócio”</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/tarciana-medeiros-lula-presidente-agronegocio-banco-do-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 22:55:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura familiar]]></category>
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		<category><![CDATA[Banco do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[BBAS3]]></category>
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		<category><![CDATA[Esfera Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Plano Safra 2026/2027]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros, afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ser considerado o “presidente do agronegócio”, ao destacar a ampliação dos recursos destinados ao financiamento rural durante o atual governo. A declaração foi feita na noite de sexta-feira (25), durante um jantar com empresários em São Paulo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros, afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ser considerado o “presidente do agronegócio”, ao destacar a ampliação dos recursos destinados ao financiamento rural durante o atual governo. A declaração foi feita na noite de sexta-feira (25), durante um jantar com empresários em São Paulo, organizado pelo Esfera Brasil e pelo grupo Prerrogativas, que reuniu integrantes do governo federal e representantes do setor privado.</p>
<p>Em seu discurso, Tarciana relatou que, ao assumir a presidência do Banco do Brasil, em janeiro de 2023, recebeu de Lula a orientação de ampliar a disponibilidade de crédito em diferentes setores da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339982">economia</a>, com atenção especial à atividade agropecuária. Segundo a executiva, a expansão do financiamento rural tornou-se uma das prioridades da instituição durante sua gestão.</p>
<p>Ao apresentar os resultados dessa política, ela afirmou que o governo disponibilizou aproximadamente R$ 2 trilhões ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339983">agronegócio</a> por meio do Plano Safra. Também declarou que o volume de crédito colocado à disposição do setor teria dobrado em comparação com a administração anterior.</p>
<p>A manifestação ocorreu em um encontro realizado na reta final da campanha presidencial de 2026. Participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, além de empresários e outras autoridades.</p>
<p>A fala de Tarciana reforçou a associação entre a atuação do Banco do Brasil, historicamente ligado ao financiamento agropecuário, e a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339988">política</a> de crédito rural desenvolvida pelo governo. Os números oficiais confirmam a ampliação dos valores anunciados para o setor, embora a comparação entre diferentes Planos Safra exija considerar mudanças na composição das linhas de financiamento e distinguir recursos disponibilizados de valores efetivamente desembolsados.</p>
<h2>Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões para agricultura empresarial</h2>
<p>A edição mais recente do Plano Safra, anunciada em junho de 2026, prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, montante R$ 9 bilhões superior ao programado no ciclo anterior. Desse total, R$ 384,9 bilhões estão destinados às operações de custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões foram reservados para investimentos.</p>
<p>Os recursos financiam diferentes etapas da produção agropecuária, desde a aquisição de insumos e o custeio das lavouras até projetos de irrigação, armazenagem, mecanização, inovação tecnológica e modernização das propriedades. O programa também contempla cooperativas e produtores de diferentes portes, com taxas e condições específicas conforme a finalidade de cada linha.</p>
<p>O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) recebeu uma programação de R$ 72,6 bilhões. Para os demais produtores e cooperativas da agricultura empresarial, foram previstos R$ 452,5 bilhões.</p>
<p>Separadamente, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 destinou R$ 85,2 bilhões às operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de medidas relacionadas a seguro agrícola, assistência técnica e outras políticas de apoio aos pequenos produtores.</p>
<p>O volume anunciado pelo governo para a agricultura empresarial cresceu ao longo dos últimos quatro ciclos. O Plano Safra 2023/2024 começou com R$ 364,22 bilhões. Na edição 2024/2025, o anúncio inicial foi de R$ 400,59 bilhões. Em 2025/2026, a programação passou para R$ 516,2 bilhões, chegando aos R$ 525,1 bilhões previstos para 2026/2027.</p>
<p>A comparação, entretanto, não é completamente homogênea. A composição dos valores divulgados passou por mudanças, incluindo a incorporação de instrumentos de financiamento privado, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs), aos números apresentados e monitorados pelo Ministério da Agricultura.</p>
<p>Por esse motivo, a afirmação de Tarciana sobre a duplicação do crédito precisa ser interpretada dentro da metodologia e do período adotados. Os dados dos anúncios oficiais demonstram crescimento nominal dos recursos programados, mas não permitem afirmar automaticamente que o volume efetivamente emprestado aos produtores tenha dobrado.</p>
<p>Da mesma forma, os R$ 2 trilhões mencionados pela executiva representam uma referência ao conjunto de recursos anunciados ao longo dos ciclos agrícolas, e não uma despesa direta equivalente realizada pelo Tesouro Nacional. O próprio Ministério da Agricultura utiliza a marca de mais de R$ 2 trilhões ao contabilizar o financiamento programado nos quatro Planos Safra lançados pelo atual governo.</p>
<h2>Banco do Brasil destinou R$ 210 bilhões à safra atual</h2>
<p>A atuação do Banco do Brasil ajuda a dimensionar a participação da instituição na política de financiamento agropecuário.</p>
<p>Em julho, o banco anunciou R$ 210 bilhões para apoiar a safra 2026/2027. Desse montante, aproximadamente R$ 40 bilhões foram destinados a pequenos e médios produtores, enquanto outros R$ 170 bilhões contemplam a agricultura empresarial, incluindo operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização.</p>
<p>A programação também considera R$ 25 bilhões para financiamento da cadeia de valor do agronegócio, abrangendo atividades econômicas relacionadas à produção rural.</p>
<p>No ciclo anterior, o Banco do Brasil informou ter desembolsado R$ 209 bilhões em cerca de 500 mil operações, atendendo mais de 200 atividades agropecuárias em todas as regiões do país.</p>
<p>Esse resultado, contudo, inclui R$ 36,6 bilhões em prorrogações de dívidas realizadas com base na Medida Provisória 1.314/2025. Trata-se de uma distinção importante: renegociar ou prorrogar financiamentos existentes não representa necessariamente disponibilizar o mesmo valor em dinheiro novo ao produtor.</p>
<p>O montante anunciado para 2026/2027 é apenas ligeiramente superior ao resultado informado para a safra anterior, embora os dois indicadores também apresentem diferenças de composição.</p>
<p>A expansão do financiamento rural, portanto, deve ser acompanhada não apenas pelos valores anunciados pelo governo e pelas instituições financeiras, mas também pela evolução das contratações, desembolsos efetivos, renegociações e condições de pagamento.</p>
<h2>Carteira do agronegócio alcançou R$ 421,6 bilhões</h2>
<p>Nos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, o Banco do Brasil informou que sua carteira de crédito destinada ao agronegócio atingiu R$ 421,6 bilhões.</p>
<p>O saldo representa crescimento de 0,8% em relação ao trimestre anterior e de 4,1% na comparação com junho de 2025. A carteira total de crédito expandida da instituição ultrapassou R$ 1,3 trilhão no encerramento do primeiro semestre.</p>
<p>A dimensão desses valores evidencia o peso das operações rurais no balanço do banco. Ao mesmo tempo, mostra que o crescimento da carteira efetivamente mantida pela instituição é um indicador diferente da programação financeira anual do Plano Safra.</p>
<p>A ampliação do crédito envolve ainda a gestão dos riscos de financiamento, especialmente em um setor sujeito a oscilações de preços das commodities, condições climáticas, custos de produção e variações de renda dos produtores.</p>
<p>No segundo trimestre, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões. O custo do crédito do conglomerado alcançou R$ 18,5 bilhões, enquanto a inadimplência superior a 90 dias ficou em 5,61%.</p>
<p>Esses últimos indicadores dizem respeito ao conjunto das operações do banco, não exclusivamente à carteira agropecuária. Ainda assim, ajudam a contextualizar os desafios de rentabilidade e qualidade do crédito enfrentados pela instituição enquanto mantém participação expressiva no financiamento da economia brasileira.</p>
<p>A política de crédito rural precisa, portanto, conciliar disponibilidade de recursos e capacidade de pagamento. A expansão das linhas de financiamento pode sustentar a produção, mas também exige acompanhamento das garantias, da exposição aos diferentes segmentos agrícolas e das condições financeiras de quem contrata os empréstimos.</p>
<h2>Tarciana também destacou financiamento sustentável</h2>
<p>Além do crédito rural, a presidente do Banco do Brasil mencionou no jantar o reconhecimento internacional recebido pela instituição em sustentabilidade e o financiamento de projetos relacionados à transição energética.</p>
<p>Segundo Tarciana, a atuação do banco nessa área foi ampliada ao longo dos últimos 42 meses, abrangendo iniciativas destinadas à modernização produtiva e à adoção de fontes de energia mais limpas.</p>
<p>Os resultados financeiros da instituição oferecem uma referência quantitativa para essa atuação. Em junho de 2026, a carteira de crédito sustentável do Banco do Brasil somava R$ 431,5 bilhões, avanço de 8,8% em 12 meses e de 2,5% em relação ao trimestre anterior.</p>
<p>O indicador reúne financiamentos classificados pelo banco como associados a impactos socioambientais positivos, incluindo atividades de agricultura sustentável, energias renováveis e infraestrutura.</p>
<p>Esse saldo não corresponde exclusivamente a investimentos em energia limpa nem representa uma medida direta da redução de emissões produzida pelos projetos financiados. Trata-se da carteira enquadrada nos critérios de classificação sustentável adotados pela instituição.</p>
<p>No crédito rural, o Plano Safra também prevê condições específicas para atividades de menor impacto ambiental, recuperação de áreas produtivas, eficiência energética e modernização tecnológica.</p>
<p>A edição 2026/2027 contempla linhas voltadas à irrigação, armazenagem, recuperação de pastagens e geração de energia renovável, além de incentivos financeiros para produtores que atendam a determinadas condições ambientais.</p>
<h2>Declaração ocorreu em encontro com empresários na reta final da eleição</h2>
<p>O jantar promovido pelo Esfera Brasil e pelo grupo Prerrogativas integrou uma agenda de encontros entre representantes empresariais e candidatos à Presidência da República.</p>
<p>A iniciativa foi organizada em formato de diálogo com integrantes do setor privado, retomando uma prática adotada também em campanhas eleitorais anteriores. Outros presidenciáveis foram convidados para encontros semelhantes.</p>
<p>Nesse contexto, a manifestação de Tarciana combinou um relato sobre as diretrizes recebidas ao assumir o Banco do Brasil com uma avaliação pessoal sobre a participação de Lula no financiamento do agronegócio.</p>
<p>A declaração ganha relevância pelo peso institucional da executiva, que dirige uma das principais fontes de crédito para a produção rural brasileira desde janeiro de 2023 e foi a primeira mulher a assumir a presidência do Banco do Brasil.</p>
<p>Ao utilizar a expressão “presidente do agronegócio”, Tarciana apresentou uma avaliação sobre a atuação do atual governo. A frase não constitui uma classificação econômica oficial nem substitui a comparação dos indicadores de financiamento, produção, investimento e desempenho do setor.</p>
<p>Os dados disponíveis mostram que o financiamento rural foi ampliado em valores nominais durante o mandato, com sucessivos anúncios de recursos para a agricultura empresarial e familiar. Também demonstram que o Banco do Brasil mantém exposição financeira significativa ao agronegócio, com R$ 421,6 bilhões em sua carteira no encerramento de junho.</p>
<p>A discussão sobre os resultados dessa política, entretanto, envolve outras variáveis: os recursos efetivamente contratados, o custo dos financiamentos, o endividamento dos produtores, a produção agrícola e a sustentabilidade financeira das operações.</p>
<p>A declaração da presidente do Banco do Brasil coloca essa agenda no debate eleitoral, enquanto os números do Plano Safra e do balanço da instituição permitem avaliar, separadamente, a dimensão concreta do financiamento disponibilizado e os resultados efetivamente registrados no setor.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco do Brasil — comunicado sobre a programação de R$ 210 bilhões para a Safra 2026/2027</em></p>
<p><em>Banco do Brasil — demonstrações de resultados e informações financeiras do segundo trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — Plano Safra 2023/2024</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — Plano Safra 2024/2025</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — Plano Safra 2025/2026</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — Plano Safra 2026/2027</em></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar — Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Falta de armazéns força produtor a vender soja na colheita, alerta Faesp</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/falta-armazens-soja-produtor-vender-safra</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 19:27:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[armazenagem de grãos]]></category>
		<category><![CDATA[Conab]]></category>
		<category><![CDATA[exportação de soja]]></category>
		<category><![CDATA[Faesp]]></category>
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		<category><![CDATA[produtores rurais]]></category>
		<category><![CDATA[safra 2026/27]]></category>
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		<category><![CDATA[soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil inicia o plantio da safra 2026/27 de soja depois de colher o maior volume de sua história, mas a expansão da produção continua avançando mais rapidamente do que parte da infraestrutura necessária para guardar os grãos. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, afirmou [&#8230;]</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil inicia o plantio da safra 2026/27 de soja depois de colher o maior volume de sua história, mas a expansão da produção continua avançando mais rapidamente do que parte da infraestrutura necessária para guardar os grãos. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, afirmou nesta quinta-feira, 24 de setembro, que a insuficiência de armazéns reduz a liberdade comercial do produtor e pode obrigá-lo a vender a produção sem condições de escolher o melhor momento de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339908">mercado</a>.</p>
<p>A declaração foi feita durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja, realizada em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior paulista. O evento marca simbolicamente o começo do ciclo 2026/27 em um momento no qual a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta novo crescimento da agricultura brasileira. Depois das 180,4 milhões de toneladas de soja estimadas para 2025/26, a estatal trabalha com perspectiva inicial de 181,64 milhões de toneladas para a nova temporada.</p>
<p>O avanço projetado é relativamente pequeno em termos percentuais — cerca de 0,7% —, mas representa aproximadamente 1,24 milhão de toneladas adicionais de soja. O problema é que o País já convive com uma diferença relevante entre o volume colhido em períodos concentrados do ano e a infraestrutura estática disponível para recebê-lo.</p>
<p>No Anuário Agrologístico de 2026, a própria Conab estimou produção de 218,2 milhões de toneladas de grãos apenas na primeira safra e capacidade estática para produtos a granel de aproximadamente 202,3 milhões de toneladas. A diferença é de 15,9 milhões de toneladas, equivalente a cerca de 7,3% da produção prevista para esse período. Para a estatal, o desequilíbrio aumenta a necessidade de comercialização rápida e constitui um gargalo logístico para o produtor.</p>
<h2>Produção cresceu quase 89% em uma década</h2>
<p>A pressão sobre a armazenagem acompanha uma transformação estrutural da agricultura brasileira. A produção nacional de soja passou de aproximadamente 95,6 milhões de toneladas na safra 2015/16 para 180,4 milhões de toneladas em 2025/26.</p>
<p>Em dez anos, o acréscimo foi de aproximadamente 84,8 milhões de toneladas, crescimento próximo de 89%.</p>
<p>Somente na temporada recém-encerrada, a produção da oleaginosa avançou 5,2%, segundo a Conab. A expansão combinou aumento da área plantada e maior produtividade, levando o País a um novo recorde.</p>
<p>A safra total brasileira de grãos também alcançou patamar inédito. O 12º levantamento da Conab estima 361,7 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 2,6% sobre o ciclo anterior. Soja, milho, algodão e sorgo registraram recordes.</p>
<p>Para 2026/27, a perspectiva inicial é de novo avanço. A Conab projeta até 366,6 milhões de toneladas de grãos, com área semeada estimada em 85,3 milhões de hectares.</p>
<p>O crescimento sucessivo aumenta a exigência sobre silos, armazéns graneleiros, ferrovias, rodovias, terminais de transbordo e portos. Quando a estrutura de armazenagem dentro ou próxima da propriedade não acompanha a produção, parte do excedente precisa entrar rapidamente no sistema logístico.</p>
<p>É nesse ponto que o gargalo deixa de ser apenas um problema físico e passa a afetar a negociação da safra.</p>
<h2>Sem silo, produtor perde a possibilidade de esperar</h2>
<p>A armazenagem permite separar duas decisões que nem sempre precisam ocorrer simultaneamente: colher e vender.</p>
<p>Quando possui estrutura adequada, o agricultor pode retirar a soja da lavoura e mantê-la estocada enquanto acompanha preços, prêmios de exportação, câmbio, custos de frete e condições oferecidas por tradings e indústrias.</p>
<p>Quando não há espaço, a margem de decisão diminui. A necessidade física de retirar a safra da propriedade pode antecipar a comercialização independentemente da avaliação do produtor sobre o melhor momento de venda.</p>
<p>A Conab reconheceu esse efeito em sua análise logística de 2026. Ao comparar a capacidade estática para grãos a granel com a produção esperada da primeira safra, a companhia observou que, pelo segundo ano consecutivo, o volume produzido nesse período supera a capacidade correspondente de armazenamento.</p>
<p>O déficit nominal calculado pela estatal, de 15,9 milhões de toneladas, não significa que essa quantidade necessariamente fique sem qualquer local para armazenamento. A infraestrutura pode operar com giro de estoques, existem estruturas destinadas a diferentes produtos e a safra é movimentada ao longo do tempo.</p>
<p>O indicador revela, entretanto, a pressão existente quando grandes volumes chegam simultaneamente ao mercado.</p>
<p>É exatamente esse efeito que sustenta o alerta feito pela Faesp: sem armazenagem suficiente, a decisão comercial deixa de depender apenas da estratégia do produtor.</p>
<h2>Brasil possui 233,8 milhões de toneladas de capacidade total</h2>
<p>Uma segunda fotografia da infraestrutura é fornecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>
<p>A Pesquisa de Estoques mostra que a capacidade útil disponível nos estabelecimentos armazenadores brasileiros atingiu 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, dado mais recente publicado pelo instituto. O volume cresceu 1,1% em relação ao semestre anterior.</p>
<p>Os silos responderam por 124,7 milhões de toneladas, ou 53,3% da capacidade total. Armazéns graneleiros e granelizados somaram 85,8 milhões de toneladas, enquanto estruturas convencionais, estruturais e infláveis representaram aproximadamente 23,3 milhões de toneladas.</p>
<p>Esse total não deve ser comparado mecanicamente com os 361,7 milhões de toneladas produzidos em uma safra inteira. A mesma estrutura pode receber mais de um lote ao longo do ano, diferentes culturas são colhidas em épocas distintas e parte da produção segue diretamente para processamento, exportação ou consumo.</p>
<p>Ainda assim, os números mostram que o crescimento da capacidade instalada precisa acompanhar uma agricultura que segue estabelecendo recordes.</p>
<p>Desde 1997, segundo o IBGE, a capacidade útil instalada mais do que dobrou, avançando de aproximadamente 110 milhões para 233,8 milhões de toneladas. Mesmo com essa expansão de 112,5%, determinados períodos e regiões continuam registrando pressão sobre a infraestrutura.</p>
<h2>São Paulo produz 4,12 milhões de toneladas de soja</h2>
<p>A escolha de Santa Cruz do Rio Pardo para a abertura nacional do plantio também coloca o problema de infraestrutura dentro de uma região produtora relevante.</p>
<p>O levantamento mais recente do Instituto de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339909">Economia</a> Agrícola e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral calcula a produção paulista de soja em 4,1226 milhões de toneladas na safra 2025/26.</p>
<p>A área produtiva ficou em aproximadamente 1,144 milhão de hectares, queda de 5,1% em relação à temporada anterior. O recuo foi praticamente compensado pelo ganho de produtividade, que aumentou 5,4%, para 3.603 quilos por hectare. Com isso, a produção estadual permaneceu praticamente estável.</p>
<p>A regional de Itapeva respondeu por 19,3% da soja paulista. Ourinhos, região na qual está Santa Cruz do Rio Pardo, respondeu por 10,5%, seguida por Assis, com 10,3%.</p>
<p>Aplicando a participação de 10,5% ao volume estadual, a região de Ourinhos produziu aproximadamente 433 mil toneladas de soja no ciclo. O cálculo ajuda a dimensionar a concentração de grãos em uma área na qual armazenagem e transporte têm impacto direto sobre a competitividade dos produtores.</p>
<p>São Paulo possuía capacidade total de armazenagem agrícola de aproximadamente 13,06 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o IBGE. O número abrange diversas culturas e diferentes tipos de estruturas e, por isso, não pode ser interpretado como espaço exclusivamente disponível para a soja.</p>
<h2>Exportação deve absorver mais de 60% da safra</h2>
<p>O crescimento da oferta também aumenta a dependência da logística de escoamento.</p>
<p>A projeção divulgada pela Faesp com base nas estimativas para 2025/26 indica exportações brasileiras de soja em torno de 116,2 milhões de toneladas. Comparado à produção de 180,4 milhões de toneladas, esse volume corresponde a aproximadamente 64,4% da safra.</p>
<p>Isso significa que praticamente dois de cada três quilos de soja produzidos no País, nessa relação aproximada, têm como destino o mercado externo.</p>
<p>Quanto maior a dependência das exportações, maior a importância de sincronizar colheita, armazenagem, transporte terrestre e capacidade portuária.</p>
<p>Se parte relevante da produção precisa deixar a propriedade imediatamente depois da colheita, aumenta a demanda simultânea por caminhões e terminais. Em regiões distantes dos portos ou das principais plantas de processamento, essa concentração pode ampliar custos de frete justamente no momento de maior oferta.</p>
<p>A armazenagem dentro da propriedade ou próxima dos polos de produção funciona, portanto, não apenas como infraestrutura física, mas também como instrumento econômico.</p>
<h2>Crédito para novos armazéns tenta reduzir gargalo</h2>
<p>O governo federal mantém linhas específicas para ampliar essa capacidade.</p>
<p>No Plano Safra 2025/26, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns ampliou de 6 mil para 12 mil toneladas o limite de capacidade por projeto enquadrado nas condições destinadas às estruturas menores.</p>
<p>A linha permite financiar construção, ampliação e modernização de unidades de armazenagem. Para projetos de até 12 mil toneladas, a taxa estabelecida foi de 8,5% ao ano, com prazo de até dez anos e carência de dois anos. Para os demais projetos, a taxa chegava a 10% ao ano.</p>
<p>O desafio é fazer os investimentos crescerem em ritmo compatível com a produção.</p>
<p>A perspectiva para a soja em 2026/27 indica que a pressão não deverá desaparecer. A Conab estima 181,64 milhões de toneladas, novo patamar recorde se a projeção se confirmar. A área cultivada deverá chegar a aproximadamente 49,3 milhões de hectares, expansão de 1,4%.</p>
<p>O crescimento percentual da área será o menor dos últimos 20 anos, segundo a estatal, mas ocorre sobre uma base de produção já muito elevada.</p>
<p>Para o produtor, a diferença entre ter ou não espaço para armazenar parte da colheita pode determinar se a venda será uma decisão comercial ou uma necessidade logística. O alerta da Faesp ocorre justamente quando máquinas voltam ao campo para uma safra que pode renovar o recorde brasileiro e exigir ainda mais de uma infraestrutura que já opera sob pressão nos principais meses de colheita.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Companhia Nacional de Abastecimento — 12º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, produção nacional de grãos e recorde da soja</em></p>
<p><em>Companhia Nacional de Abastecimento — Perspectivas para a Agropecuária 2026/27, projeções para produção, área e safra de soja</em></p>
<p><em>Companhia Nacional de Abastecimento — Anuário Agrologístico 2026, capacidade estática para grãos a granel e déficit de armazenagem da primeira safra</em></p>
<p><em>IBGE — Pesquisa de Estoques, capacidade útil de armazenagem agrícola no Brasil e no Estado de São Paulo</em></p>
<p><em>Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral — estimativa final da safra paulista de soja 2025/26 e participação das principais regiões produtoras</em></p>
<p><em>Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo — Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 e evolução da produção brasileira da oleaginosa</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária — condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns no Plano Safra</em></p>
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		<title>Proagro 2026 muda alíquotas e aperta comprovação de perdas na safra 2026/27</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/proagro-2026-regras-cobertura-limite</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 17:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[agricultura familiar]]></category>
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		<category><![CDATA[ZARC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Proagro entrou na safra 2026/27 com novas alíquotas e controles mais rígidos para comprovar perdas agrícolas. Desde 1º de julho, os novos enquadramentos seguem uma tabela atualizada pelo Conselho Monetário Nacional, enquanto as vistorias de lavouras atingidas por eventos adversos passaram a exigir fotografias georreferenciadas capazes de demonstrar que a perícia ocorreu dentro da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Proagro entrou na safra 2026/27 com novas alíquotas e controles mais rígidos para comprovar perdas agrícolas. Desde 1º de julho, os novos enquadramentos seguem uma tabela atualizada pelo Conselho Monetário Nacional, enquanto as vistorias de lavouras atingidas por eventos adversos passaram a exigir fotografias georreferenciadas capazes de demonstrar que a perícia ocorreu dentro da área efetivamente coberta.</p>
<p>A mudança afeta produtores que utilizam o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária para proteger operações de custeio contra perdas provocadas por seca, chuva excessiva, geada, granizo, ventos e determinadas pragas ou doenças. O limite de enquadramento permanece em <strong>R$ 200 mil por beneficiário para custeio em cada ano agrícola</strong>, considerado o conjunto das operações realizadas em um ou mais agentes do programa.</p>
<p>O valor de R$ 200 mil, porém, não deve ser confundido com uma indenização automática. A cobertura é calculada depois da comprovação das perdas e pode ser reduzida conforme a faixa de risco do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, a alíquota de equilíbrio do empreendimento, receitas obtidas com a produção e outras condições previstas no Manual de Crédito Rural.</p>
<p>Na prática, as regras fazem com que dois produtores da mesma cultura possam pagar adicionais diferentes e receber percentuais distintos de cobertura caso estejam em localidades com perfis de risco diferentes. É justamente essa combinação entre produto, região e risco que passou a ter peso cada vez maior na estrutura do Proagro.</p>
<h2>Nova tabela vale desde julho</h2>
<p>A Resolução CMN nº 5.315, aprovada em 25 de junho, atualizou as alíquotas de equilíbrio e os adicionais cobrados para enquadramento no Proagro e no Proagro Mais.</p>
<p>As regras entraram em vigor em <strong>1º de julho de 2026</strong>.</p>
<p>Segundo o Banco Central, a revisão foi possível após uma melhora no perfil de risco do programa e deve reduzir o custo médio pago pelos beneficiários sem elevar as despesas do Tesouro Nacional.</p>
<p>A mudança não criou uma taxa nacional única. A tabela vigente diferencia as alíquotas conforme produto, localidade e modalidade do programa.</p>
<p>Isso significa que uma lavoura de milho, por exemplo, pode ter adicional diferente em dois municípios ou microrregiões. Também podem existir diferenças entre Proagro Mais e Proagro Tradicional na mesma combinação entre cultura e região.</p>
<p>Para o produtor, a referência válida é a alíquota informada no enquadramento da operação e prevista na tabela vigente do Manual de Crédito Rural.</p>
<h2>Limite de R$ 200 mil vale para o conjunto das operações</h2>
<p>O limite de enquadramento de recursos no Proagro com o mesmo beneficiário é de <strong>R$ 200 mil para custeio por ano agrícola</strong>, independentemente da quantidade de empreendimentos cobertos ou de bancos e cooperativas utilizados.</p>
<p>A regra é relevante porque impede que o produtor multiplique o limite simplesmente distribuindo contratos entre instituições financeiras diferentes.</p>
<p>O Manual de Crédito Rural também estabelece enquadramento obrigatório para determinados empreendimentos de custeio agrícola de até R$ 200 mil cuja lavoura esteja compreendida no Zarc e que sejam financiados com participação de recursos controlados, desde que cumpridas as demais condições regulamentares.</p>
<p>Se a soma das operações no mesmo ano agrícola ultrapassar R$ 200 mil, a obrigatoriedade deixa de funcionar da mesma forma e o enquadramento precisa ser analisado conforme as demais regras aplicáveis.</p>
<p>O teto, portanto, é principalmente um limite de enquadramento. Ele não corresponde ao valor que necessariamente será pago se houver perda.</p>
<h2>Cobertura muda conforme risco do Zarc</h2>
<p>A proteção do Proagro passou por uma reestruturação relevante nos últimos anos para aproximar o valor da cobertura do risco efetivo de cada empreendimento.</p>
<p>Nas operações atuais, a faixa escolhida no Zoneamento Agrícola de Risco Climático influencia diretamente o percentual máximo utilizado no cálculo.</p>
<table>
<thead>
<tr>
<th>Faixa de risco do Zarc</th>
<th align="right">Cobertura máxima inicial</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Risco de 20%</td>
<td align="right">Até 85%</td>
</tr>
<tr>
<td>Risco de 30%</td>
<td align="right">Até 75%</td>
</tr>
<tr>
<td>Risco de 40%</td>
<td align="right">Até 50%</td>
</tr>
<tr>
<td>Fora das condições admitidas</td>
<td align="right">Pode ficar sem cobertura</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os percentuais não representam uma indenização automática sobre o valor integral do financiamento. Eles entram no cálculo do limite de cobertura depois da comprovação das condições da área e podem sofrer outros ajustes previstos no MCR.</p>
<p>Para empreendimentos enquadrados a partir de julho de 2025, a chamada <strong>alíquota de equilíbrio</strong> também passou a influenciar o resultado. O indicador busca refletir o risco histórico associado à combinação entre produto e localidade.</p>
<p>Quanto maior o risco atuarial do conjunto de operações semelhantes, maior pode ser o redutor aplicado à cobertura.</p>
<p>Essa metodologia é uma das razões pelas quais não existe uma resposta única para a pergunta sobre “quanto o Proagro indeniza”.</p>
<h2>Seca, chuva, geada e granizo estão entre eventos amparados</h2>
<p>O programa cobre perdas decorrentes de eventos estabelecidos no Manual de Crédito Rural, desde que a lavoura esteja dentro das condições exigidas.</p>
<p>Entre os principais estão <strong>seca, chuva excessiva, geada, granizo, variação excessiva de temperatura, ventos fortes e ventos frios</strong>.</p>
<p>Pragas e doenças também podem gerar cobertura quando não existir método conhecido e economicamente viável de combate, controle ou prevenção.</p>
<p>Nas lavouras irrigadas, há tratamento específico. Determinadas perdas relacionadas à suspensão do uso de água por determinação do poder público podem ser contempladas, e a cobertura contra seca exige condições próprias previstas no regulamento.</p>
<p>A ocorrência do fenômeno, sozinha, não basta.</p>
<p>O produtor precisa demonstrar que o evento atingiu a área enquadrada, ocorreu durante a vigência da proteção e efetivamente reduziu a receita do empreendimento.</p>
<h2>Plantio fora do Zarc pode eliminar cobertura</h2>
<p>O Proagro também estabelece hipóteses expressas de exclusão.</p>
<p>Perdas provocadas por incêndio da lavoura, erosão do solo, tecnologia inadequada ou deficiência nutricional decorrente de condução inadequada, por exemplo, não recebem o mesmo tratamento dos eventos amparados.</p>
<p>O plantio realizado fora das condições previstas no Zarc é outro ponto crítico.</p>
<p>Período de semeadura, tipo de solo, cultivar e localização precisam respeitar as recomendações aplicáveis ao empreendimento.</p>
<p>Também pode haver problema quando as coordenadas efetivas da lavoura não correspondem às informações apresentadas ao agente financeiro.</p>
<p>O Banco Central orienta ainda o produtor a conservar comprovantes de aquisição de insumos e a formalizar qualquer mudança de localização dentro dos procedimentos previstos.</p>
<p>Essas exigências mostram que a cobertura depende não apenas do clima, mas também da forma como o empreendimento foi conduzido e documentado.</p>
<h2>Fotos georreferenciadas passam a reforçar perícia</h2>
<p>A principal novidade operacional de 2026 está na comprovação das perdas.</p>
<p>A partir dos enquadramentos submetidos às novas regras, cada visita de vistoria deve ser documentada com pelo menos <strong>três fotografias coloridas</strong>.</p>
<p>As imagens precisam mostrar os efeitos do evento adverso e pontos de referência da lavoura. Uma delas deve incluir o agricultor ou seu representante no local.</p>
<p>Além disso, deve ser utilizada tecnologia capaz de comprovar que as fotografias foram capturadas dentro das coordenadas geográficas da área enquadrada.</p>
<p>A medida busca reduzir divergências sobre a área efetivamente atingida e aumentar a rastreabilidade do processo.</p>
<p>Em situações de perda parcial de alta gravidade, o relatório poderá ser concluído em uma única vistoria quando preenchidas as condições regulamentares. Nesse caso, a produção estimada naquele momento deve ser contabilizada como receita para efeito do cálculo da cobertura.</p>
<h2>Comunicação deve ocorrer antes que a perda deixe de ser verificável</h2>
<p>Quando a lavoura sofre um evento potencialmente amparado, o produtor precisa procurar o banco ou a cooperativa responsável pela operação e apresentar a <strong>Comunicação de Perdas</strong>.</p>
<p>O documento inicia formalmente o pedido de cobertura.</p>
<p>A comunicação não pode ser apresentada depois do fim da vigência do amparo e também pode ser considerada intempestiva quando o atraso torna impossível verificar a causa e a extensão das perdas.</p>
<p>Esse ponto é especialmente importante durante a colheita.</p>
<p>O próprio Banco Central orienta o produtor a não colher a lavoura antes da comunicação e da vistoria quando isso impedir a comprovação do dano. A colheita também deve respeitar a orientação do profissional responsável pela perícia.</p>
<p>Receitas obtidas com parte da produção colhida não desaparecem do cálculo. Elas são consideradas na apuração do valor de cobertura.</p>
<h2>Cobertura não equivale necessariamente a dinheiro livre para o produtor</h2>
<p>O Proagro foi criado principalmente para garantir o pagamento das obrigações vinculadas ao crédito rural de custeio quando uma perda amparada reduz a receita da lavoura.</p>
<p>O Banco Central administra o programa e repassa os recursos aos agentes financeiros depois do reconhecimento da cobertura.</p>
<p>Por isso, tecnicamente, o mecanismo não funciona como uma indenização convencional em dinheiro livre depositada ao produtor por qualquer prejuízo agrícola.</p>
<p>No Proagro Mais, voltado aos agricultores familiares do Pronaf, a estrutura é mais ampla e pode alcançar recursos próprios admitidos no enquadramento, além de mecanismos específicos de garantia de renda.</p>
<p>O Ministério do Desenvolvimento Agrário informa que o Proagro Mais, também denominado Seguro da Agricultura Familiar, responde por mais de <strong>85% das operações do Proagro</strong>. Na safra 2024/25, o valor amparado nas operações da agricultura familiar superou R$ 11 bilhões.</p>
<h2>Proagro Mais amplia proteção para agricultura familiar</h2>
<p>O Proagro possui duas modalidades centrais.</p>
<p>O Proagro Mais atende agricultores familiares que contratam custeio agrícola pelo Pronaf. O Proagro Tradicional atende as demais categorias enquadradas.</p>
<p>No Proagro Mais, quando ocorrem perdas amparáveis superiores ao limite regulamentar, o agricultor apresenta a Comunicação de Ocorrência de Perdas ao agente financeiro, que aciona um técnico para verificar as causas e a extensão dos danos.</p>
<p>A modalidade também contempla uma estrutura de garantia de renda e pode admitir recursos próprios aplicados no empreendimento conforme as regras vigentes.</p>
<p>Essas diferenças fazem com que a análise de uma operação não possa ser feita apenas pelo nome “Proagro”. É necessário identificar a modalidade contratada e as condições específicas registradas no instrumento de crédito.</p>
<h2>Banco tem até 90 dias para julgar pedido</h2>
<p>Concluída a perícia, o relatório final de comprovação de perdas é encaminhado para julgamento.</p>
<p>O agente do Proagro possui prazo de até <strong>90 dias corridos</strong>, contado do recebimento do relatório final, para analisar e decidir o pedido de cobertura.</p>
<p>Depois da decisão, há prazo de cinco dias úteis para comunicar o resultado ao beneficiário.</p>
<p>A instituição deve informar as razões quando houver indeferimento.</p>
<p>O pedido também pode resultar em cobertura parcial se parte da perda não estiver amparada ou se forem aplicáveis deduções previstas na regulamentação.</p>
<h2>Produtor pode recorrer de negativa ou cálculo</h2>
<p>A decisão do banco não encerra necessariamente a discussão administrativa.</p>
<p>Se o produtor discordar da negativa ou do cálculo da cobertura, pode pedir revisão ao próprio agente do Proagro.</p>
<p>O prazo é de <strong>30 dias</strong>.</p>
<p>O pedido deve ser acompanhado dos documentos utilizados para sustentar a discordância, e o beneficiário tem direito de consultar os autos do processo.</p>
<p>Se o agente mantiver a decisão anterior, o recurso pode seguir para a Comissão Especial de Recursos do Proagro.</p>
<p>Enquanto uma operação estiver dependendo de providências administrativas previstas nas normas, existem mecanismos específicos para tratamento de seu vencimento.</p>
<h2>Proagro de 2026 combina custo menor com controle maior</h2>
<p>As mudanças que passaram a valer em julho deixam clara a direção adotada pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central.</p>
<p>De um lado, a atualização das alíquotas busca refletir a melhora do perfil de risco e reduzir o custo médio do programa para os produtores.</p>
<p>De outro, o sistema de comprovação tornou-se mais rigoroso, com geolocalização das fotografias, identificação da área vistoriada e exigência de documentação mais consistente.</p>
<p>O movimento se soma às alterações anteriores que reduziram o limite de enquadramento para R$ 200 mil e passaram a relacionar a cobertura mais diretamente ao risco do Zarc e ao histórico atuarial de produto e região.</p>
<p>Para o produtor, a consequência é que o Proagro continua sendo uma proteção relevante contra eventos climáticos, mas depende cada vez mais da correção do enquadramento antes do plantio e da qualidade das informações apresentadas depois de uma perda.</p>
<p>Na safra 2026/27, conferir a alíquota, o enquadramento no Zarc, as coordenadas da área e as condições específicas do contrato deixou de ser apenas uma formalidade. Esses dados podem determinar quanto será pago para aderir ao programa e quanto efetivamente poderá ser reconhecido em caso de quebra da produção.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Manual de Crédito Rural, Capítulo 12, Programa de Garantia da Atividade Agropecuária</em></p>
<p><em>Conselho Monetário Nacional — Resolução CMN nº 5.315, de 25 de junho de 2026, sobre alíquotas do adicional e comprovação de perdas</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — comunicado de 25 de junho de 2026 sobre atualização dos adicionais do Proagro, redução do custo médio e reforço dos controles</em></p>
<p><em>Conselho Monetário Nacional — Resolução CMN nº 5.224, de 6 de junho de 2025, sobre enquadramento, limite de cobertura e regras de risco do Proagro</em></p>
<p><em>Conselho Monetário Nacional — Resolução CMN nº 5.198, de 19 de dezembro de 2024, sobre critérios de cálculo das coberturas</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Resumo de Instruções para o Beneficiário do Proagro</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — documentos de Comunicação de Perdas, Relatório de Comprovação de Perdas e Súmula de Julgamento e Revisão</em></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar — informações oficiais sobre Seguro da Agricultura Familiar e Proagro Mais</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>BASF prepara IPO de divisão agrícola com quatro bancos e mira Bolsa de Frankfurt</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/basf-contrata-bancos-para-ipo-da-agricultural-solutions</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 20:40:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultural Solutions]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[BASF]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsa de Frankfurt]]></category>
		<category><![CDATA[defensivos agrícolas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[IPO]]></category>
		<category><![CDATA[Livio Tedeschi]]></category>
		<category><![CDATA[Sascha Bibert]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A BASF iniciou uma nova etapa para separar e preparar sua divisão de soluções agrícolas para uma eventual abertura de capital ao contratar Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan como coordenadores globais da operação. A companhia alemã pretende deixar a Agricultural Solutions pronta para um IPO até meados de 2027 e mantém a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A BASF iniciou uma nova etapa para separar e preparar sua divisão de soluções agrícolas para uma eventual abertura de capital ao contratar Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan como coordenadores globais da operação. A companhia alemã pretende deixar a Agricultural Solutions pronta para um IPO até meados de 2027 e mantém a Bolsa de Frankfurt como local previsto para a listagem, mas ainda não tomou a decisão final sobre a realização ou a data da oferta.</p>
<p>A contratação dos bancos transforma o projeto em uma preparação formal de <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339416">mercado</a>, embora não represente o lançamento do IPO. Segundo a BASF, as condições dos mercados de capitais continuarão sendo um dos fatores determinantes para a decisão. A estrutura planejada prevê a constituição da unidade como uma Societas Europaea (SE), empresa de direito europeu, com a BASF mantendo participação no negócio após uma eventual oferta.</p>
<p>A separação jurídica e operacional também avançou. Aproximadamente 80% das operações globais da Agricultural Solutions já foram transferidas para entidades jurídicas próprias, que passaram a operar com um sistema de gestão empresarial específico para a atividade agrícola. O grupo afirma que também está estruturando os mecanismos de governança necessários para que a futura companhia funcione segundo padrões de uma empresa listada.</p>
<h2>Negócio agrícola movimenta quase € 9,6 bilhões por ano</h2>
<p>A dimensão da unidade ajuda a explicar a relevância da operação para a BASF. Em 2025, a Agricultural Solutions registrou vendas de € 9,587 bilhões, contra € 9,798 bilhões no ano anterior, uma queda de 2,2%. Ainda assim, a divisão representou cerca de 16,1% da receita consolidada de € 59,657 bilhões da BASF no exercício.</p>
<p>A rentabilidade da operação também é relevante dentro do grupo. O EBITDA antes de itens especiais da divisão chegou a € 2,081 bilhões em 2025, alta de 7,4% em relação aos € 1,938 bilhão registrados em 2024. A margem correspondente subiu de 19,8% para 21,7%.</p>
<p>Pelos números de 2025, a Agricultural Solutions respondeu por aproximadamente 32% do EBITDA antes de itens especiais reportado pela BASF, que totalizou € 6,544 bilhões no exercício. A divisão, portanto, representa uma parcela de receita menor do que sua contribuição para o resultado operacional ajustado do grupo.</p>
<p>O desempenho foi obtido mesmo com a queda da receita. A BASF atribuiu a melhora do EBITDA principalmente ao aumento da margem de contribuição decorrente da redução dos custos de produção e ao lançamento do glufosinato-P-amônio. O resultado reforça o peso econômico da unidade no processo de reorganização do portfólio da companhia.</p>
<h2>Sementes e defensivos formam o núcleo da futura companhia</h2>
<p>A Agricultural Solutions não é uma operação concentrada em uma única linha de produtos. O negócio combina defensivos químicos e um portfólio crescente de sementes, traits, tratamentos de sementes, soluções biológicas e ferramentas digitais para agricultura.</p>
<p>Em 2025, os herbicidas responderam por € 3,059 bilhões das vendas a terceiros, enquanto os fungicidas representaram € 2,838 bilhões. Seeds &amp; Traits alcançaram € 2,026 bilhões, os inseticidas somaram € 1,089 bilhão e tratamento de sementes ficou em € 575 milhões.</p>
<p>A composição mostra que a futura empresa continuará tendo forte exposição ao mercado de proteção de cultivos, ao mesmo tempo em que amplia a participação de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339414">negócios</a> associados a sementes, biotecnologia e soluções integradas. Essa diversificação faz parte da estratégia da BASF para transformar a unidade em uma companhia exclusivamente voltada ao <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339415">agronegócio</a>.</p>
<p>A distribuição geográfica também reduz a dependência de um único mercado. Em 2025, a América do Norte respondeu por 39,8% das vendas da divisão. A Europa ficou com 25,8%, enquanto América do Sul, África e Oriente Médio representaram 23,7%. A região Ásia-Pacífico respondeu pelos 10,7% restantes.</p>
<p>A América do Sul, portanto, está entre os mercados mais relevantes da operação, com participação próxima de um quarto da receita global da divisão. A região inclui um dos maiores mercados agrícolas do mundo e tem peso importante para culturas como soja, milho e outros grãos.</p>
<h2>Separação da BASF avança antes da decisão sobre o IPO</h2>
<p>A contratação dos bancos ocorre em paralelo à construção da estrutura independente da Agricultural Solutions. A BASF informou que cerca de quatro quintos das operações globais já foram colocados em entidades jurídicas separadas e passaram a utilizar um novo sistema ERP específico para a indústria.</p>
<p>O processo é mais amplo do que uma reorganização societária. A unidade precisa operar com estruturas próprias para finanças, governança, processos, tecnologia e gestão, além de estabelecer mecanismos compatíveis com as exigências de uma companhia aberta.</p>
<p>A BASF já havia anunciado em novembro de 2025 a intenção de direcionar a futura listagem para Frankfurt e apresentado a equipe de comando da operação. Livio Tedeschi foi escolhido para liderar a Agricultural Solutions, enquanto Sascha Bibert assumiu a função de diretor financeiro. A formação do comando próprio é parte do processo de transformação da unidade em uma empresa independente do ponto de vista operacional.</p>
<p>Em fevereiro de 2026, a BASF informou que pretendia concluir a separação das entidades jurídicas e do sistema ERP em todas as regiões até o início de 2027. A atualização divulgada nesta segunda-feira mostra que aproximadamente 80% da operação já percorreu esse caminho, embora o processo ainda não esteja completo.</p>
<p>A etapa restante será relevante para a definição da estrutura definitiva da companhia e para a preparação dos documentos e controles necessários a uma eventual oferta pública.</p>
<h2>IPO depende das condições do mercado de capitais</h2>
<p>Apesar do avanço operacional, a BASF enfatiza que a abertura de capital não está garantida. A empresa estabeleceu como objetivo atingir a preparação necessária até meados de 2027, mas separa esse marco da decisão de efetivamente realizar a oferta.</p>
<p>A distinção é importante porque a contratação dos bancos não equivale ao anúncio de uma operação de mercado. Os coordenadores passam a trabalhar na preparação do negócio, enquanto a BASF preserva a possibilidade de ajustar o cronograma ou adiar a transação conforme as condições de valorização, liquidez e demanda dos investidores.</p>
<p>A estrutura anunciada também prevê a listagem como Societas Europaea na Bolsa de Frankfurt. O formato permite organizar a companhia dentro de uma estrutura societária europeia e é compatível com o objetivo de transformar a divisão em um negócio agrícola independente e com presença internacional.</p>
<p>Na prática, a BASF está preparando uma unidade que já possui escala comparável à de grandes companhias especializadas do setor, mas que continuará ligada ao grupo alemão enquanto a eventual oferta não for concluída.</p>
<h2>Capital Markets Day deve detalhar estratégia em novembro</h2>
<p>O próximo marco público do processo será o Capital Markets Day da BASF, programado para 24 de novembro de 2026. A companhia informou que apresentará na ocasião uma visão estratégica e operacional específica da Agricultural Solutions, com participação dos quatro integrantes do conselho de administração da unidade.</p>
<p>A apresentação poderá fornecer informações adicionais sobre estrutura, prioridades de crescimento, alocação de capital e organização do negócio antes da possível separação definitiva. Também deve permitir ao mercado avaliar com maior precisão o perfil econômico da empresa que poderá ser levada à bolsa.</p>
<p>Os dados disponíveis indicam que a BASF está preparando um ativo de escala significativa. Com € 9,587 bilhões em vendas em 2025, € 2,081 bilhões de EBITDA antes de itens especiais e € 990 milhões destinados a pesquisa e desenvolvimento, a unidade já possui uma estrutura financeira e operacional robusta.</p>
<p>Outro indicador é o volume de investimentos. A Agricultural Solutions destinou € 351 milhões a investimentos e aquisições em 2025, enquanto seu fluxo de caixa do segmento alcançou € 1,505 bilhão. A combinação de geração de caixa, pesquisa e desenvolvimento e presença global ajuda a explicar por que a BASF trata a futura listagem como uma das principais etapas de sua estratégia de reorganização.</p>
<p>O movimento também ocorre enquanto a BASF redefine o peso de diferentes negócios dentro do conglomerado. A companhia vem adotando medidas de portfólio e reorganização com o objetivo de aumentar a disciplina de capital e concentrar recursos em operações com perspectivas consideradas mais atrativas.</p>
<p>Para os investidores, a futura separação poderá permitir avaliar a Agricultural Solutions de forma independente da estrutura diversificada da BASF. Para a companhia alemã, uma eventual oferta minoritária poderá abrir uma referência própria de valor para o negócio agrícola, ao mesmo tempo em que preservaria uma participação relevante na expansão futura da unidade.</p>
<p>Por enquanto, o cronograma decisivo permanece condicionado à conclusão da preparação interna e às condições do mercado. A contratação dos quatro bancos marca o avanço formal do projeto, mas a BASF ainda não definiu se, nem exatamente quando, levará a Agricultural Solutions à Bolsa de Frankfurt.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>BASF &#8211; comunicado de 14 de setembro de 2026 sobre a contratação de Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan para a preparação do IPO da Agricultural Solutions</em></p>
<p><em>BASF &#8211; relatório anual de 2025 com vendas, EBITDA, fluxo de caixa, investimentos e desempenho regional da Agricultural Solutions</em></p>
<p><em>BASF &#8211; informações para investidores sobre a estratégia de preparação para IPO e a separação jurídica e operacional da Agricultural Solutions</em></p>
<p><em>BASF &#8211; anúncio de novembro de 2025 sobre a futura listagem em Frankfurt e a composição do conselho de administração da Agricultural Solutions</em></p>
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		<title>Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) enfrentam calote de R$ 48 bi no agronegócio</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bbas3-bbdc4-sanb11-calote-agro-fazendas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 17:05:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[crédito rural]]></category>
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		<category><![CDATA[SANB11]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A crise de endividamento do agronegócio brasileiro começou a transformar uma das relações mais tradicionais do sistema financeiro. Diante de aproximadamente R$ 48 bilhões em crédito rural inadimplente, bancos passaram a executar garantias, assumir propriedades e criar estruturas para administrar ou vender terras entregues por produtores que deixaram de pagar seus financiamentos. O movimento coloca instituições como Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) diante de um problema incomum: além de administrar carteiras de crédito, precisam encontrar uma maneira eficiente de recuperar valor em ativos rurais.</p>
<p>O estoque de operações rurais em atraso chegou a aproximadamente R$ 48 bilhões em junho de 2026, segundo levantamento realizado a partir dos dados do Sistema de Informações de Crédito do Banco Central. Cinco anos antes, o valor girava em torno de R$ 2 bilhões. A taxa de inadimplência passou de 0,54% para 5,63% no período, uma deterioração particularmente expressiva para um segmento que durante anos figurou entre os melhores pagadores do sistema financeiro.</p>
<p>A maior parcela do problema está concentrada justamente nos produtores de maior renda. Cerca de R$ 29 bilhões do estoque inadimplente estão associados a esse grupo. Além dos empréstimos que já ultrapassaram os critérios tradicionais de atraso, há mais de R$ 72 bilhões classificados como crédito problemático, categoria que inclui operações com risco elevado de não pagamento.</p>
<p>O avanço dos calotes alterou rapidamente a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339409">política</a> de risco das instituições financeiras. Hipotecas tradicionais vêm cedendo espaço à alienação fiduciária, mecanismo que transfere ao credor a propriedade resolúvel do imóvel enquanto a dívida estiver aberta e facilita a execução da garantia caso o produtor deixe de cumprir o contrato.</p>
<h2>Bancos passam a assumir propriedades rurais</h2>
<p>O fenômeno já deixou de ser apenas uma mudança contratual. Fazendas estão efetivamente entrando no patrimônio ou em estruturas financeiras controladas pelos credores.</p>
<p>Um dos casos revelados recentemente envolve uma propriedade rural em Peixe, no sul do Tocantins, avaliada em R$ 9,6 milhões. Depois de sucessivos financiamentos e renegociações, o produtor não conseguiu liquidar a dívida e a propriedade dada em garantia foi retomada. A gestão do ativo deverá ser conduzida por uma estrutura financeira especializada, com alternativas que podem incluir arrendamento da própria área antes de uma venda definitiva.</p>
<p>A decisão de não vender imediatamente uma propriedade retomada tem lógica econômica. Uma grande quantidade de fazendas colocada simultaneamente no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339410">mercado</a>, justamente durante uma crise financeira do setor, pode pressionar preços e transformar a execução da garantia em uma perda adicional para o banco.</p>
<p>Administrar, arrendar ou manter temporariamente a terra pode preservar seu valor enquanto o ciclo agrícola melhora. É nesse sentido econômico, e não propriamente operacional, que bancos começam a assumir um papel semelhante ao de grandes proprietários rurais.</p>
<p>As instituições não necessariamente passam a plantar soja ou criar gado diretamente. O mais comum é contratar gestores especializados, utilizar fundos ou arrendar as propriedades, mantendo o ativo até que exista uma oportunidade adequada de monetização.</p>
<h2>BBAS3 está no centro da deterioração do crédito rural</h2>
<p>Nenhum grande banco brasileiro está tão exposto ao problema quanto o Banco do Brasil. A instituição encerrou março de 2026 com R$ 418,4 bilhões em sua carteira de agronegócios, equivalente a aproximadamente um terço de sua carteira de crédito expandida.</p>
<p>A deterioração dessa carteira já chegou diretamente ao balanço.</p>
<p>O BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, contra R$ 7,4 bilhões no mesmo período do ano anterior. O resultado representa queda superior a 50%.</p>
<p>O custo do crédito atingiu R$ 18,9 bilhões no trimestre. A inadimplência acima de 90 dias da carteira total chegou a 5,05%.</p>
<p>O banco reconheceu formalmente que o risco do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339407">agronegócio</a> permaneceu mais deteriorado do que previa e revisou suas projeções para o ano. O intervalo esperado para o lucro líquido ajustado caiu para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, enquanto a estimativa de custo do crédito subiu para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.</p>
<p>O problema também mudou a forma como o BB aceita imóveis rurais como garantia.</p>
<p>Na safra 2024/25, apenas uma pequena parcela das operações com grandes produtores utilizava alienação fiduciária da terra. Na safra seguinte, a participação desse tipo de garantia aumentou fortemente, mostrando como o banco passou a buscar maior proteção patrimonial diante da escalada das recuperações judiciais e dos atrasos.</p>
<p>Em 2026, o Banco do Brasil iniciou procedimentos para retomada definitiva de mais de uma centena de imóveis rurais vinculados a operações com esse tipo de garantia.</p>
<h2>Alienação fiduciária muda relação entre produtor e banco</h2>
<p>A alienação fiduciária dá ao credor uma proteção maior do que a hipoteca tradicional.</p>
<p>Pela legislação, o devedor transfere ao credor a propriedade resolúvel do imóvel como garantia da obrigação. Enquanto o financiamento está sendo pago normalmente, o produtor permanece utilizando a propriedade. Se a dívida for quitada, a propriedade plena retorna ao devedor.</p>
<p>Se houver inadimplência e forem cumpridas as etapas legais de cobrança, a propriedade poderá ser consolidada em favor do credor.</p>
<p>A estrutura tornou-se especialmente relevante no campo porque o número de pedidos de recuperação judicial disparou.</p>
<p>O agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025 considerando produtores pessoas físicas, produtores pessoas jurídicas e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339408">empresas</a> da cadeia, segundo a Serasa Experian. O número foi 56,4% superior ao de 2024 e o maior desde o início da série histórica da companhia.</p>
<p>Os produtores pessoas físicas responderam por 853 pedidos, enquanto produtores organizados como pessoas jurídicas fizeram outros 753.</p>
<p>Para os bancos, o crescimento das recuperações judiciais aumentou a importância de garantias capazes de oferecer maior proteção em uma eventual insolvência.</p>
<h2>Bradesco e Santander também reforçam garantias</h2>
<p>A mudança não está restrita ao Banco do Brasil.</p>
<p>No Bradesco, a alienação fiduciária passou a ser utilizada em praticamente todos os novos financiamentos concedidos a determinados grandes produtores, segundo informações do mercado. O objetivo é reduzir o risco de que uma instituição fique anos tentando executar uma propriedade por meio de disputas judiciais.</p>
<p>O Santander também começou a estruturar ativos rurais retomados dentro de veículos financeiros. Parte das propriedades pode ser organizada em fundos ligados ao agronegócio, permitindo uma gestão profissional dos imóveis enquanto o banco busca recuperar o dinheiro emprestado.</p>
<p>Essa estratégia revela uma segunda transformação.</p>
<p>Durante o ciclo de expansão, os bancos disputavam clientes do agronegócio e aumentavam rapidamente as carteiras. Agora, parte do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339406">trabalho</a> está concentrada em renegociar empréstimos antigos, reforçar garantias e administrar ativos recebidos de devedores.</p>
<p>A prioridade declarada pelas instituições continua sendo a renegociação. Executar uma fazenda raramente é o resultado desejado por um banco, porque administrar terra exige competências muito diferentes da concessão de crédito e ainda envolve custos tributários, jurídicos e operacionais.</p>
<p>Quando a negociação fracassa, porém, a garantia passa a ser a principal forma de recuperação do capital.</p>
<h2>Como o agro chegou a R$ 48 bilhões em calotes</h2>
<p>A atual crise começou a ser construída durante um período que, paradoxalmente, foi extremamente favorável para o agronegócio.</p>
<p>Entre 2020 e 2023, preços elevados de commodities, juros historicamente baixos e margens robustas levaram produtores a ampliar áreas, comprar máquinas, adquirir terras e assumir novos financiamentos.</p>
<p>O crédito rural cresceu rapidamente.</p>
<p>Parte dessas decisões foi tomada sob a expectativa de que preços e margens permaneceriam em níveis excepcionais. A realidade mudou a partir de 2023.</p>
<p>Cotações de importantes produtos agrícolas recuaram. Insumos permaneceram caros. Eventos climáticos afetaram a produtividade em diversas regiões. Paralelamente, a Selic subiu e aumentou o custo financeiro das operações contratadas a taxas de mercado.</p>
<p>Produtores que haviam aumentado significativamente a alavancagem passaram então a enfrentar uma combinação adversa: receita menor, custo maior e dívida mais cara.</p>
<p>Esse quadro ajuda a explicar por que grandes produtores concentram hoje parcela tão relevante da inadimplência. Foram justamente as operações de maior porte realizadas durante a fase de expansão que produziram os maiores saldos devedores quando o ciclo se inverteu.</p>
<h2>Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Minas concentram problema</h2>
<p>A deterioração também apresenta forte concentração geográfica. Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais respondem por aproximadamente metade do saldo inadimplente rural.</p>
<p>Cada região enfrenta fatores específicos, mas há elementos comuns: endividamento elevado, maior custo de capital, oscilações nos preços agrícolas e eventos climáticos que afetaram diferentes safras.</p>
<p>O aumento das dificuldades financeiras produz efeitos além dos bancos.</p>
<p>Produtores inadimplentes encontram maior dificuldade para contratar recursos para uma nova safra. Instituições financeiras, por sua vez, endurecem os critérios de concessão justamente porque observam maior probabilidade de perdas.</p>
<p>Forma-se um ciclo no qual a deterioração do crédito reduz a oferta de financiamento e a falta de financiamento dificulta a recuperação do próprio produtor.</p>
<p>O impacto chega também a fabricantes de máquinas, revendas de insumos, tradings, cooperativas e prestadores de serviços.</p>
<h2>Governo cria linhas para renegociar dívidas</h2>
<p>A dimensão da crise levou o governo e o Conselho Monetário Nacional a criar mecanismos destinados à composição e renegociação de dívidas rurais.</p>
<p>Em agosto, o CMN ajustou as condições de uma linha específica destinada à liquidação ou amortização de operações rurais e permitiu maior utilização de diferentes fontes de recursos pelos bancos.</p>
<p>A política tenta dar prazo adicional a produtores economicamente viáveis que sofreram perdas, evitando que operações potencialmente recuperáveis se transformem definitivamente em calote.</p>
<p>Existe, porém, uma preocupação com risco moral. Uma renegociação excessivamente abrangente pode criar incentivo para que produtores com condições financeiras suficientes deixem de pagar esperando condições melhores no futuro.</p>
<p>Por isso, as linhas exigem critérios de elegibilidade e comprovação de perdas.</p>
<h2>BB mantém R$ 210 bilhões para a nova safra</h2>
<p>Mesmo diante da deterioração da carteira, o Banco do Brasil continua ampliando sua presença no financiamento agrícola.</p>
<p>Para a safra 2026/27, a instituição anunciou aproximadamente R$ 210 bilhões em recursos em todo o país. Desse montante, cerca de R$ 40 bilhões são destinados aos pequenos e médios produtores e R$ 170 bilhões à agricultura empresarial.</p>
<p>Somente em São Paulo, o banco reservou R$ 33 bilhões. São R$ 2,55 bilhões para pequenos e médios produtores e R$ 30,45 bilhões para agricultura empresarial.</p>
<p>A estratégia demonstra o dilema enfrentado pelos bancos.</p>
<p>Reduzir drasticamente a concessão de crédito poderia proteger o balanço no curto prazo, mas também agravaria a crise e deixaria produtores sem recursos para plantar, comprometendo a capacidade futura de pagamento. Continuar financiando exige, por outro lado, controles de risco muito mais rígidos.</p>
<p>A resposta vem sendo combinar concessão de crédito com garantias mais fortes, avaliação mais criteriosa e renegociação das operações existentes.</p>
<h2>Crise rural vira risco para bancos e para a economia</h2>
<p>A transformação dos bancos em proprietários temporários de fazendas é, portanto, consequência visível de uma mudança mais profunda no ciclo de crédito do agronegócio.</p>
<p>O salto da inadimplência de aproximadamente R$ 2 bilhões para R$ 48 bilhões em cinco anos mostra que o problema deixou de ser pontual. A existência de mais de R$ 72 bilhões classificados como crédito problemático indica ainda que a deterioração pode não ter chegado ao fim.</p>
<p>Para investidores, o efeito mais evidente aparece no Banco do Brasil (BBAS3), cuja exposição ao agronegócio é muito superior à dos concorrentes e já obrigou a administração a rever suas projeções de lucro e custo de crédito.</p>
<p>Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) também enfrentam o problema, mas utilizam uma combinação de alienação fiduciária, renegociação e estruturas de gestão de propriedades retomadas para limitar eventuais perdas.</p>
<p>A capacidade de recuperar esses créditos sem realizar grandes prejuízos será uma das variáveis mais importantes para os resultados dos bancos nos próximos trimestres.</p>
<p>O desafio é particularmente complexo porque nenhuma instituição financeira deseja transformar execução de garantia em atividade permanente. Fazenda é garantia de crédito, não negócio bancário.</p>
<p>Mas enquanto dezenas de bilhões de reais permanecerem em atraso e produtores continuarem sem capacidade de liquidar empréstimos, bancos terão de conviver com uma realidade que até poucos anos atrás parecia improvável: além de financiar o agronegócio, precisarão administrar as terras que receberam daqueles que não conseguiram pagar.</p>
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		<item>
		<title>Blairo Maggi diz que Bolsonaro errou ao confrontar China e alerta para risco ao agro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/blairo-maggi-bolsonaro-china-eua-agronegocio</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 14:14:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agro brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Amaggi]]></category>
		<category><![CDATA[Blairo Maggi]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[exportações]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Blairo Maggi, um dos empresários mais influentes da história recente do agronegócio brasileiro, fez nesta quinta-feira, 10 de setembro, um alerta que vai muito além das divergências partidárias. Para o ex-ministro da Agricultura e acionista da Amaggi, o Brasil cometeu um erro ao transformar a relação com a China em elemento da disputa ideológica com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Blairo Maggi, um dos empresários mais influentes da história recente do agronegócio brasileiro, fez nesta quinta-feira, 10 de setembro, um alerta que vai muito além das divergências partidárias. Para o ex-ministro da Agricultura e acionista da Amaggi, o Brasil cometeu um erro ao transformar a relação com a China em elemento da disputa ideológica com os Estados Unidos durante o governo de Jair Bolsonaro. Na avaliação do empresário conhecido como “Rei da Soja”, o <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339214">agronegócio</a> brasileiro tem interesse econômico em preservar liberdade para negociar com as duas maiores potências, sem se prender automaticamente a nenhum dos lados.</p>
<p>A declaração foi feita durante o Agro Summit do Bradesco BBI, em São Paulo. Ao analisar como os mercados internacionais deverão enxergar o Brasil na próxima década, Maggi afirmou que Bolsonaro e a diplomacia brasileira erraram quando confrontaram Pequim numa tentativa de aproximação <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339213">política</a> com Washington. Sua defesa é de uma política externa essencialmente comercial: se Estados Unidos e China disputam influência, tecnologia, segurança e comércio, o Brasil deveria tentar permanecer no meio dessa competição vendendo para ambos.</p>
<p>O diagnóstico ganha peso porque vem de um empresário cuja trajetória está diretamente ligada à expansão brasileira no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339212">mercado</a> internacional de grãos. A Amaggi comercializa atualmente cerca de 18 milhões de toneladas de grãos e fibras por ano no mundo, segundo informações da própria companhia, e mantém presença em países como China, Argentina, Paraguai, Holanda, Noruega, Singapura e Suíça. Maggi também conhece a relação bilateral por dentro do governo: comandou o Ministério da Agricultura entre 2016 e 2018 e participou de sucessivas missões comerciais à Ásia para negociar abertura de mercados.</p>
<p>A questão, segundo ele, não é escolher politicamente a China em lugar dos Estados Unidos. É justamente evitar que o Brasil tenha de escolher.</p>
<h2>China concentra mais de um terço das vendas externas do agro</h2>
<p>Os dados comerciais ajudam a dimensionar o tamanho do risco apontado pelo ex-ministro. No primeiro semestre de 2026, a China comprou US$ 30,54 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, segundo estatísticas oficiais compiladas a partir dos dados de comércio exterior. O montante correspondeu a 35,1% de todas as exportações do setor no período.</p>
<p>Nenhum outro mercado se aproxima desse peso. A União Europeia ficou com participação de 14,5%, enquanto os Estados Unidos responderam por 5,7% das exportações brasileiras do agronegócio no primeiro semestre.</p>
<p>A concentração se torna ainda mais evidente quando se observa aquilo que os chineses compram. O complexo soja respondeu por 66,3% do valor das importações chinesas de produtos agropecuários brasileiros no período. Carnes representaram outros 18,8%.</p>
<p>Em outras palavras, aproximadamente dois de cada três dólares obtidos pelo agro brasileiro em suas vendas para a China vieram do complexo da soja.</p>
<p>É essa dependência que transforma diplomacia em variável econômica. Uma deterioração mais grave das relações entre Brasília e Pequim poderia atingir diretamente tradings, produtores rurais, <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339210">empresas</a> de logística, esmagadoras, cooperativas e indústrias que participam da cadeia da oleaginosa.</p>
<p>O impacto não ficaria necessariamente restrito às exportações. Uma mudança significativa na demanda chinesa poderia alterar preços internos, prêmios nos portos, margens de comercialização e decisões de plantio no Brasil.</p>
<h2>Maggi vê risco em obrigar Brasil a escolher um bloco</h2>
<p>A preocupação apresentada pelo empresário está ligada à crescente rivalidade entre Estados Unidos e China. O confronto que inicialmente ganhou visibilidade por meio de tarifas comerciais avançou para áreas como semicondutores, inteligência artificial, telecomunicações, minerais estratégicos, energia e segurança nacional.</p>
<p>Agricultura também faz parte dessa disputa.</p>
<p>A China é o maior importador mundial de soja e utiliza o grão principalmente como matéria-prima para a produção de farelo destinado à alimentação de suínos e aves. Brasil e Estados Unidos são seus dois principais fornecedores e, por isso, alterações na política comercial entre Washington e Pequim têm capacidade de redistribuir bilhões de dólares em compras agrícolas.</p>
<p>Para Maggi, seria perigoso o Brasil transformar essa disputa em alinhamento político rígido. Sua visão é que o país deve preservar relações comerciais estáveis com os dois lados e aproveitar as oportunidades produzidas pela concorrência entre eles.</p>
<p>A posição não significa ignorar diferenças diplomáticas ou estratégicas. O argumento é econômico: para um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, limitar voluntariamente mercados seria contrário ao interesse do setor produtivo.</p>
<h2>Relação de Bolsonaro com Pequim teve momentos de tensão e aproximação</h2>
<p>A crítica de Maggi também remete à política adotada durante o governo Bolsonaro. Ainda na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro fez declarações críticas à presença econômica chinesa no Brasil e chegou a dizer que a China não estava apenas comprando produtos brasileiros, mas estaria “comprando o Brasil”.</p>
<p>Depois de assumir a Presidência, o governo adotou uma postura mais pragmática. Bolsonaro visitou Pequim em 2019, recebeu o presidente Xi Jinping durante a cúpula do Brics em Brasília e passou a defender a ampliação das relações comerciais.</p>
<p>Isso não impediu novos momentos de tensão. Durante a pandemia, integrantes do governo e aliados do então presidente fizeram declarações que provocaram reações da diplomacia chinesa. Também houve atritos relacionados à Huawei e à disputa tecnológica entre Pequim e Washington.</p>
<p>Apesar das turbulências políticas, o comércio bilateral continuou sendo enorme. A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras e a soja foi um dos pilares dessa relação.</p>
<p>A avaliação de Maggi é que um país com essa exposição comercial não deveria correr o risco de permitir que afinidades políticas momentâneas com Washington comprometessem uma relação construída ao longo de décadas com Pequim.</p>
<h2>China quer produzir mais comida dentro de casa</h2>
<p>Existe, porém, um segundo problema que preocupa Maggi e que independe da política brasileira: a própria estratégia chinesa para aumentar sua segurança alimentar.</p>
<p>Pequim trabalha há anos para elevar a produtividade agrícola, aumentar estoques, desenvolver sementes, melhorar infraestrutura rural e reduzir vulnerabilidades externas em produtos considerados estratégicos. Nesta semana, autoridades chinesas voltaram a anunciar medidas para ampliar o financiamento destinado à produção rural e à segurança alimentar até 2030.</p>
<p>Maggi considera possível que a China reduza substancialmente sua dependência internacional em algumas proteínas animais. Aves e suínos estão entre os segmentos nos quais o país dispõe de escala para ampliar a produção doméstica.</p>
<p>O obstáculo aparece antes do frigorífico: os animais precisam ser alimentados.</p>
<p>É nesse ponto que a soja brasileira continua tendo importância estratégica. A expansão da produção chinesa de carnes exige grandes quantidades de farelo de soja, e a capacidade doméstica de Pequim para cultivar a oleaginosa é limitada pelas características de sua agricultura.</p>
<p>Para produzir muito mais soja, a China teria de deslocar terras atualmente ocupadas por outros cultivos ou elevar significativamente a produtividade. Como o grão pode ser comprado internacionalmente de grandes produtores como Brasil e Estados Unidos, existe também uma decisão econômica sobre até que ponto a autossuficiência compensaria.</p>
<p>Por isso, Maggi acredita que a China continuará necessitando de fornecedores externos, mesmo enquanto tenta diminuir vulnerabilidades.</p>
<h2>Soja brasileira continua crescendo nas exportações</h2>
<p>Os números mais recentes mostram que o Brasil mantém forte presença internacional na oleaginosa. Em agosto, as exportações brasileiras de soja chegaram a aproximadamente 9,8 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação ao mesmo mês de 2025.</p>
<p>A receita atingiu US$ 4,41 bilhões, crescimento de cerca de 14% na comparação anual, favorecida também por preços médios superiores aos registrados um ano antes.</p>
<p>Entre janeiro e julho, os embarques brasileiros de soja já haviam crescido 7,8% sobre igual período do ano passado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento.</p>
<p>O desempenho reforça a posição do Brasil como fornecedor estrutural do mercado internacional. Mas também evidencia por que mudanças nas compras chinesas têm capacidade de produzir efeitos rapidamente na <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339211">economia</a> brasileira.</p>
<p>Pequim não é apenas mais um destino. É o principal comprador do produto que ocupa o centro da pauta agrícola brasileira.</p>
<h2>Compras americanas mostram como geopolítica pode redirecionar soja</h2>
<p>Um acontecimento desta própria semana ilustra o alerta feito por Maggi. Empresas chinesas voltaram a comprar volumes relevantes de soja dos Estados Unidos em meio à aproximação entre Donald Trump e Xi Jinping.</p>
<p>Negociadores estimaram compras chinesas de cerca de 1 milhão de toneladas de soja americana nesta semana, enquanto empresas estatais de Pequim continuam executando compromissos de importação negociados com Washington.</p>
<p>Esse movimento não significa perda automática de espaço para o Brasil. Os calendários agrícolas dos dois países são parcialmente complementares: a safra brasileira domina determinadas épocas do ano, enquanto o produto norte-americano ganha importância em outras.</p>
<p>Mas mostra como decisões políticas podem alterar rapidamente a origem das compras.</p>
<p>Se Washington oferece condições comerciais mais atraentes ou incorpora a agricultura a uma negociação mais ampla com Pequim, parte da demanda pode migrar para produtores americanos. Se a relação sino-americana se deteriora e surgem tarifas adicionais, o Brasil tende a ganhar competitividade relativa.</p>
<p>O produtor brasileiro, portanto, pode ser beneficiado ou prejudicado por decisões tomadas a milhares de quilômetros de suas propriedades.</p>
<p>É esse jogo que Maggi quer que Brasília observe com pragmatismo.</p>
<h2>Trump é “imprevisível”, diz Maggi</h2>
<p>Questionado durante o evento sobre Donald Trump, o empresário chamou o presidente americano de “doidão” e imediatamente explicou o sentido da expressão: considera Trump muito imprevisível.</p>
<p>A imprevisibilidade é particularmente relevante para o agronegócio porque políticas tarifárias podem modificar mercados em poucas semanas. A agricultura esteve no centro da guerra comercial iniciada durante o primeiro mandato de Trump, quando a China retaliou tarifas americanas impondo barreiras a produtos agrícolas dos Estados Unidos.</p>
<p>Naquele período, produtores brasileiros de soja foram beneficiados pela migração de parte da demanda chinesa.</p>
<p>Esse benefício, contudo, não é permanente. Se Pequim e Washington fecham acordos que incluem compromissos chineses de compra de produtos agrícolas americanos, o fluxo pode novamente se deslocar.</p>
<p>Para o Brasil, a situação ideal seria manter acesso aos dois mercados e evitar transformar uma oportunidade comercial temporária em uma dependência política.</p>
<h2>Diversificar compradores também é parte da solução</h2>
<p>Maggi não defende, por outro lado, que o Brasil simplesmente aceite uma dependência crescente da China. O empresário argumenta que o país precisa continuar abrindo novos mercados para reduzir riscos.</p>
<p>Essa diversificação não é simples. Cada novo destino exige negociações sanitárias, fitossanitárias, ambientais e comerciais, muitas vezes prolongadas por anos.</p>
<p>Durante sua passagem pelo Ministério da Agricultura, Maggi participou diretamente desse processo. Em 2016, por exemplo, uma missão liderada por ele percorreu China, Índia, Vietnã, Coreia do Sul, Mianmar, Tailândia e Malásia buscando abrir mercados e ampliar vendas brasileiras.</p>
<p>O ex-ministro também chama atenção para o uso crescente de requisitos ambientais e sanitários como instrumentos de proteção comercial. Países podem estabelecer padrões legítimos de segurança e sustentabilidade, mas essas mesmas regras podem funcionar, na prática, como barreiras para dificultar a entrada de concorrentes estrangeiros.</p>
<p>Para Maggi, o Brasil precisará se adaptar às novas exigências em vez de acreditar que as vantagens que permitiram ao agro conquistar mercados nas últimas décadas serão suficientes no futuro.</p>
<h2>Uma disputa que chega diretamente à fazenda</h2>
<p>A mensagem apresentada pelo “Rei da Soja” é que política externa, segurança alimentar e agricultura passaram a fazer parte de uma mesma equação.</p>
<p>A China precisa garantir alimentos para uma população de mais de 1 bilhão de pessoas e tenta reduzir vulnerabilidades. Os Estados Unidos utilizam seu peso agrícola nas negociações comerciais. O Brasil, por sua vez, é um dos poucos países capazes de aumentar a oferta global de soja, milho, carnes e outras commodities em escala significativa.</p>
<p>Essa posição representa uma vantagem estratégica, mas também cria dependências.</p>
<p>No primeiro semestre deste ano, mais de um terço de tudo o que o agronegócio brasileiro exportou teve a China como destino. Esse número explica por que, para Maggi, uma escolha política entre Pequim e Washington teria consequências que poderiam chegar rapidamente ao produtor rural.</p>
<p>A recomendação do empresário é simples na formulação, embora difícil na diplomacia: não transformar o Brasil em extensão da disputa entre as duas potências.</p>
<p>Para um setor que depende de compradores em dezenas de países, a melhor posição, segundo ele, é continuar vendendo para todos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong> Blairo Maggi, em participação no Agro Summit do Bradesco BBI; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Comex Stat; Ministério da Agricultura e Pecuária; Companhia Nacional de Abastecimento; Amaggi; Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.</p>
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		<title>Crédito rural: R$ 207,4 bilhões já estão em atraso, renegociação ou prorrogação</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/credito-rural-dividas-207-bilhoes-carteira-problematica</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 17:14:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[MP 1.376]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O volume de crédito rural em atraso, inadimplente, prorrogado ou renegociado atingiu R$ 207,4 bilhões em julho, o maior valor da série acompanhada desde agosto de 2020. O montante representa 23,5% dos R$ 881,6 bilhões que compõem a carteira de crédito rural do Sistema Financeiro Nacional e mostra uma deterioração mais rápida da qualidade dos financiamentos ao campo justamente no início da safra 2026/2027.</p>
<p>O dado não significa que R$ 207,4 bilhões estejam em calote. Mais da metade desse volume corresponde a contratos que foram renegociados, enquanto outra parcela reúne financiamentos prorrogados que continuam formalmente em dia. A mudança mais preocupante em julho ocorreu nas operações vencidas há mais de 90 dias, que passaram de R$ 38,1 bilhões para R$ 45,7 bilhões em apenas um mês, aumento de aproximadamente 20%.</p>
<p>A deterioração aparece também em outra medida acompanhada pelo Banco Central: a inadimplência no crédito rural concedido a pessoas físicas chegou a 8,8% em julho, novo recorde. O avanço ocorre enquanto o governo tenta colocar em funcionamento um novo programa de composição de dívidas criado pela Medida Provisória 1.376/2026, que oferece prazos de até dez anos e juros subsidiados para produtores atingidos por eventos climáticos extremos ou perda relevante de renda.</p>
<h2>Carteira problemática cresceu cerca de R$ 10 bilhões em apenas um mês</h2>
<p>A composição dos números mostra que o aumento do risco não decorre apenas de uma expansão geral do crédito.</p>
<p>Em junho, as quatro categorias consideradas problemáticas somavam aproximadamente R$ 197,4 bilhões: R$ 38,1 bilhões em operações vencidas há mais de 90 dias, R$ 21,2 bilhões com atrasos entre 15 e 90 dias, R$ 31,6 bilhões em contratos prorrogados e R$ 106,5 bilhões em operações renegociadas.</p>
<p>Em julho, esse conjunto passou para R$ 207,4 bilhões. O crescimento foi de aproximadamente R$ 10 bilhões em um único mês, ou 5,1%.</p>
<p>No mesmo intervalo, a parcela considerada adimplente recuou de R$ 682,7 bilhões para R$ 674,2 bilhões, redução de R$ 8,5 bilhões.</p>
<p>Os dois movimentos combinados revelam uma mudança importante na composição da carteira. Enquanto o saldo total de crédito rural cresceu apenas modestamente, recursos migraram da classificação de curso normal para categorias associadas a dificuldades financeiras, prorrogações ou renegociações.</p>
<p>As operações renegociadas continuam sendo a maior parte do problema. Os R$ 106,9 bilhões registrados em julho correspondem a cerca de 51,5% de toda a carteira classificada como problemática.</p>
<p>Os empréstimos vencidos há mais de 90 dias representam aproximadamente 22%. As prorrogações respondem por cerca de 15,5%, e os atrasos entre 15 e 90 dias, por outros 10,8%.</p>
<p>A composição é relevante porque diferencia dificuldades financeiras com graus distintos de gravidade. Uma operação renegociada não equivale necessariamente a inadimplência, mas indica que as condições originais de pagamento precisaram ser modificadas.</p>
<h2>Atrasos acima de 90 dias concentram piora mais aguda</h2>
<p>O avanço de R$ 7,6 bilhões nos contratos vencidos há mais de 90 dias explica a maior parte da deterioração registrada entre junho e julho.</p>
<p>Essas operações passaram de R$ 38,1 bilhões para R$ 45,7 bilhões, aumento de 19,9%.</p>
<p>Os atrasos entre 15 e 90 dias avançaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 22,4 bilhões, crescimento de R$ 1,2 bilhão. As operações prorrogadas aumentaram R$ 600 milhões, para R$ 32,2 bilhões, enquanto as renegociadas cresceram aproximadamente R$ 400 milhões, para R$ 106,9 bilhões.</p>
<p>Isso significa que aproximadamente três quartos do aumento da carteira problemática no período vieram apenas da expansão das dívidas vencidas há mais de 90 dias.</p>
<p>A deterioração ocorre depois de safras marcadas por secas, enchentes e oscilações de preços de diferentes produtos agrícolas, fatores que afetaram a capacidade de pagamento de produtores em várias regiões do país.</p>
<p>Também coincide com juros elevados, custos financeiros maiores e a necessidade de contratação de novos recursos para financiar a safra 2026/2027.</p>
<h2>Rio Grande do Sul tem R$ 44,9 bilhões de crédito sob pressão</h2>
<p>A situação mais crítica aparece no Rio Grande do Sul.</p>
<p>O Estado acumulava R$ 44,9 bilhões em operações classificadas como problemáticas em julho, equivalentes a 41,6% de uma carteira total de aproximadamente R$ 108,8 bilhões.</p>
<p>O Rio Grande do Sul sozinho representa cerca de 21,6% dos R$ 207,4 bilhões de crédito rural problemático existentes no país, embora responda por uma parcela muito menor da carteira nacional total.</p>
<p>O saldo de financiamentos considerados normais no Estado caiu de quase R$ 74 bilhões em março para R$ 63,8 bilhões em julho, redução superior a R$ 10 bilhões em quatro meses.</p>
<p>Os empréstimos efetivamente em atraso também avançaram e chegaram a aproximadamente R$ 4,1 bilhões.</p>
<p>O quadro está associado à sucessão de eventos climáticos enfrentados pelos produtores gaúchos. Secas severas atingiram diferentes safras antes das enchentes de 2024, reduzindo produção, receita e capacidade de recomposição financeira de propriedades rurais.</p>
<p>A repetição das perdas fez com que uma parcela significativa das dívidas fosse prorrogada ou renegociada antes de chegar formalmente à inadimplência.</p>
<p>Dos R$ 44,9 bilhões classificados como problemáticos no Rio Grande do Sul, aproximadamente R$ 37,4 bilhões ainda estavam em dia porque os contratos haviam sido renegociados ou prorrogados.</p>
<h2>Mato Grosso do Sul já tem mais crédito problemático que adimplente</h2>
<p>Outro ponto de atenção está em Mato Grosso do Sul.</p>
<p>O Estado acumulava R$ 19,5 bilhões em empréstimos problemáticos, contra aproximadamente R$ 9,5 bilhões em operações classificadas como normais. Considerando a soma dessas duas parcelas, cerca de dois terços da carteira analisada estavam em alguma categoria de atraso, inadimplência, prorrogação ou renegociação.</p>
<p>O comportamento não é uniforme entre os principais Estados produtores.</p>
<p>Goiás reduziu o volume problemático para aproximadamente R$ 20 bilhões, enquanto Mato Grosso registrou queda para cerca de R$ 21,8 bilhões.</p>
<p>As diferenças mostram que a deterioração do crédito rural está relacionada não apenas ao cenário nacional de juros, mas também às condições específicas das safras, preços, clima e endividamento acumulado em cada região.</p>
<h2>MP permite juros de 5% a 12% ao ano</h2>
<p>O governo federal respondeu ao aumento do endividamento com a Medida Provisória 1.376, publicada em 15 de julho.</p>
<p>A norma autorizou novas linhas destinadas à composição de dívidas de produtores e cooperativas que tenham enfrentado perdas relevantes entre 2019 e 2025. O Conselho Monetário Nacional regulamentou as operações pela Resolução 5.330, de 23 de julho, posteriormente alterada pela Resolução 5.334.</p>
<p>Para produtores que tiveram perda de pelo menos 30% da renda bruta esperada em duas ou mais safras, as linhas podem ter prazo de até oito anos, com a primeira amortização de principal dois anos depois da contratação.</p>
<p>No Pronaf, os juros começam em 6% ao ano, com limite principal de R$ 400 mil. Para produtores enquadrados no Pronamp, a taxa é de 9% ao ano e o limite chega a R$ 2 milhões. Para as demais categorias, a linha pode alcançar R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.</p>
<p>Há condições mais favoráveis para produtores que tenham sofrido perdas de pelo menos 40% em três ou mais safras entre 2019 e 2025 devido a eventos climáticos extremos.</p>
<p>Nesse grupo, agricultores familiares podem acessar recursos a partir de 5% ao ano. Produtores do Pronamp pagam a partir de 8%, e os demais, 11%. O prazo pode chegar a dez anos.</p>
<h2>Fazenda autorizou contratação até 12 de novembro</h2>
<p>Um dos passos necessários para colocar as linhas em funcionamento ocorreu em agosto.</p>
<p>A Portaria 2.423 do Ministério da Fazenda autorizou o pagamento da equalização das taxas de juros e estabeleceu que as operações subsidiadas podem ser contratadas até 12 de novembro de 2026.</p>
<p>A medida incluiu instituições como Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, BRB, Cresol, Sicoob, Sicredi e outras instituições habilitadas a operar os financiamentos.</p>
<p>A equalização significa que o Tesouro Nacional cobre parte da diferença entre o custo financeiro das instituições e a taxa cobrada do produtor, permitindo juros inferiores aos praticados normalmente pelo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339077">mercado</a>.</p>
<p>A criação formal das linhas, entretanto, não encerrou as dificuldades.</p>
<p>Produtores vêm relatando exigências de entrada sobre o saldo devedor e de apresentação de garantias adicionais para realizar as novas operações. A regulamentação do CMN estabelece que a instituição financeira mantém a responsabilidade pelo risco de crédito e pode avaliar novamente as garantias na contratação.</p>
<p>Essa estrutura ajuda a explicar por que a existência de uma linha subsidiada não significa aprovação automática do refinanciamento.</p>
<h2>Congresso tem menos de dez dias para deliberar sobre MP</h2>
<p>A Medida Provisória 1.376 também entrou em uma etapa decisiva no Congresso.</p>
<p>A página oficial do Congresso Nacional apontava nesta sexta-feira (4) que a MP estava sob relatoria do deputado Paulo Pimenta e em regime de urgência desde 29 de agosto. O prazo de deliberação indicado vai até 12 de setembro, com possibilidade de prorrogação da vigência.</p>
<p>Entre as mudanças em discussão estão ampliação de prazos, alteração das datas de enquadramento e ajustes para produtores que não conseguiram concluir as renegociações antes do vencimento de parcelas.</p>
<p>O tema ganhou pressão adicional no Rio Grande do Sul. Em reunião realizada durante a Expointer, em Esteio, representantes de produtores, parlamentares e entidades do setor discutiram alterações destinadas a ampliar o alcance das linhas e evitar que novos contratos se tornem inadimplentes enquanto as renegociações não são concluídas.</p>
<p>A urgência aumentou porque o problema deixou de ser apenas o estoque acumulado de dívidas. A redução do volume de contratos em curso normal pode afetar a capacidade de produtores de financiar custeio, comprar insumos e implantar a nova safra.</p>
<p>Com R$ 207,4 bilhões já classificados em alguma forma de estresse financeiro e quase um quarto da carteira rural fora da condição normal, o resultado das renegociações nos próximos meses será determinante para saber se a deterioração ficará concentrada em contratos reestruturados ou avançará para níveis maiores de inadimplência.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; dados da carteira de crédito rural, inadimplência e regulamentação das linhas de composição de dívidas</em></p>
<p><em>Conselho Monetário Nacional &#8211; Resoluções 5.330 e 5.334 sobre renegociação e composição de dívidas rurais</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Medida Provisória 1.376 de 15 de julho de 2026</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda &#8211; Portaria 2.423 sobre equalização de juros e prazo de contratação das novas operações</em></p>
<p><em>Congresso Nacional &#8211; tramitação, prazo e situação legislativa da Medida Provisória 1.376</em></p>
<p><em>Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul &#8211; informações sobre endividamento e dificuldades de renegociação apresentadas durante a Expointer</em></p>
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		<item>
		<title>Brasil ameaça retaliar União Europeia após restrições que atingem US$ 1,84 bilhão em proteínas animais</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-retaliar-uniao-europeia-restricoes-proteina-animal</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 05:24:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
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		<category><![CDATA[Mercosul]]></category>
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		<category><![CDATA[reciprocidade]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil elevou o tom contra a União Europeia após a entrada em vigor de novas restrições à importação de produtos brasileiros de origem animal e passou a admitir formalmente a adoção de medidas de reciprocidade caso as negociações com o bloco não produzam uma solução considerada satisfatória. A mudança atinge um fluxo comercial estimado [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil elevou o tom contra a União Europeia após a entrada em vigor de novas restrições à importação de produtos brasileiros de origem animal e passou a admitir formalmente a adoção de medidas de reciprocidade caso as negociações com o bloco não produzam uma solução considerada satisfatória. A mudança atinge um fluxo comercial estimado em US$ 1,84 bilhão em 2025, com impacto principalmente sobre carnes e outros produtos de proteína animal exportados ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339057">mercado</a> europeu.</p>
<p>Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores afirmaram que o governo brasileiro vê com “profunda preocupação” as restrições implementadas a partir de 3 de setembro. Brasília sustenta que apresentou documentação e informações adicionais solicitadas pelos europeus e que vem mantendo negociações técnicas e políticas desde maio, quando os Estados-membros da União Europeia aprovaram a lista de países autorizados a continuar exportando determinados produtos dentro das novas regras.</p>
<p>O impasse envolve exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A União Europeia passou a exigir dos fornecedores externos garantias equivalentes às aplicadas aos produtores europeus, incluindo a proibição do uso de antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar rendimento e restrições a substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos.</p>
<p>O Brasil contesta não o princípio de controle sanitário, mas a forma como seu sistema de produção foi enquadrado pelo bloco. O governo afirma ter implementado as medidas necessárias, fornecido informações às autoridades europeias e aceitado inclusive uma auditoria em cadeias produtivas brasileiras.</p>
<p>Se o diálogo fracassar, Brasília deixou explícita uma alternativa que pode transformar a questão sanitária em um conflito comercial mais amplo: recorrer a mecanismos de reciprocidade previstos na legislação brasileira, às disposições do acordo entre Mercosul e União Europeia e aos instrumentos disponíveis no sistema multilateral de comércio.</p>
<h2>Restrição atinge carnes, pescados, ovos e mel</h2>
<p>As novas regras europeias alcançam diferentes categorias de produtos de origem animal e não se limitam à carne bovina. Entre as cadeias tratadas pelo governo brasileiro nas negociações estão carne de aves, carne bovina, pescados, ovos e mel.</p>
<p>Pelas normas europeias, países que pretendem vender determinados animais e produtos de origem animal para consumo humano precisam apresentar garantias de cumprimento das regras sobre antimicrobianos e integrar uma lista específica de exportadores autorizados.</p>
<p>A regulamentação abrange categorias como bovinos, suínos, aves, ovinos, caprinos, produtos de aquicultura, leite, ovos, carne de coelho, caça de criação, mel e envoltórios de origem animal. A autorização é concedida produto por produto, o que significa que um mesmo país pode ser considerado habilitado para determinada cadeia e não para outra.</p>
<p>A Comissão Europeia afirma que as exigências fazem parte da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339058">política</a> de combate à resistência antimicrobiana, problema de saúde pública associado à perda de eficácia de medicamentos utilizados no tratamento de infecções.</p>
<p>Para entrar no mercado europeu, os produtos precisam ainda estar acompanhados da certificação oficial exigida e permanecem sujeitos aos controles nas fronteiras do bloco. Esses procedimentos podem envolver conferência documental, inspeção de identidade, exame físico, coleta de amostras e testes laboratoriais.</p>
<p>A mudança regulatória começou a produzir efeitos em 3 de setembro. Países ou produtos que não estejam devidamente incluídos na relação de autorizados podem ser impedidos de ingressar no mercado europeu até que as garantias consideradas necessárias sejam aceitas.</p>
<h2>Brasil diz ter entregue garantias exigidas pela UE</h2>
<p>O governo brasileiro afirma que trabalha desde maio para evitar a interrupção das exportações. Segundo a manifestação conjunta da Agricultura e do Itamaraty, o país apresentou documentação relativa às cadeias afetadas e realizou sucessivas gestões junto às autoridades europeias.</p>
<p>Brasília também critica o processo adotado pela União Europeia. Na avaliação do governo, não houve diálogo prévio compatível com a dimensão da parceria comercial entre as duas partes antes da decisão tomada pelos Estados-membros em 12 de maio.</p>
<p>A tensão aumentou porque o Brasil considera que possui um sistema de defesa agropecuária capaz de fornecer garantias sanitárias equivalentes às exigidas para entrada no mercado europeu. O país exporta alimentos e produtos agropecuários para mais de 150 mercados e está entre os maiores fornecedores mundiais de proteína animal.</p>
<p>O governo argumenta ainda que a aplicação das novas barreiras ocorre justamente quando Brasil e União Europeia avançam na implementação de uma relação comercial mais profunda construída no âmbito do acordo com o Mercosul.</p>
<p>A avaliação brasileira é que a questão precisa permanecer no campo técnico e científico e não pode ser influenciada por interesses protecionistas. Essa observação ganha peso diante da resistência histórica de segmentos agrícolas europeus ao aumento da concorrência de produtos agropecuários do Mercosul.</p>
<p>Por enquanto, entretanto, a justificativa formal apresentada pela Comissão Europeia é sanitária. O bloco sustenta que todos os parceiros externos precisam demonstrar atendimento às mesmas restrições sobre antimicrobianos exigidas dos produtores europeus.</p>
<h2>Auditoria europeia termina nesta sexta-feira</h2>
<p>Um dos principais elementos para o desenrolar do impasse será uma auditoria conduzida por técnicos europeus no Brasil. A missão começou em 24 de agosto e tem conclusão prevista para esta sexta-feira, 4 de setembro.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339059">trabalho</a> concentra-se inicialmente nas cadeias de carne de aves e mel. Durante a auditoria, técnicos brasileiros estão apresentando os mecanismos oficiais de controle, rastreabilidade e fiscalização utilizados na produção destinada à exportação.</p>
<p>Brasília destacou que aceitou a auditoria mesmo considerando que outros parceiros comerciais do bloco não teriam sido submetidos ao mesmo procedimento. O governo utiliza esse ponto para questionar o tratamento recebido pelo Brasil durante o processo de habilitação.</p>
<p>O encerramento da missão não significa que as restrições serão automaticamente suspensas. Os auditores ainda precisarão consolidar suas conclusões e a Comissão Europeia deverá avaliar se as garantias apresentadas são suficientes para alterar o enquadramento brasileiro.</p>
<p>A própria União Europeia reconhece que países atualmente ausentes da lista podem ser incluídos posteriormente. Para isso, precisam apresentar as informações necessárias e demonstrar conformidade com os requisitos estabelecidos.</p>
<p>Esse mecanismo abre caminho para uma solução negociada sem necessidade de uma disputa comercial mais ampla. A velocidade do processo, porém, será determinante para os exportadores brasileiros, porque cada período de restrição pode significar contratos suspensos, mercadorias redirecionadas e necessidade de buscar outros destinos.</p>
<h2>Comércio afetado chegou a US$ 1,84 bilhão</h2>
<p>Os produtos alcançados pelas novas restrições representaram aproximadamente US$ 1,84 bilhão em exportações brasileiras para a União Europeia em 2025, segundo dados citados no material sobre o início das medidas. A maior exposição está associada às carnes, embora outras categorias de origem animal também façam parte do conjunto atingido.</p>
<p>O valor precisa ser colocado dentro de uma relação comercial muito maior. Em 2025, as exportações brasileiras totais para a União Europeia chegaram a aproximadamente US$ 49,8 bilhões. Apenas os produtos agrícolas movimentaram US$ 21,8 bilhões em vendas brasileiras para o bloco, alta de 12% sobre o ano anterior.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339061">agronegócio</a> é particularmente importante porque o Brasil mantém superávit estrutural nessa parte do comércio bilateral. Café, farelo de soja, soja em grãos, carne bovina, milho, açúcar e suco de laranja aparecem entre os itens relevantes da pauta destinada aos europeus.</p>
<p>As restrições sobre proteína animal, portanto, não paralisam o comércio agrícola entre Brasil e União Europeia, mas atingem algumas das cadeias mais relevantes da produção nacional e podem afetar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339060">empresas</a>, frigoríficos, cooperativas e produtores inseridos nas cadeias exportadoras.</p>
<p>Existe também um efeito indireto. Quando um grande mercado fecha ou restringe compras, os produtos anteriormente destinados a ele precisam ser absorvidos por outros compradores. Dependendo do volume e da duração da restrição, essa redistribuição pode alterar preços e condições comerciais.</p>
<p>O Brasil possui a vantagem de contar com uma rede ampla de destinos para suas carnes e vem expandindo mercados na Ásia, Oriente Médio, África e outras regiões. Ainda assim, a União Europeia permanece importante pela escala, pelo poder de compra e pelas condições comerciais negociadas ao longo dos últimos anos.</p>
<h2>Impasse atinge acordo Mercosul-União Europeia</h2>
<p>A reação brasileira ficou mais dura porque parte dos produtos agora restringidos recebeu tratamento específico nas negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.</p>
<p>O governo afirma que essas mercadorias foram objeto de cotas e reduções tarifárias e que sua exclusão do mercado europeu esvazia parte dos benefícios negociados pelo Brasil. Na avaliação oficial, uma restrição prolongada pode até modificar o equilíbrio de concessões que permitiu a conclusão do acordo.</p>
<p>O tratado entre os dois blocos foi assinado em janeiro de 2026 e cria uma das maiores áreas comerciais do mundo, reunindo um mercado de aproximadamente 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões.</p>
<p>Para o agronegócio brasileiro, uma das principais vantagens esperadas é justamente a ampliação do acesso ao mercado europeu em produtos nos quais o Mercosul possui grande competitividade.</p>
<p>Por isso, uma restrição sanitária aplicada às mesmas categorias beneficiadas por concessões comerciais gera um problema que ultrapassa o cotidiano das inspeções agropecuárias. O Brasil passa a discutir se os ganhos negociados no tratado permanecerão efetivamente disponíveis para os exportadores.</p>
<p>Ao mesmo tempo, normas sanitárias são tratadas separadamente de tarifas comerciais. Um acordo de livre comércio não elimina o direito das partes de estabelecer requisitos de saúde animal e segurança dos alimentos, desde que essas exigências sejam justificadas, não discriminatórias e compatíveis com os compromissos internacionais.</p>
<p>Esse será um dos pontos centrais caso a controvérsia deixe a mesa técnica e avance para mecanismos formais de solução de disputas.</p>
<h2>Lei da Reciprocidade entra no horizonte</h2>
<p>A ameaça brasileira ganhou peso porque o país dispõe desde 2025 de uma legislação específica para reagir a medidas comerciais unilaterais adotadas por outros países ou blocos.</p>
<p>A Lei nº 15.122, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica, estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais, investimentos e determinadas obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual quando medidas estrangeiras prejudicam a competitividade internacional brasileira.</p>
<p>Isso não significa que o governo já tenha decidido aplicar uma retaliação contra produtos europeus. A nota oficial afirma que o Brasil se reserva esse direito caso as tratativas não conduzam tempestivamente a uma solução.</p>
<p>A prioridade ainda é a negociação.</p>
<p>Antes de qualquer resposta mais ampla, o governo terá de avaliar a natureza da medida europeia, os instrumentos jurídicos disponíveis e os possíveis efeitos econômicos de uma reação. A Câmara de Comércio Exterior pode desempenhar papel importante caso o processo avance para mecanismos formais de reciprocidade.</p>
<p>Também existe a possibilidade de utilização dos mecanismos previstos no próprio acordo Mercosul-União Europeia ou no sistema da Organização Mundial do Comércio.</p>
<p>A escolha dependerá sobretudo de como Bruxelas responderá às informações brasileiras e aos resultados da auditoria.</p>
<h2>Disputa sanitária pode virar conflito comercial</h2>
<p>No curto prazo, o cenário mais provável continua sendo de negociação técnica. A União Europeia mantém a possibilidade de atualizar a lista de países autorizados à medida que novas garantias sejam aceitas, enquanto o Brasil procura demonstrar que seu sistema atende às exigências europeias.</p>
<p>A conclusão da auditoria em carne de aves e mel será o primeiro teste concreto dessa estratégia. Se houver reconhecimento das garantias brasileiras e retomada gradual das autorizações, o episódio poderá permanecer restrito ao campo sanitário.</p>
<p>Se o bloqueio se prolongar, porém, cresce a probabilidade de escalada.</p>
<p>Brasília já vinculou publicamente as restrições ao equilíbrio do acordo Mercosul-União Europeia e colocou sobre a mesa medidas de reciprocidade. Ao fazer isso, sinalizou que considera o custo econômico suficientemente relevante para justificar uma resposta fora da esfera exclusivamente sanitária.</p>
<p>Para o setor produtivo, a velocidade da solução será decisiva. As exportações potencialmente atingidas somaram cerca de US$ 1,84 bilhão no ano passado e fazem parte de cadeias em que o Brasil ocupa posição relevante no comércio mundial.</p>
<p>O impasse começa, portanto, como uma divergência sobre garantias relacionadas ao uso de antimicrobianos, mas já possui elementos de uma disputa comercial muito maior.</p>
<p>A União Europeia argumenta que está aplicando requisitos sanitários que valem igualmente para seus produtores e para fornecedores externos. O Brasil afirma ter fornecido as garantias exigidas, questiona o processo adotado pelo bloco e alerta que os obstáculos podem neutralizar concessões negociadas no acordo comercial.</p>
<p>A próxima etapa será definida pelo resultado do diálogo técnico. Caso ele falhe, o governo brasileiro já deixou claro que a reciprocidade deixou de ser apenas uma possibilidade teórica.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério das Relações Exteriores &#8211; nota conjunta sobre as restrições europeias a produtos brasileiros de proteína animal</em></p>
<p><em>Comissão Europeia &#8211; Regulamento sobre medicamentos veterinários e regras de uso de antimicrobianos aplicáveis às importações</em></p>
<p><em>Comissão Europeia &#8211; lista de terceiros países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; dados do comércio agrícola entre Brasil e União Europeia</em></p>
<p><em>Agrostat e Secex/MDIC &#8211; estatísticas de exportações brasileiras para o mercado europeu</em></p>
<p><em>Lei nº 15.122/2025 &#8211; Lei da Reciprocidade Econômica</em></p>
<p><em>Siscomex &#8211; informações sobre o Acordo Mercosul-União Europeia</em></p>
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		<title>Livro reconstrói história das hortaliças no Brasil da alimentação indígena à agricultura moderna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 19:45:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A trajetória das hortaliças no Brasil começou muito antes da formação de uma agricultura comercial organizada e atravessou mudanças sociais, migratórias, científicas e tecnológicas que transformaram a maneira como o país produz e consome alimentos. Essa evolução é o eixo de “História das Hortaliças no Brasil: do descobrimento aos tempos atuais”, nova obra do engenheiro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A trajetória das hortaliças no Brasil começou muito antes da formação de uma agricultura comercial organizada e atravessou mudanças sociais, migratórias, científicas e tecnológicas que transformaram a maneira como o país produz e consome alimentos. Essa evolução é o eixo de “História das Hortaliças no Brasil: do descobrimento aos tempos atuais”, nova obra do engenheiro agrônomo e ex-professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) Paulo César Tavares de Melo.</p>
<p>Dividido em três partes e 11 capítulos, o livro acompanha a olericultura brasileira desde os hábitos alimentares existentes antes da chegada dos portugueses, em 1500, até a formação de uma cadeia produtiva marcada atualmente por melhoramento genético, produção profissionalizada, sistemas modernos de distribuição e ampla diversificação de produtos. A publicação foi editada pelo próprio autor com apoio da Associação Brasileira de Horticultura (ABH).</p>
<p>A obra é resultado de uma investigação que antecede em muitos anos sua publicação. Em 2016, Tavares de Melo já havia publicado, em coautoria com Arlete M. T. Melo, um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338812">trabalho</a> dedicado à evolução da olericultura brasileira desde o período do descobrimento até o século XXI. Cinco anos depois, ao registrar sua aposentadoria da Esalq, a própria universidade informou que o pesquisador se dedicava à finalização de um livro sobre a história das hortaliças no país.</p>
<p>O novo trabalho amplia essa investigação e organiza em uma única linha histórica episódios que normalmente aparecem dispersos entre documentos coloniais, estudos agronômicos, registros da imigração, pesquisas sobre melhoramento vegetal e a evolução da produção agrícola brasileira.</p>
<h2>Alimentação indígena antecedeu a formação da olericultura colonial</h2>
<p>A primeira parte da obra volta a um período anterior à organização do território brasileiro pela Coroa portuguesa. Povos originários já consumiam espécies vegetais disponíveis nos diferentes biomas e dominavam práticas de cultivo e aproveitamento de alimentos muito antes da introdução das espécies trazidas posteriormente pelos europeus.</p>
<p>Um dos registros históricos utilizados pelo autor está relacionado à carta escrita por Pero Vaz de Caminha em 1500. O documento descreve alimentos consumidos pelos indígenas encontrados pelos portugueses no litoral. Em trabalhos anteriores, Tavares de Melo destacou referências feitas àquilo que os europeus identificaram como inhame — posteriormente relacionado à mandioca — e ao palmito.</p>
<p>A chegada portuguesa inicia outra etapa dessa história. A circulação de pessoas, plantas e sementes provocada pelas grandes navegações colocou o território brasileiro em contato com espécies originárias de diferentes partes do mundo. Ao longo dos séculos seguintes, variedades trazidas da Europa, da Ásia e de outras regiões passaram a conviver com alimentos já existentes no continente americano.</p>
<p>Essa combinação ajudou a formar um sistema alimentar muito mais diversificado. O processo, porém, não ocorreu de maneira linear. Algumas espécies adaptaram-se rapidamente às condições brasileiras, enquanto outras dependeram de seleção, pesquisa e mudanças nas técnicas de cultivo para que pudessem ser produzidas com regularidade em ambientes tropicais e subtropicais.</p>
<p>O livro acompanha essa primeira fase até a transição do século XIX para o século XX, período em que mudanças demográficas, urbanização crescente e novas correntes migratórias começaram a alterar a estrutura de produção e comercialização de verduras, legumes, raízes e outras hortaliças.</p>
<h2>Imigração japonesa mudou produção e variedade disponível</h2>
<p>Um dos acontecimentos destacados na reconstrução histórica é a chegada dos primeiros grandes contingentes de imigrantes japoneses ao Brasil, iniciada oficialmente em 1908 com o desembarque do Kasato Maru no Porto de Santos. Embora muitos desses imigrantes tenham sido inicialmente direcionados para as lavouras de café, parte das famílias posteriormente passou a desenvolver pequenas propriedades e atividades ligadas à horticultura.</p>
<p>A contribuição ultrapassou o simples aumento da produção. Registros técnicos da pesquisa agropecuária brasileira apontam que famílias japonesas começaram a cultivar pequenas hortas para consumo próprio a partir da década de 1910 e posteriormente avançaram para a produção comercial, utilizando conhecimentos e técnicas intensivas trazidos do Japão.</p>
<p>Esse processo ampliou significativamente o repertório de hortaliças cultivadas no país. Levantamentos técnicos atribuem aos imigrantes japoneses a introdução de pelo menos três dezenas de espécies, além da disseminação comercial de plantas que já estavam presentes no território brasileiro. A atuação desses produtores também se conectou posteriormente ao trabalho de instituições de pesquisa responsáveis pela seleção e pelo desenvolvimento de novas variedades.</p>
<p>A imigração, dessa maneira, alterou tanto o lado da produção quanto o consumo. A crescente presença de hortaliças antes pouco conhecidas ajudou a modificar hábitos alimentares e abriu mercados que, décadas depois, estariam incorporados definitivamente ao varejo brasileiro.</p>
<p>O livro trata esse movimento como parte de uma transformação mais ampla da olericultura no início do século XX, quando a atividade começa a se afastar gradualmente de um modelo baseado principalmente em pequenas hortas de subsistência e passa a adquirir maior importância comercial.</p>
<h2>Segunda Guerra acelerou desenvolvimento de sementes no Brasil</h2>
<p>Outro ponto de inflexão ocorreu a partir de 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. A interrupção ou dificuldade de importação de sementes provenientes da Europa, dos Estados Unidos e do Japão expôs a dependência brasileira de material genético produzido no exterior.</p>
<p>O problema estimulou uma resposta científica nacional. Entre as décadas de 1940 e 1960, programas de pesquisa ganharam importância na seleção de plantas capazes de produzir sob as condições brasileiras. Instituições como o Instituto Agronômico, a Esalq e posteriormente outros centros de pesquisa passaram a desempenhar papel crescente no desenvolvimento de cultivares e técnicas de produção.</p>
<p>Essa adaptação tornou-se especialmente importante porque parte das hortaliças cultivadas no país tinha origem em regiões de clima diferente. Produzir comercialmente determinadas variedades sob temperaturas, regimes de chuva e pressões de doenças típicos de ambientes tropicais exigia soluções próprias.</p>
<p>O melhoramento genético passou, assim, a ser um dos pilares da modernização do setor. A seleção de plantas mais produtivas, resistentes e adequadas às condições locais permitiu ampliar regiões produtoras, elevar produtividade e reduzir algumas limitações impostas pelo clima.</p>
<p>Esse é também um ponto em que a história narrada no livro se encontra com a trajetória profissional de seu autor. Tavares de Melo construiu parte substancial de sua carreira justamente nas áreas de melhoramento genético e produção de hortaliças, acompanhando de dentro das instituições de pesquisa várias das transformações tecnológicas abordadas na publicação.</p>
<h2>Produção deixou de ser atividade periférica no agronegócio</h2>
<p>A segunda metade do século XX levou a olericultura brasileira a outra escala. Expansão urbana, crescimento das redes de supermercados, novas centrais de abastecimento, irrigação, mecanização, desenvolvimento de híbridos e aperfeiçoamento dos sistemas de produção modificaram a cadeia desde a propriedade rural até o consumidor.</p>
<p>Um retrato apresentado pelo próprio Tavares de Melo em trabalho técnico publicado na década passada mostra a dimensão adquirida pelo setor. Dados referentes a 2012 apontavam produção próxima de 19 milhões de toneladas de hortaliças no Brasil e área cultivada da ordem de 800 mil hectares. Batata, tomate, cebola, melancia e cenoura respondiam por parcela majoritária do volume produzido.</p>
<p>Naquele levantamento, estimava-se ainda a geração de aproximadamente 2 milhões de empregos diretos na atividade. Os números são históricos e não devem ser interpretados como uma fotografia do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338811">mercado</a> em 2026, mas ajudam a dimensionar a distância percorrida desde as pequenas hortas que caracterizaram etapas anteriores da olericultura nacional.</p>
<p>O crescimento também provocou deslocamentos geográficos. Novas fronteiras produtivas foram consolidadas em áreas como São Gotardo, em Minas Gerais, Cristalina, em Goiás, e a Chapada Diamantina, na Bahia. Melhorias em irrigação, genética, manejo e logística permitiram produzir determinadas hortaliças em regiões que antes tinham participação muito menor na oferta nacional.</p>
<h2>Do campo às prateleiras, cadeia tornou-se mais complexa</h2>
<p>A terceira parte do livro se concentra justamente nessa estrutura contemporânea. O autor analisa a modernização da produção e da comercialização, a multiplicação da oferta de produtos e a evolução dos canais usados para fazer as hortaliças chegarem ao consumidor.</p>
<p>A cadeia atual envolve viveiros de mudas, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338810">empresas</a> de sementes, produtores rurais, fornecedores de fertilizantes e defensivos, fabricantes de equipamentos, transportadores, centrais de abastecimento, atacadistas, supermercados, feiras e empresas especializadas em produtos frescos. Mais recentemente, comércio eletrônico e sistemas de entrega rápida adicionaram novos caminhos entre o campo e as famílias.</p>
<p>Também houve mudança no próprio produto vendido. Variedades diferenciadas, hortaliças minimamente processadas, folhas prontas para consumo, cultivares especiais e produtos destinados a nichos específicos passaram a disputar espaço com itens tradicionalmente comercializados a granel.</p>
<p>Essa evolução trouxe novos desafios. Produtos altamente perecíveis continuam sujeitos a perdas entre a colheita e o consumo, enquanto alterações climáticas, disponibilidade de água, custo de insumos, mão de obra, sanidade vegetal e exigências de qualidade aumentam a complexidade da atividade.</p>
<p>Para o autor, portanto, a história da olericultura não termina com a modernização tecnológica. A evolução futura dependerá da capacidade de produtores, pesquisadores, empresas e poder público de responder a pressões ambientais e econômicas sem comprometer produtividade e abastecimento.</p>
<h2>Livro reúne investigação histórica e cinco décadas de experiência científica</h2>
<figure id="attachment_1530674" aria-describedby="caption-attachment-1530674" style="width: 1672px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-1530674 size-full" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo.webp" alt="Paulo César Tavares de Melo., engenheiro agrônomo e ex-professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP" width="1672" height="941" title="Livro reconstrói história das hortaliças no Brasil da alimentação indígena à agricultura moderna 1 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo.webp 1672w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-300x169.webp 300w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-1024x576.webp 1024w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-768x432.webp 768w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/Paulo-Cesar-Tavares-de-Melo-1536x864.webp 1536w" sizes="(max-width: 1672px) 100vw, 1672px" /><figcaption id="caption-attachment-1530674" class="wp-caption-text">Paulo César Tavares de Melo., engenheiro agrônomo e ex-professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP</figcaption></figure>
<p>Nascido em João Pessoa, em 1948, Paulo César Tavares de Melo graduou-se em Agronomia pela antiga Escola de Agronomia do Nordeste, atualmente integrada ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba. Posteriormente realizou mestrado e doutorado em Melhoramento Genético de Plantas no Departamento de Genética da Esalq/USP.</p>
<p>Ao longo da carreira, passou pelo Instituto Agronômico de Pernambuco, pela Embrapa Hortaliças, pela iniciativa privada e pela própria Esalq, onde atuou como professor no Departamento de Produção Vegetal. Aposentou-se da universidade em 2020, depois de aproximadamente cinco décadas dedicadas à pesquisa, ensino e extensão.</p>
<p>Em 2021, tornou-se membro titular da Academia Brasileira de Ciência Agronômica, ocupando a cadeira 64. Também presidiu a Associação Brasileira de Horticultura por dois mandatos e desenvolveu atividades de pesquisa, consultoria e cooperação internacional relacionadas ao cultivo e ao melhoramento de hortaliças.</p>
<p>A publicação de “História das Hortaliças no Brasil” ocorre praticamente em paralelo a outro trabalho recente do pesquisador. Em agosto, a Esalq anunciou a obra “História da Agroindústria do Tomate no Brasil: do agreste pernambucano ao cerrado goiano”, na qual Tavares de Melo reconstrói 135 anos da produção e do processamento industrial do tomate no país.</p>
<p>Com o novo livro, o foco deixa uma cultura específica e alcança a formação de toda a olericultura brasileira. Mais do que registrar uma sequência de acontecimentos, a obra mostra como alimentação, imigração, ciência, desenvolvimento de sementes e construção de mercados se combinaram para transformar hortaliças cultivadas inicialmente em pequena escala em componentes permanentes e economicamente relevantes do sistema brasileiro de produção de alimentos.</p>
<hr />
<p><strong>FONTES:</strong></p>
<p>Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz — Divisão de Comunicação — comunicado institucional “História das hortaliças no Brasil: do descobrimento aos tempos atuais” — 31 de agosto de 2026.</p>
<p>Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz — perfil institucional de Paulo César Tavares de Melo e registro de sua trajetória em pesquisa de olericultura — 2021.</p>
<p>Repositório da Produção USP — “Olericultura brasileira: do descobrimento ao século XXI: parte I” — Paulo César Tavares de Melo e Arlete M. T. Melo — 2016.</p>
<p>Embrapa — documentação técnica sobre agricultura e contribuição da imigração japonesa para a olericultura brasileira.</p>
<p>Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz — “História da Agroindústria do tomate no Brasil” — agosto de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>BTG estrutura novo Fiagro com retorno-alvo de até 97% do CDI para investidores profissionais</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/btg-pactual-fiagro-retorno-97-cdi</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 18:16:25 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O BTG Pactual estruturou um novo fundo de investimento voltado às cadeias produtivas do agronegócio com duas subclasses seniores que terão rentabilidade-alvo equivalente a 92% e 97% da variação da taxa DI. O FIAGRO BTG Pactual I Responsabilidade Limitada foi constituído em 20 de agosto de 2026 e teve a oferta pública de sua primeira emissão aprovada no dia seguinte, segundo documentos do próprio fundo. Em 28 de agosto, administrador e gestor alteraram o regulamento e ajustaram condições da distribuição, que naquele momento ainda estava em fase pré-operacional e sem cotas subscritas.</p>
<p>O fundo será destinado exclusivamente a investidores profissionais. Para pessoas físicas ou jurídicas enquadradas pelo critério patrimonial da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), essa classificação exige mais de R$ 10 milhões em investimentos financeiros e declaração escrita reconhecendo a condição de investidor profissional. O regulamento do Fiagro estabelece ainda investimento inicial mínimo de R$ 200 mil, sem exigir manutenção de saldo mínimo após a aplicação inicial.</p>
<p>A estrutura combina duas subclasses com características econômicas distintas. A A1 terá rentabilidade-alvo correspondente a 92% da taxa DI e prazo previsto até 31 de agosto de 2037, sujeito a possíveis prorrogações. A A2 terá alvo de 97% do DI e prazo até 31 de agosto de 2036. Nos dois casos, o regulamento prevê tentativa de distribuição mensal dos rendimentos, condicionada, porém, à existência de recursos líquidos suficientes no fundo.</p>
<p>O ponto é importante porque “rentabilidade-alvo” não significa rendimento contratado ou garantido. O próprio regulamento afirma que o objetivo da classe não representa garantia de segurança, rentabilidade ou liquidez dos ativos mantidos na carteira. Em outra seção dedicada aos fatores de risco, o documento admite expressamente a possibilidade de o investidor receber valor inferior ao capital aplicado e de a rentabilidade efetiva ficar abaixo da esperada.</p>
<h2>Duas subclasses terão 12 séries cada</h2>
<p>A primeira emissão foi desenhada de maneira mais segmentada do que uma oferta convencional de cotas de fundo fechado. O documento estabelece que a Subclasse A1 será inicialmente dividida em 12 séries distintas. A Subclasse A2 também contará com outras 12 séries, todas dentro da primeira emissão. A diferenciação entre as séries ocorre essencialmente pelo momento de captação e integralização dos recursos, o que interfere no início da contabilização dos rendimentos correspondentes a cada grupo de cotas.</p>
<p>Na Subclasse A1, o prazo-base vai até agosto de 2037 e o retorno-alvo será calculado com base em 92% da variação diária da taxa dos Depósitos Interfinanceiros, considerando a convenção de 252 dias úteis. O regulamento estabelece ainda amortizações programadas: uma primeira etapa prevista até 31 de agosto de 2035 e nova amortização até 31 de agosto de 2036, além do pagamento correspondente ao encerramento do prazo da subclasse.</p>
<p>A Subclasse A2 oferece referência de retorno maior, de 97% do DI, mas concentra a devolução do capital prioritariamente no fim de seu prazo de duração, em 31 de agosto de 2036. Durante a vigência, o fundo buscará realizar distribuições mensais dos rendimentos prioritários. Se os recursos líquidos disponíveis em determinado mês forem insuficientes, a diferença poderá ser acumulada para pagamento posterior, conforme as regras previstas no regulamento.</p>
<p>Essa mecânica torna inadequada uma comparação direta com um título bancário que paga determinado percentual do CDI. As cotas representam participação em um fundo cuja rentabilidade dependerá da qualidade, da precificação, do fluxo de pagamento e da recuperação dos ativos que vierem a compor a carteira. O percentual do DI funciona como objetivo econômico da estrutura de prioridade, e não como promessa incondicional de pagamento.</p>
<h2>Pelo menos metade da carteira ficará em direitos creditórios do agro</h2>
<p>A política de investimento dá ao gestor uma margem ampla de atuação dentro das cadeias produtivas do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338803">agronegócio</a>. O fundo poderá adquirir ativos financeiros e títulos emitidos por <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338805">empresas</a> e pessoas ligadas ao setor, direitos creditórios, instrumentos de securitização, direitos relacionados a imóveis rurais, Letras de Crédito do Agronegócio, Certificados de Recebíveis do Agronegócio, participações societárias e cotas de outros Fiagros, entre outras possibilidades previstas no regulamento.</p>
<p>Apesar dessa abrangência, existe um eixo obrigatório na carteira: pelo menos 50% do patrimônio líquido deverá ficar aplicado em direitos creditórios do agronegócio. A concentração faz com que o risco de crédito — capacidade de os devedores honrarem suas obrigações — tenha papel determinante no desempenho da estrutura.</p>
<p>O regulamento também permite níveis elevados de concentração. Não foram estabelecidos limites máximos de aplicação por modalidade de ativo, emissor ou devedor em função de percentual do patrimônio líquido. Entre os fatores de risco, o documento afirma que a classe poderá chegar a 100% do patrimônio exposto a direitos creditórios devidos pelo mesmo devedor ou por integrantes de um mesmo grupo econômico.</p>
<p>Há ainda autorização para que até 100% do patrimônio seja aplicado em direitos creditórios classificados pelo próprio regulamento como não padronizados. Esse universo pode incluir créditos vencidos e pendentes de pagamento, recebíveis de existência futura ou valor ainda desconhecido, créditos submetidos a litígio, valores penhorados e obrigações de devedores que estejam em recuperação judicial ou extrajudicial. O documento classifica expressamente essa possibilidade como um fator capaz de elevar substancialmente o risco de perdas patrimoniais.</p>
<h2>Cota subordinada do BTG funcionará como primeira camada de absorção de perdas</h2>
<p>A arquitetura do fundo inclui ainda a Subclasse B, subordinada às subclasses A1 e A2. A partir do primeiro dia útil do segundo mês após a primeira integralização, as cotas B deverão representar pelo menos 1% do patrimônio líquido da classe. Essas cotas serão mantidas pelo Banco BTG Pactual ou por sociedades pertencentes ao seu grupo econômico.</p>
<p>A subordinação significa que a classe B ocupa posição inferior na ordem de recebimento em relação às cotas A1 e A2, funcionando como uma primeira camada patrimonial diante de perdas. O regulamento determina inclusive mecanismos de recomposição quando a participação da subclasse B ficar abaixo do patamar mínimo de 1%. Nessa situação, há inicialmente um período de cura de três dias úteis, durante o qual ficam suspensas distribuições de rendimentos ao BTG destinadas a essas cotas.</p>
<p>Se o desenquadramento persistir, a gestora poderá realizar nova emissão de cotas B para recompor o patamar mínimo, a ser subscrita e integralizada pelo BTG. A existência dessa subordinação, entretanto, não elimina o risco das subclasses seniores: a camada mínima corresponde a apenas 1% do patrimônio e o próprio regulamento admite cenários de perdas substancialmente superiores, inclusive em ativos concentrados ou créditos de maior risco.</p>
<p>A estrutura revela, portanto, uma combinação entre prioridade econômica para os investidores das subclasses A e retenção de uma parcela subordinada pelo grupo financeiro responsável pelo fundo. Na prática, a qualidade dessa proteção dependerá do tamanho efetivo da subclasse B ao longo da operação, da diversificação da carteira e da severidade de eventuais perdas nos créditos adquiridos.</p>
<h2>Investidor não poderá contar com resgate a qualquer momento</h2>
<p>Outro ponto relevante está na liquidez. O FIAGRO BTG Pactual I foi constituído sob a forma de condomínio fechado, o que significa que o investidor não dispõe do mecanismo tradicional de solicitar resgate de cotas a qualquer momento ao administrador. A saída antes das amortizações e do encerramento das subclasses dependerá, quando permitido, da negociação das cotas no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338804">mercado</a> secundário.</p>
<p>O regulamento prevê distribuição no mercado primário por meio do MDA, com liquidação financeira pela B3, e negociação secundária pelo Fundos21. Essa negociação, entretanto, somente poderá ocorrer depois do encerramento da oferta, da integralização das cotas, do cumprimento dos procedimentos operacionais e da consolidação das séries A1 e A2. Também permanece a exigência de que o comprador esteja habilitado para o público-alvo da respectiva subclasse.</p>
<p>Isso não equivale a uma garantia de liquidez. A existência de um ambiente de negociação permite transferir a cota, mas depende de haver contraparte disposta a comprá-la e de preço aceitável ao vendedor. Esse componente ganha importância em um fundo de longa duração, já que os vencimentos previstos para as subclasses alcançam 2036 e 2037.</p>
<p>A regulamentação da CVM também impõe regras próprias às ofertas iniciais de cotas de fundos fechados destinadas a investidores profissionais. A Resolução CVM 160 prevê essa modalidade de distribuição e estabelece critérios para eventual ampliação futura do universo de compradores no mercado secundário, sempre observando também o público-alvo definido pelo regulamento do próprio fundo.</p>
<h2>Novo Fiagro já nasce sob regras específicas da CVM</h2>
<p>O fundo é estruturado em um ambiente regulatório diferente daquele existente quando os primeiros Fiagros chegaram ao mercado brasileiro. Em 2024, a CVM editou a Resolução 214, incorporando à Resolução CVM 175 um anexo normativo específico para fundos de investimento nas cadeias produtivas do agronegócio. As novas regras consolidaram parâmetros próprios para a categoria, que anteriormente operava com maior dependência das normas aplicáveis a outras classes de fundos.</p>
<p>No caso do FIAGRO BTG Pactual I, a concentração mínima de 50% em direitos creditórios aproxima parte relevante de sua operação da disciplina aplicável aos fundos de direitos creditórios. Isso aumenta a importância dos processos de seleção de devedores, análise de lastro, critérios de elegibilidade, monitoramento de inadimplência e recuperação de créditos ao longo dos próximos anos.</p>
<p>A administração fiduciária ficará a cargo da BTG Pactual Serviços Financeiros, enquanto a gestão será exercida pela BTG Pactual Asset Management. A custódia da classe será realizada pelo Banco BTG Pactual. O fundo havia sido constituído em 20 de agosto e, no documento assinado em 28 de agosto, ainda era classificado como pré-operacional, sem subscrições realizadas até aquela data.</p>
<p>A próxima etapa será a efetiva colocação das cotas e a formação da carteira que sustentará os pagamentos às subclasses A1 e A2. Só depois da captação e da aquisição dos primeiros ativos será possível observar a concentração real por devedor, a qualidade dos créditos incorporados, o tamanho efetivo da camada subordinada e a capacidade do fundo de perseguir as metas de 92% e 97% do DI previstas em seus documentos.</p>
<hr />
<p><strong>FONTES:</strong></p>
<p>FIAGRO BTG Pactual I Responsabilidade Limitada — Instrumento Particular de Deliberação Conjunta, regulamento, apêndices e fatores de risco — 28 de agosto de 2026.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 30 — regras para investidores profissionais.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 160 — regime das ofertas públicas de valores mobiliários.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 214 — regras específicas dos Fiagros.</p>
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		<title>XP, BTG e BofA indicam 3 ações do agro para comprar</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/acoes-agro-comprar-sao-martinho-mbrf-slc-agricola</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 11:49:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ações do agro]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Bank of America]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsa de valores]]></category>
		<category><![CDATA[BTG Pactual]]></category>
		<category><![CDATA[MBRF]]></category>
		<category><![CDATA[MBRF3]]></category>
		<category><![CDATA[São Martinho]]></category>
		<category><![CDATA[SLC Agrícola]]></category>
		<category><![CDATA[SLCE3]]></category>
		<category><![CDATA[SMTO3]]></category>
		<category><![CDATA[XP Investimentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As ações ligadas ao agronegócio voltaram a ganhar espaço nas recomendações de grandes instituições financeiras, depois de um período marcado por preços mais fracos de commodities, pressão sobre margens e aumento da cautela dos investidores. São Martinho (SMTO3), MBRF (MBRF3) e SLC Agrícola (SLCE3) aparecem entre as companhias com avaliação favorável em relatórios recentes de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As ações ligadas ao agronegócio voltaram a ganhar espaço nas recomendações de grandes instituições financeiras, depois de um período marcado por preços mais fracos de commodities, pressão sobre margens e aumento da cautela dos investidores. São Martinho (SMTO3), MBRF (MBRF3) e SLC Agrícola (SLCE3) aparecem entre as companhias com avaliação favorável em relatórios recentes de XP Investimentos, Bank of America e BTG Pactual.</p>
<p>As três teses têm pontos de partida diferentes. Na São Martinho, a aposta está concentrada na melhora das perspectivas para açúcar e etanol. Para a MBRF, o principal vetor é a expectativa de recuperação do negócio de carne bovina nos Estados Unidos, acompanhada de redução dos investimentos e avanço do fluxo de caixa. Na SLC Agrícola, a avaliação combina expansão da área cultivada com possível recuperação dos preços de soja, algodão e outras commodities agrícolas.</p>
<p>O movimento não significa que os riscos desapareceram. Condições climáticas, câmbio, custos agrícolas, evolução dos preços internacionais e endividamento permanecem entre as variáveis capazes de alterar rapidamente as projeções. As recomendações refletem cenários traçados pelos analistas e não representam garantia de valorização das ações.</p>
<p>Entre os três casos, a mudança mais explícita de recomendação ocorreu na São Martinho. A XP elevou o papel de neutro para compra e aumentou seu preço-alvo de R$ 14,80 para R$ 22,40 por ação, apoiada principalmente na avaliação de que o balanço entre oferta e demanda de açúcar e etanol se tornou mais favorável.</p>
<h2>São Martinho ganha aposta em açúcar e etanol</h2>
<p>A São Martinho está diretamente exposta a dois mercados que atravessam um momento de reavaliação: açúcar e etanol. Segundo a XP, problemas climáticos em regiões produtoras da Ásia e perspectivas mais desafiadoras para a moagem de cana no Brasil podem restringir a oferta global e sustentar preços maiores.</p>
<p>A instituição também passou a adotar uma visão mais favorável para o etanol no curto prazo. A combinação entre recuperação da demanda e mudanças no mix de produção das usinas pode contribuir para melhorar a formação de preços, embora a relação entre açúcar e etanol continue sendo determinante para as decisões industriais das companhias do setor.</p>
<p>A XP calcula que a São Martinho ainda negocia abaixo do valor considerado adequado pelos seus analistas. A avaliação da instituição considera particularmente a safra 2027/28, período em que estima um múltiplo de aproximadamente 8,6 vezes o indicador EV/Ebit, usado para relacionar o valor de uma companhia com sua capacidade operacional de geração de resultado.</p>
<p>A empresa, entretanto, segue sujeita a variáveis agrícolas que podem alterar esse cenário. A produtividade da cana é uma delas. O desenvolvimento de um episódio mais forte de El Niño também está entre os fatores monitorados porque mudanças relevantes no regime de chuvas podem afetar produtividade, qualidade da matéria-prima e ritmo de moagem.</p>
<p>O câmbio constitui outro componente da equação. Como açúcar é uma commodity negociada internacionalmente, movimentos do real frente ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338779">dólar</a> podem produzir efeitos sobre preços realizados, receitas e operações de proteção financeira. A São Martinho utiliza instrumentos de hedge justamente para reduzir parte dessa volatilidade.</p>
<p>Apesar dessas incertezas, a XP considera que a melhora projetada para os fundamentos de açúcar e etanol supera, neste momento, os riscos incorporados à avaliação da empresa. O preço-alvo de R$ 22,40 representa uma revisão expressiva frente aos R$ 14,80 adotados anteriormente.</p>
<h2>MBRF depende de virada no negócio de carne bovina dos EUA</h2>
<p>Na MBRF, a tese está menos ligada ao ciclo de grãos e mais à geração de caixa da companhia e à expectativa de normalização das margens da operação de carne bovina nos Estados Unidos.</p>
<p>O Bank of America elevou a recomendação das ações de neutra para compra e definiu preço-alvo de R$ 26. A avaliação considera a possibilidade de melhora relevante no fluxo de caixa livre da empresa a partir de 2027, após um período de investimentos elevados.</p>
<p>Pelas projeções atribuídas ao banco, os desembolsos anuais com investimentos podem recuar de aproximadamente R$ 5 bilhões para algo entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões em 2027. A queda do capex liberaria recursos para outras prioridades financeiras e poderia contribuir para a desalavancagem da companhia.</p>
<p>O fluxo de caixa livre projetado avançaria de cerca de R$ 390 milhões para R$ 1,9 bilhão. Para uma empresa com operações de grande escala e endividamento relevante, a transformação do lucro operacional em caixa tem peso importante na avaliação do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338780">mercado</a>, porque determina a velocidade com que a dívida pode ser reduzida ou refinanciada.</p>
<p>O Bank of America também espera recuperação das margens de carne bovina nos Estados Unidos depois de 2026. O mercado norte-americano passou por um ciclo de menor disponibilidade de gado, situação que pressiona o custo da matéria-prima para frigoríficos e reduz a rentabilidade das plantas.</p>
<p>A possível ampliação da oferta de animais provenientes do México aparece como uma das variáveis capazes de ajudar a normalizar esse ambiente. O fechamento de capacidade industrial por concorrentes também pode modificar a distribuição de volumes no mercado e abrir espaço para fabricantes com unidades disponíveis absorverem parte da demanda.</p>
<p>As projeções de Ebitda mencionadas para a MBRF são de R$ 12,8 bilhões em 2026 e R$ 12,9 bilhões em 2027. O avanço pequeno entre os dois anos mostra que a tese não depende apenas de expansão do resultado operacional, mas principalmente de sua conversão em caixa e de uma menor necessidade de investimentos.</p>
<p>A companhia resultou da combinação dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338782">negócios</a> da Marfrig e da BRF e reúne operações em diferentes segmentos de alimentos e proteínas. Essa diversificação reduz a dependência de apenas um produto, mas também aumenta a quantidade de fatores operacionais, cambiais e geográficos que precisam ser considerados na análise da empresa.</p>
<h2>SLC Agrícola combina expansão com recuperação das commodities</h2>
<p>A terceira ação apontada é a SLC Agrícola. O BTG Pactual manteve recomendação de compra para SLCE3 e aumentou o preço-alvo de R$ 20 para R$ 23 por ação.</p>
<p>Considerando a cotação de referência utilizada no relatório, próxima de R$ 15,15, o valor projetado correspondia a potencial de valorização da ordem de 52%. Esse percentual, entretanto, varia diariamente à medida que o preço da ação se movimenta na Bolsa.</p>
<p>A avaliação positiva tem como ponto de partida a expansão realizada pela SLC nos últimos anos. A companhia aumentou sua área plantada, mas o efeito dessa expansão sobre resultados foi parcialmente neutralizado pela redução dos preços de commodities agrícolas, especialmente soja e algodão.</p>
<p>Em um negócio agrícola de larga escala, a expansão de área gera maior potencial de produção, mas não assegura crescimento proporcional de resultado. Receita e margem dependem da produtividade obtida por hectare, preço realizado, custos com fertilizantes e defensivos, arrendamento de terras, fretes, câmbio e resultado das operações de hedge.</p>
<p>O BTG trabalha com a hipótese de que a recuperação das commodities permita à empresa começar a capturar financeiramente uma parcela maior da capacidade construída nos últimos anos. A expectativa é de que 2027 possa marcar a primeira expansão da margem operacional da companhia em três anos.</p>
<p>A avaliação também incorpora a possibilidade de maior geração de caixa e consequente redução da alavancagem. A própria SLC calcula seu valor líquido de ativos em R$ 13,824 bilhões, considerando base de 31 de março de 2026 e avaliação divulgada em junho. O indicador inclui terras, infraestrutura, estoques, ativos biológicos, caixa e outros componentes, descontadas obrigações financeiras e operacionais.</p>
<p>O valor líquido informado corresponde a R$ 27,70 por ação. Esse cálculo não deve ser confundido com preço-alvo de mercado, porque utiliza metodologia patrimonial própria e não incorpora necessariamente os mesmos critérios usados em modelos de fluxo de caixa descontado ou múltiplos adotados por instituições financeiras.</p>
<h2>Clima continua sendo o principal fator de risco</h2>
<p>Apesar do ambiente mais favorável apontado pelos analistas, o clima continua sendo um dos principais elementos de incerteza para as três teses, sobretudo para São Martinho e SLC Agrícola.</p>
<p>Um El Niño mais intenso pode modificar padrões de precipitação em diferentes regiões produtoras. O impacto, entretanto, não é uniforme: excesso de chuvas pode prejudicar determinadas culturas e regiões, enquanto déficit hídrico pode afetar outras. Por isso, projeções agrícolas precisam considerar localização das propriedades, calendário de plantio e colheita e estágio de desenvolvimento das lavouras.</p>
<p>No caso da SLC, investimentos em tecnologia, irrigação, monitoramento das lavouras e diversificação geográfica funcionam como instrumentos de mitigação, mas não eliminam o risco de perdas agrícolas. Na São Martinho, além da produtividade dos canaviais, qualidade da cana e teor de açúcar influenciam diretamente a eficiência da operação.</p>
<p>As commodities também permanecem sujeitas à dinâmica internacional. Estoques globais, safras nos principais países produtores, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338781">política</a> de biocombustíveis, importações chinesas, oferta de açúcar na Índia e produção norte-americana podem modificar as curvas de preços utilizadas nos modelos de avaliação.</p>
<p>Para a MBRF, os riscos são diferentes, mas igualmente relevantes. Preços do gado, capacidade de processamento nos Estados Unidos, desempenho das operações internacionais, câmbio, custos logísticos e velocidade da redução do endividamento podem determinar se a geração de caixa projetada para 2027 será efetivamente alcançada.</p>
<p>A próxima confirmação objetiva das teses virá dos resultados operacionais e financeiros divulgados pelas próprias companhias. São Martinho terá de demonstrar que a melhora esperada para açúcar e etanol chega às margens; a SLC precisará converter expansão e preços agrícolas em maior rentabilidade; e a MBRF terá de mostrar redução dos investimentos, recuperação das operações de carne bovina e avanço consistente do fluxo de caixa.</p>
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		<title>EUA ampliam cota de carne bovina em 300 mil toneladas e abrem janela para exportadores brasileiros</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/eua-ampliam-cota-carne-bovina-brasil-china</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 22:06:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[comércio exterior]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[exportações brasileiras]]></category>
		<category><![CDATA[pecuária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos abrirão, a partir de 1º de setembro, uma cota adicional de 300 mil toneladas para importação de aparas de carne bovina magra, criando uma oportunidade temporária para fornecedores estrangeiros, entre eles o Brasil, justamente quando a China reduz o ritmo de compras da proteína brasileira. A decisão do governo de Donald Trump, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="299" data-end="835">Os Estados Unidos abrirão, a partir de 1º de setembro, uma cota adicional de 300 mil toneladas para importação de aparas de carne bovina magra, criando uma oportunidade temporária para fornecedores estrangeiros, entre eles o Brasil, justamente quando a China reduz o ritmo de compras da proteína brasileira. A decisão do governo de Donald Trump, porém, não representa uma concessão comercial a Brasília: a medida foi adotada para aumentar a oferta de matéria-prima para carne moída no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338744">mercado</a> americano e conter os preços ao consumidor.</p>
<p data-start="837" data-end="1254">A ampliação foi formalizada pelo presidente americano em 26 de agosto e terá duração máxima de 90 dias. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, com abertura sucessiva em 1º de setembro, 1º de outubro e 31 de outubro. A distribuição ocorrerá pelo sistema de primeiro a chegar, primeiro a ser atendido, e toda a quantidade adicional foi destinada à categoria tarifária de “outros países ou áreas”.</p>
<p data-start="1256" data-end="1555">Isso significa que o Brasil não recebeu uma cota própria de 300 mil toneladas. Exportadores brasileiros habilitados terão de disputar espaço com fornecedores de outros países elegíveis, em uma janela limitada e condicionada à capacidade de embarque, aos preços e às exigências sanitárias americanas.</p>
<p data-start="1557" data-end="1975">A decisão ocorre em momento particularmente relevante para a pecuária brasileira. A China, principal destino da carne bovina nacional, estabeleceu para o Brasil uma cota de 1,106 milhão de toneladas em 2026. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, quando o volume destinado a cada país atingir 100% da quantidade estabelecida, as importações que excederem a cota estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 55%.</p>
<h2 data-section-id="ezrrq5" data-start="1977" data-end="2037">China reduz espaço para o principal fornecedor brasileiro</h2>
<p data-start="2039" data-end="2440">O sinal mais recente vindo de Pequim é mais forte do que a simples existência de uma cota. Em 11 de agosto, o Ministério do Comércio da China informou que as importações de carne bovina brasileira haviam atingido 90% da quantidade estabelecida para o país. Pelas regras chinesas, a sobretaxa de 55% passa a incidir a partir do terceiro dia após o volume alcançar integralmente a quantidade autorizada.</p>
<p data-start="2442" data-end="2684">A regra chinesa não é exclusiva do Brasil. Trata-se de uma salvaguarda aplicada às importações de carne bovina, com quantidades específicas para cada origem. O Brasil, entretanto, recebeu a maior cota individual, de 1,106 milhão de toneladas.</p>
<p data-start="2686" data-end="2975">O próprio governo brasileiro havia informado em julho que 80% da cota já havia sido utilizada, com base na última atualização oficial chinesa disponível naquele momento. A atualização posterior do Ministério do Comércio chinês mostra que o preenchimento avançou rapidamente durante agosto.</p>
<p data-start="2977" data-end="3226">A diferença entre os números evidencia também a velocidade da mudança. Entre a atualização divulgada pelo governo brasileiro em 22 de julho e a informação chinesa de 11 de agosto, o percentual de utilização da cota brasileira passou de 80% para 90%.</p>
<p data-start="3228" data-end="3528">A dimensão do mercado chinês ajuda a explicar a importância da restrição. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a China importou 1,68 milhão de toneladas de carne bovina brasileira em 2025, equivalente a 47,8% de todo o volume exportado pelo país naquele ano.</p>
<p data-start="3530" data-end="3801">A cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida para 2026 é, portanto, inferior ao volume que a China comprou do Brasil no ano anterior. A diferença entre os dois números é de aproximadamente 574 mil toneladas, ou 34,2% do volume exportado para o mercado chinês em 2025.</p>
<h2 data-section-id="5eq1l4" data-start="3803" data-end="3844">Exportações já mostram mudança de rota</h2>
<p data-start="3846" data-end="3954">Os dados de julho confirmam que o setor começou a ajustar seus embarques diante da nova realidade comercial.</p>
<p data-start="3956" data-end="4139">A Abiec registrou exportações brasileiras de carne bovina de 264,4 mil toneladas em julho, queda de 16,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita recuou 5,5%, para US$ 1,58 bilhão.</p>
<p data-start="4141" data-end="4338">A redução foi concentrada na China. As vendas brasileiras ao mercado chinês somaram 85,8 mil toneladas em julho, 47% abaixo do registrado um ano antes. A receita caiu 50,3%, para US$ 537,9 milhões.</p>
<p data-start="4340" data-end="4645">O movimento não significa necessariamente perda de demanda internacional pela carne brasileira. Parte da explicação está na necessidade de controlar o ritmo dos embarques para evitar que cargas destinadas à China sejam enquadradas nas condições tarifárias menos favoráveis depois do preenchimento da cota.</p>
<p data-start="4647" data-end="4924">No acumulado de janeiro a julho, entretanto, as exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas, alta de 9,9% sobre o mesmo período de 2025. Isso mostra que o setor ainda apresenta crescimento no ano, embora a composição dos destinos esteja mudando.</p>
<p data-start="4926" data-end="5139">A própria Abiec apontou que a redução das vendas à China em julho foi acompanhada pelo avanço das exportações para outros mercados. Esse deslocamento ganha importância com a abertura temporária dos Estados Unidos.</p>
<h2 data-section-id="a3zdaa" data-start="5141" data-end="5192">Trump abriu espaço por uma necessidade americana</h2>
<p data-start="5194" data-end="5287">A decisão de Washington tem uma origem diferente da disputa comercial brasileira com a China.</p>
<p data-start="5289" data-end="5606">A Casa Branca justificou o aumento da cota pela insuficiência da oferta doméstica de aparas de carne bovina magra e de produtos substitutos para atender à demanda por carne moída a preços considerados razoáveis. O governo americano também citou a expectativa de aumento do consumo de carne bovina no restante de 2026.</p>
<p data-start="5608" data-end="6032">A medida permite que países elegíveis aumentem suas vendas dentro da faixa tarifária mais favorável. O governo americano determinou ainda que monitore os preços das importações realizadas dentro da quantidade adicional. Se os produtos não forem vendidos a preços 25% inferiores ao preço de mercado das aparas de carne magra, a administração poderá avaliar a eliminação do volume adicional que ainda não tiver sido utilizado.</p>
<p data-start="6034" data-end="6169">Há, portanto, uma finalidade doméstica explícita: ampliar a disponibilidade de matéria-prima para a indústria americana de carne moída.</p>
<p data-start="6171" data-end="6397">Essa característica reduz o espaço para interpretar a decisão como resultado de uma negociação <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338746">política</a> entre Brasília e Washington. O governo americano está tentando resolver uma questão de oferta e preços no próprio mercado.</p>
<p data-start="6399" data-end="6526">Para os exportadores brasileiros, contudo, a origem da decisão é menos importante do que a oportunidade comercial que ela cria.</p>
<h2 data-section-id="143rpnc" data-start="6528" data-end="6586">Brasil terá de disputar uma janela de 300 mil toneladas</h2>
<p data-start="6588" data-end="6688">O principal limite para os frigoríficos brasileiros é que o volume adicional não pertence ao Brasil.</p>
<p data-start="6690" data-end="6941">A cota foi integralmente alocada à categoria “outros países ou áreas” e será preenchida conforme a ordem de entrada das mercadorias. Na prática, <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338745">empresas</a> brasileiras, argentinas e de outros fornecedores elegíveis terão de disputar o espaço disponível.</p>
<p data-start="6943" data-end="7215">A primeira parcela equivale a 100 mil toneladas e será aberta em setembro. O mesmo volume estará disponível em outubro, e uma terceira parcela de 100 mil toneladas começará a ser administrada em 31 de outubro, permanecendo aberta até o preenchimento ou até 30 de novembro.</p>
<p data-start="7217" data-end="7464">A soma de 300 mil toneladas representa cerca de 15,2% das 1,97 milhão de toneladas de carne bovina exportadas pelo Brasil entre janeiro e julho. O número é expressivo, mas não deve ser confundido com uma substituição automática da demanda chinesa.</p>
<p data-start="7466" data-end="7742">Mesmo que o Brasil conseguisse capturar todo o volume adicional americano, as 300 mil toneladas equivaleriam a pouco mais da metade da diferença de aproximadamente 574 mil toneladas entre as exportações brasileiras para a China em 2025 e a cota chinesa estabelecida para 2026.</p>
<p data-start="7744" data-end="7969">Além disso, a medida americana se refere especificamente a aparas de carne bovina magra classificadas em determinadas posições tarifárias. Não representa uma abertura irrestrita para todos os tipos de carne bovina brasileira.</p>
<h2 data-section-id="g0pap1" data-start="7971" data-end="8009">Habilitação sanitária será decisiva</h2>
<p data-start="8011" data-end="8178">Outro fator limita a capacidade de o Brasil aproveitar rapidamente a oportunidade: o acesso ao mercado americano depende de habilitação sanitária dos estabelecimentos.</p>
<p data-start="8180" data-end="8422">O Ministério da Agricultura mantém procedimentos específicos para habilitação e certificação de empresas brasileiras que exportam produtos de origem animal aos Estados Unidos. A lista de estabelecimentos habilitados é atualizada regularmente.</p>
<p data-start="8424" data-end="8759">Isso cria uma diferença importante entre possuir produção de carne bovina e ter capacidade efetiva de atender à nova demanda americana. O frigorífico precisa estar autorizado a exportar, atender às especificações do mercado e conseguir organizar a logística dentro de uma janela em que o critério de alocação é essencialmente temporal.</p>
<p data-start="8761" data-end="8900">A vantagem, nesse contexto, tende a ser maior para empresas que já possuem estrutura comercial e sanitária estabelecida nos Estados Unidos.</p>
<p data-start="8902" data-end="9199">Para a cadeia produtiva, o efeito potencial também depende da capacidade de redirecionar volumes. Uma indústria que reduzir embarques para a China pode avaliar outros mercados, mas essa mudança envolve contratos, padrões de produto, logística, formação de preço e disponibilidade de matéria-prima.</p>
<h2 data-section-id="159k46g" data-start="9201" data-end="9257">Diversificação reduz a exposição a um único comprador</h2>
<p data-start="9259" data-end="9389">O episódio evidencia uma característica estrutural das exportações brasileiras de carne bovina: a concentração em poucos mercados.</p>
<p data-start="9391" data-end="9626">Em 2025, a China absorveu 1,68 milhão de toneladas, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 272 mil toneladas, segundo o levantamento da Abiec. A diferença entre os dois destinos foi superior a 1,4 milhão de toneladas.</p>
<p data-start="9628" data-end="9805">Essa concentração trouxe escala e previsibilidade ao setor durante anos, mas também aumentou a exposição dos exportadores a decisões regulatórias tomadas por um único comprador.</p>
<p data-start="9807" data-end="10004">A salvaguarda chinesa mostra o efeito de uma mudança desse tipo. Quando Pequim limita o volume sujeito às condições tarifárias regulares, frigoríficos precisam acelerar a busca por outros destinos.</p>
<p data-start="10006" data-end="10255">A decisão americana, por sua vez, mostra que a diversificação não depende necessariamente de alinhamento político. O mercado dos Estados Unidos abriu espaço porque enfrenta uma restrição própria de oferta. O interesse econômico criou a oportunidade.</p>
<p data-start="10257" data-end="10397">Para o Brasil, a questão central passa a ser transformar esse tipo de oportunidade pontual em uma estrutura permanente de acesso a mercados.</p>
<h2 data-section-id="1rcg7wu" data-start="10399" data-end="10453">Próximos meses serão decisivos para os frigoríficos</h2>
<p data-start="10455" data-end="10727">O primeiro indicador a acompanhar será a velocidade de ocupação das parcelas americanas a partir de setembro. Como a regra é de primeiro a chegar, empresas com maior capacidade operacional poderão capturar uma parcela relevante do volume antes que a janela seja encerrada.</p>
<p data-start="10729" data-end="10975">O segundo será o comportamento das exportações brasileiras para a China. A utilização da cota e a eventual aplicação da tarifa adicional de 55% poderão determinar quanto produto será redirecionado para outros mercados ou para o mercado doméstico.</p>
<p data-start="10977" data-end="11219">O terceiro será a capacidade do setor de ampliar destinos além dos Estados Unidos. A oportunidade americana é temporária e concentrada em uma categoria específica de produto. Ela não substitui a necessidade de ampliar mercados no longo prazo.</p>
<p data-start="11221" data-end="11503">A equação comercial brasileira, portanto, mudou em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, a China impõe uma limitação quantitativa que reduz a previsibilidade das vendas. De outro, os Estados Unidos oferecem uma janela adicional justamente porque enfrentam falta de matéria-prima.</p>
<p data-start="11505" data-end="11714">Para frigoríficos e pecuaristas, o resultado dependerá menos da relação política entre os governos e mais da capacidade de vender onde houver demanda, dentro das regras tarifárias e sanitárias de cada mercado.</p>
<p data-start="11716" data-end="12106">A principal contribuição da decisão americana para o Brasil pode estar justamente nesse ponto. As 300 mil toneladas adicionais não resolvem a dependência brasileira da China e tampouco garantem que a proteína nacional ocupará todo o espaço criado. Elas apenas mostram, em um momento de pressão sobre o principal destino da carne brasileira, o valor econômico de manter alternativas abertas.</p>
<p data-start="12108" data-end="12119"><strong data-start="12108" data-end="12119">Fontes:</strong></p>
<p data-start="12121" data-end="12324"><em data-start="12121" data-end="12324">Casa Branca dos Estados Unidos &#8211; proclamação de 26 de agosto de 2026 sobre a ampliação temporária da cota de aparas de carne bovina magra e medidas para reduzir a pressão sobre os preços da carne moída</em></p>
<p data-start="12326" data-end="12478"><em data-start="12326" data-end="12478">Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; informações sobre a salvaguarda chinesa, cota brasileira de 1,106 milhão de toneladas e tarifa adicional de 55%</em></p>
<p data-start="12480" data-end="12633"><em data-start="12480" data-end="12633">Ministério do Comércio da República Popular da China &#8211; atualização de 11 de agosto de 2026 sobre a utilização de 90% da cota brasileira de carne bovina</em></p>
<p data-start="12635" data-end="12770"><em data-start="12635" data-end="12770">Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes &#8211; estatísticas de exportação de carne bovina brasileira até julho de 2026</em></p>
<p data-start="12772" data-end="12941"><em data-start="12772" data-end="12941">Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços &#8211; estatísticas consolidadas de comércio exterior e base de dados do Comex Stat de janeiro a julho de 2026</em></p>
<p data-start="12943" data-end="13094" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><em data-start="12943" data-end="13094" data-is-last-node="">Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; procedimentos de habilitação e certificação de estabelecimentos brasileiros para exportação aos Estados Unidos</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Boa Safra aprova financiamento de até R$ 332,45 milhões com a Finep</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/boa-safra-soja3-financiamento-finep-332-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 16:39:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Boa Safra]]></category>
		<category><![CDATA[dívida]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento]]></category>
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		<category><![CDATA[Sementes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Boa Safra Sementes (B3: SOJA3) abriu espaço para uma das maiores captações de longo prazo de sua história ao aprovar a contratação de até R$ 332,45 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O dinheiro será direcionado a iniciativas de inovação e tecnologia e poderá ser pago ao longo de 192 meses, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Boa Safra Sementes (B3: SOJA3)</strong> abriu espaço para uma das maiores captações de longo prazo de sua história ao aprovar a contratação de até <strong>R$ 332,45 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)</strong>. O dinheiro será direcionado a iniciativas de inovação e tecnologia e poderá ser pago ao longo de 192 meses, o equivalente a 16 anos, com carência de três anos antes do início das amortizações.</p>
<p>O tamanho da operação chama atenção não apenas pela cifra absoluta. Considerando a posição financeira apresentada pela Boa Safra ao término do segundo trimestre, o financiamento potencial equivale a aproximadamente <strong>54% da dívida líquida de R$ 619,8 milhões</strong> registrada pela companhia em junho e a cerca de 17% de sua dívida bruta de R$ 1,93 bilhão.</p>
<p>A autorização foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração em reunião realizada em 19 de agosto. O colegiado também deu poderes à diretoria para negociar e assinar os contratos, garantias, aditivos e demais documentos necessários à formalização da operação.</p>
<p>O ponto importante é que a aprovação não significa que R$ 332,45 milhões já tenham entrado no caixa. Trata-se de autorização para contratação de financiamento de até esse valor. A empresa ainda não divulgou publicamente o cronograma de desembolsos, a taxa final da operação nem uma divisão detalhada dos projetos que receberão os recursos. O material divulgado ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338608">mercado</a> limita o destino a projetos de inovação e tecnologia.</p>
<p>A estrutura, porém, mostra que a Boa Safra está buscando uma fonte de capital com horizonte muito mais longo que o ciclo normal de uma safra. A carência de 36 meses e o prazo total de 16 anos permitem financiar investimentos cujo retorno não precisa aparecer imediatamente no balanço, algo especialmente relevante para projetos envolvendo automação, equipamentos, infraestrutura produtiva, pesquisa, desenvolvimento e modernização tecnológica.</p>
<h2>Crédito chega quando Boa Safra acelera investimentos</h2>
<p>A decisão ocorre em um momento de mudança relevante na composição dos investimentos da companhia. No primeiro semestre de 2026, a Boa Safra desembolsou <strong>R$ 66 milhões em Capex</strong>, cinco vezes o volume de R$ 13 milhões aplicado no mesmo período do ano anterior.</p>
<p>Do total deste ano, R$ 63 milhões foram direcionados ao imobilizado e outros R$ 3 milhões ao intangível. A própria companhia observou, entretanto, que parte relevante dessa cifra não corresponde a expansão inteiramente nova: aproximadamente R$ 38 milhões estão associados a ativos voltados ao beneficiamento, armazenagem e tratamento de sementes para pecuária e mix de cobertura.</p>
<p>Ainda assim, o aumento do investimento mostra que a Boa Safra atravessa uma fase na qual crescimento orgânico, ampliação do portfólio e infraestrutura passam a exigir mais capital.</p>
<p>A Finep é justamente uma das principais fontes públicas de financiamento de longo prazo para esse tipo de projeto. As linhas de apoio direto da instituição são destinadas a planos de inovação capazes de elevar produtividade, modernizar processos, desenvolver produtos ou aumentar a competitividade das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338607">empresas</a> brasileiras. Entre os gastos elegíveis podem estar máquinas e equipamentos, softwares, pesquisa e desenvolvimento, treinamento, serviços especializados e preparação de novas estruturas produtivas.</p>
<p>A agência utiliza recursos próprios e também do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o FNDCT, nas operações reembolsáveis voltadas à inovação. As condições variam conforme o enquadramento de cada projeto, razão pela qual o custo financeiro efetivo da operação da Boa Safra só poderá ser avaliado quando as condições finais forem divulgadas.</p>
<h2>Dívida cresceu, mas caixa também ficou maior</h2>
<p>O novo financiamento precisa ser analisado dentro de uma estrutura de capital que mudou significativamente ao longo do último ano.</p>
<p>A Boa Safra encerrou junho com <strong>R$ 1,93 bilhão de dívida bruta consolidada</strong>, ante R$ 1,19 bilhão no segundo trimestre de 2025. O aumento foi de aproximadamente R$ 742 milhões em 12 meses.</p>
<p>A comparação isolada poderia sugerir deterioração forte do balanço. A empresa, entretanto, também ampliou substancialmente a liquidez. Caixa, equivalentes e títulos e valores mobiliários passaram de R$ 390,3 milhões para <strong>R$ 1,31 bilhão</strong> no mesmo intervalo.</p>
<p>Como resultado, a dívida líquida caiu de R$ 800,3 milhões para <strong>R$ 619,8 milhões</strong>, considerando a base ajustada utilizada pela companhia para tornar os períodos comparáveis.</p>
<p>No relatório do segundo trimestre, a Boa Safra destacou ainda que apenas 8% da dívida financeira apresentava vencimento nos 12 meses seguintes. Grande parte do passivo está concentrada em instrumentos de longo prazo, incluindo aproximadamente R$ 1,3 bilhão em Certificados de Recebíveis do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338609">Agronegócio</a> emitidos em 2025.</p>
<p>A estrutura oferece alguma margem para assumir novos compromissos de longo prazo, especialmente se o financiamento da Finep substituir desembolsos que, de outra forma, precisariam sair diretamente do caixa.</p>
<p>Há, porém, uma diferença entre capacidade de pagamento e custo de endividamento. O balanço recente mostra que os juros já se tornaram uma variável importante na demonstração de resultados.</p>
<h2>Resultado financeiro virou ponto de atenção</h2>
<p>No segundo trimestre, a Boa Safra registrou <strong>resultado financeiro líquido negativo de R$ 38 milhões</strong>, depois de ter apresentado saldo positivo de R$ 9 milhões um ano antes.</p>
<p>A companhia atribuiu a mudança principalmente ao maior custo de carregamento da dívida estruturada. As receitas financeiras também diminuíram porque o segundo trimestre de 2025 havia sido beneficiado por ganhos com instrumentos derivativos que não se repetiram neste ano.</p>
<p>Os juros não impediram a empresa de voltar ao lucro, mas reduziram parte da melhora operacional. A Boa Safra registrou lucro líquido de aproximadamente <strong>R$ 2,7 milhões no 2T26</strong>, revertendo o prejuízo de R$ 2,7 milhões observado no mesmo trimestre do ano anterior.</p>
<p>A receita líquida avançou 23%, para R$ 124,7 milhões, enquanto o lucro bruto cresceu 83%, alcançando R$ 69,7 milhões. O Ebitda contábil saiu de resultado negativo de R$ 7,2 milhões para R$ 52,2 milhões.</p>
<p>Já o Ebitda ajustado chegou a <strong>R$ 27,7 milhões</strong>, seis vezes o resultado aproximado de R$ 4,6 milhões registrado no segundo trimestre de 2025.</p>
<p>O desempenho trimestral precisa ser observado com cautela porque o negócio da Boa Safra apresenta forte sazonalidade. A própria empresa afirma que os dois primeiros trimestres têm participação menor no resultado anual, enquanto a maior parte das vendas e da geração de resultado ocorre no segundo semestre.</p>
<p>Nos 12 meses encerrados em junho, o Ebitda ajustado foi de R$ 154 milhões, crescimento de apenas 4% em relação ao período comparável. O lucro líquido acumulado, por sua vez, caiu 77%, de R$ 89,4 milhões para R$ 20,6 milhões.</p>
<p>Isso torna a safra que se inicia particularmente importante para avaliar a capacidade da companhia de combinar crescimento, rentabilidade e um novo ciclo de investimentos.</p>
<h2>R$ 332 milhões são relevantes mesmo diante do caixa</h2>
<p>Se a Boa Safra contratar todo o financiamento aprovado, os R$ 332,45 milhões representarão uma injeção relevante de recursos. Em relação ao caixa e aos títulos financeiros existentes em junho, a operação corresponderia a aproximadamente um quarto dos R$ 1,31 bilhão disponíveis.</p>
<p>A comparação com a dívida líquida é ainda mais expressiva: o limite aprovado corresponde a pouco mais de <strong>53% do endividamento líquido atual</strong>.</p>
<p>Isso não significa, contudo, que a dívida líquida aumentará automaticamente nessa proporção.</p>
<p>Quando uma empresa recebe recursos de um financiamento, a dívida bruta cresce, mas o caixa também aumenta. Enquanto o dinheiro não é gasto, o efeito sobre a dívida líquida tende a ser pequeno. O endividamento líquido passa a crescer à medida que os recursos são efetivamente investidos e deixam o caixa.</p>
<p>No caso da Boa Safra, a avaliação dependerá principalmente de duas variáveis: a velocidade dos desembolsos da Finep e o ritmo de execução dos projetos.</p>
<p>O prazo de 16 anos reduz a pressão sobre o curto prazo. A carência de três anos também cria uma janela para que os investimentos comecem a gerar benefícios operacionais antes das principais amortizações.</p>
<p>Essa combinação explica por que linhas de inovação podem ser mais adequadas para projetos estruturais do que empréstimos bancários tradicionais de menor prazo.</p>
<h2>O que a Boa Safra ainda precisa explicar</h2>
<p>Apesar do tamanho do financiamento, parte importante da operação ainda não está detalhada.</p>
<p>A companhia não informou quais projetos específicos compõem o pacote de investimentos, quanto será destinado a equipamentos, quanto irá para pesquisa e desenvolvimento, se haverá expansão de capacidade industrial ou qual ganho de produtividade espera obter.</p>
<p>Também não foram divulgadas as taxas de juros finais, eventuais indexadores, o cronograma de liberações nem as garantias que serão vinculadas à operação.</p>
<p>Essas informações serão importantes para calcular o verdadeiro retorno financeiro do projeto.</p>
<p>Um financiamento de longo prazo pode ser muito favorável quando o custo é inferior ao retorno obtido com os investimentos. O risco aparece quando a dívida aumenta sem que a capacidade de geração de caixa avance na mesma proporção.</p>
<p>No caso da Boa Safra, essa discussão ganha importância porque o balanço já mostrou pressão relevante das despesas financeiras. Ao mesmo tempo, a empresa possui liquidez elevada e um cronograma de amortizações concentrado no longo prazo.</p>
<h2>Próxima safra será o primeiro teste</h2>
<p>O novo financiamento chega enquanto as projeções oficiais continuam indicando uma produção agrícola brasileira elevada. O levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento mantém a safra 2025/26 em níveis historicamente altos, enquanto as estimativas do IBGE apontam expansão da produção de grãos em 2026 e crescimento da colheita de soja.</p>
<p>Esse ambiente é relevante para uma companhia cujo negócio depende diretamente da área plantada, do nível tecnológico adotado pelos produtores e da demanda por sementes de maior produtividade.</p>
<p>A Boa Safra não está tomando apenas uma decisão financeira. Ao buscar até R$ 332,45 milhões com prazo que se estende por 16 anos, a empresa está construindo capacidade para investir além de um único ciclo agrícola.</p>
<p>O mercado precisará observar agora se a autorização se converterá integralmente em contrato, quais condições financeiras serão pactuadas com a Finep e, principalmente, onde o capital será aplicado.</p>
<p>A diferença entre um financiamento que amplia valor e uma dívida que apenas aumenta o passivo estará na capacidade dos projetos financiados de gerar produtividade, margem e caixa ao longo dos próximos anos.</p>
<p>Com <strong>R$ 1,93 bilhão de dívida bruta, R$ 1,31 bilhão em liquidez e R$ 619,8 milhões de dívida líquida</strong>, a Boa Safra tem espaço financeiro para investir. O crédito da Finep amplia esse espaço de maneira significativa. O próximo passo será mostrar ao investidor exatamente o que a companhia pretende construir com ele.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Boa Safra Sementes — Resultados do 2º trimestre de 2026<br />
Boa Safra Sementes — Atas e deliberações do Conselho de Administração<br />
Comissão de Valores Mobiliários — Informações Trimestrais da Boa Safra em 30 de junho de 2026<br />
Finep — Condições Operacionais de Financiamento Reembolsável 2026<br />
Finep — Apoio Direto à Inovação</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Abate de bovinos chega a 10,72 milhões no 2º trimestre; suínos avançam e frangos recuam</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/abate-de-bovinos-2-trimestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 21:46:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[abate de bovinos]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[carne]]></category>
		<category><![CDATA[frangos]]></category>
		<category><![CDATA[frigoríficos]]></category>
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		<category><![CDATA[pecuária]]></category>
		<category><![CDATA[produção animal]]></category>
		<category><![CDATA[suínos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pecuária brasileira manteve produção elevada no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, o país abateu 10,72 milhões de bovinos em estabelecimentos submetidos a algum tipo de inspeção sanitária, volume 1,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e 4,2% acima do primeiro trimestre deste ano. Os dados fazem parte das [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A pecuária brasileira manteve produção elevada no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, o país abateu 10,72 milhões de bovinos em estabelecimentos submetidos a algum tipo de inspeção sanitária, volume 1,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e 4,2% acima do primeiro trimestre deste ano. Os dados fazem parte das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>
<p>O crescimento foi ainda mais intenso quando se observa a quantidade de carne produzida. As carcaças bovinas somaram 2,76 milhões de toneladas no trimestre, alta de 3% na comparação anual e de 4,7% diante dos três primeiros meses do ano. Isso mostra que o aumento da produção não ocorreu apenas porque mais animais foram enviados aos frigoríficos. O peso médio das carcaças também ficou maior.</p>
<p>A relação entre o volume produzido e o número de animais abatidos resulta em aproximadamente 257,5 quilos de carcaça por bovino no segundo trimestre. Um ano antes, a média implícita estava perto de 253 quilos. Embora a diferença por animal pareça pequena, ela ganha relevância quando multiplicada por mais de 10 milhões de cabeças processadas em apenas três meses.</p>
<p>O resultado prolonga um período de oferta elevada na pecuária brasileira. Em 2025, o país já havia registrado recordes no abate de bovinos, suínos e frangos. No caso do gado, foram 42,94 milhões de cabeças no ano. O início de 2026 manteve esse ritmo: 10,29 milhões de bovinos foram abatidos no primeiro trimestre e outros 10,72 milhões entre abril e junho. Com isso, o primeiro semestre já acumula pouco mais de 21 milhões de cabeças.</p>
<h2>Produção de carne bovina cresce mais que o abate</h2>
<p>A diferença entre o avanço das cabeças abatidas e o crescimento das carcaças é um dos principais sinais do levantamento. Na comparação anual, o número de bovinos aumentou 1,3%, enquanto o peso total produzido avançou 3%. Na comparação trimestral, a mesma tendência aparece: 4,2% de crescimento no abate e 4,7% na produção de carcaças.</p>
<p>Esse comportamento indica que os frigoríficos receberam, em média, animais mais pesados. O levantamento do IBGE não atribui esse resultado a uma causa específica, já que fatores como genética, alimentação, manejo, idade de abate e condições comerciais podem influenciar o peso final. Ainda assim, o dado é relevante porque mostra que a expansão da oferta de carne foi superior à simples evolução do número de animais processados.</p>
<p>Em uma cadeia do tamanho da pecuária bovina brasileira, pequenas alterações no peso médio produzem efeitos expressivos sobre o volume disponível. Um ganho de poucos quilos por cabeça, aplicado a milhões de bovinos, transforma-se em dezenas de milhares de toneladas adicionais de carne. Isso ajuda a explicar por que a produção de carcaças cresceu mais rapidamente do que o abate no trimestre.</p>
<h2>Suínos também avançam e chegam a 15,58 milhões de cabeças</h2>
<p>O setor de suínos apresentou movimento semelhante. O país abateu 15,58 milhões de animais no segundo trimestre, alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2% frente ao primeiro trimestre deste ano. O peso das carcaças, porém, cresceu em ritmo mais forte e alcançou 1,49 milhão de toneladas, avanço de 4,8% em um ano e de 4,5% na comparação trimestral.</p>
<p>A partir desses volumes, o peso médio implícito ficou próximo de 95,6 quilos por suíno. No primeiro trimestre, a média calculada pelos mesmos parâmetros estava ao redor de 93 quilos. A diferença ajuda a entender por que a produção de carne suína aumentou mais do que o número de animais abatidos.</p>
<p>O desempenho reforça uma tendência comum às duas principais cadeias de mamíferos destinadas à produção de carne no período: além de mais animais chegarem aos frigoríficos, houve aumento no volume médio produzido por cabeça. Para a indústria, esse ganho tem impacto direto na quantidade final de carne colocada no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338300">mercado</a> sem necessidade de uma expansão proporcional do número de animais processados.</p>
<h2>Frango recua em cabeças, mas produz praticamente a mesma quantidade de carne</h2>
<p>A avicultura apresentou um quadro diferente. Foram abatidos 1,69 bilhão de frangos no segundo trimestre de 2026. O número ficou 2,8% acima do observado entre abril e junho do ano passado, mas caiu 1,2% em relação ao primeiro trimestre deste ano.</p>
<p>A queda trimestral no número de aves não se transformou, porém, em redução da produção de carne. O peso acumulado das carcaças chegou a 3,74 milhões de toneladas, resultado 5,1% superior ao de um ano antes e praticamente estável frente aos três primeiros meses de 2026, com avanço de 0,1%.</p>
<p>A explicação está novamente no peso médio. A relação entre as 3,74 milhões de toneladas produzidas e os 1,69 bilhão de frangos abatidos resulta em aproximadamente 2,21 quilos de carcaça por ave. No primeiro trimestre, essa média ficava próxima de 2,18 quilos. O aumento foi suficiente para compensar a redução na quantidade de animais.</p>
<p>Por isso, a queda do abate de frangos precisa ser vista com alguma cautela. O número de cabeças diminuiu na comparação com o início do ano, mas a disponibilidade física de carne praticamente não caiu. Na comparação anual, a cadeia continua em expansão, tanto em número de aves quanto no peso produzido.</p>
<h2>Frango continua à frente em volume total de carne</h2>
<p>Mesmo com o recuo trimestral nas cabeças, o frango permaneceu como a maior das três principais cadeias quando se considera exclusivamente o volume de carcaças. A produção chegou a 3,74 milhões de toneladas no segundo trimestre, ante 2,76 milhões de toneladas de bovinos e 1,49 milhão de toneladas de suínos.</p>
<p>Juntas, as três cadeias produziram aproximadamente 7,99 milhões de toneladas no período. Desse total, o frango respondeu por cerca de 47%, os bovinos por aproximadamente 35% e os suínos por algo próximo de 19%. As proporções servem apenas para mostrar o peso físico de cada atividade e não representam participação em faturamento, exportações ou valor agregado, já que os preços e os mercados das três proteínas são bastante diferentes.</p>
<p>A escala da avicultura também ajuda a explicar por que pequenas mudanças no peso médio das aves têm efeitos importantes sobre a oferta. Quando mais de 1,6 bilhão de animais são abatidos em um único trimestre, uma variação de poucas dezenas de gramas por unidade pode produzir uma diferença relevante na quantidade final de carne.</p>
<h2>Aquisição de leite cai, enquanto couro e ovos avançam</h2>
<p>Fora dos frigoríficos, os resultados foram mistos. Os estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária adquiriram 6,61 bilhões de litros de leite cru no segundo trimestre. O volume ficou 1% acima do registrado no mesmo período de 2025, mas caiu 2,5% em relação ao primeiro trimestre deste ano.</p>
<p>A diferença corresponde a uma redução aproximada de 170 milhões de litros frente aos três primeiros meses de 2026. O dado, porém, precisa ser analisado levando em consideração a sazonalidade da atividade leiteira, que responde às condições das pastagens, regime de chuvas, alimentação do rebanho, custos de produção e preços pagos aos produtores.</p>
<p>Na indústria do couro, os curtumes pesquisados pelo IBGE receberam 10,96 milhões de peças inteiras de couro cru bovino no segundo trimestre, alta de 1,9% tanto na comparação anual quanto em relação ao trimestre imediatamente anterior. A pesquisa considera estabelecimentos que realizam o curtimento de pelo menos 5 mil unidades inteiras de couro cru bovino por ano.</p>
<p>O volume recebido pelos curtumes ficou próximo do número de bovinos abatidos no trimestre, mas os dois indicadores não podem ser relacionados diretamente animal por animal. Diferenças de estoque, tempo entre o abate e o processamento e a própria cobertura estatística das pesquisas impedem esse tipo de equivalência.</p>
<p>Já a produção de ovos de galinha alcançou 1,25 bilhão de dúzias, alta de 0,3% sobre o segundo trimestre de 2025 e de 2,6% frente ao primeiro trimestre de 2026. Convertido para unidades, o resultado corresponde a aproximadamente 15 bilhões de ovos produzidos entre abril e junho.</p>
<h2>Dados mostram oferta de carne ainda elevada em 2026</h2>
<p>O conjunto dos números mostra que a produção animal brasileira entrou no segundo semestre em nível elevado. Bovinos e suínos registraram crescimento tanto no número de animais abatidos quanto no volume de carcaças, enquanto a avicultura conseguiu manter a produção de carne mesmo com uma redução trimestral nas cabeças processadas.</p>
<p>O ponto comum às três cadeias foi o aumento do peso médio das carcaças. Nos bovinos, o ganho ajudou a fazer a produção crescer mais que o abate. Nos suínos, a diferença foi ainda maior. No frango, o aumento do peso médio compensou a queda no número de aves e evitou uma retração na quantidade de carne produzida.</p>
<p>Esses movimentos têm impacto além das propriedades rurais e dos frigoríficos. A oferta de proteína animal influencia preços ao consumidor, exportações, demanda por transporte e a utilização de milho e soja na fabricação de ração, especialmente para aves e suínos. Também afeta atividades associadas, como couro, logística e processamento de alimentos.</p>
<p>Depois dos recordes observados em 2025, os dados do segundo trimestre indicam que a pecuária brasileira continua operando em ritmo forte em 2026. O avanço não aparece apenas na quantidade de animais levados ao abate, mas também na capacidade de produzir mais carne por cabeça — uma diferença que, diante da escala do setor, pode alterar de forma relevante a oferta final de proteínas no país.</p>
<p><strong>Fontes:</strong> Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha referentes ao segundo trimestre de 2026; IBGE — resultados consolidados da produção pecuária de 2025 e do primeiro trimestre de 2026.</p>
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		<title>Boa Safra (SOJA3) dispara quase 20% após carteira recorde de R$ 1,8 bilhão; veja o que animou o mercado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/boa-safra-soja3-carteira-recorde-resultados-2t26</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 15:56:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[ações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As ações da Boa Safra (SOJA3) chegaram a avançar quase 20% nesta segunda-feira (17), na primeira reação da Bolsa ao balanço do segundo trimestre de 2026, depois de a companhia apresentar uma carteira de pedidos recorde de R$ 1,8 bilhão, forte expansão do Ebitda ajustado e uma dinâmica de caixa significativamente melhor que a esperada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As ações da Boa Safra (SOJA3) chegaram a avançar quase 20% nesta segunda-feira (17), na primeira reação da Bolsa ao balanço do segundo trimestre de 2026, depois de a companhia apresentar uma carteira de pedidos recorde de R$ 1,8 bilhão, forte expansão do Ebitda ajustado e uma dinâmica de caixa significativamente melhor que a esperada pelo mercado.</p>
<p>Por volta das 12h16, SOJA3 era negociada a R$ 5,89, em alta de 17,1%, depois de atingir máxima intradiária de R$ 6,04. O fechamento anterior havia ocorrido a R$ 5,03. A reação veio depois da divulgação dos resultados na sexta-feira (14), após o encerramento do pregão.</p>
<p>A Boa Safra encerrou o trimestre com receita líquida próxima de R$ 125 milhões, crescimento de 23% sobre o mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado atingiu aproximadamente R$ 28 milhões, avanço de 504%, enquanto o lucro líquido ficou em cerca de R$ 3 milhões, revertendo o prejuízo registrado um ano antes.</p>
<p>Os números contábeis, porém, explicam apenas parte da valorização. O segundo trimestre é sazonalmente pouco representativo para a Boa Safra porque boa parte das sementes produzidas nessa etapa será entregue aos agricultores durante o segundo semestre. Por isso, investidores concentraram a atenção na carteira contratada, no capital de giro e na capacidade da empresa de converter a expansão realizada nos últimos anos em rentabilidade e caixa. Esse também era o principal foco apontado no material que motivou a pauta.</p>
<h2>Carteira chega a R$ 1,8 bilhão, mas soja recua 12%</h2>
<p>A carteira total de pedidos atingiu R$ 1,8 bilhão ao fim de junho, maior nível já registrado pela Boa Safra e 4% superior ao observado no mesmo período do ano passado. O crescimento, entretanto, apresenta uma composição diferente daquela que sustentou a expansão histórica da companhia.</p>
<p>Os pedidos de sementes de soja, principal negócio do grupo, recuaram 12% e ficaram próximos de R$ 1,47 bilhão. Segundo a empresa e analistas que acompanham o papel, produtores estão postergando decisões de compra para a safra 2026/27, reduzindo a velocidade de contratação em relação ao ciclo anterior.</p>
<p>O avanço da carteira total ocorreu porque outras culturas, serviços e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338086">negócios</a> compensaram essa retração. Os pedidos fora do núcleo tradicional da soja saltaram de aproximadamente R$ 52 milhões para R$ 337 milhões em um ano.</p>
<p>Isso representa crescimento de cerca de <strong>548%</strong>, ou uma multiplicação de quase 6,5 vezes.</p>
<p>Esses novos negócios já correspondem a aproximadamente <strong>19% da carteira total</strong>, ante uma participação muito menor no ano anterior. A soja continua dominante, com mais de 80% dos pedidos, mas a expansão das demais linhas começa a reduzir a concentração econômica da companhia em uma única cultura.</p>
<p>Para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338085">mercado</a>, essa diversificação é um dos elementos positivos do resultado. Ela pode suavizar parte da volatilidade provocada pelos ciclos de compra da soja e ampliar a utilização da estrutura construída pela Boa Safra durante seu período de forte expansão.</p>
<p>A XP classificou o crescimento de 4% do backlog como modesto, mas coerente com a estratégia atual de preservar participação de mercado enquanto a companhia tenta capturar ganhos de escala e eficiência depois da expansão executada em 2025.</p>
<h2>Ebitda cresce 504% e margem chega perto de 22%</h2>
<p>A melhora operacional também chamou atenção.</p>
<p>O Ebitda ajustado passou de aproximadamente R$ 4,6 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 27,7 milhões no 2T26, avanço de 504%. Com receita líquida de cerca de R$ 124,7 milhões, a margem Ebitda ajustada ficou próxima de <strong>22%</strong>.</p>
<p>A expansão foi muito superior ao crescimento da receita, sinalizando melhora relevante na estrutura de custos e despesas.</p>
<p>Antes da divulgação, a XP projetava Ebitda de apenas R$ 14 milhões. O resultado efetivo ficou praticamente <strong>duas vezes acima da estimativa da corretora</strong>. A receita, por outro lado, ficou próxima do esperado: a casa projetava R$ 124 milhões.</p>
<p>Essa diferença ajuda a explicar por que o mercado reagiu mais ao resultado operacional do que ao lucro líquido relativamente pequeno.</p>
<p>A administração passou 2026 tentando capturar benefícios da escala conquistada no ano passado, quando a Boa Safra adotou estratégia agressiva para ganhar participação em um mercado no qual alguns concorrentes estavam retraindo operações. A expansão comercial elevou despesas e exigiu capital de giro, pressionando o caixa.</p>
<p>Agora, a tese depende de converter essa estrutura maior em margens mais altas.</p>
<p>Entre as iniciativas estão otimização do portfólio genético, redução de sobras de sementes e maior eficiência operacional. Sobras são particularmente importantes no setor porque sementes não comercializadas dentro do ciclo adequado podem gerar perdas de margem e necessidade de provisões.</p>
<h2>Caixa surpreende mais que lucro do trimestre</h2>
<p>O ponto que talvez tenha produzido a maior mudança de percepção foi o caixa.</p>
<p>Segundo os cálculos da XP, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 79 milhões. Ainda houve consumo de recursos, mas a corretora esperava uma queima de aproximadamente R$ 200 milhões.</p>
<p>A diferença favorável foi de <strong>R$ 121 milhões</strong>.</p>
<p>A XP também afirmou que a qualidade do crédito permaneceu sob controle, sem deterioração inesperada da inadimplência. Para os analistas, essa combinação pode contribuir para a redução da alavancagem nos próximos períodos.</p>
<p>O fluxo de caixa operacional apresentou uma mudança ainda mais expressiva. O indicador ficou positivo em aproximadamente R$ 304 milhões, ante consumo de R$ 213 milhões no mesmo trimestre do ano passado.</p>
<p>A virada entre os dois períodos é de cerca de <strong>R$ 517 milhões</strong>.</p>
<p>Boa parte dessa diferença veio do capital de giro. A companhia registrou liberação próxima de R$ 315 milhões, em contraste com a forte absorção observada anteriormente.</p>
<p>Um dos itens que mais mudaram foram os adiantamentos a fornecedores. Essa linha havia consumido aproximadamente R$ 552 milhões no segundo trimestre de 2025, principalmente por pagamentos antecipados ligados a royalties. No 2T26, o consumo ficou próximo de apenas R$ 10 milhões.</p>
<p>É uma melhora relevante, mas também está no centro das dúvidas do mercado.</p>
<p>O BTG Pactual considera a dinâmica positiva, mas avalia que ainda é necessário entender quanto da diferença reflete uma mudança estrutural do ciclo financeiro e quanto representa simplesmente deslocamento de pagamentos entre trimestres.</p>
<p>Se parte relevante do benefício for apenas <em>timing</em>, alguma necessidade de caixa poderá reaparecer nos próximos períodos.</p>
<h2>Estoques de R$ 622 milhões antecipam trimestre mais importante</h2>
<p>Outro indicador importante para entender a sazonalidade está nos estoques.</p>
<p>A Boa Safra encerrou junho com aproximadamente R$ 622 milhões em estoques de sementes de soja, montante que será gradualmente convertido em entregas e receita à medida que produtores avançarem no plantio da próxima safra.</p>
<p>Isso torna o segundo semestre muito mais importante que o resultado isolado apresentado agora.</p>
<p>O 2T26 funciona, em grande medida, como período de preparação operacional: a companhia produz, beneficia, armazena e vende antecipadamente sementes que serão entregues posteriormente.</p>
<p>É por isso que uma carteira de R$ 1,8 bilhão não pode ser comparada diretamente com a receita de apenas R$ 125 milhões registrada no trimestre.</p>
<p>O backlog representa vendas contratadas que ainda precisam cumprir condições operacionais e ser reconhecidas como receita.</p>
<p>Essa conversão será um dos principais indicadores observados pelo mercado no terceiro e no quarto trimestres.</p>
<h2>2025 deixou um alerta sobre conversão da carteira</h2>
<p>O tamanho da carteira, isoladamente, não elimina os riscos. A própria experiência recente da Boa Safra criou uma referência importante. Em 2025, uma carteira robusta não se converteu integralmente na performance esperada no terceiro trimestre, período em que problemas de execução e qualidade prejudicaram o desempenho.</p>
<p>A companhia entrou em 2026 justamente com o objetivo de corrigir essas deficiências. Por isso, analistas veem o backlog recorde como condição necessária para resultados melhores, mas não suficiente.</p>
<p>É necessário demonstrar capacidade de produzir, entregar e faturar a carteira mantendo margens, reduzindo sobras e evitando nova pressão de capital de giro.</p>
<p>A queda de 12% nos pedidos de soja adiciona uma segunda variável. Se os produtores estiverem apenas adiando compras, parte desse volume ainda pode entrar na carteira. Se houver efetivamente menor demanda ou pressão competitiva, o crescimento das outras atividades terá de compensar um núcleo muito maior do negócio.</p>
<h2>Alavancagem impede BTG de adotar recomendação de compra</h2>
<p>A diferença entre XP e BTG ajuda a mostrar como o balanço pode ser considerado positivo sem eliminar as preocupações estruturais.</p>
<p>A XP mantém recomendação de compra para SOJA3 e preço-alvo de R$ 11,80. O valor representa aproximadamente o dobro da cotação observada nesta segunda-feira.</p>
<p>O BTG Pactual também tem preço-alvo elevado em relação ao preço de mercado, de R$ 12, mas mantém recomendação neutra. A própria Boa Safra lista essas recomendações em sua página oficial de cobertura de analistas.</p>
<p>A cautela do banco está relacionada principalmente à execução e ao endividamento.</p>
<p>A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado permanece elevada, em torno de 4,3 vezes segundo a análise divulgada após o balanço. Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, alavancagem elevada aumenta as despesas financeiras e reduz a margem para erros operacionais.</p>
<p>O lucro líquido baixo mesmo diante da forte recuperação do Ebitda mostra parte desse efeito.</p>
<p>A companhia gerou avanço operacional significativo, mas os custos financeiros absorvem parcela importante dessa melhora antes que ela chegue ao resultado final.</p>
<h2>Alta de quase 20% antecipa parte da melhora</h2>
<p>A valorização desta segunda-feira muda também a relação entre risco e retorno no curtíssimo prazo.</p>
<p>SOJA3 iniciou o pregão a R$ 5,31, atingiu R$ 6,04 e era negociada a R$ 5,89 por volta das 12h16. Mesmo depois do salto, o papel continua muito abaixo da máxima de 52 semanas, superior a R$ 10.</p>
<p>A reação mostra que parte do mercado estava posicionada para um resultado pior, especialmente em caixa e eficiência operacional.</p>
<p>Mas os próximos gatilhos serão menos dependentes do balanço já conhecido.</p>
<p>O primeiro será a teleconferência do 2T26, programada pela companhia para esta segunda-feira às 14h, quando executivos poderão detalhar carteira, capital de giro, demanda por soja e perspectivas para a safra.</p>
<p>Depois, o mercado precisará acompanhar a conversão dos R$ 1,8 bilhão de pedidos em receita e caixa.</p>
<p>A Boa Safra entregou no segundo trimestre três sinais que investidores buscavam: carteira recorde, melhora de eficiência e menor pressão de caixa. O desafio agora é provar que esses sinais são permanentes.</p>
<p>A valorização de SOJA3 mostra que a Bolsa passou a atribuir maior probabilidade a essa recuperação. A queda nos pedidos de soja, a alavancagem e a necessidade de transformar backlog em entregas, porém, significam que o segundo semestre continua sendo o teste decisivo da tese.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Boa Safra Sementes — release de resultados, demonstrações financeiras e informações operacionais do segundo trimestre de 2026.</em></p>
<p><em>Boa Safra Sementes — cobertura oficial de analistas e calendário de eventos corporativos.</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — documentos do resultado do segundo trimestre de 2026 apresentados pela Boa Safra.</em></p>
<p><em>XP Investimentos — análise dos resultados do segundo trimestre de 2026, estimativas de caixa e avaliação da carteira de pedidos.</em></p>
<p><em>BTG Pactual — cobertura de Boa Safra, recomendação e preço-alvo para SOJA3.</em></p>
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		<title>TEMPOCAMPO completa 10 anos levando ciência climática da Esalq ao produtor rural</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/tempocampo-esalq-ciencia-climatica-agricultura</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 19:24:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[El Niño]]></category>
		<category><![CDATA[Esalq]]></category>
		<category><![CDATA[Milho]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
		<category><![CDATA[TEMPOCAMPO]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O TEMPOCAMPO, sistema desenvolvido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), completa dez anos em 2026 com uma mudança de escala e de função: criado para transformar dados meteorológicos em projeções de produtividade agrícola, o projeto passou a combinar modelagem agroclimática, pesquisa científica e comunicação direta com produtores [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O TEMPOCAMPO, sistema desenvolvido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), completa dez anos em 2026 com uma mudança de escala e de função: criado para transformar dados meteorológicos em projeções de produtividade agrícola, o projeto passou a combinar modelagem agroclimática, pesquisa científica e comunicação direta com produtores de soja, milho e cana-de-açúcar.</p>
<p>Coordenado pelo professor Fábio Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq, o sistema começou a oferecer suporte a produtores e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338012">empresas</a> em 2016. Documentos técnicos dos primeiros anos mostram uma infraestrutura baseada em bancos de dados meteorológicos de regiões produtoras brasileiras e modelos calibrados para diferentes ambientes de produção. A proposta era calcular como a variabilidade climática poderia alterar o desempenho das lavouras antes da colheita.</p>
<p>Uma década depois, o projeto soma 10 dissertações de mestrado, nove teses de doutorado e 29 artigos científicos com revisão por pares relacionados às pesquisas desenvolvidas a partir da plataforma. São, portanto, 48 trabalhos acadêmicos entre artigos, dissertações e teses, além da aplicação operacional dos modelos e da produção de conteúdo de extensão rural.</p>
<p>A expansão ocorre em um momento especialmente sensível para a agricultura brasileira. Nesta sexta-feira, 14 de agosto, o Instituto Nacional de Meteorologia informou que novas projeções indicam probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos trimestres. Segundo o INMET, há ainda 69% de probabilidade de o episódio se tornar o mais intenso registrado desde 1950.</p>
<h2>De previsão meteorológica a impacto sobre a produtividade</h2>
<p>O diferencial do TEMPOCAMPO está em não limitar a informação ao prognóstico de chuva ou temperatura. O sistema procura traduzir variáveis meteorológicas em efeito potencial sobre o desenvolvimento das culturas, permitindo que o produtor avalie o impacto climático dentro do planejamento agrícola.</p>
<p>Nos boletins técnicos publicados nos primeiros anos, a plataforma descrevia o processamento diário de dados climáticos de diferentes regiões produtoras e o uso de modelos mecanísticos calibrados para ambientes específicos. A metodologia reuniu variáveis meteorológicas em um indicador denominado Coeficiente de Produtividade Climática, ou CPC.</p>
<p>O indicador foi estruturado para representar a variação de produtividade associada ao clima entre uma safra e outra. Em vez de exigir que o usuário interprete isoladamente chuva, temperatura, radiação, umidade e outros componentes, o modelo procura estimar como o conjunto das condições meteorológicas pode afetar a cultura.</p>
<p>Um boletim de cana-de-açúcar publicado em julho de 2017 mostra como a ferramenta era aplicada. Naquele momento, as simulações apontavam possibilidade de aumento de produtividade em partes de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo e perdas em áreas do Mato Grosso do Sul, Paraná e oeste paulista. Não se tratava simplesmente de prever se choveria, mas de transformar as condições observadas e projetadas em cenários de desempenho agrícola.</p>
<p>A lógica permanece no centro da plataforma em 2026. Segundo Marin, o objetivo é transformar dados complexos em informações que possam ser incorporadas ao cotidiano das propriedades. A aplicação pode alcançar decisões sobre manejo, planejamento da produção, avaliação de risco e preparação para eventos climáticos adversos.</p>
<h2>El Niño aumenta importância da informação climática</h2>
<p>O aniversário de dez anos coincide com uma mudança relevante no Pacífico Equatorial. O El Niño voltou a se estabelecer em junho e avançou rapidamente. A atualização divulgada pelo INMET nesta sexta-feira aponta probabilidade de pelo menos 90% de um episódio muito forte nos trimestres setembro-outubro-novembro, outubro-novembro-dezembro e novembro-dezembro-janeiro.</p>
<p>O instituto informa que os primeiros efeitos já apareceram no Sul do Brasil, onde as chuvas de julho ficaram entre 30% e 90% acima da média, dependendo da localidade. A expectativa é de permanência do fenômeno pelo menos até março de 2027, com tendência de continuidade de volumes elevados de chuva no Sul e maior irregularidade, com totais abaixo da média, nas regiões Norte e Nordeste a partir de outubro.</p>
<p>Esse tipo de assimetria regional ajuda a explicar por que uma previsão nacional é insuficiente para a tomada de decisão agrícola. O mesmo fenômeno oceânico pode elevar o risco de excesso hídrico em determinada região e aumentar a possibilidade de deficiência de água em outra. O impacto também varia conforme cultura, estágio fenológico, tipo de solo, época de plantio e capacidade de manejo.</p>
<p>O TEMPOCAMPO vem incorporando justamente essa discussão às atividades de extensão. O boletim de agosto, produzido conjuntamente pela TV USP Piracicaba e pelo sistema da Esalq, apresenta previsões para agosto, setembro e outubro, além de um balanço das condições meteorológicas observadas em julho.</p>
<p>A plataforma também passou a tratar do El Niño em conteúdos específicos. Em maio, Marin participou de uma produção da Esalq dedicada aos possíveis impactos do fenômeno sobre o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338013">agronegócio</a> brasileiro. A estratégia aproxima o projeto de uma função que vai além da construção de modelos: explicar ao produtor o grau de incerteza das projeções e os caminhos de adaptação possíveis.</p>
<h2>Safra recorde aumenta valor econômico da previsão</h2>
<p>O contexto produtivo amplia a relevância desse tipo de tecnologia. A Companhia Nacional de Abastecimento estima que o Brasil colherá 360,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, volume 2,4% superior ao ciclo anterior e equivalente a um acréscimo de 8,5 milhões de toneladas. A área cultivada alcança 83,5 milhões de hectares.</p>
<p>A soja, uma das culturas cobertas pelo TEMPOCAMPO, deve atingir 180,5 milhões de toneladas. Para o milho, também atendido pelo sistema, a projeção é de 143 milhões de toneladas considerando as diferentes safras do cereal. A dimensão desses números significa que pequenas diferenças de produtividade provocadas pelo clima podem se transformar em milhões de toneladas de variação na oferta.</p>
<p>A própria Conab identificou nesta temporada impactos negativos das condições climáticas sobre lavouras em partes do Nordeste. Esse quadro evidencia uma característica central do risco agropecuário: a produção nacional pode atingir recordes enquanto determinadas regiões ou culturas enfrentam perdas localizadas.</p>
<p>Para o produtor, antecipar esse risco pode influenciar decisões de plantio, contratação de insumos, irrigação, manejo, comercialização e proteção financeira. Para cooperativas, tradings, indústrias e instituições financeiras, projeções de produtividade também podem alterar avaliações sobre oferta, logística, necessidade de crédito e exposição regional.</p>
<p>Os modelos não eliminam a incerteza. Previsões climáticas e agrícolas trabalham com probabilidades e cenários, e mudanças nas condições meteorológicas durante o ciclo podem alterar o resultado inicialmente projetado. O valor da ferramenta está justamente em substituir uma decisão baseada apenas na percepção por outra apoiada em dados e hipóteses mensuráveis.</p>
<h2>Projeto amplia presença fora do ambiente acadêmico</h2>
<p>Se os primeiros anos do TEMPOCAMPO foram marcados por boletins técnicos e desenvolvimento dos modelos, a segunda metade da década trouxe maior ênfase à comunicação. A Esalq informa que os vídeos relacionados ao sistema acumulam mais de 130 mil visualizações quando considerados os conteúdos publicados no canal de Marin e na TV USP Piracicaba.</p>
<p>Desde maio, o projeto também passou a integrar mensalmente o programa AGROCULTURA, da TV Cultura, em quadro produzido pela TV USP Piracicaba. A participação apresenta perspectivas para o mês seguinte e cenários climáticos destinados a orientar decisões no campo. O projeto mantém ainda o TEMPOCAMPO Responde, voltado ao contato com produtores.</p>
<p>A evolução revela uma mudança na própria forma de transferência de tecnologia. Em 2017, os documentos do sistema eram predominantemente boletins técnicos com mapas, tabelas e cenários de produtividade. Em 2026, a mesma base científica passa a circular também em vídeos, televisão e redes digitais, numa tentativa de reduzir a distância entre o conhecimento produzido na universidade e quem decide diariamente na propriedade rural.</p>
<p>A produção acadêmica associada ao projeto reforça essa dupla função. As 10 dissertações, nove teses e 29 artigos representam a vertente de pesquisa, enquanto os boletins e canais de comunicação cumprem a função de extensão — uma combinação particularmente relevante em agrometeorologia, área em que o dado científico somente produz efeito econômico quando chega a tempo de influenciar uma decisão.</p>
<h2>Dez anos mostram mudança na gestão do risco agrícola</h2>
<p>A trajetória do TEMPOCAMPO coincide com a incorporação crescente do risco climático à gestão das propriedades. Solo, genética, fertilização e manejo continuam determinantes da produtividade, mas eventos de seca, excesso de chuva, calor e irregularidade das precipitações podem alterar significativamente o resultado de uma safra mesmo quando os demais fatores estão controlados.</p>
<p>Marin avalia que o clima historicamente recebeu atenção menor do que outros componentes do sistema produtivo. A proposta do projeto é justamente tornar essa variável mais operacional, de modo que a informação meteorológica deixe de ser apenas um dado externo e passe a integrar o processo de planejamento.</p>
<p>A intensificação do El Niño em 2026 dá dimensão prática a esse desafio. O episódio pode produzir consequências diferentes entre regiões brasileiras e continuará sendo monitorado ao longo dos próximos meses. Para uma agricultura que deve colher mais de 360 milhões de toneladas de grãos nesta temporada, entender onde e como o clima pode modificar a produtividade passa a ter impacto não apenas agronômico, mas também financeiro e logístico.</p>
<p>Depois de uma década, o TEMPOCAMPO chega a esse cenário com uma estrutura que combina simulação, acompanhamento agrometeorológico, pesquisa e comunicação. O teste para os próximos anos será ampliar a capacidade de converter previsões cada vez mais complexas em decisões específicas, regionalizadas e tomadas antes que o risco climático se transforme em perda efetiva no campo.<code></code></p>
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		<title>Adecoagro (AGRO) registra Ebitda ajustado recorde de US$ 172,5 milhões no 2T26</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/adecoagro-agro-registra-ebitda-ajustado-recorde-de-us-1725-milhoes-no-segundo-trimestre</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 22:52:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Adecoagro S.A. (AGRO) reportou Ebitda ajustado recorde de US$ 172,5 milhões no segundo trimestre de 2026 e de US$ 258,3 milhões no acumulado de seis meses, com desempenho impulsionado pela operação de fertilizantes, maior produção de ureia e maior disponibilidade de cana. O resultado foi divulgado pela companhia em 11 de agosto de 2026, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Adecoagro S.A. (AGRO) reportou Ebitda ajustado recorde de US$ 172,5 milhões no segundo trimestre de 2026 e de US$ 258,3 milhões no acumulado de seis meses, com desempenho impulsionado pela operação de fertilizantes, maior produção de ureia e maior disponibilidade de cana. O resultado foi divulgado pela companhia em 11 de agosto de 2026, após o fechamento do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337952">mercado</a> em Nova York, como o maior da série trimestral e marca a consolidação da aquisição da Profertil concluída em dezembro de 2025.</p>
<p>Segundo o documento de resultados divulgado pela companhia, as vendas brutas ficaram praticamente em linha com o ano anterior nos dois períodos, enquanto a geração de caixa operacional avançou de forma relevante. O lucro operacional foi sustentado pela combinação de preços internacionais de ureia mais elevados, diluição de custos fixos na indústria e estratégia de maximização de etanol no cluster de Mato Grosso do Sul.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Fertilizantes sustentam recorde com ureia a US$ 699 por tonelada</h2>
<p>O segmento de Fertilizantes respondeu pela maior parcela do resultado. Conforme o release de resultados, o Ebitda ajustado da divisão alcançou US$ 121,2 milhões no segundo trimestre e US$ 173,8 milhões no primeiro semestre, com altas de 109,7% e de 148,5% em base pro forma, respectivamente. O avanço foi sustentado por produção de ureia 21,6% maior na comparação anual e preço médio realizado de US$ 699 por tonelada no trimestre.</p>
<p>O desempenho reflete a mudança de escala após a aquisição da Profertil. A planta argentina tem capacidade para produzir até 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano e atende parcela relevante da demanda doméstica daquele país. De acordo com o balanço do primeiro trimestre, o preço médio de venda já havia subido de US$ 444 por tonelada no primeiro trimestre de 2025 para US$ 517 por tonelada no primeiro trimestre de 2026, antes de acelerar no segundo trimestre.</p>
<p>A companhia informou ainda que, desde o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro de 2026, os preços internacionais de ureia avançaram cerca de 55%, com o CFR Brasil negociado em torno de US$ 725 por tonelada em média. Como grande parte da base de custos, principalmente gás natural, permanece fixa, a receita incremental flui diretamente para o Ebitda, com expansão de margem. O documento do primeiro trimestre já projetava Ebitda ajustado mais forte que o antecipado em 2026, com desempenho acima de anos anteriores.</p>
<p>No primeiro trimestre, o segmento havia registrado Ebitda ajustado de US$ 52,5 milhões, o que em base pro forma representava aumento de 4,3 vezes em relação ao mesmo período de 2025, assumindo que a aquisição da Profertil tivesse ocorrido em 1º de janeiro de 2025. O balanço do primeiro trimestre indicava também vendas 67,8% maiores em base anual na divisão, com 69,5 mil toneladas adicionais comercializadas e custo de produção menor por maior diluição e compras spot de gás a preços mais competitivos.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Açúcar, etanol e energia mantém moagem em alta com mix alcooleiro</h2>
<p>A operação de Açúcar, Etanol e Energia registrou Ebitda ajustado de US$ 53,2 milhões no segundo trimestre e de US$ 93,8 milhões no semestre, com recuo de 21,8% e de 4,2% na comparação anual, apesar de maior moagem e mix de etanol de 78%. O segmento de Alimentos e Agricultura entregou Ebitda ajustado de US$ 4,9 milhões no trimestre e de US$ 6,2 milhões no semestre.</p>
<p>Segundo dados do release do primeiro trimestre, a companhia já havia estabelecido recorde de moagem para um primeiro trimestre, com 2,2 milhões de toneladas, alta de 49,1% na comparação anual, com produtividade de 105 toneladas por hectare ante 53 toneladas por hectare no mesmo período do ano anterior. O conteúdo de ATR por tonelada recuou 9,0%, mas o rendimento por hectare avançou 79,5%.</p>
<p>A estratégia de maximizar etanol se manteve. No primeiro trimestre, a divisão operou com mix de 4% de açúcar e 96% de etanol, refletindo flexibilidade operacional e prêmio do etanol sobre o açúcar em Mato Grosso do Sul, de 32% para o hidratado e 50% para o anidro naquele período. No segundo trimestre, a companhia processou 3,5 milhões de toneladas de cana, alta de 2,8% na comparação anual, e acumula 5,8 milhões de toneladas no ano, crescimento de 16,8%.</p>
<p>De acordo com o documento de resultados, 41% da produção acumulada de etanol no ano estava armazenada para captura de preços mais elevados no futuro, prática recorrente da companhia que utiliza capacidade de armazenagem para vender como hidratado ou desidratar e converter em anidro conforme demanda doméstica e de exportação. A energia exportada totalizou 120 mil MWh no primeiro trimestre, alta de 113,4%, explicada pelo maior volume de moagem e uso de bagaço estocado.</p>
<p>Os custos de produção também pressionaram o segmento. O custo unitário acumulado no ano subiu para 10,4 centavos de <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337951">dólar</a> por libra-peso no segundo trimestre, avanço de 16%, pressionado principalmente pela valorização do real e pelo diesel mais caro. No primeiro trimestre, o custo já havia sido de 12,9 centavos por libra ante 11,1 centavos no mesmo intervalo de 2025, impactado pela apreciação do real, antecipação de despesas agrícolas normalmente concentradas mais tarde no ano e menor diluição por menor teor de ATR por tonelada de cana.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Alavancagem cai para 3,0 vezes após pico sazonal</h2>
<p>Em base pro forma, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos doze meses melhorou de 3,2 vezes no primeiro trimestre para 3,0 vezes no segundo trimestre, à medida que o Ebitda mais elevado sustentou o processo de desalavancagem. A posição de dívida líquida havia alcançado US$ 1,627 bilhão em 31 de março de 2026, com alta de 45,3% na comparação trimestral.</p>
<p>Conforme o balanço do primeiro trimestre, o aumento refletiu o pagamento de cerca de US$ 400 milhões referente ao saldo da aquisição da Profertil, além da sazonalidade típica de capital de giro associada a plantio e colheita no segmento de Alimentos e Agricultura no primeiro semestre. A estrutura de endividamento era composta por US$ 341,3 milhões em dívida de curto prazo e US$ 1,515 bilhão em dívida de longo prazo, totalizando dívida bruta de US$ 1,857 bilhão, com caixa e equivalentes de US$ 172,3 milhões e investimentos de curto prazo de US$ 57,0 milhões.</p>
<p>O capex de manutenção somou US$ 51,4 milhões no primeiro trimestre, recuo de 5,5% na comparação anual e de 18,6% em base pro forma, relacionado principalmente à renovação de máquinas agrícolas e industriais nas operações de açúcar, etanol e energia e ao plantio de renovação de 5.862 hectares de cana. O capex de expansão totalizou US$ 433,5 milhões no trimestre, dos quais US$ 396,3 milhões se referiam ao pagamento remanescente pela aquisição de 90% de participação na Profertil.</p>
<p>A companhia reafirmou a intenção de continuar reduzindo o índice de alavancagem por meio de maior geração de Ebitda ajustado, principalmente nas operações de fertilizantes, com liberação sazonal de capital de giro ao longo do segundo semestre.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Mudança de segmentos e integração da Profertil alteram perfil</h2>
<p>Desde 1º de janeiro de 2026, a Adecoagro opera com três segmentos reportáveis: Açúcar, Etanol e Energia, Fertilizantes, que captura os resultados da Profertil, e Alimentos e Agricultura, que consolida as atividades agrícolas e de alimentos anteriormente geridas por verticais separadas, incluindo Grãos, Arroz e Laticínios. A redefinição foi comunicada no release de resultados do ano de 2025 e detalhada no relatório anual.</p>
<p>A aquisição da Profertil foi concluída em 15 de dezembro de 2025, com a compra da participação de 50% detida pela YPF, tornando-se acionista controladora com 90% do capital, enquanto a Asociación de Cooperativas Argentinas mantém 10%. O valor pago pela participação foi de aproximadamente US$ 1,1 bilhão, financiado com caixa existente, linha de crédito de longo prazo e recursos de emissão de ações de US$ 300 milhões, com 41.379.311 ações a US$ 7,25 por ação, ancorada por compromisso de US$ 220 milhões do acionista controlador Tether Investments e US$ 26 milhões de administração e familiares.</p>
<p>Segundo o formulário anual, o Ebitda ajustado pro forma de 2025 teria sido de US$ 467,2 milhões, ante US$ 276,7 milhões reportados em base histórica, refletindo a incorporação integral da Profertil. A companhia projeta vendas superiores a US$ 2 bilhões e quase duplicação do Ebitda ajustado após a integração, com 91 dias de parada programada registrados em 2025 e expectativa de recuperação de produtividade em 2026.</p>
<p>A Adecoagro possui mais de 210 mil hectares próprios e administra mais de 600 mil hectares, além de ativos industriais ligados às diferentes etapas da produção, com sede em Luxemburgo e listagem na Bolsa de Nova York. As operações estão distribuídas em regiões produtivas da Argentina, Brasil e Uruguai, com produção de açúcar, etanol, energia renovável, grãos, arroz, leite e fertilizantes.</p>
<h2 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl">Preços, hedge e expansão em Mato Grosso do Sul</h2>
<p>No lado comercial, a companhia informou que 65% da produção de açúcar estava protegida por hedge a preço médio de 15,7 centavos de dólar por libra-peso na data do release do primeiro trimestre, com ritmo de moagem em linha para atingir a meta anual e perspectiva de crescimento de dois dígitos baixo no volume de moagem em 2026 versus 2025, assumindo clima normal.</p>
<p>A expansão do cluster de Mato Grosso do Sul avançou com o acordo para aquisição da usina Caarapó e acordos de fornecimento de cana do Grupo Raízen por valor estimado de R$ 760 milhões, cerca de US$ 148 milhões, pagáveis em dinheiro no fechamento, sujeito a ajustes. A usina, localizada a cerca de 100 km das unidades Angélica e Ivinhema, processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 e pode produzir açúcar, etanol hidratado e anidro e energia renovável. A conclusão está sujeita à aprovação do CADE e outras condições, com fechamento esperado antes de 1º de outubro de 2026.</p>
<p>Em termos de alocação de capital, a assembleia geral anual realizada em 15 de abril de 2026 aprovou distribuição total de dividendo em dinheiro de US$ 35 milhões. A primeira parcela de US$ 17,5 milhões, cerca de US$ 0,1213 por ação, foi paga em 19 de maio de 2026 a acionistas registrados em 4 de maio. A segunda parcela, em igual valor, está prevista para novembro de 2026.</p>
<p>A teleconferência de resultados do segundo trimestre foi agendada para 12 de agosto de 2026, com divulgação do release em 11 de agosto após o fechamento do mercado, conforme cronograma oficial de eventos da companhia.</p>
<hr class="my-6 border-border">
<p class="mt-6 mb-2 font-semibold text-2xl"><strong>Fontes:</strong></p>
<ul class="list-inside list-disc whitespace-normal [&amp;&gt;li]:ps-6">
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Earnings Release 1Q26 &#8211; Adjusted EBITDA reached $85.8 million in 1Q26 — 11 de maio de 2026 — https://ir.adecoagro.com/wp-content/uploads/2026/05/ER-03.31.2026.pdf</li>
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Result Center &#8211; Relação de filings incluindo Form 20-F e 6K de conclusão da aquisição da Profertil — 2026 — https://ir.adecoagro.com/result-center/</li>
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Press Release Record Adjusted EBITDA at $172.5 million in 2Q26 and $258.3 million in 6M26 — 11 de agosto de 2026 — https://ir.adecoagro.com/</li>
<li class="py-1 [&amp;&gt;p]:inline">Adecoagro S.A. — Form 20-F for fiscal year ended December 31, 2025 — 29 de abril de 2026 — https://ir.adecoagro.com/sec-filings/</li>
</ul>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>STF valida Moratória da Soja, mantém restrições fiscais e afasta indenizações contra tradings</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/stf-moratoria-soja-tradings-indenizacoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 02:46:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Cade]]></category>
		<category><![CDATA[Mato Grosso]]></category>
		<category><![CDATA[Moratória da Soja]]></category>
		<category><![CDATA[Rondônia]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[tradings]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu nesta quarta-feira (12) a validade constitucional da Moratória da Soja, acordo privado pelo qual empresas do setor se comprometeram a não comprar grãos produzidos em determinadas áreas desmatadas da Amazônia, e decidiu encerrar ações e procedimentos que buscavam responsabilizar as tradings pela participação no pacto. Ao mesmo tempo, a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>Supremo Tribunal Federal (STF)</strong> reconheceu nesta quarta-feira (12) a validade constitucional da <strong>Moratória da Soja</strong>, acordo privado pelo qual empresas do setor se comprometeram a não comprar grãos produzidos em determinadas áreas desmatadas da Amazônia, e decidiu encerrar ações e procedimentos que buscavam responsabilizar as tradings pela participação no pacto.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a Corte considerou constitucionais as legislações estaduais que retiram incentivos fiscais de companhias participantes de acordos privados que imponham restrições comerciais além das previstas pela legislação ambiental brasileira. O resultado preserva, portanto, tanto a possibilidade de existência da Moratória da Soja quanto a prerrogativa dos Estados de estabelecer condições para a concessão de seus benefícios tributários.</p>
<p>A decisão resolve duas controvérsias que passaram a caminhar paralelamente nos últimos anos. De um lado, produtores rurais e autoridades estaduais questionavam o fato de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337883">empresas</a> recusarem soja originada de áreas cujo desmatamento poderia ser permitido pela legislação brasileira. De outro, tradings e entidades ambientalistas defendiam a liberdade das empresas para estabelecer critérios próprios de compra e compromissos ambientais mais rigorosos.</p>
<p>O julgamento também afasta, dentro do alcance definido pelo Supremo, pretensões indenizatórias apresentadas contra as empresas participantes do acordo. Durante a discussão, o ministro Flávio Dino chamou a atenção para ações cujos valores reivindicados chegavam à casa de dezenas de bilhões de reais e para o impacto econômico que uma multiplicação dessas demandas poderia produzir sobre o setor.</p>
<h2>Moratória da Soja é considerada compatível com a Constituição</h2>
<p>A posição que prevaleceu no STF foi a de que a participação voluntária de empresas em um compromisso ambiental privado não é, por si só, incompatível com a Constituição.</p>
<p>A Moratória da Soja nasceu em 2006 e passou a estabelecer restrições à aquisição de soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. O critério é mais rigoroso do que a obrigação ambiental mínima estabelecida pela legislação brasileira em determinadas propriedades, já que o Código Florestal admite supressão autorizada de parte da vegetação nativa desde que sejam respeitados os percentuais de Reserva Legal e demais exigências ambientais.</p>
<p>Esse descompasso esteve no centro da controvérsia. Produtores passaram a argumentar que poderiam cumprir integralmente a legislação ambiental e, ainda assim, ficar impedidos de vender soja para empresas participantes da moratória caso houvesse abertura legal de determinada área depois da data de corte do pacto.</p>
<p>Para a maioria formada no Supremo, entretanto, a existência de uma exigência comercial mais rigorosa não torna automaticamente ilícito o acordo. A decisão reconhece espaço para compromissos empresariais voluntários relacionados a políticas ambientais, desde que respeitados os demais limites constitucionais e legais.</p>
<p>O julgamento não transforma a Moratória da Soja em obrigação legal para produtores ou compradores. O pacto continua tendo natureza privada, baseado na adesão das empresas.</p>
<h2>Leis de Mato Grosso e Rondônia também são preservadas</h2>
<p>A validação da moratória não significou a derrubada das leis aprovadas por Estados produtores em reação ao acordo.</p>
<p>Em Mato Grosso, a <strong>Lei nº 12.709, de 24 de outubro de 2024</strong>, estabeleceu restrições à concessão de benefícios fiscais e de terrenos públicos para empresas que participem de acordos ou compromissos capazes de impor limitações à expansão da atividade agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental específica.</p>
<p>A norma não proíbe diretamente uma empresa de participar da Moratória da Soja. O mecanismo adotado pelo Estado é econômico: companhias podem manter políticas privadas de compra mais restritivas, mas podem deixar de preencher as condições estabelecidas pelo governo estadual para obtenção de determinados incentivos.</p>
<p>Rondônia adotou regra de natureza semelhante por meio da <strong>Lei nº 5.837/2024</strong>, também relacionada à concessão de benefícios fiscais para empresas que participam de compromissos privados com restrições adicionais à atividade agropecuária.</p>
<p>As normas foram levadas ao STF porque seus críticos argumentavam que os Estados estariam utilizando a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337882">política</a> tributária para interferir indevidamente em decisões empresariais e compromissos ambientais privados.</p>
<p>O Supremo, entretanto, manteve a validade das legislações estaduais, reconhecendo a possibilidade de os Estados definirem critérios para seus próprios incentivos.</p>
<h2>Regras tributárias precisam respeitar anterioridade</h2>
<p>Embora tenha reconhecido a constitucionalidade das leis, o STF estabeleceu que sua aplicação precisa observar as garantias constitucionais relacionadas à cobrança tributária.</p>
<p>Entre elas estão as regras de anterioridade, destinadas a impedir que determinadas mudanças tributárias produzam efeitos imediatos sobre os contribuintes sem o período mínimo previsto pela Constituição.</p>
<p>O ponto é relevante porque a retirada de benefícios fiscais pode representar aumento indireto da carga tributária suportada pelas empresas atingidas.</p>
<p>A controvérsia sobre Mato Grosso teve impacto direto sobre o comportamento das companhias ainda antes do julgamento definitivo. A legislação estadual levou grandes tradings a reconsiderar a permanência na Moratória da Soja diante da possibilidade de perda de vantagens tributárias no maior Estado produtor do grão no País.</p>
<p>Na virada para 2026, empresas relevantes do comércio internacional de commodities anunciaram ou prepararam sua saída do pacto para preservar as condições fiscais de suas operações em Mato Grosso.</p>
<p>O julgamento desta quarta-feira não elimina essa escolha econômica. Uma trading poderá adotar critérios ambientais próprios, mas deverá considerar as consequências tributárias previstas pelas legislações estaduais consideradas constitucionais pelo Supremo.</p>
<h2>Disputa chegou também ao Cade</h2>
<p>A Moratória da Soja não estava sendo discutida apenas no Judiciário.</p>
<p>Em agosto de 2025, a Superintendência-Geral do <strong>Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)</strong> instaurou o Processo Administrativo nº 08700.005853/2024-38 contra associações e empresas integrantes do Grupo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337885">Trabalho</a> da Soja.</p>
<p>A investigação foi aberta para apurar possível prática anticompetitiva no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337884">mercado</a> de compra e exportação do grão. Entre as entidades envolvidas estavam a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), além de dezenas de companhias.</p>
<p>Na ocasião, a Superintendência-Geral sustentou que o compartilhamento de determinadas informações entre concorrentes e a coordenação necessária para operacionalizar a moratória poderiam produzir efeitos sobre a competição.</p>
<p>Foi então determinada uma medida preventiva que alcançava, entre outros pontos, a coleta e o compartilhamento de informações comerciais, auditorias e documentos utilizados na execução do acordo.</p>
<p>Em setembro de 2025, o Tribunal do Cade manteve a medida preventiva, mas adiou seus efeitos para 1º de janeiro de 2026.</p>
<h2>STF afasta tese de ilegalidade automática do pacto</h2>
<p>A decisão do Supremo altera de maneira importante o cenário jurídico criado em torno dessas disputas.</p>
<p>Ao reconhecer a validade constitucional da Moratória da Soja, o Tribunal afastou a premissa de que a simples participação das tradings no acordo ambiental seria suficiente para caracterizar uma conduta ilegal capaz de sustentar indenizações.</p>
<p>A Corte também determinou o encerramento de processos judiciais e administrativos abrangidos pela controvérsia julgada, evitando a continuidade de uma multiplicidade de ações baseadas na tese de invalidade do próprio pacto.</p>
<p>Isso não significa, contudo, que qualquer comportamento comercial associado a compromissos ambientais esteja automaticamente imune à legislação concorrencial.</p>
<p>O ponto central definido pelo STF é a legalidade constitucional da existência de um compromisso privado dessa natureza. Eventuais condutas específicas que ultrapassem os limites legais continuam sujeitas aos mecanismos ordinários de controle previstos no ordenamento jurídico.</p>
<p>Essa distinção é particularmente relevante no caso do Cade, cuja atuação se concentra na defesa da concorrência e na investigação de práticas específicas de mercado.</p>
<h2>Produtores questionavam restrições além do Código Florestal</h2>
<p>O conflito entre produtores e tradings ganhou força porque a Moratória da Soja criou um padrão comercial diferente do mínimo estabelecido pela legislação ambiental.</p>
<p>No bioma Amazônia, propriedades rurais estão submetidas a regras de Reserva Legal que, em determinadas situações, exigem a preservação de até 80% da vegetação nativa.</p>
<p>Uma área que tenha autorização válida para supressão dentro da parcela legalmente utilizável da propriedade pode, portanto, estar regular perante a legislação brasileira.</p>
<p>Pelo critério estabelecido pela moratória, contudo, a soja cultivada em área desmatada depois de julho de 2008 poderia não ser adquirida pelas empresas participantes mesmo quando a abertura tivesse ocorrido com autorização.</p>
<p>Essa diferença alimentou a reação de entidades ligadas aos produtores, que passaram a sustentar que empresas privadas estariam criando uma espécie de norma ambiental paralela por meio de seu poder de compra.</p>
<p>As companhias e entidades favoráveis à moratória, por sua vez, defenderam que compradores privados possuem liberdade para estabelecer critérios de fornecimento, inclusive em resposta a exigências ambientais de clientes e mercados internacionais.</p>
<h2>Decisão cria resultado de duas vias para o setor</h2>
<p>O desfecho do julgamento não produz uma vitória integral de apenas um dos lados da disputa.</p>
<p>Para as tradings e entidades que defendiam a validade da Moratória da Soja, o principal resultado é o reconhecimento de que um compromisso empresarial ambiental mais rigoroso do que a legislação mínima não é automaticamente inconstitucional.</p>
<p>Para os Estados e representantes do setor produtivo, permanece válida a possibilidade de condicionar benefícios fiscais e incentivos públicos ao cumprimento de requisitos definidos pelas legislações estaduais.</p>
<p>Na prática, empresas passam a lidar com duas escolhas juridicamente admitidas.</p>
<p>Elas podem estabelecer políticas privadas de compra e compromissos ambientais mais restritivos. Os Estados, por outro lado, também podem decidir que determinados incentivos públicos não serão concedidos às empresas que adotarem algumas dessas políticas, desde que respeitados os limites constitucionais e tributários.</p>
<p>Essa combinação explica por que a validação da Moratória da Soja pelo STF não significa necessariamente sua retomada imediata nas mesmas condições existentes anteriormente.</p>
<p>A pressão econômica que levou tradings a abandonar ou rever sua participação permanece, já que as leis estaduais também sobreviveram ao julgamento.</p>
<h2>Julgamento reduz risco de indenizações bilionárias</h2>
<p>Um dos efeitos financeiros mais relevantes da decisão está no contencioso envolvendo pedidos de reparação contra as empresas.</p>
<p>Produtores haviam levado ao Judiciário alegações de que as restrições impostas pela moratória provocaram prejuízos comerciais e que as companhias participantes deveriam responder por essas perdas.</p>
<p>No julgamento, Flávio Dino destacou que havia pretensões que chegavam à faixa de R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões e até R$ 20 bilhões.</p>
<p>A maioria afastou a possibilidade de utilizar a simples participação na Moratória da Soja, considerada constitucional, como fundamento suficiente para esse tipo de responsabilização.</p>
<p>O resultado reduz uma fonte expressiva de insegurança jurídica para as tradings e associações que participaram do acordo, ao mesmo tempo em que preserva a competência dos Estados para definir as condições de utilização de recursos públicos e benefícios tributários.</p>
<p>O novo cenário para o setor será determinado agora pela forma como empresas, produtores e governos estaduais adaptarão suas estratégias à decisão. A Moratória da Soja continua juridicamente possível, mas as consequências fiscais impostas pelas legislações estaduais permanecem válidas — uma combinação que deverá orientar as próximas decisões comerciais das grandes compradoras de soja no País.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes</strong>:</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — STF reconhece validade da Moratória da Soja e determina fim de ações sobre o acordo</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — ações sobre restrições a benefícios fiscais e Moratória da Soja</p>
<p>Assembleia Legislativa de Mato Grosso — Lei nº 12.709/2024</p>
<p>Conselho Administrativo de Defesa Econômica — processo administrativo sobre a Moratória da Soja</p>
<p>Conselho Administrativo de Defesa Econômica — Tribunal mantém medida preventiva com efeitos a partir de 2026</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cota de carne bovina para China chega a 90% e acende alerta para exportações do Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/cota-carne-bovina-china-brasil-90-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 20:13:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[carne bovina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil já utilizou 90% da cota anual de carne bovina destinada ao mercado chinês em 2026, aproximando o setor frigorífico de um limite comercial que pode alterar significativamente o ritmo dos embarques nos próximos meses. O percentual foi alcançado em 10 de agosto, segundo atualização do Ministério do Comércio da China (Mofcom). A cota [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil já utilizou <strong>90% da cota anual de carne bovina destinada ao mercado chinês em 2026</strong>, aproximando o setor frigorífico de um limite comercial que pode alterar significativamente o ritmo dos embarques nos próximos meses. O percentual foi alcançado em 10 de agosto, segundo atualização do Ministério do Comércio da China (Mofcom).</p>
<p>A cota brasileira para este ano foi fixada em <strong>1,106 milhão de toneladas</strong>. Considerando o patamar de 90% informado pelas autoridades chinesas, o volume contabilizado já corresponde a aproximadamente <strong>995 mil toneladas</strong>, deixando uma margem equivalente a pouco mais de 110 mil toneladas até o teto estabelecido para 2026.</p>
<p>A aproximação do limite ganhou importância porque as regras de salvaguarda adotadas pela China estabelecem uma <strong>sobretaxa adicional de 55% para a carne que ultrapassar a quantidade anual determinada para cada país</strong>. No caso brasileiro, dentro da cota continua valendo a tarifa de importação de 12%. Acima do limite, a incidência tarifária passa, portanto, a 67%.</p>
<p>O mecanismo não representa uma proibição às importações brasileiras. Na prática, porém, a elevação da tarifa pode reduzir de maneira significativa a viabilidade econômica das operações que excederem a cota, obrigando frigoríficos, tradings e compradores chineses a recalcular contratos, embarques e margens.</p>
<h2>Cota de carne bovina para China avança rapidamente</h2>
<p>A velocidade de utilização da cota é um dos principais sinais de atenção para o setor brasileiro. Em <strong>21 de julho</strong>, o Mofcom havia informado que o país chegara a 80% do limite anual. Menos de três semanas depois, em 10 de agosto, o percentual já alcançava 90%.</p>
<p>Isso significa que cerca de 10% de toda a quantidade autorizada dentro da cota foi consumida em aproximadamente 20 dias, embora esse ritmo não possa ser automaticamente projetado para as semanas seguintes, uma vez que <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337834">empresas</a> exportadoras podem ajustar os embarques diante da aproximação do teto.</p>
<p>A própria estrutura da salvaguarda cria um incentivo para essa redução. Quando as importações provenientes do Brasil atingirem 100% da quantidade estabelecida para o ano, começa uma contagem prevista nas regras chinesas.</p>
<p>A partir do <strong>terceiro dia após o atingimento do volume integral da cota, incluindo esse terceiro dia</strong>, as importações passam a ficar sujeitas à cobrança adicional de 55% sobre a tarifa vigente.</p>
<p>O controle do calendário torna-se particularmente relevante porque existe um intervalo entre o embarque da carne no Brasil e seu efetivo ingresso no território chinês. Um carregamento despachado quando ainda houver saldo disponível pode chegar ao destino em um cenário tarifário diferente.</p>
<h2>Limite de 2026 é bem inferior ao volume vendido em 2025</h2>
<p>O tamanho da cota também ajuda a explicar a pressão sobre as exportações brasileiras. Em 2025, as importações chinesas de carne bovina procedentes do Brasil chegaram a aproximadamente <strong>1,7 milhão de toneladas</strong>, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).</p>
<p>O volume estabelecido para 2026, de 1,106 milhão de toneladas, é cerca de <strong>35% inferior</strong> ao total comercializado no ano anterior.</p>
<p>A diferença representa aproximadamente 594 mil toneladas quando o teto deste ano é comparado diretamente com o volume comprado pela China em 2025. Isso não significa necessariamente que toda essa quantidade deixará de ser exportada, pois as vendas podem continuar acima da cota mediante pagamento da tarifa adicional.</p>
<p>O desafio está na viabilidade econômica dessas operações. A Abiec e a CNA afirmaram, quando as medidas foram anunciadas, que a sobretaxa altera as condições de acesso ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337835">mercado</a> chinês e exige reorganização dos fluxos de produção e exportação.</p>
<p>A China tem peso especialmente elevado nesse mercado. Em 2025, o país respondeu por <strong>48,3% do volume total de carne bovina exportado pelo Brasil</strong>, segundo as entidades do setor. A concentração torna qualquer alteração nas condições comerciais chinesas relevante não apenas para os frigoríficos exportadores, mas também para pecuaristas e demais participantes da cadeia produtiva.</p>
<h2>Como funciona a salvaguarda adotada pela China</h2>
<p>A cota faz parte de uma medida de salvaguarda comercial anunciada pelo governo chinês no fim de 2025 e colocada em vigor em <strong>1º de janeiro de 2026</strong>.</p>
<p>A investigação foi iniciada pelas autoridades chinesas em dezembro de 2024. Ao concluir o processo, o Ministério do Comércio da China sustentou que o aumento das importações de carne bovina havia provocado prejuízo grave à indústria doméstica do país.</p>
<p>Pequim decidiu então estabelecer um sistema de <strong>cotas específicas por país combinado com cobrança adicional de tarifa para quantidades que excederem os limites anuais</strong>.</p>
<p>As medidas foram definidas inicialmente para um período de três anos, abrangendo <strong>2026, 2027 e 2028</strong>, com previsão de flexibilização gradual das cotas ao longo de sua vigência.</p>
<p>O Brasil recebeu a maior quantidade individual no primeiro ano da salvaguarda: 1,106 milhão de toneladas. Enquanto as importações permanecerem dentro desse volume, a carne brasileira continua submetida à tarifa de importação atualmente aplicável, de 12%.</p>
<p>Depois do esgotamento, a sobretaxa de 55% passa a ser acrescentada à tarifa vigente, elevando a carga tarifária de importação a 67%.</p>
<p>Outro ponto determinado pelas regras chinesas é que eventuais volumes não utilizados em determinado ano <strong>não podem ser transferidos para o período seguinte</strong>.</p>
<h2>Frigoríficos precisam administrar os últimos 10% da cota</h2>
<p>A chegada aos 90% transforma a administração do saldo restante em uma questão estratégica para os exportadores.</p>
<p>Com aproximadamente nove décimos da cota já utilizados, empresas precisam considerar não apenas pedidos recebidos e capacidade de produção, mas também o período necessário para transporte marítimo, desembaraço e entrada efetiva dos produtos no mercado chinês.</p>
<p>A indústria pode, diante desse cenário, reduzir embarques, alterar escalas de produção ou procurar distribuir parte da oferta para outros destinos internacionais. Ajustes dessa natureza são especialmente importantes para companhias com elevada exposição às vendas para a China.</p>
<p>A mudança também pode atingir decisões dentro das unidades frigoríficas. Dependendo da duração e intensidade da redução dos embarques, empresas podem reorganizar turnos, escalas de abate e programação de compras de animais.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a capacidade do setor de redirecionar mercadorias dependerá da demanda disponível em outros mercados, dos preços oferecidos e das habilitações sanitárias existentes para cada planta exportadora.</p>
<h2>China continua sendo mercado decisivo para carne brasileira</h2>
<p>Apesar da salvaguarda, o mercado chinês permanece estruturalmente relevante para a pecuária brasileira.</p>
<p>A Abiec estima que aproximadamente 30% da carne bovina produzida pelo Brasil seja destinada ao mercado externo, enquanto cerca de 70% permanece no consumo doméstico. Dentro do segmento exportador, entretanto, a participação chinesa é muito superior à dos demais compradores individuais.</p>
<p>Essa concentração foi construída ao longo dos últimos anos, com expansão das plantas brasileiras habilitadas, aumento da demanda chinesa por proteína animal e consolidação do Brasil como um dos principais fornecedores globais.</p>
<p>A salvaguarda muda esse equilíbrio ao criar um teto para que todo o volume continue ingressando no país asiático sob as condições tarifárias anteriores.</p>
<p>Para o setor brasileiro, portanto, o problema não está apenas na quantidade absoluta permitida, mas na diferença entre a cota de 2026 e o padrão de comércio estabelecido anteriormente.</p>
<h2>Medida chinesa vale para diversos fornecedores</h2>
<p>O Ministério da Agricultura e Pecuária esclareceu anteriormente que a salvaguarda <strong>não foi criada exclusivamente contra a carne brasileira</strong>.</p>
<p>O sistema adotado pela China estabeleceu quantidades específicas para diferentes países fornecedores. A cota brasileira é a maior delas justamente em razão da relevância do país no fornecimento de carne bovina ao mercado chinês.</p>
<p>O governo brasileiro também reforçou que a sobretaxa de 55% não incide sobre todos os embarques realizados em 2026. Ela somente passa a valer para volumes importados depois de atingido o teto correspondente ao Brasil e após o prazo estabelecido pelas regras do Mofcom.</p>
<p>Essa distinção é importante porque a tarifa adicional não altera retroativamente as operações realizadas dentro da cota.</p>
<p>Para os próximos meses, contudo, o percentual divulgado em agosto coloca o Brasil muito mais próximo do ponto em que a nova estrutura tarifária pode efetivamente começar a interferir nas vendas.</p>
<h2>Próximo marco será o esgotamento da cota brasileira</h2>
<p>Depois da comunicação de que 90% do volume anual foi utilizado, o próximo evento relevante será a confirmação oficial de que a cota brasileira chegou a <strong>100%</strong>.</p>
<p>Até que isso aconteça, as importações dentro do saldo restante continuam sujeitas às condições tarifárias normais previstas para o Brasil.</p>
<p>O Mofcom vem publicando comunicados periódicos sobre a evolução das quantidades importadas no âmbito da salvaguarda. Em maio, o país já havia atingido 50% da cota. Em 21 de julho, chegou a 80%, e, em 10 de agosto, avançou para 90%.</p>
<p>A trajetória evidencia a rapidez com que a quantidade disponibilizada para o primeiro ano da medida está sendo consumida e amplia a necessidade de acompanhamento dos próximos comunicados oficiais.</p>
<p>Uma vez confirmado o atingimento de 100%, a contagem prevista pelas regras chinesas determinará quando a sobretaxa adicional começará a ser aplicada.</p>
<p>Para frigoríficos e pecuaristas brasileiros, a evolução da <strong>cota de carne bovina para a China</strong> passa, assim, a ser um dos principais fatores comerciais para o restante de 2026, sobretudo pela diferença expressiva entre o limite de 1,106 milhão de toneladas e o volume de aproximadamente 1,7 milhão de toneladas adquirido pelos chineses no ano passado.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<p>Ministério do Comércio da República Popular da China — comunicado de 11 de agosto de 2026, informando que a cota brasileira atingiu 90% em 10 de agosto<br />
Ministério do Comércio da República Popular da China — regras oficiais da salvaguarda sobre importações de carne bovina<br />
Ministério da Agricultura e Pecuária — esclarecimento oficial sobre a cota brasileira<br />
Abiec/CNA — posicionamento sobre as medidas de salvaguarda chinesas</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Crise no agronegócio e El Niño redesenham investimentos: onde estão as oportunidades na Bolsa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/agronegocio-el-nino-investimentos-acoes-commodities-etfs</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 01:17:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[3Tentos]]></category>
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		<category><![CDATA[commodities]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O agronegócio brasileiro atravessa em 2026 uma combinação pouco usual. De um lado, a produção permanece elevada e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de grãos de aproximadamente 360 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026, acima do volume registrado na temporada anterior. Do outro, produtores e empresas ainda carregam os efeitos de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O agronegócio brasileiro atravessa em 2026 uma combinação pouco usual. De um lado, a produção permanece elevada e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de grãos de aproximadamente 360 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026, acima do volume registrado na temporada anterior. Do outro, produtores e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337767">empresas</a> ainda carregam os efeitos de anos de expansão financiada por crédito, juros elevados, margens menores e dificuldades para reorganizar dívidas.</p>
<p>A situação ganhou uma variável adicional neste segundo semestre: o El Niño. O aquecimento do Pacífico Equatorial voltou a integrar as projeções climáticas e pode alterar a distribuição das chuvas, a produtividade agrícola e, consequentemente, os preços de algumas commodities. Para quem investe no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337768">agronegócio</a>, isso torna a leitura do setor mais complexa. Uma safra grande não significa necessariamente empresas saudáveis, enquanto um balanço pressionado também não significa que todos os ativos relacionados ao campo tenham perdido atratividade.</p>
<p>O resultado é um ambiente em que a seleção ganha importância. Commodities como milho, açúcar, trigo e boi gordo podem reagir a mudanças na oferta global e às condições climáticas. Empresas listadas na B3 podem carregar descontos relevantes, mas exigem avaliação da dívida e da geração de caixa. Já fundos negociados em Bolsa permitem exposição ao segmento de maneira diversificada ou diretamente vinculada a determinados produtos agrícolas.</p>
<h3>Safra elevada convive com uma crise de crédito no campo</h3>
<p>A dimensão do financiamento necessário para manter o agronegócio brasileiro em funcionamento ajuda a explicar por que o crédito se tornou uma das variáveis centrais para o setor. Na safra 2025/2026, o crédito rural destinado à agricultura empresarial, sem considerar o Pronaf, movimentou R$ 477,2 bilhões. As Cédulas de Produto Rural, conhecidas como CPRs, responderam por 43% desse volume.</p>
<p>O tamanho do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337765">mercado</a>, entretanto, não eliminou as dificuldades financeiras acumuladas nos últimos ciclos. Parte dos produtores aumentou a alavancagem durante o período de preços elevados das commodities, quando a rentabilidade favorecia aquisições de terras, arrendamentos, máquinas e expansão de área. Quando os preços agrícolas perderam força e o custo financeiro permaneceu alto, a capacidade de pagamento de uma parcela desses produtores começou a deteriorar.</p>
<p>A gravidade do problema levou o governo federal a criar, em julho, uma linha específica para composição de dívidas rurais. A regulamentação permite atender produtores e cooperativas enquadrados em determinados critérios de perdas de safras e redução de renda. A medida mostra que o problema deixou de ser apenas pontual e passou a exigir instrumentos específicos de reorganização financeira.</p>
<p>Esse processo também atingiu empresas ligadas à cadeia agrícola. Distribuidores de insumos, produtores, tradings, companhias sucroenergéticas e instituições financeiras passaram a sentir diferentes graus de pressão. O investidor que pretende entrar no setor, portanto, precisa separar uma crise de liquidez temporária de um problema estrutural de endividamento.</p>
<h3>El Niño adiciona volatilidade aos preços agrícolas</h3>
<p>Enquanto o crédito pressiona os balanços, o clima voltou ao centro das decisões. O CPTEC/Inpe identifica condições oceânicas e atmosféricas compatíveis com El Niño e projeta continuidade do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial durante o trimestre de agosto a outubro.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o Climate Prediction Center da NOAA também aponta continuidade e fortalecimento do fenômeno ao longo de 2026. A importância dessa mudança para os mercados agrícolas está na capacidade do El Niño de alterar regimes de precipitação e temperatura em importantes regiões produtoras.</p>
<p>Isso não significa que todas as commodities necessariamente subirão. Os preços agrícolas dependem de uma combinação de estoques, produtividade, área plantada, demanda internacional, câmbio, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337764">política</a> comercial, custos logísticos e condições climáticas em diferentes países.</p>
<p>Ainda assim, a possibilidade de quebra de produção ou redução de produtividade tende a elevar o chamado prêmio climático incorporado aos contratos futuros. É justamente nesse ambiente que algumas gestoras passaram a enxergar oportunidades em produtos como milho, açúcar e trigo.</p>
<p>A tese é relativamente simples: quando os preços estão comprimidos e o mercado trabalha com expectativa de oferta confortável, qualquer deterioração relevante das condições climáticas pode provocar uma reprecificação rápida.</p>
<h3>Commodities eliminam o risco da empresa, mas não o risco do mercado</h3>
<p>A exposição direta a commodities possui uma característica importante para quem pretende investir no agronegócio: ela permite participar do movimento de determinado produto sem assumir diretamente o risco financeiro de uma companhia.</p>
<p>Ao investir em uma empresa agrícola, o acionista precisa acompanhar dívida, vencimentos, geração de caixa, custo de capital, eficiência operacional, governança e eventuais cláusulas financeiras. Uma alta do milho ou da soja não garante automaticamente melhora do resultado de uma companhia excessivamente alavancada.</p>
<p>Na commodity, essa camada de risco empresarial desaparece. O investidor fica essencialmente exposto à dinâmica de preço do produto, embora passe a assumir riscos próprios dos mercados futuros, que podem apresentar elevada volatilidade.</p>
<p>A Terra Investimentos considera essa característica relevante no atual ciclo. A exposição a milho, boi gordo, açúcar ou outros produtos permite capturar de maneira mais direta uma mudança no ciclo agrícola, sem depender da capacidade de determinada companhia de refinanciar suas obrigações.</p>
<p>Isso não transforma commodities em ativos defensivos. Mudanças de safra, câmbio, estoques, políticas comerciais e demanda externa podem alterar rapidamente as cotações.</p>
<p>O mercado de carne bovina é um exemplo. A China estabeleceu uma cota para a carne brasileira a partir da qual incide tarifa adicional. Embora avaliações de mercado tenham apontado aproximação do limite ao longo do ano, o Ministério da Agricultura informou em julho que a condição necessária para a cobrança adicional ainda não havia sido atingida naquele momento. Para o investidor, a divergência mostra a necessidade de acompanhar dados oficiais antes de montar posições baseadas exclusivamente em expectativas.</p>
<h3>Bolsa exige separar empresas fragilizadas de ativos descontados</h3>
<p>Nas ações, o cenário é ainda mais seletivo. A deterioração do crédito no agronegócio deixou exemplos claros de como dificuldades operacionais e financeiras podem destruir valor mesmo em um setor estruturalmente relevante para a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337766">economia</a> brasileira.</p>
<p>A AgroGalaxy (AGXY3), distribuidora de insumos agrícolas, permanece em processo de recuperação judicial. Já a Raízen (RAIZ4), uma das maiores companhias do setor sucroenergético, avançou em 2026 em seu processo de recuperação extrajudicial e teve o plano homologado no fim de julho.</p>
<p>Os dois casos reforçam um ponto importante: tamanho e importância estratégica não eliminam risco financeiro.</p>
<p>Ao mesmo tempo, períodos de estresse podem produzir descontos em empresas com ativos de qualidade e capacidade de atravessar o ciclo. É nessa diferença que algumas casas de análise enxergam oportunidades.</p>
<p>Entre os nomes mencionados está a SLC Agrícola (SLCE3). Uma das teses envolve não apenas a geração de resultado com grãos e algodão, mas também o valor econômico de seu portfólio de terras. A avaliação é que a companhia deve ser analisada com horizonte mais longo, considerando produtividade, valor dos ativos agrícolas e normalização do ciclo.</p>
<p>O investidor precisa, contudo, observar o calendário. Até 11 de agosto, a SLC Agrícola ainda não havia divulgado seu balanço referente ao segundo trimestre de 2026. A publicação estava prevista para 12 de agosto, depois do fechamento do mercado. Qualquer avaliação baseada no 2T26 antes dessa data seria prematura.</p>
<h3>3tentos aparece entre as teses de diversificação</h3>
<p>Outro ativo acompanhado por analistas é a 3tentos (TTEN3). A companhia possui uma estrutura que combina distribuição de insumos, originação e comercialização de grãos, indústria e serviços financeiros relacionados ao produtor.</p>
<p>Essa diversificação pode reduzir a dependência de uma única fonte de receita, mas também faz com que o investidor precise entender como cada divisão responde ao ciclo agrícola.</p>
<p>A Nord Investimentos mantém uma leitura favorável sobre a companhia pela combinação entre crescimento, rentabilidade e diversificação das atividades. Ainda assim, assim como ocorre com outras ações do setor, os juros elevados e a volatilidade dos preços agrícolas aumentam a necessidade de seletividade.</p>
<p>Também nesse caso, é necessário respeitar o calendário de informações. A divulgação dos resultados do segundo trimestre da 3tentos estava prevista para 13 de agosto. Até então, a análise disponível ao mercado deveria continuar baseada nos números oficialmente divulgados anteriormente.</p>
<h3>ETFs oferecem caminho mais simples para acessar o agronegócio</h3>
<p>Para investidores que não pretendem acompanhar individualmente cada empresa ou operar contratos futuros diretamente, os ETFs surgem como uma terceira alternativa.</p>
<p>A BB Asset mantém produtos com diferentes formas de exposição ao setor. O BBOI11 acompanha uma estratégia relacionada ao mercado futuro de boi gordo, enquanto o CORN11 oferece exposição ao milho. O AGRI11, por sua vez, está ligado a uma carteira de empresas do agronegócio.</p>
<p>A estrutura permite que o investidor negocie os fundos em Bolsa da mesma maneira que negocia uma ação, sem precisar administrar diretamente contratos futuros.</p>
<p>A facilidade operacional, porém, não elimina o risco econômico. Um ETF de milho continuará sujeito à volatilidade do milho. Um fundo ligado a empresas agrícolas continuará refletindo as oscilações das companhias presentes no índice.</p>
<p>Existe ainda uma discussão sobre a eficiência dos ETFs de ações do agronegócio brasileiro. Como o universo de companhias listadas diretamente relacionadas ao campo é relativamente limitado, investidores dispostos a realizar análise fundamentalista podem preferir selecionar ações individualmente.</p>
<h3>Onde estão as oportunidades no agronegócio em 2026</h3>
<p>O atual ciclo não permite tratar o agronegócio como uma única tese de investimento. Existem, na prática, diferentes formas de exposição, cada uma sujeita a riscos específicos.</p>
<table>
<thead>
<tr>
<th>Canal de investimento</th>
<th>Exemplos</th>
<th>Principal característica</th>
<th>Risco predominante</th>
<th>Horizonte</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Commodities</td>
<td>Milho, açúcar, trigo e boi gordo</td>
<td>Exposição direta ao ciclo de preços</td>
<td>Clima, oferta, demanda e volatilidade</td>
<td>Curto e médio prazo</td>
</tr>
<tr>
<td>Ações</td>
<td>SLCE3, TTEN3, RAIZ4 e outras</td>
<td>Participação no resultado das empresas</td>
<td>Dívida, execução e geração de caixa</td>
<td>Médio e longo prazo</td>
</tr>
<tr>
<td>ETFs de commodities</td>
<td>BBOI11 e CORN11</td>
<td>Acesso simplificado a estratégias com futuros</td>
<td>Oscilação da commodity</td>
<td>Médio prazo</td>
</tr>
<tr>
<td>ETFs de ações</td>
<td>AGRI11</td>
<td>Diversificação entre companhias do setor</td>
<td>Desempenho das empresas do índice</td>
<td>Médio e longo prazo</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Para o investidor mais agressivo, commodities podem proporcionar exposição direta às mudanças provocadas pelo clima e pela oferta global. Para horizontes mais longos, empresas com ativos relevantes, estrutura financeira administrável e capacidade de geração de caixa podem oferecer maior potencial de valorização.</p>
<p>ETFs ocupam uma posição intermediária, reduzindo a necessidade de escolher individualmente contratos ou empresas, mas sem eliminar os riscos do segmento.</p>
<p>A principal mudança de 2026 é que o agronegócio deixou de permitir análises simplificadas. Uma safra recorde pode coexistir com produtores endividados. Um cenário climático adverso pode favorecer determinada commodity e, simultaneamente, prejudicar empresas produtoras. Companhias pressionadas financeiramente podem continuar perdendo valor, enquanto empresas com balanços mais resistentes podem atravessar o mesmo ciclo e ganhar participação de mercado.</p>
<p>O El Niño amplia essa dispersão. O crédito caro amplia ainda mais.</p>
<p>Para quem investe, a oportunidade pode estar justamente nessa diferença entre empresas, produtos e estruturas de capital. O agronegócio continua sendo uma das maiores engrenagens da economia brasileira, mas em 2026 o retorno potencial deixou de depender apenas de acertar a direção das commodities. Passou a depender, sobretudo, de escolher corretamente como participar do ciclo.</p>
<p><strong>Atenção:</strong> os ativos citados têm caráter informativo e não representam recomendação de compra ou venda.</p>
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Companhia Nacional de Abastecimento — acompanhamento da safra brasileira de grãos</li>
<li>Ministério da Agricultura e Pecuária — dados de crédito rural e informações sobre comércio de carne bovina com a China</li>
<li>Banco Central do Brasil e Conselho Monetário Nacional — regulamentação para composição de dívidas rurais</li>
<li>Presidência da República — Medida Provisória nº 1.376/2026</li>
<li>CPTEC/Inpe — monitoramento do El Niño</li>
<li>NOAA Climate Prediction Center — diagnóstico do fenômeno ENSO</li>
<li>BB Asset — documentação dos ETFs AGRI11, BBOI11 e CORN11</li>
<li>AgroGalaxy — Relações com Investidores</li>
<li>Raízen — Relações com Investidores</li>
<li>SLC Agrícola — Relações com Investidores</li>
<li>3tentos — Relações com Investidores</li>
</ul>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>USP Esalq inicia testes de agricultura espacial com microgravidade simulada</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/esalq-agricultura-espacial-testes-microgravidade</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 17:00:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura espacial]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[batata-doce]]></category>
		<category><![CDATA[cara]]></category>
		<category><![CDATA[Esalq]]></category>
		<category><![CDATA[grão-de-bico]]></category>
		<category><![CDATA[microgravidade]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia agrícola]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo iniciou uma nova etapa de pesquisas sobre o desenvolvimento de plantas em condições de microgravidade simulada. Os experimentos são conduzidos em Piracicaba, no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Esalq/USP, e envolvem sementes de grão-de-bico, estacas de batata-doce e materiais de cará. O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo iniciou uma nova etapa de pesquisas sobre o desenvolvimento de plantas em condições de microgravidade simulada. Os experimentos são conduzidos em Piracicaba, no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Esalq/USP, e envolvem sementes de grão-de-bico, estacas de batata-doce e materiais de cará.</p>
<p>O projeto reúne pesquisadores do Brasil, da Itália e de Angola e procura identificar respostas das plantas à alteração do estímulo gravitacional, à iluminação artificial e a ambientes controlados de cultivo. O objetivo declarado é produzir conhecimento para estudos de agricultura espacial e avaliar se parte das técnicas desenvolvidas pode contribuir para sistemas agrícolas terrestres mais resilientes às mudanças climáticas.</p>
<p>Os testes são realizados em laboratório. Até o momento, não houve anúncio de envio das culturas ao espaço nem de lançamento de um satélite com os materiais vegetais. A microgravidade é reproduzida por clinorrotação, técnica que movimenta continuamente as amostras para modificar a direção relativa da força gravitacional percebida pelos organismos.</p>
<p>A etapa atual inclui a segunda repetição do ensaio de germinação do grão-de-bico e a preparação dos meios de cultivo para batata-doce e cará. Os resultados ainda não foram divulgados, e os pesquisadores não apresentaram conclusões sobre ganhos de produtividade, resistência ao clima ou viabilidade comercial das técnicas em avaliação.</p>
<h2>Cooperação reúne Brasil, Itália e Angola</h2>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1528454" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-scaled.jpg" alt="USP Esalq inicia testes de agricultura espacial com microgravidade simulada - Gazeta Mercantil " width="2560" height="1707" title="USP Esalq inicia testes de agricultura espacial com microgravidade simulada 3 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-scaled.jpg 2560w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-300x200.jpg 300w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-1024x683.jpg 1024w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-768x512.jpg 768w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-1536x1024.jpg 1536w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/USP-Esalq-Agrospacial1-2048x1366.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p>As atividades integram o projeto “Agricultura Espacial como Motor Estratégico de Inovação para Gerar Soluções Aplicáveis à Agricultura Terrestre Diante das Mudanças Climáticas”. A iniciativa segue um modelo de cooperação triangular entre instituições da Europa, da América Latina e da África.</p>
<p>O financiamento é do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália. A promoção institucional cabe à Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana, que confirmou o início da primeira fase dos trabalhos no Laboratório de Microgravidade Vegetal da Esalq em 24 de junho de 2026.</p>
<p>Além da universidade brasileira, participa o Instituto Superior Politécnico da Cuanza Sul, de Angola. A proposta combina intercâmbio científico, formação de pesquisadores e desenvolvimento de procedimentos experimentais que possam ser reproduzidos pelas instituições participantes.</p>
<p>Na Esalq, os trabalhos são conduzidos com a participação do professor Paulo Hercílio Viegas Rodrigues, do Departamento de Produção Vegetal. O pesquisador angolano Adérito Tomás Pais da Cunha participa da preparação dos materiais e do meio de cultura utilizado nos ensaios com propagação vegetal.</p>
<p>O modelo triangular procura evitar uma transferência de tecnologia em apenas uma direção. Brasil, Itália e Angola contribuem com conhecimentos, infraestrutura, materiais biológicos e formação técnica, de modo que os procedimentos possam ser adaptados às condições agrícolas dos diferentes países.</p>
<h2>Clinorrotação simula parte dos efeitos da microgravidade</h2>
<p>O experimento com grão-de-bico utiliza a clinorrotação para reduzir a influência de uma direção gravitacional constante sobre as sementes. No equipamento, as amostras são giradas de forma contínua, alterando repetidamente sua orientação em relação ao campo gravitacional terrestre.</p>
<p>O método não elimina a gravidade. Também não reproduz todos os componentes presentes em uma missão espacial, como radiação cósmica, confinamento orbital, vibração de lançamento, vácuo externo ou alterações específicas na circulação de fluidos dentro de uma estação espacial.</p>
<p>A clinorrotação permite estudar, de forma controlada e comparável, como organismos respondem à mudança contínua do vetor gravitacional. Por isso, equipamentos desse tipo são utilizados como instalações terrestres preparatórias para pesquisas que posteriormente podem ser realizadas em voos parabólicos, foguetes, satélites ou laboratórios orbitais.</p>
<p>No caso da Esalq, o desenho experimental inclui plantas submetidas à microgravidade simulada e materiais mantidos sob a gravidade terrestre normal. A comparação entre os dois grupos deverá permitir a identificação de diferenças na germinação e nos estágios iniciais do desenvolvimento.</p>
<p>A repetição do experimento é necessária para verificar se um comportamento observado aparece novamente sob as mesmas condições. Sem essa reprodutibilidade, não é possível determinar se uma diferença decorreu da clinorrotação, de variações biológicas naturais ou de fatores como temperatura, umidade, qualidade das sementes e disponibilidade de água.</p>
<h2>Grão-de-bico abre a fase experimental</h2>
<p>O grão-de-bico foi escolhido para os testes iniciais de germinação. Nessa etapa, os pesquisadores podem acompanhar parâmetros como início da germinação, formação das primeiras estruturas, crescimento das raízes e desenvolvimento da parte aérea.</p>
<p>Na Terra, a gravidade é uma das referências utilizadas pelas plantas para orientar o crescimento. As raízes apresentam tendência de crescimento na direção do campo gravitacional, enquanto a parte aérea responde a estímulos como luz, gravidade e disponibilidade de recursos.</p>
<p>Quando a direção gravitacional deixa de funcionar como uma referência estável, outros sinais podem ganhar importância. A luz, a distribuição de água, o contato com o substrato e os mecanismos internos de crescimento passam a interferir de maneira diferente na orientação vegetal.</p>
<p>Pesquisas internacionais mostram que plantas conseguem germinar e se desenvolver em microgravidade, mas podem apresentar mudanças na expressão de genes, na estrutura das raízes, nas paredes celulares e no transporte de água e nutrientes. A resposta varia conforme a espécie, o sistema de cultivo e a duração da exposição.</p>
<p>O ensaio da Esalq ainda está em fase inicial. A universidade não informou taxas comparativas de germinação, comprimento de raízes, biomassa, composição química ou alterações fisiológicas do grão-de-bico. Esses dados dependerão da conclusão das repetições, das medições e da análise estatística.</p>
<h2>Batata-doce e cará serão cultivados in vitro</h2>
<p>Paralelamente ao ensaio com sementes, a equipe prepara testes com batata-doce e cará. Nesse caso, os pesquisadores trabalharão com materiais vegetais mantidos em condições assépticas, dentro de recipientes com meio de cultura.</p>
<p>A técnica permite controlar nutrientes, umidade, iluminação e contaminações. Também facilita a observação do desenvolvimento das plantas sem parte das variações presentes em solo aberto, como microrganismos, diferenças de fertilidade, pragas e oscilações climáticas.</p>
<p>O meio descrito pela Esalq é baseado na formulação MS, amplamente empregada em cultura de tecidos vegetais. Segundo a instituição, a preparação utilizada no projeto foi desenvolvida com a participação do pesquisador angolano Adérito Tomás Pais da Cunha.</p>
<p>As estacas de batata-doce pertencem à cultivar BRS Anembé, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A grafia oficial adotada pela Embrapa é “Anembé”, embora materiais iniciais de divulgação do projeto tenham registrado o nome como “Anambé”.</p>
<p>A BRS Anembé possui polpa roxa, concentração elevada de antocianinas e adaptação a diferentes condições climáticas. De acordo com a Embrapa, a produtividade média observada em avaliações agronômicas foi de 42,8 toneladas por hectare, com ciclo aproximado entre 130 e 140 dias.</p>
<p>Essas características pertencem ao desempenho terrestre da cultivar e não representam resultados do experimento de microgravidade. A pesquisa da Esalq deverá verificar como o material responde ao ambiente controlado e à alteração do estímulo gravitacional.</p>
<p>O cará utilizado pertence a uma cultivar mantida pela própria escola. A universidade não divulgou, no comunicado inicial, a identificação varietal, as características agronômicas completas ou os indicadores que serão medidos durante o ensaio.</p>
<h2>Sistema CubeSat 2U terá diferentes espectros de LED</h2>
<p>Na etapa seguinte, os materiais de batata-doce e cará deverão ser inoculados nos meios de cultura e instalados em uma estrutura experimental descrita como sistema CubeSat 2U. O equipamento permitirá acompanhar o desenvolvimento vegetal sob diferentes espectros de luz emitidos por LEDs.</p>
<p>A denominação CubeSat é normalmente associada a sistemas modulares e compactos utilizados em projetos espaciais. No experimento da Esalq, porém, a referência ao sistema 2U não significa que um lançamento orbital esteja confirmado. O equipamento será utilizado como ambiente controlado para acomodar os materiais e organizar os componentes do ensaio.</p>
<p>Os diferentes espectros de LED permitem investigar a influência da luz sobre a orientação, a fotossíntese e o desenvolvimento das plantas. Comprimentos de onda distintos podem produzir respostas específicas, especialmente quando a gravidade deixa de funcionar como sinal direcional constante.</p>
<p>A luz vermelha e a azul são utilizadas com frequência em sistemas de cultivo controlado por sua relação com a fotossíntese e com respostas de crescimento. Outros espectros podem ser incluídos para avaliar formato das plantas, alongamento, formação de folhas e interação com os mecanismos de percepção luminosa.</p>
<p>Para que as conclusões sejam válidas, fatores como intensidade da luz, duração do período iluminado, temperatura, disponibilidade de nutrientes e estágio inicial das plantas precisam ser controlados. Alterar simultaneamente diversas variáveis dificultaria a identificação do efeito específico da microgravidade simulada.</p>
<h2>Agricultura espacial enfrenta desafios de água e nutrientes</h2>
<p>O cultivo de plantas no espaço é estudado por agências como a Nasa e a Agência Espacial Europeia como parte dos preparativos para missões humanas mais longas. Além de fornecer alimentos frescos, as plantas podem contribuir para a produção de oxigênio, remoção de dióxido de carbono e reciclagem de recursos.</p>
<p>Um dos principais obstáculos está na distribuição de água, oxigênio e nutrientes na região das raízes. Sem a gravidade terrestre, os líquidos não se comportam da mesma forma e podem se acumular em determinadas partes do sistema ou deixar áreas sem umidade suficiente.</p>
<p>A falta de circulação convectiva também interfere no movimento de gases e solutos. Experimentos realizados em ambiente orbital registraram estresse por baixa disponibilidade de oxigênio nas raízes e alterações na absorção de nutrientes.</p>
<p>Os estudos terrestres não resolvem sozinhos essas dificuldades, mas permitem testar equipamentos, recipientes, iluminação e formulações nutritivas antes de experimentos mais caros e complexos fora da Terra.</p>
<p>O projeto da Esalq poderá contribuir para essa etapa preparatória ao comparar culturas alimentares com características diferentes. O grão-de-bico é avaliado desde a semente, enquanto batata-doce e cará entram nos ensaios por meio de tecidos e estacas cultivados em ambiente asséptico.</p>
<h2>Aplicação terrestre dependerá dos resultados</h2>
<p>A relação entre agricultura espacial e adaptação climática está na possibilidade de desenvolver sistemas capazes de produzir plantas com controle rigoroso de água, nutrientes, iluminação e espaço. Essas técnicas também podem ser úteis em regiões com limitações ambientais ou em instalações de cultivo protegido.</p>
<p>Ambientes controlados podem reduzir a exposição a secas, temperaturas extremas e determinados agentes externos. Em contrapartida, exigem energia, equipamentos, mão de obra especializada e protocolos sanitários, fatores que influenciam a viabilidade econômica.</p>
<p>Ainda não é possível afirmar quais soluções do projeto poderão ser transferidas ao campo. O estudo não apresentou, até esta etapa, tecnologias prontas, estimativas de custo, aumentos de produtividade ou prazos para adoção comercial.</p>
<p>Os possíveis benefícios dependerão da identificação de respostas vegetais reproduzíveis e da transformação dessas observações em técnicas agronômicas. Uma alteração detectada em laboratório precisa ser testada em escalas maiores e comparada com métodos convencionais antes de chegar aos produtores.</p>
<p>A fase iniciada na Esalq estabelece a base experimental dessa agenda. Depois da inoculação dos materiais e da instalação no sistema com LEDs, os pesquisadores deverão acompanhar o crescimento, comparar os grupos e definir quais parâmetros justificam novas etapas.</p>
<p>O projeto ganha relevância por ampliar a cooperação científica entre os três continentes e inserir culturas alimentares de interesse agrícola em pesquisas de microgravidade. Seu impacto concreto, entretanto, dependerá dos resultados, da validação dos procedimentos e da capacidade de converter conhecimento experimental em soluções aplicáveis à produção terrestre.</p>
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		<title>Selic cai para 14%, mas crédito rural segue com juros de até 12,5%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/selic-14-credito-rural-agronegocio-plano-safra</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 14:08:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[CPR]]></category>
		<category><![CDATA[CRA]]></category>
		<category><![CDATA[crédito rural]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[Plano Safra]]></category>
		<category><![CDATA[Selic]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 5 de agosto, reduziu a taxa básica para 14% ao ano, mas não alterou automaticamente os juros das principais linhas controladas de crédito rural do Plano Safra 2026/2027. Para produtores empresariais, operações de custeio e comercialização continuam sujeitas a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 5 de agosto, reduziu a taxa básica para 14% ao ano, mas não alterou automaticamente os juros das principais linhas controladas de crédito rural do Plano Safra 2026/2027. Para produtores empresariais, operações de custeio e comercialização continuam sujeitas a taxas de até 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp mantém encargos de 9% e programas de investimento operam, conforme a finalidade, em faixas que chegam também a 12,5%.</p>
<p>A diferença decorre da estrutura do Sistema Nacional de Crédito Rural. A Selic é a referência central da política monetária e influencia o custo de captação na <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337470">economia</a>, mas os encargos de linhas com recursos controlados são definidos por regras específicas do Conselho Monetário Nacional (CMN). A Resolução CMN nº 5.324, de 30 de junho, estabeleceu as taxas do atual ano agrícola e não foi modificada pela decisão do Copom desta semana.</p>
<p>Isso significa que a redução da taxa básica pode produzir efeitos sobre operações com juros livremente pactuados, sobre o custo de captação das instituições financeiras e sobre títulos privados, mas não representa uma redução automática de 0,25 ponto nas linhas reguladas. O custo final de uma operação livre depende ainda de prazo, risco de crédito, garantias, estrutura de financiamento e margem cobrada pela instituição financeira.</p>
<p>Também não há, até esta sexta-feira (7), estatística oficial capaz de medir o impacto do corte de agosto sobre a concessão de crédito. O Banco Central programou a divulgação das estatísticas monetárias e de crédito referentes a julho para 28 de agosto. Os dados de agosto, primeiro mês que incorporará a decisão desta semana, serão publicados em 29 de setembro.</p>
<h2>Plano Safra oferece R$ 525,1 bilhões ao agro empresarial</h2>
<p>O Plano Safra 2026/2027 destinado à agricultura empresarial prevê R$ 525,1 bilhões em crédito rural. Desse total, R$ 384,9 bilhões são destinados a custeio e comercialização e R$ 140,2 bilhões a investimentos, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. O programa reservou R$ 72,6 bilhões em recursos controlados para o Pronamp e R$ 452,5 bilhões para os demais produtores e cooperativas.</p>
<p>No custeio empresarial com recursos obrigatórios ou equalizados, o encargo pode chegar a 12,5% ao ano. No Pronamp, voltado aos médios produtores enquadrados nas regras do programa, a taxa é de até 9% tanto para custeio e comercialização quanto para investimento. A diferença entre essas linhas mostra que o custo do crédito rural não acompanha a Selic de maneira uniforme.</p>
<p>Entre os programas de investimento, o Moderfrota tem taxa prefixada de até 12,5% para produtores e cooperativas dentro das condições definidas pelo CMN. Para beneficiários do Pronamp, o mesmo programa prevê até 11,5%. O Inovagro opera com até 11,5%, o Prodecoop com até 12%. O RenovAgro e o PCA têm taxa de até 9,5%, enquanto determinadas operações do PCA para armazenagem de até 12 mil toneladas ficam em 8%.</p>
<p>A estrutura de R$ 140,2 bilhões prevista para investimentos reúne fontes com mecanismos distintos de formação de preço. O Plano Safra programa R$ 55 bilhões em juros controlados não equalizados, além de R$ 10,5 bilhões em recursos direcionados com juros livres e outros R$ 40 bilhões em recursos livres também com taxas livres. É nessas duas últimas parcelas que alterações na Selic podem chegar mais diretamente às novas contratações, sem que exista transmissão integral ou imediata.</p>
<p>O corte desta semana foi o quarto consecutivo de 0,25 ponto percentual em 2026. A Selic começou o ano em 15% e foi reduzida para 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho e 14% em agosto. A redução acumulada desde o início do ciclo alcança um ponto percentual, mas a taxa básica permanece em nível elevado e continua influenciando operações cujo custo acompanha referências de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337469">mercado</a>.</p>
<h2>Crédito privado ganha espaço no financiamento do setor</h2>
<p>A persistência de juros elevados ocorre ao mesmo tempo em que instrumentos privados assumem papel relevante no financiamento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337471">agronegócio</a>. O Boletim de Finanças Privadas do Agro, elaborado pelo Ministério da Agricultura, mostra estoque de R$ 565,15 bilhões em Cédulas de Produto Rural (CPR) em maio de 2026. O volume era 13% superior aos R$ 498,92 bilhões registrados um ano antes.</p>
<p>Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) apresentaram movimento semelhante. O estoque alcançou R$ 175,78 bilhões em maio, aumento de 12% sobre os R$ 157,53 bilhões de maio de 2025. O crescimento desses instrumentos amplia as alternativas ao financiamento bancário tradicional e permite que recursos cheguem ao setor por estruturas vinculadas a recebíveis e obrigações originadas nas cadeias agropecuárias.</p>
<p>Os números, contudo, não apontam expansão uniforme em todas as modalidades. O estoque de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) ficou em R$ 571,51 bilhões em maio, queda de 0,3% em 12 meses. O saldo de Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuou 6%, de R$ 33,27 bilhões para R$ 31,20 bilhões.</p>
<p>No caso da CPR, o crescimento do estoque também conviveu com redução no valor registrado durante a safra. Entre julho de 2025 e maio de 2026, os registros somaram R$ 343,96 bilhões, 6% abaixo dos R$ 366,64 bilhões contabilizados no período equivalente da safra anterior. A quantidade em estoque caiu 1%, para 369 mil títulos, enquanto o tíquete médio aumentou 14%, para R$ 1,53 milhão.</p>
<p>Os Fiagro registravam patrimônio de R$ 62,69 bilhões em abril de 2026, avanço de 79% em relação aos R$ 35,02 bilhões de abril de 2024. O boletim não apresenta comparação com abril de 2025 porque os dados daquele período ficaram indisponíveis durante a adaptação dessa classe de fundos às novas regras regulatórias. A ausência dessa base impede uma comparação anual direta.</p>
<h2>LCA mantém papel relevante no financiamento rural</h2>
<p>Embora o estoque total de LCA tenha apresentado leve retração anual em maio, o instrumento continua relevante para direcionar recursos ao setor. O valor mínimo reaplicado em financiamento rural associado às captações com essas letras chegou a R$ 342,91 bilhões, alta de 20% em relação aos R$ 286,67 bilhões de maio de 2025.</p>
<p>Dentro desse montante, o valor mínimo reaplicado especificamente em operações de crédito rural atingiu R$ 154,31 bilhões, aumento de 8% em 12 meses. As regras vigentes para a safra 2025/2026 obrigaram as instituições financeiras a manter 60% das captações realizadas com LCA aplicadas em operações de financiamento rural. Do percentual direcionado, pelo menos 45% deveria ser destinado a operações de crédito rural.</p>
<p>A distribuição das contratações financiadas com recursos de LCA também mostra a participação dos diferentes grupos financeiros. Entre julho de 2025 e maio de 2026, bancos privados responderam por 38% do crédito rural contratado com essa fonte, bancos públicos por 32%, cooperativas de crédito por 29% e outras instituições por 1%, de acordo com o levantamento oficial.</p>
<p>Esses instrumentos ampliam as fontes disponíveis ao agronegócio, mas não equivalem, por si só, a crédito mais barato. Uma estrutura financeira pode incorporar remuneração vinculada a taxas de referência, prêmio de risco, garantias, prazo e liquidez. Com a Selic em 14%, a referência de remuneração disponível aos investidores continua elevada mesmo depois da quarta redução consecutiva promovida pelo Banco Central.</p>
<p>A coexistência entre recursos controlados e livres também torna incompleta uma leitura do crédito agrícola baseada exclusivamente na taxa básica. Uma empresa que contrata uma linha regulada do Plano Safra está sujeita aos encargos definidos pelo CMN, enquanto outra que capta fora dessas linhas poderá ter o custo determinado pelas condições financeiras vigentes no momento da operação.</p>
<h2>Efeito do corte da Selic sobre o crédito será gradual</h2>
<p>A transmissão da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337531">política</a> monetária para o agronegócio ocorre, portanto, por canais diferentes. Nas linhas controladas, a taxa nominal segue a regulamentação do CMN durante o período de vigência das regras. Nas operações livres, a Selic pode afetar o custo do dinheiro e as referências usadas na precificação, mas o valor efetivamente cobrado do tomador inclui outros componentes.</p>
<p>Por isso, ainda não é possível afirmar, com dados oficiais posteriores à decisão, que o corte de 0,25 ponto reduziu ou deixou de reduzir a pressão de crédito sobre o setor. A decisão ocorreu em 5 de agosto, e as estatísticas completas referentes ao mês só serão conhecidas no fim de setembro. Mesmo os números de julho, a serem divulgados em 28 de agosto, antecedem a redução da Selic.</p>
<p>A magnitude do efeito também dependerá das próximas decisões de política monetária. A taxa básica acumulou queda de um ponto percentual desde o início do ciclo de cortes em março, mas permanece acima dos encargos nominais de várias linhas controladas do Plano Safra. Essa diferença decorre da arquitetura de recursos direcionados, obrigatórios e equalizados que caracteriza parte do crédito rural brasileiro.</p>
<p>A ata da reunião do Copom será divulgada em 11 de agosto, quando o Banco Central detalhará os fundamentos da decisão desta semana. A próxima reunião do comitê está marcada para 15 e 16 de setembro. Até eventual alteração normativa, as taxas controladas do Plano Safra 2026/2027 permanecem nos níveis definidos pelo CMN, enquanto o custo das operações livres continuará dependendo da Selic, das condições de captação e do risco de cada tomador.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Banco Central do Brasil — Comunicados do Copom — decisão de 5 de agosto de 2026</li>
<li>Banco Central do Brasil / Conselho Monetário Nacional — Resolução CMN nº 5.324 — 30 de junho de 2026</li>
<li>Ministério da Agricultura e Pecuária — Plano Safra 2026/2027: Crédito + Inovador — 2026</li>
<li>Ministério da Agricultura e Pecuária — Boletim de Finanças Privadas do Agro — junho de 2026</li>
<li>Banco Central do Brasil — Calendário de divulgação das estatísticas monetárias e de crédito — 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>USP reúne em boletins pesquisas e iniciativas sobre saúde do solo no Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/boletins-usp-pesquisas-saude-solo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 20:29:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Brazilian Soil Health Partnership]]></category>
		<category><![CDATA[Esalq]]></category>
		<category><![CDATA[manejo sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[restauração de ecossistemas]]></category>
		<category><![CDATA[saúde do solo]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A série Soil Health News, coordenada pela Brazilian Soil Health Partnership (BSHP), passou a reunir em uma coleção aberta pesquisas, experiências de campo e iniciativas institucionais relacionadas à conservação e ao manejo sustentável dos solos no Brasil. A Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), divulgou em 3 de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A série <em>Soil Health News</em>, coordenada pela Brazilian Soil Health Partnership (BSHP), passou a reunir em uma coleção aberta pesquisas, experiências de campo e iniciativas institucionais relacionadas à conservação e ao manejo sustentável dos solos no Brasil. A Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), divulgou em 3 de agosto de 2026 a disponibilidade dos boletins, que podem ser consultados gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.</p>
<p>A coleção tem quatro edições publicadas entre setembro de 2025 e junho de 2026. Os temas escolhidos — solo vivo, práticas regenerativas, restauração de ecossistemas e estrutura do solo — mostram uma sequência editorial voltada a aproximar resultados científicos de produtores rurais, técnicos, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e outros agentes ligados ao uso da terra.</p>
<p>A BSHP apresenta os boletins como parte de sua frente de disseminação de conhecimento. A aliança está vinculada ao Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON/USP), dentro do macroprograma de pesquisa dedicado ao solo, e recebe apoio operacional do Soil Health &amp; Management Research Group (SOHMA), sediado na Esalq/USP.</p>
<p>Além de divulgar estudos, a iniciativa procura organizar uma agenda nacional para a saúde do solo. Entre os objetivos declarados pela parceria estão ampliar a compreensão sobre o conceito, estabelecer formas de medição, criar protocolos padronizados e conectar os indicadores do solo ao carbono, à biodiversidade, à qualidade da água e aos benefícios oferecidos à sociedade.</p>
<h2>Rede reúne pesquisadores de 15 estados</h2>
<p>A estrutura científica da BSHP alcança diferentes regiões do país. A página institucional da aliança informa a participação de 56 pesquisadores vinculados a universidades e outras instituições de 15 estados. Outra página de pesquisa do projeto menciona um time de 57 pesquisadores, diferença que indica atualização não uniforme entre as áreas do próprio site.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="334078">trabalho</a> da rede busca identificar práticas de manejo capazes de melhorar atributos físicos, químicos e biológicos do solo em culturas anuais e perenes, pastagens e sistemas integrados. Para comparar resultados obtidos em condições distintas, os integrantes adotam protocolos padronizados de amostragem e análise.</p>
<p>A padronização é uma etapa central porque a saúde do solo não depende de um único indicador. A própria rede reconhece a complexidade das avaliações físicas, químicas e biológicas e as variações regionais que dificultam a adoção de uma única metodologia para todos os sistemas produtivos brasileiros.</p>
<p>A proposta da BSHP é produzir correlações mais confiáveis entre as práticas agrícolas e seus efeitos em diferentes condições edafoclimáticas. A rede também pretende definir um conjunto mínimo de dados adaptado à realidade brasileira, capaz de ampliar a escala das avaliações sem ignorar as particularidades das áreas analisadas.</p>
<p>Essa dimensão territorial aparece na organização das ações por bioma. A parceria informa que trabalha com práticas regenerativas e resiliência do solo na Amazônia; recuperação de pastagens e sistemas integrados no Cerrado; restauração florestal e monitoramento de carbono na Mata Atlântica; retenção de água na Caatinga; manejo de pastagens naturais no Pampa; e estudos sobre o uso sustentável de áreas úmidas no Pantanal.</p>
<h2>Primeira edição aborda microbioma e bioanálise</h2>
<p>Publicada em 15 de setembro de 2025, a primeira edição recebeu o título “Solo vivo”. O boletim apresentou resultados de pesquisas conduzidas no Cerrado e na Caatinga sobre sistemas integrados com leguminosas e sobre a contribuição do microbioma para a recuperação da saúde do solo.</p>
<p>A edição também destacou a trajetória da pesquisadora Ieda de Carvalho Mendes e a bioanálise de solos, conhecida como BioAS. A ferramenta foi abordada no informativo como uma alternativa prática de manejo capaz de incorporar a dimensão biológica às avaliações realizadas em áreas agrícolas.</p>
<p>Ao colocar organismos, raízes e processos biológicos no centro da discussão, o primeiro boletim introduziu a abordagem do solo como um sistema vivo. A publicação relaciona essa perspectiva à biodiversidade, à produtividade agrícola, à sustentabilidade e à resiliência dos ecossistemas e das comunidades rurais.</p>
<p>O informativo também reuniu <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="334077">notícias</a>, premiações e eventos envolvendo integrantes da parceria. Esse formato seria mantido nas edições seguintes: resultados de pesquisa são combinados com perfis de cientistas e registros de atividades nacionais e internacionais relacionadas à saúde do solo.</p>
<p>O primeiro número foi organizado por Maurício Roberto Cherubin e teve Victória Santos Souza, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Maria Eduarda Santana S. Fonseca e Eloisa Honorato Rocha entre os autores. A edição recebeu o DOI 10.11606/9786587391991 e o ISBN 978-65-87391-99-1.</p>
<h2>Agricultura regenerativa ganha espaço no Cerrado</h2>
<p>A segunda edição, publicada em 5 de dezembro de 2025, concentrou-se em “Práticas regenerativas”. O conteúdo reuniu estudos desenvolvidos no Cerrado e discutiu o papel de sistemas de manejo voltados à recuperação e à manutenção da saúde do solo.</p>
<p>O boletim apresentou o percurso profissional de Antônio Luis Santi e abordou a importância do georreferenciamento do solo para o manejo sustentável. A incorporação da dimensão espacial permite que diferenças observadas dentro das áreas produtivas sejam consideradas na avaliação e no planejamento das práticas agrícolas.</p>
<p>A escolha do Cerrado está alinhada à atuação territorial da parceria. Para o bioma, a BSHP declara desenvolver trabalhos relacionados à recuperação de pastagens degradadas e à adoção de sistemas integrados, buscando conciliar capacidade produtiva e conservação dos recursos naturais.</p>
<p>A edição vinculou as práticas regenerativas à busca de equilíbrio entre produção, biodiversidade e sustentabilidade. No desenho institucional da BSHP, a identificação de práticas capazes de impulsionar a saúde do solo depende da medição de atributos físicos, químicos e biológicos e da comparação dos resultados em condições distintas.</p>
<p>Organizada por Maurício Roberto Cherubin, a segunda edição teve Eloisa Honorato Rocha, Victória Santos Souza e Carlos Roberto Pinheiro Junior como autores. O registro no Portal de Livros Abertos da USP informa o DOI 10.11606/9788586481819.</p>
<h2>Restauração e estrutura ampliam o foco</h2>
<p>Lançada em 6 de abril de 2026, a terceira edição tratou da restauração de ecossistemas. O boletim reuniu pesquisas sobre restauração florestal e seus efeitos na saúde do solo e na biodiversidade de áreas degradadas, além de apresentar a trajetória do pesquisador Pedro Henrique Santin Brancalion.</p>
<p>A inclusão da restauração ampliou a pauta para além das áreas agrícolas em produção. Na estrutura do CCARBON/USP, a recuperação de ecossistemas degradados é investigada em conexão com aumento do carbono no solo e na biomassa, recuperação da biodiversidade e melhoria dos serviços ecossistêmicos.</p>
<p>A terceira edição foi organizada por Mauricio Roberto Cherubin e teve Eloisa Honorato Rocha, Victória Santos Souza e Carlos Roberto Pinheiro Junior como autores. A publicação recebeu o DOI 10.11606/9788586481925 e o ISBN 978-85-86481-92-5.</p>
<p>A quarta edição, publicada em 15 de junho de 2026, voltou-se à “Estrutura do solo e agricultura regenerativa”. O conteúdo destacou pesquisas sobre a relação entre estrutura física e sistemas de produção, com atenção à biodiversidade e à recuperação de áreas degradadas.</p>
<p>O pesquisador Marcos Pereira Gervásio foi o perfil central dessa edição. A publicação relacionou sua trajetória ao estudo da estrutura do solo e à sustentabilidade dos sistemas produtivos brasileiros, mantendo a combinação entre divulgação de resultados científicos, perfis profissionais, notícias, premiações e eventos.</p>
<p>A quarta edição foi organizada por Mauricio Roberto Cherubin, com autoria de Eloisa Honorato Rocha, Victória Santos Souza e Carlos Roberto Pinheiro Junior. O registro oficial informa o DOI 10.11606/9786562060096.</p>
<p>As quatro edições têm registros próprios no catálogo da USP, com autoria, palavras-chave, data de publicação, identificação bibliográfica e arquivo para acesso. A página da newsletter da BSHP também organiza a sequência completa, embora a página agregadora da série no portal universitário ainda exibisse três títulos no momento da consulta, apesar de a quarta edição possuir registro individual.</p>
<h2>Boletins integram programa mais amplo de pesquisa</h2>
<p>A <em>Soil Health News</em> funciona como uma camada de divulgação de um programa científico mais amplo. O CCARBON/USP organiza suas linhas de pesquisa em solo, plantas, animais, atmosfera e ferramentas digitais. No eixo de solo, o centro investiga, entre outros pontos, se áreas agrícolas brasileiras atuam como fontes ou sumidouros de carbono, como o microbioma influencia o sequestro de carbono e como solos degradados podem ser convertidos em soluções adaptadas às mudanças climáticas.</p>
<p>O programa também aborda restauração de ecossistemas, sistemas integrados, silvicultura, carbono azul e métodos digitais de monitoramento. A conexão entre essas frentes ajuda a explicar por que os boletins alternam temas biológicos, físicos, produtivos e ambientais, em vez de limitar a saúde do solo às análises convencionais de fertilidade.</p>
<p>Em maio de 2026, o Portal de Livros Abertos da USP publicou ainda a obra “Aplicações em saúde do solo: experiências e perspectivas”, organizada por Maurício Roberto Cherubin, Fellipe Alcantara de Oliveira Mello, Leonardo de Aro Galera e George Rodrigues Lambais. O livro reúne resultados de mais de 200 artigos científicos desenvolvidos pelo grupo SOHMA.</p>
<p>Os 16 capítulos percorrem experiências de agricultura regenerativa e sistemas integrados do Sul ao Cerrado e à fronteira agrícola, conservação e recuperação de ecossistemas frágeis, métodos de cálculo de índices de saúde do solo e iniciativas de regulamentação, ensino, extensão e articulação institucional.</p>
<p>A obra recebeu o DOI 10.11606/9786562060027 e o ISBN 978-65-6206-002-7. Segundo o registro oficial, o material foi concebido para apoiar a formação de profissionais de Ciências Agrárias e ampliar a circulação do conhecimento sobre saúde do solo em todas as regiões brasileiras.</p>
<p>A combinação entre livro, rede científica e boletins indica uma estratégia de circulação do conhecimento em diferentes níveis. Enquanto a obra de referência sistematiza resultados acumulados, a <em>Soil Health News</em> apresenta recortes temáticos e atualizações em formato mais curto, com acesso gratuito e conteúdo dirigido também a públicos de fora da universidade.</p>
<p>A próxima etapa formal da série não foi detalhada no comunicado da Esalq/USP. A BSHP mantém, porém, a newsletter entre seus canais permanentes e declara como missão conectar pesquisa, inovação e disseminação para apoiar práticas agrícolas sustentáveis e a conservação dos recursos naturais no país.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Esalq/USP — Boletins divulgam pesquisas e iniciativas sobre saúde do solo no Brasil — 31 de julho de 2026</li>
<li>Brazilian Soil Health Partnership — Sobre a Brazilian Soil Health Partnership</li>
<li>Brazilian Soil Health Partnership — Rede de membros científicos</li>
<li>Brazilian Soil Health Partnership — Soil Health News: edições publicadas</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Solo vivo, nº 1 — 15 de setembro de 2025</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Práticas regenerativas, nº 2 — 5 de dezembro de 2025</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Restauração de ecossistemas, nº 3 — 6 de abril de 2026</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Estrutura do solo e agricultura regenerativa, nº 4 — 15 de junho de 2026</li>
<li>CCARBON/USP — Programas e linhas de pesquisa</li>
<li>Portal de Livros Abertos da USP — Aplicações em saúde do solo: experiências e perspectivas — 22 de maio de 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Etanol amplia vantagem sobre gasolina e gera economia de até R$ 79 por tanque em São Paulo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/etanol-amplia-vantagem-sobre-gasolina-sao-paulo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 15:02:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica sobre a gasolina comum em São Paulo desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Com o biocombustível vendido, em média, a R$ 3,70 por litro e a gasolina a R$ 6,39, a diferença pode representar economia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica sobre a gasolina comum em São Paulo desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Com o biocombustível vendido, em média, a R$ 3,70 por litro e a gasolina a R$ 6,39, a diferença pode representar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333869">economia</a> de R$ 79,29 no abastecimento de um tanque de 60 litros.</p>
<p>O cálculo considera que um litro de etanol proporciona, em média, 73% do rendimento energético da gasolina. Aplicado esse parâmetro, a gasolina vendida a R$ 6,39 corresponderia a um preço equivalente de R$ 5,07 para o etanol. Como o valor efetivamente encontrado nas bombas paulistas foi de R$ 3,70, a diferença ajustada chegou a R$ 1,32 por litro.</p>
<p>A relação entre os preços ficou em 57,9% em São Paulo. Quanto menor essa proporção, maior tende a ser a vantagem do etanol para os veículos flex. O resultado foi o mais favorável ao biocombustível em oito anos e o segundo melhor desde o início da série utilizada pela entidade, em 2013.</p>
<p>Os dados têm como base o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável por acompanhar os preços praticados nos postos. A pesquisa abrange gasolina comum, etanol hidratado, diesel, gás veicular e gás liquefeito de petróleo, com resultados nacionais, estaduais e municipais.</p>
<h2>Vantagem depende do consumo de cada veículo</h2>
<p>A proporção de 73% utilizada no cálculo representa uma referência técnica mais atualizada do que a regra simplificada dos 70%, tradicionalmente adotada para comparar os dois combustíveis. O ponto de equilíbrio pode variar conforme o modelo do veículo, o motor, as condições de condução e o tipo de percurso.</p>
<p>Para um automóvel que percorra proporcionalmente 73 quilômetros com etanol para cada 100 quilômetros realizados com gasolina, o biocombustível será economicamente vantajoso quando custar menos de 73% do preço do combustível fóssil. Em São Paulo, a relação de 57,9% ficou 15,1 pontos percentuais abaixo desse limite.</p>
<p>A economia de R$ 79,29 não corresponde apenas à diferença nominal entre os preços na bomba. Se fossem comparados diretamente os valores de um tanque de 60 litros, o abastecimento com etanol custaria R$ 222, enquanto a gasolina exigiria R$ 383,40. A distância nominal seria de R$ 161,40, mas parte dela é compensada pelo menor rendimento energético do etanol.</p>
<p>Depois do ajuste pelo consumo, o custo equivalente da gasolina para a mesma distância seria de aproximadamente R$ 304,20. A diferença em relação aos R$ 222 gastos com o etanol fica próxima dos R$ 80 estimados. O benefício efetivo poderá ser maior ou menor conforme a eficiência específica de cada automóvel.</p>
<p>Motoristas podem calcular a paridade dividindo o preço do etanol pelo preço da gasolina. Com os valores médios paulistas, a operação de R$ 3,70 divididos por R$ 6,39 resulta em 0,579, ou 57,9%. O resultado indica vantagem ampla mesmo para veículos nos quais o rendimento relativo do etanol fique abaixo dos 73% adotados pela entidade.</p>
<h2>Etanol é competitivo em seis Estados pesquisados</h2>
<p>A vantagem não ficou restrita à média estadual de São Paulo. Segundo a análise dos dados da ANP, todos os municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais apresentaram preços do etanol abaixo da paridade técnica com a gasolina.</p>
<p>Os seis Estados concentram parcela relevante da produção brasileira de cana-de-açúcar e de etanol de milho. A proximidade das usinas, a disponibilidade do produto e a estrutura logística reduzem custos de transporte e favorecem a transmissão dos preços praticados pelos produtores até os postos.</p>
<p>Em Mato Grosso, a relação entre os preços caiu para 55%. O etanol hidratado foi comercializado, em média, a R$ 3,74 por litro, diante de R$ 6,80 para a gasolina. A diferença nominal atingiu R$ 3,06 por litro, superior aos R$ 2,69 registrados em São Paulo.</p>
<p>A competitividade, entretanto, não é uniforme em todo o território nacional. Estados distantes das principais regiões produtoras enfrentam custos logísticos maiores, e a tributação também interfere no preço final. A ANP esclarece que os combustíveis operam em regime de liberdade de preços desde 2002, sem tabelamento ou autorização prévia para reajustes.</p>
<p>O valor ao consumidor é composto pelos preços praticados por produtores ou importadores, tributos federais e estaduais, custos de distribuição, despesas de revenda e margens comerciais. No caso da gasolina, também influencia a proporção de etanol anidro obrigatoriamente adicionada ao produto antes de sua comercialização.</p>
<h2>Preço nas usinas acumula quedas em julho</h2>
<p>A redução observada nos postos ocorreu após uma sequência de quedas nas negociações entre usinas e distribuidoras. O Indicador Semanal do Etanol Hidratado Cepea/Esalq para São Paulo passou de R$ 2,2427 por litro no período encerrado em 3 de julho para R$ 2,0764 entre os dias 20 e 24.</p>
<p>O recuo acumulado nesse intervalo foi de 7,4%. Apenas na semana de 20 a 24 de julho, a diminuição chegou a 2,68%. O indicador é calculado sem frete, ICMS, PIS e Cofins, motivo pelo qual não deve ser comparado diretamente com os valores pagos pelo consumidor nos postos.</p>
<p>O etanol anidro, misturado à gasolina, apresentou trajetória semelhante. O preço médio caiu de R$ 2,5808 por litro na semana encerrada em 3 de julho para R$ 2,3786 entre os dias 20 e 24, uma redução de 7,8%.</p>
<p>O movimento refletiu a intensificação da moagem de cana-de-açúcar e a necessidade de comercialização por parte de algumas unidades produtoras. A entrada de maior volume no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333870">mercado</a> pressionou as cotações, enquanto distribuidoras mantiveram cautela nas compras diante da expectativa de continuidade da oferta.</p>
<p>A transmissão das quedas das usinas para os postos não é automática nem integral. Estoques adquiridos anteriormente, contratos, frete, tributos e margens comerciais podem retardar ou reduzir o repasse. A sequência de recuos, porém, abriu espaço para uma diminuição dos preços ao consumidor ao longo de julho.</p>
<h2>Produção cresce com cana e etanol de milho</h2>
<p>A oferta também foi favorecida pelo desempenho da produção na safra 2026/2027. Até 1º de junho, as unidades do Centro-Sul haviam produzido 7,54 bilhões de litros de etanol, crescimento de 31,55% em relação ao mesmo estágio do ciclo anterior.</p>
<p>O etanol hidratado, vendido diretamente nos postos, somou 4,96 bilhões de litros, aumento de 29%. A fabricação de anidro alcançou 2,58 bilhões de litros, avanço de 36,73%. Os dados abrangem a produção a partir de cana-de-açúcar e de milho.</p>
<p>Somente na segunda quinzena de maio, foram fabricados 2,13 bilhões de litros de etanol. Desse volume, 1,33 bilhão correspondeu ao hidratado e 796 milhões ao anidro. Cerca de 19,4% da produção quinzenal teve o milho como matéria-prima.</p>
<p>A produção de etanol de milho atingiu 1,57 bilhão de litros desde o começo da safra, alta de 8,63%. Essa modalidade permite fabricação ao longo de períodos em que a moagem de cana diminui e amplia a disponibilidade do combustível em Estados do Centro-Oeste.</p>
<p>A expansão da produção ocorreu apesar de a moagem de cana ter recuado na segunda metade de maio. As usinas processaram 41,55 milhões de toneladas, 13,08% abaixo do volume do mesmo período da safra anterior. A maior destinação da matéria-prima ao etanol e o crescimento da produção de milho compensaram parcialmente a redução.</p>
<h2>Vendas internas acompanham ganho de competitividade</h2>
<p>As vendas das unidades do Centro-Sul somaram 2,88 bilhões de litros de etanol em maio. O hidratado respondeu por 1,79 bilhão de litros, enquanto o anidro totalizou 1,09 bilhão.</p>
<p>No mercado doméstico, a comercialização de hidratado alcançou 1,77 bilhão de litros. A média diária avançou 2,09% na comparação com maio da safra anterior. As vendas de anidro aumentaram 1,66%, também considerando o mercado interno.</p>
<p>A melhora já era observada no fim de maio, quando o preço do etanol nos postos correspondia a 60,7% do valor da gasolina em São Paulo. Na última semana daquele mês, todos os municípios pesquisados nos seis principais Estados produtores apresentavam vantagem para o biocombustível.</p>
<p>Entre o fim de maio e o levantamento divulgado em agosto, a paridade paulista caiu mais 2,8 pontos percentuais, de 60,7% para 57,9%. A redução mostra que o preço do etanol recuou em ritmo superior ao da gasolina durante o período.</p>
<p>No acumulado da safra até 1º de junho, as vendas das usinas do Centro-Sul chegaram a 5,66 bilhões de litros. O hidratado respondeu por 3,55 bilhões, e o anidro, por 2,11 bilhões.</p>
<h2>Mistura de etanol na gasolina sobe para 32%</h2>
<p>O ganho de competitividade do hidratado ocorre simultaneamente ao aumento do uso do etanol anidro na gasolina. O Conselho Nacional de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333868">Política</a> Energética aprovou a elevação temporária da mistura obrigatória de 30% para 32%, conhecida como E32.</p>
<p>A medida entrou em vigor em 1º de agosto e terá duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação por igual período. A autorização está prevista na Lei do Combustível do Futuro e foi precedida por testes coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.</p>
<p>Os ensaios avaliaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões em veículos leves e motocicletas. Segundo o ministério, a mistura com 32% apresentou comportamento equivalente ao das proporções anteriores, inclusive em veículos que não possuem motor flex.</p>
<p>O governo estima que o E32 poderá reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina. A maior demanda por anidro cria uma destinação adicional para a produção das usinas, ao mesmo tempo que o hidratado permanece disponível como opção direta para proprietários de veículos flex.</p>
<p>A vantagem <a href="https://gazetamercantil.com/fgts-agosto-2026-saque-aniversario-liberado" title="FGTS Agosto 2026: saque-aniversário liberado hoje; veja quem recebe" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336173">econômica observada em agosto</a> dependerá da continuidade da oferta, das cotações nas usinas e dos repasses ao varejo. A ANP atualizará semanalmente os preços estaduais e municipais, permitindo verificar se a relação favorável ao etanol será mantida após o início do E32 e durante o avanço da moagem no Centro-Sul.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018 — 3 de agosto de 2026</li>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Levantamento de Preços de Combustíveis — <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336174">consultado em 4 de agosto</a> de 2026</li>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Série Histórica de Preços de Combustíveis e de GLP — consultada em 4 de agosto de 2026</li>
<li>Centro de Estudos Avançados em <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336175">Economia Aplicada — Indicador Semanal do Etanol</a> Cepea/Esalq — consultado em 4 de agosto de 2026</li>
<li>União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Safra 2026/2027, segunda quinzena de maio — 24 de junho de 2026</li>
<li>Ministério de Minas e Energia — CNPE aprova elevação do teor de etanol anidro na gasolina para 32% — 24 de julho de 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Crise em Ormuz leva enxofre a níveis recordes e pressiona custo da safra brasileira</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/crise-ormuz-enxofre-fertilizantes-custo-safra-brasileira</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 15:20:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[estreito de Ormuz]]></category>
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		<category><![CDATA[Mosaic]]></category>
		<category><![CDATA[safra 2026/27]]></category>
		<category><![CDATA[ureia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1523085</guid>

					<description><![CDATA[<p>As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz aprofundaram a crise no mercado global de fertilizantes e elevaram os custos de matérias-primas essenciais à produção agrícola. O impacto atinge diretamente o Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras e concentra parte relevante das compras no segundo semestre, período de preparação [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="774" data-end="1172">As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz aprofundaram a crise no mercado global de fertilizantes e elevaram os custos de matérias-primas essenciais à produção agrícola. O impacto atinge diretamente o Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras e concentra parte relevante das compras no segundo semestre, período de preparação para a safra 2026/27.</p>
<p data-start="1174" data-end="1514">O principal ponto de pressão está no enxofre, insumo utilizado na fabricação de ácido sulfúrico e, posteriormente, de fertilizantes fosfatados. A redução dos embarques pelo Golfo Pérsico levou a matéria-prima a patamares recordes, próximos ou superiores a US$ 1,2 mil por tonelada em determinadas referências internacionais ao longo do ano.</p>
<p data-start="1516" data-end="1781">A crise também afeta a ureia, a amônia, o fosfato monoamônico, conhecido como MAP, e o fosfato diamônico, o DAP. O Estreito de Ormuz é rota para 34% do comércio mundial de ureia, 23% do fluxo de amônia, 18% das exportações de MAP e DAP e 49% do comércio de enxofre.</p>
<p data-start="1783" data-end="2105">A dimensão do choque vai além dos produtos que deixam diretamente os países do Golfo. Quando o enxofre e a amônia deixam de chegar a fábricas instaladas em outras regiões, unidades industriais reduzem sua produção, suspendem compras ou operam com margens insuficientes para justificar a manutenção da capacidade instalada.</p>
<h2 data-section-id="1i3h5d7" data-start="2107" data-end="2167">Enxofre transforma crise logística em problema industrial</h2>
<p data-start="2169" data-end="2426">O enxofre não é aplicado nas lavouras apenas como nutriente isolado. Sua principal relevância econômica está na produção do ácido sulfúrico, necessário para transformar a rocha fosfática em formas solúveis de fósforo que possam ser absorvidas pelas plantas.</p>
<p data-start="2428" data-end="2675">Sem oferta suficiente dessa matéria-prima, fábricas de fertilizantes fosfatados podem enfrentar dificuldades mesmo quando possuem acesso a minas de fosfato. A crise em Ormuz, portanto, interrompe uma etapa anterior à fabricação do produto acabado.</p>
<p data-start="2677" data-end="3013">Essa característica explica por que a pressão sobre os fosfatados se espalhou rapidamente para países distantes do Oriente Médio. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332129">mercado</a> não depende apenas do transporte de MAP e DAP prontos, mas também do abastecimento de insumos utilizados por produtores localizados no Brasil, nos Estados Unidos, no Marrocos, na Índia e na China.</p>
<p data-start="3015" data-end="3252">Segundo a International Fertilizer Association, aproximadamente 15 milhões de toneladas de enxofre passavam anualmente pela rota de Ormuz antes das interrupções. No caso da ureia, o fluxo se aproximava de 12 milhões de toneladas por ano.</p>
<p data-start="3254" data-end="3520">Entre o fim de fevereiro e o encerramento de abril, somente quatro embarcações de enxofre conseguiram deixar o Golfo pelo estreito, transportando cerca de 200 mil toneladas. Ao fim daquele período, aproximadamente 400 mil toneladas permaneciam retidas em dez navios.</p>
<p data-start="3522" data-end="3754">No mercado de ureia, 17 embarcações carregadas com cerca de 800 mil toneladas continuavam bloqueadas. Havia ainda 150 mil toneladas de fertilizantes fosfatados e 60 mil toneladas de amônia aguardando a retomada do trânsito marítimo.</p>
<h2 data-section-id="grdadi" data-start="3756" data-end="3814">Brasil recebeu 3 milhões de toneladas pela rota em 2025</h2>
<p data-start="3816" data-end="4070">A exposição brasileira aparece nos próprios dados do comércio internacional. Em 2025, o Brasil recebeu de fornecedores dependentes da rota de Ormuz aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de ureia, 900 mil toneladas de enxofre e 700 mil toneladas de MAP.</p>
<p data-start="4072" data-end="4300">Somados, esses três fluxos chegaram a cerca de 3 milhões de toneladas. O volume não representa toda a importação brasileira de fertilizantes, mas mostra a relevância do corredor para produtos fundamentais à agricultura nacional.</p>
<p data-start="4302" data-end="4548">A ureia é a principal fonte de nitrogênio utilizada em diferentes culturas, incluindo milho, cana-de-açúcar, café, algodão e pastagens. O MAP, por sua vez, desempenha papel importante na adubação de base de soja, milho e outras culturas de grãos.</p>
<p data-start="4550" data-end="4797">Já o enxofre importado abastece parte da indústria brasileira de fosfatados. Mesmo quando o produto final é fabricado no País, sua estrutura de custos continua exposta às cotações internacionais e à disponibilidade de matérias-primas estrangeiras.</p>
<p data-start="4799" data-end="5099">O Brasil responde por aproximadamente 8% do consumo mundial de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores mercados globais. A escala da agricultura nacional faz com que alterações relativamente pequenas nos preços internacionais tenham efeitos relevantes sobre o custo total da produção.</p>
<p data-start="5101" data-end="5458">Além da dependência externa, há uma concentração temporal das compras. A demanda brasileira aumenta no segundo semestre, enquanto China, Índia e Estados Unidos possuem calendários diferentes. Essa sazonalidade pode oferecer poder de negociação em anos de oferta confortável, mas aumenta o risco quando a crise coincide com o período de formação de estoques.</p>
<h2 data-section-id="1vux2o5" data-start="5460" data-end="5520">Mosaic reduz produção diante do custo das matérias-primas</h2>
<p data-start="5522" data-end="5731">A deterioração do mercado já produziu efeitos concretos na indústria instalada no Brasil. A Mosaic informou que o aumento do preço do enxofre tornou parte de sua produção de fosfatados economicamente inviável.</p>
<p data-start="5733" data-end="5984">A companhia havia iniciado, ainda em dezembro de 2025, a suspensão temporária da produção de superfosfato simples nas instalações da Fospar e de Araxá. Em janeiro, decidiu prolongar os cortes e suspender novas compras de enxofre no mercado brasileiro.</p>
<p data-start="5986" data-end="6203">A pressão sobre a matéria-prima, portanto, começou antes do agravamento das interrupções em Ormuz. A crise no estreito reduziu ainda mais a oferta internacional e aprofundou um desequilíbrio que já estava em formação.</p>
<p data-start="6205" data-end="6398">Em abril, a Mosaic anunciou a paralisação e desmobilização do complexo de mineração e processamento de Araxá, além da suspensão das atividades de mineração relacionadas à unidade de Patrocínio.</p>
<p data-start="6400" data-end="6674">A medida deverá reduzir a produção anual de fosfatados da Mosaic Fertilizantes em aproximadamente 1 milhão de toneladas. A companhia também colocou os ativos de Araxá à venda e estimou uma redução futura de despesas operacionais e investimentos após a conclusão do processo.</p>
<p data-start="6676" data-end="6873">No primeiro trimestre de 2026, a margem bruta da Mosaic Fertilizantes caiu de US$ 69 para US$ 22 por tonelada. O Ebitda ajustado do negócio brasileiro recuou de US$ 122 milhões para US$ 79 milhões.</p>
<p data-start="6875" data-end="7110">A companhia atribuiu o desempenho a menores volumes, redução das margens de distribuição e aumento do custo do enxofre. No segmento global de fosfatados, os gastos adicionais com matérias-primas chegaram a US$ 280 milhões no trimestre.</p>
<h2 data-section-id="rnafu9" data-start="7112" data-end="7166">Ureia sente impacto do gás e do transporte marítimo</h2>
<p data-start="7168" data-end="7341">Nos fertilizantes nitrogenados, o mecanismo de transmissão da crise é diferente. A ureia é produzida a partir da amônia, cuja fabricação depende intensamente do gás natural.</p>
<p data-start="7343" data-end="7571">O gás funciona tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima para obtenção do hidrogênio utilizado no processo industrial. Na produção de fertilizantes nitrogenados, ele representa normalmente entre 60% e 80% dos custos.</p>
<p data-start="7573" data-end="7810">Ormuz também é uma rota central para o gás natural liquefeito. A interrupção dos fluxos afeta produtores diretamente instalados no Golfo e países asiáticos que dependem do gás importado para manter fábricas de amônia e ureia em operação.</p>
<p data-start="7812" data-end="8044">O choque atingiu os preços internacionais com maior intensidade entre março e abril. A ureia chegou a superar US$ 850 por tonelada em algumas referências internacionais, uma valorização de aproximadamente 80% em relação a fevereiro.</p>
<p data-start="8046" data-end="8328">Parte dessa alta foi posteriormente devolvida com a reorganização das rotas, a liberação de alguns embarques e a retração temporária dos compradores. O mercado, no entanto, continua sujeito a movimentos abruptos porque a circulação de navios não retornou ao padrão anterior à crise.</p>
<p data-start="8330" data-end="8603">O Banco Mundial projeta avanço de quase 60% no preço médio da ureia em 2026. Para o conjunto dos fertilizantes, a previsão é de alta superior a 30%, seguida de possível alívio em 2027, condicionado à recuperação das exportações e à entrada de novas capacidades de produção.</p>
<h2 data-section-id="fqleio" data-start="8605" data-end="8656">Fosfatados caros reduzem apetite dos compradores</h2>
<p data-start="8658" data-end="8884">O aumento dos custos industriais elevou os preços dos fosfatados, mas também passou a restringir a demanda. Produtores rurais, distribuidores e misturadores adiaram parte das compras na expectativa de algum recuo das cotações.</p>
<p data-start="8886" data-end="9082">Esse comportamento produz uma aparente contradição. A oferta está reduzida, mas os preços elevados limitam os <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332127">negócios</a> e impedem que fabricantes repassem integralmente o custo das matérias-primas.</p>
<p data-start="9084" data-end="9337">A indústria pode vender o fertilizante acabado por um valor maior e, ainda assim, registrar margens menores. Isso ocorre quando o preço do enxofre, da amônia e de outros insumos avança mais rapidamente do que a cotação do MAP, do DAP ou do superfosfato.</p>
<p data-start="9339" data-end="9546">A perda de rentabilidade leva algumas fábricas a reduzir as taxas de utilização, agravando a escassez. Ao mesmo tempo, o produtor rural evita fechar contratos em um mercado que considera excessivamente caro.</p>
<p data-start="9548" data-end="9796">A Organização Mundial do Comércio identificou aumento expressivo das restrições comerciais adotadas por países exportadores desde o fechamento de Ormuz. Licenças, cotas e proibições poderiam afetar até 15% das exportações mundiais de fertilizantes.</p>
<p data-start="9798" data-end="10044">Considerada a interrupção dos embarques do Golfo como uma restrição adicional, a parcela potencialmente afetada chegaria a 23,3% do comércio global. A estimativa representa um limite superior, porque parte das cargas continua sendo redirecionada.</p>
<h2 data-section-id="wr8tms" data-start="10046" data-end="10102">Rotas alternativas não substituem capacidade de Ormuz</h2>
<p data-start="10104" data-end="10312">A Arábia Saudita passou a utilizar com maior intensidade portos fora do Golfo, incluindo terminais no Mar Vermelho. Outros exportadores buscaram corredores terrestres e embarques por instalações alternativas.</p>
<p data-start="10314" data-end="10564">Essas soluções, contudo, possuem capacidade limitada e custos superiores. O transporte por terra adiciona despesas de manuseio, armazenagem e deslocamento, enquanto as rotas marítimas mais longas elevam o consumo de combustível e o preço dos seguros.</p>
<p data-start="10566" data-end="10760">O risco no Mar Vermelho também dificulta a substituição. A cadeia global de fertilizantes passou a enfrentar simultaneamente problemas em Ormuz e nas rotas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb.</p>
<p data-start="10762" data-end="11042">A redução da oferta de navios disponíveis para determinadas rotas pressiona os fretes. Em mercados de produtos de baixo valor relativo por tonelada, como algumas matérias-primas para fertilizantes, o custo logístico pode determinar se uma operação permanece economicamente viável.</p>
<p data-start="11044" data-end="11238">Para o comprador brasileiro, o preço final combina a cotação internacional do produto, o frete marítimo, o seguro, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332128">dólar</a>, os custos portuários e o transporte interno até as regiões produtoras.</p>
<p data-start="11240" data-end="11366">Mesmo quando a cotação externa recua, outros componentes podem impedir uma queda equivalente nos preços pagos pelo agricultor.</p>
<h2 data-section-id="11lzrni" data-start="11368" data-end="11438">Produtor brasileiro enfrenta decisão sobre dose e momento de compra</h2>
<p data-start="11440" data-end="11657">O impacto da crise será diferente conforme o nível de cobertura de cada produtor. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332130">Empresas</a> agrícolas e cooperativas que compraram fertilizantes antecipadamente estão parcialmente protegidas contra a elevação imediata.</p>
<p data-start="11659" data-end="11851">Produtores que ainda precisam adquirir grande parte dos insumos para a safra 2026/27 estão mais expostos. A situação é especialmente relevante para culturas intensivas em nitrogênio e fósforo.</p>
<p data-start="11853" data-end="12127">Diante de uma relação de troca desfavorável, o agricultor pode adiar a compra, buscar fontes alternativas, reduzir a dose aplicada ou substituir parte do produto. Essas decisões dependem da análise do solo, da cultura, do potencial produtivo e da disponibilidade financeira.</p>
<p data-start="12129" data-end="12312">A substituição entre nutrientes possui limites técnicos. Potássio, fósforo e nitrogênio cumprem funções diferentes, e a redução excessiva de um deles pode comprometer a produtividade.</p>
<p data-start="12314" data-end="12558">O potássio está menos exposto diretamente à crise de Ormuz porque os principais fornecedores globais estão no Canadá, na Rússia e em Belarus. Ainda assim, pode sofrer efeitos indiretos caso agricultores alterem o orçamento destinado à adubação.</p>
<p data-start="12560" data-end="12771">Um produtor que precisa gastar mais com ureia ou MAP pode reduzir compras de cloreto de potássio para manter o custo total sob controle. Dessa forma, o choque em um nutriente alcança outros segmentos do mercado.</p>
<h2 data-section-id="re9umt" data-start="12773" data-end="12817">Alta pode chegar aos alimentos com atraso</h2>
<p data-start="12819" data-end="12978">O encarecimento dos fertilizantes não se transforma automaticamente em inflação ao consumidor. O primeiro impacto costuma aparecer na margem do produtor rural.</p>
<p data-start="12980" data-end="13225">Quando o preço recebido por soja, milho, algodão ou cana-de-açúcar não acompanha os custos, a rentabilidade diminui. O agricultor pode reagir reduzindo investimentos, adotando uma adubação mais conservadora ou alterando a combinação de culturas.</p>
<p data-start="13227" data-end="13393">O repasse aos alimentos depende da duração da crise, do volume de estoques, do câmbio, das condições climáticas e da capacidade de o mercado absorver os novos custos.</p>
<p data-start="13395" data-end="13656">Caso a redução da aplicação comprometa a produtividade, o efeito poderá surgir na forma de menor oferta e preços agrícolas mais elevados. Esse processo ocorre com atraso e pode atingir primeiro grãos e rações, antes de chegar a carnes, leite e outros alimentos.</p>
<p data-start="13658" data-end="13884">O risco também alcança as exportações. Fertilizantes mais caros reduzem a competitividade da produção brasileira, especialmente quando concorrentes possuem maior produção doméstica de nutrientes ou acesso logístico mais curto.</p>
<h2 data-section-id="bhi01z" data-start="13886" data-end="13951">Safra 2026/27 transforma Ormuz em teste para o agro brasileiro</h2>
<p data-start="13953" data-end="14192">A crise reforça a vulnerabilidade que levou o governo a criar o Plano Nacional de Fertilizantes. A estratégia prevê ampliar a produção nacional, desenvolver fontes alternativas de nutrientes, estimular pesquisa e diversificar fornecedores.</p>
<p data-start="14194" data-end="14398">Os resultados, porém, são de longo prazo. Novas minas, fábricas de nitrogenados e plantas de fosfatados exigem investimentos elevados, licenciamento, infraestrutura e vários anos até o início da produção.</p>
<p data-start="14400" data-end="14572">No horizonte imediato, o Brasil dependerá da disponibilidade internacional, da capacidade dos importadores de encontrar novas origens e da normalização das rotas marítimas.</p>
<p data-start="14574" data-end="14750">A abertura parcial de corredores e a redistribuição dos embarques podem aliviar a escassez, mas não eliminam o prêmio de risco incorporado aos preços, aos fretes e aos seguros.</p>
<p data-start="14752" data-end="15030">A preparação para a safra 2026/27 ocorre, assim, sob uma combinação desfavorável: demanda brasileira concentrada no segundo semestre, indústria internacional operando com restrições e incerteza geopolítica sobre uma rota que concentra quase metade do comércio global de enxofre.</p>
<p data-start="15032" data-end="15394">O comportamento dos preços nas próximas semanas determinará se o choque será absorvido principalmente pelas margens dos produtores ou se avançará para as decisões de adubação, produtividade e oferta agrícola. Para o Brasil, a crise em Ormuz deixou de ser apenas uma questão distante de logística marítima e passou a integrar diretamente o custo da próxima safra.</p>
<p data-start="15396" data-end="15518">
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			</item>
		<item>
		<title>USP cria mapa químico para rastrear origem de madeira ilegal da Amazônia</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/usp-mapa-quimico-rastrear-madeira-ilegal-amazonia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 14:16:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[Documento de Origem Florestal]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[isótopos estáveis]]></category>
		<category><![CDATA[madeira ilegal]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
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		<category><![CDATA[setor florestal]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um método capaz de restringir geograficamente a origem de madeira extraída da Amazônia a partir da composição química registrada na celulose das árvores. Conduzido pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em Piracicaba, o projeto combina análise de isótopos estáveis, modelagem estatística e aprendizado de máquina [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um método capaz de restringir geograficamente a origem de madeira extraída da Amazônia a partir da composição química registrada na celulose das árvores. Conduzido pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em Piracicaba, o projeto combina análise de isótopos estáveis, modelagem estatística e aprendizado de máquina para verificar se a procedência declarada em documentos florestais é compatível com a região onde a árvore teria crescido.</p>
<p>A tecnologia cria uma espécie de impressão digital natural da madeira. Como as proporções de diferentes formas de oxigênio, carbono, nitrogênio e outros elementos variam de acordo com o regime de chuvas, o solo, a altitude e as condições ambientais, amostras retiradas de regiões distintas da Amazônia apresentam assinaturas químicas diferentes.</p>
<p>O objetivo não é substituir o Documento de Origem Florestal, o DOF, nem determinar imediatamente o ponto exato onde cada árvore foi derrubada. A proposta é oferecer uma prova material independente <a href="https://gazetamercantil.com/inss-agosto-2026-calendario-pagamento-prova-de-vida" title="INSS Agosto 2026: calendário oficial de 25/08 a 08/09 e prova de vida obrigatória &#8211; veja quem recebe" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336196">para</a> confrontar as informações registradas no sistema oficial, reduzindo a área provável de origem e indicando quando a composição da madeira é incompatível com o local declarado.</p>
<p>A pesquisa é coordenada pelo professor Luiz Antonio Martinelli e já envolve colaboração com peritos da Polícia Federal. O trabalho também ganhou uma aplicação econômica mais ampla: permitir que <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="332116">empresas</a>, exportadores, instituições financeiras e compradores internacionais verifiquem com maior segurança a origem de produtos florestais inseridos em suas cadeias de fornecimento.</p>
<h2>Assinatura química confronta origem declarada no DOF</h2>
<p>O Documento de Origem Florestal é a licença obrigatória para o transporte e o armazenamento de madeira e outros produtos florestais de espécies nativas. Emitido eletronicamente, o documento reúne informações sobre procedência, volume, espécie, origem e destino da carga.</p>
<p>O sistema foi ampliado com a criação do DOF+ Rastreabilidade, destinado a acompanhar a madeira desde sua localização na floresta até o primeiro processamento. A fiscalização, contudo, ainda depende da consistência das informações inseridas pelos agentes da cadeia e da capacidade dos órgãos públicos de verificar os dados apresentados.</p>
<p>É nessa lacuna que o método da USP pretende atuar. Enquanto registros eletrônicos, autorizações e documentos de transporte podem conter informações falsas ou ser utilizados para encobrir madeira retirada de áreas não autorizadas, a composição isotópica está incorporada à própria estrutura do material.</p>
<p>Os isótopos são formas de um mesmo elemento químico que possuem o mesmo número de prótons, mas quantidades diferentes de nêutrons. A proporção entre essas formas varia na natureza e pode deixar registros mensuráveis nos tecidos das plantas.</p>
<p>Na madeira, os pesquisadores analisam a composição da celulose. A relação entre oxigênio-18 e oxigênio-16, por exemplo, muda conforme a localização geográfica e as condições climáticas às quais a árvore esteve exposta durante seu desenvolvimento.</p>
<p>Essa característica transforma a madeira em uma fonte de evidência pericial. Uma carga acompanhada de documento que indique determinada origem pode ser submetida a análise laboratorial e comparada com o mapa isotópico construído pelos pesquisadores.</p>
<p>Caso a assinatura química seja incompatível com a procedência declarada, o resultado pode servir como elemento adicional em uma investigação. Segundo Martinelli, a vantagem é que não há como alterar artificialmente a composição isotópica formada ao longo do crescimento da árvore. “Não tem como falsificar isótopos estáveis”, afirmou o pesquisador.</p>
<h2>Estudo identificou gradiente químico entre leste e oeste</h2>
<p>A primeira etapa científica consolidada do projeto foi publicada em maio de 2026 na revista internacional <em>Molecules</em>. O estudo apresentou o primeiro mapa regional da distribuição de isótopos estáveis de oxigênio na madeira de árvores da Amazônia.</p>
<p>O artigo analisou 387 árvores coletadas em 25 localidades. Depois da extração da alfa-celulose, os pesquisadores mediram os valores de oxigênio-18 e testaram dois modelos para representar a distribuição geográfica das assinaturas.</p>
<p>O primeiro utilizou regressão linear múltipla, método estatístico que relaciona a composição isotópica a variáveis ambientais. O segundo empregou o algoritmo Random Forest, técnica de aprendizado de máquina que combina diferentes árvores de decisão para identificar padrões em grandes conjuntos de dados.</p>
<p>O modelo de regressão linear apresentou coeficiente de determinação de 0,70. Isso significa que as variáveis empregadas conseguiram explicar aproximadamente 70% da variação observada nos valores médios entre os locais analisados.</p>
<p>O Random Forest alcançou desempenho semelhante, com coeficiente de 0,67. A proximidade dos resultados indicou que tanto a abordagem estatística tradicional quanto o aprendizado de máquina conseguiram reproduzir o principal padrão geográfico identificado pela pesquisa.</p>
<p>Os dois modelos revelaram um gradiente entre o sudeste e o noroeste da Amazônia. As madeiras provenientes da parte ocidental apresentaram proporções menores de oxigênio-18, enquanto as amostras do leste registraram concentrações mais elevadas.</p>
<p>A explicação está relacionada ao deslocamento da umidade proveniente do oceano Atlântico. À medida que as massas de ar avançam sobre o continente e provocam precipitações, parte dos isótopos mais pesados do oxigênio é retirada da atmosfera pela chuva.</p>
<p>Quando a umidade chega às áreas mais distantes do oceano, especialmente no oeste amazônico, a água já perdeu uma parcela maior de oxigênio-18. Essa diferença é absorvida pelas árvores e incorporada à celulose, deixando um registro químico da dinâmica climática regional.</p>
<h2>Inteligência artificial amplia capacidade de cruzar variáveis</h2>
<p>O uso de inteligência artificial permite ao projeto trabalhar com relações que não seguem necessariamente padrões lineares. Na Amazônia, a composição da madeira pode ser influenciada simultaneamente pelo regime de chuvas, temperatura, altitude, umidade, tipo de solo, evapotranspiração e características fisiológicas de cada espécie.</p>
<p>Modelos de aprendizado de máquina conseguem cruzar essas variáveis e identificar combinações difíceis de capturar por métodos mais simples. A tecnologia também permite revisar as previsões à medida que novas amostras são incorporadas ao banco de dados.</p>
<p>A inteligência artificial, entretanto, não elimina a necessidade de uma base física representativa. O sistema depende de amostras cuja origem seja conhecida e confiável. Quanto mais ampla e distribuída for a coleta, maior tende a ser a capacidade do modelo de diferenciar regiões próximas.</p>
<p>O artigo publicado utilizou somente o oxigênio como marcador isotópico. O projeto mais amplo já trabalha com carbono e nitrogênio e pretende incorporar o estrôncio, elemento cuja composição pode refletir características geológicas e dos solos.</p>
<p>A combinação de vários marcadores poderá reduzir áreas de incerteza. Uma região que apresente valores semelhantes de oxigênio a outra pode ter composição distinta de carbono, nitrogênio ou estrôncio, permitindo uma separação mais precisa.</p>
<p>A equipe também estuda a criação de um mapa baseado na concentração de diferentes elementos químicos presentes na madeira. Essa ferramenta, chamada de <em>elementalscape</em>, poderia complementar o mapa isotópico e ampliar o número de características utilizadas na atribuição de origem.</p>
<h2>Base ampliada reúne 800 árvores em 63 localidades</h2>
<p>Embora o estudo publicado tenha considerado 387 árvores de 25 pontos, o projeto completo já reúne amostras de aproximadamente 800 árvores coletadas em 63 localidades da Amazônia.</p>
<p>A expansão é necessária porque a floresta ocupa uma área extensa, reúne grande diversidade de espécies e apresenta variações de solo e clima em escalas relativamente pequenas. Uma base concentrada em poucos pontos poderia produzir resultados excessivamente amplos ou atribuir confiança indevida a determinada região.</p>
<p>No estágio atual, o melhor modelo consegue excluir aproximadamente 80% da área florestal amazônica ao avaliar a possível origem de uma amostra. Isso representa a eliminação de cerca de 3,2 milhões de quilômetros quadrados.</p>
<p>O percentual demonstra o potencial do método, mas também revela sua principal limitação. Os 20% restantes correspondem a aproximadamente 640 mil quilômetros quadrados, área superior à de muitos países e equivalente a cerca de duas vezes e meia o território do Estado de São Paulo.</p>
<p>A ferramenta, portanto, ainda não deve ser apresentada como um sistema capaz de apontar sozinho a fazenda, o município ou o local exato da extração. Sua função mais imediata é restringir possibilidades e testar a compatibilidade entre a madeira apreendida e a origem declarada.</p>
<p>Em uma investigação, essa informação pode ser cruzada com coordenadas de planos de manejo, imagens de satélite, registros de transporte, dados de serrarias, volumes autorizados, rotas logísticas e documentos fiscais.</p>
<p>Quanto maior a quantidade de evidências convergentes, mais robusta será a atribuição de origem. A análise isotópica poderá funcionar como uma camada adicional de verificação, e não como substituta de todos os demais instrumentos de fiscalização.</p>
<h2>Arco do desmatamento concentra maior dificuldade técnica</h2>
<p>O maior desafio do projeto está justamente no arco do desmatamento, faixa que se estende por áreas do Maranhão, Pará, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas e concentra parte relevante da pressão sobre a floresta.</p>
<p>A região apresenta elevada diversidade de solos, microclimas, formações florestais e históricos de ocupação. Isso aumenta a variabilidade das assinaturas químicas e dificulta a construção de fronteiras claras entre uma área e outra.</p>
<p>Há ainda um problema operacional. O avanço da exploração madeireira e da conversão da floresta reduz o número de árvores disponíveis para amostragem em determinados locais. Como resultado, as áreas com maior risco de extração ilegal podem ser justamente aquelas em que os pesquisadores encontram maior dificuldade para construir uma base representativa.</p>
<p>A superação dessa limitação exigirá novas campanhas de coleta, maior diversidade de espécies e integração com instituições que atuam em diferentes partes da Amazônia.</p>
<p>O artigo reúne pesquisadores ligados à USP, Universidade de Brasília, Universidade Estadual Paulista, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Universidade do Estado do Amapá, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Lavras, Universidade Estadual de Montes Claros, Universidade de Utah e Polícia Federal.</p>
<p>A participação de diferentes instituições amplia o acesso a coleções, laboratórios, áreas de pesquisa e conhecimentos especializados. Também aproxima a produção acadêmica da aplicação pericial, condição necessária para que o método saia da fase experimental e seja incorporado a procedimentos de fiscalização.</p>
<h2>Polícia Federal prepara aplicação pericial do método</h2>
<p>A Polícia Federal já mantém iniciativas voltadas ao uso de análises geoquímicas para determinar a origem de madeira apreendida. Um dos projetos institucionais, denominado Madeira de Lei, concentra-se na exploração ilegal e utiliza estudos químicos para atribuição geográfica do material.</p>
<p>A cooperação com o grupo da USP pode oferecer aos peritos um mapa de referência contra o qual as amostras sejam comparadas. Depois de consolidada, a metodologia poderá ser aplicada a pequenos fragmentos retirados de toras, tábuas, móveis ou outros produtos.</p>
<p>O potencial probatório dependerá da validação científica, da padronização da coleta, do controle da cadeia de custódia e da definição de margens de erro. Laudos utilizados em processos criminais ou administrativos precisam demonstrar como as amostras foram obtidas, conservadas, analisadas e comparadas.</p>
<p>Outro ponto será estabelecer o peso da análise isotópica diante das demais evidências. Um resultado incompatível com o DOF pode indicar fraude, mistura de cargas ou falha documental, mas deverá ser interpretado dentro do conjunto da investigação.</p>
<p>Ainda assim, a possibilidade de testar fisicamente uma declaração de origem muda a dinâmica da fiscalização. Em vez de depender exclusivamente da conferência de registros, os órgãos públicos passam a contar com uma característica interna da própria madeira.</p>
<h2>Exigências internacionais aumentam valor da rastreabilidade</h2>
<p>O desenvolvimento da tecnologia ocorre em um momento de aumento das exigências ambientais sobre cadeias globais de fornecimento. A União Europeia se prepara para aplicar, a partir de 30 de dezembro de 2026, regras que obrigam empresas a demonstrar que determinadas commodities e produtos não estão associados ao desmatamento ou à degradação florestal.</p>
<p>A madeira está entre os produtos abrangidos. As empresas deverão realizar procedimentos de diligência, reunir dados de geolocalização e avaliar o risco de que os itens comercializados tenham origem em áreas desmatadas após a data de corte estabelecida pela regulação.</p>
<p>O mapa isotópico não substitui a geolocalização exigida pelas autoridades europeias. Ele pode, porém, funcionar como instrumento de auditoria para testar a consistência das informações fornecidas por produtores e fornecedores.</p>
<p>Para exportadores brasileiros, a capacidade de comprovar a origem pode reduzir o risco de retenções, sanções, cancelamento de contratos e perda de compradores. Para bancos, fundos e seguradoras, a tecnologia pode melhorar a avaliação de riscos socioambientais vinculados a empresas do setor florestal.</p>
<p>Companhias de móveis, construção, papel, celulose e varejo também poderão utilizar análises independentes para verificar fornecedores considerados mais expostos. A rastreabilidade deixaria de ser apenas um requisito documental e passaria a incorporar testes físicos por amostragem.</p>
<p>O efeito econômico mais relevante poderá ocorrer na diferenciação entre madeira legal e produtos cuja origem não possa ser comprovada. Empresas com cadeias auditáveis tendem a enfrentar menos barreiras, enquanto operações dependentes de documentação inconsistente ficam mais expostas a fiscalizações e restrições comerciais.</p>
<h2>Ampliação do banco de amostras definirá alcance da tecnologia</h2>
<p>A transformação do mapa isotópico em uma ferramenta operacional dependerá agora da expansão da base de referência e da validação em casos reais.</p>
<p>Novas coletas deverão preencher lacunas geográficas, aumentar a representação do arco do desmatamento e testar se diferenças entre espécies afetam as previsões. A inclusão de carbono, nitrogênio, estrôncio e outros elementos poderá reduzir a área de incerteza deixada pelo oxigênio.</p>
<p>Também será necessário criar protocolos para laboratórios, estabelecer critérios de interpretação e determinar em quais condições uma origem pode ser considerada compatível ou incompatível.</p>
<p>O avanço já obtido mostra que a madeira preserva informações ambientais capazes de atravessar as etapas de corte, transporte e processamento. Ao transformar esse registro natural em evidência mensurável, a pesquisa da USP abre uma nova frente contra a lavagem de madeira ilegal.</p>
<p>A consolidação do método dependerá menos da promessa de localizar uma árvore isolada e mais da capacidade de construir um sistema amplo, auditável e estatisticamente confiável. Com 800 árvores catalogadas em 63 localidades, o mapa começa a ganhar escala, mas será o crescimento dessa rede que determinará sua utilidade para a Polícia Federal, para o comércio exterior e para a cadeia florestal brasileira.</p>
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		<title>USDA reduz milho e soja a 63%; calor ameaça fase decisiva da safra dos EUA</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/usda-reduz-avaliacao-milho-soja-safra-estados-unidos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 23:42:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu nesta segunda-feira, 27 de julho, a avaliação das lavouras de milho e soja do país após o avanço do calor e da deficiência de chuvas nas Grandes Planícies e em partes do Meio-Oeste. A parcela das duas culturas classificada como boa ou excelente caiu para 63% na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu nesta segunda-feira, 27 de julho, a avaliação das lavouras de milho e soja do país após o avanço do calor e da deficiência de chuvas nas Grandes Planícies e em partes do Meio-Oeste. A parcela das duas culturas classificada como boa ou excelente caiu para 63% na semana encerrada no domingo, 26, justamente quando grande parte das plantas atravessa fases determinantes para a formação dos grãos.</p>
<p>A deterioração foi mais intensa no milho. O percentual de lavouras em boa ou excelente condição recuou quatro pontos em apenas uma semana, ante 67% no levantamento anterior. Na mesma etapa da temporada de 2025, a avaliação alcançava 73%.</p>
<p>Na soja, a classificação positiva caiu de 66% para 63%. Um ano antes, 70% das áreas eram consideradas boas ou excelentes.</p>
<p>Os resultados são os mais baixos para esta época do ano desde 2023 e aumentam a atenção do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331990">mercado</a> sobre o clima de agosto. A piora, porém, ainda não representa uma estimativa de quebra da safra dos Estados Unidos. O relatório do USDA mede visualmente o estado das plantações e pode mudar rapidamente caso as chuvas retornem.</p>
<h2>Milho perde quatro pontos durante a polinização</h2>
<p>A condição do milho apresentou uma mudança relevante na composição das avaliações.</p>
<p>A parcela considerada excelente caiu de 16% para 13%, enquanto as lavouras em boa condição passaram de 51% para 50%. Ao mesmo tempo, o grupo classificado como ruim ou muito ruim aumentou de 9% para 12%.</p>
<p>O movimento ocorreu quando 78% das áreas já haviam alcançado a emissão dos estilos-estigmas, etapa conhecida como <em>silking</em> e diretamente ligada à polinização das espigas.</p>
<p>O desenvolvimento estava acima dos 74% observados, em média, nos cinco anos anteriores. Em relação à semana precedente, houve avanço de 19 pontos percentuais.</p>
<p>Outros 25% das lavouras já se encontravam na fase de grão leitoso ou farináceo, ante média histórica de 22%. O adiantamento torna a disponibilidade de água ainda mais importante porque uma parcela elevada da safra já entrou no período de definição do número e do peso dos grãos.</p>
<p>Durante a polinização, temperaturas excessivas podem reduzir a viabilidade do pólen e impedir a fecundação uniforme da espiga. A falta de umidade também leva a planta a limitar seu desenvolvimento para preservar energia, o que pode resultar em menos grãos.</p>
<p>O efeito depende da intensidade e da duração do estresse. Um episódio curto de calor seguido por chuvas regulares tende a causar menos danos do que uma sequência prolongada de temperaturas altas e solo seco.</p>
<h2>Iowa sustenta média, mas Planícies apresentam fragilidade</h2>
<p>A avaliação nacional encobre diferenças importantes entre os Estados produtores.</p>
<p>Iowa, maior produtor norte-americano de milho, mantinha 80% das lavouras em condição boa ou excelente. Minnesota apresentava 77%, enquanto Wisconsin registrava 74%.</p>
<p>Esses índices ajudaram a sustentar a média dos Estados Unidos, mas o quadro era mais frágil nas áreas atingidas por seca e calor nas Planícies.</p>
<p>No Colorado, apenas 31% das plantações estavam em boa condição e nenhuma parcela foi classificada como excelente. Outros 41% do milho eram considerados ruins ou muito ruins.</p>
<p>No Texas, o grupo bom ou excelente representava 42%, enquanto 30% das áreas estavam nas duas piores classificações.</p>
<p>Dakota do Norte tinha 50% das lavouras em condição boa ou excelente. Em Dakota do Sul, o índice também era de 50%, com 23% das áreas classificadas como ruins ou muito ruins.</p>
<p>Kansas apresentava 54% de avaliação positiva e Nebraska, 60%. A diferença entre as regiões mostra que uma eventual redução da produtividade nacional dependerá da capacidade dos Estados centrais de compensar perdas nas áreas mais secas.</p>
<h2>Soja avança rapidamente para a formação de vagens</h2>
<p>A soja também chegou a uma etapa em que a distribuição das chuvas passa a ter influência direta sobre o resultado da safra.</p>
<p>O USDA informou que 80% das lavouras estavam em floração, acima dos 74% registrados no mesmo período de 2025 e da média dos cinco anos anteriores.</p>
<p>A formação de vagens alcançava 47% das áreas. O índice superava os 39% observados tanto no ano anterior quanto na média histórica.</p>
<p>A soja possui maior capacidade de compensação do que o milho durante parte do ciclo. Chuvas em agosto ainda podem estimular o enchimento das vagens e preservar o peso dos grãos, mesmo depois de semanas menos favoráveis em julho.</p>
<p>Essa capacidade diminui à medida que as plantas avançam. Se a deficiência hídrica persistir durante a formação e o enchimento das vagens, a cultura pode abortar flores, limitar o número de sementes e encurtar o período de desenvolvimento.</p>
<p>A parcela da soja em condição ruim ou muito ruim subiu de 8% para 9%. Um ano antes, as duas categorias somavam 6%.</p>
<h2>Dakota do Norte tem menos da metade da soja bem avaliada</h2>
<p>Iowa e Minnesota continuavam entre os Estados com melhores condições para a soja. Ambos registravam 78% das áreas em condição boa ou excelente.</p>
<p>No outro extremo, apenas 46% das plantações de Dakota do Norte estavam nas duas melhores classificações. Outros 13% eram considerados ruins ou muito ruins e 41% permaneciam em condição regular.</p>
<p>Dakota do Sul tinha 52% das lavouras bem avaliadas, enquanto 20% apareciam nas categorias ruim ou muito ruim.</p>
<p>Em Illinois, um dos maiores produtores de soja dos Estados Unidos, a classificação boa ou excelente alcançava 57%. Michigan apresentava 53%.</p>
<p>Nebraska registrava 61%, e Kansas, 64%.</p>
<p>A distribuição geográfica será decisiva para o resultado nacional. Perdas nas áreas mais secas poderão ser parcialmente compensadas por produtividades elevadas em Iowa, Minnesota e outras regiões, desde que o clima continue favorável nesses Estados.</p>
<h2>Umidade do solo piora nas Grandes Planícies</h2>
<p>Os dados de umidade ajudam a explicar a queda das avaliações.</p>
<p>No Colorado, 89% do solo superficial estava com umidade curta ou muito curta. Em Dakota do Sul, o índice chegava a 75%, enquanto Nebraska apresentava 72%.</p>
<p>Dakota do Norte tinha 62% do solo superficial nas duas categorias de deficiência. Em Michigan, o percentual alcançava 63%.</p>
<p>Mesmo em Iowa, onde as lavouras mantinham condições relativamente boas, 36% do solo apresentava umidade curta ou muito curta.</p>
<p>O U.S. Drought Monitor registrou expansão e intensificação da seca em partes das Planícies e do Alto Meio-Oeste durante a semana anterior à divulgação do relatório.</p>
<p>A região enfrentou temperaturas entre aproximadamente 1°C e mais de 5°C acima da média em algumas áreas. O calor elevou a evaporação e acelerou a perda de umidade do solo.</p>
<p>A piora também atingiu pastagens. Em Nebraska, 66% das áreas de pasto estavam em condição ruim ou muito ruim. No Colorado, o percentual chegava a 77%.</p>
<p>O enfraquecimento das pastagens pode aumentar os custos dos pecuaristas, antecipar o uso de alimentos armazenados e ampliar a procura por milho e outros ingredientes destinados à alimentação dos rebanhos.</p>
<h2>Previsão aponta risco de seca de início rápido</h2>
<p>O Climate Prediction Center dos Estados Unidos indicou risco de desenvolvimento rápido de seca em partes das Grandes Planícies e do Cinturão do Milho no começo de agosto.</p>
<p>O fenômeno ocorre quando uma combinação de pouca chuva, temperaturas elevadas, vento e forte evaporação provoca perda acelerada de umidade.</p>
<p>Ao contrário de secas que se desenvolvem gradualmente durante meses, a chamada seca de início rápido pode alterar as condições agrícolas em poucas semanas.</p>
<p>O risco é maior quando o fenômeno coincide com as etapas reprodutivas das culturas. Milho em polinização e soja em formação de vagens podem perder potencial antes que uma eventual regularização das chuvas consiga restabelecer as condições anteriores.</p>
<p>As previsões, contudo, não indicam clima uniforme para toda a região produtora. Tempestades localizadas podem levar volumes elevados a determinados municípios enquanto propriedades próximas permanecem secas.</p>
<p>Por isso, além do total acumulado, o mercado acompanhará a distribuição geográfica e a frequência das precipitações.</p>
<h2>Relatório mede condição, não produtividade final</h2>
<p>As classificações semanais do USDA são um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado de grãos, mas possuem limitações.</p>
<p>O levantamento utiliza informações de aproximadamente 3,6 mil pessoas cujas atividades permitem observar lavouras e manter contato frequente com produtores nos principais Estados agrícolas.</p>
<p>Os participantes avaliam visualmente o estágio de desenvolvimento e as condições das culturas. Os dados são reunidos em nível estadual e depois ponderados pela área plantada para formar o resultado nacional.</p>
<p>A avaliação é subjetiva. Uma lavoura classificada como boa por um observador pode receber uma interpretação diferente de outro profissional, embora o USDA adote definições padronizadas.</p>
<p>As estimativas também estão sujeitas a revisão na semana seguinte. Eventos meteorológicos ocorridos depois do envio de parte dos formulários podem alterar o quadro observado até o domingo de referência.</p>
<p>Apesar dessas limitações, uma queda simultânea de milho e soja durante fases críticas é relevante porque sinaliza deterioração disseminada, e não apenas um problema isolado em uma cultura.</p>
<p>A confirmação de perdas dependerá dos próximos relatórios de produtividade e produção, que combinam pesquisas com produtores, levantamentos de campo, imagens e modelos estatísticos.</p>
<h2>Área menor deixa milho mais exposto ao clima</h2>
<p>A sensibilidade da safra de milho aumentou porque os agricultores norte-americanos reduziram a área cultivada em 2026.</p>
<p>O USDA estima o plantio de 95,3 milhões de acres, cerca de 38,6 milhões de hectares, uma queda de 3% em relação ao ano anterior.</p>
<p>A área que deverá ser efetivamente colhida para produção de grãos foi calculada em 87,4 milhões de acres, redução de 4%.</p>
<p>Com menos hectares disponíveis, a produtividade passa a ter peso ainda maior sobre o volume final. Uma queda relevante do rendimento não poderá ser compensada pela expansão da área, como ocorreu em outras temporadas.</p>
<p>Os estoques oferecem algum amortecimento. Em 1º de junho, os Estados Unidos armazenavam 5,29 bilhões de bushels de milho, 14% acima do volume registrado um ano antes.</p>
<p>Os estoques mantidos nas propriedades cresceram 16%, enquanto os volumes em armazéns comerciais avançaram 12%.</p>
<p>Essa disponibilidade reduz o risco de escassez imediata, mas não elimina o impacto que uma safra menor poderia exercer sobre os preços ao longo do ciclo 2026/2027.</p>
<h2>Soja tem mais área e estoques maiores</h2>
<p>Na soja, os produtores adotaram uma estratégia diferente.</p>
<p>A área plantada foi estimada em 85,4 milhões de acres, aproximadamente 34,6 milhões de hectares, alta de 5% sobre 2025.</p>
<p>A área destinada à colheita também deverá crescer 5%, para 84,4 milhões de acres.</p>
<p>A ampliação oferece uma proteção parcial contra uma redução moderada de produtividade. Ainda assim, um período prolongado de seca durante agosto poderia impedir que o aumento da área se transformasse em produção maior.</p>
<p>Os estoques norte-americanos de soja somavam 1,06 bilhão de bushels em 1º de junho, avanço de 5% em relação ao ano anterior.</p>
<p>Dentro das propriedades rurais, o volume caiu 11%. Os estoques mantidos fora das fazendas aumentaram 16%.</p>
<p>A combinação de maior área e estoques elevados limita, inicialmente, o risco de falta do produto. O balanço poderá se apertar caso a produção recue e a demanda por exportação, esmagamento e biocombustíveis permaneça forte.</p>
<h2>Trigo de primavera mantém nota, mas Planícies preocupam</h2>
<p>O USDA manteve em 53% a parcela do trigo de primavera considerada boa ou excelente.</p>
<p>A estabilidade nacional escondeu diferenças regionais. Minnesota apresentava 88% das lavouras nas duas melhores categorias, enquanto Dakota do Sul registrava apenas 27%.</p>
<p>Em Dakota do Norte, maior produtor norte-americano da variedade, 52% das áreas eram boas ou excelentes. Outros 19% estavam classificadas como ruins ou muito ruins.</p>
<p>A cultura já se aproximava do fim do ciclo. Cerca de 92% das lavouras haviam espigado e 2% da área estava colhida.</p>
<p>O calor pode acelerar a maturação, reduzir o peso dos grãos e afetar a qualidade do trigo, especialmente quando ocorre junto com deficiência hídrica.</p>
<h2>Risco climático pode elevar prêmio nos preços</h2>
<p>A deterioração das lavouras tende a aumentar o prêmio climático dos contratos futuros de milho e soja negociados em Chicago.</p>
<p>Esse prêmio representa o valor adicional incorporado às cotações quando cresce a possibilidade de a oferta ficar abaixo do esperado.</p>
<p>A reação não depende apenas das classificações semanais. Estoques, exportações, demanda para ração, produção de etanol, esmagamento de soja, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331989">política</a> de biocombustíveis, câmbio e relações comerciais também influenciam os preços.</p>
<p>A maior área de soja e os estoques elevados podem limitar altas mais fortes caso as chuvas retornem em agosto.</p>
<p>No milho, a redução da área plantada torna o balanço mais sensível a uma eventual queda de produtividade.</p>
<p>Uma recuperação rápida do clima poderá retirar parte do prêmio e pressionar as cotações. A continuidade do calor e da seca, por outro lado, obrigaria o <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="334006">mercado a trabalhar</a> com estimativas menores de produção.</p>
<h2>Brasil pode ganhar espaço, mas ração fica mais cara</h2>
<p>Uma safra norte-americana abaixo do esperado poderia beneficiar exportadores brasileiros de soja e milho.</p>
<p>O Brasil disputa <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337210">com</a> os Estados Unidos os principais mercados globais das duas commodities e costuma ganhar competitividade quando a oferta norte-americana enfrenta restrições.</p>
<p>A Conab estima a produção brasileira de grãos em 360,1 milhões de toneladas na temporada 2025/2026.</p>
<p>A soja, cuja colheita já foi concluída, alcançou 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3%. A produção de milho foi estimada em 141,7 milhões de toneladas.</p>
<p>O volume <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333555">coloca o país</a> em posição para atender parte de uma eventual transferência da demanda internacional. O efeito dependerá do câmbio, dos preços em Chicago, dos custos portuários e da disponibilidade de produto para exportação.</p>
<p>A valorização dos grãos, porém, produz efeitos distintos dentro do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331991">agronegócio</a> brasileiro.</p>
<p>Milho e farelo de soja são os principais ingredientes das rações utilizadas na produção de frangos, suínos, ovos, leite e bovinos confinados. Preços mais altos podem reduzir margens de frigoríficos e criadores.</p>
<p>A indústria de etanol de milho também enfrenta custo maior quando a matéria-prima se valoriza. Parte desse impacto pode ser compensada pela alta dos coprodutos, como o farelo de milho utilizado na alimentação animal.</p>
<h2>Agosto definirá dimensão do risco para a oferta global</h2>
<p>O relatório do USDA confirma que a condição da safra dos Estados Unidos piorou, mas o tamanho de uma eventual perda continua em aberto.</p>
<p>O milho atravessa a polinização e o início do enchimento dos grãos, enquanto a soja avança para a formação de vagens. As duas culturas chegaram ao período em que a disponibilidade de água exerce maior influência sobre a produtividade.</p>
<p>Chuvas regulares nas próximas semanas poderão estabilizar as avaliações e preservar parte relevante do potencial produtivo.</p>
<p>A persistência do calor e da seca aumentaria a probabilidade de revisões negativas nas estimativas de produção, com efeitos sobre os preços globais, as exportações e o custo das cadeias de proteína animal.</p>
<p>A próxima atualização semanal mostrará se a queda para 63% foi uma deterioração pontual ou o início de uma tendência mais longa.</p>
<p>Com a área de milho menor, a soja em ritmo acelerado de desenvolvimento e o risco oficial de seca rápida no Cinturão do Milho, o clima de agosto passou a ser o principal fator de definição da safra norte-americana e do equilíbrio mundial de grãos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Agrolend mira R$ 2 bilhões no crédito rural enquanto inadimplência faz bancões recuarem</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/agrolend-mira-2-bilhoes-credito-rural-bancos-inadimplencia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 15:35:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Agrolend pretende elevar sua carteira de crédito para aproximadamente R$ 2 bilhões até o fim de 2026, mais que o dobro dos R$ 968 milhões registrados em dezembro do ano passado. A estratégia, detalhada pelo fundador e co-CEO Alan Glezer, busca aproveitar a redução da oferta de crédito rural pelos grandes bancos em meio [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Agrolend pretende elevar sua carteira de crédito para aproximadamente R$ 2 bilhões até o fim de 2026, mais que o dobro dos R$ 968 milhões registrados em dezembro do ano passado. A estratégia, detalhada pelo fundador e co-CEO Alan Glezer, busca aproveitar a redução da oferta de crédito rural pelos grandes bancos em meio ao aumento da inadimplência, das recuperações judiciais e do custo financeiro enfrentado pelo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331823">agronegócio</a> brasileiro.</p>
<p>A instituição aposta que a retração das principais fontes de financiamento abriu espaço para operações com produtores capitalizados, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331820">empresas</a> de insumos, distribuidores e grandes grupos da cadeia agroindustrial. Em vez de ampliar indiscriminadamente a exposição ao setor, a Agrolend pretende concentrar o crescimento em clientes considerados mais resilientes e com capacidade de pagamento comprovada.</p>
<p>O plano é agressivo. Para alcançar R$ 2 bilhões, a companhia precisará adicionar mais de R$ 1 bilhão à carteira em apenas um ano, enquanto parte do sistema financeiro adota critérios mais restritivos para novos empréstimos ao campo.</p>
<p>O cenário combina uma demanda ainda elevada por capital de giro com menor disponibilidade de recursos. Produtores precisam financiar sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e despesas da safra, mas enfrentam margens menores, juros altos e preços agrícolas abaixo dos picos observados no início da década.</p>
<p>É nesse desequilíbrio que a Agrolend identifica sua oportunidade. A expansão, entretanto, exigirá que a instituição preserve a qualidade da carteira enquanto amplia rapidamente o volume de operações em um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331822">mercado</a> marcado por crescente deterioração do risco.</p>
<h2>Carteira de crédito cresceu 15 vezes em três anos</h2>
<p>A Agrolend encerrou 2025 com R$ 968 milhões em carteira de crédito, resultado que representou uma expansão de aproximadamente 15 vezes em relação aos R$ 58 milhões registrados três anos antes.</p>
<p>Os ativos totais alcançaram R$ 1,5 bilhão, enquanto o lucro líquido somou R$ 23,9 milhões, o melhor resultado anual desde a fundação da empresa, em 2020.</p>
<p>A instituição iniciou suas atividades como sociedade de crédito direto e, em 2023, recebeu autorização do Banco Central para alterar seu objeto social e se transformar em sociedade de crédito, financiamento e investimento.</p>
<p>A mudança ampliou as possibilidades de captação e de concessão de crédito. Embora a Agrolend se apresente comercialmente como uma plataforma financeira digital voltada ao agronegócio, sua classificação regulatória não é a de banco múltiplo ou banco comercial.</p>
<p>O crescimento recente também foi acompanhado por uma mudança no perfil dos clientes. A empresa nasceu com foco em pequenos e médios produtores, utilizando tecnologia para simplificar análise, contratação e liberação de recursos.</p>
<p>Nos últimos anos, passou a atuar com maior intensidade em operações estruturadas de atacado. O modelo inclui financiamentos para empresas agrícolas, fornecedores de insumos e subsidiárias de grupos multinacionais, além do atendimento direto aos produtores.</p>
<p>Essa mudança permite a realização de contratos maiores. Segundo Glezer, a instituição já possui capacidade para estruturar operações individuais entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões, especialmente quando empresas precisam financiar vendas de fertilizantes, defensivos ou outros insumos.</p>
<h2>Inadimplência rural permanece próxima do recorde</h2>
<p>A ambição da Agrolend contrasta com o ambiente mais difícil do crédito rural. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das operações direcionadas a pessoas físicas no campo chegou a 7,6% em maio de 2026.</p>
<p>O indicador considera contratos com pelo menos uma parcela vencida há mais de 90 dias. Em fevereiro, a taxa atingiu 7,72%, o maior nível da série histórica iniciada em 2011.</p>
<p>Em março, houve recuo para 7,16%. O percentual voltou a subir para 7,51% em abril e chegou a 7,6% no mês seguinte, mostrando que a deterioração perdeu velocidade, mas ainda não foi revertida.</p>
<p>O Relatório de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331821">Política</a> Monetária do Banco Central também apontou retração nas concessões de crédito rural no trimestre encerrado em abril. Segundo a autoridade monetária, a carteira tem sido afetada pela inadimplência elevada e pela transferência de parte da demanda de financiamento <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333987">para instrumentos do mercado</a> de capitais.</p>
<p>A combinação ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso das instituições tradicionais. Quando os atrasos aumentam, os bancos elevam provisões para perdas, endurecem os critérios de aprovação e reduzem limites para segmentos considerados mais vulneráveis.</p>
<p>Esse ajuste não costuma ficar restrito aos produtores com problemas financeiros. Modelos de risco aplicados em larga escala podem provocar uma retração generalizada da oferta, atingindo também empresas e produtores com boa produtividade, patrimônio relevante e baixo endividamento.</p>
<p>A Agrolend pretende explorar justamente essa diferença. A instituição afirma utilizar uma seleção individualizada para separar tomadores pressionados financeiramente daqueles que continuam apresentando fundamentos sólidos.</p>
<h2>Juros e queda das commodities comprimiram as margens</h2>
<p>O atual ciclo de dificuldades começou depois de um período excepcionalmente favorável para o agronegócio. Entre 2021 e 2022, os juros estavam em níveis inferiores aos atuais, enquanto a soja chegou a ser negociada perto de R$ 180 por saca em algumas regiões.</p>
<p>Os preços elevados estimularam investimentos em máquinas, expansão de áreas cultivadas, aquisição de insumos e aumento da produção. Parte desses investimentos foi financiada com crédito rural, linhas bancárias, operações com fornecedores e títulos ligados ao agronegócio.</p>
<p>A reversão veio com o aumento dos juros, a valorização dos insumos e a queda das cotações agrícolas. A soja recuou para patamares próximos de R$ 120 por saca em determinadas praças, reduzindo a receita esperada por produtores que haviam elevado custos e endividamento.</p>
<p>A alta do custo financeiro agravou o problema. Empréstimos renovados a taxas maiores passaram a consumir parcela crescente da geração de caixa, especialmente em propriedades com baixa produtividade, dependência de terras arrendadas ou menor capacidade de armazenagem.</p>
<p>O resultado foi o aumento dos pedidos de renegociação e das recuperações judiciais. Embora o agronegócio brasileiro permaneça competitivo no mercado internacional, a situação financeira varia amplamente conforme região, cultura, nível tecnológico e estrutura patrimonial.</p>
<p>Produtores com terra própria, elevada produtividade e gestão profissional tendem a suportar melhor a queda das margens. Já aqueles com custos fixos elevados, arrendamentos caros e dívidas de curto prazo ficam mais expostos às oscilações das commodities.</p>
<p>Essa heterogeneidade sustenta a estratégia da Agrolend, mas também representa seu principal desafio. Crescer no crédito rural exige capacidade de identificar quais empresas atravessam um problema temporário e quais apresentam deterioração estrutural.</p>
<h2>Bancões reduzem exposição depois da expansão</h2>
<p>Banco do Brasil (BBAS3), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Caixa Econômica Federal ampliaram sua participação no financiamento ao agronegócio durante o período de maior rentabilidade do setor.</p>
<p>Além das linhas tradicionais do Plano Safra, as instituições avançaram em operações com recursos livres, capital de giro, financiamento de máquinas, títulos privados e crédito para empresas da cadeia produtiva.</p>
<p>A deterioração da qualidade das carteiras alterou esse movimento. Os bancos passaram a exigir mais garantias, reduzir limites, rever preços e priorizar clientes com histórico mais longo de relacionamento.</p>
<p>O Banco do Brasil (BBAS3), maior financiador individual do agronegócio brasileiro, possui uma exposição particularmente relevante. A piora dos indicadores do campo aumenta a pressão sobre provisões e pode afetar o resultado da instituição, mesmo quando existem garantias vinculadas aos contratos.</p>
<p>Bancos privados enfrentam dinâmica semelhante. O custo de manter capital reservado para operações consideradas mais arriscadas reduz a atratividade de uma expansão acelerada no crédito rural.</p>
<p>A retração também alcançou empresas internacionais de fertilizantes, defensivos e outros insumos que tradicionalmente financiam seus clientes. <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337164">Com juros maiores em mercados</a> desenvolvidos, o custo global do capital subiu e reduziu a disponibilidade de financiamento comercial.</p>
<p>Para produtores e empresas do campo, o efeito é uma menor variedade de fontes. A necessidade de crédito continua, mas os financiadores exigem taxas mais altas, garantias adicionais e demonstrações financeiras mais detalhadas.</p>
<h2>Agrolend aposta em velocidade e operações sob medida</h2>
<p>A Agrolend pretende competir com os grandes bancos por meio de três fatores: rapidez na análise, flexibilidade na estruturação e especialização no agronegócio.</p>
<p>Em operações ligadas à venda de insumos, o tempo pode ser decisivo. Uma distribuidora pode precisar de recursos para concluir uma compra, financiar um cliente ou aproveitar uma condição comercial disponível por poucos dias.</p>
<p>Bancos de grande porte normalmente possuem processos mais longos, com diferentes níveis de aprovação, áreas de risco e comitês. A Agrolend afirma conseguir tomar decisões em prazos menores por operar com uma estrutura mais enxuta e análise concentrada.</p>
<p>A instituição também passou a atender clientes maiores. Esse movimento reduz a dependência de uma grande quantidade de pequenos contratos, mas aumenta a concentração da carteira.</p>
<p>Uma operação de R$ 100 milhões representa mais de 10% da carteira registrada no fim de 2025. Mesmo com garantias e boa avaliação de crédito, a inadimplência de um único cliente de grande porte poderia produzir impacto relevante.</p>
<p>O crescimento para R$ 2 bilhões tende a reduzir proporcionalmente essa concentração, desde que a expansão ocorra com diversificação entre empresas, regiões, produtos e cadeias agrícolas.</p>
<p>A velocidade de aprovação também precisa ser equilibrada com a qualidade da análise. Em momentos de expansão, instituições financeiras podem ser pressionadas a flexibilizar critérios para atingir metas comerciais.</p>
<p>A Agrolend sustenta que iniciou o endurecimento de sua política ainda em 2023, antes da fase mais intensa da deterioração do crédito rural. A medida teria permitido entrar no atual ciclo com menor exposição a produtores vulneráveis.</p>
<h2>Inadimplência de 0,7% vira principal ativo da estratégia</h2>
<p>A instituição informou ter encerrado 2025 com inadimplência acima de 90 dias de 0,7%, muito abaixo do percentual registrado no crédito rural direcionado a pessoas físicas no sistema financeiro.</p>
<p>O índice de cobertura das operações problemáticas ficou em 386%. Isso significa que as provisões constituídas correspondiam a quase quatro vezes o volume de contratos classificados como inadimplentes pelo critério divulgado.</p>
<p>A Agrolend também reportou alavancagem de 1,9 vez. O indicador compara o tamanho das operações e dos ativos com o capital próprio disponível para absorver perdas.</p>
<p>Instituições financeiras de grande porte normalmente operam com alavancagem superior, o que aumenta a rentabilidade sobre o capital em períodos favoráveis, mas também amplia o impacto de perdas inesperadas.</p>
<p>A estrutura menos alavancada oferece espaço para crescimento. Ao mesmo tempo, dobrar a carteira em um único ano aumentará a necessidade de captação, capital regulatório e provisões.</p>
<p>A Agrolend utiliza Letras de Crédito do Agronegócio como uma de suas fontes de recursos. A estratégia declarada é captar em prazos mais longos e conceder empréstimos mais curtos, reduzindo o risco de descasamento entre vencimentos.</p>
<p>Essa disciplina será testada pela expansão. Para atingir a meta de R$ 2 bilhões, a instituição precisará obter recursos suficientes sem elevar excessivamente o custo de captação nem comprometer a liquidez.</p>
<p>O resultado também dependerá da manutenção do índice de inadimplência. Uma carteira maior tende a trazer novos riscos, especialmente quando o crescimento ocorre em um setor atravessado por renegociações e recuperações judiciais.</p>
<h2>Renegociação de dívidas muda o ambiente do crédito rural</h2>
<p>O agravamento do endividamento levou o governo e o Conselho Monetário Nacional a criarem novas condições para composição e renegociação de dívidas rurais.</p>
<p>As regras autorizam instituições financeiras a oferecer linhas para liquidação ou amortização de determinadas operações, com prazo de pagamento de até oito anos e início da amortização do principal depois de dois anos.</p>
<p>A adesão, porém, não é automática. Os bancos continuam responsáveis pela análise e pelo risco das novas operações, o que significa que produtores com situação financeira mais frágil podem enfrentar dificuldades para obter aprovação.</p>
<p>A renegociação pode reduzir a pressão de curto prazo e evitar a quebra de empreendimentos economicamente viáveis. Por outro lado, apenas alongar prazos não resolve problemas de baixa produtividade, custos excessivos ou endividamento incompatível com a capacidade de geração de caixa.</p>
<p>Para financiadores especializados, esse ambiente cria oportunidades e riscos. Empresas podem buscar crédito fora das instituições tradicionais para recompor capital de giro, reorganizar dívidas ou financiar a continuidade da produção.</p>
<p>A Agrolend precisará distinguir operações destinadas a sustentar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331819">negócios</a> saudáveis daquelas que apenas transferem passivos de um credor para outro.</p>
<h2>Queda dos juros será decisiva para a próxima fase do crédito rural</h2>
<p>A expansão planejada para 2026 parte da avaliação de que o agronegócio continuará demandando financiamento, mesmo após a piora dos indicadores.</p>
<p>A produção brasileira mantém vantagens relacionadas a clima, disponibilidade de terras, tecnologia, escala e capacidade exportadora. Esses fundamentos não eliminam os ciclos de baixa, mas sustentam a demanda estrutural por capital.</p>
<p>A velocidade da recuperação dependerá principalmente dos juros e dos preços das commodities. Uma redução consistente do custo financeiro aliviaria o caixa dos produtores e facilitaria a renegociação de dívidas.</p>
<p>Preços agrícolas mais altos também poderiam recompor margens, mas o resultado varia de acordo com produtividade, custos logísticos, câmbio e condições climáticas.</p>
<p>Até que esse cenário melhore, a seleção de clientes continuará sendo o principal fator de diferenciação. O espaço deixado pelos grandes bancos pode permitir à Agrolend alcançar os R$ 2 bilhões pretendidos, mas o crescimento só será sustentável se a instituição mantiver controle sobre inadimplência, concentração e liquidez.</p>
<p>A meta coloca a financeira entre os agentes que buscam redesenhar o crédito rural brasileiro. Ao avançar quando os concorrentes recuam, a Agrolend aposta que a crise separará empresas capitalizadas de produtores excessivamente endividados — e que sua análise de risco será capaz de identificar essa diferença antes que ela apareça nos balanços.</p>
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		<title>Lula sanciona lei que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-sanciona-lei-proibe-foie-gras-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 14:12:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[patos e gansos]]></category>
		<category><![CDATA[produção de alimentos]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.475, que proíbe em todo o território nacional a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Publicada nesta sexta-feira, 24 de julho, no Diário Oficial da União, a norma atinge diretamente o foie gras, produto elaborado com o fígado de patos ou gansos submetidos à ingestão forçada de grandes quantidades de alimento, e entrará em vigor depois de um período de adaptação de 180 dias.</p>
<p>A proibição não se limita à fabricação do foie gras no Brasil. Como a lei também impede a comercialização, restaurantes, empórios, supermercados, distribuidores e importadores não poderão vender no país produtos obtidos pelo método, ainda que tenham sido fabricados no exterior.</p>
<p>O texto sancionado abrange o foie gras fresco, congelado, processado ou enlatado, mas não restringe a aplicação da norma a esse produto. Qualquer outro alimento produzido por meio de alimentação forçada poderá ser alcançado pela legislação.</p>
<p>A lei considera alimentação forçada qualquer procedimento mecânico ou manual destinado a obrigar o animal a ingerir alimento ou suplementos além de seu limite natural de saciedade. A definição inclui a utilização de tubos ou outros instrumentos para introduzir o conteúdo diretamente na garganta, no esôfago, no papo ou no estômago.</p>
<h2>Proibição só começa após período de adaptação</h2>
<p>Embora tenha sido publicada nesta sexta-feira, a nova legislação não produz efeitos imediatos. O prazo de 180 dias foi incluído para permitir que fabricantes, distribuidores, importadores e estabelecimentos comerciais encerrem contratos, ajustem estoques e reorganizem suas operações.</p>
<p>A vigência deverá começar em janeiro de 2027. Até lá, as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331789">empresas</a> poderão continuar comercializando o produto, desde que respeitem as demais normas sanitárias, ambientais e de defesa do consumidor aplicáveis.</p>
<p>O período de transição também permite que os órgãos responsáveis pela fiscalização definam procedimentos para identificar produtos abrangidos pela lei e orientar os agentes econômicos.</p>
<p>Importadores precisarão revisar encomendas, contratos de fornecimento e cargas programadas para chegar ao Brasil depois da entrada em vigor. Restaurantes e varejistas, por sua vez, terão de administrar os estoques para evitar a manutenção de produtos proibidos após o término da transição.</p>
<p>A lei não determina indenização por mercadorias que ainda estejam armazenadas quando a proibição começar. O risco comercial, portanto, ficará com as empresas que não ajustarem previamente suas compras e seus estoques.</p>
<h2>Regra alcança venda de produtos importados</h2>
<p>Uma das principais consequências da Lei nº 15.475 será o fechamento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331790">mercado</a> brasileiro ao foie gras produzido em países onde a alimentação forçada continua autorizada.</p>
<p>A legislação não proíbe expressamente o ato aduaneiro da importação, mas torna ilegal a comercialização do produto no território nacional. Na prática, a entrada de mercadorias destinadas à venda perderá sua finalidade econômica quando a norma começar a valer.</p>
<p>O foie gras encontrado no mercado brasileiro é associado principalmente à gastronomia de alto padrão, com presença em restaurantes, hotéis, delicatessens e lojas especializadas. Como não existem estatísticas públicas consolidadas sobre o tamanho desse mercado <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333538">no</a> país, não é possível estimar com precisão o impacto financeiro da proibição.</p>
<p>A medida, contudo, atinge uma cadeia relativamente específica. Diferentemente de carnes, ovos e produtos avícolas de consumo amplo, o foie gras possui preço elevado e demanda concentrada em um segmento restrito da alimentação e da gastronomia.</p>
<p>Empresas que trabalham com o produto poderão substituir o item por patês convencionais, preparações vegetais ou alternativas produzidas sem alimentação forçada. A nova lei não proíbe produtos que usem denominações comerciais semelhantes, desde que sua fabricação não envolva o método vedado.</p>
<h2>Descumprimento poderá resultar em detenção e multa</h2>
<p>A Lei nº 15.475 vincula o descumprimento da proibição ao artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais. O dispositivo prevê detenção de três meses a um ano e multa para quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos, domesticados, nativos ou exóticos.</p>
<p>A responsabilização penal dependerá da apuração de cada caso e da identificação das pessoas responsáveis pela conduta. A simples presença do produto em um estabelecimento poderá gerar fiscalização e apreensão, mas a aplicação de pena criminal exige procedimento próprio, com direito ao contraditório e à ampla defesa.</p>
<p>Além da esfera penal, a lei permite a aplicação das sanções administrativas previstas na legislação ambiental. Entre as medidas possíveis estão advertência, multa, apreensão de produtos e instrumentos, destruição ou inutilização da mercadoria, suspensão de venda e fabricação e embargo da atividade.</p>
<p>As penalidades não serão necessariamente aplicadas de forma automática ou conjunta. A autoridade responsável deverá considerar a natureza da infração, sua gravidade, os antecedentes do infrator e as circunstâncias do caso concreto.</p>
<p>Empresas também poderão enfrentar consequências civis, sanitárias e consumeristas, dependendo da forma como o produto for produzido, anunciado, importado ou comercializado após a proibição.</p>
<h2>Alimentação forçada provoca hipertrofia do fígado</h2>
<p>O foie gras é produzido principalmente a partir do fígado de patos e gansos. No método tradicional conhecido como gavage, as aves recebem alimento diretamente no sistema digestivo por meio de tubos, em quantidades superiores ao que consumiriam espontaneamente.</p>
<p>A alimentação intensiva provoca acúmulo de gordura e aumento do fígado, característica responsável pela textura e pelo sabor valorizados na gastronomia. O processo ocorre nas semanas que antecedem o abate.</p>
<p>O projeto que deu origem à lei sustenta que a técnica pode provocar lesões no esôfago, inflamações, dificuldades respiratórias e problemas de locomoção. A justificativa legislativa também cita estudos segundo os quais a taxa de mortalidade entre aves submetidas à alimentação forçada é superior à observada em sistemas convencionais.</p>
<p>Organizações de proteção animal classificam o procedimento como incompatível com princípios básicos de bem-estar. Representantes do setor gastronômico e produtores, por outro lado, argumentam em diferentes países que a atividade pode ser realizada sob controles veterinários e integra tradições culturais antigas.</p>
<p>A nova legislação brasileira encerra essa discussão do ponto de vista regulatório nacional: independentemente das condições específicas de criação, nenhum alimento obtido por alimentação forçada poderá ser produzido ou vendido no país depois do prazo de adaptação.</p>
<h2>Projeto tramitou por mais de seis anos no Congresso</h2>
<p>A proibição teve origem no Projeto de Lei nº 90, apresentado em fevereiro de 2020 pelo senador Eduardo Girão. A proposta foi analisada inicialmente pela Comissão de Meio Ambiente do Senado e aprovada em caráter terminativo em maio de 2022.</p>
<p>Como não houve recurso para votação no plenário do Senado, o texto seguiu diretamente para a Câmara dos Deputados. A proposta passou pelas comissões de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Constituição e Justiça e de Cidadania.</p>
<p>A etapa final na Câmara ocorreu em abril de 2026, quando a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a constitucionalidade da proposta. Como o texto havia sido analisado em caráter conclusivo e não sofreu alterações, não precisou retornar ao Senado.</p>
<p>O projeto foi encaminhado à sanção presidencial em julho e transformado na Lei nº 15.475 em 23 de julho de 2026. A publicação no Diário Oficial ocorreu no dia seguinte.</p>
<p>A tramitação prolongada refletiu a controvérsia sobre o alcance da intervenção estatal em práticas produtivas, tradições gastronômicas e proteção animal. O texto avançou sem estabelecer exceções para pequenos produtores, restaurantes especializados ou mercadorias importadas.</p>
<h2>Lei federal resolve disputa sobre competência legislativa</h2>
<p>A criação de uma norma federal também busca reduzir a insegurança jurídica provocada por tentativas anteriores de proibir o foie gras em âmbito municipal.</p>
<p>Em 2015, o município de São Paulo aprovou uma legislação que impedia a produção e a venda do produto. A norma foi questionada judicialmente e declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.</p>
<p>O entendimento foi de que a proibição não tratava apenas de uma questão de interesse local e interferia em matérias de produção e comércio que exigiam legislação federal. Esse histórico foi citado durante a tramitação do projeto no Congresso.</p>
<p>Com a nova lei nacional, a restrição passa a ter aplicação uniforme em todos os estados e municípios. Governos locais poderão participar da fiscalização dentro de suas competências, mas não haverá mais diferenças territoriais sobre a legalidade da produção ou venda.</p>
<p>A uniformização também facilita a atuação de redes varejistas, distribuidores e restaurantes com operações em diferentes unidades da Federação, que terão de seguir uma única regra nacional.</p>
<h2>Restaurantes e varejistas precisarão revisar fornecedores</h2>
<p>Para os estabelecimentos comerciais, o principal desafio será comprovar que produtos semelhantes ao foie gras não foram obtidos por meio de alimentação forçada.</p>
<p>Notas fiscais e documentos de importação identificam a origem e a composição das mercadorias, mas poderão não detalhar o método utilizado na criação das aves. Empresas terão de exigir de seus fornecedores declarações, certificados ou informações técnicas que permitam verificar o processo produtivo.</p>
<p>O risco é maior para produtos processados, patês, conservas e preparações que contenham fígado de pato ou ganso entre os ingredientes. A denominação comercial do alimento não será suficiente para determinar se ele está ou não sujeito à proibição.</p>
<p>Restaurantes também precisarão revisar cardápios, campanhas publicitárias e descrições oferecidas aos consumidores. A comercialização inclui não apenas a venda direta do produto embalado, mas sua utilização em pratos servidos mediante pagamento.</p>
<p>A fiscalização poderá alcançar fabricantes, importadores, distribuidores, varejistas e estabelecimentos de alimentação. A responsabilidade dependerá da participação de cada agente na produção, na entrada e na colocação do produto no mercado.</p>
<h2>Alternativas sem alimentação forçada permanecem permitidas</h2>
<p>A legislação não proíbe o uso de fígado de pato ou ganso de forma geral. O veto recai especificamente sobre produtos obtidos mediante alimentação forçada.</p>
<p>Criadores poderão desenvolver métodos baseados no comportamento natural das aves, desde que não obriguem a ingestão além do limite de saciedade. Pesquisas internacionais também avaliam o uso de técnicas nutricionais, processos celulares e produtos vegetais capazes de reproduzir algumas características do foie gras tradicional.</p>
<p>Essas alternativas poderão continuar sendo comercializadas no Brasil, desde que cumpram as normas sanitárias e não induzam o consumidor a erro sobre a composição ou o processo de fabricação.</p>
<p>O período de 180 dias cria uma janela para que importadores e restaurantes busquem fornecedores que utilizem métodos compatíveis com a nova legislação.</p>
<p>A mudança também poderá estimular empresas de alimentos a desenvolver substitutos voltados ao mercado de gastronomia premium, segmento que continuará demandando produtos com textura, apresentação e uso culinário semelhantes.</p>
<h2>Proibição coloca bem-estar animal no centro da produção</h2>
<p>A sanção amplia a presença do bem-estar animal na regulamentação brasileira de alimentos. Até agora, a Lei de Crimes Ambientais já permitia punir maus-tratos, mas não havia uma norma federal específica proibindo a produção e a comercialização de alimentos obtidos por alimentação forçada.</p>
<p>A Lei nº 15.475 transforma esse entendimento geral em uma obrigação objetiva para toda a cadeia econômica. O debate deixa de depender apenas da avaliação sobre as condições de cada criadouro e passa a considerar o próprio método incompatível com a legislação.</p>
<p>Para produtores e comerciantes, o próximo semestre será de adaptação. Contratos deverão ser revistos, estoques reduzidos e fornecedores submetidos a novas exigências documentais.</p>
<p>Quando o período de transição terminar, a fabricação e a venda de foie gras produzido por gavage poderão resultar em apreensão, multas, suspensão de atividades e responsabilização criminal.</p>
<p>A sanção encerra uma tramitação iniciada em 2020 e estabelece uma regra nacional <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333979">para um mercado</a> pequeno em volume, mas de elevada repercussão cultural e regulatória. A partir de janeiro de 2027, o foie gras tradicional produzido por alimentação forçada deixará de poder ser fabricado e comercializado legalmente no Brasil.</p>
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		<title>Palma de óleo mira 1 milhão de hectares no Brasil com corrida por SAF e diesel verde</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/palma-de-oleo-brasil-um-milhao-hectares-saf-biocombustiveis</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 00:29:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura familiar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O setor brasileiro de palma de óleo projeta ampliar a área cultivada dos atuais 280 mil hectares estimados para até 1 milhão de hectares ao longo da próxima década, impulsionado pela perspectiva de aumento da demanda por combustível sustentável de aviação, diesel verde e outros biocombustíveis de baixa emissão. A expansão deverá se concentrar em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O setor brasileiro de palma de óleo projeta ampliar a área cultivada dos atuais 280 mil hectares estimados para até 1 milhão de hectares ao longo da próxima década, impulsionado pela perspectiva de aumento da demanda por combustível sustentável de aviação, diesel verde e outros biocombustíveis de baixa emissão. A expansão deverá se concentrar em áreas anteriormente desmatadas ou alteradas pela atividade humana, sobretudo no Pará, maior produtor nacional, para evitar que o crescimento seja associado à abertura de novas áreas de floresta.</p>
<p>A projeção foi apresentada pela Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma, a Abrapalma, e representa uma estimativa do setor, não uma meta oficial do governo. Para que esse cenário se concretize, o Brasil precisará elevar os investimentos em plantio, processamento, logística e certificação ambiental, além de assegurar contratos de longo prazo capazes de sustentar uma cultura que demora anos para atingir sua plena produção.</p>
<p>A corrida por matérias-primas renováveis ganhou força com a Lei do Combustível do Futuro. A legislação criou o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, o ProBioQAV, que estabelece metas progressivas de redução das emissões nos voos domésticos a partir de 2027.</p>
<p>A exigência começa com redução de 1% das emissões e aumenta gradualmente até chegar a 10% em 2037. A lei também instituiu o Programa Nacional de Diesel Verde, abrindo um novo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331763">mercado</a> potencial para óleos vegetais, resíduos e outras matérias-primas que atendam aos critérios técnicos e ambientais.</p>
<p>A palma de óleo pode disputar parte desse mercado por apresentar rendimento de óleo por hectare significativamente superior ao da soja. A vantagem agronômica, contudo, não garante acesso automático ao setor de combustíveis. Refinarias, companhias aéreas e compradores internacionais exigirão rastreabilidade, certificação e comprovação da intensidade de carbono em toda a cadeia.</p>
<h2>Expansão precisa ocorrer fora da floresta nativa</h2>
<p>O principal limite ambiental à expansão está definido no Zoneamento Agroecológico da Palma de Óleo, aprovado pelo governo federal em 2010.</p>
<p>O instrumento permite orientar novos projetos para áreas antropizadas, isto é, territórios que já sofreram intervenção humana. O zoneamento exclui vegetação nativa, unidades de conservação, terras indígenas, áreas urbanas e regiões sem aptidão climática ou com elevado risco de degradação.</p>
<p>Também ficaram fora das áreas consideradas aptas os terrenos desmatados a partir de 2008. Na prática, a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331761">política</a> foi desenhada para evitar que o crédito rural e os investimentos destinados à palma de óleo estimulem a derrubada recente de floresta.</p>
<p>O zoneamento identificou áreas com condições para o cultivo em estados da Amazônia Legal, como Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Maranhão e Mato Grosso. Também foram identificadas áreas antropizadas aptas em estados do Nordeste e do Sudeste.</p>
<p>A existência de território tecnicamente disponível não significa que todo ele possa receber plantios. A implantação depende de situação fundiária regular, licenciamento, infraestrutura, disponibilidade de trabalhadores, acesso a crédito e proximidade de unidades de processamento.</p>
<p>Os frutos precisam ser processados rapidamente após a colheita para preservar a qualidade do óleo. Essa característica exige que as plantações estejam ligadas a uma rede industrial e logística, reduzindo a viabilidade de projetos isolados ou muito distantes das usinas.</p>
<h2>Pará concentra produtores, indústrias e rastreabilidade</h2>
<p>O Pará reúne a maior estrutura produtiva da palma de óleo no país. Dados da Agência de Defesa Agropecuária do Estado apontam 1.438 produtores cadastrados, a maioria formada por agricultores familiares.</p>
<p>O Vale do Acará, principal polo da atividade, concentra 1.921 unidades produtivas e 14 indústrias. Desde a implantação da rastreabilidade estadual, em dezembro de 2023, foram emitidas mais de 69 mil Guias de Trânsito Vegetal.</p>
<p>Esses documentos acompanharam a movimentação de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de cachos de frutos frescos, permitindo identificar a origem e o destino da produção dentro do estado.</p>
<p>A atualização cadastral das unidades produtivas é obrigatória. Quem não regulariza as informações fica impedido de emitir a guia necessária ao transporte dos frutos.</p>
<p>O controle envolve dados do produtor, documentos de posse ou propriedade da terra e Cadastro Ambiental Rural. As áreas declaradas também podem passar por análise de imagens para validação das informações.</p>
<p>A rastreabilidade cumpre funções sanitárias, econômicas e ambientais. Além de monitorar a circulação da produção, cria uma base para comprovar a origem dos frutos e afastar fornecedores ligados a irregularidades fundiárias ou ambientais.</p>
<p>Esse sistema será cada vez mais relevante caso o Brasil pretenda vender óleo ou biocombustíveis a mercados que exigem cadeias livres de desmatamento. A Europa, por exemplo, impõe critérios rigorosos para reconhecer matérias-primas como sustentáveis e contabilizar sua contribuição para a redução de emissões.</p>
<h2>Produtividade supera a de outras oleaginosas</h2>
<p>A palma possui uma das maiores produtividades entre as culturas destinadas à produção de óleo vegetal.</p>
<p>Estudos da Embrapa indicam que a cultura pode produzir várias vezes mais óleo por hectare que a soja. Em condições adequadas, a diferença pode chegar a dez vezes, embora o resultado dependa da variedade, do clima, do manejo e da idade das plantas.</p>
<p>Essa produtividade reduz a quantidade de terra necessária para obter o mesmo volume de óleo. Do ponto de vista econômico, permite concentrar a produção em uma área menor e diluir custos de colheita e processamento.</p>
<p>A cultura também é permanente. Depois de implantado, o palmeiral pode permanecer produtivo durante décadas, oferecendo um fluxo mais estável de matéria-prima.</p>
<p>Em contrapartida, o investimento inicial é elevado e o retorno não é imediato. A planta demora alguns anos para entrar em produção comercial e só alcança o rendimento máximo depois de um período de maturação.</p>
<p>O produtor precisa financiar mudas, preparo da área, adubação, mão de obra e manutenção antes de receber a primeira receita significativa. Essa defasagem torna o crédito de longo prazo um dos elementos centrais da expansão.</p>
<p>A cultura também está sujeita a riscos fitossanitários. O amarelecimento fatal provocou perdas em áreas produtoras e incentivou o desenvolvimento de híbridos mais resistentes, como materiais resultantes do cruzamento entre a palma africana e o caiaué amazônico.</p>
<h2>Agricultura familiar ocupa espaço estratégico</h2>
<p>O modelo implantado no Pará combina plantações próprias das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331764">empresas</a> com a produção de agricultores familiares integrados.</p>
<p>Esses produtores recebem assistência técnica, acesso a mudas e, em determinados projetos, contratos de compra de longo prazo. O preço costuma acompanhar referências da commodity ou fórmulas acordadas com a indústria.</p>
<p>Para as empresas, a integração amplia a oferta de frutos sem exigir a aquisição de toda a terra necessária ao crescimento. Para as famílias, o contrato oferece um comprador definido e maior previsibilidade de receita.</p>
<p>A estrutura também permite utilizar linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, e recursos do Plano Safra.</p>
<p>O modelo, no entanto, exige salvaguardas para evitar dependência excessiva de um único comprador. Como o fruto precisa ser processado rapidamente, o produtor geralmente possui poucas alternativas de venda fora da indústria localizada em sua região.</p>
<p>Contratos transparentes, fórmulas claras de preço, assistência técnica independente e mecanismos de solução de conflitos serão necessários para que a expansão distribua renda ao longo da cadeia.</p>
<p>A palma demanda <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331762">trabalho</a> contínuo durante o ano, diferentemente de culturas concentradas em períodos específicos de plantio e colheita. Essa característica pode gerar empregos mais estáveis, mas também exige treinamento, condições adequadas de trabalho e capacidade de retenção de mão de obra no campo.</p>
<h2>SAF cria mercado potencial a partir de 2027</h2>
<p>O combustível sustentável de aviação se tornou o principal vetor de expectativa para a cadeia.</p>
<p>A aviação possui poucas alternativas disponíveis para reduzir suas emissões no curto prazo. Aeronaves elétricas ou movidas a hidrogênio ainda enfrentam limitações técnicas para operar em grande escala, especialmente em voos de longa distância.</p>
<p>O SAF pode ser utilizado em mistura com o querosene de aviação convencional, desde que produzido por rotas tecnológicas autorizadas e cumpra padrões internacionais.</p>
<p>A palma pode servir como matéria-prima em determinadas rotas, mas precisará demonstrar redução real de emissões ao longo de todo o ciclo. Entram nessa conta o cultivo, os fertilizantes, o processamento, o transporte e eventual mudança no uso da terra.</p>
<p>Se houver desmatamento associado à produção, a vantagem climática pode desaparecer. Por isso, o uso de áreas já abertas, a recuperação de solos degradados e a rastreabilidade serão determinantes para a aceitação comercial.</p>
<p>A meta brasileira de redução das emissões em voos domésticos começa em 2027 e aumenta durante a década seguinte. Esse calendário oferece perspectiva de demanda, mas não assegura que a palma será a matéria-prima escolhida.</p>
<p>O setor competirá com óleos residuais, gorduras animais, etanol, resíduos agrícolas e combustíveis sintéticos. Preço, disponibilidade, intensidade de carbono e segurança de fornecimento definirão a participação de cada rota.</p>
<h2>Dependência de importações expõe contradição do mercado</h2>
<p>Apesar de possuir condições climáticas favoráveis e extensa área apta, o Brasil ainda importa parte do óleo de palma utilizado internamente.</p>
<p>A Abrapalma estima que as compras externas atendam cerca de 30% do consumo nacional, que se aproxima de 1 milhão de toneladas por ano. A maior parcela é utilizada pelas indústrias de alimentos, higiene, cosméticos e produtos químicos.</p>
<p>O óleo de palma está presente em margarinas, biscoitos, sorvetes, sabonetes, detergentes e uma ampla variedade de produtos industrializados. Sua estabilidade e versatilidade explicam a demanda global.</p>
<p>A dependência das importações cria espaço para a substituição por produção nacional. Ao mesmo tempo, a entrada de produto estrangeiro com imposto reduzido pode pressionar as margens dos agricultores e das indústrias brasileiras.</p>
<p>Em 2025, o governo federal incluiu o óleo de palma entre os alimentos que receberam redução temporária da tarifa de importação como parte das medidas destinadas a conter preços.</p>
<p>Para os produtores, mudanças frequentes na política tarifária reduzem a previsibilidade necessária a investimentos com retorno de longo prazo. Um palmeiral implantado hoje produzirá por décadas e precisa de regras que permitam estimar receitas ao longo desse período.</p>
<p>Para o governo, o desafio é equilibrar o custo dos alimentos e dos insumos industriais com a criação de uma cadeia nacional competitiva.</p>
<h2>Investimento industrial precisará acompanhar os plantios</h2>
<p>Levar a área cultivada para perto de 1 milhão de hectares exigiria mais que a distribuição de mudas e a abertura de crédito rural.</p>
<p>A capacidade de processamento terá de crescer no mesmo ritmo. Sem novas usinas, os frutos adicionais não encontrariam destino dentro da janela adequada após a colheita.</p>
<p>Também serão necessários investimentos em estradas, energia, armazenagem, laboratórios, viveiros e sistemas de tratamento de resíduos.</p>
<p>As indústrias de biocombustíveis precisarão estabelecer contratos de fornecimento capazes de justificar o plantio. Como a demanda atual está concentrada em alimentos e produtos de consumo, uma expansão acelerada sem compradores definidos poderia gerar excesso de oferta e queda dos preços.</p>
<p>A chegada do SAF e do diesel verde cria uma saída potencial, mas depende da construção ou conversão de refinarias e da definição de padrões regulatórios.</p>
<p>A participação de grandes companhias de energia pode acelerar o processo. Esses grupos possuem capacidade financeira, acesso a tecnologia e relacionamento com mercados internacionais, mas exigirão escala e segurança jurídica.</p>
<p>O custo logístico também será decisivo. Produzir matéria-prima na Amazônia e transportá-la para refinarias ou terminais distantes pode reduzir parte da vantagem econômica e ambiental.</p>
<h2>Rastreabilidade definirá acesso aos mercados mais rentáveis</h2>
<p>A projeção de 1 milhão de hectares coloca a palma de óleo diante de uma oportunidade e de um risco reputacional.</p>
<p>A oportunidade está na combinação entre produtividade elevada, disponibilidade de áreas degradadas e crescimento da demanda por combustíveis de baixo carbono.</p>
<p>O risco está na possibilidade de a expansão reproduzir problemas registrados em países do Sudeste Asiático, onde a abertura de plantações foi associada ao desmatamento de florestas tropicais e à perda de biodiversidade.</p>
<p>O Brasil possui instrumentos para evitar essa trajetória, como o zoneamento agroecológico, o Cadastro Ambiental Rural, o monitoramento por satélite e a Guia de Trânsito Vegetal.</p>
<p>A eficácia dependerá da fiscalização, da integração das bases públicas e da exclusão de fornecedores que descumpram as regras.</p>
<p>Compradores internacionais não deverão aceitar apenas declarações de sustentabilidade. Exigirão dados verificáveis sobre origem, emissões, situação fundiária e respeito aos direitos trabalhistas e das comunidades.</p>
<p>Se conseguir demonstrar conformidade, o Brasil poderá oferecer um óleo de palma com atributos diferentes dos produtos associados ao desmatamento em outros países.</p>
<h2>Crédito e demanda definirão tamanho real da expansão</h2>
<p>A meta setorial de atingir 1 milhão de hectares em dez anos é tecnicamente possível diante da área indicada pelo zoneamento, mas sua realização dependerá de condições econômicas que ainda precisam ser construídas.</p>
<p>O setor terá de mobilizar capital para um cultivo de maturação lenta, ampliar a indústria e garantir contratos antes de realizar plantios em larga escala.</p>
<p>Também será necessário conciliar três mercados: alimentos e produtos de consumo, substituição das importações e novos biocombustíveis.</p>
<p>O SAF pode transformar a demanda, mas a competição entre matérias-primas será intensa. A palma somente ocupará espaço relevante se combinar preço competitivo, fornecimento regular e baixa intensidade de carbono comprovada.</p>
<p>Para os agricultores familiares, o crescimento pode ampliar renda e emprego na Amazônia. Para as empresas, abre a possibilidade de participar de um mercado global pressionado por metas climáticas.</p>
<p>O resultado, porém, será medido pela origem de cada tonelada produzida. A expansão que respeitar áreas já abertas e incorporar rastreabilidade pode transformar a palma em uma nova fronteira de bioeconomia. Sem esse controle, o setor perderá acesso justamente aos compradores dispostos a pagar mais por matérias-primas sustentáveis.</p>
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		<title>Banco do Brasil (BBAS3) ganha rota para aliviar crise no agro, mas 2T26 ainda chega sob pressão</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-do-brasil-bbas3-mp-dividas-rurais-balanco-2t26</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 17:39:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[balanço 2T26]]></category>
		<category><![CDATA[Banco do Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Inadimplência]]></category>
		<category><![CDATA[MP 1.376]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco do Brasil (BBAS3) ganhou, em julho, uma nova ferramenta para conter a deterioração de sua carteira rural, após o governo federal editar a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza linhas especiais para a composição de dívidas de produtores e cooperativas. A medida pode reduzir gradualmente a inadimplência e as despesas com provisões, mas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco do Brasil (BBAS3) ganhou, em julho, uma nova ferramenta para conter a deterioração de sua carteira rural, após o governo federal editar a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza linhas especiais para a composição de dívidas de produtores e cooperativas. A medida pode reduzir gradualmente a inadimplência e as despesas com provisões, mas chegou depois do encerramento do segundo trimestre e, por isso, não deverá alterar de forma relevante o balanço que será divulgado em 12 de agosto.</p>
<p>A separação entre esses dois momentos é decisiva para os acionistas. O resultado do 2T26 refletirá a situação da carteira até 30 de junho, quando a nova estrutura de renegociação ainda não existia. O eventual alívio dependerá da regulamentação do Conselho Monetário Nacional, da análise dos pedidos e da assinatura dos contratos dentro do prazo previsto.</p>
<p>A MP permite alongar operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural de clientes que enfrentaram perdas recorrentes de produção ou renda. Não se trata, porém, de perdão de dívidas. Os débitos serão substituídos ou amortizados por novos financiamentos, sujeitos à capacidade de pagamento, às garantias e às políticas de risco de cada instituição.</p>
<p>Para o Banco do Brasil, maior agente financeiro do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331727">agronegócio</a> nacional, o programa abre uma rota para recuperar contratos que deixaram de gerar receitas e passaram a exigir reservas para perdas. Ao mesmo tempo, mantém o risco de crédito com o banco, o que impede uma reversão automática das provisões já reconhecidas.</p>
<h2>MP cria linha especial para dívidas acumuladas desde 2019</h2>
<p>A Medida Provisória nº 1.376 foi publicada em 15 de julho e autoriza a criação de linhas destinadas à liquidação ou amortização de operações de custeio, comercialização, industrialização e investimento rural.</p>
<p>Também poderão ser incluídas determinadas Cédulas de Produto Rural com liquidação financeira, instrumento utilizado por produtores para <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335894">antecipar recursos com</a> base na entrega futura ou no valor de produtos agrícolas.</p>
<p>A regra alcança produtores rurais e cooperativas que tenham registrado perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada. A situação deverá ser comprovada por laudo elaborado por profissional habilitado.</p>
<p>A queda de renda poderá decorrer de secas, estiagens, enchentes, geadas, granizo, vendavais, ondas de frio e outros eventos climáticos extremos. A redução dos preços de comercialização dos produtos financiados também poderá justificar o enquadramento.</p>
<p>O programa contempla operações que foram prorrogadas ou renegociadas até 31 de maio de 2026 e estejam adimplentes no momento da contratação. Também inclui determinados contratos que entraram em atraso a partir de janeiro de 2024 e permaneciam inadimplentes no fim de maio de 2026.</p>
<h2>Juros e limites variam conforme o porte do produtor</h2>
<p>As condições foram divididas de acordo com o enquadramento do cliente e a gravidade das perdas.</p>
<p>Na linha geral, agricultores familiares vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, poderão contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano.</p>
<p>Para produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, o Pronamp, o limite será de R$ 2 milhões, com taxa de 9% ao ano. Os demais produtores poderão acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12%.</p>
<p>O prazo de pagamento será de até oito anos. A primeira amortização do principal poderá ocorrer dois anos depois da contratação, mas os juros continuarão sendo pagos durante a carência.</p>
<p>Há condições mais favoráveis para produtores que comprovarem perdas em três ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 40% da renda esperada.</p>
<p>Nesse grupo, agricultores do Pronaf poderão contratar até R$ 500 mil, com juros de 5% ao ano. O limite do Pronamp será de R$ 2,5 milhões, com taxa de 8%, enquanto os demais produtores poderão obter até R$ 8 milhões, com juros de 11%.</p>
<p>Para as situações mais graves, o prazo poderá chegar a dez anos, também com dois anos antes da primeira parcela de amortização do principal.</p>
<h2>Renegociação não elimina análise de risco do banco</h2>
<p>A MP determina que os novos contratos sejam avaliados como novas operações de crédito. Na prática, o Banco do Brasil precisará analisar novamente a situação financeira do produtor, as garantias disponíveis, o histórico de pagamento e a viabilidade da atividade financiada.</p>
<p>O texto permite revisar as garantias vinculadas às dívidas. Elas poderão ser reduzidas quando houver excesso ou ampliadas quando forem insuficientes para cobrir a nova exposição.</p>
<p>Essa exigência procura evitar que contratos inviáveis sejam apenas transferidos para um vencimento mais distante. O objetivo é identificar produtores que enfrentam uma dificuldade temporária, mas possuem condições de retomar os pagamentos com um fluxo financeiro mais longo.</p>
<p>Para o banco, uma renegociação bem estruturada pode interromper o aumento da inadimplência, restabelecer receitas de juros e reduzir a necessidade de novas provisões. Uma operação mal dimensionada, no entanto, apenas posterga o reconhecimento da perda.</p>
<p>O risco continuará sendo das instituições financeiras. A MP autoriza o uso de recursos obrigatórios do crédito rural, fontes equalizadas, fundos constitucionais, poupança rural, Letras de Crédito do Agronegócio e recursos livres, mas não transfere automaticamente a responsabilidade pelas perdas ao Tesouro.</p>
<h2>Fundo garantidor pode reduzir parte da exposição</h2>
<p>A medida também autoriza a União a participar de um fundo garantidor voltado a operações contratadas por produtores afetados por eventos climáticos adversos.</p>
<p>A estrutura deverá contar com a participação de instituições financeiras e produtores, além de admitir aportes de outros entes federativos. As regras de funcionamento, os limites de cobertura e as condições para acionamento ainda dependerão de regulamentação.</p>
<p>O fundo pode reduzir parte da exposição dos bancos, principalmente em regiões atingidas por eventos climáticos de grande intensidade. Seu efeito sobre o Banco do Brasil dependerá do volume de recursos, da parcela coberta e do perfil dos contratos incluídos.</p>
<p>A existência da garantia não dispensa a avaliação do cliente. O banco continuará obrigado a verificar se o produtor possui capacidade de gerar renda suficiente para cumprir o novo cronograma.</p>
<p>A MP também exclui operações encaminhadas para a Dívida Ativa da União. Esses débitos seguem outras regras e não poderão ser incorporados às linhas previstas no programa.</p>
<h2>Medida chegou depois do fechamento do 2T26</h2>
<p>O principal limite para uma melhora imediata está no calendário. O segundo trimestre terminou em 30 de junho, enquanto a MP foi publicada em 15 de julho.</p>
<p>O Banco do Brasil apresentará suas informações trimestrais em 12 de agosto e realizará a exposição pública dos resultados no dia seguinte. O balanço mostrará a evolução da carteira rural antes da criação das novas linhas.</p>
<p>Não haverá, portanto, contratos assinados sob a MP nº 1.376 dentro do período contábil do 2T26. O máximo que o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331729">mercado</a> poderá obter em agosto são indicações da administração sobre a parcela potencialmente elegível e o ritmo esperado de implementação.</p>
<p>Os investidores deverão observar as despesas com perdas associadas ao risco de crédito, a inadimplência superior a 90 dias, a margem financeira, a rentabilidade e os índices de capital.</p>
<p>Também será relevante verificar se a deterioração permaneceu concentrada no agronegócio ou se alcançou outras carteiras. Uma piora mais ampla poderia reduzir o impacto positivo esperado da renegociação rural.</p>
<h2>Banco já vinha oferecendo soluções para produtores endividados</h2>
<p>A MP nº 1.376 não inaugura a atuação do Banco do Brasil na reorganização de passivos do campo. A instituição já opera o Desenrola Rural, direcionado principalmente à agricultura familiar, e o BB Regulariza Dívidas Agro, criado a partir de regras anteriores.</p>
<p>Esses programas possuem públicos, datas, fontes de recursos e condições próprias. A nova medida amplia o conjunto de instrumentos ao incluir produtores afetados por perdas de safras recentes e ao prever linhas com encargos definidos por porte.</p>
<p>A experiência operacional do banco pode facilitar a implantação, mas o volume de pedidos tende a exigir análise detalhada. Cada contrato precisará ser conferido quanto à origem da dívida, ao período da inadimplência, às perdas comprovadas e aos limites disponíveis.</p>
<p>O prazo para contratação é de até 120 dias após a publicação da MP. A janela relativamente curta aumenta a pressão para que o Conselho Monetário Nacional e o Ministério da Fazenda concluam rapidamente as normas complementares.</p>
<p>As instituições também estão autorizadas a prorrogar por até 30 dias determinados vencimentos de clientes que estavam adimplentes em 14 de julho e pretendem aderir às novas linhas. A prorrogação funciona como uma ponte até a contratação, mas está sujeita aos critérios previstos na medida.</p>
<h2>Primeiro efeito deve aparecer na formação de provisões</h2>
<p>O impacto inicial sobre o Banco do Brasil tende a ocorrer na velocidade de constituição de novas provisões.</p>
<p>Quando um cliente deixa de pagar ou apresenta piora relevante de risco, o banco reserva uma parcela maior de recursos para cobrir a possibilidade de perda. Esse reconhecimento reduz o lucro no período.</p>
<p>Se as renegociações restabelecerem o fluxo de pagamentos, a instituição poderá diminuir gradualmente a necessidade de formar novas reservas. Uma reversão de provisões antigas dependerá de evidências concretas de recuperação do crédito.</p>
<p>O segundo efeito poderá ocorrer na margem financeira. Contratos que deixaram de gerar receitas por causa da inadimplência podem voltar a contribuir com juros depois de reestruturados e classificados de acordo com as normas bancárias.</p>
<p>Essa recuperação não será simultânea para toda a carteira. Os pedidos serão apresentados em momentos diferentes, passarão por análise individual e dependerão da documentação entregue pelos produtores.</p>
<p>A leitura mais prudente é de uma melhora distribuída ao longo dos próximos trimestres, e não de uma virada completa no primeiro balanço após a regulamentação.</p>
<h2>Regras podem reduzir espera por novos programas de socorro</h2>
<p>A definição das condições também pode alterar o comportamento de produtores que vinham adiando pagamentos na expectativa de uma renegociação patrocinada pelo governo.</p>
<p>Quando não há clareza sobre os critérios, clientes em dificuldade podem evitar acordos bilaterais <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337149">com os bancos para aguardar</a> condições mais vantajosas. Esse movimento prolonga a inadimplência e aumenta o custo das provisões.</p>
<p>Com a publicação da MP, produtores elegíveis passam a conhecer os limites, os juros, os prazos e as exigências básicas. Aqueles que não se enquadram também recebem um sinal mais claro de que precisarão negociar por outros instrumentos.</p>
<p>Para o sistema financeiro, essa definição reduz parte da incerteza. O benefício, contudo, dependerá da regulamentação e da capacidade das instituições de processar os pedidos dentro do prazo.</p>
<p>A medida também estabelece que a contratação não impedirá o acesso a novas operações de crédito rural nem justificará, por si só, a inclusão do produtor em cadastros restritivos.</p>
<p>Essa regra busca permitir que o cliente reorganize as dívidas sem perder totalmente o financiamento necessário para plantar a próxima safra. Para o banco, a concessão de novos recursos continuará condicionada à <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331728">política</a> interna de crédito.</p>
<h2>Balanço de agosto manterá BBAS3 no centro do mercado</h2>
<p>O resultado de 12 de agosto será o primeiro grande teste para o Banco do Brasil (BBAS3) depois da publicação da MP das dívidas rurais.</p>
<p>O mercado deverá separar dois temas. O primeiro será a extensão dos danos acumulados até junho, medida pelas provisões, pela inadimplência e pelo custo do crédito. O segundo será a capacidade da nova estrutura de produzir recuperação a partir do terceiro trimestre.</p>
<p>Uma estabilização dos indicadores poderá sustentar a expectativa de que o pior da carteira rural ficou para trás. Uma nova deterioração, por outro lado, elevará a cobrança por informações mais detalhadas sobre os contratos elegíveis e o calendário das renegociações.</p>
<p>A medida provisória oferece ao banco uma ferramenta relevante, mas não substitui a disciplina na concessão de novos financiamentos. O Banco do Brasil terá de combinar sua função de principal financiador do campo com a proteção do capital e da rentabilidade.</p>
<p>O efeito sobre as ações BBAS3 dependerá menos do valor total de dívidas potencialmente alcançadas no sistema e mais da parcela que retornar efetivamente à normalidade dentro da carteira do banco.</p>
<p>Até que as contratações comecem e os pagamentos sejam retomados, a MP representa uma perspectiva de alívio. O balanço do 2T26, porém, continuará mostrando o peso da crise rural antes da nova tentativa de reorganização.</p>
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		<title>Unesp vence prêmio com tecnologia de baixo custo para monitorar piscicultura em tempo real</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/unesp-premio-aqua-on-plus-monitoramento-piscicultura</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 17:05:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Aqua-On Plus]]></category>
		<category><![CDATA[aquicultura de precisão]]></category>
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		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
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		<category><![CDATA[Prêmio Inovação Aquícola]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia aquícola]]></category>
		<category><![CDATA[Unesp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores e estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) conquistaram o primeiro lugar na categoria Produção do Prêmio Inovação Aquícola 2026 com o Aqua-On Plus, uma estação inteligente de baixo custo desenvolvida para monitorar, em tempo real, as condições ambientais de sistemas de criação de peixes. A tecnologia, concebida na Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias, no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisadores e estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) conquistaram o primeiro lugar na categoria Produção do Prêmio Inovação Aquícola 2026 com o Aqua-On Plus, uma estação inteligente de baixo custo desenvolvida para monitorar, em tempo real, as condições ambientais de sistemas de criação de peixes. A tecnologia, concebida na Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias, no câmpus de Registro, foi premiada durante a Aquishow, em Uberlândia, por seu potencial de reduzir riscos, melhorar a gestão das fazendas aquícolas e ampliar o acesso de pequenos e médios produtores à aquicultura de precisão.</p>
<p>O Aqua-On Plus automatiza a coleta e a transmissão remota de informações limnológicas e meteorológicas. Na prática, o equipamento permite acompanhar mudanças na qualidade da água e nas condições climáticas sem depender apenas de medições presenciais ou verificações feitas em intervalos mais longos.</p>
<p>A proposta é oferecer ao produtor uma base contínua de informações para decisões relacionadas ao manejo, à alimentação dos animais, ao uso de insumos e à prevenção de perdas. Alterações no ambiente de cultivo podem afetar rapidamente o desenvolvimento dos peixes e, quando identificadas tarde, reduzir a capacidade de reação dentro da propriedade.</p>
<p>O reconhecimento obtido na Aquishow também alcançou a própria Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias. A estrutura da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira foi premiada na categoria Academia, destinada a iniciativas desenvolvidas por universidades e instituições de pesquisa.</p>
<h2>Aqua-On Plus transforma dados ambientais em apoio ao produtor</h2>
<p>O principal diferencial do Aqua-On Plus está na capacidade de realizar leituras contínuas e transmitir os dados a distância. A tecnologia foi desenhada para acompanhar parâmetros ambientais relevantes para a produção aquícola e organizar essas informações de forma que possam ser utilizadas na rotina de manejo.</p>
<p>Em uma fazenda de piscicultura, mudanças de temperatura, chuvas intensas, variações na água e alterações nas condições do reservatório podem comprometer o equilíbrio do sistema produtivo. Dependendo da intensidade e da duração dessas mudanças, os efeitos podem aparecer no consumo de ração, no crescimento dos animais, na sanidade e nos índices de mortalidade.</p>
<p>O monitoramento não substitui a assistência técnica nem elimina a necessidade de inspeções no local. A função do Aqua-On Plus é ampliar a frequência das leituras e reduzir o intervalo entre o surgimento de uma alteração e sua identificação pelo produtor.</p>
<p>Com informações atualizadas, a equipe responsável pela criação pode ajustar o manejo antes que o problema alcance uma dimensão maior. Esse ganho de tempo é especialmente importante em sistemas intensivos, nos quais uma falha ambiental pode afetar um grande número de animais em poucas horas.</p>
<p>Segundo o professor Guilherme Wolff Bueno, integrante do projeto, a tecnologia permite acompanhar continuamente parâmetros ambientais e produtivos. Os dados fornecidos em tempo real podem apoiar decisões, reduzir riscos operacionais e aumentar a eficiência dos sistemas de cultivo.</p>
<h2>Redução de custos orientou desenvolvimento da estação</h2>
<p>O Aqua-On Plus começou a ser desenvolvido em 2022 e passou por sucessivos ajustes para se aproximar das necessidades encontradas nas propriedades. Uma das prioridades da equipe foi reduzir o custo da solução sem comprometer sua capacidade de monitoramento.</p>
<p>A engenheira de pesca e doutoranda Brennda Cheretti, uma das idealizadoras do equipamento, afirma que o acesso à ciência e à tecnologia ainda é caro para parte dos pequenos produtores. Sensores, sistemas de transmissão e plataformas de acompanhamento podem exigir investimentos incompatíveis com a capacidade financeira de operações de menor escala.</p>
<p>A equipe buscou enfrentar essa limitação com uma estrutura modular e replicável. Em vez de desenvolver um sistema único e rígido, os pesquisadores trabalharam em uma solução que possa ser adaptada a diferentes condições de cultivo e necessidades produtivas.</p>
<p>Essa característica poderá permitir configurações distintas conforme o tamanho da propriedade, o ambiente de instalação e os parâmetros que precisam ser acompanhados. A modularidade também tende a facilitar atualizações e substituições de componentes ao longo da vida útil do equipamento.</p>
<p>O preço comercial do Aqua-On Plus ainda não foi definido. A estação continua em desenvolvimento e deverá passar por uma última rodada de testes antes do pedido de patente. Somente após a definição do modelo industrial será possível calcular custos de produção, instalação, manutenção e suporte técnico.</p>
<p>Para pequenos e médios produtores, a viabilidade dependerá da relação entre o investimento exigido e os ganhos obtidos com a redução de perdas, o melhor aproveitamento dos insumos e a maior previsibilidade da produção.</p>
<h2>Tecnologia avançou do laboratório para fazendas de piscicultura</h2>
<p>Ao longo de quatro anos, o Aqua-On Plus evoluiu do nível 2 para o nível 7 na escala de maturidade tecnológica, conhecida pela sigla TRL. O avanço indica que o projeto deixou a fase inicial de formulação, passou por avaliações em ambiente controlado e chegou aos testes em condições próximas da realidade produtiva.</p>
<p>A primeira simulação em campo ocorreu em um tanque escavado na região do Vale do Ribeira. O protótipo foi instalado para que a equipe pudesse avaliar a realização das leituras, a transmissão dos dados e a resistência da estrutura ao uso contínuo em ambiente aquícola.</p>
<p>Essa etapa permitiu identificar problemas que nem sempre aparecem em laboratório. Equipamentos instalados próximos ou dentro da água ficam expostos à umidade, à chuva, ao calor, às variações de temperatura e ao desgaste provocado pela permanência prolongada no campo.</p>
<p>Depois dos testes no Vale do Ribeira, o Aqua-On Plus foi levado para um reservatório de maior escala no município de Chavantes, no interior de São Paulo. O novo ambiente permitiu observar o funcionamento do equipamento sob condições mais próximas das encontradas em uma operação comercial.</p>
<p>Em Chavantes, a estação foi submetida a mudanças climáticas, precipitações e outros fatores de estresse capazes de interferir tanto nas leituras quanto na integridade do protótipo. O objetivo era verificar se o sistema manteria a estabilidade diante de eventos reais e variações ambientais menos previsíveis.</p>
<p>Os resultados foram considerados positivos pela equipe, mas o Aqua-On Plus ainda deverá passar por novos ajustes. A validação em campo representa uma etapa relevante, embora não signifique que o equipamento esteja pronto para ser produzido e comercializado em grande escala.</p>
<h2>Maturidade tecnológica ainda não representa produto pronto</h2>
<p>O nível 7 na escala TRL mostra que o Aqua-On Plus já foi demonstrado em ambiente operacional relevante. O estágio, no entanto, ainda exige <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331721">trabalho</a> de engenharia antes que a solução possa chegar regularmente ao mercado.</p>
<p>Entre o protótipo funcional e o produto comercial existem etapas relacionadas à padronização dos componentes, à estabilidade do sistema, à definição de fornecedores e à capacidade de fabricação em série. Também será necessário estruturar procedimentos de instalação, manutenção e atendimento ao produtor.</p>
<p>Outro ponto decisivo será a comunicação dos dados. Uma estação de monitoramento precisa não apenas coletar informações, mas apresentá-las de forma compreensível e útil para quem toma decisões na propriedade.</p>
<p>Alertas excessivamente técnicos ou difíceis de interpretar podem reduzir o valor prático do sistema. Para alcançar produtores com diferentes níveis de formação e estrutura, o Aqua-On Plus deverá combinar precisão científica com operação simples.</p>
<p>A conectividade representa outro desafio. Parte da produção aquícola está localizada em regiões rurais com acesso limitado à internet ou instabilidade na transmissão de dados. A solução comercial terá de considerar essas restrições para evitar que o equipamento fique dependente de uma infraestrutura inexistente em algumas áreas.</p>
<p>A capacidade de operar em diferentes condições será fundamental para a expansão do projeto. A aquicultura brasileira reúne viveiros escavados, tanques-rede, reservatórios e sistemas com características ambientais distintas, o que exige flexibilidade tecnológica.</p>
<h2>Patente deverá anteceder licenciamento para empresas</h2>
<p>A próxima etapa planejada pelos pesquisadores é o depósito da patente com apoio da Agência Unesp de Inovação, a AUIN. A proteção da propriedade intelectual deverá ocorrer antes da negociação com startups ou <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331720">empresas</a> interessadas na produção e na comercialização do Aqua-On Plus.</p>
<p>O professor Érico Tadao Teramoto, coautor do projeto, destaca que o caminho entre a ideia inicial e a chegada de uma inovação ao produtor pode levar vários anos. O processo envolve experimentação, testes, correções e validações sucessivas.</p>
<p>Depois do depósito da patente, a Unesp poderá avaliar modelos de licenciamento. Nesse formato, uma empresa recebe autorização para utilizar a tecnologia e assume responsabilidades relacionadas à fabricação, à distribuição e ao atendimento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331722">mercado</a>.</p>
<p>A transferência para o setor privado pode acelerar a transformação do protótipo em produto, mas dependerá do interesse comercial e da demonstração de viabilidade econômica. Empresas potenciais licenciadas precisarão avaliar o tamanho do mercado, o custo industrial, a demanda dos produtores e a possibilidade de prestar suporte em diferentes regiões.</p>
<p>O Aqua-On Plus também terá de demonstrar que o monitoramento produz resultados financeiros mensuráveis. A adoção será mais provável se o produtor conseguir relacionar o equipamento à redução de mortalidade, à melhoria do uso de ração, à diminuição de deslocamentos ou ao aumento da produtividade.</p>
<p>O prêmio obtido na Aquishow aumenta a exposição do projeto diante de empresas, investidores e agentes da cadeia aquícola. Ainda assim, o reconhecimento técnico não elimina as exigências de escala, confiabilidade e retorno econômico associadas à comercialização.</p>
<h2>Aquicultura de precisão avança com expansão da produção</h2>
<p>A busca por sistemas de monitoramento acompanha o crescimento e a profissionalização da aquicultura brasileira. À medida que as propriedades aumentam sua escala, o controle das condições ambientais se torna mais importante para reduzir perdas e preservar margens.</p>
<p>Na criação de peixes, a alimentação representa uma parcela relevante dos custos. Alterações ambientais podem reduzir o consumo dos animais e comprometer a conversão da ração em ganho de peso, elevando o custo por quilo produzido.</p>
<p>O monitoramento contínuo pode ajudar a identificar momentos em que o manejo precisa ser ajustado. A utilização mais eficiente dos insumos tem impacto direto sobre a rentabilidade, sobretudo em operações pressionadas por custos de ração, energia, mão de obra e transporte.</p>
<p>O uso de dados também melhora a capacidade de planejamento. Informações acumuladas ao longo do tempo permitem comparar períodos, identificar padrões e avaliar como o sistema reage a mudanças de clima ou manejo.</p>
<p>Essa base histórica pode se tornar um ativo relevante para a gestão. Em vez de depender apenas da observação imediata, o produtor passa a contar com registros capazes de apoiar decisões futuras e orientar investimentos.</p>
<p>A adoção de tecnologias de precisão, contudo, permanece desigual. Grandes operações têm maior capacidade de absorver equipamentos e equipes especializadas, enquanto pequenos produtores enfrentam restrições de crédito, conectividade e assistência técnica.</p>
<p>É nesse segmento que o Aqua-On Plus pretende se diferenciar. Ao priorizar baixo custo e modularidade, o projeto busca ampliar o acesso a ferramentas que normalmente ficam concentradas em sistemas mais capitalizados.</p>
<h2>Incubadora aproxima pesquisa acadêmica do mercado</h2>
<p>A Incubadora Tecnológica Aquário de Ideias está instalada no câmpus da Unesp em Registro e atua como ambiente de desenvolvimento de projetos científicos e empresariais ligados à aquicultura.</p>
<p>A estrutura reúne estudantes, professores, pesquisadores e parceiros externos em iniciativas voltadas à solução de problemas encontrados no setor produtivo. O Aqua-On Plus é resultado desse modelo de colaboração.</p>
<p>Além da Unesp, o desenvolvimento contou com a participação de pesquisadores e instituições parceiras. O projeto recebeu recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e do governo federal.</p>
<p>O financiamento público permitiu realizar as etapas de pesquisa, construção dos protótipos e testes em campo. A fase comercial, no entanto, deverá exigir novos recursos e a participação de empresas capazes de assumir a fabricação em escala.</p>
<p>A incubadora também exerce papel de formação. Estudantes envolvidos nos projetos acompanham etapas que vão da concepção científica à validação tecnológica, aproximando a atividade acadêmica das demandas empresariais e produtivas.</p>
<p>A premiação na categoria Academia reconheceu a capacidade da Aquário de Ideias de articular pesquisa, inovação e aplicação prática. O resultado reforça a posição do câmpus de Registro como polo de desenvolvimento tecnológico para a aquicultura.</p>
<h2>Prêmio acelera caminho do Aqua-On Plus até o mercado</h2>
<p>O Aqua-On Plus foi projetado inicialmente para sistemas de criação de peixes, mas os pesquisadores consideram a possibilidade de ampliar seu uso para a produção de camarões e moluscos. A expansão dependerá de adaptações específicas para cada espécie e ambiente.</p>
<p>Os parâmetros relevantes para uma fazenda de peixes não são necessariamente os mesmos exigidos em outras modalidades de aquicultura. Por isso, a modularidade deverá ser testada também como capacidade de adaptação técnica.</p>
<p>Antes dessa ampliação, a prioridade será concluir a validação do sistema atual. A equipe pretende realizar uma nova etapa de testes, corrigir eventuais limitações e preparar a documentação necessária para o depósito da patente.</p>
<p>A futura empresa licenciada terá de transformar a estação experimental em uma solução confiável para uso diário. Esse processo inclui fabricação padronizada, garantia de peças, atualização tecnológica e assistência ao produtor.</p>
<p>O prêmio recebido em Uberlândia funciona como uma vitrine para o projeto e pode facilitar a aproximação com parceiros comerciais. O avanço efetivo, porém, dependerá da capacidade de manter o baixo custo quando o Aqua-On Plus deixar a escala experimental.</p>
<p>Se concluir essa transição, a tecnologia poderá ampliar o acesso à aquicultura de precisão e oferecer a pequenos produtores uma ferramenta para acompanhar riscos que hoje são identificados de forma tardia ou descontínua.</p>
<p>O desafio agora é converter o reconhecimento científico em uma solução economicamente viável, resistente às condições do campo e capaz de gerar resultados mensuráveis dentro das fazendas aquícolas.</p>
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		<title>Brasil encosta nos EUA com US$ 169,2 bi em exportações agrícolas e disputa liderança global</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-exportacoes-agricolas-169-bi-eua-lideranca-global-analise</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 17:15:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[balança comercial]]></category>
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		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[exportações agrícolas]]></category>
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		<category><![CDATA[Ministério da Agricultura]]></category>
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		<category><![CDATA[USDA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil encerrou 2025 com US$ 169,2 bilhões em exportações do agronegócio, a menos de US$ 2 bilhões dos US$ 171 bilhões embarcados pelos Estados Unidos. A diferença, a menor já registrada entre os dois países, coloca o Brasil pela primeira vez em condição efetiva de disputar a liderança mundial do comércio agrícola, posição ocupada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil encerrou 2025 com US$ 169,2 bilhões em exportações do agronegócio, a menos de US$ 2 bilhões dos US$ 171 bilhões embarcados pelos Estados Unidos. A diferença, a menor já registrada entre os dois países, coloca o Brasil pela primeira vez em condição efetiva de disputar a liderança mundial do comércio agrícola, posição ocupada pelos americanos por décadas e que sustentou parte relevante do poder de definição de preços, padrões sanitários e rotas logísticas globais.</p>
<p>A fotografia da virada foi organizada pelo jornal britânico Financial Times a partir dos dados oficiais divulgados nesta semana. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, as vendas externas brasileiras cresceram 3% sobre 2024 e garantiram superávit setorial de US$ 149,07 bilhões. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, as exportações agrícolas americanas recuaram para US$ 171 bilhões em 2025, após o pico de 2022, pressionadas por preços internacionais mais baixos, <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331600">dólar</a> valorizado e perda de mercados. As duas estatísticas usam classificações distintas, mas apontam para a mesma direção. A liderança americana deixou de ser incontestável.</p>
<p>O que está em jogo vai além de um ranking. Quando o maior exportador de alimentos muda, muda a forma como o mundo compra, financia e transporta comida. Para o Brasil, significa mais dólares entrando pela balança comercial, mais peso nas negociações bilaterais e mais exposição a um único cliente. Para os Estados Unidos, significa lidar com um déficit agrícola crescente e com a necessidade de redesenhar subsídios, <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331603">política</a> de biocombustíveis e estratégia comercial.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Diferença de menos de US$ 2 bi encerra era de domínio incontestável</h3>
<p>A aproximação entre US$ 169,2 bilhões e US$ 171 bilhões não é apenas simbólica. Ela materializa um movimento de duas décadas. No início dos anos 2000, o Brasil exportava pouco mais de um décimo do que exporta hoje em produtos do agro. O avanço veio com expansão de área no Centro-Oeste, adoção de cultivares adaptadas ao Cerrado, correção de solo e um salto de produtividade por hectare que permitiu ao país produzir mais sem crescer na mesma proporção em área.</p>
<p>Levantamento da <a class="wpil_keyword_link" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331604">Gazeta Mercantil</a> com base em dados da Secex e do USDA mostra que a trajetória dos dois países se inverteu nos últimos três anos. Enquanto o Brasil manteve crescimento mesmo com queda de preços de soja e milho, os Estados Unidos perderam valor embarcado. O dado de 2025 consolida essa inversão porque ocorre em um ano de preços internacionais menos favoráveis, o que indica que o ganho brasileiro não depende apenas de cotação, mas de volume, diversificação de destinos e capacidade de originação.</p>
<p>O superávit de US$ 149,07 bilhões do agro brasileiro em 2025 foi, mais uma vez, o principal amortecedor das contas externas. Em um contexto de juros globais ainda elevados e de custo de financiamento pressionado, essa entrada de divisas ajuda a suavizar a volatilidade cambial e a financiar importações de bens de capital, combustíveis e insumos. É um efeito fiscal indireto, mas relevante, porque sustenta arrecadação de estados exportadores e reduz a necessidade de captação externa em momentos de aversão a risco.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">China acelera virada e troca fornecedor americano por brasileiro</h3>
<p>A China explica boa parte da convergência. Em 2025, o país comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331606">agronegócio</a> brasileiro, o equivalente a 32,7% de todas as exportações do setor, com crescimento de 11% em um ano. No sentido oposto, as vendas agrícolas dos Estados Unidos para a China despencaram 66%, para US$ 8,4 bilhões. O <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331602">mercado</a> chinês, que já foi o principal destino do agro americano, caiu para a sexta posição no ranking de clientes dos EUA.</p>
<p>A disputa tarifária aberta pelo governo Donald Trump acelerou um processo que já estava em curso. Importadores chineses, diante de tarifas, incerteza regulatória e risco de interrupção de embarques, ampliaram contratos de longo prazo com o Brasil em soja, carnes, açúcar e algodão. Esses contratos não envolvem apenas preço. Eles amarram originação, armazenagem, capacidade portuária e financiamento de safra. Uma vez estabelecidos, tendem a ser mantidos, porque o custo de trocar de fornecedor inclui revalidar plantas frigoríficas, certificar fazendas e reorganizar logística interna na China.</p>
<p>O Financial Times ressalta que não se trata de um efeito conjuntural isolado. O Brasil construiu, ao longo de vinte anos, uma estrutura capaz de atender a China em escala. Isso inclui calendário agrícola complementar ao americano, oferta concentrada de farelo e grão no primeiro semestre e capacidade de entregar volumes grandes em janela curta, o que é decisivo para esmagadoras chinesas que operam com estoques baixos.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Segunda safra cria vantagem estrutural que o clima americano não permite</h3>
<p>Parte central dessa capacidade está no modelo de duas safras. Em Mato Grosso, principal polo produtor de grãos, áreas plantadas com soja no verão recebem milho ou algodão na sequência. Esse sistema dilui custos fixos de terra, máquinas e infraestrutura e gera duas receitas na mesma área em um único ano agrícola. Nos Estados Unidos, o inverno rigoroso impede essa intensificação na maior parte do Corn Belt, onde o produtor tem uma janela principal de cultivo.</p>
<p>Essa diferença de modelo tem consequência econômica direta. Ao produzir duas culturas, o produtor brasileiro reduz o custo médio por tonelada e ganha flexibilidade para decidir o que vender conforme preço relativo entre soja, milho e algodão. Para tradings, significa maior oferta de milho no segundo semestre, justamente quando os estoques americanos começam a cair. Para a indústria de carnes, significa oferta mais estável de grãos para ração, o que sustenta competitividade de proteína animal.</p>
<p>O Brasil já lidera as exportações mundiais de soja, carne bovina, carne de frango, café, açúcar e suco de laranja, e vem ganhando participação em algodão e carne suína. A safra de grãos 2025/2026 está estimada pelo Ministério da Agricultura em 353,4 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica. No primeiro trimestre de 2026, as exportações do agro superaram US$ 38 bilhões, também recorde para o período, segundo a pasta. O dado do início de 2026 é relevante porque mostra que a safra recorde está sendo convertida em embarque, não apenas em estoque de passagem.</p>
<p>A renovação de máquinas entra nesse cálculo. Em junho, o governo anunciou o programa Move Agricultura, com R$ 14 bilhões para financiar tratores, colheitadeiras e outros equipamentos. A medida afeta custo operacional, produtividade e capacidade de plantar dentro da janela ideal, que é determinante para a segunda safra. Para a indústria de máquinas agrícolas, representa demanda firme em um ano de crédito mais caro.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Balança comercial, dólar e juros sentem o efeito imediato</h3>
<p>A disputa pela liderança tem efeito prático sobre a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331605">economia</a> brasileira. O agro responde pela maior parte do superávit comercial e é a principal fonte privada de <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337135">dólares no mercado</a> à vista. Quando as exportações crescem em volume, mesmo com preço médio menor, o fluxo cambial ajuda a conter depreciações abruptas do real e reduz a pressão sobre inflação de alimentos e combustíveis importados.</p>
<p>Para a política monetária, o canal é indireto. Um superávit robusto melhora a percepção de risco externo e dá mais espaço ao Banco Central para calibrar juros sem a necessidade de responder a choques cambiais. Para o Tesouro, o efeito aparece na arrecadação de estados do Centro-Oeste e do Matopiba e na atividade de setores ligados a transporte, armazenagem e insumos. Não é por acaso que a curva de juros futuros costuma reagir a revisões de safra e a dados mensais de exportação da Secex.</p>
<p>Para o consumidor brasileiro, a leitura é dupla. De um lado, exportação forte sustenta emprego e renda no interior. De outro, maior integração com a China e com o mercado internacional torna o preço interno de soja, milho, carnes e açúcar mais sensível à demanda externa. Em anos de quebra nos EUA ou de aceleração chinesa, o repasse para o varejo doméstico pode ser mais rápido do que em anos de oferta abundante.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Empresas listadas entram no centro da disputa</h3>
<p>O rearranjo comercial muda a equação de <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331601">empresas</a> que operam na originação, processamento e logística. Frigoríficos e tradings passam a lidar com um cliente mais concentrado e exigente em termos de escala e regularidade. No Brasil, companhias listadas como JBS (JBSS3), BRF (BRFS3), Marfrig (MRFG3) e SLC Agrícola (SLCE3) ficam mais expostas à dinâmica de frete marítimo, habilitação de plantas e spread entre preço interno e internacional. Para as produtoras de grãos, a segunda safra vira variável central de margem, porque define diluição de custo fixo e capacidade de travar preço em Chicago e no câmbio.</p>
<p>Para as tradings globais, a mudança de eixo significa redefinir onde investir em armazéns, esmagadoras e terminais portuários. A capacidade de originar milho no Brasil no segundo semestre, embarcar pelo Arco Norte e entregar na Ásia em prazo competitivo passou a valer tanto quanto a capacidade tradicional de originar no Golfo do México. Isso explica parte dos investimentos recentes em portos do Pará e Maranhão e em ferrovias que conectam o Centro-Oeste ao Norte.</p>
<p>Para o investidor de Bolsa, o recado é que o agro brasileiro deixou de ser apenas uma história de volume para ser também uma história de execução logística. O diferencial entre empresas não está mais só em produtividade no campo, mas em capacidade de armazenar, transportar, financiar e certificar carga. A volatilidade do dólar, o custo do diesel e o preço do frete deixam de ser coadjuvantes e passam a definir resultado trimestral.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Por que os EUA perderam tração e viraram importadores líquidos</h3>
<p>Nos Estados Unidos, o valor das exportações agrícolas atingiu o pico em 2022 e recuou para US$ 171 bilhões em 2025. Conforme o USDA, a queda reflete combinação de preços menores, dólar forte e mudança na composição da demanda por soja e milho. Ao mesmo tempo, as importações agrícolas americanas chegaram a US$ 212 bilhões, o que gerou déficit de US$ 41 bilhões no comércio agrícola. É um número que contrasta com o período em que os Estados Unidos dominavam simultaneamente produção, comércio e formação de preços globais.</p>
<p>A estratégia americana <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333960">para compensar a perda de mercados</a> tem se apoiado em subsídios diretos a produtores e em incentivos ao uso de milho para biocombustíveis. A política sustenta renda no campo e ajuda a escoar parte da produção, mas não recupera automaticamente clientes que já migraram para o Brasil e estabeleceram cadeias de abastecimento alternativas. Além disso, o aumento da produção de proteínas vegetais, a maior concorrência da América do Sul e a preferência de importadores asiáticos por contratos mais flexíveis reduziram o poder de precificação dos EUA em algumas cadeias.</p>
<p>Há ainda um componente de custo interno. A mão de obra, o custo de armazenagem e o transporte interno nos EUA subiram nos últimos anos, enquanto o Brasil, mesmo com gargalos, conseguiu manter custo de produção competitivo em grãos e carnes. A diferença não está na tecnologia embarcada, que é elevada nos dois países, mas na capacidade de escalar área e de produzir duas safras onde o clima permite.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Logística cara e rastreabilidade ambiental definem se liderança será sustentável</h3>
<p>A possível liderança brasileira convive com limitações que podem travar o salto final. A primeira é logística. A distância entre as áreas produtoras do Centro-Oeste e os portos do Sudeste e do Arco Norte ainda impõe custo elevado, congestionamentos em safra e dependência de rodovias. O escoamento pela BR-163, a expansão da Ferrovia Norte-Sul e os terminais no Arco Norte avançaram, mas não acompanharam integralmente o crescimento de 353,4 milhões de toneladas de grãos. Cada ponto percentual de perda de eficiência logística reduz a competitividade que o campo constrói com produtividade.</p>
<p>A segunda limitação é ambiental e regulatória. A expansão de lavouras e pastagens sobre vegetação nativa pressiona o debate sobre desmatamento e cria risco de barreiras comerciais. A União Europeia avança com exigências de rastreabilidade por lote e comprovação de cadeia livre de desmatamento, o que aumenta custo de conformidade para tradings, frigoríficos e produtores. O investimento em monitoramento por satélite, certificação, segregação de origem e sistemas de rastreabilidade de bovinos e grãos deixa de ser diferencial e vira condição para manter acesso a mercados de maior valor agregado.</p>
<p>Esse custo regulatório tende a se concentrar nas empresas que não investiram em governança socioambiental. Para as que já operam com rastreabilidade, pode virar vantagem competitiva, porque cria barreira de entrada para concorrentes menores. É um ponto que interessa diretamente a investidores que avaliam risco de sanção, perda de cliente e desconto em múltiplos por exposição ambiental.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">O que pode confirmar ou adiar a ultrapassagem em 2026</h3>
<p>A diferença inferior a US$ 2 bilhões entre Brasil e Estados Unidos em 2025 não significa que a ultrapassagem já ocorreu oficialmente. As metodologias de classificação de produtos são diferentes e a comparação direta exige ajustes. Ela mostra, porém, que a disputa entrou em uma nova fase, em que o Brasil tem safras sucessivas, acesso privilegiado à China e um modelo de segunda safra que amplia volume sem expandir área na mesma proporção.</p>
<p>Os próximos meses serão decisivos para confirmar a tendência. O USDA divulga em agosto nova rodada de estimativas de oferta, demanda e estoques, a Conab atualiza a projeção de safra e o Ministério da Agricultura detalha o desempenho por produto. O comportamento da demanda chinesa, a política tarifária americana, o ritmo de embarque do milho segunda safra e o custo de frete marítimo vão definir se o Brasil supera os EUA ainda em 2026 ou se a ultrapassagem fica para o ciclo seguinte.</p>
<p>Para a Gazeta Mercantil, o ponto central é que o agro brasileiro deixou de ser apenas fornecedor complementar para ser formador de preço e de rota logística. Quando um país passa a responder por mais de um terço das importações agrícolas do maior comprador do mundo, como ocorre com o Brasil na China, ele muda a balança de poder no comércio global de alimentos. Resta saber se o país conseguirá transformar volume em liderança sustentável, com logística eficiente, crédito para mecanização e rastreabilidade que garanta acesso a mercados exigentes. O número de 2025 indica que a janela está aberta. O custo para atravessá-la será medido em ferrovias, portos e sistemas de controle que vão muito além da porteira.</p>
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		<title>Governo Federal abre renegociação de R$ 100 bilhões em dívidas rurais; veja quem pode aderir</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/mp-renegociacao-100-bilhoes-dividas-rurais-quem-pode-aderir</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 17:06:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governo federal abriu uma nova frente para enfrentar o endividamento do agronegócio ao publicar, na quarta-feira (15), a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza a criação de linhas de crédito destinadas à renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. O programa atenderá produtores e cooperativas que acumularam perdas de safra entre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governo federal abriu uma nova frente para enfrentar o endividamento do agronegócio ao publicar, na quarta-feira (15), a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza a criação de linhas de crédito destinadas à renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. O programa atenderá produtores e cooperativas que acumularam perdas de safra entre 2019 e 2025, com juros entre 5% e 12% ao ano e prazo de pagamento que poderá chegar a dez anos.</p>
<p>A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou em vigor com a publicação em edição extra do Diário Oficial da União. O texto estabelece as condições gerais do programa, mas a liberação dos recursos ainda dependerá da regulamentação do Conselho Monetário Nacional e da análise individual feita pelos bancos.</p>
<p>O valor de R$ 100 bilhões corresponde ao volume estimado de operações que poderão ser refinanciadas, e não a um desembolso direto do Tesouro Nacional. As linhas serão abastecidas por recursos obrigatórios do crédito rural, fundos constitucionais, fontes equalizadas pelo governo e capital próprio das instituições financeiras.</p>
<p>Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o impacto anual da medida sobre as contas públicas deverá ficar abaixo de R$ 4 bilhões. A maior parte desse custo virá da equalização dos juros, mecanismo pelo qual a União cobre a diferença entre a taxa paga pelo produtor e o custo financeiro da operação.</p>
<h2>Renegociação exige perdas em pelo menos duas safras</h2>
<p>A renegociação de dívidas rurais não estará disponível para todo produtor endividado. A regra geral exige que o interessado tenha sofrido perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução de pelo menos 30% da renda bruta agropecuária esperada.</p>
<p>As perdas poderão ter sido provocadas por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados. A MP menciona secas, estiagens, enchentes, enxurradas, alagamentos, geadas, granizo, chuvas intensas, tornados, ondas de frio e vendavais.</p>
<p>O prejuízo precisará estar relacionado à safra ou à atividade que originou a dívida submetida à renegociação. Não será suficiente demonstrar uma perda genérica na propriedade ou uma redução de receita em outra cultura sem vínculo com o financiamento.</p>
<p>A comprovação deverá ser feita por meio de laudo elaborado por profissional habilitado. Caberá ao Conselho Monetário Nacional definir os procedimentos operacionais e a documentação que será exigida pelas instituições financeiras.</p>
<p>Produtores que enfrentaram perdas mais graves terão condições diferenciadas. Nessa segunda faixa, será necessário demonstrar prejuízos em três ou mais safras, provocados por eventos climáticos, além de redução mínima de 40% da renda bruta esperada.</p>
<h2>Juros começam em 5% para agricultores familiares</h2>
<p>As taxas da renegociação serão definidas de acordo com o porte do produtor e a intensidade das perdas acumuladas.</p>
<p>Na regra geral, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, pagarão juros de 6% ao ano.</p>
<p>Para miniprodutores, pequenos e médios agricultores atendidos pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural, o Pronamp, a taxa será de 9% ao ano. Os demais produtores pagarão 12%.</p>
<p>Nos casos mais graves, com perdas em pelo menos três safras e redução de renda igual ou superior a 40%, as taxas cairão para 5% ao ano no Pronaf, 8% no Pronamp e 11% para os demais produtores.</p>
<p>A diferença busca concentrar o maior subsídio nas propriedades mais atingidas por sucessivos eventos climáticos. Essa categoria foi desenhada especialmente para regiões que enfrentaram repetidas quebras de produção, como áreas afetadas por estiagens prolongadas e pelas enchentes no Rio Grande do Sul.</p>
<p>“É uma linha que vai dar o fôlego necessário para o agricultor brasileiro chegar adiante”, afirmou Durigan após a reunião que fechou o acordo entre o governo, a Câmara dos Deputados e representantes do setor agropecuário.</p>
<h2>Limite chega a R$ 8 milhões por produtor</h2>
<p>Na faixa destinada aos produtores que perderam duas ou mais safras e tiveram redução de renda de pelo menos 30%, o limite principal será de R$ 400 mil para beneficiários do Pronaf.</p>
<p>Produtores enquadrados no Pronamp poderão contratar até R$ 2 milhões, enquanto o teto para os demais será de R$ 4 milhões.</p>
<p>A MP permite operações complementares quando a dívida superar esses valores. Um agricultor do Pronaf poderá contratar crédito adicional de até R$ 600 mil, mas o saldo excedente será submetido à taxa aplicável ao Pronamp.</p>
<p>No caso dos produtores do Pronamp, será possível obter uma operação adicional de até R$ 2 milhões, com a incidência da taxa cobrada dos demais produtores.</p>
<p>Para quem se enquadrar na categoria de perdas mais severas, os limites principais serão ampliados. O teto chegará a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores.</p>
<p>Também haverá possibilidade de crédito complementar nessa faixa. Beneficiários do Pronaf poderão financiar mais R$ 500 mil, enquanto produtores do Pronamp poderão contratar até R$ 1,5 milhão adicional, ambos com taxas correspondentes à categoria imediatamente superior.</p>
<p>Os limites são cumulativos por mutuário, considerando as operações feitas em uma ou mais instituições financeiras. O produtor, portanto, não poderá multiplicar o teto por meio da contratação em diferentes bancos.</p>
<h2>Pagamento poderá ser feito em até dez anos</h2>
<p>A regra geral estabelece prazo de até oito anos para o pagamento da renegociação. A primeira parcela de amortização do principal vencerá dois anos após a contratação.</p>
<p>A carência não significa suspensão completa dos pagamentos. Durante os dois primeiros anos, o produtor terá de pagar os juros incidentes sobre a operação, embora ainda não precise amortizar o valor principal da dívida.</p>
<p>Para produtores atingidos por perdas mais severas, o prazo será ampliado para até dez anos. A primeira amortização também poderá ocorrer dois anos depois da contratação, com pagamento dos juros durante a carência.</p>
<p>O alongamento reduz o valor das parcelas e procura adequar o fluxo da dívida ao ciclo de recuperação da propriedade. O efeito prático, porém, dependerá da capacidade futura de geração de caixa e do custo acumulado ao longo do contrato.</p>
<p>As linhas deverão ser contratadas em até 120 dias contados da publicação da MP. O prazo curto aumenta a pressão para que o Conselho Monetário Nacional regulamente rapidamente o programa e para que os bancos adaptem seus sistemas.</p>
<h2>Custeio, comercialização e investimento estão incluídos</h2>
<p>A renegociação alcançará operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização que tenham sido prorrogadas ou renegociadas até 31 de maio de 2026 e estejam adimplentes no momento da contratação da nova linha.</p>
<p>Também poderão ser refinanciadas operações dessas modalidades contratadas até 31 de dezembro de 2025 que tenham entrado em inadimplência a partir de 1º de janeiro de 2024 e continuassem em atraso em 31 de maio de 2026.</p>
<p>No crédito para investimento, poderão ser incluídas parcelas vencidas ou com vencimento entre janeiro de 2024 e dezembro de 2026. A operação original deverá ter sido contratada até o fim de 2025 e ter permanecido inadimplente na data de corte prevista pela MP.</p>
<p>A medida abrange contratos firmados com recursos do Pronaf, do Pronamp, de outras linhas do Sistema Nacional de Crédito Rural e dos fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.</p>
<p>Não poderão entrar no programa dívidas que já tenham sido encaminhadas para a Dívida Ativa da União. Também ficam fora valores anteriormente quitados por indenizações do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária ou por seguro rural.</p>
<p>Operações contratadas com determinados recursos do Fundo Social ou ao amparo da Medida Provisória nº 1.314/2025 também estão sujeitas a restrições, para evitar a sobreposição de benefícios públicos.</p>
<h2>CPRs inadimplentes entram no refinanciamento</h2>
<p>A MP também permite a renegociação de determinadas Cédulas de Produto Rural com liquidação financeira, instrumento amplamente utilizado no financiamento privado do <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="325122">agronegócio</a>.</p>
<p>Os bancos poderão adquirir novas CPRs para liquidar ou amortizar títulos emitidos em favor de instituições financeiras até 31 de dezembro de 2025.</p>
<p>Para entrar no programa, a CPR original deverá ter ficado inadimplente a partir de janeiro de 2024 e permanecido em atraso em 31 de maio de 2026. O título também precisará estar registrado em entidade autorizada pelo Banco Central.</p>
<p>A operação deverá estar relacionada à liquidação de outra CPR e o produtor terá de cumprir os critérios de perdas de safra e redução de renda definidos na medida.</p>
<p>O prazo de reembolso poderá chegar a oito anos. Os recursos poderão vir da poupança rural, de Letras de Crédito do Agronegócio e de outras fontes livres ou direcionadas das instituições financeiras.</p>
<p>A inclusão das CPRs atende a uma das principais reivindicações do setor. Nos últimos anos, parte crescente do financiamento da produção migrou para instrumentos privados, distribuídos entre bancos, revendas, tradings, cooperativas e fornecedores de insumos.</p>
<h2>Parcelas próximas do vencimento poderão ser prorrogadas</h2>
<p>A MP autoriza os bancos a adiar por até 30 dias o vencimento de parcelas de principal e juros de determinadas operações rurais.</p>
<p>A medida temporária <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328585">vale para contratos que estavam adimplentes em</a> 14 de julho de 2026 e tinham vencimento previsto para os 30 dias seguintes à publicação da norma.</p>
<p>A prorrogação não será automática nem universal. O financiamento deverá atender aos critérios do programa, e o produtor precisará solicitar a contratação de uma das linhas de renegociação.</p>
<p>Durante o período adicional, a dívida continuará sendo corrigida pelos encargos normais do contrato. A fonte de recursos original será mantida e não haverá necessidade de assinatura de termo aditivo para a extensão.</p>
<p>Segundo o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), o intervalo permitirá que os produtores preparem os documentos necessários. “O prazo dessas parcelas que estavam vencendo hoje e nos próximos dias dará um fôlego para que os produtores possam apresentar a documentação necessária”, disse.</p>
<h2>Bancos continuarão responsáveis pelo risco de crédito</h2>
<p>Embora o governo tenha criado as condições do programa, o risco das operações permanecerá com as instituições financeiras.</p>
<p>Cada pedido será submetido às políticas internas do banco, que poderá analisar capacidade de pagamento, histórico do cliente, garantias e viabilidade econômica da propriedade.</p>
<p>A dívida refinanciada será tratada como uma nova operação para efeitos de classificação de risco. O cumprimento dos requisitos legais não assegura, por si só, a aprovação do crédito.</p>
<p>A MP permite a revisão das garantias já vinculadas aos contratos. Elas poderão ser reduzidas quando forem excessivas ou ampliadas quando o banco considerar que o patrimônio oferecido não cobre adequadamente o novo financiamento.</p>
<p>O texto também determina que a adesão à renegociação não poderá impedir a contratação de novos créditos rurais nem justificar a inclusão do produtor ou da cooperativa em cadastros restritivos.</p>
<p>Essa proteção é relevante porque o alongamento da dívida antiga não resolve a necessidade de capital para a safra seguinte. Sem acesso a novos recursos, o produtor poderia refinanciar o passivo e, ainda assim, ficar sem condições de comprar sementes, fertilizantes, defensivos e combustível.</p>
<h2>Fundo garantidor terá participação da União</h2>
<p>A medida autoriza a União a participar como cotista de um fundo garantidor destinado a operações contratadas por produtores afetados por eventos climáticos.</p>
<p>Segundo Durigan, o governo trabalha com um limite de até R$ 2 bilhões para a constituição do instrumento. Estados, municípios, produtores e instituições financeiras também poderão participar.</p>
<p>O fundo terá natureza privada e patrimônio separado do patrimônio dos cotistas e do administrador. Ele responderá pelas obrigações somente até o limite dos bens e direitos que possuir, sem garantia ou aval direto do Poder Público.</p>
<p>A intenção é reduzir o risco das operações e facilitar a concessão de crédito de médio e longo prazo. A cobertura oferecida pelo fundo poderá diminuir a necessidade de garantias adicionais e limitar o spread cobrado pelos bancos.</p>
<p>Os detalhes ainda dependerão de regulamentação do Poder Executivo, incluindo o valor que será aportado pela União, os limites de cobertura e as regras de elegibilidade.</p>
<h2>Acordo evitou votação de projeto mais amplo no Congresso</h2>
<p>A publicação da MP encerrou um impasse entre o governo e o Congresso em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, aprovado pelo Senado em junho e devolvido à Câmara após sofrer alterações.</p>
<p>O projeto aprovado pelos senadores previa condições mais amplas, com juros de 3,5% a 7,5% ao ano, limites de até R$ 10 milhões por beneficiário e uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.</p>
<p>O texto também autorizava financiamentos de até R$ 50 milhões para associações, cooperativas e condomínios, além de prever carência adicional de até três anos.</p>
<p>O Ministério da Fazenda resistiu ao projeto por causa do custo fiscal e do alcance considerado excessivo. O acordo anunciado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), retirou a proposta da pauta e transferiu a solução para uma medida provisória negociada com a Frente Parlamentar da Agropecuária.</p>
<p>A MP adotou juros e limites menos favoráveis do que os aprovados no Senado, mas ampliou o atendimento a dívidas relacionadas à queda de preços, incorporou as CPRs e criou a possibilidade de um fundo garantidor.</p>
<h2>Bancos e CMN decidirão quanto dos R$ 100 bilhões chegará ao campo</h2>
<p>A MP nº 1.376 já produz efeitos legais, mas precisará ser analisada pela Câmara e pelo Senado para ser convertida definitivamente em lei.</p>
<p>Parlamentares poderão apresentar emendas para reduzir juros, ampliar limites ou modificar os critérios de acesso. O texto terá validade inicial de 60 dias, prorrogável por igual período caso a votação não seja concluída.</p>
<p>Antes da apreciação do Congresso, o impacto efetivo dependerá da regulamentação do Conselho Monetário Nacional e da abertura das linhas pelos bancos.</p>
<p>O governo deverá apresentar, até 180 dias depois do encerramento do prazo de contratação, um relatório com o número de operações e os valores efetivamente renegociados.</p>
<p>A MP também prevê punições para produtores, cooperativas e profissionais que apresentarem laudos ou documentos fraudulentos. O beneficiário poderá perder o crédito, devolver os valores recebidos e ficar impedido de contratar operações subvencionadas por até cinco anos.</p>
<p>Com R$ 100 bilhões potencialmente elegíveis, o programa oferece uma saída para produtores pressionados por perdas climáticas, juros elevados e deterioração dos preços agrícolas. O volume que será efetivamente refinanciado, no entanto, será definido pelos laudos apresentados, pela disposição dos bancos em assumir risco e pela capacidade de pagamento de cada propriedade.</p>
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		<item>
		<title>Exportações de carne bovina batem recorde e somam US$ 9,85 bilhões no semestre</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/exportacoes-carne-bovina-brasil-recorde-us-985-bilhoes-semestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 00:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram US$ 9,85 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado pelo setor para o período. Entre janeiro e junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% superior ao apurado nos seis primeiros meses de 2025. O resultado confirma a força da proteína bovina [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram US$ 9,85 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado pelo setor para o período. Entre janeiro e junho, o país embarcou 1,705 milhão de toneladas, volume 15,5% superior ao apurado nos seis primeiros meses de 2025.</p>
<p>O resultado confirma a força da proteína bovina brasileira no comércio internacional, mas também expõe a concentração das vendas em poucos mercados. A China continuou como principal destino, com 794,7 mil toneladas compradas no semestre e US$ 4,87 bilhões em receita.</p>
<p>Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.</p>
<p>O desempenho financeiro cresceu em ritmo mais forte que o volume. Enquanto as toneladas exportadas avançaram 15,5%, a receita subiu 36,2% frente ao primeiro semestre de 2025, quando as vendas externas haviam somado US$ 7,24 bilhões.</p>
<p>Essa diferença mostra que o setor foi beneficiado não apenas pelo aumento dos embarques, mas também pela valorização do preço médio da carne brasileira no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323612">mercado</a> internacional.</p>
<h2>Carne bovina brasileira em números</h2>
<p><strong>Exportações no semestre:</strong> 1,705 milhão de toneladas<br />
<strong>Crescimento em volume:</strong> 15,5%<br />
<strong>Receita no semestre:</strong> US$ 9,85 bilhões<br />
<strong>Crescimento em receita:</strong> 36,2%<br />
<strong>Exportações em junho:</strong> 317,3 mil toneladas<br />
<strong>Receita em junho:</strong> US$ 1,975 bilhão<br />
<strong>Principal destino:</strong> China<br />
<strong>Participação da China no volume:</strong> 46,6%<br />
<strong>Produto dominante:</strong> carne bovina in natura</p>
<h2>Receita cresce acima do volume exportado</h2>
<p>A diferença entre crescimento físico e crescimento financeiro é o ponto mais relevante dos números do semestre.</p>
<p>O Brasil exportou 229 mil toneladas a mais de carne bovina em relação ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, a receita aumentou em US$ 2,61 bilhões.</p>
<p>Na prática, o país vendeu mais e vendeu melhor. O avanço dos preços internacionais elevou o faturamento dos frigoríficos e reforçou a importância da carne bovina na pauta de exportações do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323611">agronegócio</a>.</p>
<p>O movimento favorece <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323613">empresas</a> com presença relevante no mercado externo, como JBS (JBSS3), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), ainda que o impacto financeiro dependa de câmbio, custos, margens, hedge e composição geográfica das vendas de cada companhia.</p>
<p>O setor também se beneficiou da capacidade brasileira de manter escala, regularidade de embarques e habilitação sanitária para diversos mercados.</p>
<h2>China concentra quase metade das compras</h2>
<p>A China comprou 794,7 mil toneladas de carne bovina brasileira no primeiro semestre, alta de 24% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>Em receita, as vendas para o mercado chinês somaram US$ 4,87 bilhões, avanço de 49,4% na comparação anual.</p>
<p>Com esses números, o país asiático respondeu por 46,6% do volume exportado pelo Brasil no semestre. A participação reforça a dependência estrutural da cadeia bovina brasileira em relação à demanda chinesa.</p>
<p>A concentração tem efeito positivo quando o mercado chinês compra em ritmo forte, como ocorreu no primeiro semestre. Mas também aumenta a exposição do setor a mudanças tarifárias, sanitárias e regulatórias definidas por Pequim.</p>
<p>Esse será um dos principais pontos de atenção no segundo semestre.</p>
<h2>Cota chinesa pode mudar o ritmo dos embarques</h2>
<p>O bom desempenho do primeiro semestre não elimina riscos para a segunda metade do ano.</p>
<p>A China passou a aplicar em 2026 um sistema de cotas para importações de carne bovina. No caso brasileiro, a cota anual foi definida em aproximadamente 1,106 milhão de toneladas. Volumes acima desse limite podem ficar sujeitos a tarifa adicional.</p>
<p>Como os embarques para a China avançaram rapidamente no início do ano, o setor passou a <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="331169">trabalhar com a possibilidade de</a> desaceleração das vendas ao mercado chinês nos meses seguintes.</p>
<p>Esse cenário tende a obrigar frigoríficos brasileiros a buscar maior diversificação de destinos. A estratégia passa por ampliar presença em mercados como México, Rússia, Indonésia, Filipinas, Oriente Médio e países da América Latina.</p>
<p>A dificuldade é que nenhum desses destinos, isoladamente, tem escala próxima à chinesa. Por isso, mesmo com diversificação, a China continuará sendo decisiva para o resultado anual do setor.</p>
<h2>Estados Unidos seguem como segundo maior destino</h2>
<p>Os Estados Unidos foram o segundo principal comprador de carne bovina brasileira no primeiro semestre.</p>
<p>O país importou 205 mil toneladas, alta de 13% em volume. A receita somou US$ 1,35 bilhão, avanço de 29,8%.</p>
<p>O mercado norte-americano tem importância estratégica porque combina escala, preços mais elevados e demanda por diferentes cortes e categorias de produto.</p>
<p>Mesmo em um ambiente de maior atenção comercial entre Brasil e Estados Unidos, os embarques de carne bovina mantiveram desempenho robusto no acumulado do semestre.</p>
<p>A continuidade desse ritmo dependerá das condições de acesso ao mercado, da competitividade da carne brasileira e do comportamento dos preços domésticos norte-americanos.</p>
<h2>União Europeia compra menos em volume, mas paga mais</h2>
<p>A União Europeia importou 51,2 mil toneladas de carne bovina brasileira no primeiro semestre, movimentando US$ 452,3 milhões.</p>
<p>O bloco ficou entre os principais mercados em valor, embora represente participação menor em volume quando comparado a China e Estados Unidos.</p>
<p>A diferença reflete o perfil do mercado europeu, que tende a comprar cortes de maior valor agregado e possui exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade mais rigorosas.</p>
<p>O setor acompanha com atenção novas regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos em produtos de origem animal. A partir de setembro, a certificação sanitária para exportações destinadas ao bloco deverá observar requisitos adicionais.</p>
<p>Para frigoríficos brasileiros, a União Europeia continua relevante menos pela escala e mais pelo preço médio e pela sinalização reputacional. Permanecer habilitado no mercado europeu ajuda a reforçar padrões de controle exigidos também por outros compradores.</p>
<h2>Chile e Rússia ganham espaço</h2>
<p>Além dos grandes compradores, mercados médios ampliaram a participação nas exportações brasileiras.</p>
<p>O Chile importou 70,7 mil toneladas no semestre, com receita de US$ 420,2 milhões. O crescimento foi de 20% em volume e 33,2% em valor.</p>
<p>A Rússia comprou 62,2 mil toneladas, gerando US$ 284,1 milhões em receita. O avanço foi mais forte: 53,8% em volume e 58,9% em valor.</p>
<p>Esses resultados são relevantes porque ajudam a reduzir, ainda que parcialmente, a dependência de China e Estados Unidos.</p>
<p>A Rússia voltou a ganhar importância como destino para a carne brasileira em um momento de rearranjo do comércio global de alimentos. Já o Chile segue como comprador consistente na América do Sul, com demanda regular e proximidade logística.</p>
<h2>Junho teve maior receita mensal da série</h2>
<p>O mês de junho consolidou o melhor resultado mensal da série histórica das exportações brasileiras de carne bovina.</p>
<p>Foram embarcadas 317,3 mil toneladas, alta de 16,6% sobre junho de 2025. A receita chegou a US$ 1,975 bilhão, avanço de 38,1%.</p>
<p>O resultado mensal confirmou que o ritmo forte do semestre não foi concentrado apenas no início do ano. Ao contrário, junho terminou com volume e faturamento elevados, mesmo em um ambiente já marcado por incertezas comerciais.</p>
<p>A China continuou na liderança no mês, com 161,9 mil toneladas e US$ 1,08 bilhão em compras. O volume cresceu 19%, enquanto a receita avançou 39,5%.</p>
<p>Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar em receita, com US$ 192,9 milhões, apesar da queda de 8,3% no volume embarcado. O dado indica melhora expressiva do preço médio.</p>
<h2>Carne in natura domina a pauta</h2>
<p>A carne bovina in natura continuou concentrando a maior parte das exportações.</p>
<p>Em junho, o produto respondeu por 279,7 mil toneladas, equivalentes a 88,1% do volume total embarcado. Em receita, foram US$ 1,83 bilhão, ou 92,6% do faturamento mensal.</p>
<p>O predomínio da carne in natura mostra que o Brasil ainda exporta majoritariamente proteína em forma menos industrializada, embora com grande escala e competitividade.</p>
<p>As carnes industrializadas somaram 8,5 mil toneladas e US$ 74 milhões em junho. Os miúdos responderam por 20,1 mil toneladas e US$ 46,3 milhões.</p>
<p>Também houve embarques de gorduras, tripas e carnes salgadas, mas com participação menor no total.</p>
<p>A composição da pauta indica espaço para crescimento de produtos de maior valor agregado, especialmente em mercados que aceitam cortes premium, processados e linhas com certificações específicas.</p>
<h2>México e Indonésia reforçam diversificação</h2>
<p>Entre os <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337043">mercados que ganharam destaque</a> em junho, o México teve uma das maiores expansões.</p>
<p>Os embarques para o país somaram 11,8 mil toneladas, alta de 153,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita foi de US$ 74 milhões, crescimento de 136,6%.</p>
<p>A Indonésia importou 10,6 mil toneladas e ficou entre os dez principais destinos do mês.</p>
<p>Hong Kong, Arábia Saudita, União Europeia, Rússia e Filipinas também apareceram entre os compradores relevantes.</p>
<p>A diversificação não elimina a centralidade da China, mas reduz a vulnerabilidade do setor a choques específicos em um único mercado. Para 2026, essa estratégia será especialmente importante por causa da cota chinesa e das novas exigências europeias.</p>
<h2>Exportação recorde fortalece frigoríficos, mas riscos aumentam</h2>
<p>O primeiro semestre foi positivo para a cadeia exportadora de carne bovina, mas o segundo semestre tende a ser mais seletivo.</p>
<p>A receita recorde melhora o ambiente para frigoríficos com forte presença internacional. Empresas como JBS, MBRF e Minerva podem se beneficiar de preços externos elevados, demanda firme e câmbio ainda favorável às exportações.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a margem das companhias dependerá do custo do boi gordo, da disponibilidade de animais, da evolução do câmbio e da capacidade de redirecionar volumes caso o mercado chinês perca ritmo.</p>
<p>O setor também precisa lidar com exigências crescentes de rastreabilidade, controles sanitários e comprovação ambiental.</p>
<p>Esses fatores tornam o desempenho das exportações menos dependente apenas da demanda e mais ligado à capacidade de cumprir requisitos técnicos em diferentes mercados.</p>
<h2>Segundo semestre dependerá de novos destinos</h2>
<p>A principal dúvida para o restante de 2026 é se o Brasil conseguirá manter o ritmo recorde com menor dependência da China.</p>
<p>A resposta dependerá da velocidade de abertura e expansão de mercados alternativos. México, Rússia, Indonésia, Filipinas e <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333478">países do Oriente Médio aparecem como</a> destinos estratégicos, mas ainda não substituem a escala chinesa.</p>
<p>O setor também acompanhará as condições comerciais com Estados Unidos e União Europeia, dois mercados importantes para receita e diversificação.</p>
<p>Se os preços internacionais continuarem elevados, a receita pode permanecer forte mesmo com eventual desaceleração do volume. Caso os embarques percam ritmo e os preços recuem, a comparação com o primeiro semestre se tornará mais difícil.</p>
<p>O recorde de janeiro a junho confirma a competitividade da carne bovina brasileira. Mas a sustentação do resultado anual dependerá menos de um único comprador e mais da capacidade de espalhar vendas por uma base maior de mercados.</p>
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		<item>
		<title>USP e INRAE iniciam centro internacional de saúde planetária em Piracicaba</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/usp-inrae-centro-saude-planetaria-piracicaba-esalq</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 20:50:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[PHIRC]]></category>
		<category><![CDATA[Piracicaba]]></category>
		<category><![CDATA[saúde planetária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e o Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, a Alimentação e o Ambiente da França (INRAE) iniciaram em Piracicaba as atividades de gestão do Planetary Health International Research Center (PHIRC), centro internacional voltado à pesquisa em saúde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e o Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, a Alimentação e o Ambiente da França (INRAE) iniciaram em Piracicaba as atividades de gestão do Planetary Health International Research Center (PHIRC), centro internacional voltado à pesquisa em saúde planetária.</p>
<p>A iniciativa busca integrar ciência agrícola, segurança alimentar, saúde humana, biodiversidade, clima e inovação tecnológica em um mesmo ecossistema de pesquisa. O centro terá sede no campus Luiz de Queiroz, da Esalq/USP, e nasce <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337044">como uma das principais apostas</a> de cooperação científica entre Brasil e França em temas ligados ao futuro da produção de alimentos.</p>
<p>O PHIRC foi formalizado pela USP e pelo INRAE em 2025 como um centro internacional dedicado ao estudo das conexões entre saúde humana, animal, vegetal e ambiental. Segundo o INRAE, o centro está baseado em Piracicaba, será codirigido por pesquisadores das duas instituições e foi estruturado em torno de uma estratégia científica comum.</p>
<p>Agora, a etapa em Piracicaba marca o início da operação prática do novo ecossistema, com reuniões de gestão, definição de prioridades científicas e articulação de projetos conjuntos. A agenda também integra as comemorações dos 125 anos da Esalq.</p>
<h2>Centro reunirá pesquisadores do Brasil e da França</h2>
<p>O PHIRC começa suas atividades com uma rede de mais de 200 pesquisadores brasileiros e franceses, organizados em cinco eixos de atuação. A proposta é combinar a experiência brasileira em sistemas tropicais com o conhecimento francês em agricultura, alimentação e meio ambiente.</p>
<p>Essa integração é considerada estratégica porque muitos dos problemas enfrentados pelos dois países são comuns, mas aparecem em contextos produtivos e climáticos diferentes. A comparação entre ecossistemas tropicais e temperados deve permitir o desenvolvimento de soluções mais amplas para agricultura sustentável, segurança alimentar, redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas.</p>
<p>O INRAE afirma que o novo centro mobiliza pesquisadores de áreas como ciências naturais, médicas, sociais e políticas, com foco em agricultura sustentável, ambiente e saúde humana. A instituição também destaca que a parceria se apoia em uma colaboração científica de longa duração com a USP.</p>
<h2>Cinco pilares vão orientar a pesquisa</h2>
<p>O programa científico do PHIRC está organizado em cinco pilares. O primeiro trata de sistemas de produção sustentável, com foco em agricultura, pecuária, agroecologia, biodiversidade funcional e biocontrole.</p>
<p>O segundo pilar aborda adaptação e mitigação das mudanças climáticas na agricultura, nas florestas e no setor de alimentos. A frente inclui temas como genética, modelagem, manejo de carbono e resiliência produtiva.</p>
<p>O terceiro eixo envolve o uso responsável de recursos naturais, especialmente água e solo, em ambientes saudáveis. A proposta é desenvolver tecnologias e práticas que reduzam desperdícios, aumentem eficiência e contribuam para a conservação dos ecossistemas.</p>
<p>O quarto pilar trata de sistemas alimentares saudáveis e nutrição preventiva. Entre os temas previstos estão dietas sustentáveis, proteínas alternativas, reaproveitamento de resíduos agroindustriais e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Saiba por que economia cresce 2% em Salvador e inadimplência cai no Recife" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323582">economia</a> circular.</p>
<p>O quinto eixo reúne agricultura digital e sistemas alimentares, com uso de inteligência artificial, automação, sensores inteligentes, robótica e modelos digitais aplicados ao campo. Esses cinco eixos também constam do desenho internacional divulgado pelo INRAE para o centro.</p>
<h2>Encontro marca início da governança do PHIRC</h2>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_1455925" aria-describedby="caption-attachment-1455925" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-1455925 size-full" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-scaled.jpg" alt="USP e INRAE iniciam centro internacional de saúde planetária em Piracicaba - Gazeta Mercantil " width="2560" height="1707" title="USP e INRAE iniciam centro internacional de saúde planetária em Piracicaba 4 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-scaled.jpg 2560w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-300x200.jpg 300w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-1024x683.jpg 1024w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-768x512.jpg 768w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-1536x1024.jpg 1536w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/07/USP1-1-2048x1366.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-1455925" class="wp-caption-text">Divulgação</figcaption></figure>
<p>Para marcar o início das atividades em parceria, pesquisadores brasileiros e franceses se reuniram entre os dias 6, 7 e 8 de julho em São Paulo, Pirassununga e Piracicaba. O núcleo científico e deliberativo da programação ocorreu no campus da Esalq/USP, durante o 1st PHIRC High-Level Meeting.</p>
<p>A agenda incluiu reunião institucional na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), visita ao campus da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga, e abertura oficial do escritório do INRAE na instituição.</p>
<p>Em Piracicaba, representantes da USP e do INRAE apresentaram os programas de pesquisa dos cinco pilares do PHIRC e realizaram a primeira reunião do conselho de administração. Foram discutidos o plano de gestão, oportunidades de financiamento e o plano de ação científica para os próximos 12 meses.</p>
<p>A programação também incluiu sessão de debates <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335838">com o Conselho Consultivo</a> Externo e visitas técnicas a laboratórios estratégicos da Esalq, como o Centro de Pesquisa em Carbono na Agricultura Tropical (CCarbon), o Laboratório de Biotecnologia Animal e estruturas ligadas ao LIA Learn/PHIRC no Departamento de Entomologia e Acarologia.</p>
<h2>USP vê centro como resposta a desafio global</h2>
<p>O reitor da USP, Aluísio Segurado, afirmou que o centro nasce para atuar em uma das frentes mais críticas do mundo contemporâneo: a produção de alimentos em um contexto de mudanças climáticas, pressão ambiental e necessidade de dietas mais saudáveis.</p>
<p>Segundo ele, a parceria fortalece a missão da universidade de gerar conhecimento, formar pessoas e transformar ciência em inovação aplicável à sociedade.</p>
<p>“A Universidade de São Paulo é a universidade líder da América Latina na geração do conhecimento inovador e as parcerias acadêmicas internacionais fortalecem o cumprimento dessa missão”, afirmou Segurado.</p>
<p>A diretora da Esalq, professora Thais Vieira, destacou que desafios como segurança alimentar, resiliência dos sistemas agroalimentares, mudanças climáticas e saúde planetária não podem mais ser enfrentados de forma isolada por instituições ou países.</p>
<p>Para ela, o PHIRC traduz uma nova forma de produzir conhecimento: integrada, interdisciplinar e internacional.</p>
<h2>França amplia cooperação científica com o Brasil</h2>
<p>Do lado francês, o presidente do INRAE, Philippe Mauguin, afirmou que o PHIRC dá continuidade a uma cooperação científica já consolidada entre Brasil e França em temas como clima, agricultura, alimentação e biodiversidade.</p>
<p>O próprio INRAE informa que USP e INRAE produziram mais de 430 publicações científicas conjuntas desde 2017 em áreas como ecologia, ambiente, microbiologia, ciência de alimentos e florestas.</p>
<p>A cooperação institucional também foi fortalecida por memorandos de entendimento e pela criação de laboratórios internacionais associados. Em 2025, a USP já havia informado que a unidade do INRAE em Piracicaba deveria operar vinculada ao campus da Esalq, em articulação com outras unidades da universidade.</p>
<p>Anne-Nathalie Volkoff, diretora de pesquisa do INRAE e especialista em pragas agrícolas, coordena o PHIRC pelo lado francês. Segundo ela, Brasil e França compartilham problemas semelhantes e têm competências complementares para ampliar o impacto da pesquisa em saúde planetária.</p>
<p>Na USP, a coordenação está a cargo do professor Fernando Cônsoli, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq. Ele afirma que o centro deverá concentrar esforços em soluções orientadas a problemas concretos da sociedade, como produção de alimentos, preservação da biodiversidade e equidade nutricional.</p>
<h2>Saúde planetária conecta clima, alimento e vida humana</h2>
<p>A saúde planetária parte da ideia de que a saúde humana depende da integridade dos sistemas naturais. Isso significa que alimentação, clima, uso da terra, biodiversidade, água, solo e saúde pública não podem ser tratados como agendas separadas.</p>
<p>O tema ganhou relevância diante da aceleração das mudanças climáticas. A Organização Meteorológica Mundial estima que há 86% de chance de pelo menos um ano entre 2025 e 2029 superar temporariamente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. A entidade também alerta que cada fração adicional de aquecimento aumenta riscos de ondas de calor, chuvas extremas, secas intensas, derretimento de geleiras, aquecimento dos oceanos e elevação do nível do mar.</p>
<p>No campo, esses efeitos afetam produtividade, pragas, disponibilidade de água, qualidade do solo e estabilidade das cadeias de abastecimento. Por isso, o PHIRC pretende atuar na fronteira entre ciência básica, inovação tecnológica e formulação de políticas públicas.</p>
<h2>Centro pode atrair recursos e formar jovens cientistas</h2>
<p>O plano de ação do PHIRC prevê intercâmbios de curta duração para pesquisadores e estudantes de pós-graduação das duas nações. A partir de 2027, a expectativa é ampliar bolsas de pós-doutorado e submeter projetos conjuntos a grandes fundos internacionais.</p>
<p>Segundo o desenho institucional divulgado pelo INRAE, o reconhecimento do centro pela FAPESP poderá abrir caminho para um financiamento de R$ 30 milhões ao longo de cinco anos, voltado ao lançamento operacional em 2026, projetos conjuntos, mobilidade científica, escolas de verão e simpósios internacionais.</p>
<p>A meta dos organizadores é gerar publicações de alto impacto, formar jovens cientistas e criar uma plataforma de pesquisa capaz de dialogar com governos, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323583">empresas</a>, produtores rurais e instituições multilaterais.</p>
<h2>Impacto esperado vai além dos laboratórios</h2>
<p>O PHIRC foi desenhado para produzir impacto econômico, ambiental, social e tecnológico. Na área de inovação, o centro deve estimular pesquisas em biodefensivos, agricultura digital, robótica, circularidade de resíduos agroindustriais e novas cadeias de valor ligadas ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="323584">mercado</a> verde.</p>
<p>No campo ambiental, a expectativa é contribuir para redução da pegada de carbono da agropecuária, diminuição do uso de pesticidas, melhor manejo de água e solo e fortalecimento de sistemas produtivos mais resilientes.</p>
<p>Na área de políticas públicas, o centro pretende gerar dados científicos para apoiar decisões sobre rotulagem de alimentos, subsídios, agricultura sustentável, segurança alimentar e adaptação climática.</p>
<p>A criação do PHIRC coloca Piracicaba em posição de destaque na agenda internacional de pesquisa em saúde planetária. Ao reunir USP, Esalq, INRAE, FAPESP e uma rede de pesquisadores dos dois países, o centro tenta responder a uma pergunta central para as próximas décadas: como produzir mais e melhor sem comprometer a saúde das pessoas, dos ecossistemas e do próprio planeta?</p>
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		<item>
		<title>Ovos e café puxam lista de produtos em falta nos supermercados no mês de maio</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ovos-cafe-falta-produtos-supermercados-maio-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 22:33:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Abastecimento]]></category>
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		<category><![CDATA[ovos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a crescer em maio de 2026, puxada principalmente por ovos e café. O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a indisponibilidade de itens no varejo, subiu para 12,4% no mês, alta de 0,9 ponto percentual em relação a abril, quando havia ficado em 11,5%. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a crescer em maio de 2026, puxada principalmente por ovos e café. O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a indisponibilidade de itens no varejo, subiu para 12,4% no mês, alta de 0,9 ponto percentual em relação a abril, quando havia ficado em 11,5%.</p>
<p>O resultado interrompeu o movimento de melhora observado no mês anterior e reforçou a pressão sobre a cadeia de abastecimento de alimentos e bebidas. Na prática, a ruptura indica que determinado produto não estava disponível para o consumidor no ponto de venda no momento da compra.</p>
<p>Entre as categorias monitoradas, os ovos de aves tiveram o maior índice de falta nas prateleiras. A ruptura do item avançou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, alta de 2,9 pontos percentuais. O café também teve piora relevante, com o índice passando de 6,8% para 8,6%, avanço de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>O movimento mostra que a queda ou estabilidade de preços nem sempre significa maior disponibilidade nas lojas. Em alguns casos, o aumento da procura, a sazonalidade, os ajustes de estoque e a dinâmica logística podem elevar a falta de produtos mesmo em períodos de recuo nos preços ao consumidor.</p>
<h2>O que é ruptura no varejo</h2>
<p>No varejo alimentar, ruptura é o termo usado para indicar a ausência de um produto na gôndola. Isso pode ocorrer por falhas de reposição, atraso logístico, erro de previsão de demanda, falta no fornecedor, mudança no comportamento do consumidor ou decisão do varejista de reduzir estoque.</p>
<p>O indicador é importante porque afeta diretamente o faturamento dos supermercados e a experiência de compra do consumidor. Quando o item não está disponível, o cliente pode trocar de marca, comprar outro produto, adiar a compra ou procurar o concorrente.</p>
<p>Para o varejo, o desafio é equilibrar disponibilidade e capital empatado em estoque. Estoque baixo demais aumenta o risco de ruptura. Estoque alto demais eleva custos, perdas e pressão sobre margens, especialmente em categorias perecíveis ou de alto giro.</p>
<p>Em maio, a combinação de sazonalidade, oscilações de preço e mudanças no ritmo de consumo contribuiu para a piora do indicador em categorias relevantes da cesta alimentar.</p>
<h2>Ovos lideram falta nas prateleiras</h2>
<p>Os ovos de aves continuaram como a categoria com maior nível de ruptura entre os produtos analisados. O índice passou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, avanço de 2,9 pontos percentuais.</p>
<p>A alta da indisponibilidade ocorreu mesmo com sinais de acomodação nos preços. A embalagem com seis unidades caiu de R$ 7,51 para R$ 7,15, o menor valor desde janeiro. A caixa com 12 unidades recuou de R$ 11,98 para R$ 11,61, enquanto a de 24 unidades passou de R$ 11,67 para R$ 11,52. Já a embalagem de 30 unidades subiu levemente, de R$ 21,43 para R$ 21,56.</p>
<p>O comportamento sugere que o problema não está apenas no preço, mas também na capacidade de reposição e na distribuição do produto no varejo. Mesmo <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333474">com produção ainda elevada no país</a>, a cadeia mostrou sinais de ajuste.</p>
<p>Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de ovos de galinha somou 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre de 2026. O volume foi 0,4% maior que o registrado no mesmo período de 2025, mas ficou 3,5% abaixo do quarto trimestre de 2025.</p>
<p>Essa leitura ajuda a explicar a pressão nas gôndolas. A produção segue em patamar alto, mas perdeu força na comparação trimestral, o que pode ter reduzido a folga de abastecimento em determinados mercados.</p>
<h2>Café também fica mais difícil de encontrar</h2>
<p>O café foi outro destaque da piora no abastecimento. A ruptura da categoria subiu de 6,8% em abril para 8,6% em maio, avanço de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>A alta ocorreu apesar da queda nos preços médios acompanhados no período. O café em pó recuou de R$ 73,45 para R$ 71,22 por quilo. O café em grãos caiu de R$ 133,96 para R$ 127,28 por quilo.</p>
<p>Esse descompasso entre preço e disponibilidade é relevante para o consumidor. Mesmo com algum alívio no valor final, o produto pode não estar presente em todas as lojas, marcas ou apresentações procuradas.</p>
<p>No caso do café, a ruptura pode ser influenciada por fatores como recomposição de estoques, substituição de marcas, variação de demanda e ajustes no repasse de preços ao longo da cadeia. Para supermercados, a categoria exige atenção porque tem alto giro, forte presença na cesta básica e sensibilidade elevada a preço.</p>
<h2>Açúcar avança mesmo com preços menores</h2>
<p>O açúcar também registrou aumento de ruptura em maio. O índice subiu de 8,6% para 10,4%, alta de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>Nos preços, o movimento foi de queda. O açúcar refinado passou de R$ 4,39 para R$ 4,23 por quilo. O açúcar cristal caiu de R$ 3,73 para R$ 3,71 por quilo.</p>
<p>A leitura econômica é que preços mais baixos podem estimular a procura e acelerar o giro nas lojas. Quando o consumo cresce em velocidade superior à reposição, a ruptura aumenta, mesmo em um ambiente de maior oferta na cadeia produtiva.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="323472">mercado</a> de açúcar vinha sendo influenciado pelo avanço da safra e por maior disponibilidade do produto, fatores que pressionaram os preços no mercado interno. Para o varejo, porém, o aumento da competitividade do item pode ter ampliado a demanda nas gôndolas.</p>
<h2>Azeite volta a pressionar o abastecimento</h2>
<p>Depois de melhora em abril, o azeite voltou a registrar aumento de ruptura em maio. O índice passou de 10,8% para 12,6%, também com alta de 1,8 ponto percentual.</p>
<p>A categoria teve comportamento misto nos preços. O azeite virgem subiu de R$ 62,66 para R$ 63,71 por litro, enquanto o extravirgem caiu de R$ 75,20 para R$ 74,42 por litro.</p>
<p>O azeite segue como uma das categorias mais sensíveis do varejo alimentar, tanto pelo preço elevado quanto pela dependência de importações e pela volatilidade da oferta internacional. Oscilações de abastecimento, câmbio e custo logístico podem impactar a presença do produto nas prateleiras.</p>
<p>Para o consumidor, a ruptura pode aparecer não apenas como ausência total do item, mas também como redução de variedade, menor oferta de marcas ou indisponibilidade de versões mais procuradas.</p>
<h2>Vinho e cerveja também têm alta de ruptura</h2>
<p>Além dos alimentos básicos, bebidas também tiveram aumento de indisponibilidade nas gôndolas.</p>
<p>No caso do vinho, a ruptura passou de 10,6% para 12,2%, alta de 1,6 ponto percentual. O movimento acompanha a sazonalidade típica da categoria, já que o consumo tende a ganhar força nos meses mais frios do ano.</p>
<p>Os preços tiveram comportamento majoritariamente negativo. O vinho importado caiu de R$ 61,00 para R$ 59,01. O vinho fino nacional passou de R$ 46,71 para R$ 46,14. O vinho de mesa ficou praticamente estável, de R$ 24,86 para R$ 24,87. Já a sangria subiu de R$ 11,28 para R$ 12,28.</p>
<p>A cerveja teve a menor alta de ruptura entre os itens destacados, mas também piorou. O índice passou de 10,4% em abril para 11,5% em maio, avanço de 1,1 ponto percentual.</p>
<p>Apesar de o período ser tradicionalmente mais fraco para a categoria, na comparação com o verão, a cerveja mantém alto giro e grande variedade de marcas, embalagens e versões. Isso exige reposição constante e planejamento mais preciso dos supermercados.</p>
<h2>O que o aumento da ruptura mostra sobre o consumo</h2>
<p>A alta do Índice de Ruptura em maio mostra que o varejo alimentar ainda opera sob pressão, mesmo em categorias nas quais houve queda de preços.</p>
<p>O dado é importante porque a disponibilidade do produto é parte central da inflação percebida pelo consumidor. Quando um item some da prateleira, o cliente pode migrar para marcas mais caras, embalagens diferentes ou produtos substitutos, o que muda a composição da compra.</p>
<p>Para supermercados, a ruptura representa perda potencial de venda. Para fornecedores, pode indicar falha na distribuição ou dificuldade de acompanhar mudanças rápidas de demanda. Para consumidores, significa menor previsibilidade na compra de itens de rotina.</p>
<p>O avanço em ovos e café é especialmente relevante porque os dois produtos têm forte presença no consumo doméstico brasileiro. A falta desses itens nas gôndolas tende a ser mais percebida pelo consumidor do que a indisponibilidade de categorias menos frequentes.</p>
<h2>Pressão deve manter varejo em alerta</h2>
<p>O resultado de maio indica que supermercados terão de reforçar a gestão de estoque e reposição nos próximos meses, especialmente em categorias de alto giro e grande sensibilidade de preço.</p>
<p>O cenário exige atenção a três pontos: comportamento da demanda, custos logísticos e velocidade de recomposição da oferta. Quando esses fatores se movem ao mesmo tempo, o risco de ruptura aumenta.</p>
<p>A alta do indicador não significa desabastecimento generalizado, mas aponta piora na disponibilidade de produtos específicos. Para o consumidor, isso pode aparecer como prateleiras incompletas, menor variedade ou dificuldade para encontrar marcas habituais.</p>
<p>Com <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 16 de julho: Bolsa cai com tarifaço dos EUA e pressão de Vale e bancos" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="328496">ovos e café no</a> centro da pressão, o varejo alimentar entra no meio do ano com um desafio adicional: manter preços competitivos sem ampliar a falta de produtos nas gôndolas.</p>
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